Judiciário

Palocci foi ‘porta-voz de propina’ a Delfim Netto, diz procurador

Foto: Roberto Stuckert Filho / Agência O Globo

O ex-ministro Antonio Palocci foi o porta-voz do governo federal para a cobrança de vantagens indevidas a Delfim Netto e José Carlos Bumlai junto às empreiteiras que atuaram na construção do Belo Monte, segundo o Ministério Público Federal.

De acordo com o procurador Athayde Ribeiro Costa, o governo federal atuou para direcionar a licitação para o consórcio Norte Energia. O grupo de empresas se reuniu graças à atuação do ex-ministro Delfim Netto e do pecuarista José Carlos Bumlai, que já foi investigado na Lava-Jato por outros negócios envolvendo o PT e o ex-presidente Lula.

Residências e o escritório de Delfim Netto foram alvos de busca e apreensão durante a manhã desta sexta-feira, além das sedes da empreiteira J. Malucelli, no Paraná, uma das empresas que participaram do consórcio Norte Energia e fizeram depósitos a Delfim Netto.

Nesse caso, segundo o membro do MPF, no entanto, não foi identificado nenhum pagamento a Bumlai.

O consórcio venceu a licitação de Belo Monte após as principais empreiteiras, favoritas no certame, desistirem da obra, alegando que os gastos propostos pelo governo estavam abaixo do que a hidrelétrica de fato custaria.

O governo, então, atuou para a formação de outro consórcio, liderado por empresas menores. Segundo o procurador, a consórcio Norte Energia não tinha como tocar a construção de Belo Monte. Posteriormente, o grupo subcontratou as grandes empreiteiras que perderam a licitação, como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, para liderarem a obra.

— Segundo a investigação, Delfim Netto, em conjunto com Bumlai, ajudou o governo federal a estruturar o consórcio Norte Energia formado por diversas empresas que não teriam capacidade para o empreendimento. Em virtude dessa ajuda, que constituiu uma fraude, Delfim Netto foi agraciado com o direcionamento das vantagens indevidas que Palocci tinha pedido para o PT e o PMDB — disse.

Sergio Moro bloqueia R$ 4 milhões de Delfim

Ao todo, as vantagens indevidas somariam R$ 15 milhões, mas o Ministério Público Federal rastreou até o momento R$ 4 milhões, pagos em espécie e em depósitos para empresas de Delfim Netto ou de seu sobrinho, Luiz Appolonio Neto.

No despacho em que autorizou a deflagração da operação, o juiz Sergio Moro preferiu manter o bloqueio em R$ 4,4 milhões, apesar do pedido do MPF para que R$ 15 milhões ficassem indisponíveis para o ex-ministro.

A Odebrecht foi a responsável pelo pagamento em dinheiro vivo para Delfim, no escritório de seu sobrinho. A empreiteira registrou o pagamento de cerca de R$ 240 mil em um endereço nos Jardins, área nobre de São Paulo, no sistema Drousys, que utilizava para registrar o pagamento de propinas. A senha da entrega foi “Perfume”, segundo a tabela apreendida pela Polícia Federal. Em outras entregas, as senhas foram “Pastel” e “Diamante”.

Em 2016, Appolonio admiitiu que recebeu os valores a pedido de Delfim, mas que não sabia a que se referia. Os valores teriam sido entregues a ele porque seria mais conveniente ao ex-ministro.

Outras empresas, segundo o MPF, fizeram o pagamento de vantagens indevidas por meio de depósitos às empresas de Appolonio e Delfim, sob a alegação de que se tratavam de pagamentos de consultoria. Os procuradores afirmam que os serviços, no entanto, não foram prestados.

Em depoimento, Delfim Netto também admitiu que recebeu os valores da Odebrecht. No entanto, o ex-ministro afirmou que os valores eram referentes a uma consultoria que prestou à empresa. Para o procurador Athayde Ribeiro Costa, ao omitir o recebimento de outras empresas, Delfim Netto teria faltado com a verdade.

— Ele não falou a verdade, tentou mascarar os recebimentos de vantagens indevidas em supostos contratos de consultoria cujos serviços jamais foram prestados conforme declarado até pelos colaboradores — disse.

Apesar disso, o Ministério Público Federal afirmou que não pediu nenhuma medida cautelar contra Delfim Netto, como prisão temporária ou preventiva.

