Saúde

VACINA COVID: Mundo enfrenta desafio logístico que afeta desde insumos para imunizantes até entregas do e-commerce

Foto: Unplash

Aproximadamente 50 países já iniciaram a vacinação em suas populações, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, Israel, Canadá, Costa Rica, Rússia, Grécia, França, entre outros, além do Brasil, que iniciou a vacinação nesta segunda-feira (18).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no domingo (17) o uso emergencial das vacinas CoronaVac e Oxford/AstraZeneca. A primeira vacina do país (fora dos estudos clínicos) foi aplicada logo após a liberação da Anvisa, neste domingo, e a imunização no país teve início nesta segunda-feira (18).

Depois que o obstáculo mais complexo, a descoberta de uma vacina, foi superado e em tempo recorde (nunca na história uma vacina foi desenvolvida em prazo tão curto) um outro desafio, deixado de lado por muitos países, se impõe: a logística, processo que organiza desde o transporte da matéria-prima que sai da fábrica para se transformar na vacina, passando pela entrega aos pontos de vacinação e finalmente a aplicação nos cidadãos. O caminho por trás desse processo é complexo e pode afetar outras cadeias de produtos no Brasil e no mundo.

Filinto Jorge Eisenbach Neto, professor de administração da PUC-PR e especialista em logística, acredita que com as vacinas o mundo hoje enfrenta uma dificuldade logística duas vezes maior do que na Segunda Guerra Mundial. “A demanda é muito maior, a urgência é gigante, e precisamos entregar as vacinas em todos os lugares do mundo. O processo de logística é um fluxo contínuo e não pode ter interrupções. Se um trecho do processo sofre atraso ou paralisação todo o resto da cadeia é afetado.”

Esse é o risco ao qual o mundo todo está submetido agora, que afeta as vacinas e também outros tipos de produtos. E é por isso que alguns especialistas chegam a dizer que o mundo pode passar por uma espécie de “apagão logístico”, com várias cadeias de produtos sendo afetadas em uma reação em cascata até chegar ao consumidor final, em função do esforço global na distribuição das vacinas.

Risco de apagão logístico?

Vinícius Picanço, professor de gestão de operações e cadeia de suprimentos do Insper, explica que o transporte de vacinas é feito majoritariamente por dois modais: aéreo e rodoviário. “O aéreo faz o transporte de ‘hub a hub’ [centro a centro], que leva dos polos de fabricação às cidades de regiões centrais de outros países, e é mais rápido; e o rodoviário faz a ‘perna’ doméstica, o trecho dentro de determinado país entre um aeroporto, por exemplo, ou um armazém – onde as vacinas ficam estocadas – até o posto de vacinação”, explica.

Ana Paula Barros, diretora da Mac Logistics, empresa brasileira de operação e gestão de logística internacional, que atua em mais de 20 países, acredita que um apagão logístico pode acontecer justamente devido à falta de oferta de transporte aéreo. “Vai acontecer um colapso logístico, que vai causar falta de produtos, porque a vacina depende do modal aéreo. É a opção mais rápida e toda a disponibilidade de transporte aéreo vai para a vacina, que terá total prioridade sobre outras cargas, interrompendo ou atrasando o fluxo logístico e impactando todos os produtos transportados por via aérea no mundo”, diz.

Ela explica que há uma quantidade limitada de aviões, que não vai aumentar, e não é viável produzir mais aeronaves devido à pressa e aos custos. “Teremos que usar a infraestrutura que o mundo já tem e redirecioná-la para as vacinas no transporte entre países”, afirma.

Eisenbach Neto concorda que um apagão logístico “pode acontecer sem dúvida nenhuma”, mas principalmente pela falta de alinhamento dos processos logísticos da vacina e não pela restrição na oferta de aviões. “Países que já começaram a vacinar enfrentam dificuldades de planejamento, de suprimento e de produção para fazer a distribuição na velocidade que precisamos, com um volume tão alto de imunizante, mantendo as outras cadeias de produtos funcionando ao mesmo tempo”, diz.

Vacinas viajam de avião, produtos via transporte marítimo

Ana Paula, da Mac Logistics, mora em Miami há cincos anos e diz que nos EUA o impacto das vacinas na logística já pode ser sentido. “As entregas de e-commerce estão demorando mais e o FedEx já enviou avisos informando sobre os potenciais atrasos. Por aqui, houve um crash com a sequência de datas: Black Friday, Natal, e logo em seguida a vacina”, afirma.

Priscila Miguel, coordenadora adjunta do FGV Celog (Centro de Excelência em Logística e Supply Chain), concorda que cadeias de produtos serão afetadas, mas diz que um “apagão logístico” generalizado está fora de cogitação. “Não veremos um apagão completo, a ponto de as pessoas ficarem sem produtos de primeira necessidade, porque a distribuição das vacinas não vai acontecer em um único momento, então não usaríamos toda a capacidade aérea logística do mundo ao mesmo tempo”, diz.

Priscila lembra que os polos de produção das primeiras vacinas aprovadas pelas agências regulatórias no mundo estão espalhados nos EUA, na Rússia, na China, na Inglaterra, na Índia, entre outros. “A própria produção acontece de forma escalonada”, complementa.

