Primeiro spray nasal contra depressão será implantado de forma pioneira no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal

Foto: Ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nessa terça-feira (3) o primeiro spray nasal inalável contra a depressão. O cloridrato de escetamina é indicado para o tratamento de adultos com depressão resistente. Ou seja, pessoas que não responderam a duas terapias anteriores ou que tenham comportamento ou ideação suicida.

Em Natal, será implantado de forma pioneira no Hospital Universitário Onofre Lopes. O Spravato, nome comercial do produto, é considerado o maior avanço da ciência contra a depressão em meio século.

O remédio tem como base a escetamina (ou esketamina). O princípio ativo tem relação com a cetamina (ou ketamina), um medicamento usado para anestesias.

O laboratório Janssen, que produz o novo antidepressivo, diz que o medicamente é capaz de produzir efeito pouco tempo após a aplicação.

O remédio é apresentado como o primeiro a agir sobre o glutamato, molécula da rede neural, estimulando áreas do cérebro ligadas às emoções, enquanto os antidepressivos tradicionais atuam aumentando a quantidade de neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e bem-estar.

Com acréscimo de informações de Veja e G1

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. SERÁ?????? disse:

    Será que cura fanatismo, intolerância, estupidez, cegueira e incapacidade de raciocínio lógico?

  2. Calígula disse:

    Vai esgotar rápido, a esquerda vai tomar por causa da Vitória do Galegão Trump e Vitória do Mito.

Anvisa aprova 1º spray nasal para a depressão; maior avanço em 60 anos em medicamentos contra a doença

Foto: Arte/Veja

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta terça-feira, 3, o primeiro spray inalável contra a depressão. O cloridrato de escetamina é indicado para o tratamento de adultos com depressão resistente, ou seja, pessoas que não responderam a duas terapias anteriores, ou que tenham comportamento ou ideação suicida.

O Spravato, nome comercial do produto, é considerado o maior avanço da ciência contra a depressão em meio século.  “Esse é o primeiro tratamento com um mecanismo de ação realmente inovador aprovado em décadas e oferece uma nova opção para responder às necessidades não atendidas dos pacientes e da comunidade médica”, explica o psiquiatra Pedro do Prado Lima, do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Desenvolvido pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, o spray nasal tem ação no cérebro mais rápida que a de qualquer outra medicação no mercado, o que é um fator fundamental para pacientes com intenções suicidas. A droga começa a fazer efeito em poucas horas. Os antidepressivos comuns mostram seus primeiros resultados depois de cerca de um mês de tratamento.

O medicamento funciona de maneira diferente das terapias atualmente disponíveis para a doença. Os antidepressivos existentes atualmente agem nas monoaminas, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina. Já a escetamina intranasal age nos receptores de glutamato N-metil-D-aspartato (NMDA), que ajudam a restaurar as conexões sinápticas em células cerebrais de pessoas com depressão. A indicação é que ele seja usado em conjunto com um antidepressivo oral.

Os resultados de dois estudos clínicos de fase 3 mostraram que a escetamina em conjunto com a terapia padrão reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose. Após um mês de tratamento, 70% dos pacientes apresentaram melhora nos sintomas mais graves. No entanto, produto não foi capaz de prevenir o suicídio ou reduzir a ideação ou comportamento suicida. Dessa forma, o uso do medicamento não dispensa a necessidade de hospitalização em pacientes com indicação clínica.

Os principais efeitos colaterais observados durante o tratamento com escetamina incluem dissociação, tontura, náusea, sedação, sensação de girar, visão embaçada, sentido reduzido de toque e sensação, ansiedade, falta de energia, pressão arterial elevada, vômito, parestesia e sensação de embriaguez.

“Estamos muito orgulhosos em disponibilizar a escetamina intranasal para pacientes brasileiros com tipos de depressão bastante incapacitantes, para os quais as opções de tratamento eram escassas”, diz o psiquiatra Fabio Lawson, diretor médico da Janssen Brasil.

Para assegurar seu uso correto, a escetamina intranasal será administrada em hospitais e clínicas autorizadas, sempre sob supervisão de um profissional de saúde. O preço ainda não está definido no Brasil.

Veja

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. MITOLÓGICO SEM LÓGICA disse:

    Será que cura fanatismo mitológico???? ……Cegueira mitológica e incapacidade de raciocínio lógico mitológico???

  2. Jvalcanti disse:

    Olha, porque todo medicamento tem os efeitos colaterais piores que a própria doença??

  3. David disse:

    Remédio ideal pra os petralhas, pois maioria estão numa abstinência de praticar a famosa corrupção sistêmica, tendo em vista hoje existirem poucos mandatários de sua laia, assim ficam numa depressão profunda, alguns até ficam destilando seu ódio do amanhecer até altas horas da madrugada através desse blog.

    • Walternani disse:

      Fale por você, que para criticar uma suposta "destilada de ódio", encharcam essa postagem com mais ódio.

Brasileiros estudam drogas psicodélicas para tratar depressão e dependência química, administradas em ambientes clínicos e com supervisão

Foto: BBC News Brasil

“Sou hoje (semanas depois da primeira experiência) um homem mais desamarrado, sobretudo bem mais livre de mim mesmo […] Livrei-me de algumas túnicas da minha fantasia, quase todas depressivas. Despertei certa manhã de domingo, muito mais curioso do universo e muito menos angustiado pela catástrofe humana. Existir ficou um pouco menos difícil.”

O trecho acima é parte de uma série de crônicas em que o escritor Paulo Mendes Campos (1922-1991), um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, relatou suas experiências com o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), uma substância psicodélica hoje proibida.

Em 1962, quando participou dos testes, a droga estava sendo explorada e pesquisada pela ciência e pela medicina. Poucos anos depois, o LSD e outras substâncias psicotrópicas foram proibidas e criminalizadas praticamente no mundo todo, interrompendo os estudos científicos sobre o potencial dessas drogas.

Nos últimos anos, no entanto, as pesquisas com as drogas psicotrópicas, também chamadas simplesmente de “psicodélicos”, renasceram como uma possibilidade de tratamento eficaz para patologias que têm se mostrado difíceis de tratar: depressão, ansiedade, dependência química, transtorno de estresse pós-traumático, entre outras. E, mais uma vez, cientistas brasileiros estão na vanguarda dos estudos nessa área.

