Política

Aloprados: 6 anos depois, Justiça abre ação penal e petistas vão ao banco de réus

Num instante em que o PT inquieta-se com a proximidade do julgamento do mensalão no STF, um segundo fantasma ressurge do passado para assombrar a legenda na eleição municipal de 2012. Sem estrondos, o juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré, titular da 7Vara Criminal da Seção Judiciária de Mato Grosso, abriu há quatro dias uma ação penal contra os petistas envolvidos no caso que ficou conhecido como escândalo do Dossiê dos Aloprados.

Datado de 15 de junho, o despacho do magistrado converteu em réus nove personagens que tiveram participação na tentativa de compra de documentos forjados que vinculariam o tucano José Serra à máfia das ambulâncias superfaturadas do Ministério da Saúde. Entre os encrencados, seis são petistas. Os outros três são ligados a uma casa de câmbio usada para encobrir a origem de parte do dinheiro que seria usado na transação.

O caso escalara as manchetes às vésperas do primeiro turno das eleições gerais de 2006, quando a Polícia Federal prendeu em flagrante, no Hotel Íbis, próximo do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, dois petistas portando R$ 1,7 milhão (uma parte em dólares). Exposto no noticiário da época (veja foto lá no alto), o dinheiro seria usado na transação. Relegado ao esquecimento, o episódio parecia condenado ao arquivo. Engano. Acaba de renascer.

Deve-se a ressurreição a três procuradores da República: Douglas Santos Araújo, Ludmila Bortoleto Monteiro e Marcellus Barbosa Lima. Lotados no Ministério Público Federal de Cuiabá, eles formalizaram em 14 de junho, quinta-feira da semana passada, uma denúncia contra os acusados. Recebida pelo juiz Paulo Cézar, a peça deu origem à ação penal aberta no dia seguinte.

No seu despacho, o magistrado determinou a citação dos réus para que respondam às acusações “no prazo de dez dias”. As citações serão feitas por meio de cartas precatórias, já que a maioria dos acusados não mora em Cuiabá, sede da 7Vara Criminal de Mato Grosso. São os seguintes os ‘aloprados’ que serão intimados a prestar contas à Justiça:

1Gedimar Pereira Passos: policial federal aposentado, foi preso em flagrante pela Polícia Federal no hotel de São Paulo. Gedimar (foto à esquerda) portava R$ 700 mil em dinheiro. Integrava o comitê da campanha à reeleição de Lula, em 2006. Foi escalado pelo PT para pagar o dossiê urdido contra o tucano Serra.

2Valdebran Carlos Padilha da Silva: empresário matrogrossense, era filiado ao PT e operava como coletor informal de verbas eleitorias para o partido. Foi ele quem informou ao PT federal sobre a existência do dossiê. Estava junto com Gedimar Passos no hotel paulistano. Também foi preso. Carregava R$ 1 milhão.

3Jorge Lorenzetti: ex-diretor do Banco do Estado de Santa Catarina, é amigo de Lula, para quem assava churrascos na Granja do Torto, em Brasília. Lorenzetti (foto à direita) integrou o comitê de campanha do PT, em 2006, como chefe do Grupo de Trabalho de Informação. Chefiava uma equipe voltada a ações de espionagem e “inteligência”. Comandou a malograda tentativa de compra do dossiê.

4Expedido Afonso Veloso: ex-diretor do Banco do Brasil, também compôs a equipe do comitê reeleitoral de Lula. Reportava-se a Lorenzetti. Foi escalado para viajar a Cuiabá a fim de analisar os dados contidos no dossiê montado contra Serra.

5Oswaldo Martines Bargas: amigo de Lula dos tempos de militância sindical no ABC paulista, integrava o núcleo de “inteligência” da campanha nacional do PT. Recebeu de Lorenzetti a ordem para acompanhar Expedido Veloso na viagem a Cuiabá. Juntos, deveriam presenciar uma entrevista dos vendedores do dossiê –os empresários matogrossenses Darci e Luiz Antônio Vedoin, pai e filho— à revista IstoÉ. A entrevista, informa o Ministério Público, era parte da trama. Destinava-se a dar visibilidade às denúncias contra Serra.

