Fogo controlado pode ajudar a evitar incêndios florestais, diz estudo; entenda técnica

Foto: (Nirut Sangkeaw / EyeEm/Getty Images)

O final de 2019 e o começo do 2020 foram marcados por uma série de incêndios florestais de grandes proporções em diversos lugares: na Floresta Amazônica, na África Subsaariana, na Austrália e no oeste dos Estados Unidos, por exemplo. Apesar de diferentes entre si, todos chamaram a atenção do mundo para o problema das mudanças climáticas e do aumento de eventos climáticos extremos. Se preparar para enfrentar incêndios cada vez maiores não é fácil, mas existem algumas técnicas que podem ajudar. Uma delas parece paradoxal: colocar fogo em florestas para evitar incêndios desastrosos no futuro.

Funciona assim: florestas são enormes campos de material combustível acumulado, principalmente na forma de madeira, folhas e arbustos. Dependendo do clima da região, a falta de chuva torna essas áreas extremamente secas, e aí basta uma fagulha inicial para o fogo começar e se espalhar — pode ser uma bituca de cigarro ou um raio, por exemplo.

Quando se sabe que uma floresta pega fogo em épocas de seca, causar um incêndio controlado antes disso vai consumir a maior parte do combustível disponível. Aí, quando a seca chegar, os incêndios podem até ocorrer — mas haverá muito menos matéria para ser queimada, e o resultado será bem menos danoso.

Mas não é só sair por aí com um lança-chamas, queimando tudo o que se vê pela frente: é preciso delimitar uma área primeiro. Em geral, essas áreas são sempre próximas a alguma barreira que impedirá a propagação do fogo para além dos limites desejados, como um rio ou uma estrada, por exemplo. Caso seja necessário, é preciso construir outras barreiras artificiais, usando tratores para derrubar uma “faixa” que separe a área queimada do restante da floresta que permanecerá intacta.

A queimada em si acontece em etapas, para garantir um melhor controle, espalhando o combustível de modo que o fogo se propague contra o vento (ou seja, mais lentamente). Caso tudo ocorra bem nas primeiras etapas, o combustível pode ser espalhado em direções a favor do vento, acelerando o processo.

Os incêndios controlados geralmente são do tipo superficial, ou seja, queimam a matéria que se encontra abaixo de 1,80 m de altura, evitando ao máximo que o fogo chegue no topo das árvores (esse tipo de incêndio, conhecido como incêndio de copas, é mais devastador e difícil de controlar). É possível controlar isso porque o processo é feito em etapas, em épocas que as árvores não estão muito secas. Então, o que está embaixo, como folhas e arbustos, queima muito rapidamente – o que extingue a maior parte do fogo antes que as chamas subam para as árvores. Dessa forma, é possível apagá-lo quando ainda é superficial. Se alguma árvore entra totalmente em chamas no processo, geralmente ela é cortada para evitar a propagação do incêndio para outras.

A técnica não é nova — muito países e estados usam incêndios controlados em áreas de secas, incluindo a Califórnia, nos EUA, e a Austrália, dois lugares que entraram nos noticiários por seus grandes focos de incêndio recentes. No país da Oceania, inclusive, a queimada intencional está longe de ser moderna: os povos aborígenes que ocupavam as terras antes da chegada dos europeus já tinham conhecimento da manobra. Por isso mesmo, os nativos australianos têm sido uma das maiores vozes na crise dos incêndios do país, que já consumiram mais de 10 milhões de hectares e mataram 30 pessoas.

Mas um novo estudo publicado na revista Nature Ecology confirmou novamente que incêndios controlados não apenas são seguros e efetivos, mas que eles também poderiam ter amenizado a desastrosa temporada de incêndios — pelo menos na Califórnia, que também enfrentou chamas anormalmente poderosas no fim do ano. A equipe da Universidade de Stanford analisou os motivos que levaram a uma queda no número de incêndios controlados no estado americano, o que provavelmente teve um papel importante para a crise.

Os cientistas argumentam que cerca de 20% da Califórnia tem que ser frequentemente alvo de queimadas controladas para ajudar a evitar incêndios fora do normal. Nos últimos anos, porém, nem metade desse número foi cumprido. Os motivos para isso são vários: falta de verba, legislações e regulações desatualizadas, falta de profissionais qualificados, etc… A opinião pública também tem um papel importante, porque muitos leigos condenam a medida como algo negativo, mesmo que a ciência comprove que seja efetiva e benéfica para a floresta.

Os pesquisadores também mostram que investir em precaução de incêndios é menos custoso do que tentar lidar com eles depois — tanto financeiramente como ecologicamente.

Mesmo assim, especialistas alertam: somente as queimadas controladas não dão conta de evitar eventos catastróficos. Na Austrália, por exemplo, a medida é empregada regularmente, apesar de uma ligeira queda nos últimos anos, e isso não impediu que o país entrasse em chamas como nunca antes. As mudanças climáticas estão tornando esses eventos extremos mais comuns em todo o mundo — os últimos 10 anos tem tido temperaturas acima da média na Austrália, algo que segue a tendência global. Lidar com esse problema parece inevitável se quisermos proteger nossa natureza.

E na Floresta Amazônica?

O novo estudo coletou dados das queimadas da Califórnia, que tem uma vegetação e um clima semelhantes às áreas incendiadas na Austrália.

Embora também tenha sido palco de grandes incêndios recentemente, nossa Amazônia não compartilha muitas outras coisas com as florestas australianas e californianas. Ela é uma mata úmida, equatorial, que não fica seca naturalmente e dificilmente pega fogo sem intervenção humana. Os polêmicos focos de incêndio que observamos no noticiário foram causados principalmente por queimadas intencionais relacionadas ao desmatamento ilegal, que cresce na região devido ao avanço do agronegócio e da pecuária.

Nesse caso, não faz muito sentido colocar fogo, já que não há queimadas naturais — o melhor mesmo é preservar.

Super Interessante

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Diogo disse:

    Nassim Taleb já fala disso faz anos.

