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EXPOSIÇÃO VIRTUAL: Revista Época e uma excelente reportagem sobre sexo, chantagem e internet

As estudantes Giana Laura, de 16 anos, e Júlia Rebeca, de 17 anos, nunca se conheceram. Separadas pela extensão geográfica do país – Giana em Veranópolis, Rio Grande do Sul, e Júlia em Parnaíba, litoral do Piauí –, suas histórias se cruzaram nas manchetes da imprensa, por causa de um desfecho trágico. Com apenas quatro dias de diferença, as duas jovens se mataram, pela mesmíssima razão. Elas haviam descoberto que imagens íntimas delas, compartilhadas com pessoas em quem confiavam, se multiplicavam pela internet. Envergonhadas e desesperadas, totalmente inexperientes, decidiram fugir de uma situação que lhes parecia intolerável. Ao escolher o suicídio, tornaram-se vítimas, mais um par de vítimas, de um perigo assustadoramente próximo da nova geração: a exposição excessiva na internet, e suas terríveis consequências.

As circunstâncias em que as imagens foram divulgadas ainda estão sob investigação. A polícia de Parnaíba apura como um vídeo de poucos segundos, em que Júlia aparece numa relação sexual com uma jovem e um rapaz, se difundiu num aplicativo de bate-papo usado em celulares, o WhatsApp. “É provável que ela mesma tenha compartilhado com alguns amigos num grupo do aplicativo”, afirma o delegado Rodrigo Moreira Rodrigues, da Delegacia Regional da Polícia Civil de Parnaíba. Em Veranópolis, a polícia suspeita que um amigo de 17 anos de Giana enviou a alguns colegas uma imagem da garota com os seios desnudos, capturada por webcam numa conversa entre eles, há seis meses.

As mortes de Giana e Júlia soam como tragédias repetidas. Casos semelhantes se sucedem em outros países. Nos Estados Unidos, Jesse Logan, de 18 anos, se suicidou, em 2008, depois que seu ex-namorado divulgou fotos nuas feitas por ela. No ano seguinte, Hope Witsell, de apenas 13 anos, tomou a mesma decisão quando fotos dela seminua foram divulgadas em sua escola, e ela virou alvo de bullying. Com o acesso quase universal a celulares e tablets, divulgar flagrantes de momentos privados é uma questão de poucos – e irresistíveis – cliques. Fotos que revelam o corpo e vídeos de momentos a dois são capturados por câmeras cada vez mais poderosas e enviados ao parceiro ou pretendente, como parte do jogo de sedução. Ou como prova de confiança. A prática, comum entre adolescentes no mundo inteiro, ganhou até nome: “sexting”, um neologismo formado pela mistura das palavras sexo e texting (o ato de mandar mensagens de texto pelo celular).

O sexting seria inofensivo não fosse por uma fatalidade estatística: muitas dessas imagens acabam divulgadas publicamente e viram motivo para linchamento moral. Algumas vítimas não suportam a humilhação e fazem o que fizeram Júlia e Giana. Quem resiste à brutal exposição e à torrente de piadas descreve a experiência como devastadora. “Ele tirou minha vida, não tenho mais vida. Não consigo sair, não consigo estudar, trabalhar”, disse ao programa Fantástico, da TV Globo, uma jovem de 19 anos de Goiânia conhecida como Fran. Ela acusa um ex-parceiro (ele nega) de ter divulgado no WhatsApp vídeos e fotos em que ela se expõe nua para ele, fazendo gestos alusivos a sexo. As imagens se espalharam pela internet e começaram a ser imitadas de forma jocosa até por pessoas famosas, sempre associadas ao nome da jovem. Fran disse que teve de deixar o emprego como vendedora de loja, afastou-se da faculdade e mudou de aparência, na tentativa de não ser mais reconhecida nas ruas.