— O Ministério Público não reuniu os elementos (para esse tipo de pedido). As investigações vão prosseguir e caso isso se torne necessário, os pedidos serão realizados — disse.

Defesa nega acusações

A defesa de Delfim Netto informou que “o professor Delfim Netto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu qualquer ilícito e os valores recebidos foram honorários por consultoria prestada”. Os advogados afirmaram que vão se interirar do processo para dar mais esclarecimentos.

Delfim Netto é defendido pelos advogados Fernado Araneo, Ricardo Tosto e Jorge Nemer.

Em nota, o PT afirmou que “as acusações dos procuradores da Lava Jato ao PT, na investigação sobre a usina de Belo Monte, não têm o menor fundamento”. Segundo a sigla, “na medida em que se aproximam as eleições, eles tentam criminalizar o partido, usando a palavra de delatores que buscam benefícios penais e financeiros”.

Já o MDB destacou, em nota, que “não recebeu proprina nem recursos desviados no Consórcio Norte Energia”. O partido disse lamentar “que uma pessoa da importância do ex-deputado Delfim Neto esteja indevidamente citado no processo”. O texto prossegue: “Assim, como em outras investigações, o MDB acredita que a verdade aparecerá no final”.

A defesa de José Carlos Bumlai afirmou que o pecuarista “não foi alvo da operação deflagrada justamente porque não teve nenhuma participação em atos ilícitos nela apurados. Além disso, já prestou todos os esclarecimentos a respeito desses fatos mais de uma vez à Polícia Federal.”

A defesa de Luiz Appolonio Neto, representada pelo advogado Fernando Araneo, sócio do Leite, Tosto e Barros Advogados, “refuta veementemente as acusações e esclarece que sua vida profissional sempre foi pautada pela legalidade”, enfatiza Araneo.

O GLOBO procurou a defesa de Antonio Palocci e aguarda seu posicionamento.

O Globo

 

Opinião dos leitores

  1. Vamos nos matar uns aos outros pq o crime compensa. Volta Cristo, para ver se o homem aprende. DEUS perdoe a humanidade.

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Judiciário

Lula responsabilizar Marisa é ‘triste’, diz procurador

O procurador do MPF Carlos Fernando dos Santos Lima fala durante entrevista coletiva, em Curitiba (Vagner Rosario/Folhapress)

Um dos principais nomes da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter atribuído à sua esposa, Marisa Letícia – que faleceu em fevereiro – a intenção de adquirir, um apartamento tríplex no Guarujá (SP). Para Carlos Fernando, a fala de Lula não tem “consistência” e, se tratando da ex-primeira-dama, “é um tanto triste de se ver”.

“No geral, eu não vi nenhuma consistência nas alegações (de Lula). Infelizmente, as afirmações em relação à Dona Marisa, a responsabilizando por tudo, é um tanto triste de se ver feitas nesse momento até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender”, afirmou o procurador, que esteve presente ao depoimento do ex-presidente ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira, em Curitiba.

Ele avaliou que interrogatório de Lula “transcorreu como tinha que transcorrer” e criticou os advogados do petista por terem acusado o Ministério Público Federal (MPF) e Moro de fazer perguntas que não tinham relação com o objeto da denúncia. “Talvez a defesa devesse olhar os autos com mais cuidado”, disse. Na avaliação de Santos Lima, a afirmação dada pelos defensores, em coletiva de imprensa após a audiência, “talvez sirva para confundir” e é “inadmissível”. “Para nós, ela é absolutamente sem sentido e capciosa”, completou.

Diligências

O procurador afirmou que, obrigatoriamente, o MPF vai pedir mais diligências – como inquéritos ou mandados de busca e apreensão – antes da abertura para as alegações finais do processo. Santos Lima alegou que os procuradores ainda estão definindo, neste momento, quais pedidos serão feitos à Justiça.

Ele também comentou o embate travado entre Lula e Moro, quando o juiz questionou o réu sobre afirmações feitas na semana passada, especialmente quando disse que mandaria prender quem hoje “inventa medidas contra ele”. Santos Lima minimizou os efeitos das declarações. “Presidente não manda prender. Então isso era uma coisa que só podia ser uma forma de se expressar um pouco mais eloquente”, comentou.

