Esporte

EFEITO PANDEMIA: “O futebol brasileiro está caminhando a passos largos para quebrar”, alerta presidente do Atlético-MG

Presidente Sette Câmara, do Atlético-MG — Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG

A onda da Covid-19 que avassalou o futebol mundial ainda não tem hora para recuar. A falta de perspectivas de retorno dos jogos, e até mesmo em que condições isso acontecerá, assusta os dirigentes do futebol brasileiro. O Atlético-MG foi um dos clubes que tentou se preparar para o Tsunami de forma antecipada, com redução de salários, férias antecipadas dos jogadores, corte de pessoal e gastos e retorno aos treinos. O presidente do clube, Sérgio Sette Câmara, entretanto, não conseguirá ter noites de sono tranquilas em um curto prazo.

O mandatário, um dos líderes da Comissão Nacional de Clubes, que debate periodicamente o futuro do futebol brasileiro com a CBF, traça um quadro geral alarmante do esporte mais popular em terras brasileiras. Sem receitas de jogos, exposição de marcas, vendas de direitos de televisão, e com os boletos batendo à porta mensalmente, a conta não fecha.

“O futebol brasileiro está caminhando a passos largos, na minha opinião, para quebrar” – Sérgio Sette Câmara.

O advogado e presidente do Atlético desde dezembro de 2017 foi o convidado do podcast GE Atlético nessa quinta-feira e tentou cristalizar o cenário em que se encontra não só o Galo, mas praticamente todos os clubes profissionais do país. Ele defende a união das agremiações, até mesmo com a criação de uma nova associação. Algo que chegou a existir com o finado Clube dos 13.

Até lá, entretanto, os trabalhos são para definir a volta da bola rolando. Na Europa, já há sinalizações positivas. O Alemão já recomeçou. A Premier League retorna em 17 de junho. Dias depois, será a vez do Campeonato Italiano. Porém, impossível deliberar sobre datas no Brasil. É o que relata o dirigente. Além disso, Sette Câmara enfatiza que os jogos oficiais sendo disputados novamente não serão a solução final para a crise econômica agravada nos clubes.

– Se ilude quem acha que a volta do futebol irá resolver os problemas. Não vai. Não teremos bilheteria (jogos de portões fechados) e teremos despesas. O time terá de viajar, terá que pagar viagem de avião, hotel, terá que pagar… A ficha ainda vai cair ainda para a maioria das pessoas, inclusive na imprensa. Bom colocar as barbas de molho. Tenho falado disso há tempos, mas muitos me criticam, falam que estou exagerando.

“Eu participo de grupos com outros presidentes, tenho conversado na CBF. E a verdade é que ninguém tem perspectiva de volta. E quando voltar, o que vier de receita não será suficiente para as despesas dos clubes. Estamos caminhando para uma situação dificílima”.

Se as conversas com a CBF e outros clubes não são capazes ainda de traçar uma projeção de volta dos jogos, o diálogo a nível estadual sequer existe com a Federação Mineira. Não é a primeira vez que Sette Câmara reclama de falta de comunicação da FMF com o Galo. A entidade até fará reunião em 10 de junho com a secretaria de saúde estadual, justamente para debater o retorno do Módulo I do Mineiro, paralisado após a nona rodada (faltam seis datas).

– Gosto do Adriano (Aro, presidente da FMF). Acho que é um rapaz bacana, competente. Mas nessa parte aí eu não estou entendendo. O Atlético é o time hoje, queira ou não, mais importante filiado da Federação Mineira. É o único clube mineiro na Série A. Não estou aqui querendo criticar, mas acho que falta uma atenção com um clube tão importante quanto o Atlético por parte da Federação, no sentido de nos dar ao menos uma luz. “O campeonato não vai voltar, vai voltar, o que você acha?”. Mas tudo bem. Não tem problema. Acho que a gente vai acabar mais adiante conversando. Também não tem perspectiva mesmo, né? Estamos aí fazendo conjectura.

