Política

Moro admite a apoiadores que pode disputar a Presidência em 2022

Foto: Andre Coelho/Getty Images

Nos últimos tempos, Sergio Moro desapareceu das redes sociais, diminuiu o número de palestras e praticamente não deu aulas em faculdades. Bombardeado ferozmente pelos dois lados que hoje polarizam a disputa pelo poder no país, bolsonaristas e petistas, Moro vive uma experiência nova, bem distante do Brasil. Ele trocou Curitiba por uma cidade do estado de Maryland, a 40 quilômetros de Washington, capital dos Estados Unidos. A mudança foi justificada por questões profissionais — ele trabalha para uma empresa americana de consultoria, a Alvarez & Marsal, que gosta e valoriza o seu novo contratado. Mas o ex-juiz, ao contrário do que ele pode e se permite admitir publicamente, ainda alimenta um projeto político: Moro não descartou 100% sua candidatura à Presidência da República em 2022. A quinze meses das eleições, isso não quer dizer que ele vá disputar o pleito. Significa que ele considera essa possibilidade, o que é um fato novo, capaz de movimentar um cenário aparentemente preestabelecido.

Foto: Reprodução/Veja

Não é de agora que um grupo de empresários, parlamentares e admiradores da Lava-Jato tenta convencer Moro a ingressar na política. O ex-ministro nunca admitiu sequer a hipótese, sempre justificando que não tem perfil nem disposição para mergulhar numa aventura eleitoral. Nos últimos meses, porém, a negativa contundente foi aos poucos sendo deixada de lado. Reservadamente, Moro tem discutido com um grupo restrito de apoiadores a possibilidade de disputar as eleições do ano que vem. Em uma reunião recente com dirigentes do Podemos, partido de centro-direita que tem nove senadores e dez deputados federais no Congresso, o ex-juiz foi indagado diretamente sobre o assunto. Diferentemente de outras ocasiões, ele não repeliu a ideia. Ao contrário: pediu um tempo para avaliá-la e se comprometeu a dar uma resposta em outubro. “Entre aqueles que não querem nem Lula nem Bolsonaro a primeira opção é Sergio Moro. Ele é o antipetismo, ele é a Lava-Jato, ele é a bandeira de muitos que se desapontaram com o atual governo”, diz a deputada Renata Abreu (SP), presidente do Podemos.

A sinalização do ex-juiz foi dada depois de pelo menos seis reuniões — virtuais e presenciais — com parlamentares e dirigentes do chamado “conselho político” do Podemos. Foi recebida com tanto entusiasmo que, logo depois, o cientista político Luiz Felipe d’Avila, ex-coordenador do plano de governo de Geraldo Alckmin nas eleições de 2018, foi convidado a apresentar um conjunto de propostas que pode servir como base da plataforma eleitoral do ex-ministro, que inclui reformas estruturais, instituição de programas educacionais e de renda básica e a adoção de um ambiente de segurança jurídica para empresários. Além disso, pesquisas qualitativas foram encomendadas para colher subsídios a fim de moldar o perfil do candidato e torná-lo capaz de atrair eleitores de diversos matizes que buscam uma terceira via. Os primeiros resultados dessas sondagens foram alvissareiros, segundo um dirigente do Podemos. Boa parte dos entrevistados defende que o escolhido deve ser alguém mais próximo ao centro no espectro ideológico, é obrigatório ter a ficha limpa e firmar o compromisso de não fazer as alianças políticas tradicionais — bandeiras idênticas às que levaram Bolsonaro ao poder em 2018. “O grande desafio do candidato do centro é conseguir um discurso que seja capaz de sensibilizar o eleitor. A rejeição gigantesca a Lula e Bolsonaro mostra que há uma avenida promissora”, ressalta d’Avila, que já apresentou as mesmas propostas a outros presidenciáveis.