6Hamilton Broglia Feitosa Lacerda: atuava em 2006 como coordenador da campanha do ex-senador Aloizio Mercadante. Então candidato ao governo de São Paulo, Mercadante media forças com Serra, que prevaleceu nas urnas. Hamilton Lacerda (foto à esquerda) foi filmado pelo circuito interno de câmeras do hotel Íbis entregando dinheiro a Gedimar Passos, o policial federal que foi preso em flagrante. Foram duas remessas. Numa, as notas estavam acondicionadas numa valise. Noutra, em sacolas.

7Fernando Manoel Ribas Soares: era sócio majoritário da Vicatur Câmbio e Turismo Ltda, empresa utilizada no esquema para lavar parte dos dólares que financiariam a compra do dossiê.

8Sirley da Silva Chaves: Também ex-proprietária da Vicatur, recrutou pessoas humildes para servir como “laranjas” na aquisição de parte dos dólares apreendidos pela PF no hotel de São Paulo.

9Levy Luiz da Silva Filho: cunhado de Sirley, foi um dos “laranjas” utilizados no esquema. Em troca de uma comissão de R$ 2 mil, emprestou o próprio nome e recolheu as assinaturas de outros sete integrantes de sua família –um laranjal que incluiu dos pais aos avós. Rubricavam boletos de venda de moeda americana em branco. Eram preenchidos na Vicatur.

Para redigir a denúncia encaminhada ao juiz Paulo Cézar, os procuradores Douglas Araújo, Ludmila Monteiro e Marcellus Lima valeram-se de informações coletas em inquérito da Polícia Federal e numa CPI do Congresso. Só o trabalho da PF, anexado ao processo de número 2006.36.00.013287-3, reúne mais de 2.000 folhas. Foram inquiridas cinco dezenas de pessoas. Realizaram-se 28 diligências. Quebram-se os sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos.

Imaginava-se que o esforço resultara em nada. Mas os procuradores encontraram nos volumes do processo matéria prima para a denúncia. E o juiz considerou que ficou “demonstrada a existência da materialidade e de indícios de autoria” dos crimes. Daí a conversão da denúncia em ação penal e a transformação dos acusados em réus.

No miolo da denúncia do Ministério Público, obtida pelo blog, ressoa uma pergunta que monopolizou o noticiário na época do escândalo: de onde veio o dinheiro? A resposta contida nos autos, por parcial, frustra as expectativas. Mas não completamente. Os procuradores anotam que “grande parte do dinheiro” apreendido pela PF no hotel de São Paulo não teve a origem detectada. Por quê? “Apresentava-se em notas velhas, sem sequenciamento de número de ordem e sem identificação da instituição financeira.” Porém…

Foi possível rastrear uma “parte diminuta das cédulas” recolhidas pela PF na batida policial de 15 de setembro de 2006. Eram dólares. “Cédulas novas, que estavam arrumadas em maços sequenciais.” Servindo-se dos números de série das notas, a Divisão de Combate ao Crime Organizado de Brasília requisitou informações ao governo dos EUA. “Em resposta, o Departamento de Justiça Americano informou que os dólares tiveram origem em Miami”, anotam os procuradores na denúncia.

Seguindo o rastro do dinheiro, descobriu-se que parte dos dólares fez escala numa casa bancária da Alemanha, o Commerzbank. Dali, o lote foi remetido, em 16 de agosto de 2006, para o Banco Sofisa S/A, sediado em São Paulo. Para desassossego dos “aloprados”, o Federal Bureau of Investigation dos EUA farejou a origem de outro naco de dólares apreendidos pela PF. Coisa de US$ 248,8 mil. Compunham um lote de US$ 15 milhões adquirido em 14 de agosto de 2006 pelo mesmo Banco Sofisa junto à filial do alemão Commerzabak em Miami.

Munido das informações, os investigadores acionaram o Banco Central. A quebra dos sigilos bancários levou à seguinte descoberta: parte dos dólares apreendidos no hotel paulistano em poder de Gedimar Passos e Valdebran Padilha havia saída do Banco Sofisa para a corretora de câmbio Dillon S/A, sediada no Rio. Dali, as notas foram repassadas, em várias operações de compra, à Vicatur Câmbio e Turismo Ltda., também do Rio.

Na sequência, o Núcleo de Inteligência da PF varejou a clientela da casa de câmbio Vicatur. Chegou-se, então, ao ‘laranjal’ composto de pessoas humildes. Gente que, sem renda para adquirir dólares, foi usada para dificultar o rastreamento do dinheiro. Inquirido, Levy Luiz da Silva Filho, um dos réus do processo, confessou que servira de laranja. Mais: reconheceu que, em troca de uma comissão de R$ 2 mil, coletara as assinaturas de sete familiares. Juntos, “compraram” na Vicatur o equivalente a R$ 284.857 em moeda americana.

Os procuradores escreveram na denúncia: “Ocorre que, não por mera coincidência, verificou-se que a soma exata de R$ 248,8 mil vendidos a clientes finais pela empresa Vicatur (todos ‘laranjas’conforme depoimentos prestadoso) correspondia à mesma soma dos valores apreendidos” com os petistas Gedimar e Valdebran.

“Desse modo”, concluíram os procuradores, “constata-se que Gedimar Pereira Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti e Osvaldo Bargas se associaram subjetiva e objetivamente, de forma estável e permanente, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro”.

Crimes que “tinham por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 ao governo do Estado de São Paulo através de criação de vínculo entre o candidato do PSDB [Serra] à máfia dos Sanguessugas [que superfaturava ambulâncias com verbas do Ministério da Saúde] e, com isso, favorecer o então candidato do PT [Mercadante].”

Em notícia veiculada em junho do ano passado, a revista Veja revelara que, em conversas com companheiros de partido, um dos ‘aloprados’, Expedito Veloso (foto ao lado), revelara que o verdadeiro mentor do plano do dossiê fora Aloizio Mercadante. Nessa época, o então senador chefiava o Ministério da Ciência e Tecnologia, sob Dilma Rousseff. As conversas foram gravadas e expostas no site da revista.

No áudio, Expedito declara a certa altura: “O plano foi tocado pelo núcleo de inteligência do PT, mas com o conhecimento e a autorização do senador. Ele, inclusive, era o encarregado de arrecadar parte do dinheiro em São Paulo”. Segundo Expedito, Mercadante associara-se ao presidente do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia, morto no final de 2010.

“Faltavam seis pontos para haver segundo turno na eleição de São Paulo”, prosseguiu Expedito. “Os dois [Mercadante e Quércia] fizeram essa parceria, inclusive financeira. […] As fontes [do dinheiro] são mais de uma. […] Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.”

Mercadante negou as acusações. Ele chegara a ser indiciado pela PF no inquérito aberto em 2006. Mas, seguindo parecer da Procuradoria-Geral da República, o STF anulou o indicamento por falta de provas. Agora, em ofício enviado ao juiz Paulo Cézar, os procuradores Douglas Araújo, Ludmila Monteiro e Marcellus Lima voltaram a excluir Mercadante da grelha.

Anotaram: “Relativamente ao crime eleitoral, a autoridade policial, em seu relatório, entendeu que a omissão de receita ou despesa em prestaçãoo de contas de campanha é crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, o qual prevê que ‘constitui falsidade ideológica a ação de omitir, inserir ou fazer inserir declaraçãoo falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais’.”

“No entanto”, prosseguem os procuradores no texto, “certo é que o próprio STF já afastou a modalidade especial de falsidade ideological, por ausência de comprovação de dolo por parte do senador Aloizio Mercadante. Aliado a isso, os laudos de exame financeiro não demonstraram que os recursos provieram de campanha eleitoral.”

Mais adiante, vem a conclusão que excluiu Mercadante da nova denúncia: “Logo, de todo o conjunto probatório colhido, verifica-se a ausência de prova quanto à saída de recursos da caixa de campanha eleitoral, bem como a comprovação da existência de caixa dois para trânsito de recursos por meios ilícitos…”

Afora Mercadante, também o deputado Ricardo Berzoini foi mantido longe da denúncia. Ele presidia o PT em 2006. Coordenava o comitê reeleitoral de Lula. O núcleo de inteligência da campanha, ninho dos ‘aloprados’, reportava-se a Berzoini. Mas ficou entendido que quem comandou a ‘alopragem’ foi Lorenzetti, o churrasqueiro de Lula.

Texto de Josias de Souza

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Polícia

Polícia prende empresário em condomínio de luxo em Parnamirim e apura vazamento de ação

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a segunda fase da Operação Amicis. Nesta etapa, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Poder Judiciário. A prisão ocorreu em um condomínio de alto padrão localizado no bairro Emaús, em Parnamirim, na Grande Natal.

A ação é um desdobramento das investigações iniciadas na primeira fase da operação, em junho de 2025, que apura a prática de crimes tributários, fraude patrimonial, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A partir da análise pericial de aparelhos eletrônicos apreendidos, foram identificados novos e relevantes elementos probatórios.

Os exames técnicos apontaram indícios de vazamento de informações sigilosas relacionadas ao cumprimento de medidas cautelares, havendo elementos que indicam que investigados tiveram conhecimento prévio da operação policial antes de sua deflagração oficial.

Também foram identificados indícios de suposta destruição deliberada de provas digitais após o vazamento, mediante exclusão de mensagens, registros de comunicação e outros dados relevantes, posteriormente recuperados por meio de perícia técnica.

Diante das novas evidências, a Polícia Civil representou pela adoção de novas medidas cautelares, com o objetivo de preservar elementos de prova e aprofundar as investigações. Entre as medidas, foi requerida a prisão temporária de um dos principais investigados, apontado por suposta participação em crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e estelionato.

Com o avanço das diligências, além dos crimes já investigados, surgem indícios da prática de delitos contra a Administração Pública e contra a Administração da Justiça, sem prejuízo de outras infrações penais que possam ser identificadas no decorrer da investigação.

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Geral

Álvaro Dias lança site e convoca população para construção interativa do plano de governo do RN

Vídeo: Divulgação 

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL), lançou nesta segunda-feira (27) um site com foco na participação popular e na construção colaborativa de propostas para o estado. A plataforma amplia de forma estratégica o diálogo direto com a população.

No portal, os potiguares podem enviar sugestões para o plano de governo, indicando demandas específicas de suas cidades. As contribuições serão analisadas, reforçando a ideia de uma gestão baseada na escuta ativa e nas necessidades reais da população.

O site também reúne informações sobre a trajetória de Álvaro, destacando sua experiência como médico e ex-prefeito de Natal por dois mandatos, além de apresentar obras e ações realizadas, especialmente nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento social.

Outro destaque da plataforma é a integração com conteúdos multimídia e canais diretos de comunicação, incluindo grupos de WhatsApp voltados ao engajamento de apoiadores. A ferramenta ainda traz registros das agendas e visitas pelo interior, evidenciando a presença do pré-candidato em diferentes regiões do estado.

Acesse: https://alvaropelorn.com.br ✅

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Polícia

Corrupção no Porto do Rio envolve quase R$ 87 bi em mercadorias

Foto: Divulgação

Uma investigação revelou, nesta terça-feira (28), um esquema de propina e corrupção no Porto do Rio de Janeiro, envolvendo mercadorias e uma movimentação financeira na casa dos R$ 87 milhões. A descoberta originou uma operação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal.

A Operação Mare Liberum foi deflagrada para combater uma organização que teria atuado entre julho de 2021 e março de 2026 com um fluxo de pagamentos sistemáticos para servidores.

São cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Vitória (ES).

As investigações começaram pela Corregedoria da Receita Federal, que desde fevereiro de 2022 apura irregularidades no despacho aduaneiro do Porto do Rio e descobriu a existência de uma organização criminosa estruturada, composta por servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários que atuavam de forma coordenada para viabilizar a liberação irregular de mercadorias importadas mediante pagamento sistemático de propina.

Segundo a Receita, foram identificadas quase 17 mil Declarações de Importação (DI) potencialmente contaminadas por irregularidades, correspondendo a cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias no período de julho de 2021 a março de 2026.

O valor torna a operação uma das maiores de combate à corrupção aduaneira da história recente do país.

CNN

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Política

MPRN expõe colapso em Mossoró e desafia marketing de Alysson Bezerra

Foto: Reprodução

Um ultimato do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) impõe um freio na narrativa de sucesso da gestão Alysson Bezerra em Mossoró, revelando, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, um cenário de fragilidade estrutural. Relatórios detalhados, divulgados na semana passada pelo Diário do RN, apontam deficiências críticas na saúde, educação e assistência social, demandando ações urgentes do novo prefeito Marcos Bezerra antes do prazo final de 30 de abril de 2026.

Esta decisão ministerial, que exige respostas concretas para evitar o “colapso administrativo”, impacta diretamente a qualidade de vida da população mossoroense e coloca em xeque a ambição do ex-prefeito, agora pré-candidato ao Governo do Estado, cujas promessas de campanha contrastam com a dura realidade documental.

Enquanto a tela dos smartphones exibia uma Mossoró em pleno vapor, projetada pelo intenso marketing digital de Alysson Bezerra, a realidade dos documentos oficiais pintava um quadro sombrio para quem mais precisa. O levantamento do órgão ministerial, que fundamenta uma série de recomendações urgentes, identifica falhas estruturais nos pilares básicos da administração municipal.

Na saúde, a precariedade no abastecimento de insumos básicos significa pacientes sem medicamentos essenciais ou leitos disponíveis, e os gargalos no atendimento especializado prolongam o sofrimento de famílias que aguardam por diagnósticos e tratamentos que não chegam. Na educação, a infraestrutura das escolas e o déficit de profissionais revelam que o “padrão” anunciado nos vídeos de campanha não alcançou todas as crianças em suas salas de aula. Já na assistência social, o setor mais sensível para a população vulnerável, o relatório descreve uma desarticulação que compromete serviços vitais, deixando quem depende de apoio com portas fechadas.

A discrepância entre o “Prefeito Digital” e o “Gestor Real” levanta um debate necessário sobre a governança por algoritmos. Alysson Bezerra consolidou sua imagem pública através de uma presença onipresente no Instagram e TikTok, onde cada obra ganha contornos de revolução.

Entretanto, o MPRN sinaliza que, por trás dos filtros e trilhas sonoras animadas, a máquina pública de Mossoró sofre com falhas crônicas de planejamento e execução. As recomendações do MPRN não configuram uma decisão definitiva, mas um chamado imperativo à ação, com prazo para resposta e implementação de melhorias. Este conjunto de problemas críticos exige atenção imediata e questiona a priorização do espetáculo em detrimento da manutenção do essencial.

Para um político que agora almeja o comando do Rio Grande do Norte, estes relatórios funcionam como um freio de arrumação. Se a gestão da segunda maior cidade do estado apresenta fissuras tão profundas nos setores básicos, a pergunta que ecoa nos corredores políticos é se o modelo de Alysson Bezerra sobreviveria ao escrutínio de um estado inteiro, onde os problemas não podem ser editados ou silenciados por um clique

Diário do RN

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Política

PESQUISA ATLASINTEL: Flávio Bolsonaro abre vantagem sobre Lula em novo 2º turno

Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (28). Flávio registra 47,8% das intenções de voto, contra 47,5% de Lula — diferença de 0,3 ponto percentual dentro da margem de erro, configurando empate técnico.

