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Novas regras para aposentadoria começam a valer nesta terça

FOTO: BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

As novas regras para a aposentadoria começam a valer a partir desta terça-feira (12). Com a promulgação da Nova Previdência, marcada para às 10h, em cerimônia no Congresso Nacional, todas as mudanças aprovadas na Emenda Constitucional entram em vigor.

Segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), para a análise dos requerimentos, os sistemas de concessão já estão sendo preparados para que as novas regras sejam implementadas. “A partir da promulgação, todas as regras da Nova Previdência, salvo previsão expressa em contrário, passam a ter vigência imediata”, afirmou o instituto em nota.

“Vale destacar que o segurado que tenha o direito adquirido, ou seja, já cumpria os requisitos para acesso aos benefícios na data de promulgação da Emenda Constitucional, terá seu benefício garantido pelas regras anteriores. No entanto, de forma automática, os sistemas do INSS reconhecerão qual o melhor benefício devido ao segurado”, explilca o INSS.

O que muda

A principal medida da reforma da Previdência é a fixação de uma idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) para a aposentadoria. As novas regras também determinam o valor da aposentadoria a partir da média de todos os salários (em vez de permitir a exclusão das 20% menores contribuições), elevam alíquotas de contribuição para quem ganha acima do teto do INSS (hoje em R$ 5.839,00) e estabelecem regras de transição para os trabalhadores em atividade.

Cumprida a regra de idade, a aposentadoria será de 60% do valor recebido com o mínimo de 15 anos de contribuição. Cada ano a mais de trabalho eleva o benefício em dois pontos percentuais, chegando a 100% para mulheres com 35 anos de contribuição e 40 anos para homens.

O objetivo do governo federal é reduzir o déficit nas contas da Previdência Social. A estimativa de economia é de cerca de R$ 800 bilhões em 10 anos.

Veja como fica a aposentadoria com as novas regras

Idade mínima e tempo de contribuição

Trabalhadores privados (urbanos)
– Idade mínima: 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens)
– Tempo mínimo de contribuição: 15 anos (mulheres), 15 (para homens que já estão na ativa) e 20 (para homens que vão começar a trabalhar após a promulgação)

Servidores públicos da União
– Idade mínima: 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens)
– Tempo mínimo de contribuição: 25 anos, com 10 anos no serviço público e cinco no cargo

Trabalhadores rurais
– Idade mínima: 55 anos (mulheres) e 60 anos (homens)
– Tempo de contribuição: 15 anos (ambos os sexos)

Professores
– Idade mínima: 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens)
– Tempo de contribuição: 25 anos (ambos os sexos)

Policiais federais, rodoviários federais e legislativos
– Idade mínima: 55 anos (ambos os sexo)
– Tempo de contribuição: 30 anos (para ambos os sexos, além de 25 anos no exercício da carreira

Para quem já está no mercado de trabalho:

– A proposta prevê 5 regras de transição para os trabalhadores da iniciativa privada que já estão no mercado. Uma dessas regras vale também para servidores – além disso, esta categoria tem uma opção específica. Todas as modalidades vão vigorar por até 14 anos depois de aprovada a reforma. Pelo texto, o segurado poderá sempre optar pela forma mais vantajosa.

Transição 1: sistema de pontos (para INSS)

– A regra é semelhante à formula atual para pedir a aposentadoria integral, a fórmula 86/96. O trabalhador deverá alcançar uma pontuação que resulta da soma de sua idade mais o tempo de contribuição, que hoje é 86 para as mulheres e 96 para os homens, respeitando um mínimo de 35 anos de contribuição para eles, e 30 anos para elas. A transição prevê um aumento de 1 ponto a cada ano, chegando a 100 para mulheres e 105 para os homens.

Exemplo: um trabalhador de 54 anos e 32 de contribuição soma 86 pontos, longe ainda dos 96. E ele só terá direito a pedir aposentadoria em 2028 para receber 100% do benefício calculado.

