Saúde

VACINA COVID: Mundo enfrenta desafio logístico que afeta desde insumos para imunizantes até entregas do e-commerce

Foto: Unplash

Aproximadamente 50 países já iniciaram a vacinação em suas populações, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, Israel, Canadá, Costa Rica, Rússia, Grécia, França, entre outros, além do Brasil, que iniciou a vacinação nesta segunda-feira (18).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no domingo (17) o uso emergencial das vacinas CoronaVac e Oxford/AstraZeneca. A primeira vacina do país (fora dos estudos clínicos) foi aplicada logo após a liberação da Anvisa, neste domingo, e a imunização no país teve início nesta segunda-feira (18).

Depois que o obstáculo mais complexo, a descoberta de uma vacina, foi superado e em tempo recorde (nunca na história uma vacina foi desenvolvida em prazo tão curto) um outro desafio, deixado de lado por muitos países, se impõe: a logística, processo que organiza desde o transporte da matéria-prima que sai da fábrica para se transformar na vacina, passando pela entrega aos pontos de vacinação e finalmente a aplicação nos cidadãos. O caminho por trás desse processo é complexo e pode afetar outras cadeias de produtos no Brasil e no mundo.

Filinto Jorge Eisenbach Neto, professor de administração da PUC-PR e especialista em logística, acredita que com as vacinas o mundo hoje enfrenta uma dificuldade logística duas vezes maior do que na Segunda Guerra Mundial. “A demanda é muito maior, a urgência é gigante, e precisamos entregar as vacinas em todos os lugares do mundo. O processo de logística é um fluxo contínuo e não pode ter interrupções. Se um trecho do processo sofre atraso ou paralisação todo o resto da cadeia é afetado.”

Esse é o risco ao qual o mundo todo está submetido agora, que afeta as vacinas e também outros tipos de produtos. E é por isso que alguns especialistas chegam a dizer que o mundo pode passar por uma espécie de “apagão logístico”, com várias cadeias de produtos sendo afetadas em uma reação em cascata até chegar ao consumidor final, em função do esforço global na distribuição das vacinas.

Risco de apagão logístico?

Vinícius Picanço, professor de gestão de operações e cadeia de suprimentos do Insper, explica que o transporte de vacinas é feito majoritariamente por dois modais: aéreo e rodoviário. “O aéreo faz o transporte de ‘hub a hub’ [centro a centro], que leva dos polos de fabricação às cidades de regiões centrais de outros países, e é mais rápido; e o rodoviário faz a ‘perna’ doméstica, o trecho dentro de determinado país entre um aeroporto, por exemplo, ou um armazém – onde as vacinas ficam estocadas – até o posto de vacinação”, explica.

Ana Paula Barros, diretora da Mac Logistics, empresa brasileira de operação e gestão de logística internacional, que atua em mais de 20 países, acredita que um apagão logístico pode acontecer justamente devido à falta de oferta de transporte aéreo. “Vai acontecer um colapso logístico, que vai causar falta de produtos, porque a vacina depende do modal aéreo. É a opção mais rápida e toda a disponibilidade de transporte aéreo vai para a vacina, que terá total prioridade sobre outras cargas, interrompendo ou atrasando o fluxo logístico e impactando todos os produtos transportados por via aérea no mundo”, diz.

Ela explica que há uma quantidade limitada de aviões, que não vai aumentar, e não é viável produzir mais aeronaves devido à pressa e aos custos. “Teremos que usar a infraestrutura que o mundo já tem e redirecioná-la para as vacinas no transporte entre países”, afirma.

Eisenbach Neto concorda que um apagão logístico “pode acontecer sem dúvida nenhuma”, mas principalmente pela falta de alinhamento dos processos logísticos da vacina e não pela restrição na oferta de aviões. “Países que já começaram a vacinar enfrentam dificuldades de planejamento, de suprimento e de produção para fazer a distribuição na velocidade que precisamos, com um volume tão alto de imunizante, mantendo as outras cadeias de produtos funcionando ao mesmo tempo”, diz.

