Mourão diz que “delinquentes” realizaram manifestações violentas nos últimos dias, critica imprensa e associação “irresponsável e desonesta” de Celso de Mello por protesto político

Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Depois de defender que os militares eram os responsáveis por “mais uma vez” manter a estabilidade institucional do país, no domingo, dia de protestos contra e pró-governo em todo o país, o vice vice-presidente Hamilton Mourão chamou os manifestantes de “delinquentes ligados ao extremismo internacional”, fez críticas a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e à imprensa ao analisar os atos do fim de semana.

 

Leia artigo na íntegra do Estadão:

A apresentação das últimas manifestações contrárias ao governo como democráticas constitui um abuso, por ferirem, literalmente, pessoas e o patrimônio público e privado, todos protegidos pela democracia. Imagens mostram o que delinquentes fizeram em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Registros da internet deixam claro quão umbilicalmente ligados estão ao extremismo internacional.

É um abuso esquecer quem são eles, bem como apresentá-los como contraparte dos apoiadores do governo na tentativa de transformá-los em manifestantes legítimos. Baderneiros são caso de polícia, não de política.

Portanto, não me dirijo a eles, sempre perdidos de armas na mão, os que em verdade devem ser conduzidos debaixo de vara às barras da lei. Dirijo-me aos que os usam, querendo fazê-los de arma política; aos que, por suas posições na sociedade, detêm responsabilidades institucionais.

Aonde querem chegar? A incendiar as ruas do País, como em 2013? A ensanguentá-las, como aconteceu em outros países? Isso pode servir para muita coisa, jamais para defender a democracia. E o País já aprendeu quanto custa esse erro.

A legítima defesa da democracia está fundada na prática existencial da tolerância e do diálogo. Nesse sentido, Thomas Jefferson, o defensor das liberdades que, como presidente eleito, rejuvenesceu a nascente democracia norte-americana em momento de aparente perda de seu elã igualitário, deixou-nos preciosa citação: “Toda diferença de opinião não é uma diferença de princípios”.

Uma sociedade que se organiza politicamente em Estado só pode tê-lo verdadeiramente a seu serviço se observar os princípios que regem sua vida pública. Cabe perguntar se é isso que estamos fazendo no Brasil.

É lícito usar crimes para defender a democracia? Qual ameaça às instituições no Brasil autoriza a ruptura da ordem legal e social? Por acaso se supõe que assim será feito algum tipo de justiça?

As cenas de violência, depredação e desrespeito que tomaram as manchetes e telas nestes dias não podem ser entendidas como manifestações em defesa da democracia, nem confundidas com outras legítimas, enquanto expressões de pensamento e dissenso, essenciais para o debate que a ela dá vida. Desde quando, vigendo normalmente, ela precisa ser defendida por faces mascaradas, roupas negras, palavras de ordem, barras de ferro e armas brancas?

Não é admissível que, a título de se contrapor a exageros retóricos impensadamente lançados contra as instituições do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, assistamos a ações criminosas serem apoiadas por lideranças políticas e incensadas pela imprensa. A prosseguir a insensatez, poderá haver quem pense estar ocorrendo uma extrapolação das declarações do presidente da República ou de seus apoiadores para justificar ataques à institucionalidade do País.

Cabe ainda perguntar qual o sentido de trazer para o nosso país problemas e conflitos de outros povos e culturas. A formação da nossa sociedade, embora eivada de problemas contra os quais lutamos até hoje, marcadamente a desigualdade social e regional, não nos legou o ódio racial nem o gosto pela autocracia. Todo grande país tem seus problemas, proporcionais a seu tamanho, população, diversidade e complexidade. O Brasil também os tem, não precisa importá-los.

É forçar demais a mão associar mais um episódio de violência e racismo nos Estados Unidos à realidade brasileira. Como também tomar por modelo de protesto político a atuação de uma organização nascida do extremismo que dominou a Alemanha no pós-1.ª Guerra Mundial e a fez arrastar o mundo a outra guerra. Tal tipo de associação, praticada até por um ministro do STF no exercício do cargo, além de irresponsável, é intelectualmente desonesta.