Substâncias químicas do filtro solar chegam à corrente sanguínea, diz estudo

(Sirinapa Wannapat/EyeEm/Getty Images)

No calor tropical do Brasil, um fato está na cabeça de todos: praia sem protetor solar é quase certamente sinônimo de pele queimada e ardência. Queridinho dos dermatologistas, o filtro solar serve não só para evitar um incômodo temporário, que surge após uma tarde ensolarada na praia ou na piscina. Ele também previne doenças graves, como câncer de pele. Mas um novo estudo utilizando marcas comuns de bloqueadores solares revelou algo inédito: as substâncias químicas presentes no produto são absorvidas por nossa pele e entram na corrente sanguínea.

A conclusão está em um estudo conduzido pela Food and Drug Administration (FDA), algo como a Anvisa dos Estados Unidos. Ela é órgão responsável por controlar e supervisionar alimentos, medicamentos e outros elementos importantes da saúde pública no país. Os pesquisadores investigaram seis substâncias comuns na maioria dos protetores solares disponíveis do mercado e descobriram que todos ultrapassavam o valor de 0,5 nanogramas por milímetro (ng/mL) – limite estabelecido pela agência para uma substância ser automaticamente segura, sem necessidade de comprovação em novos testes.

Tanto o órgão americano como especialistas foram rápidos em alertar, porém, que o resultado não necessariamente mostra que o uso de protetores solares é perigoso. Ele indica apenas que os ingredientes deverão passar por testes de segurança adicionais para verificar se têm de fato algum efeito no corpo humano. Duas substâncias dessa lista – o óxido de zinco e o dióxido de titânio –, por exemplo, já são conhecidas por serem inofensivas para nossa saúde. Por isso, nenhum teste adicional deve ser pedido para elas.

A agência também ressaltou que o protetor solar é um importante cuidado de saúde pública, sendo a medida que mais protege contra câncer de pele. Protetores solares funcionam absorvendo radiação UV e liberando-a em forma de calor, impedindo que ela cause danos nas células da derme e epiderme. No Brasil, o Ministério da Saúde também recomenda expressamente o uso diário do produto, sobretudo quando há exposição prolongada ao sol.

No estudo, 48 pessoas utilizaram aleatoriamente 1 entre 4 tipos protetores solares vendidos do mercado americano, na forma de loção ou spray. No primeiro dia do experimento, eles aplicaram a cobertura uma única vez. Nos outros três dias, passaram o protetor solar quatro vezes, com intervalos constantes.

Na maioria dos participantes, as substâncias foram detectadas em suas correntes sanguíneas em quantidades que ultrapassavam o limite estabelecido pela FDA, mesmo após um único uso. E a maioria dos compostos ficou no corpo dos voluntários por muito tempo: substâncias como o metoxicinamato de octila e octissalato permanecerem em níveis altos por sete dias; já a oxibenzona só diminuiu depois de 21 dias.

A oxibenzona, em particular, é a que mais interessa os especialistas. Apesar de não haver nenhuma prova de que ela tenha efeitos em nossa saúde, testes em animais já demonstraram que a substância pode desregular a atividade hormonal do corpo.

Muitos especialistas lembraram, porém, que as quantidades encontradas, apesar de acima do limite estabelecido, são extremamente pequenas. De fato, a agência coloca seus parâmetros propositalmente em níveis muito baixos, para não restar dúvida de que algo é seguro ou não. O experimento teve uma limitação importante, admitida pela FDA: ele foi feito inteiramente em laboratório. No dia a dia, com variáveis como maior exposição ao sol e mais suor, por exemplo, a absorção pode ser diferente.

É a segunda vez que um estudo sobre absorção de filtros solares feito pela FDA chega a essa conclusão. Em 2019, um experimento com 24 pessoas publicado na revista científica JAMA também teve resultados parecidos. Novos estudos de segurança serão conduzidos para averiguar se e quais substâncias podem ter algum impacto negativo. Até lá, não se desespere: é verão, não esqueça do protetor solar.

Super Interessante

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Laurinha disse:

    Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come…..

Proteína pode substituir exercícios físicos e academia, diz estudo

Foto: (Reprodução/Thinkstock)

Pesquisadores da Universidade de Medicina de Michigan, nos Estados Unidos, podem ter descoberto uma maneira de fazer com que o corpo humano se beneficie de um treino na academia sem ao menos sair de casa. Após estudarem, em moscas e camundongos, a classe de uma proteína natural chamada Sestrin, os cientistas descobriram que ela consegue imitar os efeitos do exercício e garante maior resistência.

Para testar a descoberta, os pesquisadores construíram uma espécie de escada rolante, onde treinaram as moscas de Drosophila por três semanas, para comparar seus níveis de resistência e habilidades os de moscas que haviam recebido injeções de Sestrin em seus músculos.

Jun Hee Lee, um dos professores da Universidade envolvidos no estudo, disse em comentário que ele e sua equipe observaram uma melhora na habilidade das moscas com Sestrin, além de terem desenvolvido maior resistência: Propomos que o Sestrin possa coordenar essas atividades biológicas ativando ou desativando diferentes vias metabólicas. Esse tipo de efeito combinado é importante para produzir os efeitos do exercício”, completou.

Essas descobertas são capazes de, eventualmente, auxiliar os cientistas a achar uma maneira de diminuir a perda de massa muscular devido ao envelhecimento – já que analisaram que o Sestrin pode ficar armazenado nos músculos. Lee ainda auxiliou em outro estudo da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, que relatou que o Sestrin consegue prevenir a atrofia de um músculo que fica imobilizado por bastante tempo.

No entanto, suplementos da proteína ainda não serão comercializados: “As sestrinas não são pequenas moléculas, mas estamos trabalhando para encontrar moduladores de pequenas moléculas de sestrina”, disse Lee. Antes de qualquer coisa, é necessário entender como o exercício físico produz a proteína para o organismo – algo que ainda não foi identificado pelos cientistas -, para que suas moléculas possam ser utilizadas como tratamentos futuros.

Exame

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Danilo Fagundes disse:

    Rapaz, depois de ler o segundo parágrafo até desisti de ler o resto, os caras treinaram moscas a "subir uma escada rolante", putz, quero nem mais saber dessa proteína, os caras já são feras!!!! kk

Mulheres em posições de liderança enfrentam mais assédio sexual, diz estudo

Mesmo após décadas de luta pela igualdade de gênero no mercado de trabalho, uma pesquisa feita pelo Instituto Sueco de Pesquisa Social (Sofi) da Universidade de Estocolmo mostrou que mulheres em cargos de supervisão são mais assediadas sexualmente do que outras funcionárias.

