Saúde

Como processadora de carne se tornou maior foco de Covid nos EUA

Com 3,7 mil trabalhadores, Smithfield é a quarta maior empregadora de Big Sioux e também o local do maior surto de coronavírus nos Estados Unidos' (Foto: BBC)

Em uma fábrica de processamento de carne de porco em Dakota do Sul, o surto do coronavírus se espalhou na velocidade de um incêndio florestal, levantando dúvidas sobre o que a empresa fez para proteger os trabalhadores.

Mas como um foco de covid-19, em um dos Estados menos densamente povoados dos EUA, se tornou o maior da primeira economia do mundo?

Na tarde de 25 de março, Julia abriu seu laptop e acessou um perfil falso no Facebook.

Ela criou essa conta quando ainda estava na escola, com o objetivo de seguir secretamente os passos dos garotos por quem estava apaixonada.

Mas desta vez, depois de muitos anos, ela estava entrando na conta novamente para cumprir um propósito muito mais sério.

“Você pode investigar Smithfield?”, escreveu em um perfil chamado Argus911, o canal de denúncias no Facebook do jornal local, o Argus Leader.

“Eles têm um caso positivo (de covid-19) e planejam permanecer abertos”.

Por “Smithfield”, ela quis dizer a fábrica de processamento de carne de porco Smithfield, localizada na cidade de Sioux Falls, no Estado de Dakota do Sul. Ela pertence ao grupo Smithfield Foods, com sede em Smithfield, na Virgínia, tido como o maior produtor de carne de porco do mundo. Em 2013, ela foi comprada pelo grupo chinês WH Group, no que foi considerada – e ainda é – a maior aquisição de uma empresa americana por um grupo chinês.

A fábrica, uma enorme estrutura branca de oito andares, localizada nas margens do rio Big Sioux, é a nona maior processadora de carne de porco dos Estados Unidos.

Um dos maiores empregadores da cidade

Ao operar com capacidade total, a estrutura é capaz de processar até 19,5 mil porcos recém-abatidos por dia, cortando, moendo e transformando-os em milhões de quilos de bacon, salsichas de cachorro-quente e presuntos fatiados.

Com 3,7 mil trabalhadores, é também a quarta maiora empregadora da cidade, de 182 mil habitantes.

“Obrigado pela denúncia”, respondeu a conta Argus911, “qual era o emprego do funcionário que teve diagnóstico positivo?”

“Não temos muita certeza”, respondeu Julia.

“Tudo bem, obrigado”, disse Argus911. “Entraremos em contato”.

Às 7h35 da manhã seguinte, o Argus Leader publicou um artigo em seu site intitulado “Um funcionário da Smithfield Foods testa positivo para o coronavírus”.

O repórter confirmou com um porta-voz da empresa que um funcionário havia contraído o vírus e estava cumprindo uma quarentena de 14 dias em casa.

Sua área de trabalho e outros espaços comuns foram “completamente desinfetados”.

Mas a fábrica, considerada pelo governo Trump como parte da “indústria crítica” americana, continuaria totalmente operacional.

“A comida é uma parte essencial de nossas vidas, e nossos mais de 40 mil trabalhadores americanos, bem como milhares de pequenos agricultores e nossos muitos outros parceiros da cadeia de suprimentos são uma parte crucial da resposta de nossa nação a covid-19”, disse Kenneth Sullivan, diretor da Smithfield, em um vídeo postado em 19 de março justificando a decisão de manter a fábrica aberta.

“Estamos tomando as precauções máximas para garantir a saúde e o bem-estar de nossos funcionários e consumidores”, acrescentou.

No entanto, Julia ficou alarmada.

‘Meus pais não sabem inglês. Eles não podem se defender’

“Há rumores de que houve casos antes mesmo disso”, disse ela. “Ouvi falar de pessoas da Smithfield, especificamente, que foram hospitalizadas. Mas isso só é sabido pelo boca a boca.”

Julia não trabalha na fábrica. Ela é uma estudante na casa dos 20 anos, isolada em casa depois que sua universidade foi fechada devido à pandemia de covid-19.

Foram seus pais, funcionários da Smithfield, que lhe disseram o que estava acontecendo na fábrica naquele dia.

Julia faz parte do grupo chamado “Filhos de Smithfield”, descendentes de imigrantes de primeira geração e cujos pais são funcionários da fábrica, que denunciaram o surto.

