As manifestações do último dia 30 tiveram como principal objetivo a defesa de Sergio Moro. Em Brasília, um enorme boneco de Super-Homem com o seu rosto foi inflado na frente do Congresso. Símbolo da Lava-Jato, que representa um marco na história da luta anticorrupção no país, o ex-juiz vem sofrendo sérios arranhões na imagem desde que os diálogos entre ele e membros da força-tarefa vieram a público revelando bastidores da operação. As conversas ocorridas no ambiente de um sistema de comunicação privada (o Telegram) e divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostraram que, no papel de magistrado, Moro deixou de lado a imparcialidade e atuou ao lado da acusação. As revelações enfraqueceram a imagem de correção absoluta do atual ministro de Jair Bolsonaro e podem até anular sentenças.
No material que o Intercept diz ter recebido de uma fonte anônima, há quase 1 milhão de mensagens, totalizando um arquivo com mais de 30 000 páginas. Só uma pequena parte havia sido divulgada até agora — e ela foi suficiente para causar uma enorme polêmica. Em parceria com o site, VEJA realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo.
Foram analisadas pela reportagem 649 551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações examinadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado.
Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava bronca neles. “O juiz deve aplicar a lei porque na terra quem manda é a lei. A justiça só existe no céu”, diz Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, falando em tese sobre o papel de um magistrado. “Quando o juiz perde a imparcialidade, deixa de ser juiz.”
Não seria um escândalo se um magistrado atuasse nas sombras alertando um advogado de que uma prova importante para a defesa de seu cliente havia ficado de fora dos autos? Pois isso aconteceu na Lava-Jato, só que em favor da acusação. Uma conversa de 28 de abril de 2016 mostra que Moro orientou os procuradores a tornar mais robusta uma peça. No diálogo, Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, avisa à procuradora Laura Tessler que Moro o havia alertado sobre a falta de uma informação na denúncia de um réu — Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo, e um dos principais operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras. Skornicki tornou-se delator na Lava-Jato e confessou que pagou propinas a vários funcionários da estatal, entre eles Eduardo Musa, mencionado por Dallagnol na conversa. “Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele”, diz. (VEJA manteve os diálogos originais com eventuais erros de digitação e ortografia.) “Ih, vou ver”, responde a procuradora. No dia seguinte, o MPF incluiu um comprovante de depósito de 80 000 dólares feito por Skornicki a Musa. Moro aceita a denúncia minutos depois do aditamento e, na sua decisão, menciona o documento que havia pedido. Ou seja: ele claramente ajudou um dos lados do processo a fortalecer sua posição.

Em sua defesa após o estouro do escândalo das mensagens, o ministro vem repetindo que atendia tanto os encarregados da acusação quanto os da defesa no dia a dia e tinha conversas com eles, nenhuma delas imprópria, na sua visão. De fato, está na rotina de um juiz receber as partes envolvidas no processo, mas de maneira oficial, sempre com registro, e não por meio de um sistema privado de comunicação. A posição do ex-juiz fica ainda mais difícil de defender diante dos dados analisados pela parceria VEJA/The Intercept. Não eram conversas protocolares entre juiz e Ministério Público. Do conjunto, o que se depreende, além de uma intimidade excessiva entre a magistratura e a acusação, é uma evidente parceria na defesa de uma causa. Os exemplos mais robustos vêm das conversas entre Moro e Dallagnol. Em 2 de fevereiro de 2016, por exemplo, o juiz escreve a ele: “A odebrecht peticionou com aquela questao. Vou abrir prazo de tres dias para vcs se manifestarem”. Dallagnol agradece o aviso. Moro se refere ao questionamento da Odebrecht à Justiça da Suíça a respeito do compartilhamento de dados, incluindo extratos bancários, da empresa naquele país. Grosso modo, a empreiteira tentou impedir que o Ministério Público suíço enviasse dados à força-tarefa. Preocupado com a história, Moro pede notícias a Dallagnol no dia 3. “Quando sera a manifestação do mpf?”, pergunta. “Estou redigindo, mas quero fazer bem feita, para já subsidiar os HCs que virão. Imagino que amanhã, no fim da tarde”, responde o procurador. No dia seguinte, Dallagnol informa a Moro que a peça estava quase pronta, mas dependia ainda da revisão de colegas. “Protocolamos amanha, salvo se for importante que seja hoje. Posso mandar, se preferir, versão atual por aqui, para facilitar preparo de decisão”, escreve. Moro tranquiliza Dallagnol: “Pode ser amanha”. No dia 5, prazo final, por volta das 15 horas, Dallagnol manda pelo Telegram ao juiz a peça “quase pronta”. A situação é completamente irregular. Em vez de se comunicarem de forma transparente pelos autos, juiz e procurador usam o Telegram. Como se não bastasse, o chefe da força-tarefa ainda envia a Moro uma versão inacabada do trabalho para que o juiz possa adiantar a sentença.