Vacinas viajam de avião, produtos via transporte marítimo

Ana Paula, da Mac Logistics, mora em Miami há cincos anos e diz que nos EUA o impacto das vacinas na logística já pode ser sentido. “As entregas de e-commerce estão demorando mais e o FedEx já enviou avisos informando sobre os potenciais atrasos. Por aqui, houve um crash com a sequência de datas: Black Friday, Natal, e logo em seguida a vacina”, afirma.

Priscila Miguel, coordenadora adjunta do FGV Celog (Centro de Excelência em Logística e Supply Chain), concorda que cadeias de produtos serão afetadas, mas diz que um “apagão logístico” generalizado está fora de cogitação. “Não veremos um apagão completo, a ponto de as pessoas ficarem sem produtos de primeira necessidade, porque a distribuição das vacinas não vai acontecer em um único momento, então não usaríamos toda a capacidade aérea logística do mundo ao mesmo tempo”, diz.

Priscila lembra que os polos de produção das primeiras vacinas aprovadas pelas agências regulatórias no mundo estão espalhados nos EUA, na Rússia, na China, na Inglaterra, na Índia, entre outros. “A própria produção acontece de forma escalonada”, complementa.

Picanço, do Insper, concorda que é exagero falar em apagão logístico global, mas diz que o assunto é uma “preocupação genuína”, sobretudo em relação a dois segmentos específicos: as cadeias frias e ultrafrias. “As cadeias ultrafrias são as que exigem transporte, armazenamento e manuseio em temperaturas abaixo de 0°C, como as vacinas da Pfizer e da Moderna, e as cadeias frias exigem temperaturas entre 0°C e 10°C, como as vacinas do Butantan e da AstraZeneca. O impacto será maior nas cadeias dessas categorias justamente pela prioridade de embarque que as vacinas têm. Mas o Brasil tem algumas peculiaridades (leia mais abaixo)“, explica.

Sobre a disponibilidade dos aviões, Picanço afirma que mesmo as aeronaves comerciais poderão participar de “forças-tarefas” para transportar as vacinas. “As adaptações para cadeias frias em aviões são conhecidas e aplicáveis porque as temperaturas atingidas durante os voos já são mais baixas, facilitando a acomodação de doses. No caso das ultrafrias, vamos usar mais das frotas já existentes de aviões especializados nesse tipo de transporte, mas imagino que empresas logísticas também farão adaptações quando necessário”, diz.

Outro ponto que deve impedir um colapso logístico, segundo Priscila, é que a maior parte do transporte logístico internacional é feito por vias marítimas, que têm custos inferiores à via aérea. “O transporte aéreo é mais caro e focado em produtos leves e de alto valor agregado, não serve para qualquer carga. O marítimo é o principal modal logístico internacional e como as vacinas não devem ser transportadas por ele, boa parte da distribuição e importação de produtos no mundo não sofrerá impactos. E no Brasil a participação do transporte aéreo na logística é bem pequena”, avalia.

Os dados mais recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que em 2019 a importação, em toneladas, feita por via marítima no Brasil representou 92% das cargas que entraram no país, contra apenas 0,15% pela via aérea. Se considerarmos a participação em valores (US$), a importação pelo modal marítimo representou 71%, enquanto o aéreo chegou a 18%.

Falta de insumos e desafios extras no Brasil

O desafio logístico é global, mas no Brasil os especialistas entendem que a coordenação dos processos logísticos por parte do governo federal pode gerar desafios extras. Atualmente, estão disponíveis 6 milhões de doses da CoronaVac, e há expectativa de que as 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford, importadas da Índia, cheguem ainda esta semana.

