Diversos

De ansiedade a depressão: após quase um ano, crianças vivem consequências da pandemia

Foto: Luísa Tenente/G1

Ansiedade, depressão, regressão no desenvolvimento e piora de quadros de déficit de atenção e sintomas do autismo. Estas são algumas constatações de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que analisa as consequências decorrentes das restrições impostas pela pandemia a crianças e adolescentes, que estão fora da escola há praticamente um ano.

A filha mais velha da professora Elvira Beringer, Gabriela, de 11 anos, chegou a passar por psiquiatra e precisou de acompanhamento psicológico desde os primeiros casos confirmados de Covid-19 em Belo Horizonte. Ela tinha acabado de mudar de escola, não teve tempo de se adaptar ao ensino remoto e, além disso, passou a ter medo de o avô, com câncer, morrer de Covid-19.

“No início, teve desmotivação por causa da internet. E também precisou de acompanhamento psicológico desde março, porque estava muito triste, com muito medo de o avô morrer por causa da Covid-19. O avô acabou morrendo, mas por causa de câncer. Ela ficou traumatizada. Chegou bem próximo da depressão”, disse a mãe.

A pesquisa coordenada por Débora Miranda, do Departamento de Pediatria da UFMG, apontou que as crianças e adolescentes foram os que sentiram maior impacto na pandemia, já que muitos adultos, aos poucos, retomaram a rotina de trabalho.

“A gente nunca espera que a criança regrida no desenvolvimento. O que a gente espera, na pediatria, é que o desenvolvimento seja uma constante. Mas a gente tem visto, durante a pandemia, a criança regredindo, perdendo habilidades que já tinha adquirido”, afirmou.

Foi o que aconteceu com a filha caçula de Elvira, Manoela Beringer, de apenas 2 anos. A menina ainda não frequentava a escola no ano passado, mas sempre interagia com outras crianças quando ia ao Parque Ecológico Marcos Mazzoni, no bairro Cidade Nova, Região Nordeste de Belo Horizonte. Quando a pandemia chegou, a família ficou trancada em casa nos primeiros seis meses.

“Minha filha já começava a juntar algumas sílabas, a falar algumas coisas. Mas seis meses sem pôr o pé pra fora de casa, ela parou. Isso aconteceu também com outra mãe que conheci no parquinho. A filha de 3 anos parou de falar ‘mamãe e papai’”, contou Elvira, que espera a reabertura das escolas infantis para matricular a menina.

A expectativa do retorno também é grande para a doméstica Andréa de Oliveira. Ela tem três filhos, o mais novo diagnosticado com uma doença rara. Os dois mais velhos, Luiz Henrique, de 17 anos, e Ana Carla, de 16, estão nos anos finais do ensino médio. Ambos tiveram aulas remotas. “Minha internet não é tão boa, não, mas eles faziam as atividades, porque senão, não recebiam a cesta básica”, contou.

A filha aproveitou a pandemia para arrumar emprego.

“Minha filha tava tão nervosa que arrumou emprego. Isso foi até bom, né? Não sei o que vou fazer quando as aulas voltarem na escola. Aí ela vai estudar à noite, depois do serviço, porque parar ela não vai, não”, contou. “O mais velho, quando fizer 18 anos, já vou dar um jeito de arrumar um emprego pra ele também”, disse.

Já Luiz Henrique, que fica em casa com o irmão mais novo, engordou 40 quilos durante o último ano. Um problema recorrente entre crianças e adolescentes, segundo a professora Débora Miranda.

“A gente sabe que as crianças estão ficando de seis a oito horas de frente à TV ou ao computador. Isso piora sono, aumenta sintomas associados à doença mental. Aumenta a obesidade e todos os riscos relacionados a isso. A gente aumenta a exaustão, o cansaço das crianças”, afirmou.

Crianças especiais ficam sem amparo das escolas de BH

Por ter doença rara, o filho mais novo da Andréa, Artur, de 14 anos, precisa de acompanhamento especial na escola. Ele está matriculado em uma instituição da rede municipal do bairro Urca, próximo à casa onde mora com a mãe e os irmãos.

Durante todo o ano passado, ele ficou sem qualquer contato com as atividades escolares. E os prejuízos poderão ser ainda maiores.