Picanço, do Insper, concorda que é exagero falar em apagão logístico global, mas diz que o assunto é uma “preocupação genuína”, sobretudo em relação a dois segmentos específicos: as cadeias frias e ultrafrias. “As cadeias ultrafrias são as que exigem transporte, armazenamento e manuseio em temperaturas abaixo de 0°C, como as vacinas da Pfizer e da Moderna, e as cadeias frias exigem temperaturas entre 0°C e 10°C, como as vacinas do Butantan e da AstraZeneca. O impacto será maior nas cadeias dessas categorias justamente pela prioridade de embarque que as vacinas têm. Mas o Brasil tem algumas peculiaridades (leia mais abaixo)“, explica.

Sobre a disponibilidade dos aviões, Picanço afirma que mesmo as aeronaves comerciais poderão participar de “forças-tarefas” para transportar as vacinas. “As adaptações para cadeias frias em aviões são conhecidas e aplicáveis porque as temperaturas atingidas durante os voos já são mais baixas, facilitando a acomodação de doses. No caso das ultrafrias, vamos usar mais das frotas já existentes de aviões especializados nesse tipo de transporte, mas imagino que empresas logísticas também farão adaptações quando necessário”, diz.

Outro ponto que deve impedir um colapso logístico, segundo Priscila, é que a maior parte do transporte logístico internacional é feito por vias marítimas, que têm custos inferiores à via aérea. “O transporte aéreo é mais caro e focado em produtos leves e de alto valor agregado, não serve para qualquer carga. O marítimo é o principal modal logístico internacional e como as vacinas não devem ser transportadas por ele, boa parte da distribuição e importação de produtos no mundo não sofrerá impactos. E no Brasil a participação do transporte aéreo na logística é bem pequena”, avalia.

Os dados mais recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que em 2019 a importação, em toneladas, feita por via marítima no Brasil representou 92% das cargas que entraram no país, contra apenas 0,15% pela via aérea. Se considerarmos a participação em valores (US$), a importação pelo modal marítimo representou 71%, enquanto o aéreo chegou a 18%.

Falta de insumos e desafios extras no Brasil

O desafio logístico é global, mas no Brasil os especialistas entendem que a coordenação dos processos logísticos por parte do governo federal pode gerar desafios extras. Atualmente, estão disponíveis 6 milhões de doses da CoronaVac, e há expectativa de que as 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford, importadas da Índia, cheguem ainda esta semana.

O governo federal ainda não detalhou como fará a logística da vacinação, explicou apenas que essas 6 milhões de doses serão entregues aos estados com a ajuda da Força Aérea Brasileira (FAB) que levará as doses a “pontos focais” definidos por cada unidade federativa.

“O nosso país é internacionalmente conhecido pela logística de vacinas. Nosso programa de vacinação é um dos melhores do mundo, porém ninguém nunca lidou com um volume do tamanho da Covid-19”, afirma Ana Paula. O InfoMoney já mostrou em detalhes como acontece a distribuição das vacinas pelo país e por que o Plano Nacional de Imunização é considerado referência internacional (veja mais aqui).

“Para que o cidadão tome a vacina no posto de saúde, todas as empresas, pessoas, transportes, precisam funcionar em sincronia. E essa é a maior dificuldade no Brasil. Nem sempre, o fornecedor que entrega o frasco cumpre o prazo como o que envia o insumo, ou a seringa, por exemplo. Fora a entrega de cada parte, os insumos para a produção vêm de diferentes partes do mundo e organizar todo esse fluxo é complicado – ainda mais em um país com dimensão continental, com cidades pequenas e distantes dos centros urbanos”, complementa Eisenbach Neto.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (18), Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, disse, por exemplo, que há uma preocupação sobre a chegada de insumos da China para dar sequência à produção da Coronavac no Brasil. Vale lembrar que a vacina da AstraZeneca/Oxford produzida pela Fiocruz também depende dos insumos vindos da China. “O pedido emergencial da Fiocruz foi referente às 2 milhões de doses produzidas na Índia e eles também dependem de matéria-prima da China para começar a produção. Ainda não começou”, disse Covas também na coletiva.

O professor da PUC-PR diz ainda que o Brasil não tem capacidade plena de transporte refrigerado para atender o volume de distribuição de vacinas. “Não temos caminhões e armazéns refrigerados suficientes para dar conta de tudo. O governo precisa apresentar alternativas. Serão necessárias adaptações em veículos, armazéns e até empresas. Os Correios, por exemplo, poderiam entrar como alternativa. As movimentações entre os grandes centros comerciais não são um problema, porque temos boa infraestrutura, mas saindo dos grandes centros a estrutura vai ficando pior e as dificuldades aumentam – e os Correios estão em todas as cidades”, diz.

Picanço lembra que essas adaptações são possíveis, mas exigem expertise e investimentos das empresas. “Tem como equipar caminhões que não são refrigerados para entregar vacinas, mas os funcionários sabem manusear? Tem equipamentos para transportar sem danificar? Exige mais do que apenas ‘colocar geladeiras’ nos caminhões. E sai caro. Nem toda empresa tem dinheiro para mudar parte de sua frota para uma cadeia refrigerada. Grandes logísticos que atuam por aqui, como FedEx, DHL, UPS, TNT, estão se movimentando nesse sentido para tentar aumentar a capacidade de atendimento de cadeias frias. Mas precisamos esperar para ver o resultado disso”, diz.