O governo federal ainda não detalhou como fará a logística da vacinação, explicou apenas que essas 6 milhões de doses serão entregues aos estados com a ajuda da Força Aérea Brasileira (FAB) que levará as doses a “pontos focais” definidos por cada unidade federativa.

“O nosso país é internacionalmente conhecido pela logística de vacinas. Nosso programa de vacinação é um dos melhores do mundo, porém ninguém nunca lidou com um volume do tamanho da Covid-19”, afirma Ana Paula. O InfoMoney já mostrou em detalhes como acontece a distribuição das vacinas pelo país e por que o Plano Nacional de Imunização é considerado referência internacional (veja mais aqui).

“Para que o cidadão tome a vacina no posto de saúde, todas as empresas, pessoas, transportes, precisam funcionar em sincronia. E essa é a maior dificuldade no Brasil. Nem sempre, o fornecedor que entrega o frasco cumpre o prazo como o que envia o insumo, ou a seringa, por exemplo. Fora a entrega de cada parte, os insumos para a produção vêm de diferentes partes do mundo e organizar todo esse fluxo é complicado – ainda mais em um país com dimensão continental, com cidades pequenas e distantes dos centros urbanos”, complementa Eisenbach Neto.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (18), Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, disse, por exemplo, que há uma preocupação sobre a chegada de insumos da China para dar sequência à produção da Coronavac no Brasil. Vale lembrar que a vacina da AstraZeneca/Oxford produzida pela Fiocruz também depende dos insumos vindos da China. “O pedido emergencial da Fiocruz foi referente às 2 milhões de doses produzidas na Índia e eles também dependem de matéria-prima da China para começar a produção. Ainda não começou”, disse Covas também na coletiva.

O professor da PUC-PR diz ainda que o Brasil não tem capacidade plena de transporte refrigerado para atender o volume de distribuição de vacinas. “Não temos caminhões e armazéns refrigerados suficientes para dar conta de tudo. O governo precisa apresentar alternativas. Serão necessárias adaptações em veículos, armazéns e até empresas. Os Correios, por exemplo, poderiam entrar como alternativa. As movimentações entre os grandes centros comerciais não são um problema, porque temos boa infraestrutura, mas saindo dos grandes centros a estrutura vai ficando pior e as dificuldades aumentam – e os Correios estão em todas as cidades”, diz.

Picanço lembra que essas adaptações são possíveis, mas exigem expertise e investimentos das empresas. “Tem como equipar caminhões que não são refrigerados para entregar vacinas, mas os funcionários sabem manusear? Tem equipamentos para transportar sem danificar? Exige mais do que apenas ‘colocar geladeiras’ nos caminhões. E sai caro. Nem toda empresa tem dinheiro para mudar parte de sua frota para uma cadeia refrigerada. Grandes logísticos que atuam por aqui, como FedEx, DHL, UPS, TNT, estão se movimentando nesse sentido para tentar aumentar a capacidade de atendimento de cadeias frias. Mas precisamos esperar para ver o resultado disso”, diz.

Reportagem da revista britânica The Economist ressalta a importância da agilidade na vacinação para conter os níveis de internações e mortes no mundo e afirma que a credibilidade dos governos vem diminuindo com a demora no processo e a má gestão de muitos governos. “A incompetência também desempenhou um papel importante. Embora os países tenham tido meses para se preparar, perderam tempo e cometeram erros. O governo dos EUA não financiou adequadamente os estados para se prepararem para a vacinação antes do ano novo, por exemplo”, critica o texto.

Picanço diz que no caso do Brasil também tivemos tempo de preparação. “O país teve tempo para se preparar logisticamente, então, em tese, era para tudo funcionar nesse primeiro momento e não termos grandes problemas. Mas sempre tivemos tempo para aprender, em todas as fases da pandemia, com a Ásia e Europa, onde tudo aconteceu com meses de antecedência – logística é a mesma coisa – mas olha a nossa situação, o caos em Manaus. De um lado temos a expertise, mas precisamos esperar para ver se conseguiremos colocá-la em prática”, afirma.