“Ele ficou sem aula nenhuma, sem acompanhamento nenhum. Não vou mentir, a escola até entrou em contato, mas tudo muito devagar. Ele precisa de acompanhamento e, comigo trabalhando, não dá. Com esta pandemia, ele passou a ficar muito nervoso”, contou Andrea que, enquanto trabalha, deixa o caçula aos cuidados do irmão mais velho. “Joga celular o dia inteirinho”, falou.

O tempo prolongado de crianças e jovens dentro de casa ainda pode trazer outros problemas, segundo a pesquisadora.

“O problema não é a contaminação, mas é quando deixa com vizinha, creche clandestina, aí fica a margem de qualquer regulação. Ou quando deixa criança com outra criança. Muitas mulheres continuam trabalhando e precisam deixar com alguém. Muitas vezes estas pessoas não são adequadas. A mortalidade infantil cresceu muito no ano passado”, afirmou.

A pesquisa sobre saúde mental conduzida por ela e outros pesquisadores da UFMG está na segunda fase de aplicação de um questionário online, que ficará disponível até março. Podem participar pais com filhos de 6 a 17 anos, independente de ter participado da fase anterior.

Volta às aulas presenciais na capital ainda é incerta

Por enquanto, o único anúncio de retorno das aulas presenciais é para crianças de 0 a 5 anos, de escolas municipais e particulares de Belo Horizonte. A volta, esperada para março, ainda não tem data cravada no calendário.

“O critério para reabertura não está tão rígido mais, de termos 20 casos por 100 mil habitantes. Mas abrir escolas com a pandemia acima de 300 casos por 100 mil habitantes também não dá. Está estabilizado no alto e, com uma nova cepa chegando, as incertezas aumentam”, diz o infectologista integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte Carlos Starling.

Para o Sindicato das Escolas Particulares (Sinep), o fato de não ter uma data para o retorno gera incertezas. “Há uma falta de expectativa de retorno por parte da prefeitura, a palavra que têm usado, é que ‘estamos esperançosos’, ou ‘se houver possibilidade’, sempre um ‘se’ traz insegurança, incerteza. Nossa postura desde o princípio é de ter diálogo, a favor da ciência, sem utilizar qualquer tipo de ataque ou sentimento de ódio”, diz a presidente Zuleica Reis.

Já o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais classifica o retorno agora como “irresponsável”.

“Nós, mais do que ninguém, queremos o trabalho presencial. A educação não se faz de forma virtual. Mas queremos voltar com segurança. Nós entendemos que não é o momento de voltar. Já tem duas semanas que estamos com mais de mil mortes por dia, mostrado pelo consórcio de imprensa. Isso não pode ser normal”, avalia Valéria Morato, presidente do sindicato.

Starling vê com preocupação os impactos do possível retorno das aulas presenciais, especialmente após o aparecimento da variante brasileira do vírus. “Ela acomete pessoas mais jovens com frequência maior que a cepa anterior . Exemplo clássico que nós temos disso foi a ocorrência de nove óbitos de crianças yanomamis no Amazonas. Existem muitas incertezas”, disse.

Apesar de alguns grupos de pais e de pediatras realizarem protestos na última semana pedindo o retorno às aulas presenciais em Belo Horizonte, Starling rechaça a comparação de reabertura de escolas com a de comércio.

“Esta comparação de escola e comércio a gente não faz. Em bar, as pessoas vão porque querem, vão por conta própria, interesse pessoal e não há uma obrigatoriedade de ir, não tem chamada, não tem prova”.

Para Débora Miranda, o retorno às aulas presenciais, quando ocorrer, deve ser cauteloso e facultativo. “Os pais com medo podem ter a opção de aguardar, de esperar, de preservar seus riscos. Tem gente que mora com idosos. Mas eu acho que as coisas têm que ser facultadas”, disse.

G1

 

Opinião dos leitores

  1. Segundo o dicionário a palavra assintomático significa não ter sintomas.portanto não ter sintomas não significa não ter o vírus.O jovem e crianças são sim transmissores sem sintomas.Se assim não fosse pq seria necessário o uso de máscaras para essa faixa etária,?

  2. Correção: NÃO é consequência da pandemia, é consequência da má gestão de governos estaduais e municipais que insistem em fechar as escolas. Esse vírus NÄO ataca crianças e adolescentes, como as próprias estatísticas comprovam. Portanto, fechar escolas é um crime contra a infância e adolescência.