Reportagem da revista britânica The Economist ressalta a importância da agilidade na vacinação para conter os níveis de internações e mortes no mundo e afirma que a credibilidade dos governos vem diminuindo com a demora no processo e a má gestão de muitos governos. “A incompetência também desempenhou um papel importante. Embora os países tenham tido meses para se preparar, perderam tempo e cometeram erros. O governo dos EUA não financiou adequadamente os estados para se prepararem para a vacinação antes do ano novo, por exemplo”, critica o texto.

Picanço diz que no caso do Brasil também tivemos tempo de preparação. “O país teve tempo para se preparar logisticamente, então, em tese, era para tudo funcionar nesse primeiro momento e não termos grandes problemas. Mas sempre tivemos tempo para aprender, em todas as fases da pandemia, com a Ásia e Europa, onde tudo aconteceu com meses de antecedência – logística é a mesma coisa – mas olha a nossa situação, o caos em Manaus. De um lado temos a expertise, mas precisamos esperar para ver se conseguiremos colocá-la em prática”, afirma.

Levando em conta o contexto nacional e global, o impacto que a logística da vacina vai causar no Brasil vai ser limitado a atrasos em entregas de mercadorias, matérias-primas, peças e produtos, segundo os especialistas. Entre os setores que devem ser afetados estão o de alimentos, e-commerce, eletroeletrônicos, farmacêutico e setor automobilístico

Segundo Picanço, o Brasil vai sentir os impactos da logística mundial devido ao recebimento de insumos para a vacina do exterior, principalmente da China, da Índia e eventualmente de alguns países europeus. “Esses insumos serão necessários para a produção local e virão, majoritariamente, via aérea. No longo prazo, o Brasil vai ficando mais independente com a produção local, mas ainda dependerá de insumos vindos de fora para a produção completa da vacina. Por isso, os segmentos importados que possuem a cadeia fria ou ultrafria em sua logística vão ser impactados, mas nada generalizado”, diz.

Como consequência, ele cita o setor de alimentos, itens farmacêuticos, que incluem outras vacinas, insumos hospitalares, equipamentos, além de insumos químicos e eletroeletrônicos. “São itens que geralmente são transportados por modal aéreo ao redor e precisam de temperaturas mais baixas. Frutas de maior valor agregado como cerejas e morangos, por exemplo, podem demorar mais para chegar às prateleiras dos mercados, bem como hardwares para a produção de notebooks e computadores, além de alguns sprays para asma ou insumos para terapias de câncer, por exemplo“, diz.

“Ainda, devido à falta de transporte de cadeias frias no Brasil para atender toda demanda, poderemos ver atrasos também em alimentos refrigerados e congelados que passam por proteínas animais, hortaliças e refeições prontas, por exemplo”, complementa Picanço.

No e-commerce os consumidores também poderão ver atrasos de encomendas. “Se hoje a compra chega em três dias passará para sete, por exemplo. Isso pode ficar mais recorrente em todos os segmentos de mercado, de capinhas de celular, a vestuário, a eletrônicos. Como as cadeias coexistem e ‘disputam’ espaço e prioridade, provavelmente os operadores logísticos no Brasil terão maior demanda para as vacinas e isso deve deixar outros produtos (mesmo que não dependam de cadeia fria) com prioridade menor. Isso fatalmente pega (quase) tudo que é comprado online, sem urgência”, explica o professor do Insper.

Eisenbach Neto destaca a indústria no geral, “que utiliza muitos produtos importados, bem como o setor automobilístico, que usa peças vindas de fora”. No setor automobilístico, os efeitos já podem ser sentidos por aqui: os estoques de automóveis nas fábricas e concessionárias estão em seu menor nível da história e um dos motivos é a falta de peças, boa parte delas importadas. Apesar de a maioria das peças vir pelo modal marítimo, parte vem de avião, principalmente se é uma peça que precisa chegar com certa urgência para não parar a produção, segundo Priscila, da FGV.

Ana Paula, da MacLogistics, estima que em menos de dois meses a partir do início da vacinação, esses atrasos já poderão ser sentidos no Brasil.

Não há perigo de desabastecimento

Para Picanço, esses efeitos nos setores citados não serão definitivos e não teremos desabastecimento em massa da população.

“Não há motivo para desespero. As empresas de logística estão aprendendo muito nesse período. O brasileiro tem na memória os problemas do início da pandemia, quando faltou papel higiênico, álcool em gel. Isso foi fruto da demanda alta, mas também do desespero, que causa o chamado ‘efeito chicote’ – são oscilações no número de pedidos, que amplificam os erros de planejamento logístico e posicionamento de estoque. Isso gera custos e atrasos porque é uma demanda surpresa. Isso não se repetirá com a vacinação”, explica.