Levando em conta o contexto nacional e global, o impacto que a logística da vacina vai causar no Brasil vai ser limitado a atrasos em entregas de mercadorias, matérias-primas, peças e produtos, segundo os especialistas. Entre os setores que devem ser afetados estão o de alimentos, e-commerce, eletroeletrônicos, farmacêutico e setor automobilístico

Segundo Picanço, o Brasil vai sentir os impactos da logística mundial devido ao recebimento de insumos para a vacina do exterior, principalmente da China, da Índia e eventualmente de alguns países europeus. “Esses insumos serão necessários para a produção local e virão, majoritariamente, via aérea. No longo prazo, o Brasil vai ficando mais independente com a produção local, mas ainda dependerá de insumos vindos de fora para a produção completa da vacina. Por isso, os segmentos importados que possuem a cadeia fria ou ultrafria em sua logística vão ser impactados, mas nada generalizado”, diz.

Como consequência, ele cita o setor de alimentos, itens farmacêuticos, que incluem outras vacinas, insumos hospitalares, equipamentos, além de insumos químicos e eletroeletrônicos. “São itens que geralmente são transportados por modal aéreo ao redor e precisam de temperaturas mais baixas. Frutas de maior valor agregado como cerejas e morangos, por exemplo, podem demorar mais para chegar às prateleiras dos mercados, bem como hardwares para a produção de notebooks e computadores, além de alguns sprays para asma ou insumos para terapias de câncer, por exemplo“, diz.

“Ainda, devido à falta de transporte de cadeias frias no Brasil para atender toda demanda, poderemos ver atrasos também em alimentos refrigerados e congelados que passam por proteínas animais, hortaliças e refeições prontas, por exemplo”, complementa Picanço.

No e-commerce os consumidores também poderão ver atrasos de encomendas. “Se hoje a compra chega em três dias passará para sete, por exemplo. Isso pode ficar mais recorrente em todos os segmentos de mercado, de capinhas de celular, a vestuário, a eletrônicos. Como as cadeias coexistem e ‘disputam’ espaço e prioridade, provavelmente os operadores logísticos no Brasil terão maior demanda para as vacinas e isso deve deixar outros produtos (mesmo que não dependam de cadeia fria) com prioridade menor. Isso fatalmente pega (quase) tudo que é comprado online, sem urgência”, explica o professor do Insper.

Eisenbach Neto destaca a indústria no geral, “que utiliza muitos produtos importados, bem como o setor automobilístico, que usa peças vindas de fora”. No setor automobilístico, os efeitos já podem ser sentidos por aqui: os estoques de automóveis nas fábricas e concessionárias estão em seu menor nível da história e um dos motivos é a falta de peças, boa parte delas importadas. Apesar de a maioria das peças vir pelo modal marítimo, parte vem de avião, principalmente se é uma peça que precisa chegar com certa urgência para não parar a produção, segundo Priscila, da FGV.

Ana Paula, da MacLogistics, estima que em menos de dois meses a partir do início da vacinação, esses atrasos já poderão ser sentidos no Brasil.

Não há perigo de desabastecimento

Para Picanço, esses efeitos nos setores citados não serão definitivos e não teremos desabastecimento em massa da população.

“Não há motivo para desespero. As empresas de logística estão aprendendo muito nesse período. O brasileiro tem na memória os problemas do início da pandemia, quando faltou papel higiênico, álcool em gel. Isso foi fruto da demanda alta, mas também do desespero, que causa o chamado ‘efeito chicote’ – são oscilações no número de pedidos, que amplificam os erros de planejamento logístico e posicionamento de estoque. Isso gera custos e atrasos porque é uma demanda surpresa. Isso não se repetirá com a vacinação”, explica.