Enquanto espera e se prepara para voltar a disputar o Campeonato Mineiro e iniciar o Brasileirão com Jorge Sampaoli e Alexandre Mattos no comando da equipe, o Atlético precisa pagar as contas. Conseguiu diminuir os atrasos salariais. Preocupação primária do clube que traçou demissão de mais de 50 funcionários.

“Não existe como você ter uma afirmação: ‘Vai acontecer isso, é assim que vai ser’. É um quadro angustiante. Tenho passado muitas noites sem dormir. Ou você acha que é fácil eu levantar e descer a caneta mandando 50, 60, 70 pais de família embora? É duro demais”.

Por falar em salários, o presidente do Galo toca em outro ponto: a Lei Pelé prevê que um atleta profissional possa se desvincular de um clube após três meses sem receber salários (incluindo o que recebe de direitos de imagem). Como atrasos salariais são previstos de forma categórica nos clubes, um efeito dominó seria jogadores de grande valor de mercado ficando livres, e os clubes perdendo patrimônios milionários.

– O que me preocupa muito, e isso é questão a ser discutida a nível nacional, é sobre direitos federativos e econômicos dos atletas. Sabemos que depois de três meses de atraso no salário ou imagem o atleta passa a ter direito de entrar em juízo para desfazer o vínculo. E vários atletas, do Atlético inclusive, custaram verdadeiras fortunas. A ideia de fazer a contratação do atleta é fazer, colocar a camisa do clube, ter o retorno técnico e também financeiro. É um patrimônio. E a receita de TV e de venda de atletas são as maiores. Muitas vezes, em casos mais recentes, a venda de direitos econômicos superou a receita da televisão. Então, como vai ser isso? Como pagar salário quando não tem receita?

Veja outras respostas de Sette Câmara:

Despesas na volta do futebol

– Se nós voltarmos o campeonato, tem o custo dos testes também, tá? Não vamos esquecer isso, não. Um clube que tenha que fazer jogos em um espaço de tempo menor, em 48h, essa possibilidade apareceu, caso voltassem os torneios sul-americanos, um clube gastaria em média R$ 300 mil só de testes. A gente voltou (a treinar) porque eu tenho que ter fé e esperança de que nosso negócio futebol uma hora vai voltar. E a gente pretende estar preparado pra essa volta. Mas, quando você olha pro quadro atual do país, o número de mortes aumentando… Tudo bem, voltou o comércio, mas as aglomerações seguem proibidas.

Volta aos treinos como “esperança”

Estamos trabalhando na esperança de que alguma coisa clareie, para a gente poder voltar. Eu sei, como eu disse, que mesmo voltando os jogos não vai resolver nosso problema. A crise vai continuar batendo na porta. Mas nós vamos, pelo menos, ter a possibilidade de buscar patrocínio, etc. O que está acontecendo? Os patrocinadores estão correndo, porque não tem cabimento ficar pagando patrocínio pra um clube e não aparece a marca na camisa, não aparece na televisão. Se pelo menos voltasse o futebol, neste aspecto alguma coisa poderia acontecer. A gente mesmo tem uma possibilidade de patrocínio aí, não é só o Atlético, é uma coisa pra Atlético, Cruzeiro e América, que disse que pode vir a nos dar um apoio, mas condiciona à volta do futebol. São situações que vamos ter que equacionar.

“Também não posso enfrentar o mundo querendo impor que aconteça determinado tipo de campeonato, que volte os jogos, e assumir o risco de amanhã ser responsabilizado por torcedores, jogadores ou parentes infectados. É uma situação realmente muito difícil”.