“Meus pais não sabem inglês. Eles não podem se defender”, disse Julia. “Alguém tem que falar por eles.”

Sua família, como muitas em Sioux Falls, fez todo o possível para evitar o contágio. Os pais de Julia usaram todas as suas férias restantes para ficar em casa.

Depois do trabalho, deixavam os sapatos do lado de fora e tomavam banho imediatamente. Julia comprou bandanas de tecido para eles, para que eles cobrissem a boca e o nariz enquanto trabalhavam.

Para Julia, alertar a mídia era apenas um passo lógico na tentativa de mantê-los em boa saúde, criando pressão pública para fechar a fábrica e fazer com que seus pais ficassem em casa.

O primeiro foco nos Estados Unidos

Mas isso foi apenas o começo de quase três semanas de ansiedade, durante as quais seus pais continuaram a frequentar uma fábrica que sabiam que poderia estar contaminada pois não podiam perder seus empregos.

Não havia distanciamento social. Eles trabalhavam a menos de 30 centímetros de distância um do outro e de seus colegas. Entravam e saíam de vestiários lotados, corredores e cafés.

Durante esse período, o número de casos confirmados entre funcionários da Smithfield aumentou lentamente, de 80 para 190 e depois para 238.

Em 15 de abril, quando a Smithfield finalmente fechou sob pressão do governo de Dakota do Sul, a fábrica havia se tornado o foco número um nos Estados Unidos, com 644 casos confirmados entre funcionários e pessoas infectadas por eles.

Descobriu-se depois que as infecções oriundas da Smithfield foram responsáveis por 55% dos casos confirmados no Estado, que ultrapassou em muito os vizinhos mais populosos, se consideramos os números per capita.

De acordo com o jornal The New York Times, o número de casos originários da Smithfield Foods até excedeu os relatados no USS Theodore Roosevelt, o porta-aviões que teve mais de 600 membros da tripulação infectados, e na cadeia do condado de Cook, em Chicago, onde houve mais de 300 casos.

Esses números foram divulgados um dia após a morte do primeiro funcionário da Smithfield, em um hospital local.

“Ele pegou o vírus ali. Antes, era muito saudável”, disse sua mulher Angelita à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol.

“Meu marido não será o único a morrer”, acrescentou.

Microcosmo de disparidades

A fábrica de processamento de carne de porco Smithfield, localizada em um Estado liderado por um republicano e um dos cinco que não implementou nenhuma medida obrigatória de quarentena, tornou-se um microcosmo que ilustra as disparidades socioeconômicas que a pandemia global descortinou.

Enquanto muitos profissionais em todo o país estão trabalhando de casa, os funcionários da indústria de alimentos, como os da Smithfield, são considerados “essenciais” e devem permanecer na linha de frente.

“Empregos de trabalhadores essenciais têm salários abaixo da média nos Estados Unidos, em alguns casos com margens significativas. É o caso, por exemplo, de assistentes de saúde e caixas de supermercados, duas posições absolutamente essenciais na linha de frente, que requerem presença física dos trabalhadores”, explica Adie Tomer, do Brookings Institute, um think tank americano.

Tomer destaca que nesses setores a maior parte dos trabalhadores é majoritariamente afro-americana ou hispânica.

A força de trabalho da Smithfield é composta principalmente por imigrantes e refugiados de países como Mianmar, Etiópia, Nepal, Congo e El Salvador.

Existem 80 idiomas diferentes falados no chão da fábrica. As estimativas do salário variam, em média, de US$ 14 a US$ 16 por hora.

E o turno é longo: trata-se de um trabalho exaustivo, que exige que o funcionário permaneça em uma linha de produção geralmente a menos de 30 centímetros dos seus colegas.

A BBC conversou com seis funcionários da Smithfield, antigos e atuais, que disseram que, apesar de terem medo de continuar trabalhando, não conseguiram escolher entre proteger seus empregos ou sua saúde.

“Tenho muitas contas para pagar. Meu bebê está chegando, tenho que trabalhar”, disse um funcionário de 25 anos cuja esposa está grávida de oito meses.

“Se (o teste) for positivo, fico preocupado por não poder ajudar minha esposa.”