Transição 2: tempo de contribuição + idade mínima (para INSS)

Nessa regra, a idade mínima começa em 56 anos para mulheres e 61 para os homens, subindo meio ponto a cada ano. Em 12 anos acaba a transição para as mulheres e em 8 anos para os homens. Nesse modelo, é exigido um tempo mínimo de contribuição: 30 anos para mulheres e 35 para homens.

Transição 3: pedágio de 50% – tempo de contribuição para quem está próximo de se aposentar (para INSS)

– Quem está a dois anos de cumprir o tempo mínimo de contribuição que vale hoje (35 anos para homens e 30 anos para mulheres) ainda pode se aposentar sem a idade mínima, mas vai pagar um pedágio de 50% do tempo que falta. Por exemplo, quem estiver a um ano da aposentadoria deverá trabalhar mais seis meses, totalizando um ano e meio. O valor do benefício será reduzido pelo fator previdenciário, um cálculo que leva em conta a expectativa de sobrevida do segurado medida pelo IBGE, que vem aumentando ano a ano.

Transição 4: por idade (para INSS)

– É preciso preencher dois requisitos. Homens precisam de ter 65 anos de idade e 15 anos de contribuição. Mulheres precisam ter 60 anos de idade e 15 de contribuição. Mas, a partir de janeiro de 2020, a cada ano a idade mínima de aposentadoria da mulher será acrescida de seis meses, até chegar a 62 anos em 2023. Além disso, também a partir de janeiro de 2020, a cada ano o tempo de contribuição para aposentadoria dos homens será acrescido de seis meses, até chegar a 20 anos em 2029.

Transição 5: pedágio de 100% (para INSS e servidores)

– Para poder se aposentar por idade na transição, trabalhadores do setor privado e do setor público precisarão se enquadrar na seguinte regra: idade mínima de 57 anos para mulheres e de 60 anos para homens, além de pagar um “pedágio” equivalente ao mesmo número de anos que faltará para cumprir o tempo mínimo de contribuição (30 ou 35 anos) na data em que a PEC entrar em vigor.
Por exemplo, um trabalhador que já tiver a idade mínima mas tiver 32 anos de contribuição quando a PEC entrar em vigor terá que trabalhar os 3 anos que faltam para completar os 35 anos, mais 3 de pedágio.

Transição específica para servidores

– Para os servidores públicos, está prevista também uma transição por meio de uma pontuação que soma o tempo de contribuição mais uma idade mínima, começando em 86 pontos para as mulheres e 96 pontos para os homens.

– A regra prevê um aumento de 1 ponto a cada ano, tendo duração de 14 anos para as mulheres e de 9 anos para os homens. O período de transição termina quando a pontuação alcançar 100 pontos para as mulheres, em 2033, e a 105 pontos para os homens, em 2028, permanecendo neste patamar.

– O tempo mínimo de contribuição dos servidores será de 35 anos para os homens e de 30 anos para as mulheres. A idade mínima começa em 61 anos para os homens. Já para as mulheres, começa em 56 anos.

Outros pontos:

Cálculo do benefício

– O valor da aposentadoria será calculado com base na média de todo o histórico de contribuições do trabalhador (não descartando as 20% mais baixas como feito atualmente).

– Ao atingir o tempo mínimo de contribuição (15 anos para mulheres e 20 anos para homens) os trabalhadores do regime geral terão direito a 60% do valor do benefício integral, com o porcentual subindo 2 pontos para cada ano a mais de contribuição.

– As mulheres terão direito a 100% do benefício quando somarem 35 anos de contribuição. Já para os homens, só terão direito a 100% do benefício quando tiverem 40 anos de contribuição.

– Para os homens que já estão trabalhando, a Câmara reduziu o tempo mínimo de contribuição que tinha sido proposto de 20 anos para 15 anos, mas o aumento do porcentual mínimo, de 60% do benefício, só começa com 20 anos de contribuição.

