Pesquisadores desenvolvem sangue artificial capaz de ser doador universal

(Foto: Pixabay)

Cientistas no Japão desenvolveram um “sangue artificial” que poderá, no futuro, ser utilizado durante transfusões independentemente do tipo de sangue dos pacientes. Publicado na revista médica Transfusion, o estudo desenvolveu um substituto para imitar as funções do sangue biológico, resolvendo o problema das baixas reservas de doações nos hemocentros.

No nosso organismo, a hemoglobina é a proteína que existe no interior dos glóbulos vermelhos e cuja principal função é o transporte de oxigênio. Para substituí-la, a equipe desenvolveu “vesículas de hemoglobina” com um diâmetro de apenas 250 nanômetros que podem servir como transportador de oxigênio.

Os pesquisadores ainda não fizeram o teste em humanos, mas eles já realizaram a transfusão do sangue “substituto” em 10 coelhos. Seis deles sobreviveram: de acordo com o estudo, essa é a mesma taxa de sucesso que uma transfusão de sangue biológica do mesmo tipo.

Ainda não está claro, porém, se esse tipo de sangue poderia levar a problemas de saúde mais graves, já que os pesquisadores não fizeram uma análise a longo prazo. O estudo também alerta que suas descobertas “podem não ser generalizáveis ​​para os seres humanos”.

Apesar das limitações, a pesquisa poderia ajudar a encontrar o tão procurado substituto do sangue universal. Juntamente com a remoção da necessidade de um doador humano, o sangue artificial pode tornar as transfusões de sangue drasticamente mais acessíveis.

“É difícil estocar uma quantidade suficiente de sangue para transfusões em regiões como ilhas remotas”, disse o autor do estudo, Manabu Kinoshita, ao jornal japonês Asahi Shimbun. “O sangue artificial será capaz de salvar a vida de pessoas que de outra forma não poderiam ser salvas.”

Galileu

 

Sangue tipo A é transformado em doador universal pela primeira vez

APÓS 4 ANOS DE PESQUISAS, CIENTISTAS ENCONTRARAM RESPOSTAS EM BACTÉRIA COMUM NO INTESTINO HUMANO (FOTO: FLICKR BRYAN JONES)

Pela primeira vez, cientistas conseguiram transformar sangue do tipo A em doador universal, ou seja, qualquer pessoa com qualquer outro tipo sanguíneo pode recebê-lo sem danos à saúde. O tipo A é o segundo mais comum do mundo e, por isso, os especialistas acreditam que a descoberta pode revolucionar as doações de sangue.

Existem quatro tipos gerais sanguíneos — A, B, AB ou O — definidos por moléculas de açúcar na superfície de seus glóbulos vermelhos. Se um paciente com o tipo A recebe sangue do tipo B, ou vice-versa, essas moléculas, chamadas de antígenos do sangue, podem fazer com que o sistema imunológico ataque e mate os glóbulos vermelhos. Já as células do tipo O carecem desses antígenos, o que viabiliza sua transfusão para qualquer pessoa — o que o torna “universal”.

Em situações de trauma e risco, por exemplo, onde transfusões de sangue são essenciais, nem sempre há tempo para que médicos e enfermeiros chequem o tipo sanguíneo do paciente, então o tipo O é utilizado porque as chances de causar maiores consequências diminui. Justamente por isso a demanda desse sangue “universal” é maior —, mas a nova descoberta pode facilitar a vida dos profissionais da saúde.

O método utiliza vias enzimáticas encontradas nas bactérias Flavonifractor plautii, que vivem no intestino humano. Após a obtenção dos microrganismos, os profissionais isolaram seus genes específicos que codificam duas enzimas bacterianas capazes de remover os principais componentes do antígeno A — e deu certo.

“Esta é a primeira vez [que a transformação do sangue é bem sucedida], e, se esses dados puderem ser replicados, certamente é um grande avanço”, disse Harvey Klein, especialista em transfusão de sangue que não esteve envolvido no trabalho à Science. Isso porque, com mais sangue “universal”, há mais possibilidades para quem precisa de transfusões.

De acordo com Mohandas Narla, fisiologista do centro de sangue de Nova York, há escassez de sangue constante em todo o mundo: “As descobertas são muito promissoras em termos de utilidade prática”, disse. Contudo, o especialista lembra que mais testes precisam ser feitos para garantir a segurança do tratamento.

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