O caso da Smithfield não é o único

Fábricas de processamento de alimentos em todo o país estão enfrentando surtos de coronavírus com potencial para interromper a cadeia de suprimentos.

Uma fábrica de carne da brasileira JBS SA no Colorado foi fechada após cinco mortes e 103 infecções entre seus funcionários.

Dois trabalhadores de uma fábrica da Tyson Foods, em Iowa, no noroeste do país, também morreram, enquanto outros 148 ficaram doentes.

O fechamento de uma grande instalação de processamento de carne, como a de Sioux Falls, causa um distúrbio maciço e deixa um grande número de criadores sem lugar para vender seus animais.

Cerca de 550 fazendas independentes enviam seus porcos para o abate na fábrica de Sioux Falls.

Ao anunciar a paralisação, o diretor de Smithfield alertou para “repercussões graves, talvez desastrosas”, no fornecimento de carne.

Mas, de acordo com funcionários da fábrica, seus representantes sindicais e advogados da comunidade de imigrantes em Sioux Falls, o surto que levou ao fechamento da fábrica teria sido evitável.

Eles alegam que os pedidos iniciais de equipamentos de proteção individual foram ignorados, que os trabalhadores doentes foram incentivados a continuar trabalhando e que as informações sobre a propagação do vírus foram abafadas, mesmo quando corriam o risco de expor suas famílias e pessoas em geral.

“Se o governo federal deseja que a empresa permaneça aberta, então de quem é a responsabilidade de garantir que essas empresas estejam fazendo o que precisam para mantê-las em segurança?” questiona Nancy Reynoza, fundadora do Qué Pasa Sioux Falls, uma fonte de notícias em espanhol que recebeu denúncias de trabalhadores angustiados com a situação na Smithfield.

Oprimidos pelo medo

A BBC fez uma série de perguntas à Smithfield com base nas acusações dos trabalhadores, mas a empresa disse, em nota, que não comentaria casos individuais.

“Primeiro, a saúde e a segurança de nossos funcionários e da comunidade são nossa principal prioridade todos os dias”, afirmou o comunicado.

“Estabelecemos em fevereiro uma série de processos e protocolos rigorosos e detalhados (…) seguindo as orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão do governo americano) para lidar com qualquer caso potencial de covid-19 em nossas operações.”

‘Meus pais são tudo o que tenho’

O surto deixou pessoas como Julia, cuja mãe tem condições crônicas de saúde, sobrecarregadas pelo medo de que seus pais arriscassem suas vidas tentando manter seus empregos.

“Meus pais são tudo o que tenho. Tenho que pensar na probabilidade de não tê-los na minha vida”, disse ela, com a voz embargada.

“Quero compartilhar o que está acontecendo para mostrar o que a empresa não está fazendo.”

Os pais de Julia eram esperados no trabalho na última terça-feira, 14 de abril, o último dia antes do anunciado do fechamento por 14 dias.

Mas no sábado, Helen começou a tossir.

No dia seguinte, quando a neve caía sobre Sioux Falls, Julia insistiu que sua mãe fizesse um teste. Helen tentou adiar, dizendo que não era nada.

“Minha mãe realmente odeia ir ao médico”, disse Julia, que finalmente venceu a discussão.

Helen acabou indo a um centro de testes no hospital local.

Realizado o exame, ela foi mandada de volta para casa.

“Se tenho covid-19, claramente peguei na fábrica”, disse ela. “Nesta semana, trabalhei em três andares diferentes. Comi em duas cafeterias diferentes. Imagine todos os lugares em que estive e toquei dentro dessa fábrica. Andei por todo o lugar”, acrescentou.

Na terça-feira, 14 de fevereiro, quando estavam programados para voltar ao trabalho, os pais de Julia acordaram às 4 da manhã, como normalmente fazem.

Eles chamaram seus chefes para explicar que não podiam ir ao trabalho enquanto esperavam o resultado do teste de Helen.

O telefone tocou à tarde.

Julia conversou com o médico pelo celular de sua mãe, enquanto seus pais observavam seu rosto tentando interpretar suas reações. Quando Julia ouviu as palavras “positivo para o covid-19”, deu um sinal de positivo com o polegar.

Inicialmente, o casal interpretou o gesto como se Helen não estivesse com o vírus. Julia tratou de desfazer o malentendido.

Seu pai foi imediatamente para a cozinha, onde Julia o viu tentando conter as lágrimas.