O estudo mostra que as supervisoras sofreram entre 30 e 100% mais assédio sexual do que outras funcionárias nos Estados Unidos, no Japão e na Suécia, três países com diferentes níveis de igualdade de gênero no mercado de trabalho que foram analisados pelo estudo.

Os pesquisadores usaram duas ferramentas de medição para realizar a análise. A primeira foi utilizada no Japão e nos EUA, baseada na pesquisa Sexual Experiences Questionnaire, um estudo desenvolvido pelo exército norte-americano que serve como instrumento para investigar o assédio sexual. As questões, que incluíram uma lista de comportamentos e perguntas subjetivas, foram respondidas ao longo de um ano.

A segunda ferramenta foram as cino edições do Swedish Work Environment Survey, um conjunto de dados nacionalmente representativo da Suécia, com um total de 23.994 mulheres entrevistadas.

Nos Estados Unidos e no Japão, a equipe de pesquisa coletou um novo material de pesquisa durante 2019. A amostra dos EUA incluiu 1.573 cidadãs empregadas, das quais 62% tinham cargos de supervisão, enquanto a amostra japonesa incluiu 1.573 mulheres, das quais 17% estavam em posições de supervisão. Além de perguntas sobre assédio sexual, as entrevistadas também foram questionadas sobre os autores, como eles reagiram ao assédio e quais foram as consequências sociais e profissionais para cada caso.

Comparando os níveis de liderança, a exposição ao assédio foi maior nos níveis mais baixos, mas permaneceu substancial e semelhante ao nível de assédio nas posições mais altas.

“Quando começamos a estudar o assédio sexual, esperávamos uma maior exposição para mulheres com menos poder no local de trabalho. Em vez disso, descobrimos o contrário. Quando você pensa sobre isso, há explicações lógicas: um supervisor é exposto a novos grupos de potenciais ‘predadores'”, diz Johanna Rickne, professora de economia da Sofi. “Ela pode ser assediada tanto por seus subordinados quanto pela gerência de nível superior da empresa. Mais assédio por parte desses dois grupos também é o que vimos quando perguntamos às mulheres quem as haviam assediado.”

Nos três países analisados, mulheres em cargo de supervisão estavam mais passíveis a sofrerem assédio quando seus subordinados eram, em sua maioria, homens.

Segundo Olle Folke, pesquisadora afiliada da Sofi e professora associada da Universidade de Uppsala, o assédio sexual significa que o avanço na carreira das mulheres tem um custo muito mais alto que o dos homens, especialmente em empresas ou industrias dominadas por cargos masculinos.

Galileu

 

A cada cinco garrafas de vodca vendidas no Brasil, uma é falsificada, diz estudo

Foto: Arquivo

O mercado ilegal de bebidas alcóolicas movimentou pelo menos 112 milhões de litros de cachaça em 2017. A cada cinco garrafas de vodca, uma é falsificada. Uma a cada quatro garrafas de uísque não é regularizada. Os dados fazem parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) sobre o impacto da clandestinidade no setor.

De acordo com o levantamento, a comercialização de produtos ilegais fez com que o Brasil deixasse de arrecadar R$ 10 bilhões em impostos em 2017, último ano com dados disponíveis. O valor seria suficiente para pagar salários de 83 mil enfermeiras ou construir mais de 5,2 mil escolas, estimam os autores da pesquisa. O estudo foi realizado pela consultoria Euromonitor International, a pedido de quatro empresas do setor.

Na avaliação do diretor-executivo do Ibrac, Carlos Lima, a ilegalidade no setor tem relação com a alta carga tributária no setor, que chega a 60% — quase o dobro da média nacional, hoje em 34%. A entidade está divulgando o estudo para sensibilizar o governo e a sociedade num momento em que o Congresso discute uma reforma tributária.

As duas propostas em discussão hoje preveem a criação de um imposto seletivo, voltado a produtos como cigarro e bebidas alcoólicas. O temor do Ibrac é que isso se traduza em aumento da carga e, consequentemente, em mais sonegação.

— A principal preocupação é em relação ao Imposto Seletivo. Há uma discussão se o IS será regulatório ou arrecadatório — afirma Lima. — Nossa preocupação é que, se a modulação dessa alíquota não for muito bem feita, o governo possa aumentar a tributação. A tributação de destilados no Brasil já passou há muito tempo do ponto ótimo de tributação.

O estudo estimou que o mercado geral de bebidas no Brasil representa 1,1 bilhão de litros de álcool puro — uma métrica que leva em consideração o teor alcoólico dos produtos pesquisados. Desse total, 14,6% é de bebidas ilícitas, considerando falsificação, sonegação, contrabando e produção ilegal.

Só na produção de cachaça, o número de agentes ilegais é superior a 9 mil produtores no país. Esses podem ser os responsáveis pelas 112 milhões de litros do produto.

Segundo Lima, com tanta bebida ilegal no mercado, o consumidor deve ficar atento para evitar comprar produtos ilegais.

— Primeiro, buscar no rótulo as informações sobre o produto, tentar entender a procedência. Qual é a questão do preço, o local. Às vezes você acha que vai encontrar determinada de uísque por um preço ou num lugar que não necessariamente aquele preço teria — pondera.

O Globo

 

Usar demais o cérebro pode diminuir seu tempo de vida, diz estudo

Foto: (imaginima/Getty Images)

Utilizar o cérebro por muitas horas ao longo dia, seja para trabalhar ou para estudar, pode resultar em cansaço e até crises de estresse. Mas, de acordo com um estudo realizado por cientistas da Faculdade de Medicina de Harvard, Estados Unidos, o uso excessivo do cérebro também pode ser relacionado com a morte precoce – antes dos 80 anos. Pensar menos talvez seja uma das saídas para viver por mais tempo.

Publicada na revisa Nature, a pesquisa indica que quanto maior a atividade das células cerebrais, maiores as chances de essa frequência acabar se tornando prejudicial ao ser humano. Para realizar o estudo, pesquisadores de Harvard analisaram tecido cerebral, que havia sido doado para bancos de cérebros humanos, de indivíduos na faixa etária dos 60 e 70 anos e de pessoas que viveram por mais de 100 anos.