Infomoney

Opinião dos leitores

    1. O melhor presidente do mundo é Kim Jong Un.
      Lá não tem covid.
      O esquerdista está convidado a se mudar…
      Esquerdismo é doença.
      Em tudo se apegam na tentativa de chegar ao poder.
      Já tem vacina chinesa para o esquerdista.
      Os demais aguardam vacina de Oxford que sai hoje para o Brasil.

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Política

Após deixar prisão, João Santana, ex-marqueteiro do PT, é contratado pelo PDT de Ciro Gomes

Foto: Reprodução/Twitter @cirogomes

O publicitário João Santana foi contratado pelo PDT para auxiliar na comunicação do partido. O anúncio foi realizado nesta quinta-feira, 22, por meio de uma publicação nas redes sociais de Ciro Gomes, que desenvolve sua campanha eleitoral para a disputa presidencial de 2022.

“Reunião de trabalho com Carlos Lupi, presidente do PDT, e com o publicitário João Santana, que nos ajuda a partir de agora na comunicação do partido”, registrou Ciro na postagem.

O marqueteiro foi responsável por desenvolver as campanhas vencedoras dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Junto com sua mulher, Monica Moura, João Santana foi condenado duas vezes pela Operação Lava Jato. Ambos foram absolvidos pelo crime de corrupção, mas permaneceram meses na cadeia e em prisão domiciliar por lavagem de dinheiro.

Jovem Pan

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Saúde

VACINAÇÃO: 27,9 milhões receberam a primeira dose contra a covid no Brasil; 13,2% da população

Foto: Prefeitura de Ipatinga

Balanço da vacinação contra Covid-19 desta quinta-feira (22) aponta que 27.945.152 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 13,20% da população brasileira.

A segunda dose já foi aplicada em 11.338.366 pessoas (5,35% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal.

No total, 39.283.518 doses foram aplicadas em todo o país.

De ontem para hoje, a primeira dose foi aplicada em 421.921 pessoas e a segunda dose em 391.056, com um total de 812.977 doses aplicadas neste intervalo.

Quantas doses cada estado recebeu até 22 de abril

  • AC: 190.190
  • AL: 681.510
  • AM: 1.405.019
  • AP: 145.000
  • BA: 3.670.000
  • CE: 2.110.250
  • DF: 712.310
  • ES: 993.620
  • GO: 1.557.880
  • MA: 1.499.190
  • MG: 5.841.330
  • MS: 708.010
  • MT: 703.810
  • PA: 1.617.590
  • PB: 1.028.958
  • PE: 2.276.080
  • PI: 688.180
  • PR: 2.858.690
  • RJ: 4.391.120
  • RN: 848.050
  • RO: 333.108
  • RR: 165.060
  • RS: 3.604.700
  • SC: 1.707.940
  • SE: 496.080
  • SP: 10.273.355
  • TO: 331.600

Origem dos dados

  • Total de doses: números divulgados pelos governos estaduais.
  • As informações sobre população prioritária e doses disponíveis são do Ministério da Saúde.
  • As estimativas populacionais são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

G1

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Saúde

COVID: Mulheres ficam imunizadas por mais tempo depois de infectadas, diz estudo francês

Foto: AP – Alvaro Barrientos

Já havia sido observado em hospitais que mulheres tinham menos probabilidade de sofrer de formas graves da Covid-19. Agora, tudo leva a crer que elas também ficam protegidas por mais tempo depois de contrair o vírus, observa o jornal francês Le Parisien, com base em um estudo realizado pelo Instituto Pasteur, o Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) e hospitais de Estrasburgo, no leste do país.

As conclusões do estudo foram publicadas no Journal of Infectious Diseases. Os pesquisadores explicam que o gênero – mulher ou homem – parece influenciar na diminuição do nível de anticorpos que se formam quando o corpo luta contra o vírus, que depois o protege contra uma nova infecção.

“O nível de anticorpos presentes nas mulheres da amostra que acompanhamos diminui muito menos rapidamente do que nos homens”, resume Samira Fafi-Kremer, diretora do Instituto de Virologia do Hospital Universitário de Estrasburgo, que se encontra na origem deste estudo.

Mesmo número de anticorpos seis meses depois

Para chegar a este resultado, foram estudados os casos de cerca de 400 cuidadores e pessoal administrativo dos hospitais de Estrasburgo, que haviam sido infectados sem a forma grave da doença no final de março de 2020. A cada três meses foram realizados testes sorológicos, que permitiram saber se eles desenvolveram anticorpos contra o coronavírus.

Embora os homens desenvolvam mais anticorpos no início, eles os perdem rapidamente. Em contrapartida, depois de seis meses, 38% das mulheres ainda têm o mesmo nível de anticorpos do começo: “Seis meses depois de adoecer, 38% das mulheres não perderam os anticorpos, contra 8% dos homens”, detalha a pesquisadora.

Agora é chegada a hora de analisar o nível de anticorpos de nove meses e um ano após a infecção. “Sabemos que os anticorpos têm uma tendência natural de diminuir. Essa pesquisa adicional nos permitirá ver se esses resultados diferentes entre mulheres e homens se prolongam com o tempo”, explica o professor Olivier Schwartz, chefe do departamento de Vírus e Imunidade do Instituto Pasteur, coautor do estudo.

