Diversos

Com elevação de nível do mar e outros fatores, parte do RN e outros lugares da América Latina podem estar submersos em 2100, diz estudo

Foto: Reginaldo Pimenta/Agência O DIa/Estadão Conteúdo

Milhões de pessoas em todo o mundo estão ameaçadas pela elevação do nível do mar que, junto com outros fatores, pode afetar cidades inteiras ao longo deste século. Da América do Norte à Ásia, os alarmes estão ligados. O que está acontecendo na América Latina? Mostramos aqui algumas das áreas que podem estar submersas até o ano 2100, de acordo com um modelo publicado pela organização Climate Central.

As estimativas da elevação do nível do mar evoluíram ao longo dos anos. O que acontecerá dependerá, entre outros fatores, do aumento das temperaturas na Terra (que por sua vez está ligada às emissões de gases de efeito estufa).

Nesse contexto, um estudo da Climate Central publicado em 2019 na revista Nature Communications calcula que esse aumento será entre 0,6 e 2,1 metros ao longo deste século, valor muito superior às estimativas anteriores.

Isso significa que, até o ano 2100, as terras onde vivem 200 milhões de pessoas podem ser praticamente inabitáveis.

Esta organização sem fins lucrativos desenvolveu um mapa que permite visualizar a ameaça da elevação do nível do mar e mostra que a América Latina não fica de fora. Mostramos aqui alguns dos locais que podem cair permanentemente abaixo da linha da maré alta até 2100.

O mapa da América Latina

México: áreas costeiras na península de Yucatán

As costas oeste e leste do México estão ameaçadas pela elevação do nível do mar. De acordo com a projeção do Climate Central, em menos de 80 anos partes da Península de Yucatán poderiam estar abaixo do nível da água. Terras em Quintana Roo, Yucatán, Campeche e Tabasco seriam afetadas.

Indo para o oeste, a ameaça é vista principalmente ao longo das costas de Sonora, Sinaloa e Nayarit.

As costas da Nicarágua e de Honduras

Nicarágua e Honduras são dois dos países da região que sabem em primeira mão o que significa lidar com as consequências do aquecimento global, que torna os furacões mais perigosos.

O estudo publicado em 2019 adverte justamente que “as comunidades costeiras ao redor do mundo devem se preparar para um futuro muito mais difícil do que pode ser previsto atualmente”.

Colômbia: área de Barranquilla

Na Colômbia, duas áreas se destacam por extensão: uma perto de Barranquilla (a foz do rio Magdalena no Mar do Caribe) e outra em direção à fronteira com o Panamá (o Golfo de Urabá).

Venezuela: a costa ao redor do Lago Maracaibo

No caso da Venezuela existem focos identificáveis ? Nas proximidades do Lago Maracaibo e Tucupita. Se seguirmos a rota leste e sul, a ameaça também é visível na Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Vale ressaltar que o estudo destacou principalmente os riscos potenciais na Ásia, porque cerca de 70% das pessoas em risco de enchentes anuais e permanentes estão em oito países asiáticos: China, Bangladesh, Índia, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Filipinas e Japão.

Brasil: uma ameaça de norte a sul

O Brasil, com seus mais de 7.000 quilômetros de costa no Oceano Atlântico, enfrenta ameaças tão ao norte quanto o estado do Amapá, desde outro extremo, passando pelo Rio Grande do Norte, e ao sul, até o estado de Rio Grande do Sul. Algumas das áreas que podem cair sob a linha da maré alta estão permanentemente próximos a cidades importantes como Porto Alegre e Rio de Janeiro.

E por falar no Rio de Janeiro, uma nota: nos últimos anos o perigo enfrentado pela famosa praia de Copacabana com a elevação do nível do mar tornou-se evidente. E está longe de ser o único ameaçado.

Um estudo de 2020 publicado na Nature Climate Change afirma que metade das praias do mundo podem desaparecer até o final do século.

Uruguai: costa leste com alguns dos pontos turísticos mais valorizados

Se seguirmos para o sul e cruzarmos a fronteira do Brasil, veremos que a costa oriental do Uruguai também tem pontos ameaçados, nos departamentos de Rocha e Maldonado, por exemplo, que são mundialmente reconhecidos por algumas de suas cidades e praias como Punta del East ou Cabo Polonio. Assim como no Norte, em vários casos esse aumento de nível teria impacto no entorno de lagoas ou outros corpos d’água.

Argentina: surtos nas províncias de Entre Ríos e Buenos Aires

Entre os vários pontos visualizados na Argentina, duas áreas se destacam: uma na província de Entre Ríos, onde correm rios como o Ibicuy e o Paraná, e na província de Buenos Aires, no alto da baía de Samborombón.

O que causa o aumento do nível do mar?

Por trás da elevação do nível do mar está uma realidade que cada vez mais ouvimos falar: o aquecimento global. Esse fenômeno faz com que o nível da água suba por dois motivos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Por um lado, contribui para o derretimento de mantos de gelo e geleiras e, por outro, “o volume do oceano se expande com o aquecimento da água”.

A agência cita outro fenômeno que também contribui para a elevação do nível do mar, embora em menor proporção, que é “a diminuição da quantidade de água líquida em terra”, no que se refere a lagos, reservatórios e aqüíferos, entre outros. “Esse deslocamento de água líquida da terra para o oceano se deve em grande parte ao bombeamento de água subterrânea”, explica ele.

Além do bombeamento de água subterrânea, outros fatores que agravam os efeitos da elevação do nível do mar incluem a extração de materiais do solo e a produção de sedimentos que estão ocorrendo perto da costa e causando o afundamento do solo.

Com CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. O momento de vender casa de praia por um bom preço é agora porque no alagado ninguém vai querer.

  2. Sá e Guarabyra já escreveram e cantaram isso, na música “sobradinho” há mais de 40 anos.

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Economia

Redução gradual da quarentena pode minimizar impacto na economia, diz estudo

Foto: Unsplash

Uma abordagem cautelosa para aliviar as restrições de quarentena pode ser melhor para a economia global a longo prazo, pois evita a reimplementação do distanciamento social por novos surtos de Covid-19. Esta foi a conclusão de um novo estudo de modelagem liderado pela University College London, na Inglaterra, e pela Universidade de Tsinghua, na China.

O artigo publicado nesta quarta-feira (03), no Nature Human Behaviour, é o primeiro a avaliar de maneira abrangente os efeitos da quarentena na cadeia de suprimento global. Para isso os especialistas consideraram o impacto dos bloqueios em 140 países, incluindo alguns não diretamente afetados pela Covid-19.

O estudo constatou que bloqueios mais rigorosos impostos anteriormente (como o de dois meses imposto na China) são economicamente preferíveis a medidas mais moderadas impostas por quatro ou seis meses, já que a duração é mais importante para as economias do que sua gravidade. Isso ocorre porque as empresas podem absorver melhor o choque de um breve período, confiando em suas reservas, e porque bloqueios mais curtos causam menos interrupções nas cadeias de suprimentos regionais e globais.

Os pesquisadores também descobriram que países não diretamente afetados pela Covid-19 podem, no entanto, sofrer perdas de mais de 20% do seu PIB devido a quedas na demanda do consumidor e gargalos nas cadeias de suprimentos. Segundo os especialistas, as economias abertas ou altamente especializadas, como os países do Caribe que dependem do turismo e os países da Ásia Central, como o Cazaquistão, que dependem das exportações de energia, estão especialmente em risco.

