Sob protesto, Paraná enfrenta o lanterna ABC

Era para ser uma noite tranquila na Vila Capanema. Embalado rumo ao acesso na Série B, o Paraná enfrenta hoje, às 21 h, o lanterna ABC. Os transtornos na preparação, entretanto, cercaram o jogo de expectativa. Em virtude dos atrasos de salários – julho e agosto – os jogadores decidiram não treinar. Dois treinamentos estavam programados para o Durival Britto. Nenhum foi realizado.

O elenco fez apenas um trabalho improvisado na tarde de ontem com o técnico Dado Cavalcanti, no campo de futebol society do hotel onde ficou concentrado, na Cidade Industrial de Curitiba. Só para não ficar três dias sem atividades antes da abertura do segundo turno do Nacional.

Apesar dos contratempos, a diretoria paranista acredita que nada disso contaminará o desempenho da equipe. “É um time de caráter, focado. É claro que essa situação deixa as pessoas intranquilas, mas não vai influenciar”, afirma Paulo César Silva, vice-presidente do Tricolor.

Com a mudança da rotina, os jogadores não concederam entrevistas pré-jogo. Ontem, ao descerem do ônibus na concentração, foram obrigados a entrar pela área de serviço do hotel para fugir de dois repórteres e um fotógrafo.

Por telefone, entretanto, os boleiros não escondem a insatisfação com as promessas até agora não cumpridas. A última é de que na quarta-feira todos receberão um cheque para descontar o mês de julho. E que agosto será quitado até o dia 28 deste mês.

Para ajudar no pagamento, o clube fechou ontem com a Projeta Imóveis um patrocínio para o embate desta noite. A empresa com sede em Campo Largo exibirá a marca na camisa tricolor. A quantia não foi revelada.

Mesmo assim, os jogadores garantem que nada muda. “O grupo está muito fechado e empenhado na classificação para a Primeira Divisão”, comentou um atleta que preferiu não se identificar.

A folha salarial do Paraná gira em torno de R$ 1,1 milhão – R$ 200 mil para funcionários e R$ 920 mil para o futebol. O clube busca R$ 4 milhões para arrumar a casa e assegurar as contas em dia.

Dinheiro que poderia vir da venda da sede do Tarumã. Dos R$ 30 milhões arrecadados, mais de 80% (R$ 24 milhões) foram consumidos no pagamento de impostos atrasados. O restante, cerca de R$ 5 milhões, está bloqueado judicialmente.

O Banco Central conseguiu reter o valor em abril, como garantia do pagamento de uma multa referente a transferências internacionais de cinco jogadores, nos anos 90. Os laterais Balu, Gil Baiano e Denílson, o meia Ricardinho e o atacante Claudinho.

 

Gazeta do Povo