Dentro da relação estabelecida pela dupla, chama atenção também o momento em que Dallagnol dá dicas ao “chefe” sobre argumentos para garantir uma prisão. Isso aconteceu em 17 de dezembro de 2015, quando Moro informa que precisa de manifestação do MPF no pedido de revogação da prisão preventiva de José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo de Lula. “Ate amanhã meio dia”, escreve. Dallagnol garante que a ação será feita e acrescenta: “Seguem algumas decisões boas para mencionar quando precisar prender alguém…”. À luz do direito, é tão constrangedor quanto se Cristiano Zanin Martins fosse flagrado passando a Moro argumentos para embasar um habeas-corpus a favor de Lula.
Mesmo entre parceiros com bastante afinidade há momentos de tensão (e que precisam ser resolvidos com uma conversa ao vivo). Em um deles, ocorrido em um chat de 17 de novembro de 2015, Moro dá um puxão de orelha em Dallagnol. O juiz reclama de que está difícil entender os motivos pelos quais o MPF recorreu da sentença aplicada aos delatores Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, Pedro José Barusco Filho, Mário Frederico Mendonça Góes e Júlio Gerin de Almeida Camargo. Dallagnol tenta se justificar, sem sucesso. “O mp está recorrendo da fundamentação, sem qualquer efeeito pratico”, critica o juiz. “Na minha opinião estao provocando confusão.” Para Moro, o efeito prático do recurso apresentado pelo MPF será “jogar para as calendas a existência execução das penas dos colaboradores”, ou seja, postergará o início do cumprimento da pena aplicada aos delatores citados. Mais uma vez, tudo fora dos autos. Dallagnol, resignado, pede um encontro com Moro para a manhã do dia seguinte: “25m seriam suficiente (sic)”.
Peças fundamentais na Lava-Jato, as delações exigem também que o juiz se comporte de forma imparcial e somente após as negociações, conduzidas pelo MPF, pois ao fim do processo caberá a ele decidir se aceita ou não a oferta. Nesse capítulo, Moro cruzou igualmente a linha, a exemplo do caso do ex-deputado Eduardo Cunha. Na noite de 12 de junho de 2017, Ronaldo Queiroz, procurador da força-tarefa da Lava-Jato na PGR, cria um grupo no Telegram com Dallagnol para avisar que foi procurado pelo advogado de Cunha para iniciar uma negociação de delação premiada. Queiroz afirma que as revelações poderiam ser de interesse dos procuradores de Curitiba, Rio de Janeiro e Natal, onde corriam ações relacionadas ao político. Após membros do Rio de Janeiro serem incluídos no grupo, Queiroz posta uma mensagem que dá uma ideia de sua visão de mundo sobre a quantidade de honestos na Justiça e na política (uma visão de mundo compartilhada por muitos de seus colegas da Lava-Jato). Queiroz afirma esperar que Cunha entregue no Rio de Janeiro, pelo menos, um terço do Ministério Público estadual, 95% dos juízes do Tribunal da Justiça, 99% do Tribunal de Contas e 100% da Assembleia Legislativa.

No dia 5 de julho, durante o período da tarde, os procuradores concordam em marcar uma reunião com o advogado Délio Lins e Silva Júnior para a terça-feira seguinte (11 de julho). Naquele mesmo dia, às 23h11, em uma conversa privada, Moro questiona Dallagnol sobre rumores de uma delação de Cunha. “Espero que não procedam”, diz. Dallagnol afirma que tudo não passa de rumores. Ele confirma ao juiz que está programado apenas um encontro com o advogado para que os procuradores tomem conhecimento dos anexos. “Acontecerá na próxima terça. estaremos presentes e acompanharemos tudo. Sempre que quiser, vou te colocando a par”, afirma. Moro, então, reitera seu posicionamento. “Agradeço se me manter (sic) informado. Sou contra, como sabe.” Detalhe: isso sem saber o conteúdo.