O congestionado caminho em busca de uma terceira via tem dado mostras da dificuldade de encontrar um candidato que agregue essas qualidades e que, num curto espaço de tempo, seja capaz de conquistar o eleitor que rejeita tanto o lulismo quanto o bolsonarismo (veja reportagem na pág. 38). Nos últimos dias, o presidente do Novo, João Amoêdo, e o apresentador de TV Luciano Huck, que já tentaram ocupar esse espaço, desistiram de concorrer. O PSDB anunciou que haverá uma disputa interna entre quatro tucanos — os governadores João Doria e Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati e o ex-prefeito Arthur Virgílio. Percebendo esse vácuo, o ex-juiz orientou auxiliares a desmentirem notícias que o colocam fora da corrida presidencial, autorizou apoiadores a testarem a aceitação de seu nome como pré-candidato e deu aval à produção de peças publicitárias que o apontam como uma alternativa à polarização. A primeira das peças de pré-campanha, a que VEJA teve acesso, apresenta o ex-juiz posicionado diante de duas portas, devidamente identificadas com os nomes de seus prováveis adversários. É uma proposta simples e objetiva, mas viabilizá-la depende de muitas variáveis.

“A possibilidade de existir uma terceira via está diretamente relacionada à popularidade do presidente Bolsonaro. Se o governo for mal é mais fácil uma terceira via se acomodar”, diz o fundador do Instituto Ideia Big Data, Mauricio Moura. Com Lula e Bolsonaro despontando como francos favoritos a um segundo turno, um terceiro competidor como Moro só teria chances, avalia Moura, se ele alcançasse pelo menos 25% dos votos já no primeiro turno. Nas condições atuais, uma eventual candidatura do ex-magistrado não seria capaz de cabalar nem metade desses votos. O ex-juiz aparece com 7% da preferência do eleitorado, de acordo com a mais recente pesquisa XP/Ipespe, atrás de Lula, com 32%, e de Bolsonaro, com 28%. Em um cenário de segundo turno, porém, empata com o presidente, com 32% cada um, e fica 8 pontos atrás do petista. “Estamos vivendo um cenário de campanha permanente. O Bolsonaro e o PT fazem campanha todo dia. Os candidatos de terceira via estão em compasso de espera. O problema do Moro é que ele não tem grupo político e boa parte da base eleitoral dele está capturada pelo presidente Bolsonaro”, avalia o analista-chefe da XP Política, Richard Back.

Foto: Reprodução/Veja

Mas também há defecções. Um grupo de militares que ajudou a eleger o ex-capitão em 2018 já se movimenta na direção de apoiar um candidato com viés mais centrista e que possa fazer frente a Lula e Bolsonaro, aglutinando o perfil do eleitor que não quer o petista na Presidência e está arrependido de ter votado no ex-capitão. O general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, é o principal expoente desse movimento. Ele integra com Moro, Amoêdo e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta um grupo de troca de mensagens que quase diariamente discute a viabilidade de uma terceira via. “Nessa polarização, o Brasil fica no dilema entre o precipício e o abismo. Temos um ex-presidente que já teve sua oportunidade e não tem sentido ele voltar. E temos um presidente atual que já demonstrou que está mais preocupado com o soldo do que com a administração ou pacificação do país”, disse Santos Cruz a VEJA.

Para o general, o ex-juiz pode ser o candidato da terceira via, mas antes disso questões importantes precisam ser superadas. “Moro é a pessoa que entrou para a história do Brasil e do mundo no combate à corrupção num país em que a corrupção é um câncer. Não é o momento de personificar agora quem deve ser o candidato. O importante é que a pessoa que for represente um novo projeto, um ponto de equilíbrio”, afirmou Santos Cruz. Os sinais nessa direção, por enquanto, não são muito harmoniosos. Na quarta-­feira 16, dirigentes e integrantes de sete partidos se reuniram em Brasília para discutir a viabilidade de uma candidatura presidencial da chamada terceira via. O encontro era para ser uma demonstração de união entre as diversas legendas na busca de uma alternativa à polarização. “Todos os partidos estão falando a mesma língua: os extremos agravam a crise brasileira. O compromisso de uma candidatura única começa. O compromisso é de caminhada, não de fim”, disse o ex-ministro Mandetta, idealizador do encontro e ele próprio um dos políticos que buscam se viabilizar como candidato de centro.

