
Por Ricardo Noblat
Que direção de órgão público ou de empresa estatal ou de repartição do governo resistiria incólume à revelação em detalhes de discussões travadas sob o manto do segredo?
Desconfio que nenhuma. Ou poucas. Talvez resistisse a direção de piedosas e seculares irmandades religiosas. Ou nem essas.
Nada é mais demolidor do que a transparência. Nada resiste à luz inclemente do sol a pino.
É o que prova a série de reportagens de Vinícius Sassine, de O Globo, escritas com base em gravações de reuniões da diretoria da Petrobras ou do Conselho de Administração da empresa.
A mais recente informa sobre a recusa dos principais conselheiros da Petrobras a acatarem pedidos para excluir de futuras licitações a empreiteira Odebrecht, envolvida na roubalheira da Lava-Jato.
Áudio da reunião de 4 de novembro de 2014, obtido pelo GLOBO, mostra que o conselheiro Sérgio Quintella, presidente do comitê de auditoria da Petrobras, afirmou serem “evidentes os indícios de fraude” em contrato de R$ 825,6 milhões da Odebrecht para serviços de segurança em refinarias no exterior.
Conselheiros questionaram a então presidente da estatal, Graça Foster, sobre o fato de a empresa holandesa SBM Offshore ter sido impedida de participar de novas licitações e a Odebrecht, não. A SBM confessou o pagamento de propina a funcionários da estatal.
Resposta enviesada de Graciosa, como Dilma chama Graça:
– Existe um processo, eu não sou advogada, peço ajuda aos advogados, existe um processo no Ministério Público decorrente da comissão interna. A Odebrecht tem um diretor com acusações do próprio Ministério Público, e isso está em curso. Por que punimos SBM e não punimos Odebrecht? É uma pergunta que eu não tenho elementos.
Entendeu? Eu, não.
Miriam Belchior, então ministra do Planejmento e membro do Conselho, apressou-se em sair em defesa da Odebrecht:
– Uma coisa é a empresa admitir o que fez. A outra é ter indícios e não ter as provas que o Ministério Público está averiguando. Vou adotar a mesma penalidade para situações diferentes? Todo mundo é inocente antes de provas. Esse é um cuidado que a empresa tem de ter, independente de quem está do lado de lá, se é pequena, se é grande. A despeito de indícios fortíssimos, nós não temos provas cabais. Não tenho, graças a Deus, procuração para estar defendendo nenhuma empresa. A gente precisa ser cuidadosa para ter as provas cabais, senão vamos fazer caça às bruxas.
Comovente, não?
Representante dos funcionários no colegiado, o conselheiro Sílvio Sinedino defendeu a exclusão da Odebrecht de novas licitações:
– A Petrobras pode se adiantar, sim. “Não vou convidar mais essa empresa, porque ela já quis me passar a perna em US$ 400 milhões”. Quem garante que não vai passar a perna em US$ 1 bilhão? Acho que não devemos convidar mais.
Foi quando Guido Mantega, ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da empresa, pôs um ponto final do debate:
– Vamos tocar adiante (a reunião).
Dez dias depois, a Polícia Federal prendeu presidentes, executivos e funcionários de empresas suspeitas de integrar um cartel que fatiou contratos da Petrobras. A Odebrecht está sendo investigada.
Somente em 29 de dezembro do ano passado, a Petrobras excluiu a Odebrecht e mais 22 fornecedoras de futuras licitações. A Odebrecht tem R$ 17 bilhões em contratos com a Petrobras.
Deu pra notar que o nobre Realista Brasileiro não gosta muito de ler. Não é mesmo?
Pois se tivesse lido o que senhor João Honesto escreveu não estaria dizendo as coisas que está.
Prefiro pensar assim. Pois se eu pensar que ele leu, vou ter certeza que não soube interpretar o que estava contido nas linhas, entrelinhas e contexto do conteúdo escrito.
O analfabetismo funcional é uma doença clássica nos meios jornalísticos, políticos e científicos também.