Como a proposta de delação atingia políticos com foro privilegiado, a palavra final para assinar um acordo de delação com Cunha passou para a PGR. A homologação competia ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF. O ex-deputado corria na época para fechar um acordo antes de o doleiro Lúcio Bolonha Funaro assinar os termos de sua delação. Os procuradores envolvidos nas negociações diziam que a dupla falava sobre os mesmos temas, o que tornaria desnecessária a aprovação das duas colaborações. No dia 28 de julho, já com os anexos de Cunha em mãos, Ronaldo Queiroz diz que a ideia é analisá-los em conjunto com os colegas para tomar uma decisão sobre aceitar ou rejeitar a delação. Em 30 de julho, Queiroz diz que o material é fraco. No dia seguinte, uma mensagem do procurador Orlando SP, provavelmente Orlando Martello Júnior, traz o posicionamento de Curitiba — o mesmo de Moro: “Achamos que o acordo deve ser negado de imediato”.
O papel de líder da Lava-Jato em Curitiba é exercido em diversas oportunidades pelo ex-juiz. Em mais de uma ocasião, Moro aparece nos chats do Telegram interferindo na agenda dos procuradores da força-tarefa, outra atitude que gera a suspeição de qualquer magistrado. Em 7 de julho de 2015, por exemplo, um membro da força-tarefa, que a reportagem de VEJA identificou ser o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, escreve o seguinte: “Igor. O Russo (Moro) sugeriu a operação do professor para a semana do dia 20”. Igor (o delegado da Polícia Federal Igor Romário) responde: “Opa… beleza… Vou começar a me organizar”. De acordo com a apuração da revista, o “professor” era o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear. Ele acabou sendo preso no dia 28. Em outro episódio, Moro não apenas sugere uma data para a operação como também já fala em receber a denúncia. O caso em questão aparece em um diálogo ocorrido em 13 de outubro de 2015. Nele, o procurador Paulo Galvão, o PG, alerta Roberson Pozzobon, seu colega da força-tarefa, sobre uma orientação do juiz. “Estava lembrando aqui que uma operação tem que sair no máximo até por volta de 13/11, em razão do recesso e do pedido do russo (Moro) para que a denúncia não saia na última semana”, escreve PG. “Após isso, vai ficar muito apertado para denunciar.” Pozzobon concorda com PG e acrescenta: “uma grande operação por volta desta data seria o ideal. Ainda é próximo da proclamação da república. rsrs”.
A partir de um levantamento das operações ocorridas em novembro e das denúncias oferecidas em dezembro de 2015, chega-se à conclusão de que o diálogo trata da Operação Passe Livre, que prendeu José Carlos Bumlai. Ele atuou como laranja do PT, intermediando um empréstimo de 12 milhões de reais do Banco Schahin ao partido em 2004. O pedido de Moro comentado na conversa entre PG e Pozzobon acabou cumprido à risca. Bumlai foi preso em 24 de novembro e denunciado em 14 de dezembro — na última semana antes do recesso da Justiça Federal do Paraná. No dia seguinte, Moro recebeu a denúncia, a tempo de impedir que os crimes prescrevessem no fim de 2015.
Dentro de uma visão simplista, a estratégia parece um golpe de mestre do juiz para não deixar um bandido escapar da Justiça. Mas o argumento de que os fins justificam os meios não pode prosperar numa sociedade desenvolvida. Tal postura de Moro viola o devido processo legal, pondo em risco o estado de direito. “Nesse caso, a sociedade pode aplaudir o juiz, por acreditar que ele está tentando ser justo. Mas ele está infringindo as leis do processo, que o impedem de imiscuir-se em uma das partes e colaborar com ela, e é uma das garantias para que todos sejam julgados da mesma forma”, afirma um juiz, que pediu para não ser identificado. “Imagine que todos os magistrados atuem da mesma forma, infringindo uma regra aqui e outra ali para alcançar seus objetivos. Um pode se aliar à defesa para soltar um criminoso; outro pode se aliar à acusação para perseguir um inimigo e, aí, o céu é o limite”, conclui.