O potencial de que novos casos se repitam é enorme. Parece quase impossível manter imagens íntimas a salvo do olhar público, uma vez que elas sejam feitas. Uma análise da Internet Watch Foundation sugere que, de todo o material feito de forma amadora e encontrado em sites, 88% fora distribuído sem o consentimento de seus autores. O vazamento pode ser até obra de hackers, que invadem arquivos digitais e espalham imagens por sites na internet. As celebridades costumam estar entre as principais vítimas. Em muitos casos, o perigo está onde menos se espera: os responsáveis pela divulgação têm a confiança da própria vítima. É o paquera cuja conquista decide exibir para amigos. Um ex-namorado ou ex-marido magoado, que torna públicas as lembranças de tempos mais felizes – e íntimos. As vítimas quase sempre são mulheres. Além de imagens, costumam ser divulgados o perfil em redes sociais, números de telefone e outras informações que permitem identificar onde a vítima mora. “É um desejo de onipotência do agressor”, diz o psicólogo José Leon Crochík, da Universidade de São Paulo. “Ao divulgar essas imagens, ele quer mostrar que domina o outro, que pode destruí-lo pela ridicularização.”

O vazamento de imagens é proporcional ao tamanho do fenômeno. Um levantamento da consultoria de tecnologia eCGlobal Solutions, com quase 2 mil brasileiros de mais de 18 anos, revela que 32% dos homens já enviaram fotos em que aparecem nus e 17% já mandaram vídeos. Entre as mulheres, 29% compartilharam imagens em que aparecem sem roupa, e 9% vídeos. Em 2012, o Portal Educacional entrevistou quase 4 mil estudantes com idades entre 14 e 17 anos. Entre eles, 6% afirmaram já ter mostrado partes íntimas do corpo para desconhecidos por meio da webcam ou ter aparecido nus ou seminus em fotos na rede. Apesar de a incidência entre jovens ser menor, ela é mais preocupante. “Eles têm mais dificuldades de medir consequências e são mais impulsivos”, afirma o psiquiatra Jairo Bouer, colunista de ÉPOCA. Por isso, há chances maiores de que o conteúdo do que fazem se torne público. Quem fez não teme divulgar, e quem recebe não mede as consequências destrutivas de distribuir. Ao mesmo tempo, as implicações de um escândalo desse tipo podem ser críticas para os jovens. O repertório emocional deles é limitado para lidar com a crueldade pública e a censura social, como as mortes de Júlia e Giana tristemente demonstram.

A popularização do sexting sugere uma mudança de comportamento. Em parte, ela é causada pela onipresença da tecnologia. Os jovens têm nas mãos, em tempo integral, um dispositivo que permite fazer registros e compartilhá-los imediatamente: o celular. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, jovens entre 10 e 17 anos lideram o aumento do uso de celulares no Brasil.  Na faixa entre 15 e 17 anos, 67,5% dos adolescentes têm um aparelho. Esses celulares têm programas (chamados de aplicativos) como o WhatsApp, que permitem transmitir imagens instantaneamente e sem custo para grupos ou pessoas determinadas. A popularidade desses aplicativos cresce entre os adolescentes. Eles fogem das redes sociais, cujo conteúdo fica explícito para centenas de amigos e para os pais. A maior rede social do mundo, o Facebook, já sentiu os efeitos dessa mudança demográfica. No começo do mês, executivos da empresa admitiram estar perdendo usuários jovens. Os aplicativos de bate-papo para onde os jovens migram, porém, dão a eles uma falsa sensação de segurança. De grupo em grupo, as imagens íntimas se espalham pela rede e se tornam dolorosamente públicas. Não é por acaso que os últimos escândalos de sexting começaram pelo WhatsApp. Quando tecnologias como o Google Glass, óculos-computador do Google, chegarem ao mercado, o impacto sobre a privacidade será ainda maior. Esse tipo de aparelho permite capturar imagens sem que quem seja filmado se dê conta da invasão. É muito mais difícil se proteger de um vídeo ou de uma foto indesejada.