– O valor da aposentadoria nunca será superior ao teto do INSS, atualmente em R$ 5.839,45, nem inferior ao salário mínimo (hoje, em R$ 998). O texto também garante o reajuste dos benefícios pela inflação.

Benefício de Prestação Continuada (BPC)

– O texto a ser votado permite que pessoas com deficiência e idosos em situação de pobreza continuem a receber 1 salário mínimo a partir dos 65 anos, mas prevê a inclusão na Constituição do critério para concessão do benefício. Essa regra já existe atualmente, mas consta de uma lei ordinária, passível de ser modificada mais facilmente que uma norma constitucional.

Mudança na alíquota de contribuição

– A proposta prevê uma mudança na alíquota paga pelo trabalhador. Os trabalhadores que recebem um salário maior vão contribuir com mais. Já os recebem menos vão ter uma contribuição menor, de acordo com a proposta.
Haverá também a união das alíquotas do regime geral – dos trabalhadores da iniciativa privada – e do regime próprio – aqueles dos servidores públicos. As novas alíquotas serão progressivas e serão calculadas apenas sobre a parcela de salário que se enquadrar em cada faixa.

– Pelo texto, as alíquotas efetivas (percentual médio sobre todo o salário) irão variar entre 7,5% e 11,68%, conforme proposta original apresentada pelo governo. Hoje, variam de 8% a 11% no INSS e incidem sobre todo o salário.

– Para os servidores públicos, as alíquotas efetivas irão variar de 7,5% a mais de 16,79%. Atualmente, o funcionário público federal paga 11% sobre todo o salário, caso tenha ingressado antes de 2013. Quem entrou depois de 2013 paga 11% até o teto do INSS.

Aposentadoria por incapacidade permanente

– Pela proposta, o benefício, que hoje é chamado de aposentadoria por invalidez e é de 100% da média dos salários de contribuição para todos, passa a ser de 60% mais 2% por ano de contribuição que exceder 20 anos. Em caso de invalidez decorrente de acidente de trabalho, doenças profissionais ou do trabalho, o cálculo do benefício não muda.

– As mudanças atingem apenas os professores do ensino infantil, fundamental e médio.

– Para os professores das redes municipais e estaduais nada muda também, uma vez que estados e municípios ficaram de foram da reforma.

Pensão por morte

– Pela proposta, o valor da pensão por morte ficará menor. Tanto para trabalhadores do setor privado quanto para o serviço público, o benefício familiar será de 50% do valor mais 10% por dependente, até o limite de 100% para cinco ou mais dependentes.
– O texto também garante, porém, benefício de pelo menos 1 salário mínimo nos casos em que o beneficiário não tenha outra fonte de renda formal.
– Quem já recebe pensão por morte não terá o valor de seu benefício alterado. Os dependentes de servidores que ingressaram antes da criação da previdência complementar terão o benefício calculado obedecendo o limite do teto do INSS.

Limite de acumulação de benefícios

– Hoje, não há limite para acumulação de diferentes benefícios. A proposta prevê que o beneficiário passará a receber 100% do benefício de maior valor, somado a um percentual da soma dos demais. Esse percentual será de 80% para benefícios até 1 salário mínimo; 60% para entre 1 e 2 salários; 40% entre 2 e 3; 20% entre 3 e 4; e de 10% para benefícios acima de 4 salários mínimos.

– Ficarão fora da nova regra as acumulações de aposentadorias previstas em lei: médicos, professores, aposentadorias do regime próprio ou das Forças Armadas com regime geral.

Abono salarial

– O abono salarial voltou a ficar como é atualmente. Ele é pago para quem recebe até 2 salários mínimos. Numa derrota do governo, que queria só para trabalhadores com renda até R$ 1.364,43.

Salário-família e auxílio-reclusão

– O texto define que os beneficiários do salário-família e do auxílio-reclusão devem ter renda de até R$ 1.364,43.