Uma questão politizada

No mesmo dia em que Helen recebeu seus resultados, a polêmica em torno da fábrica ganhou cores políticas.

O prefeito de Sioux Falls, Paul TenHaken, pediu formalmente à governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, que emitisse uma ordem para ficar em casa para os municípios vizinhos, bem como para criar um centro de isolamento.

Ela negou os dois pedidos.

Apesar do aumento no número de casos, Noem também continuou a se recusar a emitir uma ordem de quarentena obrigatória em Dakota do Sul, dizendo especificamente que essa ordem não teria impedido o que aconteceu em Smithfield.

Em vez disso, aprovou o primeiro teste estadual para a hidroxicloroquina, um medicamento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cita frequentemente como um possível tratamento para o coronavírus.

Sem saída

Dois dias após o diagnóstico positivo de coronavírus da mãe, Julia acordou no sofá com dor de cabeça , tosse e garganta seca.

Pela primeira vez desde que a pandemia tomou conta de sua vida, ela dormiu a noite toda, mas acordou mais exausta do que nunca.

Depois de ligar para o número de emergência e informar que era filha de um trabalhador de Smithfield, Julia entrou no carro de sua mãe e dirigiu até o local do teste.

Ela estava de bom humor, apesar de quase tudo o que tentara evitar ao enviar a denúncia ao jornal local havia um mês.

A fábrica permaneceu aberta. Sua mãe estava com o vírus e seu pai foi exposto à doença. Sua cidade havia se tornado o epicentro da pandemia no Estado de Dakota do Sul. E muitos haviam morrido.

E agora, ela também poderia estar doente.

“Só quero chorar”, disse ela, enquanto se dirigia para o hospital.

Muitos imigrantes nos EUA estão na mesma situação que os pais de Julia. “Eles não sabem inglês. Eles não podem se defender”, diz a jovem.

‘Vá para casa, fique em casa, não vá a lugar nenhum’

Embora tenha chegado apenas 20 minutos após a abertura do centro de testes, Julia encontrou uma fila de 15 carros na frente dela. “Odeio filas”, desabafou, tomando um gole de sua garrafa de água e tossindo.

Depois de meia hora, estacionou no que parecia uma enorme garagem e viu uma placa que dizia: “Tenha seu cartão de identificação e seguro de saúde em mãos”.

“Ok, fiquei ansiosa”, disse ela. “Não quero fazer isso.”

Quando chegou a sua vez, um funcionário do centro vestindo um traje de proteção completo, máscara e luvas enfiou um longo cotonete na narina direita de Julia e depois na esquerda.

Ela fez uma careta e estremeceu.

“Você precisa de um lenço?”, perguntou o profissional de saúde. “Sim, por favor”, respondeu Julia.

Com instruções para “ir para casa, ficar em casa, não vá a lugar nenhum”, Julia conseguiu sair do centro. Foi um momento tão apavorante que ela começou a chorar e teve que parar o carro por um momento para se acalmar.

Julia estava sentada ao volante, observando os carros entrando e saindo do estacionamento. E lamentou que sua casa agora tivesse se tornado um possível novo foco da infecção.

Depois de alguns minutos, chegou a hora de voltar para casa que seus pais, Helen e Juan, haviam trabalhado tantas horas na fábrica para pagar. Um lugar onde todos ficariam em quarentena por pelo menos 14 dias.

“Agora é só esperar”, disse Julia. “Acho que não consigo pensar muito sobre isso. Mas vai passar.”

Julia receberia seus resultados em cinco dias.

Época, com BBC

Opinião dos leitores

  1. Relato angustiante. Imaginem casos como este acontecendo aos milhões, em todo o mundo. Enquanto isso, os canalhas do Partido Comunista Chinês se divertem com a desgraça que desencadearam.

    1. Kkkkk
      Manda teu presidente cortar as relações com a China. Kkkkkk
      Uma mentira contada mil vezes nem sempre se torna verdade, gado!

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Geral

Governo Lula tenta última reunião com EUA antes de decisão de Trump sobre tarifas

oto: REUTERS/Dado Ruvic

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta realizar uma última reunião com representantes dos Estados Unidos antes de o presidente Donald Trump decidir, até quarta-feira (15), se aplicará novas tarifas contra produtos brasileiros. As informações são da CNN Brasil.