Diante de um cenário tão alarmante, é de perguntar por que os jovens ainda se permitem fotografar e filmar em situações de intimidade. A resposta, terrivelmente simples, é que mostrar aspectos da vida cotidiana é parte da rotina diária deles. Em parte, isso é influenciado por celebridades como Pamela Anderson e Paris Hilton, cujos vídeos em cenas de sexo doméstico circularam na internet no início dos anos 2000. Eles glamorizaram uma situação que era, essencialmente, uma brutal exposição de intimidade. Desde então, as fronteiras entre o público e o privado se tornaram ainda mais borradas. “A nova geração entende a privacidade de uma maneira diferente”, diz a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Hoje você conhece o banheiro da casa deles pelas fotos que tiram no espelho. Seria uma exibição impensável décadas atrás.” Os autorretratos que dominam as redes sociais são conhecidos como “selfies”, palavra de origem inglesa que significa “próprio”. São tão populares que o termo foi incorporado em agosto à versão digital do dicionário Oxford – e, há duas semanas, escolhido pelos editores do dicionário como a palavra do ano.
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O fato de que muitos façam não significa que a sociedade seja compreensiva com quem cai na rede. A paulista G.N., de 28 anos, não pôde contar nem com o apoio da família quando o ex-namorado publicou fotos dela nua num perfil falso no Orkut, em 2006. “Eu passava o dia inteiro procurando minhas fotos e meus perfis falsos na internet”, diz G.N. As imagens haviam sido enviadas por ela durante o relacionamento à distância com um primo que morava na Itália e pedia provas de amor. Terminado o namoro, ele ainda mandou as fotos aos pais de G.N. pelo correio. Ela diz que eles não apoiaram sequer que ela denunciasse a violência e a culparam pelo vazamento das fotos. O problema nunca foi resolvido. Até hoje, G.N. esconde o rosto em redes sociais, para evitar ser identificada. Usa pseudônimo no crachá da empresa.

Vítimas de crimes, as mulheres expostas na internet não conseguem ver seus agressores punidos com rigor. “É difícil conseguir penas severas. Por isso, paira uma sensação de impunidade”, afirma Wanderson Castilho, presidente da E-NetSecurity, empresa de segurança da informação. São poucas as vítimas que aceitam passar por um processo judicial desgastante e levam a denúncia inicial adiante. Quando o fazem, esbarram na dificuldade de provar quem vazou as imagens. Foi o que aconteceu com a carioca M., hoje com 22 anos. Ela tinha 15 anos quando vídeos seus com conteúdo sexual foram parar na internet. M. foi vítima do ciúme da namorada de um ex-parceiro. A garota descobriu os vídeos íntimos que M. mandara a ele durante o relacionamento e a chantageou. M. não cedeu à pressão, e o vídeo foi parar nas mãos dos colegas de escola. Até hoje, sete anos depois, pode ser encontrado na internet, com direito à identificação, com nome e o bairro onde ela morava. M. chegou a registrar queixa na polícia. A denúncia não avançou porque ela não conseguiu provar que a garota era a responsável pelo vazamento. M. teve de se conformar em viver escondida sob um codinome. “Sinto falta de poder falar meu nome. Ele era lindo”, diz.
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Quatro projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados tentam desfazer as ambiguidades das leis atuais que encobrem os agressores. Os projetos de autoria do deputado João Arruda (PMDB/PR) e da deputada Rosane Ferreira (PV/PR) pretendem alterar a Lei Maria da Penha, para incluir explicitamente como violência psicológica a divulgação não autorizada pela internet de imagens, dados, vídeos ou áudios íntimos. Os projetos de lei apresentados pelos deputados Eliene Lima (PSD/MT) e Romário (PSB/RJ) sugerem criar uma nova lei no Código Penal, para tornar crime específico a divulgação desse tipo de material. “Minha proposta prevê detenção e indenização por despesas decorrentes dos problemas causados, como a necessidade de troca de domicílio, escola, faculdade, emprego, tratamentos médicos”, diz Romário. Os projetos de lei aguardam parecer na Comissão de Seguridade Social e Família. Não há previsão de quando serão votados.
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Se, de um lado, é preciso punir com maior rigor os agressores, de outro é preciso aumentar a vigilância sobre o que cai na rede. Quem pode ajudar nessa tarefa são as empresas por trás dos grandes mecanismos de busca, das redes sociais e dos programas de bate-papo. No Brasil, não há uma lei específica sobre a responsabilidade de companhias como Facebook e Google pelos conteúdos criminosos que circulam em suas páginas. Mas elas podem responder na Justiça pelo conteúdo ilícito publicado por seus usuários – desde que sejam informadas desse conteúdo. Basta uma notificação extrajudicial ou um e-mail mandado por um canal de comunicação do site. A partir daí, o prazo para a remoção de imagens e textos é de 24 horas. Se a empresa não o fizer, pode virar ré em processo civil. Um dia, porém, é tempo mais que suficiente para causar um estrago irreversível na vida de gente normal. A velocidade com que as imagens e vídeos são compartilhados garante isso. A situação poderá piorar ainda mais para as vítimas se o Marco Civil da internet, em discussão no Congresso, submeter a retirada dos conteúdos a decisão judicial, como consta da última versão do texto. Isso transformaria a vida da vítima num inferno.