Depois da análise, eles perceberam que os indivíduos que faleceram antes de completar 80 anos apresentavam, no cérebro, níveis mais baixos da proteína REST – responsável por absorver os genes que estão envolvidos na atividade cerebral – do que pessoas que morreram próximas aos 100 anos ou mais velhas. Essa proteína, conhecida como Fator Silenciador Restritivo aos Neurônios, já foi apontada como uma protetora contra a doença de Alzheimer.

Como não é possível medir os níveis de REST em pessoas vivas, os pesquisadores utilizaram lombrigas e camundongos para testar o desempenho dessa proteína em melhorar a expectativa de vida. Nos animais em que eles aumentaram a quantidade de REST, a atividade cerebral se reduziu e esses animais conseguiram viver por mais tempo. Aqueles que não tiveram níveis de proteína mais altos morreram em menor tempo.

Bruce Yanker, professor de genética e neurologia em Harvard e um dos líderes do estudo, comentou que o objetivo do estudo é tentar estabelecer alguma relação entre a atividade cerebral e o envelhecimento. Seu laboratório está acompanhando também uma possível ligação do uso de drogas com os níveis da proteína REST: “Eu acho que a implicação do nosso estudo é que, com o envelhecimento, há alguma atividade neural aberrante ou deletéria. Ela não só torna o cérebro menos eficiente mas também é prejudicial para a fisiologia da pessoa ou do animal; e reduz a vida útil como resultado”, disse, em nota, Yankner.

Os cérebros doados, porém, foram de indivíduos cuja causa da morte é uma mistura de fatores, o que torna impossível concluir se a proteína está, de fato, relacionada com as mortes precoces. Angela Gutchess, professora de psicologia, disse ao ScienceAlert que o novo estudo foi um lembrete de que o envelhecimento cerebral só pode ser entendido a partir da conexão de observações e modelos de laboratórios em grande escala, levando em conta o comportamento humano, a imagem do cérebro e o funcionamento individual de suas células.

Exame

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Anibal disse:

    Está explicada a longevidade de certos elementos da esquerda.

  2. Expedito Junior disse:

    Essa faculdade não é aquela que Jean Wyllis é professor? Pobre Harvard!

  3. Biu Fontes disse:

    E muitos por aí e as loiras vão viver uns 300 anos

  4. Renata disse:

    Esse estudo não fala isso. O título é chamativo e desonesto. Se a proteína reduz a chance de Alzheimer; o Alzheimer se associa a incapacidade de estudar e trabalhar; pessoas q viveram mais apresentavam níveis mais altos da proteína, significa q elas tinham mais proteção contra Alzheimer e, provavelmente, mais capacidade para estudar e trabalhar.
    O q o pesquisador afirma é q a atividade neuronal aberrante é prejudicial. Atividade aberrante e não estudar e trabalhar.

  5. Fran disse:

    Outro estudo constatou que usar de menos favorece o mal de Alzheimer. Muita desinformação

Estímulo do clitóris pode ser importante para quem quer engravidar, diz estudo

Foto: shutterstock

O clitóris sempre foi pensado como o único órgão humano projetado puramente para o prazer. Mas o estímulo do clitóris pode desempenhar um papel importante na reprodução, de acordo com o Roy Levin, especialista em excitação feminina na Universidade de Sheffield, Inglaterra.

Porque o estímulo do clitóris auxilia no encontro do óvulo e do espermatozóide?

Segundo o cientista, o estímulo do órgão sexual desencadeia mudanças que tornam as condições dentro do corpo ideais para a concepção. O aumento do fluxo sanguíneo vaginal e lubrificação, que tornam o sexo mais agradável, também ajudam o esperma a viajar em direção ao óvulo. Esse estímulo também pode levar a um aumento do oxigênio e da temperatura no sistema reprodutor feminino, mantendo o sêmen saudável durante toda sua “jornada”.

Mas, o fator mais importante, de acordo com a pesquisa, é que estimular o clitóris leva a uma mudança na posição do colo do útero, a abertura para o útero onde o esperma é depositado. O colo do útero é um pequeno canal que fica no topo da vagina, durante a excitação sexual, a vagina se alonga, o que puxa o colo do útero para cima e ele fica posicionado fora do caminho.

Essa mudança de posição impede que os espermatozoides viajem rápido demais até o útero, de acordo com o especialista, o que dá a eles tempo para se tornarem móveis e ativados para fertilizar o óvulo, escreveu o médico no relatório publicado na revista Clinical Anatomy .

O que acontece depois que o sêmen entra?

Depois que o sêmen é depositado, a ativação da cauda dos espermatozóides é suprimida até que eles estejam a uma distância relativamente curta do óvulo. Isso dá a eles uma chance maior de alcança-lo antes de esgotar seu suprimento de energia.

Em entrevista ao Daily Mail , Levin afirma: “O mantra frequentemente repetido, de que a única função do clitóris é induzir o prazer sexual, agora está obsoleto. O conceito muda uma grande crença sexual, e as evidências fisiológicas são agora óbvias”.

A pesquisa

O cientista analisou 15 estudos de 1966 a 2017 e a conclusão de seu relatório é contrária a maioria das pesquisas que concluíram que a função do clitóris está ligada meramente ao prazer: o órgão é uma massa de nervos, músculos e vasos sanguíneos que se enchem de sangue e ficam eretos quando despertados. Durante o estímulo do clitóris, a ponta se afasta do lugar original e ele torna-se aumentado e firme.

Anteriormente, pensava-se que o estímulo do clitóris tinha uma função indireta na reprodução, porque acaba levando ao sexo, por meio da promessa de prazer.

IG, via Women’s Health

Sete em cada dez brasileiros já acreditaram em ‘fake news’ sobre vacina, diz estudo

Foto: Felipe Barros / Divulgação/PMI

Um estudo inédito conseguiu mapear o alcance das “fake news” sobre vacinas e quem estaria por trás disso, conforme mostra reportagem do ” Fantástico ” deste domingo. Segundo a pesquisa, encomendada ao Ibope pela Avaaz, ONG de mobilização social, e pela Sociedade Brasileira de Imunizações, sete em cada dez brasileiros ouvidos afirmaram que já acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre vacina.

O levantamento aponta ainda que 57% dos que não se vacinaram citaram um motivo relacionado à desinformação. E quase metade (48%) dos 2.002 entrevistados pelo país falaram que têm as redes sociais e os aplicativos como uma das principais fontes de informação sobre vacina.