“Nosso estudo mostra os efeitos de ondulação causados ​​por bloqueios ao longo da cadeia de suprimentos global, com os países não diretamente afetados pela Covid-19 ainda sofrendo grandes perdas econômicas”, disse Dabo Guan, líder da pesquisa, em comunicado.

A equipe acredita que uma redução gradual das medidas de quarentena ao longo de 12 meses minimizaria os impactos na economia em comparação com o término mais rápido das restrições. “Nossa análise quantifica os benefícios econômicos globais de respostas robustas de saúde pública e sugere que justificativas econômicas para reabrir negócios [precipitadamente] podem sair pela culatra se resultarem em outra rodada de bloqueios”, explicou o coautor Steven Davis.

Tendo em vista o cenário atual, os cientistas preveem uma segunda onda de contaminados pela Covid-19 — e acreditam que implementar um lockdown de dois meses simultaneamente em diversos países seria mais efetivo nesse cenário. De acordo com eles, o custo econômico de um bloqueio vai além das fronteiras nacionais e um choque mais curto e único é mais fácil de ser absorvido pela economia.

“Todas as principais economias viram suas cadeias de suprimentos sofrerem substancialmente com a Covid-19. Nossa análise oferece mais exemplos de que a mitigação do impacto econômico da pandemia do novo coronavírus exige um esforço global”, afirmou Xi Liang, pesquisador da Universidade de Edimburgo que também participou da pesquisa. “Caso isso ocorra em resposta à pandemia, será um excelente exemplo para gerenciar o impacto econômico de uma potencial crise no futuro.”

Galileu

Opinião dos leitores

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Saúde

Síndrome rara pode agravar Covid-19 em crianças, diz estudo

Os efeitos da síndrome no longo prazo ainda são desconhecidos, uma vez que a condição é nova e ainda está sendo estudada. Foto/Reprodução

Na maioria dos casos da Covid-19 em crianças são encontrados quadros assintomáticos. No entanto, um fenômeno raro pode agravar a infecção em um nível preocupante. Chamada síndrome pediátrica inflamatória multissistêmica, ou doença de Kawasaki, a condição foi identificada por médicos italianos e americanos, segundo um estudo da revista The Lancet, reportado pelo site Bloomberg.

A análise foi realizada em Bergamo, o epicentro do surto italiano do novo coronavírus, que encontrou 10 casos de infectados que demonstraram sintomas muito semelhantes à doença de Kawasaki, e que foram comparados a relatos de cerca de 90 casos semelhantes vindos de Nova York e Inglaterra.

A doença de Kawasaki é uma condição rara que geralmente afeta crianças menores de 5 anos de idade. Ela causa inflamação e inchaço dos vasos sanguíneos. Os sintomas típicos incluem febre e erupção cutânea, olhos vermelhos, lábios secos ou rachados, vermelhidão nas palmas das mãos e nas solas dos pés e glândulas inchadas.

Embora as crianças ainda permaneçam como o grupo de menor risco no desenvolvimento de complicações graves após serem infectadas pela Covid-19, a pesquisa mostra que o risco não é zero. É recomendado que a síndrome seja registrada como “doença semelhante à Kawasaki”, disseram os autores, pois os sintomas nos 10 pacientes observados no estudo foram diferentes e mais graves em comparação com os 19 casos da doença de Kawasaki reais, observados nos cinco anos anteriores.

Os tratamentos envolvem o uso de imunoglobulina intravenosa, esteroides, antibióticos e uma alta dose de aspirina. Em alguns casos graves, um respirador mecânico pode ser necessário.

Veja

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Saúde

Pacientes recuperados de Covid-19 produzem anticorpos variados, diz estudo

Foto: Creative commons

A maioria dos pacientes com Covid-19 produz importantes mecanismos de defesa específicos para combater o novo coronavírus, como os anticorpos e as células T. Entretanto, segundo um estudo publicado nesta semana na revista Immunity, a resposta do sistema imunológico dos pacientes varia de pessoa para pessoa.

O artigo foi resultado de uma pesquisa conduzida na China com 14 indivíduos que foram infectados pelo Sars-CoV-2 e já se recuperaram da doença. Os especialistas ainda não sabem porque a resposta imune variou tão amplamente entre os pacientes, quando o esperado era que o sistema imunológico deles respondesse de forma parecida.

Os autores dizem que essa variabilidade pode estar relacionada ao estado físico do paciente, às quantidades iniciais de vírus com as quais ele tenha entrado em contato, ou até sua microbiota. “Nosso trabalho fornece base para uma análise mais aprofundada da imunidade e para a compreensão do mecanismo protetor subjacente ao desenvolvimento da Covid-19, especialmente em casos graves”, afirmou Chen Dong, um dos autores do artigo, em comunicado.

De acordo com os pesquisadores, sabe-se relativamente pouco sobre a resposta imune protetora induzida pelo Sars-CoV-2, e abordar essa lacuna pode acelerar o desenvolvimento de uma vacina eficaz. Pensando nisso, os pesquisadores compararam as respostas imunes dos 14 voluntários com os de 6 outros indivíduos saudáveis que não tiveram Covid-19.

Dentre as pessoas deste grupo, os voluntários que tiveram Covid-19 apresentaram níveis mais altos de anticorpos de imunoglobulina M (IgM) e imunoglobulina G (IgG), que se ligaram ao receptor da proteína spike (S-RBD) e à proteína nucleocapsídica do Sars-CoV-2, responsável por encapsular o material genético do vírus.

Outro achado relevante para os médicos é que a quantidade de anticorpos neutralizantes foi associada aos anticorpos IgG que combateram o receptor da proteína spike, mas não os que se ligaram à proteína nucleocapsídica. “Nossos resultados sugerem que o S-RBD é um alvo promissor para as vacinas contra o Sars-CoV-2”, disse Fang Chen, um dos pesquisadores, em declaração à imprensa. Além disso, a proteína induziu respostas de anticorpos e células T.

Galileu

 

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Saúde

No Brasil, coronavírus afeta mais os jovens: faixa de 20 a 49 anos concentra casos, diz estudo

Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo

Dados do portal Covid-19 Brasil, que tem se destacado pelo acerto de suas projeções da pandemia de coronavírus, mostram que a doença no país está concentrada na faixa etária que vai de 20 a 49 anos, com números próximos de 500 mil casos. No município do Rio, 43% dos registros são de pessoas entre 30 e 49 anos.

E apesar de os óbitos seguirem uma tendência mundial – 85% dos mortos têm acima de 60 anos – o percentual de mortes observado entre brasileiros com menos de 50 anos tem sido maior do que o verificado em outros países da Europa e Estados Unidos.

A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, foi a primeira a advertir, com veemência, ainda em março, que o país “rejuvenesceria” a doença, como resultado da combinação da pirâmide etária brasileira com o baixo grau de distanciamento social.

— Não estamos falando de casos leves ou assintomáticos. Nos referimos a pessoas que adoeceram com gravidade e engrossaram a triste estatística de casos confirmados. E casos confirmados em nosso país, sem testes e com altíssima subnotificação, são os mortos e os internados em hospitais com um quadro grave da Covid-19 —salienta Dalcolmo, que integra o comitê científico que assessora o governo do estado do Rio de Janeiro no combate ao novo coronavírus.