R7

 

Opinião dos leitores

  1. Um País que dá mais valor a um criminoso "– O texto define que os beneficiários do salário-família e do auxílio-reclusão devem ter renda de até R$ 1.364,43." do quê a um trabalhador "– O texto define que os beneficiários do salário-família e do auxílio-reclusão devem ter renda de até R$ 1.364,43." não pode ser levado a sério, que a reforma é necessária, tudo bem, mais nesses termos, foi de doer. Desculpem o lapso, Leia-se: "– O valor da aposentadoria nunca será superior ao teto do INSS, atualmente em R$ 5.839,45, nem inferior ao salário mínimo (hoje, em R$ 998)."

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Política

Trump diz que Lula terá papel de destaque no conselho de Gaza: “Eu gosto dele”

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Donald Trump voltou a mostrar simpatia pelo presidente Lula e anunciou que o brasileiro terá “grande papel” no recém-criado Conselho de Paz de Gaza. O órgão foi formado para coordenar a reconstrução da região, em meio à guerra entre Israel e Hamas.

“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, declarou o republicano durante coletiva nesta terça-feira (20). Trump ainda sugeriu que o conselho “poderia” substituir a ONU em algumas funções.

A notícia pega mal para Lula no cenário interno, já que o governo petista é alvo de críticas da direita por sua postura internacional. Para analistas, a aproximação com Trump reforça o protagonismo do Brasil em questões globais, mas também expõe o petista a acusações de alinhamento estratégico controverso.

Enquanto isso, a política brasileira segue observando os movimentos do presidente norte-americano, aliado histórico de Bolsonaro, em decisões que podem mexer com a imagem do PT no exterior e, claro, com o debate eleitoral de 2026.

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Política

Hermano retorna ao MDB e aceita convite para ser vice de Allyson Bezerra

Foto: Arquivo/ALRN

O deputado estadual Hermano Morais confirmou que aceitou o convite do MDB para se filiar ao partido e integrar, como vice, a chapa liderada pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), nas eleições de 2026. A articulação reforça o bloco de oposição ao governo Fátima Bezerra (PT) e sinaliza um movimento claro de reorganização da direita no RN

A decisão foi tomada após reunião com o vice-governador e presidente estadual do MDB, Walter Alves, encontro que encerrou conversas que vinham se arrastando há meses, segundo informações da 98 FM Natal.

Antes de bater o martelo, Hermano também conversou com Rivaldo Fernandes, presidente do PV, partido ao qual ainda é filiado, selando politicamente a mudança de rumo.

Hermano deixou claro que a composição ainda depende de etapas formais, como a troca de partido, prevista para ocorrer até março. Segundo ele, o anúncio oficial da chapa só virá após Allyson Bezerra se declarar publicamente pré-candidato ao Governo do Estado, o que é dado como questão de tempo nos bastidores.

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Judiciário

PF aperta cerco no caso Banco Master e investigados entram em pânico com silêncio de Toffoli

Foto: Reprodução

O avanço da Polícia Federal no caso do Banco Master causou tensão máxima entre os investigados. A PF concentrou, nos dias 26 e 27, os depoimentos de nove alvos da apuração, o que pegou advogados e investigados de surpresa e acendeu o alerta vermelho nos bastidores.

Defensores da família Vorcaro e de outros envolvidos afirmam que não foram sequer oficialmente comunicados sobre os depoimentos. Segundo eles, a investigação segue sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, sem acesso a provas ou informações básicas do processo, conforme informações da Veja.

Com a pressa da Polícia Federal, os advogados agora avaliam a melhor reação: pedir mais prazo ao STF, orientar os clientes a permanecerem em silêncio ou denunciar cerceamento de defesa. Em termos simples, cerceamento ocorre quando a defesa não consegue exercer plenamente seus direitos no processo.

Apesar do clima de indignação, enfrentar diretamente o Supremo é visto como último recurso. Nos bastidores, a leitura é clara: o caso avançou rápido demais, sem aviso prévio, e o medo agora é de que decisões já estejam sendo tomadas longe dos olhos da defesa.