Médicos, psiquiatras, neurocientistas, psicólogos e terapeutas do país estão pesquisando os efeitos positivos de substâncias sintéticas, como LSD e MDMA, mas também algumas que têm origem na natureza, como ibogaína, psilocibina e ayahuasca.

Nas últimas semanas, a BBC New Brasil conversou com alguns deles para entender o que vem sendo estudado, qual o potencial dos psicodélicos e como eles podem ser usados por pacientes e médicos brasileiros.

MDMA e estresse pós-traumático

Um dos pesquisadores é o neurocientista Eduardo Schenberg, diretor do Instituto Phaneros. Neste ano, ele publicou um estudo sobre uso psiquiátrico de MDMA (metilenodioximetanfetamina), em parceria com uma entidade americana que também pesquisa essas drogas.

O neurocientista Eduardo Schenberg fez um estudo clínico com MDMA. Foto: BBC News Brasil

No mercado ilegal de drogas, o MDMA já teve dezenas de apelidos, como ecstasy e molly, e é usado principalmente por jovens em festas e baladas — também é conhecido como “a droga do amor”, por sua capacidade de gerar empatia.

No tráfico, as substâncias são produzidas sem controle de qualidade: já foram apreendidas centenas de tipos diferentes de ecstasy, grande parte deles sem nenhuma molécula de MDMA.

Já o composto puro, sem acréscimo de elementos que podem fazer mal à saúde, é considerado seguro e não causa grandes efeitos colaterais — no máximo, dor de cabeça e no maxilar, náusea, inquietude e uma angústia temporária.

No ensaio, Schenberg utilizou a droga em três pacientes diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (Tept), cujo gatilho, em geral, são experiências de violência extrema, como abuso sexual, tiroteios, sequestros, morte repentina na família e, hoje, até a covid-19.

“O transtorno causa um medo paralisante: a pessoa tem pesadelos recorrentes, ataques de pânico, palpitações, desespero, raiva. Para lidar com isso, ela reprime as emoções, pois não consegue falar sobre o trauma. Algumas vivem num estado de anestesiamento, sem propósito. Esse transtorno tem uma taxa alta de suicídios”, diz o neurocientista.

Os três pacientes passaram por uma terapia assistida por drogas psicodélicas de quatro meses. Foram 15 consultas de 90 minutos cada uma, sob supervisão de dois terapeutas, mas em apenas três delas houve uso de MDMA, com quantidade escalonada. Nessas consultas, o paciente ouve música e é estimulado a ficar introspectivo, em contato com seus sentimentos e memórias. Mas ele também pode dialogar com os terapeutas sobre o que está sentindo.

Dois dos participantes ficaram curados do transtorno, segundo o pesquisador. O terceiro melhorou muito, mas ainda precisa continuar se tratando. “Os resultados no Brasil foram espetaculares, muito parecidos com o que vem sendo observado no exterior. As estatísticas mostram que dois terços dos pacientes saem do tratamento curados”, diz.

Nesse contexto, o MDMA surge como uma possibilidade efetiva de melhorar o transtorno. Hoje, a medicação tradicional consegue tratar apenas sintomas secundários, como ansiedade, depressão e insônia. Já a terapia com MDMA propõe justamente o contrário: ela busca curar o trauma em si.

(mais…)

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Soraya disse:

    Parabéns que coloque logo a disposição do público.

  2. Moral dos Santos disse:

    Tudo serve de desculpa pra Zé Droguinha se chamar, bando de lixo.

Paciente com depressão ganha liminar para autocultivo de Cannabis

Foto: Ilustrativa

Um habeas corpus de autocultivo para um paciente jovem de Cannabis medicinal expedido na última segunda-feira (20), pela 15ª Vara Federal, chama atenção por ilustrar a sensibilidade, que os magistrados vêm desenvolvendo com o tema. Em uma decisão pouco comum, o juiz deu permissão de cultivo ao um rapaz que sofre de depressão.

O instrumento jurídico concede o direito de plantio ao paciente por entender que o “conceito sobre saúde deve também abranger o completo bem-estar físico, mental e social do homem”. “A Justiça começou a ter um olhar mais holístico da saúde. Ela está incorporando as demandas dos pacientes para o uso medicinal da Cannabis. É uma mudança muito importante”, diz um dos advogados da ação Rodrigo Mesquita.

O caso analisado pelo juiz é do jovem estudante candango Arthur, 21 (que pediu para não divulgar o sobrenome). Na infância, ele passou por uma cirurgia para tirar cálculos renais. Depois sofreu uma série de internações por dores abdominais, que os médicos demoraram muitos anos para acertar o diagnóstico, síndrome de intestino irritável.

Arthur passou grande parte da vida com a certeza de que iria morrer cedo, um sentimento que o levou a atitudes destrutivas, como o consumo excessivo de álcool. “Cheguei a ter uma crise de transtorno dissociativo da realidade”, diz Arthur, que foi violentado nesta época.

O rapaz foi um adolescente fechado, cujos pais não conseguiam entender, nem intervir de maneira certa, para que a vida do filho melhorasse. Há dois anos, passou a fazer terapia com uma psiquiatra, que aconselhou o tratamento com Cannabis com uma neurologista.

Em 2019, começou a se recuperar. “Ganhei peso. Havia perdido 10 quilos em poucos meses. Voltei a estudar. Hoje estou fazendo faculdade de enfermagem”, conta Arthur, que tem fala do tratamento com alegria. Até hoje ele se trata com Cannabis inalada e óleo medicinal da Abrace Esperança, da Paraíba.

Hoje uma das doenças mais comuns deste século é a depressão, que demorou muito para ser levada a sério. Pacientes que não recebem tratamento, segundo especialistas, podem chegar até ao suicídio. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) 5,8% da população – a média global é 4,4%. O Brasil tem 12 milhões de deprimidos.

O habeas corpus do juiz vem com um pedido de liminar para que o paciente não tenha problemas com a polícia. “Embora seja uma decisão liminar, tenho a convicção de que será mantida. A Justiça Federal de Brasília já possui decisões no mesmo sentido e a tendência é que se multipliquem” diz o outro advogado da ação, Gabriel Dutra Pietricovsky. “Pacientes com dor crônica, epilepsia, autismo, que não podem arcar com os elevados preços dos produtos importados, já estão cultivando Cannabis. Agora, temos paciente com ansiedade e depressão fazendo o mesmo.”