Foto: Editoria de Arte

A pneumologista se uniu ao especialista em análises numéricas Domingos Alves, do portal Covid-19 Brasil, para investigar e analisar o impacto da doença no Brasil. O portal reúne cientistas e estudantes de várias universidades brasileiras.

As análises levaram em conta dados oficiais do Ministério da Saúde, do Portal da Transparência do Registro Civil e do próprio portal Covid-19 Brasil, que faz estimativas dos casos subnotificados e projeções da evolução da pandemia. O especialista em informática biomédica Filipe Bernardi detalhou os dados por bairro da cidade do Rio.

— É fácil observar no boletim oficial do município o impacto da Covid-19 nas pessoas entre 30 e 49 anos, que representam 43% do total. A despeito do número de óbitos ser maior nas idades mais avançadas, existe um significativo percentual de jovens sendo internados — diz Alves, especialista em modelagem computacional e líder do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.

Ele observa que, de maneira geral, os óbitos no Brasil seguem a tendência mundial, de serem mais prevalentes em idades acima de 60 anos (85%).

Entretanto, o percentual de mortes observado no país para pessoas com menos de 50 anos tem sido maior do que o verificado em outros países, como Itália, Espanha e Estados Unidos. No Brasil, 7% dos mortos tinham entre 40 e 50 anos; e 3,9% entre 20 e 39 anos.

— O jovem tem mais defesas imunológicas. Por isso, morre menos, mas não quer dizer que não adoeça com gravidade. A situação está grave demais. Muita gente ainda não entendeu que o distanciamento social é a única maneira opção que temos para conter o coronavírus — diz Dalcolmo.

Ser jovem não é ser imune

Ser novo, não ter fatores de risco e praticar atividade física não garantem imunidade a ninguém. Por exemplo, um dos pacientes de Dalcolmo é uma moça de 21 anos, moradora da Zona Sul do Rio e de perfil atlético. Na semana passada, ela começou a sentir sintomas da Covid-19 e, dentre eles, a sensação de estar com a panturrilha “queimando”.

Um exame revelou trombos, uma das marcas da doença. Seu único possível fator de risco, diz a médica, era tomar pílula anticoncepcional.

A comparação entre a distribuição etária do boletim oficial e a do portal Covid-19 Brasil mostra uma diferença importante. O boletim registra as pessoas que foram testadas e, portanto, internadas (casos graves e críticos). Já o portal considera todos os infectados, incluindo assintomáticos e sintomáticos leves.

— Essa população, provavelmente em grande maioria de sintomáticos leves ou assintomáticos, é a lenha que alimenta o espalhamento da epidemia — diz Alves.

Margareth Dalcolmo salienta que a pirâmide etária não é tudo. O fator socioeconômico também pesa:

— Os jovens em maior risco não são os de classe média e alta, que podem se dar ao luxo do home office. São os de classes mais baixas, que precisam sair para trabalhar. Pessoas que não têm informação suficiente sobre a doença e que moram em comunidades com elevada circulação do coronavírus. A doença espelha nossa demografia e nossa disparidade social.

Cálculo cobre lacuna

O portal Covid-19 Brasil tem estimado o número de casos de pessoas infectadas no país por meio de modelagem reversa. Desta forma, contornam a ausência de dados, pois o Brasil segue sem testagem em massa.

O grupo emprega como base de cálculo o número de mortes notificadas. Embora as mortes também sejam subnotificadas, são um indicador mais consolidado do panorama nacional.

Os cientistas aplicam a taxa de letalidade da Coreia do Sul e ajustam os números à pirâmide etária do Brasil. O país asiático é usado como base porque tem dados consolidados sobre testagem desde os primeiros casos.

Domingos Alves diz que a metodologia usada está disponível no site do projeto Covid-19 Brasil.

O Globo

 

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Saúde

Brasil é mais preparado que a China para lidar com epidemias, diz estudo

Foto: Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O Brasil está entre os 25 países do mundo mais bem-preparados para eventuais ameças biológicas, de acordo com o Índice Global de Segurança em Saúde (GHS, na sigla em inglês).

Em um ranking de 195 países, o Brasil ocupa a 22ª posição, à frente da China (51ª), que vive uma epidemia de coronavírus.

O Índice Global de Segurança em Saúde — projeto da organização não governamental Nuclear Threat Initiative e do Centro de Segurança em Saúde do Johns Hopkins Center, desenvolvido pela Economist Intelligence Unit — avalia a capacidade de prevenção, detecção e respostas a ameaças biológicas e também o sistema de saúde.

A lista, divulgada em outubro do ano passado, inclui todos os países signatários do Regulamento Sanitário Internacional.

No topo do ranking aparecem Estados Unidos (1º), Reino Unido (2º) e Países Baixos (3º).

As posições são definidas por notas de 0 a 100, em que 100 indica as melhores condições de saúde. Os EUA tiveram 83.5 pontos. O último colocado foi a Guiné Equatorial, com 16.2 pontos.

Segundo o estudo, “ameaças biológicas — naturais, intencionais ou acidentais — em qualquer país podem representar riscos à saúde global, segurança internacional e economia mundial. Como as doenças infecciosas não conhecem fronteiras, todos os países devem priorizar e exercer as capacidades necessárias para prevenir, detectar e responder rapidamente a emergências de saúde pública”.

O Brasil obteve 59.7 pontos — acima da média (40.2) e da China, que aparece com 48.2 — e é o país latino-americano com a melhor posição.

No item prevenção, que é a capacidade de impedir o surgimento ou liberação de patógenos, o Brasil teve 59.2 pontos (a média global foi de 34.8).

Em relação à detecção e reporte de ameaças biológicas, o Brasil obteve 82.4 pontos (a média global foi 41.9).

O sistema de laboratórios brasileiro recebeu nota 100 (a China teve 66.7). Em relação à vigilância em tempo real, o Brasil teve 81.7, contra 68.3 da China.

Vale ressaltar que o país conta com instituições de pesquisa que são referências internacionais, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro; o Instituto Evandro Chagas, no Pará; o Instituto Adolfo Lutz e o Instituto Butantan, em São Paulo.

O médico Gerson Salvador, infectologista e especialista em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), explica que a vigilância no Brasil tem sido aperfeiçoada nas últimas décadas.

“Uma das áreas de maior expertise que nós temos no Brasil é o serviço de vigilância. Servidores públicos de carreira em nível federal e nos estados e municípios, de elevada competência técnica, que já lidaram com diversas epidemias no Brasil, como zika e H1N1.”

O Brasil também recebeu nota máxima no sub-item “integração de dados humanos/animais/ambientais entre os setores de saúde”, enquanto a China teve 0.

No item resposta rápida, que é capacidade de responder rapidamente e mitigar a propagação de uma epidemia, a nota brasileira foi 67.1 (ante 38.4 da média mundial).

O Brasil aparece entre os únicos noves países considerados pelo estudo como os melhores no critério de resposta rápida — os outros são Reino Unido, Estados Unidos, Suíça, Países Baixos, Tailândia, Coreia do Sul, Finlândia e Portugal.