Uma das obsessões de Moro envolvia manter os casos da Lava-Jato em seu poder em Curitiba, a exemplo dos processos de Lula do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Nesse esforço, o magistrado mentiu a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ou, na hipótese mais benigna, ocultou dele uma prova importante, conforme mostra um dos diálogos. A conversa em questão se refere ao caso de Flávio David Barra, preso em 28 de julho de 2015, quando presidia a AG Energia, do grupo Andrade Gutierrez. Sua detenção ocorreu na Operação Radioatividade, relacionada a pagamentos de propina feitos por empreiteiras, entre elas a Andrade Gutierrez, a Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear, responsável pela construção da usina nuclear Angra 3. Em 25 de agosto, a defesa de Barra pede ao ministro do STF Teori Zavascki a suspensão do processo tocado pela 13ª Vara de Curitiba, alegando que Moro não tinha competência para julgar o caso por haver indício de envolvimento de parlamentares, entre eles o então senador Edison Lobão (MDB-MA).
Diante da reclamação, Zavascki cobra explicações de Moro, que diz não saber nada sobre o envolvimento de parlamentares. Mesmo assim, com base nas informações da defesa, o ministro do STF suspende em 2 de outubro as investigações, o que força o então juiz a remeter o caso de Curitiba para Brasília três dias depois. Seu comportamento perante Zavascki foi impróprio, como evidencia um diálogo registrado no Telegram dezoito dias depois entre o procurador Athayde Ribeiro Costa e a delegada Erika Marena, da Polícia Federal. Costa diz precisar com urgência de uma “planilha/agenda” apreendida com Barra que descreve pagamentos a diversos políticos. Marena responde que, por orientação de “russo” (Moro), não tinha tido pressa em “eprocar” a planilha (tradução: protocolar o documento no sistema eletrônico da Justiça). “Acabei esquecendo de eprocar”, disse. “Vou fazer isso logo”, completa.
Na pior das hipóteses, Moro já sabia da existência da planilha quando foi inquirido por Zavascki e mentiu ao ministro. Em um segundo possível cenário, igualmente comprometedor, Moro teria tomado conhecimento da planilha depois da inquirição de Zavascki e pediu à delegada para “não ter pressa” em protocolar o documento. Tudo indica que a manobra tinha como objetivo manter o caso em Curitiba. “Um juiz não pode ocultar provas, e, se o diálogo tiver a autenticidade comprovada, estamos diante de uma conduta bastante problemática”, afirma o advogado Gustavo Badaró, professor de processo penal da USP, que analisou a pedido de VEJA o episódio. Na primeira leva de mensagens divulgadas pelo Intercept no mês passado, Moro já aparecia reclamando de um delegado da PF que havia incluído rápido demais todos os elementos da investigação no sistema eletrônico, o que obrigaria o juiz a enviar parte do processo ao STF.
A relação entre Moro e Dallagnol era tão próxima que abre espaço para que eles comemorem nas conversas o sucesso de algumas etapas da Lava-Jato, como se fossem companheiros de trabalho festejando metas alcançadas. Em 14 de dezembro de 2016, Dallagnol escreve ao parceiro para contar que a denúncia de Lula seria protocolada em breve, enquanto a de Sérgio Cabral já seria registrada no dia seguinte (o que de fato ocorreu). Moro responde com um emoticon de felicidade, ao lado da frase: “ um bom dia afinal”. A proximidade rendeu ainda lances curiosos. Em 9 de julho de 2015, Dallagnol saúda o colega: “bem vindo ao telegram!!”. Cinco meses depois, dá dicas ao juiz de como usar o programa no desktop, enviando no chat um link para o download. “Se puder me mandar no e-mail, agradeço. O tico e o teco da informática aqui não são muito espertos”, responde Moro. Em março de 2017, Dallagnol escreve ao juiz para tirar uma dúvida: ele assina o primeiro nome com ou sem acento? O motivo é que o procurador estava revisando um livro sobre Moro. “Não uso normalmente o acento”, responde o juiz. Em julho de 2018, Dallagnol atua como assessor de imprensa, perguntando a Eduardo El Hage, um colega do Ministério Público Federal no Rio, detalhes de um pedido de participação de Moro em um programa do canal fechado HBO: “Eles contataram o Moro aqui e ele queria ter o contexto e informações que possam ser úteis pra ele decidir se atende”. Em um dos períodos mais tensos da operação, o que se seguiu à ação do juiz que torna público o famoso trecho do grampo telefônico em que Dilma Rousseff envia o “Bessias” para entregar a Lula o termo de posse em seu ministério, Dallagnol combina em um dos chats com procuradores uma nota de apoio a Moro e repassa ao grupo uma sugestão do próprio juiz para o texto. Na mesma época, Moro também recebe um afago e conselho de um interlocutor no Telegram (tudo indica, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima). “O movimento seria nas sombras, como você mesmo disse”, escreve, referindo-se ao convite de Dilma para Lula. “O seu capital junto à população vai proteger durante um tempo. As coisas se transformam muito rápido.”

