Esporte

Por doping, Rússia é excluída da Olimpíada e da Copa do Mundo

Foto: Christinne Muschi/Reuters

A Agência Mundial Antidoping (Wada) decidiu excluir a Rússia de grandes competições esportivas durante quatro anos por falsificação de dados dos controles entregues à entidade. Assim, o país não poderá ser representado nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e de Inverno de Pequim 2022, além de Mundiais de todas as modalidades, o que inclui a Copa do Catar 2022.

A Rússia também não poderá organizar disputas desse nível em seu território. A Eurocopa 2020 não corre perigo de perder São Petersburgo como uma das 12 sedes, pois não está categorizada no grupo de competições restringidas.

A Rússia ainda pode – e deve – recorrer da decisão no TAS (Tribunal Arbitral do Esporte, na sigla em francês) e tem 21 dias para apresentar o recurso. Os atletas do país que passarem por testes antidoping poderão competir sob bandeira neutra.

– Por muito tempo o doping russo prejudicou o esporte limpo. A violação flagrante pelas autoridades russas das condições de restabelecimento da Rusada (Agência Antidoping da Rússia), aprovadas pelo Comitê Executivo em setembro de 2018, exigiu uma resposta robusta. É exatamente isso que foi entregue hoje. A Rússia teve a oportunidade de colocar sua casa em ordem e voltar a se juntar à comunidade internacional antidoping para o bem de seus atletas e a integridade do esporte, mas optou por continuar na sua posição de fraude e negação. Como resultado, o Comitê Executivo da Wada respondeu nos termos mais fortes possíveis, protegendo o direito dos atletas russos, que podem provar que eles não estavam envolvidos e não se beneficiaram desses atos fraudulentos – afirmou em nota Craig Reedie, presidente da Wada.

O anúncio foi feito por um porta-voz da agência depois de uma reunião do comitê executivo nesta segunda-feira, em Lausanne, em que a votação unânime decidiu pela suspensão dos russos.

– A lista completa de recomendações (de sanções por parte do Comitê de Revisão de Conformidade, CRC) foi aprovada por unanimidade pelos 12 membros do comitê executivo – disse o porta-voz.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) chegou a excluir a Rússia dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e de Inverno de Pyeongchang 2018, mas deixou nas mãos das federações nacionais a decisão de executar a suspensão. O COI ainda não se pronunciou sobre a decisão da Wada desta segunda-feira, mas já indicou que deve seguir o estipulado pela entidade.

Os russos já competiram como atletas neutros no Mundial de atletismo deste ano e conquistaram dois títulos, com Mariya Lasitskene (salto em altura) e Anzhelika Sidorova (salto com vara). No Mundial de natação foram mais foram mais três ouros de atletas russos: Yuliya Yefimova (200m peito), Anton Chupkov (200m peito) e Evgeny Ryov (200m costas). A Rússia ainda conquistou três títulos no Mundial de ginástica artística, com a equipe masculina e dois com Nikita Nagornyy (individual geral e salto).

Todos esses atletas agora precisam provar que estão limpos e foram submetidos a testes rigorosos antidopagem para serem elegíveis a competir como atletas neutros na Olimpíada. Caso o COI siga o posicionamento que teve nos Jogos de Inverno de PyeongChang, equipes russas de esportes coletivos devem passar pelo mesmo processo.

Apesar de forte, a punição estipulada pela Wada nesta segunda-feira ainda abriu uma brecha para a participação dos atletas russos sob bandeira neutra, contrariando o pedido da Comissão de Atletas da entidade. No domingo, véspera da reunião decisiva, nove dos 17 membros dessa comissão divulgaram uma nota em que pediam o banimento total da Rússia, sem a prerrogativa de os russos competirem como neutros.

A suspensão também é estendida a membros do Governo da Rússia e dirigentes esportivos do país em todas as modalidades. Eles não podem ser credenciados para nenhuma grande competição internacional.

Globo Esporte

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