Tríplex

Um apartamento tríplex, no edifício Solaris, no litoral de São Paulo, é o principal objeto de uma das cinco ações penais que o ex-presidente Lula responde na Justiça. Segundo a acusação, o petista teria beneficiado a construtora OAS em três contratos com a Petrobras e, em troca, recebido 3,7 milhões de reais através da reserva e reforma do imóvel. Outro benefício teria sido 1,3 milhão de reais para cobrir os custos de armazenamento do acervo presidencial.

No depoimento desta quarta-feira, o ex-presidente afirmou que chegou a visitar o imóvel, mas que nunca foi seu proprietário e que apenas Marisa Letícia visitou o apartamento em uma segunda oportunidade por ter interesse em adquiri-lo. Antes de falecer, a ex-primeira-dama também era ré na ação penal.

Veja

 

Opinião dos leitores

  1. Concordo. Com esse comentário. POIS ASSIM ACONTECEU COM TANTOS OUTROS QUE FORAM SILENCIADOS PRA SEMPRE. ENTÃO A BELA DONA. ….. MARISA PODE MUITO BEM TER SIDO MAIS UMA. NÃO É ATOA QUE TUDO QUEM SABIA OU TALVEZ SABIA DIANTE DA INOCÊNCIA DELE, DO LULA, ERA ELA?????

  2. Acho que deveriam repeitá-la, já que ela não está mais aqui para falar, muito menos para se defender. Mas acho também que ela não aguentou a "pressão" de tanto desmando que ela tinha conhecimento e talvez não compactuasse com esses atos, então a mente e o corpo não suportaram.

  3. Não tenho como provar, nem muito menos afirmar, mas será que Dona Marisa morreu ou foi "morrida"?….Será que ela não estava disposta a falar a vdd e a calaram?…Nunca saberemos…

  4. Tenho uma forte convicção , mas não tenho certeza, que Lula sabia de tudo.
    Mas, convenhamos, essa justiça é muito fraca. Não consegue uma prova sequer.
    Sem prova não dá pra condenar, mas dá para não votar em Lula na próxima eleição. A menos que o adversário seja Aécio, Bolsonaro, Doria, Hulk, Marina ou qualquer outro da PSDB, DEM ou PP. Nesse caso não terei escolha. Teria que votar em Lula mesmo.

  5. Melhor pra Lula, deram um tiro no pé, o ômi disse, em juízo e para o mundo ouvir, que é candidato em 2018, tem grande chance de voltar à presidência, de novo, PELO VOTO.

  6. Sinceramente! Não sou Jurista, Advogado ou coisa do tipo. Não admiro Lula e acho mesmo que ele tem Que pagar por algum dano causado por ele. Mas venhamos e convenhamos que essa acusação baseada em matéria de jornais e muitas coisas sem provas concretas eu achei muito fraca a acusação. E oq ficou parecendo na minha humilde opinião e que esse Juiz pelo menos no que eu vi nesses vídeos e que fizeram essa audiência pra dar ibope e para aparecer. Pq ficou completamente vaga essas acusações.

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Polêmica

É possível e provável que políticos acabem com a Lava Jato, diz procurador

24jul2015---o-procurador-da-republica-deltan-dallagnol-centro-apresenta-novas-denuncias-do-ministerio-publico-federal-mpf-referentes-a-14-fase-da-operacao-lava-jato-nesta-sexta-feira-24-em-1437776383969_615x3Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, disse ser “possível e até provável” que as investigações do maior escândalo de corrupção do país acabem. “Quem conspira contra ela são pessoas que estão dentre as mais poderosas e influentes da República”, afirmou.

Dallagnol disse que as conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o ex-presidente José Sarney (AP) e o senador e ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (RR), todos da cúpula do PMDB, expuseram uma trama para “acabar com a Lava Jato”.

“Esses planos seriam meras especulações se não tivessem sido tratados pelo presidente do Congresso Nacional”, disse o procurador. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

(mais…)

Opinião dos leitores

  1. ESSA É A VERDADEIRA INTENÇÃO DOS GOLPISTAS, QUE HOJE ESTÃO NO PODER, ACABAR COM A LAVA JATO PRA SE SAFAREM. NÃO DUVIDO.

  2. Tenha medo não petista que a Lava Jato ainda vai prender todos vocês. A corrupção existe desde que Cabral descobriu o Brasil mas vocês do PT aperfeiçoaram e multiplicaram por mil. Quanto a esse senhor, tem falado muita bobagem e demonstra simpatia pela quadrilha de vermelho.