Segundo a emissora, o Planalto busca um encontro com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), na expectativa de conhecer antecipadamente a decisão do governo norte-americano. Na última quinta-feira (9), Greer afirmou à Fox Business que as negociações “ainda estão distantes de um acordo”.

Na sexta-feira (10), Lula reuniu ministros para definir a estratégia brasileira. De acordo com a CNN Brasil, o governo trabalha com dois cenários: o mais provável é a aplicação das tarifas, que o Planalto considera injustificadas; o outro é um eventual adiamento da medida por parte dos EUA.

Ainda segundo a CNN Brasil, integrantes do governo avaliam que, caso o adiamento seja atribuído ao pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que as tarifas sejam aplicadas apenas após as eleições de outubro, isso reforçaria a percepção de que as sanções têm motivação política, e não econômica.

As tarifas propostas pelo USTR incluem 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais, resultado de uma investigação iniciada em 15 de julho de 2025, e mais 12,5% por alegada falta de restrições à importação de produtos feitos com trabalho análogo à escravidão.

O QUE OS EUA ALEGAM PARA TARIFAR O BRASIL EM 25%*

Pontos criticados:

  • PIX: BC favorece o sistema em detrimento de provedores norte-americanos.
  • Decisões judiciais: Tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis.
  • Tarifas preferenciais desleais: Audiência pública para debater medidas propostas.
  • Desmatamento ilegal: Brasil historicamente falhou no combate.
  • Acesso ao mercado de etanol: Brasil não oferece tratamento recíproco à exportação do etanol vindo dos EUA.
  • Proteção da propriedade intelectual: Falta de aplicação de leis penais e aduaneiras contra falsificação de serviços.
  • Combate à corrupção: Brasil não adota medidas de combate à corrupção.

*Fonte: Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

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Geral

Mais um restaurante anuncia encerramento das atividades na Grande Natal em 2026: o Mirante do Mar, em Tabatinga

Imagem: reprodução

O Mirante do Mar, um dos mais tradicionais bares e restaurantes de Tabatinga, em Nísia Floresta, anunciou neste domingo (12) o encerramento das atividades em publicação nas redes sociais. O estabelecimento funcionará até 26 de julho.

“Agradecemos de coração a todos os clientes e amigos que fizeram parte da nossa história”, diz a publicação que também comunicou que o Point Arituba, que funciona na Lagoa de Arituba seguirá funcionando.

O Mirante do Mar é mais um restaurante na Grande Natal que encerra as atividades em 2026. Desde o início do ano, tradicionais estabelecimentos também fecharam suas portas. Entre os casos mais emblemáticos estão o Santa Maria, um ícone da gastronomia portuguesa em Natal, que em fevereiro anunciou o fechamento após mais de 20 anos de funcionamento; O Duma Cozinha, que encerrou as atividades em abril; E ainda o Restaurante Caicoense, que funcionava na praça de alimentação do Natal Shopping desde 2012 e fechou em junho deste ano.

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Geral

COLUNA DO ESTADÃO: Temer revela que Trump perguntou a ele: ‘Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?’

Foto: Felipe Rau/Estadão

Coluna do Estadão, por Roseann Kennedy 

Se pudesse dar um conselho ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a relação com Donald Trump, Michel Temer recomendaria ao petista “amenizar as palavras”. Mas, desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Temer e Lula não conversaram mais.

Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente lembrou uma passagem que teve com Trump, pouco mais de um ano após a deposição de Dilma, para descrever as idas e vindas do americano.

A sopa de cenoura com gengibre e carneiro ainda estava fumegando naquele jantar de gala, em Nova York, quando o presidente dos Estados Unidos, à época em seu primeiro mandato, fez uma pergunta que deixou os interlocutores desconcertados. “Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?”, disparou Trump, sem rodeios nem meias-palavras.

A cena ocorreu em 18 de setembro de 2017, na véspera da abertura da Assembleia-Geral da ONU. A indagação de Trump foi dirigida a Temer e a seus colegas da Argentina, da Colômbia e do Panamá. O americano parecia nervoso.

“Foi a primeira pergunta que ele fez”, contou Temer. “Houve um certo constrangimento, mas cada um disse: ‘Olha, presidente, nós estamos tomando providências de natureza diplomática’”.