Finalmente, é razoável comparar o regime político que se encerrou há mais de 35 anos com o momento que vivemos no País? Lendo as colunas de opinião, os comentários e até despachos de egrégias autoridades, tem-se a impressão de que sessentões e setentões nas redações e em gabinetes da República resolveram voltar aos seus anos dourados de agitação estudantil, marcados por passeatas de que eventualmente participaram e pelas barricadas em que sonharam estar.

Não há legislação de exceção em vigor no País, nem política, econômica ou social, nenhuma. As Forças Armadas, por mais malabarismo retórico que se tente, estão desvinculadas da política partidária, cumprindo rigorosamente seu papel constitucional. Militares da reserva, como cidadãos comuns, trabalham até para o governo, enquanto os da ativa se restringem a suas atividades profissionais, a serviço do Estado.

Se o País já enfrentava uma catástrofe fiscal herdada de administrações tomadas por ideologia, ineficiência e corrupção, agora, diante da social que se impôs com a pandemia, a necessidade de convergência em torno de uma agenda mínima de reformas e respostas é incomensuravelmente maior. Mas para isso é preciso refletir sobre o que está acontecendo no Brasil.

Quando a opinião se impõe aos princípios, todos perdem a razão. Em todos os sentidos.

Antonio Hamilton Martins Mourão – vice presidente da República

 

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Tulii disse:

    Mourao CAGAO…SO ABRE A BOCA PRA FALAR BESTEIRAS….GOVERNO DE DEBILOIDES

  2. […] Mourão diz que “delinquentes” realizaram manifestações violentas nos últimos dias, critica i… […]

  3. Santos disse:

    Se a chapa for caçada, nem Mourão fica, por isso o tom desesperado. Fazer o que? Um cara preparado como um General deixar ser comandando por um subordinado, dá nisso.

  4. Cigano Lulu disse:

    Mourão é muito pior que o Capetão e, além de tudo, não tem voto. Porém, à medida que a crise se agrava, Mourão mais se sente como um cachorro amarrado numa corda de linguiça.

  5. Horacio P Cunha disse:

    Para bom entendedor meia palavra basta….
    Parabéns ao Vice Presidente…disse tudo…

  6. Carlos Henrique Chal disse:

    Não deve fazer apologia às violência, mas, quem mais incentiva estes comportamentos fora da ordem é o próprio "presidente" que quando abre a boca, tem um desarranjo verbal, ou seja, um cara que só fala em armar a população, ínsita todos para a guerra literalmente.
    Nós precisamos de um governo, que há dezoito meses ainda não assumiu sua posição de representante de uma Nação., Ainda não desceram do palanque, pelo contrário, já está armado para 22, mas, se Deus quiser o povo vai escolher um menos incompetente.
    Acorda Brasil.

  7. Daniel disse:

    Sábias palavras do Gal Morão, vice presidente da Republica, para pessoas inteligentes meia palavra basta!

  8. milton silva disse:

    Enalteceu valores desejados para o país transpor momentos tempestuosos e vencer diferenças profundas nas exacerbações indesejadas de grupo manobrado por pessoas, onde algumas, carregam o dever moral e intelectual de melhor conduzir os conflitos nacional de forma sensata e isenta de partidarismo.
    Mourão, mostrou-se profundo e prudente em sua análise enaltecedora por uma democracia plena.

  9. MOURÃO É A SOLUÇÃO disse:

    Os Generais vão puxar o tapete do capitão. Observem que o Ministro das Forças Armadas já está tendo reuniões com o STJ. Vamos aguardar os próximas ações da PF. É melhor já ir se acostumando com MOURÃO presidente da nação.

  10. Ricardo Borges disse:

    Jornalistas levaram bandeirada na cabeça, apanharam com tripe de câmera, receberam xingamentos e empurrões, os 300 de brasilia sairam com tochas de fogos e mascaras sinistras, levaram faixas pedindo fechamento das instituições e sabe o que o vice presidente falou? NADA! E facil dizer que ama a democracia quando so o seu grupo pode existir e ninguem mais.

  11. paulo disse:

    BG
    Parabéns General, disse tudo que precisa ser dito

  12. Minion alienado disse:

    Ser delinquente de extrema-direita pode, né!?

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