Sistema de saúde

(mais…)

Opinião dos leitores

  1. A (acertada) decisão de repatriar os brasileiros que estão na China demonstrou que o Brasil não tem um plano de contingência para combater uma pandemia. Basta ver o improviso que está em curso nesse caso (dos repatriados). O Brasil pode ter as técnicos (professores, pesquisadores, médicos, etc.) e os meios, (máquinas, equipamentos, etc.), mas esses recursos não estão organizados e estruturados. Como foram tratadas as 16 pessoas suspeitas de contágio no país? A população não foi informada.

  2. Mas…
    A redução dos orçamentos para a Ciência, a Educação e a Saúde…
    E os constantes ataques aos Cientistas, Educadores e Profissionais da Saúde…
    O que esperar do futuro?

  3. Será que o Brasil tem condições de enfrentar uma epidemia??? Rezando aqui que seja só no pensamento do infectologista???

  4. Realmente Deus é brasileiro uma epidemia dessa aqui não ficava pedra sobre pedra.

  5. Resposta simples: somos tão castigados por essa classe política 171 e escassos de qualidade de vida. Nos adaptamos a qualquer situação extrema com facilidade, Por isso que somos mais preparados. Kkkkk

  6. Tem gente que ainda acredita nesse estudo, vão te catar, nem tem como combater a dengue,naqueles fumacê o governo parou de enviar prós Estados, a cambada de mentirosos.

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Clima

Fogo controlado pode ajudar a evitar incêndios florestais, diz estudo; entenda técnica

Foto: (Nirut Sangkeaw / EyeEm/Getty Images)

O final de 2019 e o começo do 2020 foram marcados por uma série de incêndios florestais de grandes proporções em diversos lugares: na Floresta Amazônica, na África Subsaariana, na Austrália e no oeste dos Estados Unidos, por exemplo. Apesar de diferentes entre si, todos chamaram a atenção do mundo para o problema das mudanças climáticas e do aumento de eventos climáticos extremos. Se preparar para enfrentar incêndios cada vez maiores não é fácil, mas existem algumas técnicas que podem ajudar. Uma delas parece paradoxal: colocar fogo em florestas para evitar incêndios desastrosos no futuro.

Funciona assim: florestas são enormes campos de material combustível acumulado, principalmente na forma de madeira, folhas e arbustos. Dependendo do clima da região, a falta de chuva torna essas áreas extremamente secas, e aí basta uma fagulha inicial para o fogo começar e se espalhar — pode ser uma bituca de cigarro ou um raio, por exemplo.

Quando se sabe que uma floresta pega fogo em épocas de seca, causar um incêndio controlado antes disso vai consumir a maior parte do combustível disponível. Aí, quando a seca chegar, os incêndios podem até ocorrer — mas haverá muito menos matéria para ser queimada, e o resultado será bem menos danoso.

Mas não é só sair por aí com um lança-chamas, queimando tudo o que se vê pela frente: é preciso delimitar uma área primeiro. Em geral, essas áreas são sempre próximas a alguma barreira que impedirá a propagação do fogo para além dos limites desejados, como um rio ou uma estrada, por exemplo. Caso seja necessário, é preciso construir outras barreiras artificiais, usando tratores para derrubar uma “faixa” que separe a área queimada do restante da floresta que permanecerá intacta.

A queimada em si acontece em etapas, para garantir um melhor controle, espalhando o combustível de modo que o fogo se propague contra o vento (ou seja, mais lentamente). Caso tudo ocorra bem nas primeiras etapas, o combustível pode ser espalhado em direções a favor do vento, acelerando o processo.

Os incêndios controlados geralmente são do tipo superficial, ou seja, queimam a matéria que se encontra abaixo de 1,80 m de altura, evitando ao máximo que o fogo chegue no topo das árvores (esse tipo de incêndio, conhecido como incêndio de copas, é mais devastador e difícil de controlar). É possível controlar isso porque o processo é feito em etapas, em épocas que as árvores não estão muito secas. Então, o que está embaixo, como folhas e arbustos, queima muito rapidamente – o que extingue a maior parte do fogo antes que as chamas subam para as árvores. Dessa forma, é possível apagá-lo quando ainda é superficial. Se alguma árvore entra totalmente em chamas no processo, geralmente ela é cortada para evitar a propagação do incêndio para outras.

A técnica não é nova — muito países e estados usam incêndios controlados em áreas de secas, incluindo a Califórnia, nos EUA, e a Austrália, dois lugares que entraram nos noticiários por seus grandes focos de incêndio recentes. No país da Oceania, inclusive, a queimada intencional está longe de ser moderna: os povos aborígenes que ocupavam as terras antes da chegada dos europeus já tinham conhecimento da manobra. Por isso mesmo, os nativos australianos têm sido uma das maiores vozes na crise dos incêndios do país, que já consumiram mais de 10 milhões de hectares e mataram 30 pessoas.

Mas um novo estudo publicado na revista Nature Ecology confirmou novamente que incêndios controlados não apenas são seguros e efetivos, mas que eles também poderiam ter amenizado a desastrosa temporada de incêndios — pelo menos na Califórnia, que também enfrentou chamas anormalmente poderosas no fim do ano. A equipe da Universidade de Stanford analisou os motivos que levaram a uma queda no número de incêndios controlados no estado americano, o que provavelmente teve um papel importante para a crise.

Os cientistas argumentam que cerca de 20% da Califórnia tem que ser frequentemente alvo de queimadas controladas para ajudar a evitar incêndios fora do normal. Nos últimos anos, porém, nem metade desse número foi cumprido. Os motivos para isso são vários: falta de verba, legislações e regulações desatualizadas, falta de profissionais qualificados, etc… A opinião pública também tem um papel importante, porque muitos leigos condenam a medida como algo negativo, mesmo que a ciência comprove que seja efetiva e benéfica para a floresta.

Os pesquisadores também mostram que investir em precaução de incêndios é menos custoso do que tentar lidar com eles depois — tanto financeiramente como ecologicamente.

Mesmo assim, especialistas alertam: somente as queimadas controladas não dão conta de evitar eventos catastróficos. Na Austrália, por exemplo, a medida é empregada regularmente, apesar de uma ligeira queda nos últimos anos, e isso não impediu que o país entrasse em chamas como nunca antes. As mudanças climáticas estão tornando esses eventos extremos mais comuns em todo o mundo — os últimos 10 anos tem tido temperaturas acima da média na Austrália, algo que segue a tendência global. Lidar com esse problema parece inevitável se quisermos proteger nossa natureza.

E na Floresta Amazônica?

O novo estudo coletou dados das queimadas da Califórnia, que tem uma vegetação e um clima semelhantes às áreas incendiadas na Austrália.

Embora também tenha sido palco de grandes incêndios recentemente, nossa Amazônia não compartilha muitas outras coisas com as florestas australianas e californianas. Ela é uma mata úmida, equatorial, que não fica seca naturalmente e dificilmente pega fogo sem intervenção humana. Os polêmicos focos de incêndio que observamos no noticiário foram causados principalmente por queimadas intencionais relacionadas ao desmatamento ilegal, que cresce na região devido ao avanço do agronegócio e da pecuária.

Nesse caso, não faz muito sentido colocar fogo, já que não há queimadas naturais — o melhor mesmo é preservar.