Trump foi ouvindo um a um. À mesa, muitos destacaram o bom relacionamento com a Venezuela e o povo venezuelano, embora não admitissem o regime de Nicolás Maduro. Argumentaram que, por isso mesmo, a Venezuela havia sido suspensa do Mercosul.

“É por isso que eu digo: ‘Quando ele (Trump) diz uma coisa lá, se nós respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação”, disse Temer.

No discurso para todos os convidados, Trump afirmou que os EUA estavam prontos para adotar “ações adicionais” contra a ditadura de Maduro. Na conversa com os presidentes latino-americanos, porém, ele concordou que o melhor era agir pela via diplomática, e não fazer uma intervenção militar.

“É por isso que eu digo: ‘Quando ele (Trump) diz uma coisa lá, se nós respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação”, insistiu Temer ao ser questionado sobre o risco de Trump usar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas para também intervir no Brasil.

Na prática, porém, o tom cada vez mais inflamado do governo contra as investidas de Trump – da ameaça de novo “tarifaço” ao carimbo do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas – serve sob medida à campanha de Lula. Tanto é assim que a defesa da soberania entrou até no programa de governo do PT.

De qualquer forma, como o que Trump fala não se escreve, quase nove anos depois daquele jantar de sinais trocados em Nova York, a invasão da Venezuela saiu do papel.

Coluna do Estadão, por Roseann Kennedy 

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Geral

PEDIDO DE PAZ: Papa Leão XIV pede diálogo para fim de guerras no Oriente Médio e na Ucrânia

Foto: Mídia do Vaticano/ via Reuters

O papa Leão XIV fez neste domingo (12), em Castel Gandolfo, um novo apelo pela paz diante dos conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras regiões do mundo. O pontífice defendeu o diálogo e a diplomacia para conter a escalada da violência.

“Não permitamos que esses ventos extingam a chama da esperança e da paz, mesmo quando ela parecer frágil e vacilante”, afirmou o papa, ao renovar seu pedido por negociações entre as partes.

O pronunciamento ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, após a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã, e ao aumento da ofensiva russa contra a Ucrânia. Nas últimas semanas, Kiev também intensificou ataques contra a logística militar russa em áreas ocupadas.

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Geral

APARECEU O COITADO: Autor de perfil criado para defender Allyson e atacar adversários tenta se vitimizar, mas não explica ligações com ex-prefeito de Mossoró

Foto: reprodução/pngtree

João Carlos Medeiros, autor do perfil @rncomallyson, criado para fazer propaganda da pré-candidatura de Allyson Bezerra e detonar seus adversários na disputa pelo Governo do Estado, publicou um vídeo se vitimizando, dizendo que está sendo atacado e afirmando que é alvo de “mentiras orquestradas por gente que se acha muito poderosa”.

Ele disse que o perfil que administra “não é fake, não é anônimo e nem apócrifo”, que foi feito com seu número de telefone e e-mail pessoal e que não precisaria sequer de decisão judicial para identificá-lo. Em seguida, João Carlos confirmou que a página foi criada para defender Allyson Bezerra, mas omitiu que também promove ataques sistemáticos contra os adversários do ex-prefeito de Mossoró.

Apesar de dizer que não precisaria de decisão judicial para identificá-lo, João Carlos só esqueceu de explicar que a autoria do perfil só foi revelada após a Meta enviar ao TRE as informações sobre o endereço IP vinculado à conta @rncomallyson. Não fosse isso, até hoje ninguém saberia quem administra a página no Instagram.

Ele também não explicou suas muitas ligações com o pré-candidato ao Governo do Estado. João Carlos é vice-presidente estadual e presidente da Juventude do União Brasil em Mossoró. Além disso, ele é noivo da ex-secretária de Comunicação da Prefeitura de Mossoró e braço direito de Allyson Bezerra.

As ligações não param por aí. O Blog do BG revelou nesta semana que João Carlos também era sócio de outro blog, chamado “Toda Hora Mossoró”, junto com sua prima Jaiane Carla da Silva Medeiros, que recebeu R$ 46.905,00 da Prefeitura de Mossoró entre 2021 e 2024.

João Carlos quer dar uma de coitado para esconder que, apesar de garantir que “fazia tudo por conta própria”, ele na verdade sempre foi remunerado pela estrutura de Allyson Bezerra. Essa estratégia de dizer que está “sendo perseguido pelos poderosos”, além de não ser original, não resiste aos fatos.