— Não é exagero nenhum a gente falar que existe uma epidemia de desinformação no Brasil sobre vacinas — afirma Nana Queiroz, coordenadora de campanhas da Avaaz.

A pesquisa analisou 30 “fake news” que circulam no Brasil, com conteúdos a exemplo de “o governo usa vacina como método de esterilização” e “vacinas podem sobrecarregar o sistema imunológico das crianças”. Só no Facebook, elas tiveram mais de 23 milhões de visualizações. Nana salienta que, de cada dez, três vinham do mesmo site americano de um homem chamado Mike Adams — nos EUA, Youtube e Facebook baniram o endereço.

— Mas no brasil, as plataformas e os sites não tomaram o mesmo cuidado, porque o conteúdo desse site está sendo traduzido pra um site homônimo brasileiro — diz Nana.

No Youtube, destaca-se o nome de Jaime Brunning, que se autointitula professor e terapeuta naturista há mais de 30 anos. Ele prega que as vacinas são parte de um complô mundial pra controlar a população.

“Está surgindo uma nova ordem mundial, um controle global da humanidade. Nas vacinas estão colocando vírus do câncer, fungos do câncer” diz ele, em um vídeo.

Brunning atua em um endereço de Americana, no interior de São Paulo, onde vende curas espirituais e um livro em que divulga essas informações. A equipe do “Fantástico” tentou contato, mas ele não quis participar da reportagem.

Em nota, o Whatsapp diz que trabalha para reduzir a viralização de rumores, limitando o encaminhamento de mensagens e banindo o envio de mensagens em massa. Já o Facebook alega que, em temas importantes como vacinação, trabalha com especialistas para entender no que pode melhorar. E o Youtube afima que tem dado maior destaque para conteúdos de saúde de fontes confiáveis e que conta com os usuários para denunciar conteúdo inadequado.

O Ministério da Saúde informa que recebe pelo número de Whatsapp (61) 99289-4640 pedidos de checagem de informações. A pasta diz já ter identificado 13,8 mil mensagens com conteúdo falso, e o resultado da checagem é publicado no site.

Epidemia de sarampo

Enquanto isso, os números da cobertura vacinal no Brasil estão abaixo da meta de 95%, taxa ideal para a maioria das vacinas.

— O movimento antivacina sempre existiu no Brasil. Sempre foi muito pequeno e continua, felizmente, muito pequeno. O que mais preocupa hoje é a hesitação, ou seja, as pessoas que ficam na dúvida porque não são informadas ou porque recebem informações erradas. E deixam de se vacinar — diz Isabella Ballalai, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, que complementa: — São fatos perigosos pra gente assistir, como, por exemplo, o sarampo de volta ao brasil.

Só em 2019, já foram confirmados quase 10,5 mil casos de sarampo no país. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação contra a doença passou de 96%, em 2015, para 57% das crianças até outubro deste ano.

A primeira dose contra a poliomielite também registrou uma quedra brusca: de 98% dos recém-nascidos para 51% no mesmo período.

— O Brasil tem o maior programa de vacinações do mundo, de graça, pelo SUS. Com esse programa, nós conseguimos, num país de dimensões continentais, eliminar doenças como a poliomielite, a variola e até o sarampo, que agora ressurge provocando a morte de algumas crianças não vacinadas. Infelizmente, há pessoas inescrupulosas que divulgam notícias falsas, constestam a eficácia das vacinas e inventam complicações que seriam causadas por elas. Essa gente coloca em risco a vida das nossas crianças. Isso é crime — diz o oncologista Drauzio Varella.

O Globo

 

Resistência da bactéria da gastrite a antibióticos dobra em 20 anos, diz estudo

Foto: Ilustrativa

Um estudo apresentado durante o Congresso da União Europeia de Gastrologia apontou que a resistência da bactéria H. pylori a antibióticos dobrou em 20 anos. Esses microrganismos estão associados a úlcera gástrica, linfoma e câncer gástrico.

A pesquisa, que analisou 1.232 pacientes de 18 países europeus, investigou a reação a antibióticos tomados regularmente para a infecção pela bactéria H. pylori. A resistência à claritromicina, um dos antibióticos mais usados para erradicar a bactéria, aumentou de 9,9% em 1998 para 21,6% no ano passado, com aumentos de resistência também observados para outros dois medicamentos: levofloxacina e metronidazol. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais detectou que a resistência bacteriana à claritromicina no Brasil pode variar de 15% a 20%, o que é classificado como preocupante.

— A infecção por H. pylori já é uma condição complexa para o tratamento, exigindo uma combinação de medicamentos. Com taxas de resistência a antibióticos comumente usados aumentando a uma taxa alarmante de quase 1% por ano, as opções de tratamento se tornarão progressivamente limitadas e ineficazes se novas estratégias de tratamento permanecerem pouco desenvolvidas — alerta Francis Megraud, principal autor do estudo e professor de bacteriologia da Universidade de Bordeaux (França).

A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias desenvolvem a capacidade de sobreviver à exposição a medicamentos projetados para matar ou interromper seu crescimento. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS)identificou o H. pylori resistente à claritromicina como uma bactéria de alta prioridade para pesquisa e desenvolvimento de antibióticos.

— Os medicamentos usados para tratar a H. pylori são comuns no tratamento de doenças mais frequentes como infecções urinárias. Se o paciente já tomou aquele antibiótico antes há maior chance de resistência bacteriana — explica Carlos Eduardo Brandão Mello, chefe do serviço de Gastroenterologia do Hospital São Vicente de Paulo.

Extra – O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. João Batista Costa disse:

    Eu já tentei essa bactéria quatro vezes ,tratei,retrai,refere ao e por último fiz um tratamento duplo e pior que a bactria continua doesmo jeito não desapareceu. H.piroly

Consumo diário de bebidas açucaradas, sejam refrigerantes ou sucos, pode elevar risco de vários tipos de câncer; estudo alerta “mão pesada”

Foto: (Deagreez/Getty Images)

Você é daqueles que sempre preferem um suco de fruta a uma latinha de refrigerante? Não adianta fazer a troca se você tiver a mão pesada na hora de adoçar – ou o costume de exagerar na quantidade. Afinal, o consumo diário de bebidas açucaradas, quer sejam elas refrigerantes ou refrescos naturais, pode elevar seu risco de desenvolver vários tipos de câncer.