Super Interessante

Opinião dos leitores

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Diversos

Substâncias químicas do filtro solar chegam à corrente sanguínea, diz estudo

(Sirinapa Wannapat/EyeEm/Getty Images)

No calor tropical do Brasil, um fato está na cabeça de todos: praia sem protetor solar é quase certamente sinônimo de pele queimada e ardência. Queridinho dos dermatologistas, o filtro solar serve não só para evitar um incômodo temporário, que surge após uma tarde ensolarada na praia ou na piscina. Ele também previne doenças graves, como câncer de pele. Mas um novo estudo utilizando marcas comuns de bloqueadores solares revelou algo inédito: as substâncias químicas presentes no produto são absorvidas por nossa pele e entram na corrente sanguínea.

A conclusão está em um estudo conduzido pela Food and Drug Administration (FDA), algo como a Anvisa dos Estados Unidos. Ela é órgão responsável por controlar e supervisionar alimentos, medicamentos e outros elementos importantes da saúde pública no país. Os pesquisadores investigaram seis substâncias comuns na maioria dos protetores solares disponíveis do mercado e descobriram que todos ultrapassavam o valor de 0,5 nanogramas por milímetro (ng/mL) – limite estabelecido pela agência para uma substância ser automaticamente segura, sem necessidade de comprovação em novos testes.

Tanto o órgão americano como especialistas foram rápidos em alertar, porém, que o resultado não necessariamente mostra que o uso de protetores solares é perigoso. Ele indica apenas que os ingredientes deverão passar por testes de segurança adicionais para verificar se têm de fato algum efeito no corpo humano. Duas substâncias dessa lista – o óxido de zinco e o dióxido de titânio –, por exemplo, já são conhecidas por serem inofensivas para nossa saúde. Por isso, nenhum teste adicional deve ser pedido para elas.

A agência também ressaltou que o protetor solar é um importante cuidado de saúde pública, sendo a medida que mais protege contra câncer de pele. Protetores solares funcionam absorvendo radiação UV e liberando-a em forma de calor, impedindo que ela cause danos nas células da derme e epiderme. No Brasil, o Ministério da Saúde também recomenda expressamente o uso diário do produto, sobretudo quando há exposição prolongada ao sol.

No estudo, 48 pessoas utilizaram aleatoriamente 1 entre 4 tipos protetores solares vendidos do mercado americano, na forma de loção ou spray. No primeiro dia do experimento, eles aplicaram a cobertura uma única vez. Nos outros três dias, passaram o protetor solar quatro vezes, com intervalos constantes.

Na maioria dos participantes, as substâncias foram detectadas em suas correntes sanguíneas em quantidades que ultrapassavam o limite estabelecido pela FDA, mesmo após um único uso. E a maioria dos compostos ficou no corpo dos voluntários por muito tempo: substâncias como o metoxicinamato de octila e octissalato permanecerem em níveis altos por sete dias; já a oxibenzona só diminuiu depois de 21 dias.

A oxibenzona, em particular, é a que mais interessa os especialistas. Apesar de não haver nenhuma prova de que ela tenha efeitos em nossa saúde, testes em animais já demonstraram que a substância pode desregular a atividade hormonal do corpo.

Muitos especialistas lembraram, porém, que as quantidades encontradas, apesar de acima do limite estabelecido, são extremamente pequenas. De fato, a agência coloca seus parâmetros propositalmente em níveis muito baixos, para não restar dúvida de que algo é seguro ou não. O experimento teve uma limitação importante, admitida pela FDA: ele foi feito inteiramente em laboratório. No dia a dia, com variáveis como maior exposição ao sol e mais suor, por exemplo, a absorção pode ser diferente.

É a segunda vez que um estudo sobre absorção de filtros solares feito pela FDA chega a essa conclusão. Em 2019, um experimento com 24 pessoas publicado na revista científica JAMA também teve resultados parecidos. Novos estudos de segurança serão conduzidos para averiguar se e quais substâncias podem ter algum impacto negativo. Até lá, não se desespere: é verão, não esqueça do protetor solar.

Super Interessante

 

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Diversos

Proteína pode substituir exercícios físicos e academia, diz estudo

Foto: (Reprodução/Thinkstock)

Pesquisadores da Universidade de Medicina de Michigan, nos Estados Unidos, podem ter descoberto uma maneira de fazer com que o corpo humano se beneficie de um treino na academia sem ao menos sair de casa. Após estudarem, em moscas e camundongos, a classe de uma proteína natural chamada Sestrin, os cientistas descobriram que ela consegue imitar os efeitos do exercício e garante maior resistência.

Para testar a descoberta, os pesquisadores construíram uma espécie de escada rolante, onde treinaram as moscas de Drosophila por três semanas, para comparar seus níveis de resistência e habilidades os de moscas que haviam recebido injeções de Sestrin em seus músculos.

Jun Hee Lee, um dos professores da Universidade envolvidos no estudo, disse em comentário que ele e sua equipe observaram uma melhora na habilidade das moscas com Sestrin, além de terem desenvolvido maior resistência: Propomos que o Sestrin possa coordenar essas atividades biológicas ativando ou desativando diferentes vias metabólicas. Esse tipo de efeito combinado é importante para produzir os efeitos do exercício”, completou.

Essas descobertas são capazes de, eventualmente, auxiliar os cientistas a achar uma maneira de diminuir a perda de massa muscular devido ao envelhecimento – já que analisaram que o Sestrin pode ficar armazenado nos músculos. Lee ainda auxiliou em outro estudo da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, que relatou que o Sestrin consegue prevenir a atrofia de um músculo que fica imobilizado por bastante tempo.

No entanto, suplementos da proteína ainda não serão comercializados: “As sestrinas não são pequenas moléculas, mas estamos trabalhando para encontrar moduladores de pequenas moléculas de sestrina”, disse Lee. Antes de qualquer coisa, é necessário entender como o exercício físico produz a proteína para o organismo – algo que ainda não foi identificado pelos cientistas -, para que suas moléculas possam ser utilizadas como tratamentos futuros.

Exame

Opinião dos leitores

  1. Rapaz, depois de ler o segundo parágrafo até desisti de ler o resto, os caras treinaram moscas a "subir uma escada rolante", putz, quero nem mais saber dessa proteína, os caras já são feras!!!! kk

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Diversos

Mulheres em posições de liderança enfrentam mais assédio sexual, diz estudo

Mesmo após décadas de luta pela igualdade de gênero no mercado de trabalho, uma pesquisa feita pelo Instituto Sueco de Pesquisa Social (Sofi) da Universidade de Estocolmo mostrou que mulheres em cargos de supervisão são mais assediadas sexualmente do que outras funcionárias.

O estudo mostra que as supervisoras sofreram entre 30 e 100% mais assédio sexual do que outras funcionárias nos Estados Unidos, no Japão e na Suécia, três países com diferentes níveis de igualdade de gênero no mercado de trabalho que foram analisados pelo estudo.

Os pesquisadores usaram duas ferramentas de medição para realizar a análise. A primeira foi utilizada no Japão e nos EUA, baseada na pesquisa Sexual Experiences Questionnaire, um estudo desenvolvido pelo exército norte-americano que serve como instrumento para investigar o assédio sexual. As questões, que incluíram uma lista de comportamentos e perguntas subjetivas, foram respondidas ao longo de um ano.