CANNABIS INC. Valéria França – Folha de São Paulo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    No afã de contestar até mesmo evidências científicas, haja "convicções" religiosas, morais, filosóficas, políticas… Do alto de sua ignorância amazônica, os esgrimistas do óbvio sequer desconfiam que opinião não é argumento.

  2. Queiroz disse:

    Maconha não mata. O que mata é a política com o trato dessa questão. Proibição, tráfico e enfrentamento. Do ponto de vista clínico, álcool e tabaco matam muito mais.

  3. Manoel C disse:

    Vamos com calma, cultivo para uso pessoal de tratamento, regrado e observado. Papai estado monitorando com a força do cacete e da lei. Diferente da Mamãe Estado, leniente com os grandes jogadores do tráfico internacional.

  4. Webrevenger disse:

    O problema não é a planta, é o que fazem dela. O problema é o tráfico. Libera a erva igual liberou o álcool e adeus tráfico. Simples. A porra do Estado ainda deixa de gastar enxugando gelo na segurança e passa a arrecadar imposto sobre um novo mercado.

  5. Zuza disse:

    Maravilha! Liberaram a alimentação do vício, da drogadição. Afinal, liberando o cultivo, utilizará o drogado ou futuro drogado o consumo da porcaria existente na maconha, que é o THC. Por que o autor da ação não requereu o canabidiol?? Certamente quer a erva danada na sua destrutividade.

  6. Zuza disse:

    Maravilha! Liberaram a alimentação do vício, da drogadição. Afinal, liberando o cultivo, utilizará o drogado ou futuro drogado o consumo da porcaria existente na maconha, que é o THC. Por que o autor da ação não requereu o canabidiol?? Certamente que a erva danada na sua destrutividade.

Cogumelos alucinógenos dão ‘reset’ no cérebro de pessoas com depressão, destaca Super Interessante

Estudo britânico dá os primeiros passos para entender por que a psilocibina – princípio ativo dos cogumelos – tem efeitos benéficos duradouros para depressivos, mesmo em doses únicas. Foto: (Alan Rockefeller/Creative Commons)

O alucinógeno psilocibina – princípio ativo de mais de 100 espécies de cogumelos mágicos – é uma solução eficiente para casos de depressão que não respondem aos remédios tradicionais. E um artigo científico publicado na semana passada por pesquisadores do Imperial College, em Londres, deu os primeiros passos para revelar porque, exatamente, a substância é tão benéfica.

Estudos clínicos – ou seja, feitos com seres humanos, e não cobaias animais – já comprovaram que apenas uma ou duas doses de psilocibina ministradas em situação controlada ajudam pacientes de doenças terminais que sofrem de depressão e ansiedade, viciados em álcool e cigarro e pessoas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Neste novo estudo, 19 depressivos que não reagem às drogas mais usadas para combater o problema receberam, com uma semana de intervalo, uma dose de 10 mg e outra de 25 mg de psilocibina. Ao longo da primeira semana após a experiência, todos os voluntários apresentaram melhoras. Ao final da quinta semana, sem receber novas doses, os efeitos benéficos ainda puderam ser verificados em 47% deles.

Analisando exames feitos antes e após o consumo da substância, os cientistas perceberam que ela “dá um tranco” em regiões do cérebro que estão por trás da depressão, como a amígdala – que cuida, entre outras coisas, de reações emocionais como o medo.

“Muitos de nossos pacientes descreveram uma sensação de reset após o tratamento”, explicou em comunicado Robin Carhart-Harris, líder da pesquisa. “Um deles afirmou que foi como se seu cérebro tivesse sido desfragmentado, como se faz com um disco rígido.”

(A desfragmentação, para uma memória de computador, é o equivalente ao alívio que você sente quando arruma um armário bagunçado e põe todas as camisetas no mesmo lugar. O processo reúne em um canto só dados que pertencem a um mesmo programa, mas que antes estavam separados e espalhados.)

“A psilocibina pode estar dando a esses indivíduos o pontapé inicial que eles precisam para sair da depressão, e os resultados de ressonância magnética apoiam de forma tentadora as analogias com computadores.”

Do ponto de vista técnico, o que as ressonâncias mediram foi o fluxo de sangue em cada parte do cérebro, e quais partes trocavam informações mais intensamente entre si, antes, durante e depois da experiência psicodélica. Enquanto a psilocibina está no auge do efeito, as conexões entre diferentes áreas são muito menos intensas que a média. Após o fim da experiência, porém, várias redes neurais não só se reestabelecem como se tornam mais estáveis – e o fluxo de sangue na amígdala fica menor.

Em uma ressalva, os pesquisadores lembram que o teste foi feito com uma amostra relativamente pequena de voluntários, e que não havia um grupo de controle (ou seja, que recebe placebo) para usar de referência. “Estudos mais amplos são necessários para ver se esses efeitos positivos podem ser reproduzidos em mais pacientes. Mas as conclusões iniciais são animadores e abrem um novo caminho para exploração”, afirmou David Nutt, co-autor do paper.

Além disso, é sempre bom lembrar: não tente isso em casa. A psilocibina está em fase experimental e seu uso terapêutico precisa de acompanhamento médico.

A droga mais segura do mundo

Segundo o Global Drug Survey, um levantamento de saúde pública feito com 120 mil usuários de drogas de 50 países, a psilocibina é a substância química ilegal mais segura do mundo. 10% dos entrevistados, 12 mil pessoas ao todo, afirmaram ter usado os fungos psicodélicos em 2016. Só 24 delas – 0,2% – precisaram de assistência médica emergencial após a experiência.

Uma das características mais notáveis da psilocibina é que ela praticamente não vicia. Uma compilação de estudos feita em 2011 por médicos e psicólogos da Universidade de Amsterdã classificou como “irrisórios” os efeitos do uso de cogumelos mágicos sobre o crime organizado e problemas de saúde pública. O uso da droga gera um aumento temporário na tolerância do usuário – que o desestimula a tomar novas doses em pequenos intervalos, já que elas não fariam efeito.

O Brasil também investe na pesquisa com substâncias que são alvo de preconceito – mesmo quando elas vêm em plantas, e não fungos. Neste ano, pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) descobriram que uma única dose de ayahuasca – bebida típica da medicina tradicional amazônica e essencial para alguns rituais religiosos populares – alivia os sintomas de vítimas de depressão por até uma semana. O efeito é quase instantâneo.