    1. Não ataca crianças e adolescentes como diz.Porem.esss faixa etária tem um potencial gigantesco de transmissao .Alunos voltam pra casa após longas horas fora de casa.Ai é que mora o perigo.

    2. Crianças e adolescentes são assintomáticas e NÃO transmitem o vírus. Pesquise e confira.

    3. Direita Honesta, não é porque você não tem sintomas que você não é um vetor de transmissão, o mesmo exemplo se aplica a quem toma a vacina, não é porque está imunizado que não se pode transmitir. Pesquise e confira.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Com pernas amputadas, vítimas de ataques de tubarão seguem na UTI em Pernambuco

Foto: Reprodução/Redes sociais

Estão internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) as duas pessoas mordidas por tubarão no Grande Recife no domingo (31) e na segunda-feira (1º). As vítimas foram, respectivamente, João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos. Ele teve a perna esquerda amputada devido os ferimentos e ela, a perna direita, arrancada ainda no mar.

Segundo informações do g1PE, os dois estão internados no Hospital da Restauração, no Derby, região central do Recife. Segundo a unidade, têm quadro de saúde considerado estável, apesar da gravidade das lesões. O menino foi mordido em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e a jovem, em Boa Viagem, Zona Sul da capital.

Em boletim divulgado nesta terça-feira (2), o HR informou que as duas vítimas apresentam “estabilidade clínica, sem novos sangramentos, e continuam recebendo assistência multidisciplinar da instituição”.

Somente neste ano, Pernambuco já contabiliza quatro pessoas mordidas por tubarões. Em janeiro, uma delas, um adolescente de 13 anos morreu após ser mordido na Praia Del Chifre, em Olinda. Nos casos mais recentes, as vítimas perderam uma das pernas.

Desde 1992, segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), foram 84 incidentes com tubarões no estado.

Entenda os casos

João Lucas, de 11 anos

  • O garoto foi mordido no domingo (31), estava com tios, primos e colegas. Ele foi atingido na coxa e mão esquerdas, foi retirado do mar por parentes e socorrido por guarda-vidas na praia;
  • João Lucas foi levado inicialmente para o Hospital da Aeronáutica, em Piedade, onde foi estabilizado e transferido para o HR;
  • No Hospital da Restauração, passou por cirurgia em que teve a perna amputada. Na não esquerda ele sofreu fraturas, mas o ferimento foi reparado e suturado;
  • Segundo o diretor do hospital, cirurgião Petrus de Andrade Lima, o garoto “perdeu praticamente todo o sangue do corpo”.
  • Apesar da gravidade dos ferimentos, ele passou “pelo pior momento”;
    Segundo o Cemit, um tubarão-cabeça-chata foi o animal envolvido na ocorrência. Essa espécie tem o hábito de ir a partes rasas do mar investigar presas.

Marcela Vitória, de 19 anos

  • Estava com primos e amigos quando foi mordida, na tarde da segunda-feira (1º). Um dos primos foi quem a retirou do mar. Segundo ele, ela já saiu da água sem uma das pernas;
  • Ao sair do mar, a jovem foi socorrida por um médico Minas Gerais, que passeava na praia. Ele fez um torniquete na perna dela para estancar o sangramento;
  • Marcela foi levada para o Hospital Alfa, em Boa Viagem, onde foi estabilizada. De lá, foi transferida para o HR, onde passou por cirurgia;
  • Segundo o diretor do hospital, a jovem estava “em choque hemorrágico profundo, tomou sangue, deve tomar mais”;
  • Na cirurgia, os vasos sanguíneos lesionados foram estancados e a área atingida foi tratada para favorecer a cicatrização da ferida;
  • De acordo com o Cemit, um tubarão-tigre foi o envolvido no incidente.

Ataques em Pernambuco

Desde 1992, Pernambuco registrou 84 incidentes com tubarão. Antes deste ano, os últimos incidentes de mordida de tubarão no Grande Recife haviam sido em 2023, quando, em menos de 15 dias, um surfista foi mordido na Praia Del Chifre, e dois adolescentes foram mordidos em dias seguidos em Piedade.

No primeiro desses três casos, a vítima foi o surfista André Luiz Gomes da Silva, montador de andaimes, ferido no dia 20 de fevereiro de 2023. Ele sofreu ferimentos graves na perna esquerda, mas se recuperou.

