Saúde

Como processadora de carne se tornou maior foco de Covid nos EUA

Com 3,7 mil trabalhadores, Smithfield é a quarta maior empregadora de Big Sioux e também o local do maior surto de coronavírus nos Estados Unidos' (Foto: BBC)

Em uma fábrica de processamento de carne de porco em Dakota do Sul, o surto do coronavírus se espalhou na velocidade de um incêndio florestal, levantando dúvidas sobre o que a empresa fez para proteger os trabalhadores.

Mas como um foco de covid-19, em um dos Estados menos densamente povoados dos EUA, se tornou o maior da primeira economia do mundo?

Na tarde de 25 de março, Julia abriu seu laptop e acessou um perfil falso no Facebook.

Ela criou essa conta quando ainda estava na escola, com o objetivo de seguir secretamente os passos dos garotos por quem estava apaixonada.

Mas desta vez, depois de muitos anos, ela estava entrando na conta novamente para cumprir um propósito muito mais sério.

“Você pode investigar Smithfield?”, escreveu em um perfil chamado Argus911, o canal de denúncias no Facebook do jornal local, o Argus Leader.

“Eles têm um caso positivo (de covid-19) e planejam permanecer abertos”.

Por “Smithfield”, ela quis dizer a fábrica de processamento de carne de porco Smithfield, localizada na cidade de Sioux Falls, no Estado de Dakota do Sul. Ela pertence ao grupo Smithfield Foods, com sede em Smithfield, na Virgínia, tido como o maior produtor de carne de porco do mundo. Em 2013, ela foi comprada pelo grupo chinês WH Group, no que foi considerada – e ainda é – a maior aquisição de uma empresa americana por um grupo chinês.

A fábrica, uma enorme estrutura branca de oito andares, localizada nas margens do rio Big Sioux, é a nona maior processadora de carne de porco dos Estados Unidos.

Um dos maiores empregadores da cidade

Ao operar com capacidade total, a estrutura é capaz de processar até 19,5 mil porcos recém-abatidos por dia, cortando, moendo e transformando-os em milhões de quilos de bacon, salsichas de cachorro-quente e presuntos fatiados.

Com 3,7 mil trabalhadores, é também a quarta maiora empregadora da cidade, de 182 mil habitantes.

“Obrigado pela denúncia”, respondeu a conta Argus911, “qual era o emprego do funcionário que teve diagnóstico positivo?”

“Não temos muita certeza”, respondeu Julia.

“Tudo bem, obrigado”, disse Argus911. “Entraremos em contato”.

Às 7h35 da manhã seguinte, o Argus Leader publicou um artigo em seu site intitulado “Um funcionário da Smithfield Foods testa positivo para o coronavírus”.

O repórter confirmou com um porta-voz da empresa que um funcionário havia contraído o vírus e estava cumprindo uma quarentena de 14 dias em casa.

Sua área de trabalho e outros espaços comuns foram “completamente desinfetados”.

Mas a fábrica, considerada pelo governo Trump como parte da “indústria crítica” americana, continuaria totalmente operacional.

“A comida é uma parte essencial de nossas vidas, e nossos mais de 40 mil trabalhadores americanos, bem como milhares de pequenos agricultores e nossos muitos outros parceiros da cadeia de suprimentos são uma parte crucial da resposta de nossa nação a covid-19”, disse Kenneth Sullivan, diretor da Smithfield, em um vídeo postado em 19 de março justificando a decisão de manter a fábrica aberta.

“Estamos tomando as precauções máximas para garantir a saúde e o bem-estar de nossos funcionários e consumidores”, acrescentou.

No entanto, Julia ficou alarmada.

‘Meus pais não sabem inglês. Eles não podem se defender’

“Há rumores de que houve casos antes mesmo disso”, disse ela. “Ouvi falar de pessoas da Smithfield, especificamente, que foram hospitalizadas. Mas isso só é sabido pelo boca a boca.”

Julia não trabalha na fábrica. Ela é uma estudante na casa dos 20 anos, isolada em casa depois que sua universidade foi fechada devido à pandemia de covid-19.

Foram seus pais, funcionários da Smithfield, que lhe disseram o que estava acontecendo na fábrica naquele dia.