A segunda ferramenta foram as cino edições do Swedish Work Environment Survey, um conjunto de dados nacionalmente representativo da Suécia, com um total de 23.994 mulheres entrevistadas.

Nos Estados Unidos e no Japão, a equipe de pesquisa coletou um novo material de pesquisa durante 2019. A amostra dos EUA incluiu 1.573 cidadãs empregadas, das quais 62% tinham cargos de supervisão, enquanto a amostra japonesa incluiu 1.573 mulheres, das quais 17% estavam em posições de supervisão. Além de perguntas sobre assédio sexual, as entrevistadas também foram questionadas sobre os autores, como eles reagiram ao assédio e quais foram as consequências sociais e profissionais para cada caso.

Comparando os níveis de liderança, a exposição ao assédio foi maior nos níveis mais baixos, mas permaneceu substancial e semelhante ao nível de assédio nas posições mais altas.

“Quando começamos a estudar o assédio sexual, esperávamos uma maior exposição para mulheres com menos poder no local de trabalho. Em vez disso, descobrimos o contrário. Quando você pensa sobre isso, há explicações lógicas: um supervisor é exposto a novos grupos de potenciais ‘predadores'”, diz Johanna Rickne, professora de economia da Sofi. “Ela pode ser assediada tanto por seus subordinados quanto pela gerência de nível superior da empresa. Mais assédio por parte desses dois grupos também é o que vimos quando perguntamos às mulheres quem as haviam assediado.”

Nos três países analisados, mulheres em cargo de supervisão estavam mais passíveis a sofrerem assédio quando seus subordinados eram, em sua maioria, homens.

Segundo Olle Folke, pesquisadora afiliada da Sofi e professora associada da Universidade de Uppsala, o assédio sexual significa que o avanço na carreira das mulheres tem um custo muito mais alto que o dos homens, especialmente em empresas ou industrias dominadas por cargos masculinos.

Galileu

 

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Diversos

A cada cinco garrafas de vodca vendidas no Brasil, uma é falsificada, diz estudo

Foto: Arquivo

O mercado ilegal de bebidas alcóolicas movimentou pelo menos 112 milhões de litros de cachaça em 2017. A cada cinco garrafas de vodca, uma é falsificada. Uma a cada quatro garrafas de uísque não é regularizada. Os dados fazem parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) sobre o impacto da clandestinidade no setor.

De acordo com o levantamento, a comercialização de produtos ilegais fez com que o Brasil deixasse de arrecadar R$ 10 bilhões em impostos em 2017, último ano com dados disponíveis. O valor seria suficiente para pagar salários de 83 mil enfermeiras ou construir mais de 5,2 mil escolas, estimam os autores da pesquisa. O estudo foi realizado pela consultoria Euromonitor International, a pedido de quatro empresas do setor.

Na avaliação do diretor-executivo do Ibrac, Carlos Lima, a ilegalidade no setor tem relação com a alta carga tributária no setor, que chega a 60% — quase o dobro da média nacional, hoje em 34%. A entidade está divulgando o estudo para sensibilizar o governo e a sociedade num momento em que o Congresso discute uma reforma tributária.

As duas propostas em discussão hoje preveem a criação de um imposto seletivo, voltado a produtos como cigarro e bebidas alcoólicas. O temor do Ibrac é que isso se traduza em aumento da carga e, consequentemente, em mais sonegação.

— A principal preocupação é em relação ao Imposto Seletivo. Há uma discussão se o IS será regulatório ou arrecadatório — afirma Lima. — Nossa preocupação é que, se a modulação dessa alíquota não for muito bem feita, o governo possa aumentar a tributação. A tributação de destilados no Brasil já passou há muito tempo do ponto ótimo de tributação.

O estudo estimou que o mercado geral de bebidas no Brasil representa 1,1 bilhão de litros de álcool puro — uma métrica que leva em consideração o teor alcoólico dos produtos pesquisados. Desse total, 14,6% é de bebidas ilícitas, considerando falsificação, sonegação, contrabando e produção ilegal.

Só na produção de cachaça, o número de agentes ilegais é superior a 9 mil produtores no país. Esses podem ser os responsáveis pelas 112 milhões de litros do produto.

Segundo Lima, com tanta bebida ilegal no mercado, o consumidor deve ficar atento para evitar comprar produtos ilegais.

— Primeiro, buscar no rótulo as informações sobre o produto, tentar entender a procedência. Qual é a questão do preço, o local. Às vezes você acha que vai encontrar determinada de uísque por um preço ou num lugar que não necessariamente aquele preço teria — pondera.

O Globo

 

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Diversos

Usar demais o cérebro pode diminuir seu tempo de vida, diz estudo

Foto: (imaginima/Getty Images)

Utilizar o cérebro por muitas horas ao longo dia, seja para trabalhar ou para estudar, pode resultar em cansaço e até crises de estresse. Mas, de acordo com um estudo realizado por cientistas da Faculdade de Medicina de Harvard, Estados Unidos, o uso excessivo do cérebro também pode ser relacionado com a morte precoce – antes dos 80 anos. Pensar menos talvez seja uma das saídas para viver por mais tempo.

Publicada na revisa Nature, a pesquisa indica que quanto maior a atividade das células cerebrais, maiores as chances de essa frequência acabar se tornando prejudicial ao ser humano. Para realizar o estudo, pesquisadores de Harvard analisaram tecido cerebral, que havia sido doado para bancos de cérebros humanos, de indivíduos na faixa etária dos 60 e 70 anos e de pessoas que viveram por mais de 100 anos.

Depois da análise, eles perceberam que os indivíduos que faleceram antes de completar 80 anos apresentavam, no cérebro, níveis mais baixos da proteína REST – responsável por absorver os genes que estão envolvidos na atividade cerebral – do que pessoas que morreram próximas aos 100 anos ou mais velhas. Essa proteína, conhecida como Fator Silenciador Restritivo aos Neurônios, já foi apontada como uma protetora contra a doença de Alzheimer.

Como não é possível medir os níveis de REST em pessoas vivas, os pesquisadores utilizaram lombrigas e camundongos para testar o desempenho dessa proteína em melhorar a expectativa de vida. Nos animais em que eles aumentaram a quantidade de REST, a atividade cerebral se reduziu e esses animais conseguiram viver por mais tempo. Aqueles que não tiveram níveis de proteína mais altos morreram em menor tempo.

Bruce Yanker, professor de genética e neurologia em Harvard e um dos líderes do estudo, comentou que o objetivo do estudo é tentar estabelecer alguma relação entre a atividade cerebral e o envelhecimento. Seu laboratório está acompanhando também uma possível ligação do uso de drogas com os níveis da proteína REST: “Eu acho que a implicação do nosso estudo é que, com o envelhecimento, há alguma atividade neural aberrante ou deletéria. Ela não só torna o cérebro menos eficiente mas também é prejudicial para a fisiologia da pessoa ou do animal; e reduz a vida útil como resultado”, disse, em nota, Yankner.

Os cérebros doados, porém, foram de indivíduos cuja causa da morte é uma mistura de fatores, o que torna impossível concluir se a proteína está, de fato, relacionada com as mortes precoces. Angela Gutchess, professora de psicologia, disse ao ScienceAlert que o novo estudo foi um lembrete de que o envelhecimento cerebral só pode ser entendido a partir da conexão de observações e modelos de laboratórios em grande escala, levando em conta o comportamento humano, a imagem do cérebro e o funcionamento individual de suas células.