Mudanças na lei para proteger os clubes

– Eu acredito que pra isso acontecer vamos ter que estar fazendo um acordo que envolva os próprios atletas, sindicados, e não sei se vamos encontrar eco na maioria deles. A gente sabe que tem gente que é muito consciente nesse meio, mas tem outros que não, que não estão nem um pouco preocupados e querem saber de receber o seu. Isso é muito complexo, porque envolve a legislação específica de cada país. Aqui temos a Lei Pelé, a Fifa teria que entrar dando um respaldo. A gente sabe que a Fifa olha pro futebol muito com olhos da Europa. O futebol sul-americano não é a prioridade. O futebol lá está voltando aos poucos. Aqui, o quadro é diferente. O Brasil caminha a passos largos pra ser, se não o primeiro, o segundo país do mundo com maior número de infectados, e espero que não, mas também de pessoas que venham a óbito. Essa é uma situação que pode ser. Eu já vinha, um tempo atrás, eu uma grande reunião, com vários presidentes, pedido pra se incluir esse tema na pauta. Mas, não sei por que cargas d’água, a coisa não foi levada adiante.

Buscar receitas no deserto de fontes

– Vai chegar uma hora que nenhum clube vai ter mais receita nenhuma, não vai ter de onde tirar. Agora, com a volta do futebol na Europa, de repente a gente consegue fazer a negociação de algum atleta. Aí sim. Se a gente conseguir isso aí, a gente dá um respiro. Que é, na verdade, pra sobreviver. O foco é conseguir passar por esse momento difícil com menos arranhões possível. Por isso temos tomado medidas que infelizmente são impopulares. Mas você tem que olhar pro clube em primeiro lugar. Temos trabalhado muito em cima do negócio chamado fluxo de caixa. Se você não toma medidas duras pra fazer com que a coisa aconteça até o fim do ano, você fica pelo caminho. E creio que alguns clubes não estão tendo o mesmo tipo de zelo que estamos tendo aqui no Atlético. E vocês vão ver que, durante o ano, muita coisa complicada vai acontecer. Espero que a gente esteja fora.

União dos clubes e linha de crédito

– Temos que criar rapidamente uma associação dos clubes de futebol. Não estou falando que é uma liga, é diferente. Mas é ter uma associação com gente com competência executiva, empresarial, à frente, para defender os interesses dos clubes como um todo, em bloco. Para buscar junto às entidades, e aí falo de Governo, as soluções para o nosso futebol. O futebol brasileiro hoje é responsável por 2% do PIB, ele dá inúmeros empregos diretos e indiretos, talvez milhões. Incluindo a imprensa, por exemplo. Mas cadê os nossos políticos para defender os interesses do futebol? Tem um Projeto de Lei que está andando, mas é pra quebrar o galho de alguma coisa do Profut. Mas não vai resolver o problema. Futebol precisa de linha de crédito, igual os artistas conseguiram recentemente. O futebol precisa abrir também, os políticos terão de fazer isso para os clubes sobreviverem.

Globo Esporte

Opinião dos leitores

  1. amém, sonho com esse dia que essa leseira vai se acabar. Um professor estuda 5 anos, mais 2 no mestrado, mais 4 no doutorado pra ganhar pouco enquanto um monte de analfabeto corre atrás de uma bola para ganhar milhões, esse é o brasil!

  2. Depois que começaram a moda dos supersalários, tem mais é que se lascar. Na pegada que vinha, Palmeiras, Flamengo (e algum outro com patrocínio de financeira) iriam disparam na frente, e o resto ia ficar se matando por uma vaga no G4.
    Triste fim, poderiam se espelhar em algumas ligas estadunidenses e seus tetos.

  3. Quebrado já está há muito tempo, agora o momento é apenas de reconhecer o atual estado falimentar.

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Geral

PRINTS: Médica admite erro em prescrição que causou morte de criança

Imagens: Portal Vizinho TV

Uma médica admitiu ter errado a prescrição que resultou na morte de Benício Xavier de Freitas, 6 anos, após o menino receber uma dose de adrenalina aplicada de forma equivocada em um hospital particular de Manaus (AM). O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas.

Benício havia sido levado à unidade no último fim de semana com tosse seca e suspeita de laringite. A médica recomendou lavagem nasal, soro e três doses de adrenalina de 3 mg cada, a serem aplicadas por via endovenosa, em intervalos de 30 minutos. A equipe de enfermagem seguiu a prescrição.

Mensagens obtidas pelo Portal Vizinho TV mostram a médica assumindo o erro ao chefe de plantão:
“O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição.”

Ela afirma ainda que havia prescrito inalação com adrenalina, mas a aplicação foi feita na veia: “Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’. O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente.”

A mãe da criança acusa o hospital de negligência. “Ela não sabia o que fazer, não saía do telefone. A impressão é que alguém estava orientando pelo telefone, porque ela não sabia como agir”, disse ao Imediato Online.

O pai afirma aguardar esclarecimentos. “Só buscamos a verdade, a justiça. Quem errou, que sofra as consequências.” A Polícia Civil já ouviu familiares e profissionais envolvidos e segue investigando o caso.

Com informações de Metrópoles

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Geral

Líder do PT diz que Tarcísio usa defesa da anistia para buscar votos de Bolsonaro

Foto: Lula Marques | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou nesta sexta-feira (28) a posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a anistia aos condenados do 8 de Janeiro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o petista afirmou que Tarcísio defendeu o tema apenas para se aproximar do eleitorado bolsonarista após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A declaração de Zarattini ocorreu depois de Tarcísio pedir, na terça-feira (25), que o Congresso avance na anistia durante evento com prefeitos no Palácio dos Bandeirantes. Segundo o deputado, o gesto ocorreu porque o governador pretende disputar a Presidência em 2026. “Ele sabe que só com o centrão ele não vai a lugar nenhum”, afirmou.

Zarattini também criticou a gestão estadual e disse que Tarcísio deveria apresentar resultados em São Paulo antes de entrar no debate nacional. O governador segue na defesa de sua reeleição em São Paulo e afirma que o campo da centro-direita deverá apresentar um plano conjunto para 2026.

A prisão do ex-presidente aumentou a pressão dentro da direita por um nome competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

InfoMoney

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Voto de Moraes prevê que cinco PMs réus por omissão no 8 de janeiro paguem R$ 6 milhões, cada um, de indenização

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para condenar cinco dos sete policiais militares do Distrito Federal réus por omissão no 8 de Janeiro. No voto, o relator do processo defendeu que, caso sejam condenados, os cinco PMs paguem R$ 6 milhões, cada um, de indenização por danos morais coletivos.

Durante o processo, os réus tiveram bens, como imóveis e carros, bloqueados. Moraes votou para absolver Flávio Silvestre e Rafael Pereira. Em relação aos outros réus, o ministro defendeu a condenação a 16 anos de prisão e ao pagamento de R$ 30 milhões de forma solidária por danos morais coletivos, além da perda dos cargos públicos.

O voto de Moraes foi publicado no julgamento da cúpula da PMDF por suposta omissão no 8/1, iniciado nessa sexta-feira (28/11).

São réus nesse processo:

  • os coronéis Fábio Augusto Vieira, então comandante-geral da PMDF;
  • Klepter Rosa Gonçalves, então subcomandante-geral da PMDF;
  • Jorge Eduardo Barreto Naime, ex-chefe do Departamento de Operações;
  • Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra;
  • Marcelo Casimiro Vasconcelos;
  • além do major Flávio Silvestre de Alencar;
  • e do tenente Rafael Pereira Martins.

Segundo Moraes, “a necessidade de indenização pelos danos advindos da prática dos crimes é indiscutível nos autos”.

O ministro ainda afirmou no voto que “o 8/1 foi facilitado pela “omissão dolosa de autoridades responsáveis pela segurança institucional”, e que os integrantes da cúpula da PMDF teriam “aderido, de forma dolosa e consciente, aos propósitos golpistas dos insurgentes, omitindo-se na adoção de medidas preventivas e operacionais, mesmo detendo posição funcional de garantidores e plenas condições de atuação”.
Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Seis milhões? Para um PM? Tá fácil, fácil pagar…..com o salário de 1 mês eles pagam isso. Ridículo! Acostumados a viver do dinheiro alheio, esses ministros acreditam que todo mundo tem acesso fácil aos milhões

  2. Esse homem é patético. É tão ridículo que chega a ser engraçado. Dano moral coletivo é o que esse pateta deverá pagar ao brasileiro daqui a pouco tempo. Esperemos!

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VÍDEO: Motoentregador explica como foi agredido em frente a condomínio em Parnamirim; homem envolvido na confusão dá outra versão

Imagens: RN News

O motoentregador agredido por um homem em Parnamirim na tarde deste sábado (29) comentou sobre o ocorrido. “Revoltante, a gente sai pra trabalhar e um cara desse chega humilhando, dizendo que tem mais do que eu, que é melhor do que eu porque tem um apartamento”, disse o motoentregador João Vitor que também relatou que o homem ainda quebrou a moto dele.

“Fui fazer uma entrega para uma cliente, cheguei, falei com o porteiro e esse cara veio de dentro do condomínio já me chamando de boiola, querendo saber de quem era a entrega, falando alto, e eu mandei ele calar a boca. Ele parecia muito alterado. Ele deve ter se sentido ofendido, voltou, passou pela porta do condomínio, chegou perto de mim, deu uma cabeçada e começou a me bater. Nessa hora, pra mem defender, bati nele também e corri”, detalhou o motoentregador.

Homem que agrediu motoentregador dá outra versão do ocorrido

O homem que aparece agredindo o motoentregador se chama Micael. Ele deixou o condomínio após o episódio. Em seguida, gravou um vídeo que circula nas redes sociais, afirmando ter sido agredido primeiro pelo motoentregador após ter feito uma ‘piada de mau’ e que ‘apenas se defendeu’. Ele ainda pediu desculpas à família do motoentregador e à própria família, mas enfatisou que o pedido era somente pela piada feita e não pelas agressões físicas. Veja o vídeo abaixo:


Imagens: Via Certa Natal

Opinião dos leitores

  1. Moto entregador e moto Uber é uma raça de indivíduos violentos e agressivos, esse, levou a pior.

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3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica em 2025, mostra pesquisa do DataSenado

Foto: Arquivo EBC

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, realizada pelo DataSenado, mostra que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar neste ano. O estudo ouviu mais de 21 mil mulheres entre maio e julho e, apesar da leve redução em relação a 2023, o cenário segue alarmante.

Agressões presenciadas por crianças

Um dos dados mais graves é a alta presença de testemunhas durante as agressões. Sete em cada dez vítimas (71%) afirmam que havia outras pessoas por perto — e a maioria eram crianças, muitas delas filhas das próprias vítimas. Mesmo assim, 40% dos casos não receberam qualquer ajuda de quem presenciou.

Reincidência e início precoce

A violência costuma ser recorrente. Cerca de 6 em cada 10 mulheres vivem agressões há menos de seis meses, enquanto 21% relatam sofrer há mais de um ano. Os episódios também começam cedo: 38% foram agredidas pela primeira vez antes dos 19 anos.

Percepção x vivência

A pesquisa detectou um descompasso entre o que as mulheres entendem como violência e o que de fato enfrentam.

“A pesquisa é dividida em dois blocos… a partir dali, começa um bloco das mulheres que viveram de fato a violência”, explicou Maria Teresa Prado, coordenadora do OMV.

Embora 33% das entrevistadas tenham vivenciado ao menos uma das 13 formas de violência listadas, muitas não se reconhecem como vítimas quando perguntadas diretamente. Entre os casos mais graves, 17% ainda convivem com o agressor — índice que sobe para 19% entre mulheres fora da força de trabalho.

Avanço da violência digital

A violência também migra para o ambiente virtual. Uma em cada dez mulheres (10%) declarou ter sofrido agressões digitais, como ofensas recorrentes, invasão de contas ou criação de perfis falsos.

Por que não denunciam

A maioria das vítimas não procura ajuda formal. As principais razões para não denunciar incluem:

  • preocupação com os filhos (17%),

  • descrença na punição (14%),

  • esperança de que a agressão não se repetisse (13%).

As redes informais — amigos, familiares e igrejas — permanecem como os principais pontos de apoio, enquanto a procura por delegacias da mulher ou serviços oficiais, como o Ligue 180, segue baixa.

Percepção sobre o país e a Lei Maria da Penha

A sensação geral é de agravamento: 79% das brasileiras acreditam que a violência contra a mulher aumentou no último ano, e 71% consideram o Brasil um país muito machista. Apesar de a maioria conhecer a Lei Maria da Penha, apenas 19% dizem conhecer bem a legislação — e a confiança na proteção oferecida pela lei caiu em comparação com 2023.

Medidas protetivas

A pesquisa avaliou ainda o uso de medidas protetivas. A maioria das vítimas (62%) não solicitou nenhuma. Entre as que pediram, 17% afirmaram que a medida foi descumprida e 20% disseram que a proteção foi totalmente observada.

Com informações de Congresso em Foco

Opinião dos leitores

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R$ 807 MILHÕES: Por Messias no STF, Lula prioriza liberação de emendas de bancadas de Alcolumbre e relator

Foto: Vinicius Schmidt/ Metrópoles

O governo Lula intensificou o pagamento de emendas do chamado orçamento secreto para tentar reduzir a resistência à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Desde 20 de novembro, quando o nome foi anunciado, o Planalto liberou R$ 807 milhões, sendo R$ 699 milhões (86,57%) em emendas de bancadas e comissões — modalidades sem autoria individual identificável.

Os principais beneficiados foram as bancadas do Maranhão, base do relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT), que recebeu R$ 119,6 milhões, e do Amapá, estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que obteve R$ 65,2 milhões. Juntos, eles concentram 22,9% de todo o valor liberado. Emendas de comissões somaram R$ 213,8 milhões, enquanto apenas R$ 108,4 milhões (13,43%) foram de emendas individuais.

Esta é a radiografia dos R$ 807,4 milhões em emendas pagos desde a indicação de Messias, até o dia 27/11:

  • R$ 108,4 milhões em emendas individuais
  • R$ 481,2 milhões em emendas de bancada (RP7), sendo R$ 119,6 milhões para o MA e R$ 65,2 milhões para o AP.
  • R$ 213,8 milhões em emendas de comissão (RP8)
  • R$ 3,9 milhões em emendas de relator (RP9).

Messias precisa de 41 votos no Senado, mas enfrenta forte resistência, impulsionada pelo próprio Alcolumbre, que defende a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. A votação está marcada para 10 de dezembro, mas Lula ainda não enviou a indicação formal.

Nos bastidores, senadores temem que Lula fortaleça sua influência no STF e avance sobre o controle das emendas parlamentares, que hoje dominam parte significativa do Orçamento federal. A disputa expõe o embate entre Executivo e Legislativo pelo poder sobre as contas públicas.

Com informações de Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Que é país de certos vagabundos é esse Brasil, a corrupção a céu aberto, negociando interesses particulares com dinheiro do povo, pra comprar políticos sem caráter. Vergonha vergonha e vergonha dessa situação do Brasil, isso é imoral.

  2. Bandalheira geral. País esculhambado, cheio de malandros e bandidos. E muitos canalhas aplaudindo.

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VÍDEO: Motoentregador é agredido enquanto trabalhava em Parnamirim

Um motoentregador foi agredido enquanto trabalhava na tarde desde sábado (29). A agressão aconteceu em frente ao Condomínio Ideal Vila Nova, no Parque das Árvores, Parnamirim.

O homem sem camisa partiu pra cima do motoentregador desferindo socos, enquanto o trabalhador tentava se afastar.

Segundo informações do Via Certa Natal, a Polícia Militar esteve no local mas não localizou o agressor. De acordo com moradores, ele reside no condomínio.

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Tornozeleira e proibição de exercer atividades financeiras: as restrições impostas a Daniel Vorcaro

Foto: Fraga Alves/Metrópoles

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogou na sexta-feira, 28, a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro e de outros quatro investigados pela Polícia Federal no caso envolvendo o Banco Master.

Eles foram detidos diante da revelação de fraudes que somam mais de R$ 12 bilhões. A desembargadora Solange Salgado, do TRF1, no entanto, considerou que os crimes cometidos não representam violência ou grave ameaça e que “não há demonstração de periculosidade acentuada ou de risco atual à ordem pública” que justifiquem a manutenção da prisão preventiva.

Agora, os investigados terão de cumprir uma série restrições:

  • entrega dos passaportes à Polícia Federal;
  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • recolhimento domiciliar no período noturno;
  • proibição de deixar a cidade sem autorização da justiça;
  • proibição de manter contato entre si e com testemunhas;
  • proibição de exercer atividades financeiras;
  • comparecimento periódico em juízo.

Além de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, outros quatro diretores da instituição foram soltos por força da decisão: Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; Augusto Ferreira Lima, CEO no Master até o início das negociações para a venda do banco, em março deste ano; Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, diretor; e Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, RH, operações e tecnologia.

Na semana passada, a desembargadora Solange Salgado chegou a negar o habeas corpus de Vorcaro. Seus advogados tentaram soltar o empresário no Superior Tribunal de Justiça e até no Supremo Tribunal Federal, sem sucesso.

A defesa dele alegou “risco de morte” na prisão. Na segunda passada, 24, ele foi transferido da Custódia da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos (Grande São Paulo), presídio da rede penal estadual. Nesse mesmo dia, a defesa ingressou com o pedido de reconsideração à desembargadora.

Estadão Conteúdo

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Geral

Operação Zero Álcool prende idosos de 63 e 66 anos pilotando motos embriagados na Grande Natal

Foto: CPRE

O Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), por meio do Batalhão Rodoviário, registou duas prisões de idosos pela mistura de álcool e direção na noite dessa sexta-feira (28) em dois municípios da Grande Natal. Ambos pilotavam motos.

Em São José de Mipibu, um idoso de 66 foi submetido ao teste de alcoolemia e apontou valor de 0.39mg/l.

Já na cidade de São Gonçalo do Amarante, outro de 63 anos recebeu voz de prisão após o “bafômetro” apontar 1.03mg/l, mais que três vezes o limite legal que configura crime.

Eles foram encaminhados à Central de Flagrantes e autuados com base no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

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Geral

VÍDEO: Após 12 dias preso, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é solto com tornozeleira eletrônica

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi solto com tornozeleira eletrônica na manhã deste sábado (29). O banqueiro deixou o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (SP) em um carro particular.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária informou que a medida é resultado da revogação da prisão preventiva de Vorcaro pelo TRF (Tribunal Regional Federal), nesta sexta-feira (28). A desembargadora Solange Salgado determinou que ele seja colocado em liberdade com monitoramento eletrônico.

Além da tornozeleira, Vorcaro deve se apresentar a justiça periodicamente, não pode ter contato com os demais investigados, não pode sair do município onde mora, não terá o passaporte de volta e está suspenso de exercer atividades de natureza financeira.

O banqueiro foi preso pela Polícia Federal no último dia 17 de novembro, por volta das 22h, no Aeroporto de Internacional de Guarulhos, quando viajaria para Dubai para fechar negócios. Vorcaro foi encaminhado para uma sela na superintendência da PF. A defesa de Vorcaro afirmou que, neste momento, não irá se manifestar.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Deve ter lido umas 100 livrarias pra redução de pena. No Brasil tudo é possível, até morrer várias pessoas em determinados casos, como foi o do Celso Daniel.

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