Ela teria de contratar um advogado e ir até um juiz para pedir a retirada. Demoraria ainda mais para que as imagens fossem bloqueadas. O texto também desobriga as empresas de guardar as informações de acesso dos usuários. Elas são fundamentais para localizar aqueles que, protegidos pelo anonimato, publicam fotos e imagens ilícitas. Os provedores conhecem o computador de origem, dia e hora de todas as postagens. Se as informações não forem armazenadas, a identificação dos criminosos e as provas do crime desaparecerão.

As empresas se dizem atentas aos crimes cometidos em suas redes e afirmam ter criado, nos últimos anos, campanhas e recursos técnicos para combater pornografia infantil, crimes de racismo e ameaças de morte. Afora esses casos, elas se recusam a controlar o que pode ou não pode ser publicado. “Lidar com conteúdo controverso é um dos maiores desafios que enfrentamos como empresa. Temos uma proibição clara relacionada à pornografia infantil e em outras áreas, mas determinar o que é ofensivo ou deixa de ser é mais complicado. O Google sempre tenderá a favorecer a liberdade de expressão”, afirma o Google por e-mail. O Facebook diz coisa semelhante: “Temos controles rígidos para remoção de conteúdos que violem nossas políticas, como nudez ou outro conteúdo de sugestão sexual, discurso de ódio, ameaças reais ou ataques diretos a um indivíduo ou grupo. O melhor caminho para que um conteúdo seja analisado e possivelmente removido é a denúncia pelos canais do Facebook. Toda denúncia submetida é analisada por nossa equipe”.

Para uma adolescente desesperada, pode não ser o suficiente. As redes sociais, que parecem aos jovens tão amigáveis, podem se converter, repentinamente, num ambiente hostil e insensível. Quando estranhos começam a marcar suas fotos no Facebook e a divulgá-las com insultos, os mecanismos de reprodução da internet demonstram sua enorme crueldade. Para lidar com uma situação desse tipo, pode-se ligar ou escrever para a empresa, mas provavelmente será tarde demais. Algum dano estará feito. É possível recorrer à lei para identificar e punir os agressores, mas talvez seja demorado, ou mesmo inútil. No fundo, a maneira mais segura de lidar com o risco de exposição na internet é evitar se expor em imagens potencialmente constrangedoras. No mundo ideal, não haveria problema em que um casal de namorados trocasse fotos nus ou se filmasse na intimidade. No mundo real, é possível que essas imagens sejam vistas pelos outros e acabem circulando nas redes, onde se transformarão em piada para estranhos sem escrúpulos. O lado seguro da calçada nem sempre é o mais divertido. Mas nele, com sorte, adolescentes como Giana e Júlia ainda estariam vivas.
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Revista Época (MARCELA BUSCATO E JÚLIA KORTE, COM CAMILA GUIMARÃES E ANA LUIZA CARDOSO)

Opinião dos leitores

  1. Não posso entender,muito menos aceitar ver em todas as páginas da Internet, vídeos e fotos de sexo explícito. Peço ajuda, para que isso seja retirado o mais rápido possível. Além de não querer ver isso,pois é podre,tenho crianças que usam esse computador. Tentei várias vezes excluir essa pouca vergonha,mas não consegui, Mais uma vez,solicito ajuda. Grata.