Foi o que concluiu um estudo extenso, feito por pesquisadores franceses, que acompanhou 101.257 pessoas (78,7% eram mulheres) entre 2009 e 2018. A pesquisa foi publicada na revista científica BMJ na última quarta-feira (10), e é uma das primeiras a traçar uma relação direta entre consumo de bebidas doces e surgimento de câncer.

Todos os participantes do estudo eram maiores de idade, e tinham, em média, 42 anos. No começo do levantamento, eles responderam questionários sobre seus hábitos alimentares a fim de mapear as fontes de calorias diárias do grupo. A cada seis meses, eles respondiam novamente as mesmas perguntas.

A lista de itens considerados no estudo incluía 109 bebidas açucaradas ou adoçadas artificialmente – sucos de fruta diversos, refrigerantes, xaropes, refrescos, bebidas adoçadas quentes, chás, cafés, bebidas à base de leite, isotônicos e energéticos. Foram consideradas “adoçadas” bebidas que continham mais de 5% de açúcar em sua composição, além de sucos 100% naturais – sem nenhum açúcar extra e, portanto, só com o doce natural da fruta. Várias versões de suco de fruta in natura superam essa margem. Um copo de suco de uva, por exemplo, tem 14 g de açúcar. No de maçã são 10 g e no de laranja, 8 g.

Ao longo dos nove anos de análise, os pesquisadores detectaram o surgimento de 2.193 novos casos de cânceres – sendo 693 de câncer de mama, 291 de câncer de próstata e 166 de câncer colorretal. Na maioria dos casos, os tumores se manifestaram por volta dos 58,5 anos.

Em média, homens consumiam 90,3 mL de bebidas adoçadas todos os dias, contra 74,6 mL das mulheres. A partir desses valores, estimou-se o quanto o consumo poderia influenciar no surgimento de algum tumor.

A pesquisa concluiu que, a cada 100 mL de aumento no consumo diário de bebidas açucaradas, a chance de que uma pessoa sofra de câncer aumenta em 18%. Ou seja: quem tomava 190 mL (quase um copo americano) de refri ou suco adoçado todo dia teve 18% mais chances de desenvolver um tumor do que quem estava na média (até 90 mL). Esse risco é ainda maior no caso do câncer de mama e, para os pacientes considerados no estudo, chegou aos 22%.

Não se sabe ao certo qual o mecanismo fisiológico que explique o fato de as bebidas açucaradas terem relação com o surgimento de cânceres. É fato que uma dieta repleta de açúcar pode contribuir para a obesidade – o que, por tabela, amplia o risco de que alguém desenvolva até 13 tipos de câncer. Mas essa relação, de acordo com a pesquisa, não conta a história inteira.

Segundo os autores, a explicação pode estar na formação de depósitos de gordura visceral – localizada junto aos órgãos internos – e que pode facilitar a formação de tumores. Não é preciso, necessariamente, estar drasticamente acima do peso para que alguém apresente índices de gordura visceral maiores que o recomendado.

Outro fator considerado pelos cientistas é que níveis altos de açúcar no sangue podem provocar reações inflamatórias no organismo, resposta que facilita o desenvolvimento de tumores.

Ainda que o açúcar seja o fator mais determinante na conta, os cientistas pontuam que outros componentes químicos podem ter sua parcela de culpa. Um exemplo, segundo consta na pesquisa, é o 4-Metilimidazol, um dos produtos da degradação do do corante Caramelo IV – usado em refrigerantes a base de cola e energéticos.

“Estes dados mostram a importância das recomendações nutricionais em relação ao consumo de bebidas açucaradas, incluindo os sucos 100% à base de fruta, assim como outras ações, como impostos e restrições de propaganda para essas bebidas”, escrevem os pesquisadores.

Antes que você, leitor, risque qualquer líquido com o menor traço de açúcar da dieta, vale lembrar que o surgimento de cânceres pode estar ligado a diversos fatores que não a alimentação. Entram na conta poluição, prática de atividade física, tabagismo e predisposição genética, por exemplo. Você pode ler o estudo completo neste link.

Super Interessante

 

Brasil ganhou 42 mil novos milionários em um ano, diz estudo

Foto: (Mario Tama/Getty Images)

O Brasil ganhou 42 mil novos milionários em um ano, de acordo com a nova edição do Relatório de Riqueza Global divulgada nesta segunda-feira (21) pelo banco Credit Suisse.

O número de milionários no país saltou de 217 mil adultos em 2018 para 259 mil em 2019. Foi uma das maiores altas do mundo, perdendo apenas para Holanda, Alemanha, China, Japão e Estados Unidos. A previsão é que o número de milionários no Brasil deve crescer 23% até 2024, chegando ao total de 319 mil adultos.

São considerados milionários aqueles com mais de US$ 1 milhão em ativos financeiros e reais, incluindo moradia, abatendo o valor de dívidas.

O relatório destaca que grande parte da variação ano a ano se refere a mudanças nos preços desses ativos e variação nas taxas de câmbio. Desde 2010, por exemplo, a riqueza média no Brasil caiu 3% em dólares, mas subiu 33% em reais.

O que mais contribuiu para a criação de novos milionários neste ano foi uma alta de 35% nos preços das ações, enquanto a riqueza de forma geral está em uma “montanha-russa” desde a crise de 2008 em grande parte pela flutuação do câmbio.

O Brasil também foi um dos países do mundo onde mais cresceu o grupo de milionários “ultra-high”, aqueles com riqueza acima de US$ 50 milhões. Foram 860 novos membros do grupo no ano, perdendo apenas para os Estados Unidos, onde 4,2 mil pessoas superaram esse patrimônio.

A tendência vai na contramão mundial. A parcela de riqueza mundial concentrada no 1% no topo da pirâmide subiu entre 2007 e 2016 em todos os países selecionados, com exceção da Índia, mas depois disso começou a cair em todos os países – com exceção do Brasil.

A estimativa do banco é que o 1% mais rico da população brasileira detém 49% de toda a riqueza familiar do país. Enquanto isso, 70% dos brasileiros tem riqueza inferior a US$ 10.000, proporção acima da observada no resto do mundo (58%).

O relatório destaca que a alta desigualdade de riqueza no país, referente a patrimônio, reflete em parte a alta desigualdade de renda, referente aos rendimentos.

