Por Jornal de Hoje
Cansado de promessas que jamais se cumprem para que as gerações futuras paguem a conta dos financiamentos públicos, o sociólogo Paulo Sérgio Oliveira de Araújo ingressou, na última segunda-feira, com uma Ação Popular na 4ª Vara da Justiça Federal, pedindo a paralisação imediata das obras do aeroporto de São Gonçalo do Amarante.
O impetrante alega, trocando em miúdos, que o empreendimento que já consumiu R$ 71 milhões repassados pelo BNDES ao Consórcio Inframérica, vencedor da licitação para a construção o novo terminal, está muito longe de honrar o projeto inicial de ser um verdadeiro “hub” de cargas e passageiros.
O impetrando, por exemplo, questiona o projeto do novo aeroporto como um todo, “uma vez que ao longo dos anos a obra sofreu diversas alterações e foi maculada de inúmeros vícios, que a tornaram nada mais que uma réplica empobrecida do já insuficiente aeroporto Augusto Severo”.
Nesta terça-feira por telefone ao JH, o sociólogo se confessou cansado das promessas que vendem falsos projetos de desenvolvimento à base de dinheiro público gastos sem qualquer beneficio efetivo ao desenvolvimento econômico.
No seu entender, o novo aeroporto trouxe “flagrantes prejuízos para a Nação (erário, cumprimento da lei), para o Estado (obrigação de despesas e investimentos), para o Município de São Gonçalo (ecologia, palperização de proprietários municipais), e o Município de Parnamirim (desvalorização do seu aeroporto).
Para ele, “durante o decorrer de todos esses anos, a obra ainda não atingiu o seu objetivo, bem como a Justiça ainda não julgou todas as indenizações, não possuindo o Estado sequer uma terça parte do título de domínio das áreas, conforme se denota pelo Relatório produzido pela ANAC”.
Para o sociólogo, a Ação Pública é uma forma de protesto contra a forma com que os interesses políticos no estado privilegiam obras sem se importar com a questão da infraestrutura que deve acompanhar todas as obras importantes ao desenvolvimento econômico.
“É o caso gritante dos acessos ao aeroporto, que prometem ser um arremedo de obra perto do que deveria estar sendo preparada”, desabafa. “Durante anos o que temos recebido são promessas cercadas de meias verdades ou inverdades, onde a única coisa que procede é o gasto com dinheiro público”, afirma.
Depois dessa ação, o sociólogo pensa seriamente em questionar a construção da Arena das Dunas, cujas obras de mobilidade produzidas, até agora, resumem-se a um pequeno contorno de acesso construído para impedir que os automóveis entrassem direto na Avenida Romuldo Galvão. “Essa foi a grande obra de mobilidade feita até agora!”, reclama.
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