Quem vai reparar os danos causados a esse dentista de Assu que teve a vida trucidada por uma improcedente acusação de estupro?

por Dinarte Assunção

A história de dentista Jovane Dantas entrou na minha vida numa tarde de 2016.

Era uma audiência pública sobre violência contra a mulher e a palavra foi concedida a um homem indignado, que passou a narrar, com crueza de detalhes, como a filha tinha sido brutalmente estuprada por Jovane, em Assu, em 2014.

Fiquei tão chocado com a história que fui atrás daquele enredo, onde enxerguei um potencial para uma grande reportagem.

Mas a minha apuração esbarrou em inconsistências sobre o estupro, do qual passei a duvidar pela falta de elementos que caracterizassem o crime. Decidi acompanhar o processo judicial e, naquele momento, não publiquei a história.

Nesta segunda-feira (15), a sentença do caso veio a público: a Justiça entendeu que não há elementos que provem o estupro a não ser a palavra da vítima. Com laudos apontando que a violência sexual não existiu, só restava a absolvição.

Mas a declaração de inocência não repara o dano que Jovane sofreu, tendo sido, nos últimos anos, vítima de uma campanha difamatória na internet, com o nome associado à violência sexual.

“É um alívio e ao mesmo tempo não, é uma sensação desagradável. A abolvição não aplaca o dano que já foi feito. Ganhei mais cabelos brancos. Estou mais seguro de algumas coisas, mas com receios de viver a vida plenamente. Eu fiquei de certa forma com receio, com medo”, afirmou o dentista em entrevista ao blog.

Com o medo de sofrer retaliações pela proliferação da fama de estuprador, Jovane e sua esposa precisaram atravessar os últimos anos com acompanhamento psicológico. “Hoje dependo de ansiolíticos”, revelou.

A autora da denúncia do estupro mora hoje na Inglaterra, onde se casou. No relato que ofereceu à Justiça, contou que foi convidada pela a esposa de Jeovane para tomar vinho e banho de piscina e que, tendo aceitado, foi violentada pelo dentista, na presença e com o apoio da própria esposa.

Agora, com a história comprovadamente indicada como insustentável, a inevitável pergunta: quem vai reparar os danos a Jovane?

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Roseane disse:

    Ora..processar quem o acusou seria um bom começo, não?.Pq não o faz?. Depois assim como a imprensa divulga que o moço em questão é inocente …divulgue também que a mulher em questão é uma caluniadora…e que pague ela por esse dano.

  2. Manuel Júnior disse:

    2 delegados indiciaram o meliante, 3 vítimas. Sabemos que o estuprador comprou judiciário . São 3 vítimas.

    • Mario de Andrade disse:

      O indiciamento por parte dos delegados, faz parte do procedimento processual, é o inicio do processo. Após este procedimento o processo vai para o judiciário onde sera avaliado, onde será mostrada as provas e contra-provas.
      Neste caso deste dentista, acredito eu que não tiveram provas suficientes para condena-lo.
      Resta agora a este dentista processar esta acusadora que ao que parece só quer aparecer e tomar dinheiro deste cidadão.

  3. Myle disse:

    Pra mim, o que fica são diversas outras inquietações bem diferente da proposta pela matéria…

  4. joao disse:

    Sem provas, nao ha crime… porem faltou o lado social desse texto como educativo a vitimas de estupro e vulneraveis: a prova so ha se a vitima procurar o servico especializado de imediato, ou com testemunhas (o que nem sempre é possivel). Porem por vergonha, humilhacao, ela propria dificulta a defesa. No interior, por questoes culturais ou familiares, poder economico, vitimas nao relatam o problema por falta de delegacias especializadas. Vestígios materiais e lesões físicas podem desaparecer antes da vítima se dar conta do que ocorreu quando ingere bebidas alcoólicas ou estao drogadas, a maior parte dos casos de violência sexual é cometida por conhecidos e as vítimas têm medo de denunciá-los.

  5. Ana disse:

    Mesmo provando não ser criminoso, o estrago está feito e não tem reparo. Se a pessoa se envolve em uma situação e tenta provar que não é criminoso e nunca foi, trabalho perdido, o estrago está feito. Voce dentro do ambiente da justiça é olhado com desprezo, desdém e essa humilhação implícita, não tem dinheiro qUE pague.

  6. André Gonçalves de Medeiros disse:

    Covardia isso. Carnelutti já havia dito: "o processo penal é a própria pena".

  7. OLHOPOROLHO disse:

    Cabe um processo contra autora da infâmia !!! Não repara os danos mas
    Ameniza , não pode é deixar ficar sem uma resposta a altura .

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