Hormônios e genética

Dois fatores explicam essa possível proteção imunológica maior em mulheres: hormônios e genética. “Os hormônios sexuais femininos têm a capacidade de estimular melhor a resposta imune. Além disso, o cromossomo X, envolvido na resposta imune, está presente duas vezes nas mulheres, enquanto os homens são XY”, diz Samira Fafi-Kremer.

Este trabalho parece confirmar o que já havia sido observado em hospitais, com a maioria dos homens internados, principalmente em unidades de terapia intensiva, e com maior mortalidade masculina.

Segundo os cientistas, essa proteção permite combater a variante britânica do vírus, mas é menos eficaz contra as variantes da África do Sul e do Brasil. Em qualquer caso, espera-se que os resultados forneçam uma ideia sobre a eficácia das vacinas.

Época

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Política

Kajuru diz que quer disputar a presidência: ‘Se Huck é candidato, por que não posso ser?’


Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Jorge Kajuru (Pode-GO) declarou hoje que tem a intenção de disputar a vaga da Presidência da República nas eleições de 2022.

“Revoltado com a falta de amor ao Brasil, lanço minha candidatura à presidência da República! Brasil de verdades e soluções! Se o Huck é candidato, por que não posso ser?”, disse o Senador Jorge Kajuru (Pode-GO).

O UOL entrou em contato com a deputada Renata Abreu (Pode-SP), presidente nacional do Podemos, para saber qual é o posicionamento do partido sobre a candidatura de Kajuru. Até o momento da publicação desta matéria, não obtivemos retorno.

O senador esteve nos holofotes nos últimos dias após divulgar o áudio de uma conversa telefônica que teve com o presidente Jair Bolsonaro para tratar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Na conversa, o chefe do Executivo pressiona para que governadores e prefeitos também sejam investigados na comissão.

“Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir para cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI útil para o Brasil: mudar a amplitude dela. Bota presidente da República, governadores e prefeitos”, recomendou Bolsonaro.

“Se não mudar a amplitude, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana. Tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada”, afirmou ao senador.

O presidente cobra também do senador Kajuru que determine a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o episódio, o parlamentar foi convidado a deixar o Cidadania e agora o senador está filiado ao Podemos.

Ameaça de Bolsonaristas

Além disso, o parlamentar relatou que passou a receber ameaças em redes sociais por parte de apoiadores de Bolsonaro.

Bolsonaristas afirmam que o parlamentar goiano vai conhecer o “gabinete do ódio” e que o povo vai tirá-lo do poder “à força”. Em outras postagens, alguns internautas garantem que Kajuru “não terá paz”.

Na saída do Palácio da Alvorada, o presidente criticou a divulgação do áudio. “Olha a que ponto que chegamos no Brasil”, provocou Bolsonaro.

Em entrevista ao site Metrópoles, Kajuru afirmou, no entanto, que foi autorizado pelo presidente a gravar e divulgar a conversa. O parlamentar também garantiu que não cometeu nenhum crime ao dar publicidade ao áudio. Ele disse ainda que “não tem medo de morrer”.

“Se os bolsonaristas continuarem me atacando, é uma coisa gratuita. Se o presidente me autorizou [a divulgar o áudio], eu vou fazer o quê? Que erro eu cometi? Qual crime eu cometi? Advogados já falaram que eu não cometi crime nenhum. Eu apresentei uma gravação com os dois falando. Eu não apresentei uma gravação sacana com o presidente falando. O motivo da conversa está claro, eu liguei para ele para pedir coerência e que ele não colocasse todo mundo [senadores] no mesmo balaio, como ele estava xingando de canalhada”, explica.

“Tem gente me ameaçando, claro, mas eu não tenho medo de nada, não. Morrer para mim é como antes de nascer. Se alguém quiser me matar por causa disso, pode matar, não tem problema nenhum”, completa o senador.

Com informações de UOL e Yahoo

Opinião dos leitores

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Política

Mourão admite concorrer ao Senado em 2022: ‘Está em estudo’

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quinta-feira, 22, que estuda a possibilidade de concorrer ao Senado Federal após o fim do seu mandato. Ele descartou a opção de disputar a presidência da República em 2022, já que o presidente Jair Bolsonaro deve concorrer à reeleição.

“Hoje estou preparado para cumprir minha parte como vice-presidente do presidente Bolsonaro e acompanhá-lo até o final desse mandato”, comentou durante live promovida pelo programa Brasil em Questão nesta tarde. “Hoje não vejo nenhuma possibilidade de candidatura minha à Presidência, uma vez que o presidente Bolsonaro é candidato. Eu jamais irei concorrer contra ele”, disse

Segundo Mourão, disputar a Presidência contra Bolsonaro é uma questão que está “fora dos seus preceitos éticos”. Afastado do presidente, que não o chama mais para reuniões, o vice-presidente sabe que não será escalado para compor a chapa da reeleição. Nos últimos dias, Mourão foi excluído até mesmo da preparação para a participação do Brasil na Cúpula do Clima, que ocorreu nesta quinta-feira, 22, e terá continuidade amanhã.