Já no dia 5 de março do mesmo ano, um adolescente de 14 anos perdeu uma das pernas ao ser mordido por um tubarão no mar de Piedade.

No dia seguinte, 6 de março, a adolescente Kaylanne Timóteo Freitas, de 15 anos, perdeu o braço esquerdo após mergulhar na mesma praia onde ocorreu o caso do dia anterior.

Conforme dados do Cemit, com as ocorrências mais recentes, Recife e Jaboatão passam a ter, cada um, 28 casos. Boa Viagem é o lugar com mais registros, sendo seguida por Piedade.

 

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Caso hotel da BRA: Justiça Federal do RN fará conciliação entre as partes do processo

Foto: Divulgação

O caso conhecido pelo hotel da BRA, envolvendo a empresa NATHFW Empreendimentos e a Prefeitura de Natal, ganha um novo capítulo. O Juiz Federal Ivan Lira de Carvalho determinou que seja agendada uma audiência de conciliação a ser realizada pelo Centro Judiciário de Solução Consensual de Conflitos e
Cidadania da Justiça Federal (CEJUSC) da JFRN.

Após a demolição da estrutura do oitavo andar do prédio, porém com a manutenção dos pilares, a discussão está concentrada na informação inserida pela NATHFW nos autos de que a demolição dos pilares remanescentes, por serem elementos estruturais indispensáveis para a segurança da edificação, servirão de amarração para as alvenarias de perímetro da nova área técnica. Foi com esse argumento que a empresa defendeu a inviabilidade técnica da remoção dessas estruturas.

O Juiz Federal Ivan Lira determinou que, além do Ministério Público Federal e da NATHFW, o Município de Natal seja intimado para participar da audiência de conciliação.

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Governo Lula atrasa novamente pagamento de subsídio ao diesel a empresas que aderiam ao programa

Foto: Agência Brasil

Empresas que aderiram ao programa de subsídio ao diesel do governo federal seguem sem receber os ressarcimentos prometidos. Na última sexta-feira, dia 29 de maio, venceu também o prazo para o pagamento referente às vendas de abril.

É o segundo atraso consecutivo. Os valores de março deveriam ter sido pagos até o fim de abril, mas ainda não foram liberados.

Representantes do setor afirmam que a demora reduz a credibilidade do programa, afasta novas adesões e dificulta a importação de diesel. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) não explicou os motivos dos atrasos.

Criado para conter os impactos da guerra no Irã sobre os preços dos combustíveis, o programa inicialmente previa subsídio de R$ 0,32 por litro de diesel. Posteriormente, o benefício foi ampliado e, na semana passada, o governo definiu um valor único de R$ 1,47 por litro.

Apesar da ampliação, grandes distribuidoras como Ipiranga e Raízen continuam fora do programa, assim como outras empresas do setor. A falta de pagamentos tem aumentado a resistência à adesão.

“Está difícil aderir ao programa”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.

Mesmo com as incertezas, o preço do diesel voltou a cair nos postos. Segundo a ANP, o diesel S-10 foi vendido, em média, a R$ 7,13 por litro na última semana, queda de R$ 0,03 em relação à semana anterior e de R$ 0,45 em comparação ao pico registrado entre março e abril.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Trump publica foto com Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca: “Jovem inteligente que ama muito o seu país”

Foto: reprodução/Donald Trump via Truth Social

O presidente americano Donald Trump publicou nesta terça (2) a foto da visita do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca.

“Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — Um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!”, escreveu Trump.

Dias depois após o encontro entre Flávio e Trump, o governo americano classificou as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como terroristas globais. Na ocasião da visita, Flávio Bolsonaro disse que esse foi um de seus pedidos durante a conversa entre os dois.

Em uma entrevista à Itatiaia, Flávio também disse pediu ao presidente americano para que não taxasse as empresas brasileiras.

“Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual”, destacou o senador e pré-candidato.

CNN Brasil

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Marco Rubio, secretário de Trump, diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela

Foto: Mandel Ngan/AFP

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante audiência no Senado americano, que o Brasil não faz parte do grupo de países considerados aliados de Washington no hemisfério ocidental.