Nesses meios altamente tendenciosos, direcionar o tema ou manipular uma informação são atos comuns e corriqueiros, para atender a interesses diversos, adversos e as vezes emocional ou remunerado.
É nesse contexto que as análises passionais se espalham e impedem aqueles que não querem ver que ninguém está defendendo criminosos, e sim a seletividade da justiça e da imprensa que está politizando as questões e só investiga o que é pertinente a uns e outros não. Tudo que é referente ao PSDB e seus aliados, são abafados, escamorteados e ocultados. Por que isso? Será que é esse o combate a corrupção que nós queremos? Ou deve responder todo mundo, doa a quem doer
Pronto, acharam o culpado para a roubalheira da petrobras, um senhor chamado Semler que tem ligação com o PSDB. Deviam enviar isso ao juiz Sérgio Moro para que ele libere imediatamente todos os inocentes das empreiteiras ligadas ao comando do PT, liberar todos os diretores da petrobras indicados pelo PT que desviam milhões. Inocentar a todos imediatamente, o culpado é o Semler.
Aliás nem precisa mais investigar os fundos de pensões, os empréstimos secretos do BNDES, a CEF, esqueçam tudo e todos, a culpa é do senhor Semler que tem ligação, sabe-se lá onde e quanto, com o malvado PSDB. Viva os inocente do PT!
Os petistas hoje parecem a mãe de Fernandinho Beira Mar jurando que o filho é inocente e muito bonzinho, que a culpa das ações dele é porque viu os outros fazendo, então a culpa é dos outros – Isso é o PT, uma farsa.
BBC
04/05/2015 07h39 – Atualizado em 04/05/2015 07h39
'Pela primeira vez no Brasil temos gente rica assustada'
Em entrevista à BBC Brasil, empresário e autor Ricardo Semler diz que casos Petrobras e HSBC estão mudando o país: 'A sensação de que os ricos podem fazer qualquer coisa está fraquejando'.
Quem é Ricardo Semler?
Segundo a Jornalista Ruth Costas da BBC Brasil em São Paulo, Semler é sócio majoritário do conglomerado Semco Partners e ex-professor de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Ricardo Semler tornou-se um dos empresários brasileiros mais conhecidos no exterior nos anos 90 por aplicar em sua empresa princípios gerenciais que ficaram conhecidos como 'democracia corporativa'.
Ao comentar o caso de corrupção na Petrobras, Semler defendeu que "nunca se roubou tão pouco" no Brasil.
E completou: "Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80 e 90, até recentemente", escreveu ele.
E isso não seria tão importante se tivesse sido dito por um defensor dos petistas, pois Semler é filiado ao PSDB.
Essas questões que estão sendo jogadas contra o governo do dia são muito antigas. A Petrobras é só a ponta do iceberg. Há corrupção nas teles, nas montadoras, nas farmacêuticas, nos hospitais particulares. O problema é endêmico e não adianta fazer de conta que surgiu agora. Se você vai para a Paulista e grita contra a corrupção, também precisa responder: Está declarando todos os seus imóveis pelo valor cheio? Nunca deu R$ 50 para o guarda rodoviário? Nunca pediu meio recibo para um médico? E quem está colocando no Congresso esses políticos? Não sei se a Paulista não estaria vazia se todo mundo fizesse um autoexame.
O que ocorre com a corrupção é algo semelhante a nossa percepção sobre violência. Nunca se matou tão pouco no mundo – pense nas duas grandes guerras, na guerra civil espanhola, etc. Mas a internet, os debates, a difusão da informação faz com que tenhamos a sensação contrária.
Basta olhar para o escândalo do HSBC. Ele revelou que quase 10 mil brasileiros têm conta no exterior – imagino que a grande maioria não declarada. Isso não tem a ver com o PT – ou com o PSDB. Há 30, 40, 50 anos as pessoas mandam dinheiro para a Suíça para pagar menos imposto.