“Agora, pode ser que seja necessária a minha participação para concorrer ao Senado. Isso ainda está em estudo”, declarou. Essa não é a primeira vez que Mourão cogita competir por um posto no Senado. Em entrevista à Veja, no dia 30 de outubro, Mourão havia sinalizado que talvez pudesse concorrer para senador no futuro. Desde então, o vice vinha desconversando quando questionado sobre suas pretensões políticas.

“Na realidade, a linha de ação número um é terminar o mandato e partir daí retornar a minha vida, vamos dizer assim, de aposentado. Eu acho que já tenho uma contribuição aí de 50 anos para o nosso País. Eu acho que mereço um pouco de descanso”, comentou.

Estadão Conteúdo

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Judiciário

Ministros do STF batem boca em decisão sobre Moro e sessão acaba aos gritos

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O clima pesou hoje entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no debate sobre confirmação da incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em lados opostos, Luís Roberto Barroso bateu boca com Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e a sessão acabou interrompida pelo presidente Luiz Fux em meio a gritos.

Durante julgamento, que já formou maioria para manter a decisão que considerou o ex-juiz federal Sergio Moro parcial ao julgar Lula, Barroso e Lewandowski se desentenderam inicialmente sobre os efeitos da Operação Lava Jato para o Brasil. Ao final, o ministro discutiu ainda com Mendes sobre questões processuais.

“Vossa excelência acha que o problema, então, foi o enfrentamento da corrupção e não a corrupção?”, interrompeu Barroso enquanto Lewandowski adiantava seu voto e falava dos prejuízos causados ao Brasil em consequência da Lava Jato.

Em resposta a Barroso, Lewandowski disse: “Vossa excelência sempre quer trazer à baila aqui a questão da corrupção. Como se aqueles que estivessem aqui contra o modus operandi da Lava Jato fossem favoráveis à corrupção, mas o modus operandi da Lava Jato levou, por exemplo, a conduções coercitivas, prisões coercitivas alongadas, ameaças a familiares, prisão em segunda instância e uma série de outras atitudes absolutamente, ao meu ver, incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.

Lewandowski afirmou ainda que as mensagens conseguidas por meio de hackers e divulgadas na imprensa devem ser consideradas.

“Mas [o uso das mensagens hackeadas] é produto de crime, ministro. Então, o crime compensa para vossa excelência?”, disse Luís Roberto Barroso, em resposta a Lewandowski.

O que estava em análise não era a parcialidade do ex-juiz, mas o recurso sobre a parcialidade. Os 11 ministros da Corte decidiam se, em razão da decisão sobre a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, outros recursos de Lula perdem o objeto. Entre eles, está o sobre a suspeição de Moro no processo do tríplex.

Barroso fez duras críticas ao que chamou de tentativa de vingança por parte de políticos julgados na Lava Jato e comparou a operação à Mãos Limpas, na Itália, que também investigou casos de corrupção entre os governantes e grandes empresas. 

“Na Itália, a corrupção venceu e conquistou a impunidade. Aqui, entre nós, ela quer mais, ela quer vingança, quer ir atrás dos procuradores e juízes que ousaram enfrentá-la para que ninguém nunca mais tenha coragem de fazê-lo”, disse Barroso.

Moralismo x Grosseria

O clima pesou ainda mais quando, ao final da sessão, Gilmar Mendes, que já havia votado, pediu a palavra e, em uma indireta a Barroso, afirmou que, quando foi vencido em um voto sobre o encaminhamento da suspeição do Moro, se “submeteu a isso”.

Para ele, a decisão dada previamente na Segunda Turma prevalecia e não deveria ter sido levada ao plenário. “Se os dois órgãos têm o mesmo nível hierárquico, um não pode atropelar o outro. Quem tem que decidir tem que ser um terceiro imparcial”, argumentou Barroso. “Talvez isso exista no código do russo. Aqui, não”, rebateu Mendes.

“Eu estou argumentando juridicamente, não precisa vir com grosserias. Existe no código do bom senso e no respeito aos outros. Se um colega acha uma coisa e outro acha outra, é um terceiro que tem de decidir”, falou Barroso.

“Se o relator afetou [o processo] ao pleno, é para o pleno. Vossa excelência sentou em cima da vista dois anos e se acha no direito de, depois, ditar regra para os outros, concluiu Barroso.

“O moralismo é a pátria da imoralidade”, disse Gilmar Mendes.

A sessão foi encerrada pouco depois das 19h sob gritos de Barroso, revoltado com o uso do termo “moralismo”, dizendo que Mendes “manipulou a jurisdição”.

Com o adianto dos votos de Lewandowski e Dias Toffoli, o STF conseguiu maioria para manter a decisão que considerou o ex-juiz federal Sergio Moro parcial ao julgar Lula da SilvaVara. Até o momento, foram contrários à confirmação da incompetência da 13ª Vara os ministros Edson Fachin, relator da ação, e Luís Roberto Barroso, e, além dos dois, foram a favor do recurso da defesa de Lula os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques.

Mais cedo, os ministros decidiram sobre outra questão que havia ficado pendente: o destino dos processos de Lula. Por maioria, as ações da Lava Jato contra o ex-presidente ficarão com a Justiça Federal do Distrito Federal.

UOL

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Economia

Aneel aprova reajuste médio de 8,96% nas contas de luz no RN

Foto: Getty Images

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quinta-feira, 22, reajuste médio de 8,96% na conta de luz dos consumidores atendidos pela Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern).