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Política

Trump desafia a ONU e lança “Conselho da Paz” para assumir liderança global

Foto: Reprodução

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a mirar a ONU e disse que o Conselho da Paz criado por seu governo pode, sim, substituir o papel das Nações Unidas. A declaração foi feita nesta terça-feira (20), na Casa Branca, ao comentar a iniciativa norte-americana para supervisionar a Faixa de Gaza. “Pode ser que sim”, respondeu, sem rodeios.

Trump afirmou que a ONU “nunca correspondeu às expectativas” e falhou na mediação de conflitos armados ao redor do mundo. Desde que reassumiu o poder, em janeiro de 2025, o republicano intensificou críticas a organismos multilaterais e retirou os EUA de várias entidades ligadas à ONU, reforçando o discurso de que a burocracia internacional mais atrapalha do que resolve.

O Conselho da Paz foi anunciado em 15 de janeiro e faz parte da segunda fase do plano de Trump para Gaza, que inclui o desarmamento do Hamas, a reconstrução do território e a criação de um governo pós-guerra.

A trégua começou em outubro de 2025, mas Israel e Hamas seguem trocando acusações de violar o cessar-fogo. Segundo a Casa Branca, o novo órgão terá poder para supervisionar o plano, cobrar resultados e mobilizar recursos internacionais.

Trump confirmou que convidou líderes como Vladimir Putin e Lula para integrar o Conselho — o petista ainda não respondeu.

Também estão na lista nomes de peso como Marco Rubio, Jared Kushner, Tony Blair e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, além de aliados ideológicos como Javier Milei. A mensagem é clara: Washington quer tirar o protagonismo da ONU e reassumir, sem intermediários, o comando da política global.

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Política

BC esconde reuniões de Moraes sobre Lei Magnitsky e invoca “segurança do Estado”

Foto: Reprodução

O Banco Central decidiu colocar sob sigilo duas reuniões entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

O argumento oficial, segundo informações da Revista Oeste, é de que divulgar o conteúdo dos encontros poderia representar risco à segurança da sociedade e do Estado, mesmo após pedido formal via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Segundo o BC, além de não revelar o teor das conversas, não há qualquer registro oficial do que foi discutido.

As reuniões teriam tratado da chamada Lei Magnitsky, legislação internacional que permite sanções contra autoridades acusadas de violações de direitos humanos — um tema sensível e politicamente explosivo. Curiosamente, os encontros não apareceram nem na agenda pública de Moraes, nem na de Galípolo.

As datas dos encontros, 14 de agosto e 30 de setembro, foram confirmadas pelo próprio Moraes em nota anterior.

O caso ganhou ainda mais repercussão após reportagem revelar que o ministro teria procurado Galípolo para tratar da situação do Banco Master antes da liquidação da instituição, período em que a esposa de Moraes mantinha contrato milionário com o banco.

Para o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), autor do pedido via LAI, a resposta do Banco Central é contraditória e falha. Ele aponta que, se há sigilo, o BC deveria informar quem classificou, por quanto tempo e com base em qual dispositivo legal — o que não ocorreu.

Já se não há registros, a versão bate de frente com declarações públicas do próprio presidente do BC de que todas as reuniões são documentadas. Mais um caso nebuloso que reforça a falta de transparência nos bastidores do poder em Brasília.

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Judiciário

STF em crise: Fachin corre atrás de ministros para “apagar incêndio”

Foto: Divulgação

Pressionado por críticas crescentes e desgastes públicos, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a procurar colegas da Corte nos últimos dias para conversas reservadas. O movimento ocorre em meio a decisões polêmicas e à percepção de crise interna no Supremo, cada vez mais questionado pela opinião pública.

Segundo relatos de ministros, Fachin não entra em casos específicos, mas admite que o momento é grave e “exige” diálogo. A aliados, ele tem dito que decidiu ouvir os colegas, inclusive durante o recesso, para debater o rumo do Judiciário e tentar reduzir a temperatura dentro e fora da Corte.