A proposta de unificar múltiplas legendas na mesma direção, porém, não está funcionando. Há interesses menores que inviabilizam o consenso. Entre integrantes do PSDB, por exemplo, existe uma pressão de parlamentares que buscarão a reeleição em 2022 para que o caixa do partido não seja direcionado a presidenciáveis que, como o governador de São Paulo, João Doria, ocupem a rabeira das pesquisas eleitorais. Outros partidos que não consideram ter nomes que possam assumir a liderança na terceira via também resistem a injetar recursos em uma aventura presidencial de centro e defendem drenar o caixa de campanha para as disputas regionais.

O racha entre as siglas também ficou evidenciado nas ausências da reunião. Os presidentes do MDB, PSL e PSD, três dos maiores partidos do Congresso, nem sequer compareceram ao encontro. “A eleição ainda não está no radar das pessoas. Se houver o consenso em torno de um único nome, esse nome vai começar a crescer naturalmente no início do próximo ano”, avalia Luiz Felipe d’Avila. É essa a expectativa de quem defende o nome de Sergio Moro e a grande aposta do Podemos. Procurado, o ex-ministro informou, por meio de sua assessoria, que não iria se pronunciar. Pelo visto, novidade mesmo só em outubro.

Veja

Opinião dos leitores

  1. Lula e Naro estão, doidões e sujos. Ciro está doidão. A alternância do poder é salutar à democracia. Então vamos de Moro que é a melhor opção.

    1. Será meu candidato, na verdade é o único capaz de ganhar do corrupto Luladrao e do genocida psicopata Bolsonaro.
      # MORO PRESIDENTE 2022.

  2. Todo mundo ganha de Bolsonaro segundo as pesquisas… Isso aconteceu em 2018 ou não?
    Novela repetida, vício antigo, manipulação repetida.
    Mas o voto precisa ter possibilidade de ser auditado.
    Se existisse lisura real na apuração dos votos, não haveria todo esse problema das autoridades se posicionando contra. Isso evidencia que tem coisa errada na situação. Pior são as alegações contra, com justificativas, as mais absurdas possíveis.

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Política

Câmara de Natal barra título para Michelle Bolsonaro por um voto

Foto: Reprodução

A Câmara Municipal de Natal rejeitou, nesta quinta-feira (19), a proposta que concedia o título de cidadania natalense à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). A matéria não atingiu o número mínimo de votos exigido para aprovação, segundo registro da sessão ordinária.

De acordo com o placar oficial, foram 14 votos favoráveis, cinco contrários e 10 ausências justificadas. Como o projeto exigia maioria absoluta dos vereadores, a proposta acabou sendo rejeitada por diferença de um voto.

O projeto já havia sido retirado de pauta em maio do ano passado e voltou à discussão no plenário nesta quinta, quando foi novamente apreciado pelos parlamentares da Casa.

Segundo a Câmara, após a votação, a autora da proposta, vereadora Camila Araújo (União), comentou o resultado em plenário. “Não dá para ganhar todas, mas fico feliz pelo título que tentei”, declarou.

Com a rejeição, a proposta é arquivada, conforme o regimento interno da Casa Legislativa, salvo nova apresentação em outro momento.

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Geral

Ministro do STJ aplica “mata-leão” para conter passageiro em surto após ameaça em voo

Foto: Reprodução

O ministro Mauro Campbell Marques, do STJ, ajudou a conter um passageiro em surto durante um voo que saiu de Manaus com destino a São Paulo. O caso ocorreu durante a viagem e ganhou repercussão após confirmação por veículos de imprensa.

Segundo informações divulgadas pelos portais Metrópoles e CM7, um homem começou a gritar e fazer ameaças dentro da aeronave, afirmando que abriria a porta do avião em pleno voo, o que causou pânico entre os passageiros.