Para os consumidores de alta tensão, como os industriais, o reajuste médio será de 11,18%. Já para os comerciais e residenciais, atendidos em baixa tensão, o aumento médio será de 8,27%.

Os novos valores devem entrar em vigor a partir deste dia 22 e, por isso, devem ser confirmados no Diário Oficial ainda nesta quinta-feira.

Para atenuar o reajuste a ser aplicado nas contas de luz, a Aneel considerou a reversão dos recursos da conta covid, que totalizou um impacto total estimado de -4,31%.

Também contribuíram para amenizar o reajuste a alteração no cronograma de pagamento de indenizações às transmissoras e o abatimento de créditos tributários devido ao pagamento indevido de PIS e Cofins pelos consumidores no passado. A distribuidora atende cerca de 1,5 milhão de unidades consumidoras.

Terra

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Política

VÍDEO: Bolsonaro confirma visita às obras da Barragem de Oiticica “brevemente”

 

O presidente Jair Bolsonaro confirmou em live realizada nesta quinta-feira (22) que “brevemente” estará no Rio Grande do Norte, visitando as obras da Barragem de Oiticica, em Jucurutu. “Vamos lá concluir obras da transposição do Rio São Francisco”, comentou o presidente que não confirmou a data da vinda ao RN.

Opinião dos leitores

  1. Direta “honesta” e 1/2 dúzia do rebanho imundo, vão estar lá, certeza.
    Vou enviar uma F4000 carregada de feno, alguém tem que auxiliar na alimentação desse povo.

  2. Venha não homi…é até um favor….mais futuro ir a um hospital visitar os doentes e profissionais de saúde que estão arriscando a vida todos os dias…

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Saúde

Nova remessa de insumos garante produção e entrega de vacinas até junho, diz Fiocruz

Foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz

Um novo carregamento de IFA (ingrediente farmacêutico ativo) para a produção de vacinas contra covid-19 no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos deve chegar da China no próximo sábado (24), com quantidade suficiente para garantir a entrega de imunizantes até 2 de junho, segundo projeção da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A remessa do insumo será a sétima das 14 previstas e terá o suficiente para produzir 9 milhões de doses. Esse volume se somará ao estoque de IFA para 7 milhões de doses que ainda restarão ao fim de abril, permitindo a produção de 16 milhões de doses até 12 de maio.

A Fiocruz também divulgou as datas previstas para o embarque das próximas seis remessas de IFA: 29 de abril; 12  18, 19 e 26 de maio e 2 de junho. O cronograma ainda pode, entretanto, sofrer revisões.

Até o momento, a Fiocruz recebeu IFA suficiente para produzir 39 milhões de doses. Dessas, 31 milhões já foram efetivamente produzidas e 10,8 milhões foram entregues ao PNI (Programa Nacional de Imunizações). Está prevista para amanhã (23) a liberação de mais 5 milhões de doses para distribuição aos estados e municípios e, para semana que vem, mais 6,7 milhões de doses.

O processo de liberação das doses para o PNI leva quatro semanas. Na primeira, a dose é formulada a partir do IFA, envasada nos frascos e inspecionada. Na segunda e na terceira semanas, ocorrem rigorosos processos de controle de qualidade, além da rotulagem e embalagem. O controle de qualidade é finalizado na quarta semana, quando é fechada a documentação, a liberação e a expedição dos lotes.

O diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, explicou que os métodos de controle de qualidade são estabelecidos cientificamente e seguidos em todo o mundo, de modo que não podem ser abreviados. “Não tem como acelerar esse processo”, disse Zuma, que explicou que uma documentação volumosa é produzida e analisada para cada liberação. “Cada lote gera um dossiê de um livro com centenas de páginas.”

Ele estima que, já na semana que vem, a capacidade de produção de Bio-Manguinhos possa subir das atuais 900 mil doses diárias para 1 milhão de doses por dia, o que ajudará a Fiocruz a aumentar o volume das entregas nos próximos meses. Em abril devem ser liberadas 19,8 milhões de doses, número que deve aumentar para 21,5 milhões em maio, 34,2 milhões em junho e 22,1 milhões em julho.

Bio-Manguinhos também vai trabalhar até o fim de semana na preparação da estrutura que vai produzir o ingrediente farmacêutico ativo no Brasil. É que já está prevista para segunda-feira (26) a inspeção de técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a certificação das condições técnicas operacionais para a produção do IFA.

A partir daí, serão produzidos os lotes de pré-validação e validação do IFA, entre maio e julho. Todo o controle de qualidade do IFA requer um período de 45 dias, para que só então o insumo seja usado no processo de fabricação da vacina, que demora mais quatro semanas entre a formulação e a liberação. Zuma explicou que medidas como o adiantamento da produção serão tomadas para garantir a disponibilidade mais rápida das vacinas:

“Logo após o lote de validação, vamos começar o lote comercial. Normalmente, espera-se para, só após a aprovação da Anvisa, [produzir] os lotes comerciais, porque, se a agência não aprovar, tem-se que jogar fora. Mas nós não vamos esperar. Vamos começar a produzir e estocar, por causa desse momento de urgência.”