Os últimos números do IBGE com base na PNAD mostram que a concentração da renda no país não era tão alta desde o início da série histórica em 2012. Em agosto, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um estudo apontando alta da desigualdade há 17 trimestre seguidos.

O fenômeno teria relação com a crise no mercado de trabalho, que afetou especialmente o extrato de trabalhadores com menor qualificação e menor remuneração.

Quando começou a melhora na geração de vagas, os desempregados que conseguiram retornar ao mercado de trabalho passaram a ganhar menos em funções semelhantes ou a atuar em postos informais, que também remuneram menos.

Exame

 

Viagra poderia ajudar no tratamento de leucemia e linfoma, diz estudo

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram em um novo estudo que o Viagra pode ser útil para outra finalidade além da disfunção erétil: o medicamento poderia ser usado em transplantes de medula óssea.

O trabalho foi feito em ratos: os cientistas deram aos animais o citrato de sildenafila, princípio ativo do Viagra, e uma dose de Plerixafor, remédio usado para direcionar células-tronco do sangue para a medula óssea. O órgão é o responsável pela produção de células sanguíneas e, em pessoas com leucemias e linfomas, não funciona como deveria.

O experimento deu certo: a disponibilidade de células-tronco com a mistura de medicamentos ficou 7,5% maior, o dobro do obtido usando apenas o Plerixafor.

Os autores da pesquisa apostam que, se esses resultados se mantiverem em estudos com humanos, é possível ter uma nova alternativa aos transplantes de medula, com a vantagem de ser indolor e segura.

“Os médicos poderão prover um tratamento único para condições que atualmente têm que ser tratadas durante a vida toda de um paciente”, afirmou a pesquisadora Camila Forsberg, que participou do estudo, em comunicado.

Galileu

 

NÃO É FRASE CLICHÊ: Os humilhados serão exaltados, diz estudo

Foto: (RichVintage/Superinteressante)

Se você acha que a vida é uma derrota atrás da outra, aqui vai uma boa notícia: um estudo feito pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, encontrou uma relação de causalidade entre o fracasso e sucesso posterior na profissão. Ou seja: descobriu que o fato de tudo dar errado no início da carreira de alguém impulsiona ativamente o triunfo a longo prazo no futuro.

A pesquisa, publicada na revista Nature, analisaram o desempenho de mais de mil jovens cientistas entre 1990 e 2005. Naquela época, todos eles prestaram uma prova para conseguir bolsas de estudo. Os jovens que não passaram por pouco foram reunidos em um primeiro grupo, enquanto aqueles que passaram “raspando” ficaram no segundo grupo.

Em seguida, os pesquisadores avaliaram a quantidade e relevância dos artigos publicados por cada um dos jovens ao longo dos dez anos seguintes. Apesar de terem se frustrado e ficado sem financiamento, o primeiro grupo foi o que mais publicou artigos de destaque ao longo da carreira.

A grande diferença parece ser a relevância do trabalho que o primeiro grupo fazia. Eles não publicaram necessariamente mais artigos, mas tinham os trabalhos mais citados entre outros especialistas da área.

Agora, o outro lado da história: os fracassos e decepções também aumentavam muito a proporção de profissionais que simplesmente abandonavam. A taxa de desistência do primeiro grupo foi 10% mais alta quando comparada ao segundo.

Segundo os autores do estudo, esse índice de evasão pode ajudar a explicar os resultados. A desistência de alguns jovens deixaria apenas os profissionais mais determinados no ramo. Logo, isso aumentaria a taxa de sucesso do grupo, mesmo que eles fossem considerados “fracassados” no início.

Outros aspectos levados em consideração pelos pesquisadores são mais difíceis de medir. Eles acreditam que características da personalidade dos fracassados podem ter impulsionados as suas conquistas – como a capacidade de aprender com o erro e a automotivação de permanecer na mesma tarefa sem estímulos externos.

Agora já sabe: se você não conseguiu passar naquela prova ou entrevista de emprego, não desanime. Pode ser que o momento da vitória demore, mas uma hora ele chega.

Super Interessante

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. EmbaixadorDoReino disse:

    Se esse estudo fosse mais profundo verificaria que não é "Os humilhados serão exaltados" e sim "o que se humilha a si mesmo". O inverso também vale: O que exalta a si mesmo será humilhado. Mateus 23:12

Gentileza é a principal qualidade na busca por um parceiro, diz estudo

Foto: (iStock/Getty Images)

Numa época em que as prioridades da maioria das pessoas mudou – especialmente entre a população mais jovem –, pode parecer mais difícil encontrar alguém que esteja realmente disposto a entrar em um relacionamento sério. Apesar disso, existe demanda e oferta neste mercado e algumas características podem tornar uma pessoa mais – ou menos – atraente aos olhos de alguém que busca uma relação a longo prazo. Quais são essas características? A primeira dela – pasmem – é a gentileza, indica estudo publicado este mês no periódico Journal of Personality.

A pesquisa mostra que, no geral, homens e mulheres estão menos preocupados com a atratividade física ou a situação financeira quando procuram alguém para começar um relacionamento. Outros traços pouco priorizados na busca por um parceiro (ou parceira) está a criatividade e a castidade (abstinência de sexo). Esses resultados foram encontrados tanto na população ocidental quanto na oriental.

Para a equipe, essa descoberta mostra que, independente do ambiente em que as pessoas nascem e crescem, existem características mais atraentes para todos os seres humanos. “Se homens e mulheres agem de maneira semelhante em todo o mundo, isso fortalece a ideia de que alguns comportamentos se desenvolvem apesar da cultura e não por causa disso”, explicou Andrew G. Thomas, principal autor da pesquisa, em comunicado.

Prioridades

Para chegar a esta conclusão, os cientistas da Universidade de Swansea, no País de Gales, recrutaram 2.477 estudantes universitários (homens e mulheres). Para analisar as preferências dos participantes, a equipe realizou uma atividade simples: eles ganharam um valor hipotético fixo com o qual poderiam comprar características para seus parceiros ideais. Entre as características estavam: atratividade física, bondade, humor, castidade, religiosidade, desejo de ter filhos e criatividade.

Os resultados foram comparados às preferências de estudantes de países ocidentais (Reino Unido, Noruega e Austrália) e orientais (Malásia, Cingapura e Hong Kong). Ao final do estudo, os pesquisadores concluíram que a gentileza era o traço mais procurado entre as pessoas (22% a 26%). As menos procuradas foram criatividade e castidade (menos de 10%).