De acordo com os relatos, o homem apresentava sinais de surto e comportamento descontrolado, o que levou à necessidade de contenção imediata para garantir a segurança de todos a bordo.

Diante da situação, o ministro, que possui treinamento em jiu-jitsu, auxiliou na imobilização do passageiro até que a tripulação e outros ocupantes do voo conseguissem controlar a ocorrência.

Ainda segundo as informações, após o pouso da aeronave, o homem foi entregue à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis. Não há informações oficiais sobre o estado de saúde do passageiro ou eventuais desdobramentos do caso.

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Política

TSE arquiva ação do PL contra desfile que homenageou Lula no Carnaval do Rio

Foto: Ricardo Stuckert/Planalto

O TSE arquivou o pedido do que solicitava investigação sobre um desfile de Carnaval no Rio de Janeiro que homenageou o presidente Lula (PT). A decisão foi tomada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Antônio Carlos Ferreira.

Segundo o TSE, não cabe à Corte autorizar, neste momento, a produção antecipada de provas, como havia solicitado o partido, que é de oposição ao governo federal.

De acordo com o PL, a apresentação carnavalesca teve caráter de promoção política e poderia configurar, em tese, abuso de poder político e econômico. Por isso, a legenda pediu a preservação de provas para eventual investigação futura.

Na decisão, o ministro Antônio Carlos Ferreira afirmou que não há comprovação nos autos de que tenha havido negativa formal de acesso às informações por parte de órgãos públicos ou entidades envolvidas.

O magistrado destacou ainda que o próprio partido pode buscar os elementos necessários por outros meios, sem necessidade de intervenção da Justiça Eleitoral neste momento.

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Judiciário

VÍDEO: Gilmar sai em defesa de Moraes e diz que Brasil “tem uma dívida” com ministro do STF

Imagens: Reprodução/CNN

O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira (19) que o Brasil “tem uma dívida” com o colega Alexandre de Moraes. A declaração foi feita durante uma homenagem pelos nove anos de atuação de Moraes no STF.

Segundo Gilmar, as críticas direcionadas a Moraes fazem parte de uma “retórica política dos acusados”. Ele destacou a atuação do ministro nas investigações sobre os atos de 8 de janeiro e afirmou que as decisões tiveram base em provas reunidas ao longo dos processos.

De acordo com o ministro, questionamentos sobre a condução dos casos não se sustentam diante dos elementos apresentados nas investigações. Gilmar também afirmou que houve atuação para evitar riscos institucionais no país, conforme declarou durante o discurso.

A fala ocorre em meio a um momento de desgaste do STF. Segundo informações que vieram a público, há apurações envolvendo relações comerciais entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e pessoas ligadas a ministros da Corte, incluindo familiares de Moraes e o ministro Dias Toffoli.

De acordo com decisões já tomadas no Supremo, a Segunda Turma formou maioria para manter a prisão do banqueiro, conforme voto do ministro André Mendonça. O caso segue em análise dentro da Corte.

Opinião dos leitores

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Polícia

Motoboys e empresas de locação enfrentam onda de furtos e roubos no RN

Foto: Reprodução/Via Certa Natal

O aumento de furtos e roubos de motocicletas tem preocupado trabalhadores e empresários do setor de mototransporte no RN. Motoboys que atuam por aplicativos de entrega estão entre as principais vítimas, com registros frequentes de crimes durante a jornada de trabalho, conforme informações do Via Certa Natal.
As peças seriam retiradas e comercializadas de forma irregular, enquanto o restante é descartado.
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Empresas que atuam na locação de motocicletas para motoboys relatam aumento nos prejuízos. Segundo o setor, cada veículo perdido pode representar um custo superior a R$ 15 mil, além do impacto financeiro causado pela interrupção das atividades dos trabalhadores que dependem das motos para gerar renda.
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O modelo de aluguel de motocicletas é utilizado por centenas de profissionais no estado, especialmente por quem não possui veículo próprio. Quando ocorre o roubo ou furto, o trabalhador fica impossibilitado de continuar atuando, afetando diretamente sua fonte de sustento.
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As ocorrências vêm sendo registradas em diferentes pontos do RN, tanto durante o dia quanto à noite. Em alguns casos, motocicletas são recuperadas posteriormente, mas sem identificação ou prisão dos envolvidos.
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As forças de segurança do estado seguem responsáveis pelas investigações e ações de combate aos crim:es, enquanto trabalhadores e empresários acompanham a situação diante do aumento dos registros envolvendo motocicletas no RN.