Infomoney

Opinião dos leitores

    1. O melhor presidente do mundo é Kim Jong Un.
      Lá não tem covid.
      O esquerdista está convidado a se mudar…
      Esquerdismo é doença.
      Em tudo se apegam na tentativa de chegar ao poder.
      Já tem vacina chinesa para o esquerdista.
      Os demais aguardam vacina de Oxford que sai hoje para o Brasil.

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Política

CPMI do INSS rejeita relatório final e termina sem consenso após madrugada de tensão

Foto: Andressa Anholete/Agência

A CPMI do INSS encerrou seus trabalhos sem aprovar um relatório final. Em votação realizada na madrugada deste sábado (28), o parecer do relator Alfredo Gaspar foi rejeitado por 19 votos contra 12, aprofundando o impasse político em torno das investigações.

O texto, com mais de 4,3 mil páginas, previa o indiciamento de mais de 200 pessoas por suspeitas de envolvimento em fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Entre os citados estava Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após a derrota do relatório, parlamentares da base governista pressionaram o presidente da comissão, Carlos Viana, para nomear um novo relator e analisar um parecer alternativo. Viana, no entanto, negou o pedido, alegando que a decisão é prerrogativa exclusiva da presidência e optou por encerrar os trabalhos da CPMI.

O fim da comissão ocorre dias após o Supremo Tribunal Federal decidir, por 8 votos a 2, contra a prorrogação do prazo de funcionamento. Com isso, a CPMI chegou ao seu limite sem consenso entre oposição e governo sobre os desdobramentos das investigações.

Além do relatório rejeitado, um documento paralelo apresentado por governistas também evidenciou o racha político. O texto sugeria o indiciamento de nomes como Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, além de recomendar o aprofundamento de apurações sobre outras dezenas de pessoas e empresas ligadas ao caso.

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Política

“Estou pronto”: Marcos Medeiros assume Mossoró após renúncia de Allyson Bezerra

Foto: Divulgação/PMM

Marcos Medeiros tomou posse como novo prefeito de Mossoró nesta sexta-feira (27), em solenidade no teatro Dix-Huit Rosado, após a renúncia de Allyson Bezerra, segundo a Câmara Municipal.

Durante o primeiro pronunciamento, ele afirmou que “está pronto” para o cargo e destacou o comprometimento da equipe da gestão. “Vamos dar o sangue pela cidade de Mossoró”, disse.

Allyson participou da cerimônia e elogiou o sucessor, afirmando que Medeiros será “um grande prefeito de Mossoró” e descrevendo-o como “homem de seriedade, ímpar, correto e leal”, conforme divulgado pela assessoria de comunicação da Câmara.

Ele explicou que a decisão de renunciar foi planejada. “Renunciar é um ato de desapego. Estou feliz, convicto do que estou fazendo e certo do que farei”, declarou, de acordo com boletim oficial do governo municipal.

Marcos Medeiros assume a prefeitura da segunda maior cidade do RN para um mandato que vai até dezembro de 2028, segundo informações da Câmara Municipal de Mossoró.

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Política

Rodrigo Bacellar é preso novamente pelo STF; defesa classifica ação como “indevida e desnecessária”

Foto: Reprodução

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj),  deputado estadual cassado Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso novamente nesta sexta-feira (27) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A detenção ocorreu em sua residência em Teresópolis e faz parte da Operação Unha e Carne, ligada à ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, segundo a Polícia Federal.

A defesa de Bacellar, assinada pelos advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, classificou a prisão como “indevida e desnecessária”. Segundo o comunicado, o ex-parlamentar vinha cumprindo todas as medidas cautelares impostas e a equipe jurídica informou que vai recorrer para que a decisão seja revista e revogada o quanto antes.

Bacellar já havia sido preso em 3 de dezembro de 2025, acusado de repassar informações sigilosas sobre investigação policial envolvendo outro deputado estadual, TH Joias. Documentos da PF indicam que Bacellar teria alertado o colega sobre a ordem de prisão e orientado a apagar dados do celular, conforme relatório oficial.