Julia faz parte do grupo chamado “Filhos de Smithfield”, descendentes de imigrantes de primeira geração e cujos pais são funcionários da fábrica, que denunciaram o surto.

“Meus pais não sabem inglês. Eles não podem se defender”, disse Julia. “Alguém tem que falar por eles.”

Sua família, como muitas em Sioux Falls, fez todo o possível para evitar o contágio. Os pais de Julia usaram todas as suas férias restantes para ficar em casa.

Depois do trabalho, deixavam os sapatos do lado de fora e tomavam banho imediatamente. Julia comprou bandanas de tecido para eles, para que eles cobrissem a boca e o nariz enquanto trabalhavam.

Para Julia, alertar a mídia era apenas um passo lógico na tentativa de mantê-los em boa saúde, criando pressão pública para fechar a fábrica e fazer com que seus pais ficassem em casa.

O primeiro foco nos Estados Unidos

Mas isso foi apenas o começo de quase três semanas de ansiedade, durante as quais seus pais continuaram a frequentar uma fábrica que sabiam que poderia estar contaminada pois não podiam perder seus empregos.

Não havia distanciamento social. Eles trabalhavam a menos de 30 centímetros de distância um do outro e de seus colegas. Entravam e saíam de vestiários lotados, corredores e cafés.

Durante esse período, o número de casos confirmados entre funcionários da Smithfield aumentou lentamente, de 80 para 190 e depois para 238.

Em 15 de abril, quando a Smithfield finalmente fechou sob pressão do governo de Dakota do Sul, a fábrica havia se tornado o foco número um nos Estados Unidos, com 644 casos confirmados entre funcionários e pessoas infectadas por eles.

Descobriu-se depois que as infecções oriundas da Smithfield foram responsáveis por 55% dos casos confirmados no Estado, que ultrapassou em muito os vizinhos mais populosos, se consideramos os números per capita.

De acordo com o jornal The New York Times, o número de casos originários da Smithfield Foods até excedeu os relatados no USS Theodore Roosevelt, o porta-aviões que teve mais de 600 membros da tripulação infectados, e na cadeia do condado de Cook, em Chicago, onde houve mais de 300 casos.

Esses números foram divulgados um dia após a morte do primeiro funcionário da Smithfield, em um hospital local.

“Ele pegou o vírus ali. Antes, era muito saudável”, disse sua mulher Angelita à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol.

“Meu marido não será o único a morrer”, acrescentou.

Microcosmo de disparidades

A fábrica de processamento de carne de porco Smithfield, localizada em um Estado liderado por um republicano e um dos cinco que não implementou nenhuma medida obrigatória de quarentena, tornou-se um microcosmo que ilustra as disparidades socioeconômicas que a pandemia global descortinou.

Enquanto muitos profissionais em todo o país estão trabalhando de casa, os funcionários da indústria de alimentos, como os da Smithfield, são considerados “essenciais” e devem permanecer na linha de frente.

“Empregos de trabalhadores essenciais têm salários abaixo da média nos Estados Unidos, em alguns casos com margens significativas. É o caso, por exemplo, de assistentes de saúde e caixas de supermercados, duas posições absolutamente essenciais na linha de frente, que requerem presença física dos trabalhadores”, explica Adie Tomer, do Brookings Institute, um think tank americano.

Tomer destaca que nesses setores a maior parte dos trabalhadores é majoritariamente afro-americana ou hispânica.

A força de trabalho da Smithfield é composta principalmente por imigrantes e refugiados de países como Mianmar, Etiópia, Nepal, Congo e El Salvador.

Existem 80 idiomas diferentes falados no chão da fábrica. As estimativas do salário variam, em média, de US$ 14 a US$ 16 por hora.

E o turno é longo: trata-se de um trabalho exaustivo, que exige que o funcionário permaneça em uma linha de produção geralmente a menos de 30 centímetros dos seus colegas.

A BBC conversou com seis funcionários da Smithfield, antigos e atuais, que disseram que, apesar de terem medo de continuar trabalhando, não conseguiram escolher entre proteger seus empregos ou sua saúde.

“Tenho muitas contas para pagar. Meu bebê está chegando, tenho que trabalhar”, disse um funcionário de 25 anos cuja esposa está grávida de oito meses.

