MARIONETES UFANISTAS por Rubens Lemos Filho

Meu patriotismo permanece intacto. Meu ufanismo imbecilizado encontra-se no mais profundo mausoléu do cemitério das minhas insignificâncias. Fanatismo ficou para as seitas, os incapazes de raciocinar, debater, dialogar. São para os que ainda vivem, politicamente, na dicotomia mofada e copiada do parlamento francês: Os avançados, sentados à esquerda, os conservadores, do lado direito.

É uma mistura de irritação e divertimento a minha forma de acompanhar os Guevaras sem Sierra Maestra e os Roberto Campos sem nenhuma capacidade brilhante de formulação.

Eles tratam de política como chefes de torcida organizada que, por sua vez, agem no futebol como donos de facções de guerra urbana. Para não chamar de outros agrupamentos de nobreza ainda menor.

Passo longe dos que ainda elegem gurus. Quem precisa de um não tem capacidade alguma de pensar por si mesmo. É um títere no próprio espelho. O boneco é um bibelô usado pelo objeto de adoração.

Compra causas ridículas e tem uma característica própria: O desejo doentio de se promover, de aparecer, de entrar sem ser chamado, de comparecer sem ser convidado. No idioma sacana, é o mala.

O mala deve concordar que no Ministério dos Transportes havia uma congregação de arcanjos que deixavam de realizar as obras de asfaltamento de estradas não por mentiras inventadas por despeitados, tais como: Superfaturamento, propina, beneficiamento de parentes em licitações.

Enquanto era hora de olhar planilhas, eles tocavam harpas, rezavam credos, sacavam o dinheiro de suas contas, levavam às janelas dos gabinetes e jogavam aos miseráveis que passam pela Esplanada.

O ventríloquo de auditório não deve aceitar, claro, que a prática da propina começou de 2003 pra cá, foi inventada no atual governo. Ou no anterior. Lógico que não começou.

O problema é que os pajens do ventríloquo nasceram e cresceram chamando os outros de ladrões, de canalhas, de ratos da política. Se hoje não se conseguiu superar o passado na tunga, se emparelhar pelo menos é notório.

Meu patriotismo não permite, quando o assunto é mais ameno, tolerar asneiras também no futebol. Concordo. Sou um impaciente. Um ranzinza se revelando a cada dia que se aproxima o meu 41º aniversário cronológico, 86º espiritual.

Meu patriotismo perde de goleada para o bom senso que resiste como os invasores heróicos da Normandia, na Segunda Guerra Mundial.

Meu juízo resiste ao bombardeio incessante de torpedos, metralhadoras e fuzis verbais de jornalistas que ainda lamentam como carpideiras a eliminação do Brasil e responsabilizam o gramado do estádio no qual pênaltis foram perdidos como tiros são dados por bêbados em parques de diversões.

Ora, se o gramado foi feito para ser pisado e nele jogado, pode também ser saboreado, degustado, ingerido e, quem sabe, expelido depois pela safra que perdeu a Copa América.

Os ventríloquos que no futebol foram bem apelidados de pachecos,(Pacheco era o azarado torcedor da seleção das Copas dos anos 1980), recebem lavagens cerebrais para concordar que tudo foi azar e não incompetência.

Mais ou menos assim. O futebol é impressionante por conta do imprevisível que pela lógica do nome, não é corriqueiro, portanto, não comum nem usual. Acontece, às vezes.

Uma Venezuela ser campeã da Copa América seria o mesmo que Marcônio Cruz ou Roberto Ronconi, escolha um dos dois, sendo enfaixado prefeito ou governador. Marcônio e Ronconi disputam eleições a cada dois anos por bons propósitos, creio, e nunca reclamaram de uma derrota.

São venezuelas eleitoreiras. Na Europa, a Venezuela vencendo, seria o mesmo que a Moldávia, a Macedônia ou o Chipre ganhando a Eurocopa, o que garanto, jamais acontecerá.

Na Europa, e mantenho intacto o meu patriotismo e mais ainda o meu bom senso, ninguém dá cartaz a Marcônios, Ronconis, Venezuelas ou marionetes em carne e osso.