“Psicodélicos clássicos, como a ayahuasca e a psilocibina (encontrada em um tipo de cogumelo) não viciam”, explicou o pesquisador Dráulio Araújo em entrevista à SUPER. “O aumento do número de estudos científicos com psicodélicos e a determinação dos seus benefícios terapêuticos tendem a mudar a opinião pública sobre o assunto.”

Super Interessante

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    Em minha infância rural, era comum eu deparar com vacas "muito doidas" (entorpecidas) por terem se alimentado de cogumelos que medravam no campo. A propósito, eu quase que casava com uma delas.

  2. Jóia disse:

    Ciência é o caminho! Conhecimento, razão, metodologia, boas práticas científicas, avançar sempre em busca do melhor para o ser humano esse é o verdadeiro caminho!!!

Metade dos brasileiros não sabe o que é a depressão, revela Ibope

(erhui1979/Getty Images)

Uma “dor da alma” ou “estado de espírito”. Essa é a percepção que muitos brasileiros ainda têm sobre a depressão, uma doença psiquiátrica crônica ligada ao desequilíbrio de substâncias no cérebro. Uma pesquisa nacional conduzida pelo Ibope revelou falta de informação e vergonha ao tratar do assunto, principalmente por parte da população mais jovem.

O estudo “Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a Saúde Mental” trata de como as pessoas enxergam a depressão no país. Um questionário online foi aplicado em metrópoles de 6 estados e coletou informações de mais de 2.000 brasileiros a partir dos 13 anos de idade.

Quando questionados sobre o que é a depressão, apenas 47% assinalaram que se trata de um transtorno mental. As outras respostas classificavam a doença como um estado de espírito, consequência de um momento difícil e até como uma “doença da alma”.

29% dos jovens entre 18 e 24 anos não estão convencidos de que a depressão pode ser tratada como doença. Em faixas etárias mais altas, o esclarecimento é maior: 81% dos entrevistados maiores de 55 anos acreditam (com razão) que ela pode ser tratada com ajuda médica.

Quanto mais novo é o indivíduo, maior é a relutância em falar sobre o assunto. 39% dos adolescentes entre 13 e 17 anos revelaram que não se sentiriam confortáveis em conversar com a família caso recebessem um diagnóstico de depressão. Quando se trata de abordar o assunto na escola ou trabalho, o valor é ainda mais alto: 49% das pessoas entre 13 e 17 anos e 56% dos entre 18 e 24 anos disseram que não contariam aos colegas.

Os dados são contrários à concepção de que pessoas mais velhas guardam mais tabu sobre o assunto. Em todas as perguntas, as faixas etárias mais altas se mostraram mais bem informadas. O público masculino ainda é o que sustenta mais preconceito. 55% dos homens acreditam que ter uma atitude positiva em relação à vida pode ser suficiente para vencer a depressão. Além disso, um terço do público masculino acha que a depressão pode ser apenas um sinal de fraqueza, falta força de vontade ou pouca fé.

A pesquisa também revelou falta de informação em relação aos tratamentos. Quando questionados sobre o que fazer no caso de uma depressão severa, a ajuda psiquiátrica ficou em terceiro lugar, atrás do psicólogo e ajuda de amigos. Metade das pessoas também revela não conhecer bem a eficácia dos antidepressivos. A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), a Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) o laboratório farmacêutico Pfizer – que comercializa esse tipo de medicamento.

A desinformação e tabu em torno do tema se relacionam a outro dado: o aumento de suicídios no Brasil. Enquanto o número mundial diminuiu, o Brasil foi na contramão: houve aumento de 24% na taxa de suicídio em adolescentes entre 2006 e 2015 — e os números não param de subir.

90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, sendo a depressão o principal deles. A cada 46 minutos, uma pessoa tira a própria vida no Brasil — sendo essa a quarta maior causa de morte entre jovens.

Super Interessante

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Rivanaldo disse:

    Quando o mito terminar o governo todos nós saberemos na pele o que é.

    • Manoel disse:

      A outra metade aprendeu o que era com os governos do PT, Lula e Dilma já ensinaram ao Brasil o que era depressão e outras palavras como corrupção, aborto, ideologia de gênero, legalização das drogas, foram 16 anos de aprendizado.

Depressão está relacionada a excesso de gordura corporal, diz pesquisa

Pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, relacionaram a depressão ao excesso de gordura corporal em um novo estudo. A análise foi feita comparando informações de quase 1 milhão de pessoas de diversos países.

De acordo com a pesquisa, um excesso de dez quilos de gordura já aumenta em 17% o risco de desenvolver depressão. E essa probabilidade pode ser ainda maior se o peso na balança subir. “Um dos pontos fortes do nosso estudo é que conseguimos ampliar e observar a relação específica entre a quantidade de gordura corporal e o risco de depressão”, afirmou um dos autores, Søren Dinesen Østergaard, em comunicado.

Como explicou o especialista, trabalhos anteriores utilizaram predominantemente o Índice de Massa Corporal (IMC) para medir a obesidade, o que é um problema: como o índice é calculado apenas com base no peso e na altura, não leva em conta, por exemplo, os percentuais de gordura e de massa muscular.

Além disso, a análise também indicou que a localização da gordura no corpo não faz diferença no risco de desenvolver a doença, o que sugere que são as consequências psicológicas do excesso de peso ou obesidade que levam ao aumento do risco de depressão. “Se o contrário fosse verdade, teríamos observado que gordura localizada no centro do corpo aumenta mais o risco, já que tem o efeito mais prejudicial em termos biológicos”, apontou Østergaard.

Para os especialistas, esse estudo contribui para melhorar os índices globais de obesidade, que atinge quase 40% da população mundial. Contudo, eles ressaltam a importância de fazer isso sem comportamentos gordofóbicos, que podem prejudicar ainda mais quem sofre com o problema: “Os esforços da sociedade para combater a obesidade não devem estigmatizar, porque provavelmente aumentará ainda mais o risco de depressão. É importante ter isso em mente para que possamos evitar fazer mais mal do que bem no esforço para conter a epidemia de obesidade”, explicou o pesquisador.

Galileu

 

Médicos explicam como a depressão se desenvolve nas diferentes etapas da vida; veja características de acordo com cada faixa de idade

SEGUNDO O ÚLTIMO LEVANTAMENTO DA ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPAS), HÁ MAIS DE 300 MILHÕES DE PESSOAS DEPRIMIDAS NO MUNDO (FOTO: PIXABAY)

Segundo o último levantamento da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), há mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades que sofrem de depressão no mundo. No Brasil, dados da Vittude (plataforma online voltada para a saúde mental), feitos com 492.790 pessoas, mostram que 5,9% dos respondentes se encontram em estado extremamente severo de depressão.