  2. As mulheres adoram exposição do corpo, querem mostrar as outras que são melhores.
    É da cabeça feminina. Adoram se expor de tudo que é jeito, depois ficam reclamando e morrendo.
    Veja bem ninguem vê fotos de homens nus na Internet, mais de mulheres tem aos milhares. E na natureza o corpo do macho é mais bonito.
    A mulher sabe que o seu grande e unico capital para consguir um parceiro e provedor é um rosto bonito e um corpo escultural que provoque desejo e atenção.

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Geral

80% das vagas de emprego no Brasil em 2025 foram criadas por micro e pequenas empresas

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

As micro e pequenas empresas foram responsáveis por 80,5% das vagas de emprego criadas no Brasil em 2025, segundo levantamento do Sebrae. O setor gerou 1.030.434 empregos formais, de um saldo total de 1.279.498 postos no ano.

De acordo com o presidente do Sebrae, Décio Lima, os pequenos negócios lideram as contratações com carteira assinada, sobretudo nos setores de serviços e comércio.

Os números são confirmados por dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados no fim de janeiro. Apesar do resultado positivo, o saldo de 2025 foi o menor desde 2020.

Segundo a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, as regiões que mais criaram empregos em micro e pequenas empresas foram:

  • Sudeste: 414 mil vagas

  • Nordeste: 287 mil vagas

A CACB defende a atualização da tabela do Simples Nacional. Para o presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto, a medida ajudaria a formalizar empresas, estimular investimentos e ampliar a geração de empregos.

Queda em dezembro

Apesar do saldo positivo no ano, dezembro de 2025 registrou fechamento de 618 mil postos de trabalho. Os setores mais afetados foram:

  • Indústria: -135.087 vagas

  • Construção civil: -104.077

  • Comércio: -54.355

  • Agropecuária: -43.836

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Geral

CUIDADO: Conselhos de saúde de chatbots de Inteligência Artificial frequentemente estão errados, revela novo estudo

Foto: Freepik

Um estudo publicado na Nature Medicine indica que chatbots com inteligência artificial não são confiáveis para orientar decisões médicas do público em geral. Segundo os pesquisadores, os modelos testados não superaram sequer o Google — já conhecido por falhas em informações de saúde — e, em alguns casos, forneceram dados incorretos ou inconsistentes.

O experimento, o primeiro randomizado do tipo, concluiu que nenhum dos sistemas avaliados está pronto para uso direto no atendimento a pacientes. Participaram mais de 1.200 voluntários no Reino Unido, que receberam cenários médicos detalhados e usaram chatbots comerciais, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Llama, da Meta.

Os participantes acertaram a conduta correta em menos da metade das vezes e identificaram corretamente as doenças em apenas 34% dos casos — desempenho semelhante ao grupo que usou métodos tradicionais de busca.

Segundo Adam Mahdi, do Instituto de Internet de Oxford, a medicina real é complexa e incompleta, diferente das questões objetivas em que a IA costuma se sair bem. O estudo também apontou que respostas variavam drasticamente conforme pequenas mudanças na forma de perguntar.

Em cerca de metade dos erros, os próprios usuários deixaram de informar sintomas relevantes. Quando os pesquisadores inseriram o quadro clínico completo diretamente nos sistemas, a taxa de acerto subiu para 94%.

Especialistas destacam que médicos aprendem a identificar quais informações são essenciais — algo que ainda falta aos chatbots. Para Andrew Bean, principal autor do estudo, os modelos deveriam fazer mais perguntas complementares, como ocorre em consultas médicas.

Mesmo assim, os pesquisadores observaram dificuldades dos sistemas em diferenciar casos urgentes de não urgentes e episódios de informações inventadas, incluindo recomendações de números de emergência inexistentes.

A OpenAI afirmou que os modelos atuais do ChatGPT são mais seguros e fazem mais perguntas de acompanhamento do que os avaliados no estudo. A Meta não comentou.

O estudo reforça que, apesar do avanço rápido, chatbots de IA ainda não substituem a avaliação médica profissional — e seu uso exige cautela.

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Geral

Comércio, construção e agro seriam setores mais prejudicados por fim da escala 6×1

Foto: Mariangela

O fim da escala 6×1, se aprovada pelo Congresso Nacional, poderia acabar com 600 mil empregos no Brasil, segundo nota técnica do CLP (Centro de Liderança Pública). Os setores mais impactados, de acordo com o documento, seriam o agro, o comércio e o segmento de construção.