Na época, o plenário da Alerj aprovou, por 42 votos a 21, a revogação da prisão de Bacellar. Posteriormente, ele teve liberdade provisória concedida pelo STF em 9 de dezembro de 2025, segundo decisão de Moraes. A Polícia Federal informou que a operação desta sexta-feira segue em andamento, mas não divulgou detalhes sobre outros alvos ou etapas do procedimento.

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Política

Ex-ministro de Lula diz que presidente “está abusando do direito de falar besteira”

Foto: Reprodução

O ex-ministro da Integração Nacional no segundo mandato de Lula, Geddel Vieira Lima, criticou o presidente nas redes sociais. Segundo Geddel, Lula “está abusando do direito de falar besteira” ao comentar os gastos dos brasileiros com cachorros.

A declaração do ex-ministro veio após Lula comentar, em evento em Goiás, que as famílias brasileiras gastam bastante com animais de estimação, como banhos e consultas veterinárias. O presidente disse ainda que a China “não deve ter” o mesmo “problema”, em tom de brincadeira, arrancando risos da plateia.

Geddel, aliado do PT na Bahia, já indicou nomes para o secretariado do atual governador Jerônimo Rodrigues. Mas a relação do ex-ministro com petistas se desgastou nas últimas semanas, em meio à tentativa de emplacar o vice-governador Geraldo Júnior (MDB-BA) na chapa do partido.

Segundo fontes, uma ala do PT resistiu à indicação de Geraldo. No início de março, ele encaminhou uma crítica ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, pedindo compartilhamento de artigo com questionamentos sobre a atuação do auxiliar de Lula. Após a repercussão, Rui teria declarado a aliados que não deseja a participação de Geraldo na chapa.

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Política

Sindicato de irmão de Lula descontou quase R$ 600 milhões do INSS, revela CPMI

Foto: Reprodução

O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical (Sindnapi) descontou R$ 599,5 milhões de aposentados nos últimos 10 anos, segundo o relatório final da CPMI do INSS. Mais da metade do valor (R$ 339,5 milhões) ocorreu durante o governo Lula (PT), quando a arrecadação da entidade cresceu de forma expressiva.

O vice-presidente do Sindnapi é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula. Ele é citado no relatório, mas não foi indiciado, segundo informações do Metrópoles. Entre os indiciados estão o presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza, e a ex-coordenadora jurídica, Tonia Inocentini Galleti. A Justiça Federal determinou o bloqueio de até meio bilhão da entidade.

De acordo com o relatório do deputado Alfredo Gaspar, o Sindnapi efetuou 26.462.669 descontos entre janeiro de 2015 e março de 2025, arrecadando R$ 599.520.490,37, o que coloca a entidade como a terceira que mais arrecadou. O primeiro acordo de cooperação técnica com o INSS foi firmado em outubro de 2008 e renovado em 2013 e 2023.

O documento também aponta possível fraude em autorizações de aposentados. Um termo de adesão datado de maio de 2023 teria sido criado em junho de 2024 por ex-funcionária do sindicato, segundo investigação da Controladoria-Geral da União (CGU). O relatório conclui que os documentos foram “literalmente fabricados por pessoa formalmente empregada do Sindnapi”.

Ainda conforme a CPMI, o sindicato prestou declaração falsa ao INSS ao omitir o vínculo de Frei Chico com o presidente da República. As regras do INSS proíbem que dirigentes de entidades conveniadas sejam parentes de membros do poder público.

O caso segue sob investigação, e o bloqueio de valores pelo Judiciário deve garantir que os próximos passos da CPMI sejam executados, conforme determinação oficial.