Principalmente se não for tratada, a doença pode voltar em diferentes períodos da vida ou se tornar crônica: o que muita gente não sabe é que é possível ficar deprimido não apenas na vida adulta e na adolescência, mas também na velhice e até mesmo na infância.

Depressão infantil: o tédio que nunca acaba

Durante o 8º Fórum de Sistema Nervoso Central da América Latina, evento promovido pela empresa farmacêutica Pfizer, nos dias 02 e 03 de agosto, a psiquiatra Sheila Caetano conta que embora a depressão tenha sido descrita no século 5 a.C por Hipócrates — sob o nome de “melancolia” — só começou a se falar em depressão infantil no século passado.

“Não porque não existia a criança deprimida no passado, mas porque não existia o conceito de infância. Até o século 17 e 18 as crianças eram ‘mini adultos’. Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, você tinha crianças de 7 a 10 anos trabalhando”, afirma Caetano, que é pesquisadora da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Segundo a psiquiatra, o que pode causar depressão nesse período são fatores como doenças crônicas reumatológicas (em tecidos como ossos, músculos e articulações), histórico familiar de suicídio, abuso, abandono e contato com substâncias psicoativas. Mas ter depressão abaixo dos 6 anos de idade é considerado algo muito raro pelos especialistas.

Isso porque a criança ainda está “aprendendo os sentimentos” e como lidará com eles. “Geralmente quando vem a depressão ela é mais física, é uma criança que está sem comer, porque está fraca, porque não quer ir à escola e porque tem medo”, conta.

Dos 7 aos 12 anos, a doença tem mais chances de ocorrer e é um período em que já há capacidade de verbalizar o sofrimento — apesar de não entendê-lo. No período seguinte, dos 8 anos até a pré-adolescência, a criança já consegue interpretar os sentimentos. “O que eles falam muito quando estão deprimidos é que tudo é muito tédio e que o tédio não sai”, explica. “E elas já começam a esboçar um desejo de morte.”

Segundo Caetano, na infância não há noção avançada de letalidade em relação ao suicídio, mas há a intencionalidade. Com 7 anos, uma criança “quer dormir e não acordar”, mesmo que ela não entenda que isso não é reversível. “Elas não entendem que não vão viver de novo, mas já há esse ato”, diz a psiquiatra.

Adolescência: irritabilidade e impulsividade

ADOLESCÊNCIA É MARCADA POR FLUTUAÇÕES HORMONAIS INTENSAS QUE AUMENTAM OS RISCOS DE DEPRESSÃO (FOTO: PIXABAY)

Ter depressão durante a juventude traz principalmente sintomas como humor irritável, alternação de peso, anedonia (perda de prazer em atividades que se gostava de fazer antes) e mudanças anormais no sono. “O que vemos muito são adolescentes dormindo 12 a 17 horas por dia. Mas a família não entende como eles dormem tanto e ainda ficam cansados”, explica Caetano.

Quando se tem depressão na adolescência, há uma percepção subjetiva de tristeza, mas somada à impulsividade e à agressividade — fatores que apresentam um “pico” devido às mudanças hormonais. Assim como na infância, a noção de letalidade é menor: não por baixa compreensão, mas devido aos impulsos — nem sempre há um plano de suicídio. Por isso, é importante o diálogo dos pais com os jovens em um espaço sem julgamentos.

“A prevenção começa em uma questão simples de ter com quem falar”, diz Caetano. “A gente precisa sempre ter essa rede de suporte, pois as depressões mais leves e moderadas nós tratamos com intervenções psicossociais.”

Vida adulta: preocupações do trabalho e vida reprodutiva

Durante a vida adulta, a depressão se manifesta de modo diferente entre homens e mulheres. Elas são mais suscetíveis à doença, principalmente devido às regulações hormonais como o déficit de estrogênio, hormônio fabricado pelos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual.

“Até 8% das mulheres vão apresentar o quadro da depressão cíclica. Durante a gravidez e a lactação, até um quarto das mulheres deprimem”, afirma Carmita Abdo, psiquiatra da Universidade Universidade de São Paulo (USP), durante palestra no 8º Fórum de Sistema Nervoso Central da América Latina.

Segundo Abdo, as mesmas mulheres que sofrem com depressão durante a gravidez têm ainda mais chances de desenvolver a doença no puerpério, período de 45 a 60 dias após o parto. Muitas adquirem transtorno disfórico pré-menstrual, doença marcada por mudanças de humor extremas que desaparecem após a menstruação.

“Essa mulher só vai ser diagnosticada como deprimida no climatério [transição do período reprodutivo para o não reprodutivo] ou na menopausa, quando de fato o risco de recorrência da depressão é maior”, explica Abdo. Nos homens, ela conta, a depressão na vida adulta pode ocorrer devido à oscilação de testosterona, mas isso ocorre mais no final da vida, quando os índices dos hormônios começam a cair.

À GALILEU, José Alberto Del Porto, psiquiatra da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), explica que para os adultos é muito comum a manifestação do burnout, que alguns pesquisadores classificam até mesmo como sendo um tipo de depressão.

“Ele alude a fatores estressores no ambiente de trabalho e não é uma situação rara. Pode começar como uma situação de estresse ambiental e em pessoas predispostas ele pode acabar evoluindo para a depressão”, afirma Del Porto.

DEPRESSÃO É MAIS COMUM EM IDOSOS DO QUE EM IDOSAS (FOTO: PIXABAY)

Velhice

O psiquiatra Sérgio Blay, da Unifesp, conta que a incapacitação nos idosos com depressão é bem maior, considerando todas as doenças da medicina clínica e psiquiátrica. A depressão também pode aumentar os riscos de demência — Blay cita uma revisão de estudos de Lars Kessing, pesquisador da Dinamarca, sobre o assunto.

Um fator protetor para evitar as disfunções cerebrais atreladas à demência, segundo o psiquiatra, seria os níveis de escolaridade, que “protegem o cérebro” quase 60 anos depois. Na velhice, há maior incidência de depressão em homens, pois é o período em que os níveis de testosterona começam a diminuir de forma mais acenturada. Desse modo, na mulher idosa, a depressão é frequentemente não reconhecida. “A doença costuma estar muito associada com quadros de doenças cerebrovasculares e com a maior ocorrência de perda de função física e de problemas de visão nas mulheres idosas”, afirma Carmita Abdo.

