
Protestos que explodiram em várias cidades dos EUA após a morte de dois homens negros por policiais brancos culminaram na morte de cinco oficiais.
Dois franco-atiradores alvejaram um batalhão que acompanhava uma manifestação em Dallas (Texas), na noite de quinta (7).
Segundo a polícia local, há ainda oito feridos. Testemunhas relatam dezenas de tiros disparados em poucos minutos.
A morte de Philando Castile, 32, e Alton Sterling, 37, foi o gatilho para uma série de protestos, em sua maioria pacíficos.
Castile geme de dor, a camisa branca ensopada de sangue. O policial que atirou nele ainda aponta a arma pela janela do carro.
Sua namorada, Diamond Reynolds, transmitiu a agonia em tempo real, via streaming no Facebook, a partir de Falcon Heights, em Minnesota, na quarta (6).
No vídeo, a filha de 4 anos chora no banco de trás, e a mãe questiona: “Você disparou quatro balas, senhor. Ele só estava pegando sua carteira de motorista”.
Um garoto de 15 anos, um dos cinco filhos de Sterling, chora ao lado da mãe, que fala à imprensa sobre a morte do ex-companheiro.
Na terça (5), Sterling foi imobilizado, com o rosto no chão, em frente ao posto de conveniência onde vendia CDs em Baton Rouge, Louisiana. Após gritar “arma!” (que supostamente estaria no bolso do suspeito), o policial atirou várias vezes. Não prestou socorro imediato, conforme imagens registradas por celulares.
Sterling e Castile se tornaram os 122º e 123º negros mortos pela polícia americana em 2016, segundo banco de dados do “Washington Post”.
O número representa 24% de 509 vítimas. Os afroamericanos somam 13% da população americana, segundo o censo.
As mortes reaqueceram o debate sobre racismo e violência policial nos EUA.
O presidente Barack Obama disse que não as vê como “incidentes isolados” e que “todos os americanos deveriam estar profundamente perturbados” por elas.
O governador de Minnesota, Mark Dayton, afirmou que ninguém deveria morrer por causa de uma lanterna quebrada (o que levou Castile a ser parado pela polícia, segundo a namorada).
“Isso teria acontecido se passageiro ou motorista fossem brancos? Não creio”, disse o governador, que pediu investigação federal.
Folha
Comente aqui