“Se (o teste) for positivo, fico preocupado por não poder ajudar minha esposa.”

O caso da Smithfield não é o único

Fábricas de processamento de alimentos em todo o país estão enfrentando surtos de coronavírus com potencial para interromper a cadeia de suprimentos.

Uma fábrica de carne da brasileira JBS SA no Colorado foi fechada após cinco mortes e 103 infecções entre seus funcionários.

Dois trabalhadores de uma fábrica da Tyson Foods, em Iowa, no noroeste do país, também morreram, enquanto outros 148 ficaram doentes.

O fechamento de uma grande instalação de processamento de carne, como a de Sioux Falls, causa um distúrbio maciço e deixa um grande número de criadores sem lugar para vender seus animais.

Cerca de 550 fazendas independentes enviam seus porcos para o abate na fábrica de Sioux Falls.

Ao anunciar a paralisação, o diretor de Smithfield alertou para “repercussões graves, talvez desastrosas”, no fornecimento de carne.

Mas, de acordo com funcionários da fábrica, seus representantes sindicais e advogados da comunidade de imigrantes em Sioux Falls, o surto que levou ao fechamento da fábrica teria sido evitável.

Eles alegam que os pedidos iniciais de equipamentos de proteção individual foram ignorados, que os trabalhadores doentes foram incentivados a continuar trabalhando e que as informações sobre a propagação do vírus foram abafadas, mesmo quando corriam o risco de expor suas famílias e pessoas em geral.

“Se o governo federal deseja que a empresa permaneça aberta, então de quem é a responsabilidade de garantir que essas empresas estejam fazendo o que precisam para mantê-las em segurança?” questiona Nancy Reynoza, fundadora do Qué Pasa Sioux Falls, uma fonte de notícias em espanhol que recebeu denúncias de trabalhadores angustiados com a situação na Smithfield.

Oprimidos pelo medo

A BBC fez uma série de perguntas à Smithfield com base nas acusações dos trabalhadores, mas a empresa disse, em nota, que não comentaria casos individuais.

“Primeiro, a saúde e a segurança de nossos funcionários e da comunidade são nossa principal prioridade todos os dias”, afirmou o comunicado.

“Estabelecemos em fevereiro uma série de processos e protocolos rigorosos e detalhados (…) seguindo as orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão do governo americano) para lidar com qualquer caso potencial de covid-19 em nossas operações.”

‘Meus pais são tudo o que tenho’

O surto deixou pessoas como Julia, cuja mãe tem condições crônicas de saúde, sobrecarregadas pelo medo de que seus pais arriscassem suas vidas tentando manter seus empregos.

“Meus pais são tudo o que tenho. Tenho que pensar na probabilidade de não tê-los na minha vida”, disse ela, com a voz embargada.

“Quero compartilhar o que está acontecendo para mostrar o que a empresa não está fazendo.”

Os pais de Julia eram esperados no trabalho na última terça-feira, 14 de abril, o último dia antes do anunciado do fechamento por 14 dias.

Mas no sábado, Helen começou a tossir.

No dia seguinte, quando a neve caía sobre Sioux Falls, Julia insistiu que sua mãe fizesse um teste. Helen tentou adiar, dizendo que não era nada.

“Minha mãe realmente odeia ir ao médico”, disse Julia, que finalmente venceu a discussão.

Helen acabou indo a um centro de testes no hospital local.

Realizado o exame, ela foi mandada de volta para casa.

“Se tenho covid-19, claramente peguei na fábrica”, disse ela. “Nesta semana, trabalhei em três andares diferentes. Comi em duas cafeterias diferentes. Imagine todos os lugares em que estive e toquei dentro dessa fábrica. Andei por todo o lugar”, acrescentou.

Na terça-feira, 14 de fevereiro, quando estavam programados para voltar ao trabalho, os pais de Julia acordaram às 4 da manhã, como normalmente fazem.

Eles chamaram seus chefes para explicar que não podiam ir ao trabalho enquanto esperavam o resultado do teste de Helen.

O telefone tocou à tarde.