Nos idosos, a depressão conta com alguns “fatores de risco”, como baixa renda (aposentadorias que prejudicam condições de vida e de alimentação), solidão e a viuvez, em decorrência da morte parceiro amoroso.

“Muito mais para homens há uma piora do quadro devido ao uso de álcool e à baixa inserção social”, afirma Abdo. “A mulher costuma continuar a manter no envelhecimento as relações familiares e de vizinhança.” O tratamento da depressão na terceira idade também tende a ser mais complicado, pois geralmente o idoso já toma muitos medicamentos: receitar o melhor antidepressivo, portanto, fica mais difícil. “Os nossos pacientes ainda se queixam na disfunção sexual, da insônia. É preciso perguntar para escolher um medicamento que tenha eficácia”, explica Abdo.

Galileu

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Franci Diniz disse:

    Muito boa a matéria, está de parabéns, o blog sempre trazendo informações de qualidade.

Fumar maconha na adolescência aumenta risco de depressão, diz estudo

O USO DE CANNABIS ENTRE OS MAIS JOVENS PODE CAUSAR DEPRESSÃO (FOTO: FLICKR/JAMES ST. JOHN/CREATIVE COMMONS)

Cientistas sabem pouco sobre como a cannabis influência o cérebro de adolescentes, quando o órgão ainda está em desenvolvimento. E uma nova pesquisa, que analisou 11 estudos internacionais publicados a partir da década de 1990, apontou que fumar maconha aumentou em 37% o risco de depressão na fase adulta para cerca de 23 mil jovens.

De acordo com o relatório, publicado na JAMA Psychiatry, embora o hábito de fumar não estivesse ligado à ansiedade, os adolescentes que usavam cannabis tinham probabilidade três vezes maior de tentar suicídio. Contudo, os pesquisadores afirmaram que esse cálculo é impreciso: segundo eles, o risco de depressão e pensamentos suicidas é modesto, cerca de 7%. Mas isso não significa que não vale a pena ser considerado, especialmente dada a popularidade da maconha entre os jovens.

“Nossas descobertas sobre depressão e tendências suicidas são muito relevantes para a prática clínica”, disse Andrea Cipriani, psiquiatra da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Embora os efeitos negativos da cannabis possam variar entre adolescentes, e não é possível prever o risco exato para cada um, o uso disseminado de cannabis pelos jovens faz com que seja um problema de saúde pública.”

Os resultados são apoiados por alguns estudos anteriores. Para os pesquisadores, isso sugere que, mesmo na idade adulta, os fumantes de maconha enfrentam risco moderado de desenvolver depressão.

Ainda assim, não há evidências claras de que o uso de cannabis cause diretamente o problema. A explicação é mais complexa: fumar maconha, por exemplo, também está associada a fatores que aumentam o risco de depressão, como dificuldades na escola e desemprego. Além disso, adolescentes ou adultos podem fumar maconha para lidar com sintomas depressivos, não necessariamente causados ​​pela erva.

De acordo com os cientistas, é um assunto difícil de pesquisar, visto que há valores morais para testar a maconha em adolescentes. Como resultado, a maioria dos estudos é feito em animais.

Galileu

Estudo da UFRN com saguis abre novas portas para pesquisas sobre depressão em seres humanos

As doenças neuropsiquiátricas são as patologias não contagiosas mais conhecidas no mundo e serão, até 2020, a principal causa de incapacidade humana, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Como os fatores desencadeadores desse problema são muito diversificados, apenas um terço dos pacientes apresenta alguma resposta aos medicamentos receitados.

A ciência tem trabalhado para achar respostas mais urgentes, porém ainda existem muitas limitações que dificultam a acurácia dos resultados observados. No entanto, um recente estudo do Instituto do Cérebro (ICe), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), abre uma nova janela em favor das pesquisas nesta área.

O estudo, desenvolvido pelos pesquisadores Viviane Brito Nogueira, Danilo Imparato e Sandro Souza, sob orientação da neurocientista Bernardete Sousa, chefe do Laboratório de Endocrinologia Comportamental do ICe, investigou a expressão gênica no córtex frontal de seres humanos e saguis (Callithrix jacchus) e constatou que a semelhança entre as duas espécies também aparece em nível molecular.

A conclusão publicada na Brain and Behavior trouxe duas descobertas importantes para a ciência: a existência de uma expressão semelhante em termos de genes, vinculada a determinadas doenças neuropsiquiátricas, e um viés análogo na expressão de genes em machos e fêmeas de ambas as espécies. Estas descobertas confirmam o sagui como um modelo importante para estudar as doenças neuropsiquiátricas, já que os seres humanos não podem ser manipulados a nível laboratorial e em teste de drogas.

Por compartilhar 45,01% dos genes enviesados por sexo com os humanos no córtex frontal, o sagui já vem sendo utilizado como modelo animal nas neurociências há algum tempo. Porém, a nível molecular e considerando a diferença entre os sexos, o novo estudo é uma grande novidade no mundo.

Segundo biotecnóloga Viviane Nogueira, estudo é uma grande novidade no mundo – Foto: José de Paiva rebouças

Conforme a pesquisa, a diferenciação no cérebro de machos e fêmeas não reflete simplesmente na distinção dos hormônios gonadais (esteroides sexuais), mas também dos mecanismos de sinalização sináptica. Isso pode ajudar a explicar melhor por que homens são mais propensos a desenvolver autismo e esquizofrenia, enquanto as mulheres estão mais susceptíveis a ansiedade e depressão.

Testes anteriores

A UFRN é referência nas pesquisas com sagui porque já o utiliza em estudos sobre doenças neuropsiquiátricas como modelo importante na adolescência. No mundo, os animais mais comuns nas pesquisas em neurociências são ratos e camundongos.

“Os primatas, por terem características mais próximas dos seres humanos, têm um poder de validação maior em relação a uma transposição de dados, com os cuidados que se deve ter, em relação aos seres humanos”, contextualiza Bernardete Sousa.

Professora Titular da área de Neuroendocrinologia do Instituto de Cérebro – Foto: Anastácia Vaz

Testes anteriores de indução de quadros de depressão realizados em outros estudos da UFRN mostraram que estes animais respondem aos sintomas com características semelhantes aos humanos. Eles apresentam alteração no peso corporal, anedonia e diminuição de mobilidade, todos os fatores que apontam para um quadro que lembra a depressão.

