
Perder um animal de estimação, seja por qual for a causa, é sempre triste. Alguns já fazem da parte da família e fica difícil retomar a vida sem eles. Além do choque, o dono se depara com a dúvida do que fazer com o animal após a sua morte.
Em Brasília, o destino mais comum dos animais é ser levado para o lixo hospitalar para serem incinerados, o que acaba sendo uma opção mais barata, mas não ecologicamente correta. As opções na capital federal são limitadas, por ainda não existir um cemitério público e o preço do sepultamento em cemitérios particulares ainda serem altos, de R$300 a R$ 500, dependendo do tipo de jazigo, que pode ser temporário ou perpétuo.
De acordo com a médica veterinária e gerente do canil do Centro de Controle de Zoonoses do Distrito Federal, Lucia d’Anduraia, a cremação é a opção mais recomendada para os animais domésticos mortos dentro das opções atuais.
Enterrar no quintal ou em algum terreno baldio é uma atitude comum, mas muito incorreta, pois prejudica o meio ambiente. O organismo em decomposição pode contaminar o solo e o lençol freático. Segundo ela, existe uma expectativa da criação de um cemitério público em Brasilia, pois a Terracap doou um terreno para a Secretaria de Saúde para ser usado, a principio, com esta finalidade.
Foi pensando em dar um destino mais digno aos pets que a família do advogado, Luiz Felippe Silva Loppes resolveu abrir o primeiro crematório de animais de Brasília. Criado em 2011, o crematório, localizado em uma chácara na área rural de Sobradinho, realiza hoje uma média de três a cinco cremações por dia de animais domésticos de até 100kg.
Os animais mais cremados são os cachorros e gatos, mas já foram cremados chinchilas, porquinho da índia, hamster e até papagaios. De acordo com Luiz, sócio-diretor da empresa, a procura pelo serviço tem crescido muito nos últimos tempos.
— No início fazíamos dez cremações, em média, por mês, porque poucas pessoas conheciam o serviço e dependíamos da divulgação de veterinários. Depois, com propagandas na internet e indicações dos próprios clientes, a procura aumentou e hoje fazemos de três a cinco cremações por dia.
Ele conta que a ideia da criação da empresa surgiu depois que sua avó perdeu uma cadela companheira chamada Menina, que vivia com ela há 20 anos. Segundo ele, sua avó pagou o enterro para uma clínica veterinária, mas semanas depois, descobriu que a cadela não tinha sido enterrada, mas sim descartada em uma chácara em Planaltina, no Entorno do DF.
Comovidos com a história, o pai resolveu criar o crematório, mas foram seis anos de luta para conseguir uma licença ambiental do Ibram/DF (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal), que permitisse a abertura da empresa.
Os preços da cremação variam de R$ 500, para animais de até 15kg, e pode chegar a R$ 1400 reais, dependendo do peso do animal. O estabelecimento conta com uma capela ecumênica, onde podem ser realizadas cerimônias de despedida e de onde pode ser assistida, por meio de uma janela, a cremação do pet.
Os custos incluem o translado para buscar o animal em casa, o acesso à capela, e as cinzas depositadas em uma caixa em madeira. A cremação dura em média 1h30min a depender do porte do animal e a empresa garante que as cinzas retornam a casa do dono em até 48 horas. Se comparada às cremações de seres humanos, que variam de R$1650, valor que não inclui o serviço funerário, a R$ 7920 para cremações de luxo, o preço não é tão alto.
R7
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