Julia conversou com o médico pelo celular de sua mãe, enquanto seus pais observavam seu rosto tentando interpretar suas reações. Quando Julia ouviu as palavras “positivo para o covid-19”, deu um sinal de positivo com o polegar.

Inicialmente, o casal interpretou o gesto como se Helen não estivesse com o vírus. Julia tratou de desfazer o malentendido.

Seu pai foi imediatamente para a cozinha, onde Julia o viu tentando conter as lágrimas.

Uma questão politizada

No mesmo dia em que Helen recebeu seus resultados, a polêmica em torno da fábrica ganhou cores políticas.

O prefeito de Sioux Falls, Paul TenHaken, pediu formalmente à governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, que emitisse uma ordem para ficar em casa para os municípios vizinhos, bem como para criar um centro de isolamento.

Ela negou os dois pedidos.

Apesar do aumento no número de casos, Noem também continuou a se recusar a emitir uma ordem de quarentena obrigatória em Dakota do Sul, dizendo especificamente que essa ordem não teria impedido o que aconteceu em Smithfield.

Em vez disso, aprovou o primeiro teste estadual para a hidroxicloroquina, um medicamento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cita frequentemente como um possível tratamento para o coronavírus.

Sem saída

Dois dias após o diagnóstico positivo de coronavírus da mãe, Julia acordou no sofá com dor de cabeça , tosse e garganta seca.

Pela primeira vez desde que a pandemia tomou conta de sua vida, ela dormiu a noite toda, mas acordou mais exausta do que nunca.

Depois de ligar para o número de emergência e informar que era filha de um trabalhador de Smithfield, Julia entrou no carro de sua mãe e dirigiu até o local do teste.

Ela estava de bom humor, apesar de quase tudo o que tentara evitar ao enviar a denúncia ao jornal local havia um mês.

A fábrica permaneceu aberta. Sua mãe estava com o vírus e seu pai foi exposto à doença. Sua cidade havia se tornado o epicentro da pandemia no Estado de Dakota do Sul. E muitos haviam morrido.

E agora, ela também poderia estar doente.

“Só quero chorar”, disse ela, enquanto se dirigia para o hospital.

Muitos imigrantes nos EUA estão na mesma situação que os pais de Julia. “Eles não sabem inglês. Eles não podem se defender”, diz a jovem.

‘Vá para casa, fique em casa, não vá a lugar nenhum’

Embora tenha chegado apenas 20 minutos após a abertura do centro de testes, Julia encontrou uma fila de 15 carros na frente dela. “Odeio filas”, desabafou, tomando um gole de sua garrafa de água e tossindo.

Depois de meia hora, estacionou no que parecia uma enorme garagem e viu uma placa que dizia: “Tenha seu cartão de identificação e seguro de saúde em mãos”.

“Ok, fiquei ansiosa”, disse ela. “Não quero fazer isso.”

Quando chegou a sua vez, um funcionário do centro vestindo um traje de proteção completo, máscara e luvas enfiou um longo cotonete na narina direita de Julia e depois na esquerda.

Ela fez uma careta e estremeceu.

“Você precisa de um lenço?”, perguntou o profissional de saúde. “Sim, por favor”, respondeu Julia.

Com instruções para “ir para casa, ficar em casa, não vá a lugar nenhum”, Julia conseguiu sair do centro. Foi um momento tão apavorante que ela começou a chorar e teve que parar o carro por um momento para se acalmar.

Julia estava sentada ao volante, observando os carros entrando e saindo do estacionamento. E lamentou que sua casa agora tivesse se tornado um possível novo foco da infecção.

Depois de alguns minutos, chegou a hora de voltar para casa que seus pais, Helen e Juan, haviam trabalhado tantas horas na fábrica para pagar. Um lugar onde todos ficariam em quarentena por pelo menos 14 dias.

“Agora é só esperar”, disse Julia. “Acho que não consigo pensar muito sobre isso. Mas vai passar.”

Julia receberia seus resultados em cinco dias.

Época, com BBC

Opinião dos leitores

  1. Relato angustiante. Imaginem casos como este acontecendo aos milhões, em todo o mundo. Enquanto isso, os canalhas do Partido Comunista Chinês se divertem com a desgraça que desencadearam.