Opinião dos leitores

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Guerra

VÍDEO: EUA concluem nova rodada de ataques ao Irã e dizem ter atingido 140 alvos militares

Imagens: CENTCOM/EUA

Os Estados Unidos anunciaram a conclusão da terceira rodada de ataques contra o Irã. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a operação atingiu cerca de 140 alvos militares, incluindo instalações de mísseis e drones, equipamentos navais, depósitos de munição, redes de comunicação e sistemas de vigilância costeira.

Com a nova ofensiva na noite de sábado (11) , o número de alvos atingidos pelos EUA no Irã na última semana ultrapassa 300. De acordo com o governo norte-americano, a ação busca reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz.

O Centcom afirmou, em comunicado:

“Durante três noites de ataques nesta semana, o CENTCOM atingiu mais de 300 alvos sob as ordens do Comandante-em-Chefe, com o objetivo de prejudicar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e navios comerciais que transitam livremente pelo estreito. O trânsito de navios comerciais por este importante corredor marítimo internacional continua.”

Também neste sábado, a Marinha iraniana anunciou o bloqueio por tempo indeterminado do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte mundial de petróleo. A medida ocorre após o rompimento do cessar-fogo entre os dois países e a retomada das hostilidades.

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Geral

VÍDEO: Manifestantes protestam contra situação precária da RN-269, bloqueiam trecho da rodovia e cobram ação do governo Fátima

Moradores da região Agreste Potiguar bloquearam um trecho da RN-269, que liga Nova Cruz às cidades de Montanhas e Pedro Velho, em protesto pelas más condições da rodovia, na manhã deste domingo (12). Eles utilizaram galhos e atearam fogo.

“Isso é uma vergonha para a governadora. As estradas esburacadas, os carros quebrados. É uma vergonha para ela não ajeitar a estrada. Ajeitou até perto de Pedro Velho e não ajeitou o resto porque o prefeito de Nova Cruz não apoia ela”, reclamou um cidadão presente na manifestação.

Opinião dos leitores

  1. Foram esses mesmos idiotas que elegeram esse lixo , façam uma pesquisa no WALFREDO GURGEL , as dezenas que estão no corredor esperando a morte , votaram no PT , então MERECEM , povo burro

  2. É revoltante essa buraqueira nas estradas do RN.
    Agora é repugnante, imoral o que acontece no trecho Nisia Floresta a praia de Barreta.
    O governo gastou milhões do contribuinte e a estrada já acabou, lembrando que essa obra foi entregue no final de 2025 e não aguentou hum inverno o de 2026.
    Isso é sacanagem com o dinheiro do povo, asfalto Sonrisal não pode ver água que desmancha.
    Não tem o menor cabimento isso.
    Quem quiser ver é só ir até Barreta e comprovar com as proprias vistas.

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Geral

Ministério diz que hacker que enviou alerta de Defesa Civil aprendeu a mandar alarme falso em curso do governo

Foto: Ilusrativa/Gerada por IA via Inpainting/ChatGPT

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou à Câmara dos Deputados que o hacker responsável pelo envio de alertas falsos da Defesa Civil, em 19 de junho, aprendeu a operar o sistema por meio de um curso disponível na plataforma do governo.

Segundo a pasta, o invasor, que se identifica como “Misantropi4”, utilizou credenciais válidas de usuários da plataforma IDAP, obtidas após vazamento em um grupo no Telegram, e explorou uma vulnerabilidade no sistema para disparar mensagens falsas, incluindo alertas sobre um suposto “ataque alienígena”. A Polícia Federal investiga o caso.

O ministério afirmou que os problemas já foram corrigidos e que não houve comprometimento da infraestrutura do órgão. Entre as medidas adotadas estão o bloqueio das contas utilizadas, a implantação de autenticação em dois fatores, restrição de acesso ao sistema à rede interna do ministério e uso obrigatório de VPN pelas Defesas Civis autorizadas.