Nos três setores, a perda de produtividade seria de 1,3%, o que acarretaria no fechamento de 1,6% dos postos de trabalho. Em números absolutos, a agropecuária fecharia 28 mil vagas; o comércio, 164 mil; e a construção, 45 mil.

Veja impacto nos setores:

Impacto do fim da escala 6×1 (principais setores)

Sobre estes prejuízos, especialistas explicam que o fim da jornada 6×1, sem redução salarial proporcional, aumenta o custo do trabalho no Brasil. E os empregadores tendem a cortar empregos de maneira a manter o equilíbrio dos negócios.

“Como a PEC 6×1 propõe a manutenção do salário com redução abrupta da carga de trabalho, o custo do trabalho vai aumentar muito. Com a produtividade estruturalmente baixa, isso gera um choque negativo na produtividade do trabalho, com efeito colateral no crescimento do PIB”, afirma o economista-chefe da ARX, Gabriel Barros.

A nota técnica mostra que a redução da jornada, considerando o PIB (Produto Interno Bruto) registrada em 2025, resultaria na perda de cerca de R$ 88 bilhões em atividade econômica.

“A possibilidade de mudar a escala de trabalho existe, mas exigiria um esforço muito maior de compreensão dos impactos gerais na economia. Os estudos macro foram que há perda de PIB potencial associada a esse tipo de mudança”, afirma o economista Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Este tipo de medida seria prejudicial ao Brasil devido a sua baixa produtividade — palavra-chave no que diz respeito a essa discussão. Segundo o CLP, entre 2016 e 2025, o crescimento médio da produtividade do trabalhador ao redor do mundo ficou em torno de 1,5% ao ano, enquanto no Brasil ficou em 0,5%.

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Saúde

Saúde descarta R$ 108 milhões em vacinas e medicamentos; parte ainda estava dentro da validade

Foto: Aline Massuca/Metrópoles

O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. Desse total, 17,1% — cerca de R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade no momento do descarte, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.

As informações são da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. Entre os itens inutilizados estão medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer, além de vacinas contra a dengue e insumos adquiridos por decisão judicial. Há casos de produtos com validade até 2050 que também acabaram incinerados. Apesar da redução em relação aos anos anteriores, o volume segue acima do período pré-pandemia.

Nos três primeiros anos do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o montante descartado já chega a R$ 2 bilhões — valor mais de três vezes superior ao registrado em todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando foram incinerados R$ 601,5 milhões. O pico ocorreu em 2023, com R$ 1,3 bilhão em perdas.

Após auditoria, a Controladoria-Geral da União apontou falhas na gestão de estoques e recomendou medidas para melhorar controle, logística e monitoramento. O ministério afirma que as recomendações já foram cumpridas ou estão em fase final de execução e nega desperdício, alegando ressarcimento em casos de não conformidade técnica.

Segundo a pasta, a taxa de incineração em 2025 correspondeu a 1,48% do estoque total, com meta de redução para 1% em 2026. O governo atribui os descartes a fatores como judicialização, mudanças em protocolos médicos, variações epidemiológicas e exigências sanitárias que impedem o reaproveitamento de medicamentos devolvidos.

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Geral

VÍDEO: Padre critica homenagem a Lula no Carnaval e compara desfile a “miniatura da Coreia do Norte”

Vídeo: Reprodução/X

Uma homilia celebrada na Quarta-feira de Cinzas ganhou repercussão nas redes sociais após o padre Francisco de Assis, da Paróquia São Paulo, em Frei Paulo (SE), criticar o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval de 2026.

Durante a missa, realizada no dia 18 de fevereiro, o sacerdote afirmou ter se incomodado com trechos da apresentação e disse que, na sua avaliação, o enredo teria ironizado valores considerados centrais pela Igreja, como a família. Ele também comparou a exaltação ao presidente a uma “miniatura da ditadura da Coreia do Norte”.

Na fala, o padre fez críticas diretas ao chefe do Executivo e questionou eleitores do presidente, posicionamento que rapidamente passou a circular em vídeos nas redes sociais, dividindo opiniões entre fiéis e internautas.