    1. Kkkkk
      Manda teu presidente cortar as relações com a China. Kkkkkk
      Uma mentira contada mil vezes nem sempre se torna verdade, gado!

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DATAFOLHA: 47% dos brasileiros reprovam ministros do STF; índice é o pior desde 2019

Foto: Rosinei Coutinho/STF

A avaliação negativa dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o maior nível da série histórica do Datafolha, iniciada em 2019. Segundo pesquisa divulgada neste sábado (26), 47% dos brasileiros classificam o trabalho da Corte como ruim ou péssimo.

Outros 31% consideram a atuação regular, enquanto apenas 18% avaliam como ótima ou boa e 4% não souberam responder.

Entre eleitores de Lula (PT), 32% aprovam o trabalho dos ministros e 24% reprovam.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) a avaliação negativa do STF chega a 69%, enquanto apenas 6% aprovam.

A pesquisa também apontou que 45% são favoráveis à criação de um Código de Ética e Conduta para ministros do STF, proposta defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Outros 33% são contrários.

A pesquisa, contratada por Folha e Globo, foi realizada de terça (22) a quarta (23) com 2.002 eleitores por meio de abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Os dados constam no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número de registro é BR-00304/2026.

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PESQUISA MEDIA/ O POTENGI/ GOVERNO DO RN: Allyson tem 31,5%, Álvaro 27,1% e Cadu 21,5%

Pesquisa do Instituto Media divulgada neste sábado (26) e publicada pelo site O Potengi mostra as intenções de voto para governador do Rio Grande do Norte. No cenário estimulado, quando são apresentados os nomes ao entrevistado, Allyson Bezerra aparece com 31,5%, seguido por Álvaro Dias com 27,1%, e Cadu de Lula (PT), com 21,5%.

Professor Robério Paulino (Psol) registra 0,6%, e Rodrigo Bolsonaro (Agir), 0,4%. Não sabem ou não responderam somam 13,0%, enquanto 6,0% responderam branco ou nulo.

O Instituto Media entrevistou 2.000 eleitores no Rio Grande do Norte entre 21 e 25 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Potengi Comunicação Ltda., empresa do O Potengi, e registrada na Justiça Eleitoral sob o número RN-05948/2026. A margem de erro para o total da amostra é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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Decisão do STF pode abrir brecha para bets continuarem funcionando mesmo após MP de Lula

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2020 pode ser usada para contestar a Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu as apostas online no país. A informação é do blog de Daniel Rittner, da CNN Brasil.

Naquele julgamento, o STF decidiu que a União não tem exclusividade para explorar loterias e reconheceu que estados podem operar e regulamentar modalidades lotéricas, dentro das regras federais.

A decisão levou estados como Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba a criarem licenças próprias para apostas.

Advogados do setor avaliam que o artigo 2º da nova MP, que estende a proibição às apostas de cota fixa nos estados e no Distrito Federal, pode ser inconstitucional.

Apesar disso, a avaliação jurídica é de incerteza sobre os próximos passos, inclusive pela possibilidade de questionamentos no próprio STF.

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[ANÁLISE] VALOR ECONÔMICO: Proibição de bets tem apelo eleitoral para Lula, mas não contorna problema do endividamento

Foto: Ricardo Stuckert

A motivação eleitoral da proibição das bets no Brasil, decidida nesta sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é óbvia.

Pelo menos duas pesquisas mediram nos últimos meses a adesão a uma proibição total das apostas online e a maioria absoluta se mostrou favorável à interdição. Na mais detalhada delas, da Ideia, de julho, 56% dos entrevistados concordaram com a proibição.

Um sinal do apelo da medida é o fato de que o principal rival do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), tachou a medida de “eleitoreira, hipócrita, populista”, mas ao mesmo tempo ponderou: “sempre fui contra os jogos”.

Renan Santos (Missão), em vídeo, procurou desqualificar a iniciativa como pouco efetiva. “Vou dizer exatamente o que vai acontecer: a Medida Provisória vai caducar. É só uma medida eleitoreira.” Frisou ser contra jogos.

Ronaldo Caiado (PSD), em Goiás, lembrou que votou contra o tema quando era senador e não permitiu loterias no estado, quando governador. Romeu Zema (Novo) ainda não havia se pronunciado até o começo da tarde de sábado, mas passou a campanha inteira criticando as bets.