IFA adicional

A Fiocruz também está em negociação com a AstraZeneca para o recebimento de quantidades adicionais do ingrediente farmacêutico ativo necessário para a produção da vacina contra covid-19. Já está contratada a importação dos insumos necessários para produzir 100,4 milhões de doses até julho, e a Fiocruz prevê fabricar, com IFA nacional, mais 110 milhões de doses no segundo semestre.

Como os processos necessários para entrega das doses totalmente produzidas no Brasil pode se estender até outubro, as remessas adicionais de IFA poderiam reforçar a produção e as entregas até lá.

Zuma informou que o recebimento de mais carregamentos de IFA já está acertado com a AstraZeneca, mas disse que ainda é preciso definir quando os insumos poderão chegar, devido à alta demanda internacional e aos compromissos da AstraZeneca com órgãos internacionais, como o consórcio Covax.

“Já temos um acordo com a AstraZeneca para conseguir mais IFA, mas, neste momento, eles não conseguem confirmar para nós que esse IFA vai chegar antes de agosto ou setembro. Vamos receber IFA, sim, mas não sabemos em que mês exatamente será”, afirmou Zuma.

O diretor de Bio-Manguinhos apontou mais alternativas para garantir entregas nos meses de agosto e setembro, como as doses prontas da Índia. O acordo com o Instituto Serum prevê mais 8 milhões de doses para o Brasil, mas o agravamento da pandemia no país asiático tem dificultado a definição de um cronograma para a exportação. “Esse cronograma não chegou ainda, mas a gente continua discutindo com eles”, disse Zuma.

Há também cerca de 40 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca que estão contratadas para chegar ao Brasil pelo consórcio Covax. Zuma lembrou que há outras vacinas em negociação e que a vacina produzida pela Fiocruz, em casos de extrema necessidade, pode ser administrada com apenas uma dose.

A vacina Oxford/AstraZeneca tem eficácia de 76% 20 dias após a primeira dose. Com a segunda aplicação, o percentual sobe para 82%.

R7

Opinião dos leitores

  1. A CPI está resolvendo os problemas da pandemia. O governo federal arranjou vacina de repente.

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Polícia

Prefeito de Natal anuncia flexibilização, autoriza venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes, além de criação de protocolo para volta às aulas

Foto: Samuel Florêncio/Inter TV Cabugi

O prefeito de Natal, Álvaro Dias, anunciou nesta quinta-feira (22) que não vai seguir na íntegra o novo decreto de flexibilização anunciado mais cedo pela governadora Fátima Bezerra.

As principais discordâncias são referentes à venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes e ao toque de recolher integral aos domingos e feriados.

Em reunião na sede da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) com representantes da Abrasel, ABIH, CDL, Fecomércio e Natal Convention Bureau, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, confirmou que há “algumas divergências com o governo do estado com relação ao decreto”.

O prefeito assegurou a liberação de venda e consumo de bebida alcoólica nos bares e restaurantes “desde que dentro do horário de funcionamento, até as 22h”.

“O grande motor da geração de emprego e renda em Natal é o turismo. São os restaurantes, as pousadas, os hotéis, os bares, que precisam funcionar para manter os empregos dos garçons, dos cozinheiros e precisam também se manter e sobreviver”, disse Álvaro.

Estes estabelecimentos também poderão funcionar aos domingos e feriados até 22h, diferentemente do apontado pelo governo. A música ao vivo continua vetada. Álvaro garantiu também que a fiscalização para o cumprimento das normas será mantida pela Guarda Municipal, STTU e Semurb.

Volta às aulas

O prefeito de Natal revelou a formalização de um convênio com o Sebrae “para instalar um protocolo rígido para proteger as crianças” com o intuito de “liberar o retorno das aulas gradativamente”.

VEJA MAIS: Prefeitura firma parceria para implantação de protocolo de segurança nas escolas de Natal mirando retorno de atividades

“É outro ponto que pode aí estar divergindo com o governo do estado, mas nós vamos permitir o retorno às aulas de acordo com o estabelecimento desse protocolo que está sendo discutido e elaborado entre a equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação e o Sebrae”, disse.

Com informações de G1-RN

Opinião dos leitores

  1. A pandemia é uma guerra e a Prefeitura de Natal cometeu um crime de guerra quando não deixou a 2 dose da vicina para os idosos

  2. Tira a polícia da Rua Governadora, deixa a responsabilidade para o Prefeito em meio tempo Ele volta atrás, joga para a plateia e faz política rasteira como é seu costume.

  3. E as praias serão abertas nos domingos e feriados e funcionamento do quiosque na orla marítima de Natal será liberado com alguma restrição ?

  4. Claro. Libere tudo, prefeito! A pandemia perdeu força! Caíram 87% as mortes. Já podemos voltar aos bares e restaurantes.

    1. A pandemia é uma guerra e a Prefeitura de Natal cometeu um crime de guerra quando não deixou a 2 dose da vicina para os idosos

    2. Pense numa tragédia! O prefeito liberando geral com frota de ônibus reduzida pela metade.Realmente é muito comprometido com a saúde dos seus munícipes.

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