Os cientistas notaram também algumas diferenças entre os sexos. Para os homens, a atratividade física foi um dos traços mais comprados (22%) se comparado às mulheres (16%). Já as mulheres investiram mais em situação financeira favorável (18%) do que os homens (12%). Outro contraste salientado pela equipe foi o desejo de ter filhos: esse foi um traço mais procurado pelos ocidentais. Isso pode ser explicado pela necessidade de planejamento familiar.

“Em culturas onde a contracepção é generalizada, o desejo de um parceiro por filhos pode indicar a possibilidade de formar uma família. Já em culturas onde o uso de contraceptivos é menos difundido, ter filhos pode ser uma consequência natural do sexo dentro de um relacionamento, tornando o desejo real por crianças menos relevante”, explicou Thomas.

Chances menores

Enquanto a gentileza pode ser extremamente atraente em uma parceira (ou parceiro) em potencial, alguns traços podem ter o efeito oposto, apontou estudo do ano passado publicado no periódico British Journal of Psychology. Para algumas pessoas, ser muito inteligente ou descontraído demais pode ser características problemáticas quando se está procurando um relacionamento sério.

“Níveis elevados de inteligência podem incitar sentimentos de insegurança em algumas pessoas, o que pode torná-los menos desejáveis como parceiro. Já a descontração excessiva pode indicar que essa pessoa não inspira confiança ou não tem ambição”, esclareceu Gilles Gignac, da University of Western Australia, em comunicado.

Se você está procurando um parceiro, talvez queira trabalhar algumas qualidade pessoais – só não vale mudar a sua essência para agradar outra pessoa.

Veja

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Wellington disse:

    Na Verdade a busca pelo parceiro é um conjunto de qualidades!

Machu Picchu foi construída de propósito em local com falhas tectônicas, diz estudo

Construída pelos incas há centenas de anos, a misteriosa cidade de Machu Picchu fica em uma área remota: no topo de uma montanha, a 2,4 mil metros de altitude, a pouco mais de 1 mil quilômetros de Lima, capital do Peru. Intrigados pela localização da construção arquitetônica, cientistas da Sociedade Geológica da América resolveram estudar a região.

Eles descobriram que o povo inca construiu o santuário exatamente em cima de um local com uma falha geológica — e isso foi feito propositalmente. “A localização de Machu Picchu não é uma coincidência”, afirmou Rualdo Menegat, geólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ( UFRGS). “Seria impossível construir um local nas montanhas altas se o substrato [das rochas] não fosse fraturado”.

Menegat analisou imagens de satélite e medições da área de Machu Picchu e notou que havia pequenas fraturas em pedras individuais e grandes linhas mais abrangentes de 175 quilômetros, que controlam alguns vales fluviais.

O pesquisador encontrou também falhas geológicas que ergueram as Cordilheiras dos Andes Centrais nos últimos 9 milhões de anos. Algumas dessas marcas geológicas se orientam para nordeste-sudoeste e outras para noroeste-sudeste, formando um “X” , ao se cruzar sob Machu Picchu.

Segundo Menegat, como os incas eram ótimos com a arquitetura de pedra, eles aproveitavam os materiais que estavam presentes nas falhas geológicas para suas construções. A zona tectônica ativa ajudava as rochas a se quebrarem, diminuindo os esforços que o antigo povo tinha em esculpi-las.

Macchu Picchu também foi construída na região devido a outras vantagens geográficas, como a drenagem do local após a chuva e também a possibilidade de se ter uma fonte de água abundante. “As falhas tectônicas da área canalizaram a água de derretimento da neve e a água da chuva”, contou o pesquisador.

A construção do santuário em um local alto também permitiu evitar deslizamentos de terra e avalanches. Outras cidades incas, como Ollantaytambo, Pisac e Cusco, também estavam localizadas em cruzamentos de falhas tectônicas.

Galileu

 

Gatos são tão apegados aos donos quanto cachorros, diz estudo

Foto: (Linda Raymond/Getty Images)

Toda mãe e pai de gato sabe: eles são independentes. Limpam-se sozinhos, não pedem por atenção toda hora e mantêm aquele temperamento blasé boa parte do tempo. Isso faz parecer que eles são mais indiferentes aos donos que os cães.

Mas, como todo pai e mãe de gato também sabe, a verdade é que eles são incompreendidos. É o que diz um estudo da Universidade do Estado do Oregon, nos EUA. A pesquisa mostra que os bichinhos desenvolvem uma apego emocional muito grande com seu cuidador, tão forte quanto o desenvolvido por um cachorro ou mesmo por uma criança.

Os autores escrevem no estudo, publicado no periódico Current Biology, que as pesquisas científicas costumam subestimar a importância das relações sociais na vida dos gatos. Para analisar essas relações, eles resolveram investigar o nível de “apego” que os gatos têm com seus donos.

No estudo, os pesquisadores fizeram com os gatos um teste geralmente aplicado a bebês e cães. O experimento foi dividido em três partes: na primeira, o gato passou dois minutos em uma sala desconhecida junto com seu cuidador; na segunda, o felino ficou dois minutos sozinho nessa mesma sala e, na terceira, o dono retornou para mais dois minutos com o animal.

Nas duas primeiras fases do teste, a grande maioria dos gatos teve as mesmas reações: ficaram com seus donos durante os primeiros dois minutos, e demonstraram certa estranheza ou curiosidade sobre o lugar nos minutos em que estavam sozinhos. A terceira fase foi a que realmente mostrou resultados.

“Os gatos reagiram de três formas, basicamente. Vários deles “cumprimentaram” seus donos e seguiram explorando o ambiente de forma mais tranquila do que antes. Os mais inseguros deixaram de explorar o lugar e ficaram agarrados aos donos, outros evitaram o dono quando ele retornou”. A maioria (dois terços) estava no primeiro grupo, o que demonstrou menos estresse com a presença do criador.

É a mesma proporção que se encontra quando o teste é aplicado a cachorros e bebês. Ou seja: dá para dizer que, sim, os gatos são tão apegados aos seus pais humanos quanto cães e crianças pequenas.

Pense duas vezes antes de chamar seu gato de insensível.

Super Interessante