Exame

Opinião dos leitores

  1. Esse estudo não fala isso. O título é chamativo e desonesto. Se a proteína reduz a chance de Alzheimer; o Alzheimer se associa a incapacidade de estudar e trabalhar; pessoas q viveram mais apresentavam níveis mais altos da proteína, significa q elas tinham mais proteção contra Alzheimer e, provavelmente, mais capacidade para estudar e trabalhar.
    O q o pesquisador afirma é q a atividade neuronal aberrante é prejudicial. Atividade aberrante e não estudar e trabalhar.

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Diversos

Estímulo do clitóris pode ser importante para quem quer engravidar, diz estudo

Foto: shutterstock

O clitóris sempre foi pensado como o único órgão humano projetado puramente para o prazer. Mas o estímulo do clitóris pode desempenhar um papel importante na reprodução, de acordo com o Roy Levin, especialista em excitação feminina na Universidade de Sheffield, Inglaterra.

Porque o estímulo do clitóris auxilia no encontro do óvulo e do espermatozóide?

Segundo o cientista, o estímulo do órgão sexual desencadeia mudanças que tornam as condições dentro do corpo ideais para a concepção. O aumento do fluxo sanguíneo vaginal e lubrificação, que tornam o sexo mais agradável, também ajudam o esperma a viajar em direção ao óvulo. Esse estímulo também pode levar a um aumento do oxigênio e da temperatura no sistema reprodutor feminino, mantendo o sêmen saudável durante toda sua “jornada”.

Mas, o fator mais importante, de acordo com a pesquisa, é que estimular o clitóris leva a uma mudança na posição do colo do útero, a abertura para o útero onde o esperma é depositado. O colo do útero é um pequeno canal que fica no topo da vagina, durante a excitação sexual, a vagina se alonga, o que puxa o colo do útero para cima e ele fica posicionado fora do caminho.

Essa mudança de posição impede que os espermatozoides viajem rápido demais até o útero, de acordo com o especialista, o que dá a eles tempo para se tornarem móveis e ativados para fertilizar o óvulo, escreveu o médico no relatório publicado na revista Clinical Anatomy .

O que acontece depois que o sêmen entra?

Depois que o sêmen é depositado, a ativação da cauda dos espermatozóides é suprimida até que eles estejam a uma distância relativamente curta do óvulo. Isso dá a eles uma chance maior de alcança-lo antes de esgotar seu suprimento de energia.

Em entrevista ao Daily Mail , Levin afirma: “O mantra frequentemente repetido, de que a única função do clitóris é induzir o prazer sexual, agora está obsoleto. O conceito muda uma grande crença sexual, e as evidências fisiológicas são agora óbvias”.

A pesquisa

O cientista analisou 15 estudos de 1966 a 2017 e a conclusão de seu relatório é contrária a maioria das pesquisas que concluíram que a função do clitóris está ligada meramente ao prazer: o órgão é uma massa de nervos, músculos e vasos sanguíneos que se enchem de sangue e ficam eretos quando despertados. Durante o estímulo do clitóris, a ponta se afasta do lugar original e ele torna-se aumentado e firme.

Anteriormente, pensava-se que o estímulo do clitóris tinha uma função indireta na reprodução, porque acaba levando ao sexo, por meio da promessa de prazer.

IG, via Women’s Health

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Diversos

Sete em cada dez brasileiros já acreditaram em ‘fake news’ sobre vacina, diz estudo

Foto: Felipe Barros / Divulgação/PMI

Um estudo inédito conseguiu mapear o alcance das “fake news” sobre vacinas e quem estaria por trás disso, conforme mostra reportagem do ” Fantástico ” deste domingo. Segundo a pesquisa, encomendada ao Ibope pela Avaaz, ONG de mobilização social, e pela Sociedade Brasileira de Imunizações, sete em cada dez brasileiros ouvidos afirmaram que já acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre vacina.

O levantamento aponta ainda que 57% dos que não se vacinaram citaram um motivo relacionado à desinformação. E quase metade (48%) dos 2.002 entrevistados pelo país falaram que têm as redes sociais e os aplicativos como uma das principais fontes de informação sobre vacina.

— Não é exagero nenhum a gente falar que existe uma epidemia de desinformação no Brasil sobre vacinas — afirma Nana Queiroz, coordenadora de campanhas da Avaaz.

A pesquisa analisou 30 “fake news” que circulam no Brasil, com conteúdos a exemplo de “o governo usa vacina como método de esterilização” e “vacinas podem sobrecarregar o sistema imunológico das crianças”. Só no Facebook, elas tiveram mais de 23 milhões de visualizações. Nana salienta que, de cada dez, três vinham do mesmo site americano de um homem chamado Mike Adams — nos EUA, Youtube e Facebook baniram o endereço.

— Mas no brasil, as plataformas e os sites não tomaram o mesmo cuidado, porque o conteúdo desse site está sendo traduzido pra um site homônimo brasileiro — diz Nana.

No Youtube, destaca-se o nome de Jaime Brunning, que se autointitula professor e terapeuta naturista há mais de 30 anos. Ele prega que as vacinas são parte de um complô mundial pra controlar a população.

“Está surgindo uma nova ordem mundial, um controle global da humanidade. Nas vacinas estão colocando vírus do câncer, fungos do câncer” diz ele, em um vídeo.

Brunning atua em um endereço de Americana, no interior de São Paulo, onde vende curas espirituais e um livro em que divulga essas informações. A equipe do “Fantástico” tentou contato, mas ele não quis participar da reportagem.

Em nota, o Whatsapp diz que trabalha para reduzir a viralização de rumores, limitando o encaminhamento de mensagens e banindo o envio de mensagens em massa. Já o Facebook alega que, em temas importantes como vacinação, trabalha com especialistas para entender no que pode melhorar. E o Youtube afima que tem dado maior destaque para conteúdos de saúde de fontes confiáveis e que conta com os usuários para denunciar conteúdo inadequado.

O Ministério da Saúde informa que recebe pelo número de Whatsapp (61) 99289-4640 pedidos de checagem de informações. A pasta diz já ter identificado 13,8 mil mensagens com conteúdo falso, e o resultado da checagem é publicado no site.

Epidemia de sarampo

Enquanto isso, os números da cobertura vacinal no Brasil estão abaixo da meta de 95%, taxa ideal para a maioria das vacinas.

— O movimento antivacina sempre existiu no Brasil. Sempre foi muito pequeno e continua, felizmente, muito pequeno. O que mais preocupa hoje é a hesitação, ou seja, as pessoas que ficam na dúvida porque não são informadas ou porque recebem informações erradas. E deixam de se vacinar — diz Isabella Ballalai, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, que complementa: — São fatos perigosos pra gente assistir, como, por exemplo, o sarampo de volta ao brasil.

Só em 2019, já foram confirmados quase 10,5 mil casos de sarampo no país. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação contra a doença passou de 96%, em 2015, para 57% das crianças até outubro deste ano.

A primeira dose contra a poliomielite também registrou uma quedra brusca: de 98% dos recém-nascidos para 51% no mesmo período.