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Geral

Ministros do STF veem prisão domiciliar para Bolsonaro como forma de proteger a Corte; alas do governo consideram medida positiva

Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Um grupo de ao menos quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa.

Reservadamente, os ministros do STF favoráveis à medida passaram a considerar que a manutenção da prisão na Papudinha, em meio a relatos de pneumonia e piora clínica, pode aumentar a pressão sobre o tribunal caso haja uma evolução negativa no estado de saúde do ex-presidente.

Na avaliação desse grupo, uma eventual deterioração poderia expor o STF a um custo político elevado e aprofundar a crise em torno do caso.

Segundo o GLOBO apurou, a leitura ganhou força nos últimos dias após a sinalização de que o quadro de saúde de Bolsonaro acendeu um alerta entre integrantes da Corte. Para esses ministros, a adoção da domiciliar, nesse contexto, poderia reduzir tensões e mitigar riscos ao afastar o tribunal do centro de uma possível crise ainda maior.

Apesar disso, não há consenso no Supremo. Ministros contrários à medida argumentam que o caso de Bolsonaro não se compara ao do ex-presidente Fernando Collor, em que a concessão de domiciliar foi embasada em laudos médicos que apontavam prejuízo concreto à saúde com a manutenção da prisão — o que, até o momento, não está presente no caso atual, sendo que a perícia realizada pela PF não indicou necessidade de tratamento em casa.

Outro ponto levantado por integrantes da Corte é o fato de Bolsonaro ter descumprido medidas cautelares anteriormente, com a violação do uso de tornozeleira eletrônica, o que pesa contra a substituição da prisão preventiva por uma medida mais branda.

A palavra final caberá ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que, segundo interlocutores, ainda não deu sinais claros sobre qual caminho pretende adotar.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, após condenação por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O ex-presidente está internado desde a última sexta-feira em um hospital de Brasília após passar mal durante a madrugada do último dia 13 no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a “Papudinha”, onde cumpre prisão desde janeiro.

Em paralelo, integrantes do governo e petistas têm afirmado, também de forma reservada, que há riscos eleitorais ao petista na hipótese de piora clínica do antigo mandatário na prisão.

O temor é de que isso sensibilize o eleitor indeciso e acabe beneficiando a candidatura do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Governistas entendem que qualquer revés relacionado à saúde pode ser colocado na conta de Moraes e Lula.

A avaliação é que é inegável a fragilidade de saúde do ex-presidente e que se ele for para prisão domiciliar, com o conforto de casa e do convívio familiar, haverá menos comoção popular na hipótese de novas hospitalizações ou mesmo agravamento do quadro.

Outra ponderação feita nos bastidores do governo é de que a decisão de mandar Bolsonaro para casa poderia ser encarada como um gesto de Moraes para baixar a temperatura diante dos desgastes gerados à imagem do ministro em meio as escândalo do Banco Master.

O entorno de Lula, no entanto, pondera que um risco de ter Bolsonaro de volta à prisão domiciliar seria o fato de o ex-presidente voltar a ter amplo contato com o mundo político, ter ainda mais influência na campanha de Flavio Bolsonaro.

O Globo

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Geral

TCE suspende concessões na Via Costeira e determina ao Governo do Estado priorizar licitação

Foto: Divulgação/ABIH-RN

O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte suspendeu, em decisão cautelar, atos do Governo do Estado que prorrogavam concessões de terrenos na Via Costeira. A medida atinge áreas destinadas a empreendimentos turísticos que não saíram do papel.

