Imagens: Cedidas
A Caern está despejando esgoto in natura na faixa de areia de Ponta Negra desde, pelo menos, 13 de janeiro deste ano. Quem diz não é o blog: é o relatório da Funpec, confirmado nessa terça-feira (26) pela fiscalização conjunta da Semurb e da Seinfra no dissipador 8, no final da Rua Halley Maestrinho.
A vazão aferida foi de 0,96 m³/h — ou 23,04 m³ de esgoto por dia correndo direto pra praia. Por isso a multa: R$ 3.064.000,00, com base na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e no Decreto 6.514/2008.
Os fiscais foram técnicos e cirúrgicos. Rejanne Alves, supervisora da Spaso, descreveu o cenário sem rodeio: “a galeria de drenagem, que deveria permanecer seca, estava sendo invadida pelos efluentes. O problema resultava em acúmulo e dispersão de esgoto diretamente na área da engorda da praia”. A rede da Caern está parcialmente obstruída, os Poços de Visita operam no limite, as paredes internas estão danificadas. O esgoto vaza por onde encontra brecha — e encontra a galeria pluvial.
O supervisor geral da Semurb, Leonardo Almeida, foi categórico: enquanto a Caern não fizer desobstrução completa e recuperação estrutural, qualquer remendo é inútil. “A vazão só diminui quando a pressão interna cai, mas volta a aumentar rapidamente, especialmente nos horários de pico”, afirmou.
Traduzindo: a Caern sabia. Tinha o relatório. Não fez nada. Quatro meses depois, é a Prefeitura que precisa autuar uma empresa pública do Estado para que ela cuide da própria rede.
E os defensores da praia, sumiram?
Quando a obra de engorda foi tocada, Natal viu manifestação, abaixo-assinado, audiência pública, nota técnica, indignação em rede social, militância ambiental mobilizada do nascer ao pôr do sol.
Agora a mesma faixa de areia recebe 23 mil litros de esgoto por dia, há mais de quatro meses, despejados por uma estatal — e o silêncio é constrangedor. Cadê o protesto? Cadê a nota de repúdio? Cadê a audiência urgente?
Defender a praia de uma obra de recomposição mobiliza multidão. Defender a praia do esgoto que a Caern não trata, ao que tudo indica, não dá engajamento.
Ora, meu caro Bosco, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Bom, pelo menos comigo, posso cuidar de mil coisas ao mesmo tempo sem esquecer nenhuma. Posso ler um clássico, falar de futebol ou cinema, escrever um artigo, ir ao teatro, acompanhar a política e ainda brincar com Emy, filha da minha amada, salve, salve. Mas respeito e entendo as limitações de quem só cuida de uma coisa de cada vez. E, acredite: para mim, futebol é um dos interesses mais ralos que eu tenho. Eis a contradição do ser humano; a impressão que dá é que eu vivo e respiro futebol, quando para mim é uma coisa miúda. Mas, fazer o quê?, sempre tive múltiplos interesses pela vida. Então, meu caro Bosco, preocupação, mesmo, não é. Acontece que eu gosto de dar umas provocadas, para ver se você e outros tiram o pé do chão; para que guardem suas emoções para coisas mais nobres, mais importantes, e não ficar carregando treinador nas costas. Acho isso feio, ridículo e brega. E o que é pior: nem razão há, para que se carregue treinador nas costas. Agora, veja você: eu não deveria estar respondendo isso aqui, porque, torcedor que diz que o ABC fez uma campanha espetacular, merece… Merece o quê? Merece o silêncio e o time que tem.