Banco de dados molecular

Uma importante ferramenta em bioinformática criada durante esse novo estudo reúne um banco de dados molecular de saguis. O CajaDB fornece uma interface intuitiva para visualizar e explorar dados de genômica, transcriptômica e de splicing alternativo desse modelo animal.

O aplicativo não apenas permite que o usuário navegue pelos dados, mas também oferece suporte a análises biológicas, como análise de enriquecimento funcional (ontologia) e rede proteína-proteína.

O objetivo é que esses recursos centralizados forneçam benefícios aos pesquisadores no tratamento de questões científicas. O aplicativo está disponível aqui.

Com informações da UFRN

 

Adolescentes que não se identificam como heterossexuais são mais vulneráveis a depressão; sintomas a partir dos 10 anos

Foto: Marjan Apostolovic/Shutterstock

Jovens que se identificam como pertencentes a minorias sexuais – o que inclui os que se dizem gays, lésbicas, bissexuais, heterossexuais não exclusivos ou têm dúvidas sobre sua orientação sexual – experimentam mais sintomas depressivos e relatam mais casos de autoflagelação do que seus colegas de escola e início da idade adulta, aponta estudo que acompanhou quase 5 mil pessoas entre os dez e 21 anos no Reino Unido, publicado nesta terça-feira no periódico científico “The Lancet Child & Adolescent Health”.

Segundo a pesquisa, jovens de minorias sexuais têm quatro vezes mais chances de praticarem atos de autoflagelação entre os 16 e 21 anos que seus colegas heterossexuais, e também têm mais risco de sofrerem com sintomas de depressão a partir dos dez anos de idade. Levantamentos anteriores mostraram que anualmente entre 2001 e 2014, 37 de cada 10 mil garotas e 12 de cada 10 mil meninos do Reino Unido receberam tratamento por ferimentos autoinfligidos.

— É muito preocupante ver que apesar das mudanças na percepção e atitudes públicas, os jovens de minorias sexuais continuam sob um maior risco de problemas de saúde mental no longo prazo — resume Gemma Lewis, líder do estudo, do University College London. — Nossos achados destacam a importância de tratar a saúde mental em vista da autoidentificação e rotulagem de orientações sexuais minoritárias. É imperativo que encontremos novas maneiras de alcançar estes adolescentes e que eles tenham acesso a serviços de apoio de alta qualidade desde muito jovens.

Estimativas recentes apontam que uma em cada 25 pessoas com entre 16 e 24 anos no Reino Unido se identifica como gay, lésbica ou bissexual. Estudos anteriores também já tinham mostrado que jovens que se identificam como de minorias sexuais têm mais chances de ficarem deprimidos, se autoflagelarem e tentarem suicídio, mas poucas pesquisas avaliaram quando o risco destes problemas mentais se eleva, e como ele se desenvolve com o tempo.

Sintomas a partir dos 10 anos

Assim, no novo estudo, os pesquisadores analisaram dados de 4.843 adolescentes nascidos entre abril de 1991 e dezembro de 1992 integrantes de um levantamento maior, intitulado Estudo Longitudinal Avon de Pais e Filhos do Reino Unido (ALSPAC, na sigla em inglês) que relataram sua orientação sexual aos 16 anos. A grande maioria, 4.203, ou 87%, se disse heterossexual, enquanto 625, ou 13% se identificaram como pertencentes a minorias sexuais. Pouco mais da metade dos participantes (53%) é de mulheres.

Os sintomas depressivos destes jovens foram avaliados por meio de questionários sete vezes entre os dez e 21 anos, e questionários sobre práticas de autoflagelação foram respondidos aos 16 e 21 anos. Modelos estatísticos foram aplicados para comparar a ocorrência de sintomas de depressão e práticas de autoflagelação entre os grupos de minorias sexuais e heterossexuais desde o início da adolescência até a idade adulta ajustando para fatores como sexo, idade, nível de educação materna e classe social.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que os sintomas de depressão já eram mais comuns nos jovens de minorias sexuais a partir dos dez anos, se desenvolvendo rapidamente durante a adolescência e continuando até os 18 anos. A partir desta idade, no entanto, a ocorrência destes sintomas começa a cair especialmente entre os jovens das minorias sexuais. Os pesquisadores acreditam que isso acontece por um aumento da independência desses jovens, bem como mudanças em seus grupos de amigos.

Mas os resultados também apontam que os jovens de minorias sexuais tinham quatro vezes mais probabilidade de relatarem práticas de autoflagelação tanto aos 16 quanto aos 21 anos. Além disso, estes jovens tinham mais de quatro vezes o risco de se ferirem com intenções suicidas aos 21 que seus colegas heterossexuais.

Embora destaquem que o estudo é observacional, não permitindo assim tirar conclusões relativas a causa e efeito, os pesquisadores acreditam que a pior estado de saúde mental relatado pelos jovens de minorias sexuais se deve em parte a um meio social hostil e estressante para pessoas com sua orientação, relacionado a questões como estigma, preconceito e discriminação.

— A falta de modelos de pessoas pertencentes a minorias sexuais e a aceitação inquestionável de conceitos rígidos de comportamentos de gênero devem ser objetos de atenção nas escolas e na sociedade em geral — defende Gemma. — Temos que assegurar que os médicos e aqueles trabalhando na área de saúde mental estejam atentos a esta desigualdade e reconheçam as necessidades das minorias sexuais.

O Globo

 

Mãe suspeita de explodir casa e matar filhos apresentava quadro depressivo grave

A dentista brasileira Luciana Gioso, que teria provocado a explosão de sua casa em Castro Marim, no sul de Portugal, estava tomando medicamentos para controlar uma depressão grave. Na explosão, que aconteceu na última quarta-feira (22), além de Luciana, morreram seus dois filhos, de 11 e 13 anos. As informações são do jornal português Correio da Manhã.

Luciana, de 40 anos, teria avisado aos amigos mais próximos que pretendia acabar com sua vida, mas dizia que queria enviar primeiro os dois filhos ao Brasil. Amigos da dentista disseram ao jornal português que Luciana apresentava um quadro depressivo “muito grave” e estava sendo medicada.

“[Luciana] andava afastada das pessoas no trabalho e quando saía. Costumava tomar café sozinha e já não falava muito”, afirmou uma fonte próxima à família.