Opinião dos leitores

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Geral

A ingratidão de Allyson Bezerra com o amigo e aliado Kelps Lima

Foto: reprodução

O pior defeito do ser humano é ser ingrato. A ingratidão é uma faca nas costas que diz mais a respeito do autor da facada do que sobre quem sofre o golpe. O agora pré-candidato a governador Allyson Bezerra foi lançado na política pelo ex-deputado estadual Kelps Lima em 2018, que lhe abriu as portas do Solidariedade, viabilizou sua vitoriosa candidatura à Assembleia Legislativa e o ajudou a se defender dos ataques que vinham do grupo rosalbista de Mossoró.

Kelps apostou em Allyson, defendeu seu nome junto à classe política, inclusive de acusações daqueles que hoje, oportunamente, estão ao lado do ex-prefeito de Mossoró. Quando Allyson foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Mederi, no final de janeiro, Kelps foi o primeiro a manifestar apoio a ele. No mesmo dia, publicou um vídeo dizendo ser seu “amigo pessoal”, afirmando que não poderia se omitir e enfatizando que não faria “pré-julgamentos” nem “condenação antecipada” do pré-candidato ao Governo do Estado.

Allyson, no entanto, até agora não retribuiu a solidariedade que recebeu de Kelps. Depois de 72h de Kelps ter anunciado em entrevista exclusiva ao “Meio Dia RN” a retirada de sua pré-candidatura a deputado federal pelo União Brasil, Allyson ainda não fez nenhuma declaração pública de apoio ao amigo e correligionário que foi leal a ele no momento mais difícil da sua vida política.

Kelps foi praticamente expulso da nominata do União Brasil, mesmo partido de Allyson Bezerra. Em linguagem popular, ele sofreu uma verdadeira puxada de tapete que inviabilizou sua candidatura. Não lhe restou alternativa a não ser se retirar da disputa eleitoral. Allyson, porém, não fez nenhum gesto público de solidariedade a Kelps. Não manifestou apoio ao amigo e aliado de tantos anos.

Kelps, mesmo arrasado, magoado e triste com o golpe sofrido, se resignou, isentou Allyson de responsabilidade e reiterou publicamente seu apoio à pré-candidatura a governador do ex-prefeito de Mossoró.

Allyson escolheu o silêncio conivente, confirmado que ele de fato nunca vestiu a camisa da candidatura de Kelps Lima. A política é dura, bruta, uma verdadeira máquina de moer gente. Allyson demonstrou que, para chegar ao poder, é capaz de deixar aqueles que foram mais fiéis a ele serem moídos sozinhos. Esse episódio mostrou que o RN tem um novo ingrato: Alysson Bezerra, o “coronel” que passa por cima de tudo e todos para atingir seus objetivos. Quem pratica ingratidão é capaz de tudo.

TENHO DITO.

BG

Opinião dos leitores

  1. BG, esse Alison é mais falço do que uma nota de trinta reais, num tá vendo que esse chapeuzinho de couro não combina mais com ele!!.
    Vai enganar a trouxas a mim não.
    Tú é doido?!!!!!!!!!!!!!!!!!!!,

  2. Esse chapéuzinho de couro é o símbolo artístico utilizado pelo político para enganar os bestas… Esse aí nunca me enganou !

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Geral

CazéTV bate novo recorde de audiência no YouTube com 21,2 milhões de aparelhos conectados e atinge 40 milhões de inscritos

Foto: Rorion Carvalho/Cazé TV/Reprodução

A CazéTV voltou a bater o recorde mundial de audiência simultânea no YouTube durante a transmissão de Inglaterra x Noruega, no sábado (11), pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.

A partida registrou 21,2 milhões de aparelhos conectados ao mesmo tempo, no primeiro tempo da prorrogação, logo após o segundo gol da seleção inglesa.

O canal superou a própria marca anterior, de 21 milhões de aparelhos simultâneos, alcançada na transmissão de Brasil x Japão.

40 milhões de inscritos

Durante a cobertura do Mundial, a CazéTV também chegou à marca de 40 milhões de inscritos, atingida no jogo entre Argentina e Suíça.

Nos últimos 30 dias, a CazéTV ganhou mais de 11 milhões de inscritos e acumulou cerca de 3 bilhões de visualizações, segundo o Social Blade.

Atualmente, é o 10º maior canal do YouTube em número de inscritos, tendo ultrapassado a Galinha Pintadinha e ficando atrás da GR6 Explode entre os canais brasileiros mais populares. O canal do Bispo Bruno Leonardo, que publica conteúdos religiosos, lidera.

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