O vice-presidente de Infraestrutura da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Junior, é um dos alvos da 23ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (22). O executivo, que está no exterior, segundo a Polícia Federal, teve mandado de prisão preventiva decretado.
Além de Silva Junior, estão fora do país o também executivo da empreiteira Fernando Migliaccio da Silva, o publicitário João Santana e sua mulher, Monica Moura. O casal, que se encontra na República Dominicana, voltaria ao país neste sábado (20), mas, segundo a PF, acabou mudando de ideia.
A prisão preventiva de Silva Junior foi solicitada devido à semelhança de termos utilizados pelo executivo em conversas em 2014 com Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente da Odebrecht que foi preso em junho do ano passado e é um dos poucos empresários denunciados permanece atrás das grades.
As mesmas expressões achadas nessas conversas foram encontradas em uma planilha apreendida durante as investigações. O documento indica, segundo a PF, pagamentos de propinas.
Segundo a Polícia Federal, o fato de o executivo utilizar os termos mostra que ele sabia dos esquemas de corrupção na Petrobras.
A 23º fase da Lava Jato foi batizada de “Acarajé” porque, segundo os integrantes da operação, a expressão significa pagamentos indevidos, da mesma forma como “pixuleco”, que deu nome à 17ª fase da operação, em agosto do ano passado.
A operação nesta segunda-feira cumpriu 40 mandados de busca e apreensão em São Paulo -onde um apartamento comprado pelo publicitário João Santana foi sequestrado-, Rio de Janeiro e Salvador. O publicitário, responsável por campanhas eleitorais de candidatos do PT, é suspeito de ter recebido US$ 3 milhões em contas internacionais por meio de off-shores controladas pela Odebrecht.
ARGENTINA
Na entrevista coletiva nesta segunda-feira, em Curitiba, os integrantes da Lava Jato disseram que a Odebrecht tinha contratos na Argentina para pagamentos de funcionários públicos daquele país.
O ex-secretário de Transporte na Argentina Ricardo Jaime seria um dos beneficiários de propinas pagas no exterior, segundo membros da operação.
Folha Press
Dono de uma lanchonete na região central de Brasília, Carlos Pinto fica mudo por alguns instantes toda vez em que um cliente lhe estende uma nota de R$ 20 ou R$ 50. “Será que tem troco?”, pergunta o comerciante, que não trabalha com cartões.
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