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Polícia

VÍDEO: “REAÇÃO”: Polícia Militar queima bandeira de facção criminosa no Morro de Mãe Luíza

Imagens: Reprodução/Instagram/RN News

Policiais do 1º Batalhão da PM queimaram nesta sexta-feira (27) uma bandeira de facção criminosa no Morro de Mãe Luíza, na entrada do bairro, próximo à Via Costeira. A ação faz parte da Operação Sentinela em todo o RN e conta com reforço de 30% no efetivo. Foram instalados pontos de bloqueio, barreiras móveis e patrulhamento intenso em toda a região.

Segundo a Polícia Militar, o objetivo é reduzir crimes violentos letais (CVLI) e contra o patrimônio (CVP), como furtos, roubos e homicídios. A ofensiva usa monitoramento técnico para patrulhar áreas de maior incidência de delitos.

A PM destaca que a ação integra unidades especializadas e comandos táticos para intervenções complexas, além dos batalhões de área que garantem presença ostensiva em todas as regiões do estado.

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Esporte

VÍDEO: “ENCERRAMENTO”: Hermano Morais deixa presidência do América após gestão de reestruturação; Francisco Sobrinho toma posse

Imagens: Divulgação

O presidente do América Futebol Clube, Hermano Morais, anunciou sua renúncia à presidência durante reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. A decisão ocorre em respeito à legislação eleitoral, já que ele disputará as eleições de 2026. Na ocasião, Hermano apresentou a prestação de contas da gestão e os avanços alcançados no clube.

A saída marca o fim de um ciclo de pouco mais de dois anos, período em que o América passou por reestruturações administrativas, financeiras e sociais. Francisco Sobrinho, vice-presidente até então, assume o comando da instituição, garantindo continuidade à administração do clube.

Desde dezembro de 2023, a gestão de Hermano teve foco na organização financeira, redução de passivos e aprimoramento dos controles internos. De acordo com balanço oficial, a dívida do clube caiu 70,04%, incluindo pendências como o IPTU junto à Prefeitura do Natal, reforçando a segurança jurídica do patrimônio e ampliando a capacidade de investimentos futuros.

A Sede Social também passou por ampla revitalização, com implantação do Auditório Humberto Pignataro, espaço para 200 pessoas, e parceria com o Olimpo Recepções, responsável por novo projeto de restaurante, bar e salão de festas. Escolinhas esportivas, como tênis de mesa e ginástica rítmica, foram incorporadas, fortalecendo a formação de atletas e retomando a vida social do clube no Rio Grande do Norte.

No esporte, o América ampliou a atuação em 11 modalidades, participando de competições estaduais, nacionais e internacionais. A adesão ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) trouxe acesso a recursos e programas de capacitação, consolidando o clube em diferentes frentes e reforçando a projeção de atletas para ciclos olímpicos, incluindo Jogos de 2028, segundo nota oficial.

Hermano Morais deixa o clube com legado reconhecido em finanças, patrimônio e esportes. Francisco Sobrinho, torcedor desde a infância e membro do Conselho Deliberativo desde 2011, assume com experiência em planejamento e obras, incluindo revitalização da sede e projetos como Arena América, Nazarenão e Barrettão. “É uma responsabilidade dar continuidade a um trabalho pautado na transparência e compromisso com a história do clube”, afirmou Sobrinho.

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Polícia

“ALERTA”: Facções fazem salve com fogos em toda Natal nesta sexta (27)

 

Imagens: Reprodução/Instagram/Via Certa Natal

A noite desta sexta-feira (27) começou com registros de fogos de artifício em diversos bairros de Natal e Região Metropolitana, que, segundo a Polícia Militar, são o “salve” das facções criminosas. Moradores relataram medo e apreensão com os estouros, que atingiram áreas com maior fluxo de pessoas.

Vídeos e publicações compartilhados nas redes sociais mostram os fogos em bairros como Zona Norte, Zona Sul e Zona Leste, confirmando a ação das facções. Até o momento, não houve registro de feridos, conforme boletim da corporação.