O desfile da escola de Niterói já vinha sendo alvo de debates políticos e religiosos desde a apresentação na Marquês de Sapucaí. A agremiação levou à avenida um enredo que retratou a trajetória de Lula, da infância no Nordeste à Presidência da República, o que gerou reações tanto de apoio quanto de contestação.

Até o momento, não houve manifestação oficial da escola ou do Palácio do Planalto sobre as declarações feitas pelo religioso.

Opinião dos leitores

  1. Também comparável à Itália de 1930. Verba pública para culto à personalidade do líder. E esse povo ainda enche a boca pra chamar os outros de fascista.

  2. Só falou verdades, o problema é que falar a verdade num país que vive a democracia relativa, aí o bicho pega.

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Geral

VÍDEO: “É preciso dar um paradeiro”, diz Lula ao criticar ameaças de Trump a outros países

Vídeo: Reprodução/Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22), durante coletiva na Índia, que pretende discutir diretamente com Donald Trump o papel dos Estados Unidos na América do Sul e disse que é “preciso dar um paradeiro” nas ameaças feitas pelo norte-americano a outros países. A declaração ocorre após Trump indicar a possibilidade de ataque ao Irã nos próximos dias.

Lula afirmou que quer saber se os EUA pretendem atuar como parceiros ou como agentes de pressão internacional. Segundo ele, a conversa com Trump, prevista para a segunda quinzena de março em Washington, deve tratar de temas estratégicos e da relação bilateral. O encontro foi combinado por telefone, mas ainda não tem data oficial confirmada.

O presidente brasileiro disse acreditar na “química” pessoal como ferramenta de negociação e destacou que prefere o diálogo direto. “Não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação”, afirmou, ao citar temas como minerais críticos, cooperação econômica e combate ao crime organizado.

Na mesma coletiva, Lula voltou a comentar a homenagem recebida da Acadêmicos de Niterói no Carnaval. Classificou o desfile como “extraordinário”, agradeceu à escola e evitou entrar nas críticas feitas por setores evangélicos à ala intitulada “neoconservadores em conserva”.

A representação gerou reação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificaram a encenação como ofensiva. Lula, no entanto, afirmou que apenas aceitou a homenagem e que não interferiu no conteúdo do enredo.

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Economia

Fim da escala 6×1 pode gerar rombo bilionário e pressionar indústria, alerta entidade

Foto: Drazen Zigic/Freepik/Arquivo

A possível substituição da escala 6×1 por uma jornada semanal menor pode provocar um impacto de até R$ 178,8 bilhões por ano nos custos da indústria brasileira, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. De acordo com o levantamento, caso a carga horária seja reduzida para 36 horas semanais sem corte salarial, a folha de pagamento do setor pode subir 25,1%.

Em um cenário intermediário, com jornada de 40 horas, o impacto financeiro projetado varia entre R$ 58,3 bilhões e R$ 87,5 bilhões anuais, representando aumento de 7,4% a 11,2% nos custos com mão de obra. A entidade afirma que a mudança pode pressionar margens, encarecer produtos e reduzir a competitividade da indústria nacional.

Segundo a Abimaq, cerca de 80% das empresas do setor operam atualmente com jornada de 44 horas semanais no sistema 5×2. Para a associação, qualquer redução de carga horária sem ajuste proporcional de salários tende a gerar efeito cascata, com risco de demissões e até fechamento de empresas.

A discussão ocorre em meio a comparações internacionais, já que países da União Europeia adotam jornadas médias entre 36 e 40 horas semanais, geralmente com mecanismos de compensação negociados entre empresas e sindicatos. No Brasil, embora o limite legal seja de 44 horas, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a média efetiva trabalhada costuma ser inferior ao teto.

A entidade também chama atenção para a baixa evolução da produtividade no setor, que teria crescido, em média, 0,2% ao ano entre 1981 e 2024. O tema deve ganhar força nas negociações coletivas, que já registram milhares de acordos tratando de prorrogação ou redução de jornada.