De acordo com o levantamento, o cenário segue altamente equilibrado, com leve oscilação em relação à rodada anterior. No fim de março, Flávio Bolsonaro tinha 47,6%, enquanto Lula aparecia com 46,6%, mantendo a disputa dentro da margem de erro.

Segundo a AtlasIntel, a pesquisa ouviu 5.008 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório entre os dias 22 e 27 de abril. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

No cenário de primeiro turno, os números indicam variações discretas. Lula passou de 45,9% para 46,6%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 40,1% para 39,7%. Outros nomes aparecem mais distantes, como Renan Santos (5,3%), Ronaldo Caiado (3,3%) e Romeu Zema (3,1%).

 

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Política

PESQUISA ATLASINTEL: rejeição a Lula chega a 75% entre evangélicos e dispara entre jovens

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A rejeição ao governo do presidente Lula (PT) atinge 75,4% entre evangélicos e chega a 69,4% entre jovens de 16 a 24 anos, segundo levantamento da AtlasIntel divulgado nesta terça-feira (28). De acordo com os dados, o índice geral de avaliação negativa da gestão federal também apresentou leve alta em abril, indicando avanço da percepção crítica em diferentes segmentos.

Segundo a pesquisa, 51,3% dos entrevistados classificam o governo como ruim ou péssimo, ante 50% em março. Já a avaliação positiva, considerada como ótimo ou bom, passou de 41% para 42%.

A variação ocorre, principalmente, pela redução no número de entrevistados que avaliavam a gestão como regular, que caiu de 10% para 6,8%.

De acordo com o levantamento, a rejeição é mais elevada entre evangélicos (75,4%), jovens de 16 a 24 anos (69,4%) e homens (57,3%).

O estudo também aponta índices elevados entre pessoas com ensino médio completo, que registram 56,8% de avaliação negativa do governo.

Em termos regionais, Norte e Nordeste apresentam avaliações mais positivas, enquanto Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram maiores percentuais de reprovação, segundo a AtlasIntel.

A pesquisa ouviu 5.008 pessoas entre os dias 22 e 27 de abril. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, conforme informado pela empresa.

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Geral

URGENTE: MPRN investiga esquema com carros de luxo e suspeita de fraude e corrupção no Detran do RN

Foto: Reprodução

Uma operação do MPRN deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira (28) apura um esquema milionário de fraudes veiculares que teria utilizado o sistema do Detran/RN para regularizar carros de luxo de origem suspeita. A investigação também levanta suspeitas de corrupção e uso de empresas de fachada para dar aparência de legalidade às transações.

Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, além de endereços ligados a investigados nas cidades de Caruaru (PE) e Timon (MA).

De acordo com o MPRN, a operação, denominada Evolution, é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tem como foco um grupo suspeito de estruturar um esquema para inserir veículos com irregularidades em registros oficiais. Segundo as investigações, uma empresa do setor de distribuição de alimentos teria sido utilizada como fachada no processo.

Ainda segundo o Ministério Público, há indícios de que o grupo atuava com a inserção de dados falsos em sistemas oficiais, além de possível participação de servidores públicos e despachantes, o que é alvo de apuração. As condutas investigadas incluem crimes como falsidade documental e corrupção ativa e passiva.

As apurações também envolvem suspeitas de clonagem de veículos de luxo, alteração de sinais identificadores e possível lavagem de dinheiro. Segundo o órgão, a movimentação financeira atribuída ao esquema é considerada elevada, o que reforça a suspeita de uma estrutura organizada.

 

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Política

[VÍDEO] Rogério Marinho diz que ministro virou ‘xerife no Brasil’ e dispara contra o Judiciário

Imagens: Reprodução/Instagram/Jovem Pan News

O senador Rogério Marinho (PL) afirmou, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, que um ministro do STF teria se tornado “um xerife no Brasil” e fez críticas à atuação do Judiciário, ao analisar o funcionamento das instituições e a relação entre os Poderes.