— O Brasil tem o maior programa de vacinações do mundo, de graça, pelo SUS. Com esse programa, nós conseguimos, num país de dimensões continentais, eliminar doenças como a poliomielite, a variola e até o sarampo, que agora ressurge provocando a morte de algumas crianças não vacinadas. Infelizmente, há pessoas inescrupulosas que divulgam notícias falsas, constestam a eficácia das vacinas e inventam complicações que seriam causadas por elas. Essa gente coloca em risco a vida das nossas crianças. Isso é crime — diz o oncologista Drauzio Varella.

O Globo

 

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Saúde

Resistência da bactéria da gastrite a antibióticos dobra em 20 anos, diz estudo

Foto: Ilustrativa

Um estudo apresentado durante o Congresso da União Europeia de Gastrologia apontou que a resistência da bactéria H. pylori a antibióticos dobrou em 20 anos. Esses microrganismos estão associados a úlcera gástrica, linfoma e câncer gástrico.

A pesquisa, que analisou 1.232 pacientes de 18 países europeus, investigou a reação a antibióticos tomados regularmente para a infecção pela bactéria H. pylori. A resistência à claritromicina, um dos antibióticos mais usados para erradicar a bactéria, aumentou de 9,9% em 1998 para 21,6% no ano passado, com aumentos de resistência também observados para outros dois medicamentos: levofloxacina e metronidazol. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais detectou que a resistência bacteriana à claritromicina no Brasil pode variar de 15% a 20%, o que é classificado como preocupante.

— A infecção por H. pylori já é uma condição complexa para o tratamento, exigindo uma combinação de medicamentos. Com taxas de resistência a antibióticos comumente usados aumentando a uma taxa alarmante de quase 1% por ano, as opções de tratamento se tornarão progressivamente limitadas e ineficazes se novas estratégias de tratamento permanecerem pouco desenvolvidas — alerta Francis Megraud, principal autor do estudo e professor de bacteriologia da Universidade de Bordeaux (França).

A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias desenvolvem a capacidade de sobreviver à exposição a medicamentos projetados para matar ou interromper seu crescimento. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS)identificou o H. pylori resistente à claritromicina como uma bactéria de alta prioridade para pesquisa e desenvolvimento de antibióticos.

— Os medicamentos usados para tratar a H. pylori são comuns no tratamento de doenças mais frequentes como infecções urinárias. Se o paciente já tomou aquele antibiótico antes há maior chance de resistência bacteriana — explica Carlos Eduardo Brandão Mello, chefe do serviço de Gastroenterologia do Hospital São Vicente de Paulo.

Extra – O Globo

Opinião dos leitores

  1. Eu já tentei essa bactéria quatro vezes ,tratei,retrai,refere ao e por último fiz um tratamento duplo e pior que a bactria continua doesmo jeito não desapareceu. H.piroly

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Saúde

Consumo diário de bebidas açucaradas, sejam refrigerantes ou sucos, pode elevar risco de vários tipos de câncer; estudo alerta “mão pesada”

Foto: (Deagreez/Getty Images)

Você é daqueles que sempre preferem um suco de fruta a uma latinha de refrigerante? Não adianta fazer a troca se você tiver a mão pesada na hora de adoçar – ou o costume de exagerar na quantidade. Afinal, o consumo diário de bebidas açucaradas, quer sejam elas refrigerantes ou refrescos naturais, pode elevar seu risco de desenvolver vários tipos de câncer.

Foi o que concluiu um estudo extenso, feito por pesquisadores franceses, que acompanhou 101.257 pessoas (78,7% eram mulheres) entre 2009 e 2018. A pesquisa foi publicada na revista científica BMJ na última quarta-feira (10), e é uma das primeiras a traçar uma relação direta entre consumo de bebidas doces e surgimento de câncer.

Todos os participantes do estudo eram maiores de idade, e tinham, em média, 42 anos. No começo do levantamento, eles responderam questionários sobre seus hábitos alimentares a fim de mapear as fontes de calorias diárias do grupo. A cada seis meses, eles respondiam novamente as mesmas perguntas.

A lista de itens considerados no estudo incluía 109 bebidas açucaradas ou adoçadas artificialmente – sucos de fruta diversos, refrigerantes, xaropes, refrescos, bebidas adoçadas quentes, chás, cafés, bebidas à base de leite, isotônicos e energéticos. Foram consideradas “adoçadas” bebidas que continham mais de 5% de açúcar em sua composição, além de sucos 100% naturais – sem nenhum açúcar extra e, portanto, só com o doce natural da fruta. Várias versões de suco de fruta in natura superam essa margem. Um copo de suco de uva, por exemplo, tem 14 g de açúcar. No de maçã são 10 g e no de laranja, 8 g.

Ao longo dos nove anos de análise, os pesquisadores detectaram o surgimento de 2.193 novos casos de cânceres – sendo 693 de câncer de mama, 291 de câncer de próstata e 166 de câncer colorretal. Na maioria dos casos, os tumores se manifestaram por volta dos 58,5 anos.

Em média, homens consumiam 90,3 mL de bebidas adoçadas todos os dias, contra 74,6 mL das mulheres. A partir desses valores, estimou-se o quanto o consumo poderia influenciar no surgimento de algum tumor.

A pesquisa concluiu que, a cada 100 mL de aumento no consumo diário de bebidas açucaradas, a chance de que uma pessoa sofra de câncer aumenta em 18%. Ou seja: quem tomava 190 mL (quase um copo americano) de refri ou suco adoçado todo dia teve 18% mais chances de desenvolver um tumor do que quem estava na média (até 90 mL). Esse risco é ainda maior no caso do câncer de mama e, para os pacientes considerados no estudo, chegou aos 22%.

Não se sabe ao certo qual o mecanismo fisiológico que explique o fato de as bebidas açucaradas terem relação com o surgimento de cânceres. É fato que uma dieta repleta de açúcar pode contribuir para a obesidade – o que, por tabela, amplia o risco de que alguém desenvolva até 13 tipos de câncer. Mas essa relação, de acordo com a pesquisa, não conta a história inteira.

Segundo os autores, a explicação pode estar na formação de depósitos de gordura visceral – localizada junto aos órgãos internos – e que pode facilitar a formação de tumores. Não é preciso, necessariamente, estar drasticamente acima do peso para que alguém apresente índices de gordura visceral maiores que o recomendado.

Outro fator considerado pelos cientistas é que níveis altos de açúcar no sangue podem provocar reações inflamatórias no organismo, resposta que facilita o desenvolvimento de tumores.

Ainda que o açúcar seja o fator mais determinante na conta, os cientistas pontuam que outros componentes químicos podem ter sua parcela de culpa. Um exemplo, segundo consta na pesquisa, é o 4-Metilimidazol, um dos produtos da degradação do do corante Caramelo IV – usado em refrigerantes a base de cola e energéticos.

“Estes dados mostram a importância das recomendações nutricionais em relação ao consumo de bebidas açucaradas, incluindo os sucos 100% à base de fruta, assim como outras ações, como impostos e restrições de propaganda para essas bebidas”, escrevem os pesquisadores.

Antes que você, leitor, risque qualquer líquido com o menor traço de açúcar da dieta, vale lembrar que o surgimento de cânceres pode estar ligado a diversos fatores que não a alimentação. Entram na conta poluição, prática de atividade física, tabagismo e predisposição genética, por exemplo. Você pode ler o estudo completo neste link.

Super Interessante

 

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