Segundo auditoria, empresas descumpriram obrigações contratuais ao longo de décadas, mesmo após sucessivas prorrogações de prazo — inclusive com novos aditivos firmados em 2024. Há indícios de irregularidades, fragilidade financeira das concessionárias e possível desvio de finalidade no uso dos imóveis.

O TCE também determinou que o Estado suspenda novos atos nessas áreas até decisão final e ordenou à Datanorte a elaboração, em até 90 dias úteis, de um plano para regularização e nova destinação dos terrenos, priorizando licitação.

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Geral

Brasil mantém 2ª maior taxa de juros reais do mundo

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mesmo após o Banco Central ter anunciado, nesta quarta-feira (18), uma redução na taxa básica de juros, o movimento não foi suficiente para retirar o Brasil da segunda posição entre as maiores taxas de juros reais do mundo. Com um índice de 9,51%, o país permanece atrás apenas da Turquia, que lidera o levantamento global com 10,38%. Os dados constam no Ranking Mundial de Juros Reais.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) estabeleceu um corte de 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 14,75% ao ano. Trata-se do primeiro alívio monetário promovido pela instituição desde maio de 2024, quando a taxa havia sido alterada de 10,75% para 10,5%. A medida confirmou as projeções de analistas que previam uma postura mais conservadora do BC devido ao agravamento do cenário externo.

O atual cenário de guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, gerou uma onda de desconfiança na economia global. O bloqueio do tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Iraniana é o principal ponto de pressão, já que a rota é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo mundial. Esse fator pesou na revisão das expectativas do mercado nacional.

Até o início desta semana, o Boletim Focus registrava 23 semanas consecutivas de apostas em um corte mais agressivo, de 0,5 ponto percentual. No entanto, o relatório publicado na segunda-feira (16) já indicava que os investidores “puxaram o freio”, passando a prever o ajuste mais moderado de 0,25 ponto que acabou se concretizando.

O Copom tem novo encontro agendado para os dias 28 e 29 de abril, quando deve reavaliar o patamar da Selic frente aos desdobramentos da crise internacional.

Abaixo, confira os dez países com as maiores taxas de juros reais no ranking global:

Posição País Juro real (%)
1 Turquia 10,38%
2 Brasil 9,51%
3 Rússia 9,41%
4 Argentina 9,41%
5 México 5,39%
6 África do Sul 5,22%
7 Indonésia 3,31%
8 Hungria 3,02%
9 Colômbia 2,99%
10 Filipinas 2,81%

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Geral

Moraes aguarda perícia médica para decidir sobre prisão domiciliar de Bolsonaro

Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, vai analisar o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Jair Bolsonaro após a realização de uma perícia médica.

Bolsonaro está internado há uma semana em Brasília com broncopneumonia e ainda não tem previsão de alta. A perícia será determinada após a saída do hospital.

A defesa pede a domiciliar desde o fim do ano passado, mas Moraes já negou ao menos quatro solicitações, com base em laudos que apontam atendimento médico adequado no sistema prisional.

Condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, Bolsonaro cumpre pena no Complexo da Papuda desde janeiro.

Nos bastidores, aliados avaliam que uma eventual concessão poderia reduzir pressões sobre o STF. O senador Flávio Bolsonaro se reuniu com Moraes nesta semana para reforçar o pedido.

Com informações de CNN Brasil

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Geral

Eleição de Erika Hilton na presidência da Comissão de Mulheres é rejeitada por 75% dos jovens, diz pesquisa Realtime Big Data

Foto: Antônio Araújo/Câmara dos Deputados

A eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados é rejeitada pela maioria dos eleitores mais jovens, segundo pesquisa da Realtime Big Data.

De acordo com o levantamento, 75% dos entrevistados entre 16 e 34 anos dizem discordar da escolha, enquanto 25% afirmam concordar.

A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de março, com 1.200 entrevistados em todo o país, e indica que, embora os jovens apresentem menor resistência relativa, a rejeição à escolha de Erika Hilton permanece majoritária em todas as faixas etárias.

R7

Opinião dos leitores

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