Segundo ele, há distorções na atuação do sistema de Justiça brasileiro e questionamentos sobre a forma como algumas decisões vêm sendo conduzidas. Também criticou o que classificou como distanciamento entre parte da magistratura e a sociedade.

Rogério afirmou ainda que existem situações envolvendo a atuação pública de integrantes do Judiciário que, na avaliação dele, levantam debates sobre limites institucionais. As declarações foram feitas sem citar diretamente decisões específicas, mas em referência ao cenário político e jurídico atual.

O senador defendeu a necessidade de discussão sobre o equilíbrio entre os Poderes e possíveis mudanças no sistema de funcionamento das instituições. Segundo ele, o tema deveria ser debatido pelo Congresso Nacional.

Em outro trecho, Rogério citou o que considera uma concentração de decisões em determinadas estruturas do Judiciário e afirmou que isso pode gerar impactos na relação entre instituições e sociedade, reforçando a necessidade de reformas no sistema.

 

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Saúde

[VÍDEO] Cinco da mesma família são internados após comer peixe em feira de Natal; caso vai para UTI

Imagens: Reprodução/Instagram/Blog Gustavo Negreiros

Cinco pessoas da mesma família foram parar no hospital após consumirem peixe comprado na Feira do Alecrim, em Natal, durante um almoço no último domingo (26). O caso, que já teve internação em UTI e gera suspeita de intoxicação por ciguatera, acendeu alerta entre familiares e levanta preocupação sobre a segurança do alimento consumido.

Segundo relato de Mário Saraiva, responsável pela denúncia, a mãe, duas irmãs, uma sobrinha e o filho dele passaram mal poucas horas após a refeição. Apenas uma das irmãs não apresentou sintomas por não ter consumido o peixe, conforme informações do Blog Gustavo Negreiros.

Ainda de acordo com o relato, parte da família precisou de internação hospitalar. Um dos casos evoluiu para UTI, o que aumentou a gravidade da situação e a preocupação dos familiares. Até o momento, duas pessoas já receberam alta, enquanto outras duas seguem internadas e uma permanece em estado mais delicado.

A principal suspeita levantada pela família é de intoxicação por ciguatera, uma toxina associada a peixes de recife. O diagnóstico, no entanto, ainda não foi confirmado oficialmente por autoridades de saúde.

Em mensagem divulgada por Mário Saraiva, ele faz um apelo público para investigação do caso e pede atenção das autoridades sanitárias. Segundo ele, a situação é grave e exige orientação imediata à população sobre possíveis riscos.

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Política

Câmara de Recife barra título de cidadão a Wagner Moura

Foto: Divulgação

A Câmara Municipal do Recife rejeitou o projeto que daria ao ator Wagner Moura o título de Cidadão do Recife. A proposta não atingiu o número mínimo de votos exigido e foi arquivada após votação em plenário, com placar de 16 votos a favor e 7 contrários. A decisão gerou debate entre vereadores sobre critérios para concessão de homenagens na Casa.

Durante a sessão desta segunda (27), os parlamentares divergiram sobre o uso do título de cidadão. O vereador Eduardo Moura (Novo-PE) criticou a proposta e questionou a relevância prática da homenagem. “Temos demandas importantíssimas nesta Casa, mas se a gente mesmo não valoriza, quem é que vai valorizar?”, afirmou.

Autor da proposta, o vereador Carlos Muniz (PSB-PE) defendeu a concessão baseado na atuação do ator no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho e ambientado no Recife. Segundo ele, a produção ajudou a projetar a cultura da cidade internacionalmente.

“Por sua vez, Wagner Moura imprimiu o DNA recifense em seu personagem”, justificou o parlamentar. O filme citado pelo vereador ganhou repercussão internacional e contribuiu para ampliar a visibilidade do Recife no cenário cultural.

Moura também ganhou destaque global recentemente ao ser incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo de 2026, publicada pela revista Time, reforçando sua projeção internacional.

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