Nas conversas, o presidente do STF se coloca “à disposição” para discutir temas sensíveis e ouvir avaliações sobre o atual cenário do tribunal. O gesto é visto como uma tentativa de conter o desgaste institucional e alinhar discursos, num momento em que o Supremo virou protagonista político.

Fachin já falou com quase todos os ministros e segue em agenda fora de Brasília. Nesta terça-feira (20), ele embarca para o Maranhão, onde deve se reunir com Flávio Dino — mais um encontro que reforça a leitura de que o STF sente o peso da crise e tenta reagir nos bastidores.

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Política

MST anuncia Lula e Janja em ato pró-Maduro e solidariedade à Venezuela

Foto: reprodução/Instagram

O MST confirmou a presença do presidente Lula e da primeira-dama Janja no encerramento do 14º Encontro Nacional do movimento, marcado para sexta-feira (23), em Salvador (BA). A programação inclui um ato de “solidariedade” à Venezuela, com participação de representante da embaixada do país.

O evento ocorre no Parque de Exposições Agropecuárias e deve reunir 3 mil militantes de todo Brasil. O MST diz que o encontro serve para “forjar estratégias de luta” diante da conjuntura nacional e internacional — linguagem conhecida quando o objetivo é pressionar o poder e pautar o governo amigo.

Apesar da confirmação do movimento, a Secom do Planalto não oficializou a agenda de Lula até agora, segundo informou O Globo. Além do petista, são esperados os governadores Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE), ambos do PT, reforçando o caráter partidário do encontro.

O MST já vem atuando abertamente em defesa do ditador Nicolás Maduro. No início do mês, o movimento participou de protesto em São Paulo contra os Estados Unidos, com cartazes como “Fora Trump da Venezuela” e apoio do PCdoB, pedindo a “libertação” de Maduro e atacando o que chama de “imperialismo”.

Opinião dos leitores

  1. Por que eles não vão fazer o protesto lá em Nova Iorque? De preferência com passagem só de ida e levasse o casal em lua de mel também.

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Política

VÍDEO: Ao lado de Lula, Eduardo Leite é vaiado, pede “respeito” e vira alvo da militância petista

Imagens: Canal.Gov

O governador do RS, Eduardo Leite (PSD), foi vaiado nesta terça-feira (20) ao discursar em um evento oficial ao lado do presidente Lula (PT). A cena ocorreu em cerimônia de assinatura de contrato da Petrobras para a construção de navios gaseiros, em ambiente institucional que rapidamente ganhou clima de comício.

Constrangido, Leite pediu respeito e lembrou que tanto ele quanto Lula foram eleitos pelo voto popular. “Estou cumprindo meu dever constitucional em respeito ao cargo que exerço e ao presidente. Peço respeito”, disse, enquanto as vaias continuavam.

O governador também criticou a hostilidade política e afirmou que atacar quem pensa diferente só alimenta “ódio, rancor e mágoa”.

Segundo ele, o evento não era palco eleitoral, mas uma agenda institucional, reforçando que a intolerância da militância apenas aprofunda a polarização no país. E afirmou que Lula é “sempre bem-vindo” ao Rio Grande do Sul.

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Geral

Ações preventivas da Prefeitura reduzem impactos das chuvas em Natal

Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (20), Natal registrou fortes chuvas, com acumulado de aproximadamente 92 milímetros no bairro Guarapes em cerca de 13 horas. Apesar do elevado volume em curto intervalo de tempo, as ações preventivas realizadas pela Prefeitura do Natal contribuíram para reduzir alagamentos e transtornos em diferentes pontos da cidade.

Atualmente, o município conta com 82 lagoas de captação, que desempenham papel fundamental no sistema de drenagem urbana. Durante as chuvas desta terça-feira, apenas a lagoa de captação do Jardim Primavera, no bairro Nossa Senhora da Apresentação, atingiu nível de extravasamento.