  3. A erança deixada pelo Dilma pra o Legítimo Governo Temer foi de…..
    R$ 170 Bilhões de Reai$

  4. A " Lava Jato" da Itália (Operação Mãos Limpas) foi tão ou mais importante do que a nossa. Quando todos pensaram: acabou a corrupção na Itália, eis que veio Berlusconi…
    Quem virá depois da nossa Lava Jato…??

  5. Esse "garoto" ultimamente vem falando muita bobagem…
    A "Lava Jato" tem vida própria,
    Alimentada pela :
    Receita Federal ;
    STJ
    Polícia Federal;
    STF;
    Justiça Federal (PR) e principalmente,
    pela Sociedade Civil Organizada….
    Portanto para se extinguir a operação,
    teria q haver um grande compôs (GOLPE… rs) envolvendo todos os setores acima relacionados….. Rs… Rs.. Rs..

  6. Nenhuma mão humana vai manobrar a lava jato! Pois está no piloto automático. Vamos até o fim doa a quem doer, isso é o certo.

    1. Se brincar ate Pedro Álvares cabral sera investigado por ter descobrido esse País

  7. Tudo era apenas para o golpe e de repente domará proporções maiores que e o senado e a câmara esperavam e foram atingidos e o desespero tomou conta. Este e o país dos coxinhas.

    1. O choro é livre, e sempre será, mas se o PT continuasse no poder, até isso seria censurado.
      Saquearam tudo, faliram a petrobras, a CEF e os Correios.
      Implantaram a corrupção como forma de governo e de governar.
      Prometeram reformas e não fizeram nenhuma.
      Criticaram as privatizações e privatizaram.
      O PT se diz radicalmente contra ditadura e financia ditaduras pelo mundo.
      O PT discursava ser contra impostos, não diminuiu ou extinguiu nenhum e ainda criou impostos.
      O PT se diz democrático, mas tentou fiscalizar a imprensa e não aceita ser criticado ou apontado como responsável pela atual inflação e paralisia da economia e indústria.
      O PT afirma ter tirado 36 milhões de pessoas da miséria e deixou o governo com 12 milhões de desempregados.
      O PT dizia que iria moralizar a política e sai do poder como o partido que mais teve escândalos de corrupção, "como nunca antes na história desse país".
      Fala aí Cabral, quem fez todos esses benefícios pelo Brasil? Respondo – Unica e exclusivamente o PT

    2. Não acredito que seja um golpe cabral os fatos ja se contradiz

    3. Coxinha de Mortadela ja via ate a propaganda na Tv coxinha de propina recheada de Mortadela sabor de Passadena

    4. Esse Cabral É um IMBECIL de carteira .,..esse nunca trabalhou NA vida.,esta chorando por que perdeu o CC

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Diversos

Odebrecht quer acordo para ‘salvar o patrimônio da família’, diz procurador

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, criticou nesta quarta-feira (30) a possibilidade de firmar acordo de leniência com a Odebrecht.

Na visão do procurador, um acerto nesse sentido serviria para “salvar o patrimônio da família que controla essa empresa”.

“Os empregos vão e vêm. Nesse caso, nós estamos falando em salvar o patrimônio dessas famílias”, afirmou, após citar o caso da “empresa que tinha planilhas de propina”. A fase mais recente da Lava Jato revelou que a Odebrecht mantinha uma diretoria especifica para tratar de propina. Pouco depois, foram incluídos nos processos da operação planilhas com informações de pagamentos da empresa a políticos.

Sobre uma possível troca de presidente, Santos Lima disse acreditar que a eventual mudança no Palácio do Planalto não deve alterar o curso da Lava Jato.

“Em um país com instituições sólidas, a troca de governos não significa absolutamente nada”, disse. “Eu quero crer que nenhuma troca signifique mudança de rumos para o Ministério Público”, acrescentou.

O procurador também elogiou os governos do PT que, segundo ele, permitiram o fortalecimento da PF e do Ministério Público, sem intervir. “Os outros governos intervinham mesmo”, disse.

GRAMPOS

Santos Lima defendeu o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, no caso dos grampos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O juiz Moro está pagando um preço desnecessário. Todas as decisões que tomamos têm uma repercussão política mas, quando eu escolho não dar publicidade, ninguém nem fica sabendo da escolha tomada. É sempre preferível a publicidade”, defendeu.

Ele argumentou ainda que sigilo é perfeitamente justificável em casos envolvendo família, mas não em casos envolvendo políticos.