A PM informou que mantém patrulhamento preventivo e reforço de efetivo em pontos estratégicos da cidade para monitorar as facções e garantir a segurança da população. Todas as ocorrências estão sendo acompanhadas de perto, segundo nota oficial.

A corporação reforça que a população deve acionar imediatamente a Polícia Militar em caso de comportamento suspeito ou situações de risco, garantindo resposta rápida e acompanhamento constante das ações das facções criminosas em Natal e região metropolitana.

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Geral

HiLIFE se destaca em desafio global, consquista 3º lugar e transforma treinos em mais de mil refeições doadas

Foto: Divulgação

O que começa como treino pode ir muito além do resultado individual. Foi com essa proposta que a @hilifehealthclub participou do Let’s Move for a Better World, iniciativa global promovida pela Technogym em parceria com a ONU, que transforma atividade física em impacto social (https://www.technogym.com/pt-BR/lets-move/).

Ao longo do desafio, cada treino realizado gerou pontos que, ao final, foram convertidos em doações de refeições para crianças em situação de vulnerabilidade. O engajamento dos alunos fez a diferença: a HiLIFE encerrou a campanha ocupando o 3º lugar no Brasil e a 25ª posição no ranking mundial.

Mais do que a colocação, o resultado se traduz em impacto concreto. A participação da comunidade HiLIFE contribuiu para a doação de mais de 1.400 refeições, reforçando a força de uma mobilização coletiva que vai além do ambiente do treino.

O desafio também acabou criando uma dinâmica diferente dentro do clube. Acompanhamento de desempenho, espírito de equipe e metas compartilhadas passaram a fazer parte da rotina, ampliando o senso de pertencimento entre os alunos.

Para o diretor da HiLIFE, Danilo Bila, iniciativas como essa mostram como o treino pode ganhar um novo significado:

“Ver nossos alunos engajados por um propósito que vai além do resultado individual é algo muito forte. Esse tipo de ação cria conexão, motiva e ainda gera impacto real. No fim, todo mundo ganha.”

Com desempenho de destaque e participação ativa da sua comunidade, a HiLIFE reforça que, quando existe engajamento coletivo, o treino pode ultrapassar o físico e alcançar algo maior.

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Saúde

“EMOÇÃO”: Criança internada desde o nascimento realiza sonho de ir à praia em Natal

Foto: Divulgação

Uma ação marcada por sensibilidade, empatia e humanização proporcionou um momento inesquecível para o pequeno Thomas, de apenas 1 ano de idade. Natural de Lajes (RN), Thomas é portador de cardiopatia congênita e estava internado desde o nascimento na UTI pediátrica do Hospital Rio Grande.

Atendendo a um desejo da mãe, Tatiely Shirlaine Nunes da Silva, a equipe multiprofissional da unidade se mobilizou para realizar um gesto simples, mas cheio de significado: levar Thomas para um passeio na praia.

O momento aconteceu na tarde desta sexta-feira, 27 de março de 2026, na Praia do Meio, e foi marcado por muita emoção. Com toda a estrutura necessária para garantir a segurança do paciente, além do acompanhamento de profissionais de saúde durante toda a ação, Thomas pôde, pela primeira vez, sentir a brisa do mar e vivenciar um instante de leveza fora do ambiente hospitalar.

Foto: Divulgação

Mais do que um passeio, o gesto representou o compromisso com o cuidado humanizado, reconhecendo a importância de proporcionar experiências que vão além do tratamento clínico, especialmente em casos de longa internação.

A ação reforçou o papel da empatia no ambiente hospitalar e evidenciou o esforço das equipes em tornar mais leve a rotina de pacientes e familiares.

Agora, o próximo sonho da mãe é poder levar o filho para casa. Para isso, ela aguarda na Justiça o andamento do processo que solicita a disponibilização do serviço de Home Care pelo Sistema Único de Saúde (SUS), condição essencial para garantir a continuidade do tratamento de forma segura fora do ambiente hospitalar.

 

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