O alcance da medida, contudo, parece duvidoso. O governo justifica o fim do mercado de apostas online por um alegado impacto desta atividade no aumento do endividamento e, em particular, da inadimplência. A pesquisa de julho indicava que o eleitorado via baixa relação entre uma coisa e outra. Quando os entrevistados foram perguntados sobre que gastos mais contribuíam para o endividamento, 29% mencionaram gastos com supermercado; 28%, contas de consumo; 14%, aluguel; 10%, gasolina; 8%, educação; 7%, plano de saúde; 6%, transporte público; 5%, condomínio; e somente 2%, apostas online.

Ou seja: o eleitorado provavelmente não verá o fim das bets como uma medida do governo para reduzir o aperto financeiro da população.

Para os entrevistados, 33% consideravam as apostas um vício e 26%, uma fonte de perda de dinheiro. A reação maior vem das mulheres, como o próprio Renan Santos indicou em seu vídeo. “O cálculo do Lula é simples: quem usa mais as bets são homens. Homens não votam tanto nele. Esses homens estão gerando vícios e gastos em endividamento que estão irritando mulheres, tanto mães quanto esposas. Estas mulheres votam mais no Lula.”

Afora o fato de que há baixa percepção de correlação entre aumento de endividamento e apostas, o resto do raciocínio de Renan encontra lastro nas pesquisas. De acordo com a Ideia, 67% das mulheres e 50% dos homens eram a favor da proibição.

Tentar relacionar o aumento do endividamento com as apostas online é crucial para a estrutura narrativa da campanha de Lula, porque há pouco o que o governo possa apresentar como solução para contornar o que o eleitorado de fato vê como comprometedor para sua renda.

O Desenrola 3, lançado também na sexta-feira, novamente foca os consumidores que estão com dívidas em atraso, assim como foi nas versões anteriores. Não contempla aqueles que têm renda cada vez mais comprometida, mas que permanecem adimplentes. O universo de apostadores é amplo — já houve registros de apostas feitas por 43,8 milhões de CPFs desde a regulamentação da atividade, feita pelo próprio governo Lula —, mas estabelecer uma relação de causalidade entre aumento de inadimplência e jogo é algo complexo.

Nos próximos dias, a reação negativa à medida que pode ter mais impacto na opinião pública é a do universo do futebol. As casas de apostas online patrocinam 17 dos 20 clubes que estão na série A do Campeonato Brasileiro e pelo menos dois deles — Flamengo e Fluminense — divulgaram posicionamentos oficiais ainda na sexta-feira reclamando de insegurança jurídica, uma sinalização de que podem judicializar a questão.

No anúncio da medida, o governo federal não fez qualquer indicação de que compensará os atingidos de alguma forma. “Qualquer decisão precisa considerar segurança jurídica e previsibilidade”, reclamou o Fluminense. “Não se pode criar uma nova regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nelas, e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o Flamengo.

Valor Econômico

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ALARMANTE: Presos viram “carcereiros” e recebem chaves de celas em Alcaçuz por falta de efetivo policial, aponta relatório da direção do presídio

A falta de policiais penais na Penitenciária Estadual de Alcaçuz tem levado presos que trabalham na unidade a receber as chaves das celas para trancar outros detentos. A situação é classificada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) como “alarmante” em um relatório da direção do presídio referente ao mês de agosto de 2026.

O documento revelado por reportagem da Tribuna do Norte publicada neste sábado (26) diz que o déficit de efetivo também provocou a desativação de postos de vigilância, falhas no monitoramento por câmeras e redução das rondas no perímetro.

Em um dos setores, foi registrado apenas um policial penal para 315 presos.

O relatório aponta ainda tentativas e indícios de preparação para fugas, incluindo abertura no teto de uma cela, cordas artesanais e danos na estrutura.

Desde maio, 17 presos fugiram de unidades do Complexo Penal de Alcaçuz.

A direção recomenda a recomposição imediata do efetivo para impedir a entrega de chaves a internos e retomar a exclusividade do poder de polícia aos agentes.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que não comenta questões de segurança das unidades, mas declarou que Alcaçuz “se mantém sob controle, com segurança e disciplina”. A pasta informou ainda que a unidade passou por uma revista estrutural nesta semana, durante a Operação MUTE, sem apreensão de celulares ou outros aparelhos de comunicação.

Leia a íntegra da nota da Seap

“A Polícia Penal não comenta questões relacionadas à segurança das unidades prisionais. A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária informa, no entanto, que a Penitenciária Estadual de Alcaçuz se mantém sob controle, com segurança e disciplina.

Nesta semana, a unidade foi incluída na Operação MUTE, ação coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), com a realização de revista estrutural. Durante a operação, não foram localizados celulares ou outros aparelhos de comunicação no interior do presídio.”

Com informações de Tribuna do Norte

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Caravana 22 leva multidão às ruas de Ceará-Mirim, Extremoz e São Gonçalo do Amarante


A Caravana 22 percorreu, neste sábado (26), Ceará-Mirim, Extremoz e São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, em mais um dia de mobilização da candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte. Ao longo do percurso, Álvaro foi recebido por moradores, lideranças políticas e apoiadores em grandes carreatas pelas ruas das três cidades.

Em Ceará-Mirim, a caravana começou pelo bairro Nova Ceará-Mirim e seguiu até o Centro do município. Álvaro foi recebido por lideranças políticas locais que apoiam sua candidatura, entre elas o ex-vice-prefeito Marcílio Dantas, o ex-vereador Marcílio Júnior e Roberto Lima, ex-presidente da Câmara Municipal de Ceará-Mirim. Durante o trajeto, moradores acompanharam a passagem da comitiva, e Álvaro conversou com a população e apresentou propostas para o Estado.

Também acompanharam a agenda os candidatos a deputado federal General Girão, Coronel Brilhante, Gabi Trajano e Carla Dickson; os candidatos a deputado estadual Anne Lagartixa, Coronel Azevedo e Sargento Rivaldo; além do comunicador Salatiel de Souza.

Durante a passagem pela cidade, Álvaro também esteve no Mercado Municipal, onde experimentou o tradicional caldo de cana acompanhado de pastel, em um momento de contato com moradores e comerciantes locais.

Na sequência, a Caravana 22 chegou a Extremoz, no início da tarde, onde Álvaro foi recebido pela prefeita Jussara Sales (PL), principal liderança política do município, vereadores e apoiadores. A mobilização teve início no distrito de Estivas e seguiu em direção ao Centro, em uma grande carreata que movimentou as ruas da cidade.

Ao lado de Jussara Sales e do candidato ao Senado Coronel Hélio, Álvaro percorreu as ruas de Extremoz acompanhado por moradores e lideranças políticas. A prefeita, que apoia a candidatura de Álvaro ao Governo do Estado, mobilizou seu grupo político em torno da passagem da Caravana 22 pelo município. Também participaram Terezinha Maia e Davi Fernandes, candidatos a deputado estadual, além dos candidatos que já acompanhavam a agenda desde Ceará-Mirim.

Por fim, a Caravana 22 chegou a São Gonçalo do Amarante, onde Álvaro foi recebido pela candidata a deputada federal Gabi Trajano (PL) e por lideranças locais que apoiam sua candidatura. Entre elas, o ex-vereador Adelson Martins, a vereadora Elaine Dantas e os suplentes de vereador Régia Girassol, Tarcísio Fernandes, Joca da Prótese e Getúlio Maciel.

O percurso começou no bairro de Regomoleiro e seguiu pelas ruas da cidade, acompanhado por moradores e apoiadores. Álvaro participou da mobilização ao lado de Gabi Trajano, da vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra, e da candidata a deputada federal Carla Dickson.

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Geral

IMPACTO NAS CONTAS PÚBLICAS: Medidas eleitoreiras de Lula às vésperas do 1º turno exigirão reajuste de até R$ 42,3 bilhões no Orçamento 2027

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da campanha podem gerar impacto de até R$ 42,3 bilhões nas contas públicas em 2027. Os valores ainda não estão previstos no Orçamento enviado ao Congresso e exigirão ajustes para acomodar as novas despesas e a perda de receitas.

A maior pressão vem do reajuste do Bolsa Família, que terá impacto estimado em R$ 22 bilhões no próximo ano. O benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691, com os novos valores pagos a partir de outubro.

O Desenrola 3.0 prevê até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de dívidas e deverá começar a gerar despesas em 2027. Já o fim das bets deve representar uma perda de aproximadamente R$ 5,3 bilhões em receitas no próximo ano.

O governo diz que as medidas serão acomodadas dentro das regras fiscais, por meio de remanejamento de recursos, revisão de despesas e eventuais compensações. O impacto final dependerá dos gastos efetivamente realizados e das medidas adotadas para compensar a redução de receitas.

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Análise

[VÍDEO] CAIO JUNQUEIRA: Governo Lula aciona modo vale-tudo pela reeleição

O analista político Caio Junqueira, da CNN, afirmou que o governo Lula adotou, na reta final da campanha, uma estratégia que chamou de “modo vale-tudo” pela reeleição. Para Junqueira, o governo passou a anunciar medidas e ações que não haviam sido apresentadas ao longo do mandato, citando reajuste do Bolsa Família, o fim das bets e o uso de temas religiosos.

“O governo acionou nessa reta final de campanha o modo vale-tudo pela reeleição”, afirmou.

O resultado da eleição ainda é imprevisível, mas Lula chega ao momento decisivo com condições competitivas. Ele também alertou para os efeitos desse tipo de estratégia sobre as próximas disputas eleitorais. “O problema do vale-tudo, porém, é que ele bagunça o tabuleiro desta e principalmente das próximas eleições”, comentou Junqueira.

Opinião dos leitores

  1. O CACHAÇA QUIS ATINGIR A POLYMARKET, PARA O BRASILEIRO NÃO APOSTAR E NÃO SABER O RESULTADO DAS APOSTAS. FLÁVIO 57% X LULA 44%

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Geral

Grupo terrorista Hamas agradece a Lula por defender palestinos em discurso na ONU

oto: Ricardo Stuckert

O grupo terrorista Hamas elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o discurso do brasileiro na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ao Metrópoles, o representante político do grupo no Irã, Khaled Qaddoumi, classificou como “positiva” a posição de Lula sobre o conflito em Gaza.

Durante o discurso, Lula criticou as ações do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza, mas também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, afirmou Lula.

Qaddoumi disse que o presidente brasileiro “escolheu estar do lado certo da história” e afirmou que Lula atua em defesa dos direitos dos palestinos. A posição de Lula sobre o conflito já havia sido elogiada pelo Hamas em 2024, após declarações do presidente brasileiro contra as ações israelenses em Gaza.

Com informações de Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Esses são os tipos de pessoas que ele defende, não todos os jumentos que voltam nele, só aqueles envolvidos com coisa errada.

  2. Está bom demais. Está ótimo. PT é isso, só não vê o lamaçal em que esse partido está afundando o país quem faz muita força pra não enxergar.

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Geral

MAIS TRANSPARÊNCIA: TSE amplia exigências sobre pesquisas eleitorais para o 2º turno

Foto: Antonio Augusto/TSE

Os institutos de pesquisa terão de fornecer informações mais detalhadas à Justiça Eleitoral nos levantamentos do segundo turno das eleições de 2026. A medida começa a valer em 5 de outubro, após a realização do primeiro turno.

A iniciativa foi do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que deverá comunicar oficialmente os institutos nos próximos dias. A mudança não cria novas obrigações legais, mas amplia a transparência dos dados já apresentados no registro das pesquisas.

Entre as novas exigências está o detalhamento da ordem das perguntas feitas aos entrevistados, medida apontada por especialistas como essencial para evitar viés em temas como intenção de voto e avaliação de governo, além de informações mais precisas sobre a população pesquisada, nível de confiança, margem de erro, metodologia e amostragem.

Em julho, Nunes Marques havia proposto um “Selo Acurácia Eleitoral” para destacar pesquisas que mais se aproximassem do resultado das urnas. A ideia foi abandonada após críticas de institutos, que argumentaram que pesquisas representam o cenário no momento da coleta e não funcionam como previsão do resultado.

Opinião dos leitores

  1. Não vai ter segunto turno.
    Flávio 22.
    🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷

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