Brasileira suspeita de explodir casa com filhos mandou mensagem ao marido antes de incêndio em Portugal

Pouco antes da tragédia, a brasileira chegou a receber mensagens da mãe, pedindo para que ficasse calma.

Segundo o jornal português Publico, quando os agentes do Corpo de Bombeiros entraram no quarto de Luciana, que ainda pegava fogo, viram dois corpos, da mãe e da filha. Do outro lado da cama, encontraram o corpo do filho. A porta interior do quarto ficou intacta após a explosão. Já a porta que dava para o exterior foi projetada para a piscina.

Após analisar as primeiras provas, as fontes policiais começaram a suspeitar do acidente devido ao quadro depressivo da mãe das crianças. Segundo a imprensa portuguesa, Luciana teria jogado gasolina em alguns cômodos da casa e depois ateado fogo.

Luciana é natural de Franca (SP) e vivia há anos em Portugal. A dentista trabalhava em uma clínica ao lado de seu marido, que é português, na cidade Vila Real de Santo Antonio, próxima da fronteira com a Espanha.

Fonte: R7

Estresse e depressão podem diminuir o cérebro

Depressão e estresse crônico podem causar a perda de volume do cérebro, uma condição que contribui para insuficiências emocionais e cognitivas. Pesquisadores de Yale, em artigo publicado no jornal Nature Medicine, descobriram um dos motivos para isso ocorrer. Trata-se de uma espécie de interruptor genético que desencadeia a diminuição de conexões entre os neurônios.

As descobertas mostram que o interruptor reprime a expressão de genes necessários para a formação de conexões sinápticas entre células do cérebro, que por sua vez contribui para a perda de massa cerebral no córtex pré-frontal.

— Nós quisemos testar a tese de que o estresse causa a perta de sinapses cerebrais em humanos — disse o professor de neurobiologia e farmacologia Ronald Duman. — Mostramos então que circuitos normalmente envolvidos com a emoção, assim como a cognição, são interrompidos quando esta espécie de interruptor é ativado.

A equipe de pesquisadores analisou tecidos de pacientes deprimidos e não deprimidos doados de um banco de cérebros e procuraram diferentes padrões de genes. Os de deprimidos exibiram baixas taças de expressão nos genes necessários para o funcionamento e estruturas das sinapses. Autor principal do estudo, H.J. Kang descobriu que ao menos cinco destes poderiam ser regulados por um simples fator chamado GATA1. Quando ativado, os roedores que serviam de cobaias mostraram sintormas de depressão, sugerindo que tal fator tem um papel importante não apenas na perda de conexões entre neurônios, mas também nos sintomas da doença.

Duman acredita que as variações genéticas do GATA1 podem ajudar a identificar pessoas com risco alto de entrar em depressão ou muita sensibilidade para o estresse.

— Esperamos que estabelendo as conexões sinápticas consigamos desenvolver terapias mais eficientes.

Fonte: O globo

Cachoeira estaria deprimido por ter acreditado que aparelhos de comunicação eram a prova de grampo

Essa está no blog Panorama Político do colunista Ilimar Franco. De acordo com a nota, veiculada no jornal O Globo, o bicheiro Carlinhos Cachoeira está deprimido e o motivo não seria a abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), ou os desdobramentos que elas podem vir a revelar ou tampouco o tempo que está atrás das grandes. Longe disso.

O real motivo, apresentado pela coluna é que ele estaria arrependido por ter confiado na promessa de que os aparelhos de comunicação via rádio eram à prova de grampos. O verdadeiro “conto de Miami”.

Confira a nota:

O conto de Miami
O contraventor Carlinhos Cachoeira está deprimido. Preso com a deflagração da Operação Monte Carlo, está arrependido por ter confiando na promessa de que os aparelhos Nextel, distribuídos para a quadrilha, eram à prova de grampo.

Cientistas criam exame de sangue para detectar depressão em jovens

Hoje, médicos e psiquiatras fazem o diagnóstico da depressão com base no relato dos pacientes sobre seus sintomas – o que é algo totalmente subjetivo, ainda mais porque às vezes a tristeza tem motivo (perda de um ente querido, fim de um casamento etc.) e nem sempre isso é levado em conta.

Agora, pesquisadores da Northwestern University (EUA) desenvolveram uma opção que pode ser muito mais confiável: um exame de sangue capaz de diagnosticar a doença em adolescentes e diferenciar a depressão maior e a depressão maior combinada com ansiedade.

O teste, desenvolvido ao longo de um período de mais de 10 anos, pôde identificar mais de 25 marcadores genéticos (mais precisamente, no RNA mensageiro) para a depressão com base em estudos com ratos gravemente deprimidos e ansiosos (pois é, os bichos também podem ter dessas).

Estudos adicionais em seres humanos descobriram que muitos desses marcadores também são válidos para adolescentes humanos, e a combinação entre eles permitiu aos pesquisadores usarem o exame de sangue por si só para determinar com precisão quais dos voluntários estavam deprimidos e/ou ansiosos e quais estavam completamente sãos.

Mas uma das autoras do estudo, a professora de psiquiatria Eva Redei, disse ao site FoxNews.com que o teste não deve eliminar as conversas entre o médico e o paciente para o diagnóstico. A ideia é servir apenas como um complemento.  “O teste apenas ajuda a informar. Queremos dar aos pacientes deprimidos – e existem muitos – a mesma chance que nós estamos dando para quem sofre de diabetes, hipertensão e outras doenças para as quais existem exames”, explicou ela.

Vencendo estigmas

Segundo Redei, a meta de longo prazo é não apenas fornecer aos médicos uma ferramenta para diagnosticar pacientes de forma objetiva, mas também remover estigmas relacionados à depressão.  Ela explicou que há um pouco de vergonha associada à doença: como até então nao havia um exame como os que existem para diabetes e coisas do tipo, os pacientes muitas vezes não encaram a depressão como uma doença de fato e se sentem culpados por nao conseguirem melhorar o próprio humor. Um exame de sangue comprovando que o problema está em parte enraizado na genética, fora do controle do paciente, pode ajudar.

O teste também pode ajudar muito no tratamento da doença, permitindo entender por que alguns medicamentos funcionam para alguns pacientes e não para outros. “Hoje, mesmo os melhores psiquiatras não podem fazer nada mais do que prescrever de um a três diferentes tipos de medicamentos ou tratamentos baseados na experiência prévia e de tentativa e erro“, disse ela.

Fonte: Superinteressante