A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e poucos dias depois de o governo americano anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

Ao defender que a América Latina vive um momento de maior alinhamento com os Estados Unidos, Rubio afirmou que a região está repleta de governos favoráveis aos interesses americanos. No entanto, fez ressalvas ao citar alguns países.

“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia (…), trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos”, declarou.

Segundo Rubio, os EUA precisam transformar esse alinhamento político em resultados concretos, após o que classificou como duas décadas de negligência na região, período em que China e outras potências ampliaram sua influência na América Latina.

As declarações contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a proposta de novas tarifas contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade em relação à América Latina.

“Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter comentado com Donald Trump que o republicano “não gosta do Brasil”.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

[VÍDEO] Flávio Bolsonaro afirma que pediu a Trump para EUA não taxarem empresas brasileiras: ‘Não é justo’

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (2), em entrevista à Itatiaia, que pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que não imponha tarifas sobre empresas brasileiras.

“Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual”, declarou.

Flávio se reuniu com Trump na Casa Branca na semana passada. Segundo ele, outro pedido feito durante o encontro foi a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, medida anunciada pelos EUA dias depois.

Apesar do apelo do senador, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. A medida ainda depende de decisão final de Trump.

Em 2025, o governo norte-americano já havia imposto tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Parte dessas taxas foi posteriormente reduzida após conversas entre Trump e o presidente Lula.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Música

Pedro Luccas lança “Tudo do Meu Jeito em Forró” neste sábado no Teatro Riachuelo

Artista potiguar apresenta novo audiovisual em clima de São João e show entra na reta final com últimos ingressos disponíveis

O cantor potiguar Pedro Luccas apresenta neste sábado, dia 6 de junho, no Teatro Riachuelo Natal, o show “Tudo do Meu Jeito em Forró”, marcando o lançamento oficial de seu novo projeto audiovisual. A apresentação, que começa às 21h, chega como um dos destaques da programação junina na capital e entra na reta final de vendas com os últimos ingressos ainda disponíveis.

Reconhecido por sua versatilidade e por transitar entre diferentes influências musicais, Pedro Luccas agora mergulha no forró, ritmo que ganha protagonismo neste novo trabalho. O projeto reúne canções conhecidas pelo público, além de releituras e interpretações que dialogam diretamente com o período junino, reforçando a conexão cultural com o Nordeste.

“Esse é um trabalho que preparei com muito carinho para esse momento tão especial do ano. Escolhi lançar o projeto justamente no melhor período, que é o São João, a maior festa nordestina. O forró faz parte da nossa identidade e esse show foi pensado para o público cantar, se emocionar e viver essa experiência comigo”, destaca o artista.

Natural do Rio Grande do Norte, Pedro Luccas vem consolidando seu nome no cenário musical potiguar ao longo dos anos, com uma trajetória marcada pela construção de identidade própria e presença constante em eventos e palcos do estado. Agora, com o lançamento do audiovisual “Tudo do Meu Jeito em Forró”, o artista apresenta uma nova fase da carreira, ampliando seu alcance e fortalecendo sua relação com o público.

O espetáculo foi pensado como uma experiência completa, reunindo repertório envolvente, elementos visuais e a energia característica das apresentações ao vivo, em um formato que celebra não apenas o lançamento do projeto, mas também o clima dos festejos juninos.

Além do repertório especial, o show marca um momento estratégico na carreira do artista, que aposta no forró como ponte para dialogar com novos públicos sem perder a essência construída ao longo dos anos, reforçando seu posicionamento dentro do cenário musical do Rio Grande do Norte.

A expectativa é de casa cheia para a apresentação, que já mobiliza fãs e público da música local. A recomendação é que os interessados garantam os ingressos com antecedência, diante da disponibilidade limitada nesta reta final.

Serviço

Show Pedro Luccas – Tudo do Meu Jeito em Forró
Data: 6 de junho de 2026
Horário: 21h
Local: Teatro Riachuelo Natal
Ingressos: Bilheteria do teatro e plataforma Uhuu
Classificação: 14 anos
Realização: Idearte Entretenimento

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

A pílula para câncer que alcançou ‘o impossível’ e fez médicos chorarem no maior congresso de oncologia do mundo

Daraxonrasib é um antineoplásico oral — Foto: Adobestock

O estudo sobre o medicamento daraxonrasib foi um dos destaques da reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), nos Estados Unidos. Os resultados provocaram uma reação incomum entre médicos e pesquisadores, com aplausos de pé e até choro emocionado de alguns médicos presentes após a apresentação dos dados finais.