FORO

O procurador criticou o foro privilegiado no Brasil, que faz com determinadas autoridades só possam ser alvo de ação em tribunais superiores.

“No Brasil temos uma república de desiguais, que cria facilitadores para a corrupção. Eu só posso ser acusado e julgado no Superior Tribunal de Justiça. Temos no Brasil 22 mil pessoas com foro privilegiado”, disse.

Ele afirma que, como o STF não é uma corte criminal, há risco de prescrição dos processos contra políticos investigados na Lava Jato.

“[O foro] Não é por si só criminógeno, mas é facilitador da impunidade. Imagine se uma dessas listas com cento e tantos políticos for julgada pelo STF. Certamente haverá a prescrição. O Supremo não é uma corte que saiba julgar processo penal, é uma corte constitucional”, disse.

“Tudo lá é ritualístico, é demorado. Não estou desmerecendo o Supremo, estou criticando a maneira que escolhemos para julgar a classe política”, completou.

Folha Press

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Finanças

Obras em sítio de Atibaia podem ter sido forma de propina, diz procurador

2016_889275387-201602171652168061.jpg_20160217Polícia militar ambiental realiza vistoria no sitio frequentado pela ex-presidente Lula em Atibaia – Marcos Alves / Agência O Globo

As obras que a Odebrecht fez no sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Lula e sua família, podem ter sido uma forma de propina, segundo o procurador da Lava-Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima. Ele afirma que a mudança de postura da empreiteira, que ontem passou a admitir ter feito serviços na propriedade, é sinal de que a empresa tenta minimizar os fatos.

— É uma tentativa de defesa. Dizer que foi favor, presente, é uma forma de minimizar o que realmente pode ter acontecido. As obras aconteceram. A Odebrecht pagou por elas. Eu desconfio de cavalo de troia — disse ao GLOBO, na manhã desta quinta-feira, no Ministério Público Federal em São Paulo, durante ato em comemoração ao recolhimento de 1,5 milhão de assinaturas em apoio às medidas anticorrupção.

Questionado se as obras do sítio podem ter sido pagamento de propina ao ex-presidente por favores prestados por ele durante os seus mandatos, Lima respondeu:

— Os pagamentos de propina podem ter vínculo com fatos acontecidos no passado. Isso (as obras da Odebrecht) pode ter sido um pagamento de propina.

Para o procurador, é necessário desconfiar do reposicionamento da empresa.

— Nós já temos certeza que a Odebrecht está diretamente ligada ao sítio. Acho muito estranho, quando a própria empresa traz um funcionário seu para falar uma coisa que, em tese, configura aquilo que já estava sendo investigado e havia sido negado pela empresa anteriormente.

EMPREITEIRA CONFIRMA PARTICIPAÇÃO DE ENGENHEIRO

O engenheiro Frederico Barbosa afirmou, em depoimento à Lava-Jato na segunda-feira, que trabalhou na reforma do sítio em Atibaia, atendendo a um pedido de um chefe seu na Odebrecht. A empreiteira confirmou, por meio de nota, a participação de Frederico Barbosa na obra. A Odebrecht não informou, entretanto, o nome do superior citado pelo engenheiro.

No início de fevereiro, a Polícia Federal abriu um inquérito específico para apurar a relação do ex-presidente com o sítio, registrada no nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar. Segundo as investigações, as construtoras OAS e Odebrecht, além do pecuarista José Carlos Bumlai, realizaram reformas na propriedade como forma de favorecer Lula. A Odebrecht teria pago R$ 500 mil a um depósito de material de construção.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Pode???
    E só porque pode na cabeça de um delegado coxinha, já vira manchetes nos jornais da grande mídia?
    E se não for confirmado, que é o mais provável, como muitos out r os "podes" dessa polícia tendenciosa?
    Aguardo o dia em que a justiça coloque os pontos nos is nessa palhaçada que está atrapalhando a economia.

    1. Os amigos estão todos presos, num dia em que um amigo desse não quiser tirar a cadeia sozinho aí a tua casa vai cair.

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Finanças

Propinas investigadas pela Lava Jato chegam a R$ 10 bilhões, diz procurador; valor pode passar de R$ 20 bi

O esquema de pagamento de propinas na Petrobras e em outras estatais, investigado no âmbito da Operação Lava jato, chega a R$ 10 bilhões. Mas o valor pode passar de R$ 20 bilhões se for incluído no cálculo, além das propinas, os desvios referentes a contratos com fornecedores e os negócios superfaturados, disse hoje (5) o procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF). “Essa é uma estimativa”, acrescentou o procurador.

Dallagnol disse que sua estimativa se baseia em um contrato entre a Petrobras e a Camargo Corrêa, no valor de R$ 1,5 bilhão. Só o superfaturamento nesse contrato chegou a R$ 600 milhões, conforme acrescentou. Só na Petrobrás, o valor de propina “envolveu mais de R$ 6,2 bilhões”, afirmou.

Operação Lava Jato é o nome de uma investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro realizada, iniciada em 17 de março de 2014. Dallagnol abriu nesta manhã, em São Conrado, a programação do último dia do 21º Congresso Nacional do Ministério Público e da 5ª Conferência Regional da International Associations of Prosecutors (IAP) para a América Latina.

“A Lava Jato combate um tumor, mas o sistema é cancerígeno. Não temos uma defesa jurídica contra a corrupção no Brasil. Vivemos um janela de oportunidade e – se não aproveitarmos esse momento para mudarmos nossa realidade – não sabemos quando teremos outra oportunidade como essa”, declarou.

Dallagnol falou sobre “10 medidas contra a corrupção”, campanha do MPF para coibir desvio de verbas públicas e atos de improbidade administrativa. Ele afirmou que a Operação Lava Jato provavelmente não vai mudar a maneira como o país enfrenta a corrupção, mas com certeza criará condições para mudanças estruturais visando a prevenir os desvios de verbas públicas e a prática da improbidade administrativa.

A campanha, que já dura cerca de dois meses, colheu até o momento mais 380 mil assinaturas. Para que se torne projeto de lei de iniciativa popular são necessárias cerca de 1,5 milhão de assinaturas (1% dos eleitorado nacional) para ser encaminhado ao Congresso.

Ele pediu o engajamento dos presentes na campanha para colher assinaturas, cartas de apoio e fazer palestras para informar à população.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

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Judiciário

Lava Jato ‘vai retirar um câncer de uma sociedade doente’, diz procurador

A corrupção é um câncer que torna a sociedade doente, e a Operação Lava Jato é a cirurgia que vai extirpar essa doença.

Foi utilizando-se de imagens médicas que o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, arrancou risos e aplausos de cerca de 750 pessoas na noite deste domingo (2), em Curitiba, durante a abertura de um congresso de medicina.

Convidado para fazer a conferência de abertura do 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia, na capital paranaense, Dallagnol questionou os médicos presentes se eles deixariam de lutar e de empregar todos os esforços se tivessem um filho com apenas mais seis meses de vida.

O recado que quis passar era: “Por algumas causas vale a pena lutar, independentemente do resultado”.

“Ao salvar vidas, vocês são os heróis do nosso país”, afirmou o procurador, no início de sua fala. Ao explicar a função do Ministério Público Federal, disse que o órgão deve servir à sociedade. “Eu sou servo dos senhores”, acrescentou.

Com a ajuda de slides e de vídeos, mostrou em sua exposição os números da corrupção no país e elencou os problemas que ela causou ao Brasil, ao longo da história. “A Lava Jato transforma o país?”, questionou. Antes de dar a resposta, pediu para que cada participante fizesse a mesma pergunta para a pessoa ao lado e que refletisse durante um minuto.

Após o debate na plateia, o procurador afirmou que a Lava Jato “trata de um tumor” e que o melhor que pode vir é a devolução do dinheiro desviado e a punição dos corruptos.

Dallagnol falou ainda sobre as dez medidas que defende para endurecer o combate à corrupção. Ele pediu assinaturas para a campanha do Ministério Público Federal que tenta endurecer leis contra a corrupção, a exemplo do que fez no mês passado ao falar para cerca de 200 pessoas numa igreja batista na Tijuca, na zona norte do Rio.

Dallagnol usou em sua palestra, como exemplo, a situação de Hong Kong, que conseguiu diminuir os casos de corrupção e até forçou pessoas a fugirem. “Como seria no Brasil?”, questionou.

O procurador contou ter sido reconhecido por uma mulher dentro do avião que lhe disse que a Lava Jato “não vai dar em nada”. Sobre a ideia de impunidade, foi incisivo: “Nós não podemos perder a nossa capacidade de nos indignar. Eu não compro a tese de que o Brasil não tem jeito”.

No fim da palestra, Dallagnol recebeu um jaleco do presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, posou para fotos segurando a peça e depois a vestiu, sendo aplaudido pelo público.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Isso só termina com a queda do PT. Do contrário não se acabar nunca, o esquemão é pesado. É muito ladrão. Agora mesmo a farra em Brasilia tá grande. Tá saindo nomeações adoidado, tudo em troca de favores e apoio político. Ou seja, a safadeza é difícil de terminar com esse partido no poder.

  2. Esse câncer da corrupção que tomou conta dos órgãos público precisa ser combatido em todos as cidades, em cada órgão, instituição e aplicação de verba pública. Só assim e assim os recursos arrecadados por nossa esmagante carga tributária vai dar e sobrar na construção de presídios, hospitais, escolas, hidroelétricas, ferrovias, portos, metrô, rodovias e demais carências que temos.

    A corrupção existia e de 10 anos para cá ela se aprofundou, cresceu e chegou a níveis nunca antes visto na história de país. Foi usada por aqueles que juraram combatê-las.

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Diversos

Mais de 90% da Operação Zelotes deve ficar sem punição por falta de provas, diz procurador

O Ministério Público Federal já afirma que não conseguirá reunir provas suficientes para anular a maior parte dos 74 julgamentos do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) que estão sob suspeita dentro do maior caso de sonegação do país.

A estimativa é que em mais de 90% dos casos não haja indícios suficientes para anular as supostas irregularidades, que podem chegar a R$ 19 bilhões. Suspeita-se que quadrilhas atuavam junto ao Carf, revertendo ou anulando multas. O conselho é um tribunal administrativo formado por representantes do Ministério da Fazenda e dos contribuintes (empresas).

O procurador da República Frederico Paiva, responsável pela condução da Operação Zelotes no MPF, afirmou nesta quarta-feira (13) que várias medidas investigativas foram indeferidas pela Justiça, o que dificultou a obtenção de provas. Além disso, alguns julgamentos ocorreram há mais de dez anos.

“Em alguns casos, não vamos reunir provas suficientes”, afirmou Paiva. “O Ministério Público não vai conseguir, infelizmente, alcançar 10% dos ilícitos que foram praticados no caso”, afirmou ao se referir ao percentual de julgamentos sob suspeita.

“A gente não vai conseguir anular os 74 julgamentos. Muita coisa que foi praticada não terá processo. Alguns vão ficar para trás.”

Durante as investigações, que começaram em março, foram indeferidos pedidos de busca e apreensão, prisão temporária e escutas telefônicas pela 10ª Vara Federal.

“É preciso que o Poder Judiciário entenda que provas contra a corrupção só são obtidas com medidas invasivas. É uma vara que foi criada para acelerar esses processos, e você não vê celeridade. Não se vê uma sensibilização da importância do caso”, afirmou.

As primeiras denúncias sobre o caso devem sair entre junho e julho, segundo Paiva. Até o momento, não foi fechada nenhuma delação premiada, o que pode mudar nos próximos meses a partir dessas denúncias. “Como as medidas investigatórias não estão sendo deferidas, as pessoas [investigadas] também não estão preocupadas. Está todo mundo em casa.”

Em termos de valores, há indícios “mais fortes” em relação a processos que somam R$ 5 bilhões, envolvendo entre 15 e 20 empresas das mais de 60 empresas investigadas, algumas em mais de um processo. “Nos R$ 5 bilhões dá para chegar, mas nos R$ 19 bilhões vai ser difícil.”

O procurador participou de audiência pública na subcomissão da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações do caso.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), relator da subcomissão e autor do requerimento para ouvir o procurador, afirmou que já pediu ao juiz do caso, Ricardo Leite, para ter acesso ao processo, que está sob sigilo de Justiça.

Pimenta e vários outros parlamentares fizeram críticas ao juiz, comparando sua atuação à do colega Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Pimenta afirmou que a comissão quer ouvir o magistrado e que poderá fazer uma representação contra Leite.

Até o momento, vários detalhes sobre o caso são informações que vazaram para imprensa. Os investigados poderão responder pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Não vai ter panelaço?
    Ninguém vai convocar manifestação contra a corrupção?
    Esse silêncio é ensurdecedor…
    E para um bom entendedor…
    Diz tudo!

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