Com informações do R7

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Política

CPI mira STF e quer ouvir Toffoli, Moraes e familiares sobre caso Banco Master

Foto: STF

A CPI do Crime Organizado no Senado deve analisar, na próxima quarta-feira (25), uma série de requerimentos que colocam ministros do Supremo Tribunal Federal no centro das investigações sobre o Banco Master. Entre os pedidos estão convites para que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes prestem esclarecimentos sobre possíveis ligações com o conglomerado financeiro.

A comissão também analisa quebras de sigilo e convocações de sócios e executivos da instituição, incluindo o proprietário Daniel Vorcaro. Parlamentares da oposição ainda apresentaram requerimentos envolvendo familiares dos ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, citada em pedidos relacionados a contrato firmado entre o banco e seu escritório.

Outro ponto sensível envolve o resort Tayayá, anteriormente ligado a familiares de Toffoli e posteriormente vendido a fundo associado a Vorcaro. As conexões comerciais motivaram questionamentos e contribuíram para a substituição de Toffoli na relatoria do caso no STF, que passou ao ministro André Mendonça.

A pauta inclui ainda convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para esclarecer a liquidação extrajudicial do banco e uma reunião fora da agenda entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria contado com a presença de Rui Costa e Guido Mantega.

Além dos requerimentos, a CPI deve ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho. A comissão promete avançar sobre contratos, relações empresariais e possíveis desdobramentos políticos do caso.

Com informações da CNN

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Geral

Adolescente de 16 anos é morto a tiros e criança de 5 anos fica ferida durante tiroteio no Bom Pastor

Foto: Via Certa Natal

Um adolescente de 16 anos morreu e uma criança de 5 anos foi baleada durante um tiroteio registrado neste sábado (21) no bairro Bom Pastor, na Zona Oeste de Natal, nas proximidades do quilômetro 6. A vítima fatal foi identificada como Jonathan. Segundo informações apuradas no local, ele estaria em uma motocicleta com outro homem quando houve troca de tiros.

De acordo com relatos iniciais, os dois teriam chegado armados e, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, um terceiro envolvido reagiu. Durante o confronto, Jonathan foi atingido por disparos e morreu no local. O outro homem que estava com ele conseguiu fugir.

No meio do tiroteio, uma criança de 5 anos acabou sendo baleada no braço. Ela foi socorrida inicialmente para a UPA da Esperança e, em seguida, transferida para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. A atualização médica aponta que a criança chegou consciente, falando e não corre risco de vida.

A Polícia Militar do Rio Grande do Norte isolou a área e apreendeu uma arma de fogo que estava com o adolescente. Cápsulas ficaram espalhadas pelo chão, evidenciando a intensidade do confronto. A ocorrência será investigada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, enquanto a Polícia Científica foi acionada para a perícia e remoção do corpo.

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Geral

Globo é alvo de críticas por não exibir Desfile das Campeãs na TV aberta

Foto: Marco Terranova | Riotur

A decisão da TV Globo de não transmitir o Desfile das Campeãs do Rio de Janeiro na íntegra pela TV aberta provocou forte reação nas redes sociais neste sábado (21). A emissora exibiu apenas o show de abertura após o Big Brother Brasil, deixando de fora as apresentações completas das escolas na avenida.

O evento movimenta a Marquês de Sapucaí e começou com a entrada da Estação Primeira de Mangueira às 22h. O show inicial contou com nomes como João Gomes, Michel Teló e Léo Santana, além de intérpretes das agremiações. No entanto, a transmissão ocorreu com atraso de quase uma hora em relação ao que acontecia ao vivo no sambódromo.

Enquanto isso, o Multishow exibiu todo o desfile ao vivo, mas apenas para assinantes de TV por assinatura ou do Globoplay. A limitação gerou críticas de telespectadores que cobraram maior valorização do Carnaval na programação aberta.

Voltaram à avenida a campeã Unidos do Viradouro, que conquistou o título com 270 pontos com o enredo “Pra Cima, Ciça!”, além de Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel, Beija-Flor de Nilópolis e Mangueira. A ausência da transmissão integral na Globo reacendeu o debate sobre espaço e prioridade dados ao maior espetáculo da cultura popular brasileira.

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