Um novo padrão foi estabelecido

O estudo de fase 3 RASolute 302 avaliou 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia. Os participantes foram divididos entre o tratamento com daraxonrasib e a terapia convencional.

Os resultados mostraram:

  • Sobrevida mediana de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses com quimioterapia;
  • Redução de 60% no risco de morte;
  • Tempo de controle da doença de 7,3 meses, contra 3,5 meses no tratamento convencional;
  • Redução do tumor em 31% dos pacientes, ante 11,2% no grupo de quimioterapia;
  • Apenas 1,2% interromperam o tratamento por efeitos colaterais, contra 11,2% na quimioterapia.

Diante dos resultados, os pesquisadores concluíram que o medicamento tem potencial para se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes em segunda linha terapêutica.

“O aplauso em pé foi merecido”

Presente na apresentação, o oncologista Stephen Stefani destacou que raramente um medicamento apresenta simultaneamente aumento expressivo da sobrevida, baixa toxicidade e um mecanismo inovador para uma doença tão agressiva.

Segundo ele, os resultados representam um avanço importante para pacientes que, até então, tinham poucas opções terapêuticas disponíveis.

Por que é tão difícil tratar o câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é um dos mais letais. Cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, quando a doença já se espalhou para outros órgãos.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 60 mil pessoas recebem o diagnóstico todos os anos e cerca de 50 mil morrem pela doença. No Brasil, são cerca de 13 mil novos casos anuais e 12 mil mortes.

Um dos principais desafios está na proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Durante décadas, cientistas tentaram bloquear essa proteína sem sucesso. O daraxonrasib conseguiu atingir esse alvo, considerado por muito tempo “intratável” pela medicina.

FDA deve aprovar em breve

A farmacêutica responsável pelo medicamento informou que solicitará a aprovação do daraxonrasib à agência reguladora dos Estados Unidos (FDA).

O remédio já recebeu a classificação de “Breakthrough Therapy”, destinada a tratamentos com potencial de oferecer benefícios significativos em relação às terapias existentes, o que acelera sua análise regulatória.

No Brasil, o processo ainda depende de avaliação da Anvisa e, posteriormente, de decisões relacionadas à incorporação do tratamento pelos planos de saúde e pelo sistema público.

Embora ainda não exista previsão para sua chegada ao país, especialistas consideram o daraxonrasib um dos avanços mais promissores dos últimos anos no combate ao câncer de pâncreas avançado.

Com informações de g1

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Lula critica possível novo tarifaço dos EUA: “Nós que devíamos aumentar taxação”

Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil é que deveria anunciar uma taxação sobre mercadorias vindas dos Estados Unidos, e não o contrário.

A fala se dá um dia depois de o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propor a imposição de tarifas de 25% sobre as importações brasileiras.

“Eu, então, fiz questão de provar, escrevendo artigos nos jornais americanos, mandando carta ao governo americano, dizendo que eles estavam mentindo, porque os Estados Unidos não tinham déficit com o Brasil. O superávit americano com o Brasil nos últimos 15 anos ultrapassa US$ 415 bilhões […] Então, quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles“, declarou Lula, ao mencionar o “tarifaço” imposto pelos EUA no primeiro semestre de 2025. À época, a Casa Branca alegou um suposto déficit do país em relação ao Brasil.

CNN Brasil

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Usuário da Unimed Natal relata demora para atendimento à esposa: “Está um caos, um atendimento péssimo”

Um usuário do plano de saúde da Unimed Natal procurou o BLOGDOBG para fazer uma denúncia em relação à demora para atendimento no Hospital da Unimed.

Está um caos, um atendimento péssimo, muitos pacientes na recepção, muitos pacientes na sala onde tomam os medicamentos, superlotado“, relatou ele ao blog.

Ele afirmou que chegou ao Hospital da Unimed por volta das 20h30, da quinta-feira (1º), para acompanhar a esposa e que ela só foi atendido às 23h.

Ele disse também que ela foi diagnosticada com infecção intestinal e que houve ainda muita demora para que uma medicação para dor fosse administrada.

Opinião dos leitores

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *