EUA abrem 4,8 milhões de vagas em junho, acima da expectativa. Taxa de desemprego cai para 11,1%

Foto: John Sommers II / AFP

A economia dos Estados Unidos voltou a apresentar sinais positivos, com a criação de vagas de emprego em ritmo recorde em junho, à medida que mais restaurantes e bares retomaram as operações, em mais uma evidência de que a recessão causada pela pandemia do novo coronavírus provavelmente já passou, embora um aumento nos casos de Covid-19 ameace a recuperação.

Segundo o relatório do Departamento de Trabalho dos EUA divulgado nesta quinta-feira, a criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola chegou a 4,8 milhões em junho. Esse foi o maior salto desde que o governo começou a manter registros, em 1939.

Em maio, haviam sido criados 2,699 milhões de postos de trabalho. A previsão de economistas consultados pela Reuters era de que seriam cradas 3 milhões de empregos no mês passado.

Ainda de acordo com o relatório, a taxa de desemprego nos Estados Unidos surpreendeu e recuou no mês passado mais de dois pontos percentuais, ficando em 11,1%. Em maio, já havia caído a 13,3%, após atingir em abril o maior patamar pós-Segunda Guerra Mundial (14,7%).

Em outro boletim divulgado nesta quinta-feira, o Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de seguro-desemprego no país continuam em um patamar acima de um milhão. Na semana encerrada no dia 27 de junho, totalizaram 1,427 milhão, abaixo do total de solicitações registradas na semana anterior, encerrada no dia 20, que foi de 1,482 milhão.

Os dados de emprego somam-se a uma série de dados positivos, incluindo gastos do consumidor, que mostram forte recuperação da atividade.

Donald Trump comemora números do emprego

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump comemorou os dados sobre emprego, que, segundo ele, provam que a economia dos EUA está se recuperando com força.

— O anúncio de hoje prova que nossa economia está voltando com tudo — disse Trump, destacando diferentes setores que obtiveram ganhos de empregos, de acordo com o relatório mensal. — Esses são números históricos.

Apesar dos novos casos de Covid-19, Trump disse que espera ver bons números de emprego nos próximos meses e que o relatório do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, dias antes das eleições presidenciais de novembro, também será forte.

O relatório desta quinta-feira, disse o presidente americano, “sugere que os trabalhadores estão confiantes em encontrar um novo emprego”. Ele acrescentou, no entanto, que a Casa Branca e o Congresso continuam a negociar outra rodada de estímulo, frequentemente chamada de “Fase 4”, para ajudar a economia a lidar com a pandemia, que agora está em seu quarto mês.

Freio na reabertura da economia

No entanto, a reabertura de empresas, que estavam fechadas desde meados de março, desencadeou uma onda de infecções por coronavírus em grandes partes do país, incluindo os populosos estados da Califórnia, Flórida e Texas.

Vários estados estão reduzindo ou interrompendo a reabertura desde o fim do mês passado e mandaram alguns trabalhadores para casa. O impacto dessas decisões não apareceu nos dados de emprego de junho, pois o governo pesquisou empresas no meio do mês.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reconheceu nesta semana a recuperação da atividade, dizendo que a economia “entrou em uma nova fase importante e (o fez) antes do esperado”. Mas Powell alertou que a perspectiva “é extraordinariamente incerta” e dependerá de “nosso sucesso em conter o vírus”.

O aumento do emprego se deve em parte ao fato de as empresas estarem recontratando os trabalhadores que foram demitidos quando negócios não essenciais, como restaurantes, bares, academias e consultórios odontológicos, entre outros, foram fechados para retardar a disseminação da Covid-19.

Economistas atribuíram a explosão de ganhos de postos de trabalho ao programa do governo que concede empréstimos às empresas que podem ser parcialmente perdoados se usados para pagar os salários dos funcionários. Esses fundos estão secando.

Em uma economia que já havia entrado em recessão em fevereiro, muitas empresas, incluindo algumas que não foram impactadas inicialmente pelas medidas de isolamento, estão enfrentando uma demanda fraca.

Economistas e observadores do setor dizem que isso, juntamente com o esgotamento dos empréstimos do programa do governo, desencadeou uma nova onda de demissões que mantém semanalmente novos pedidos de auxílio-desemprego extraordinariamente altos.

O Globo