A ocorrência está relacionada à obstrução da tubulação da Rua José Luís da Silva, área que passa por uma obra complexa após danos na rede de drenagem que fica a cerca de nove metros de profundidade. A intervenção iniciada com recursos próprios do município é considerada essencial para toda a região e tem previsão de conclusão em até quatro meses.

“Choveu em toda Natal desde a madrugada. Das mais de 80 lagoas da cidade, apenas uma transbordar devido a um serviço que vai trazer uma solução definitiva, é mostrar que o trabalho preventivo, que o dever de casa, vem sendo feito”, avalia o prefeito Paulinho Freire.

Em diversas áreas da cidade, a Prefeitura já concluiu obras que solucionaram de forma definitiva pontos históricos de alagamento. Na Avenida 4, por exemplo, a intervenção se mostrou eficiente, sem registro de acúmulo de água, beneficiando a região. A lagoa de captação do Santarém também apresentou bom desempenho, suportando o volume de chuvas e reduzindo impactos para os moradores do entorno.

Na Rua Antônio Freire de Lemos, no bairro Planalto, a implantação de poços de infiltração garantiu o rápido escoamento das águas pluviais, reduzindo significativamente os efeitos do período chuvoso em uma das principais vias de acesso da Zona Oeste. Já no bairro Nossa Senhora de Nazaré, a drenagem da Lagoa de São Conrado apresentou resultados positivos, sem registro de alagamentos.

As ações contínuas de limpeza e desobstrução das redes de drenagem também contribuíram para um escoamento mais eficiente em pontos críticos da cidade, como o cruzamento da Avenida Hermes da Fonseca com a Rua Ângelo Varela, além das ruas Governador Juvenal Lamartine, Mossoró, Açu, Trairi e Nascimento de Castro.

Somente com os serviços de limpeza, já foram retiradas mais de 30 mil toneladas de resíduos das redes de drenagem, fortalecendo o sistema de captação de águas pluviais e ampliando a capacidade de resposta da cidade diante de eventos climáticos intensos.

A Prefeitura do Natal mantém monitoramento permanente das condições meteorológicas e dos volumes pluviométricos registrados no município. Entre 0h e 13h desta terça-feira, os índices foram: Guarapes (92 mm), Salinas (66,6 mm), Parque da Cidade (53,2 mm), Cidade Alta (55,5 mm), Sarney (50,6 mm), Pajuçara (49,4 mm), Nossa Senhora de Nazaré (37 mm), Nossa Senhora da Apresentação (37 mm), Neópolis (20,8 mm) e Ponta Negra (12,8 mm). Os dados são provenientes dos pluviômetros da Semurb/Geoma e do Cemaden.

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Política

Ancine libera até R$ 18 milhões para obra sobre Marielle e reacende debate sobre uso de incentivo fiscal

Foto: Emmanuele Contini/NurPhoto via Getty Images

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) autorizou a captação de até R$ 18 milhões para o projeto audiovisual “O Caso Marielle”, da Paris Filmes, maior distribuidora independente do país. A liberação vale até 31 de dezembro de 2029 e reacende a discussão sobre prioridades no uso de incentivos culturais no Brasil.

Na prática, não é dinheiro depositado na conta da produtora, conforme o Metrópoles. A autorização permite buscar recursos privados com incentivo fiscal, ou seja, empresas podem patrocinar o projeto e depois abater parte do valor dos impostos, conforme as leis do audiovisual. É o modelo clássico em que o contribuinte, indiretamente, entra na conta.

O despacho também abre a possibilidade de o projeto pleitear recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um fundo abastecido com dinheiro público. Nesse caso, não há liberação automática: o pedido ainda precisa passar por novas análises e aprovações internas da Ancine.

A autorização foi assinada pelo diretor-presidente da agência, Alex Braga, e fixa o teto de gastos em R$ 18 milhões, além de exigir prestação de contas e acompanhamento do projeto. Em tempos de crise fiscal, o caso volta a levantar uma pergunta incômoda: quem decide o que vira “prioridade cultural” no Brasil governado pelo PT?

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