As conversas entre membros do Ministério Público Federal assumem várias vezes o tom de arquibancada, com os membros da força-tarefa vibrando e torcendo a cada lance da batalha contra os inimigos. Em 13 de julho de 2015, Dallagnol sai exultante de um encontro com o ministro Edson Fachin e comenta com os colegas de MPF: “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”. A preocupação da força-tarefa com a comunicação para a opinião pública era constante. Em 7 de maio de 2016, Moro comenta com Dallagnol que havia sido procurado pelo apresentador Fausto Silva. Segundo o relato do juiz, o apresentador o cumprimentou pelo trabalho na Lava-Jato, mas deu um conselho: “Ele disse que vcs nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. Disse que transmitiria o recado. Conselho de quem está a (sic) 28/anos na TV. Pensem nisso”. Procurado por VEJA, Fausto Silva confirmou o encontro e o teor da conversa entre ele e Moro.
Curiosidades dos bastidores à parte, o que vai definir mesmo o destino de Moro à luz das revelações dos chats são os trechos nos quais fica evidente seu papel duplo de juiz e assistente de acusação. A Lava-Jato foi assumidamente inspirada na Mani Pulite, a Mãos Limpas da Itália, que desbaratou um gigantesco esquema de corrupção na década de 90, resultando em 2 993 mandados de prisão nos dois primeiros anos de operação. No caso do sistema de Justiça do país europeu há a figura do magistrado que trabalha no Ministério Público — mas ele não atua nos julgamentos. A melhor explicação para o comportamento irregular do atual ministro é que ele tenha se inspirado nessa figura para pautar suas ações na Lava-Jato. “O Moro confundiu totalmente os papéis”, afirma o jurista Wálter Fanganiello Maierovitch. “O magistrado que investiga nunca é o que julga, nem na Itália nem em nenhuma outra democracia do planeta.”
No Brasil, o papel duplo do juiz viola o artigo 254 do Código de Processo Penal, que proíbe que o magistrado aconselhe uma das partes ou tenha interesse em favor da acusação ou da defesa. Essa atuação pode, de fato, provocar a revisão de atos de Moro. No caso da condenação de Lula, por exemplo, o STF adiou a discussão para agosto. Será uma decisão complexa e delicada para a Suprema Corte. Ali, mesmo que alguns ministros já tenham criticado excessos da Lava-Jato, é difícil qualquer prognóstico. Um dado, porém, é certo. Fiscalizar o que Moro fez enquanto juiz não significa pôr em risco os avanços contra a corrupção no Brasil, como sugerem as manifestações recentes nas ruas das cidades do país. A sociedade brasileira não vai abrir mão do processo que resultou, pela primeira vez na história, na prisão de políticos e empresários poderosos.
Embora as conversas mostrem que Moro cometeu infrações, os crimes punidos ao longo da Lava-Jato gozam de vasta coleção de provas materiais e orais. A maioria esmagadora das sentenças, aliás, acabou confirmada em outras instâncias da Justiça. Graças ao esforço dos procuradores de Curitiba, descobriu-se também o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, desenvolvido exclusivamente para administrar o pagamento de propinas efetuado pela empresa no Brasil e no exterior. O resultado prático e sua importância são incontestes. Diversos políticos que se locupletaram nos últimos anos ainda estão presos. Entre eles, Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha… O próprio Lula, mesmo que a suspeição de Moro seja confirmada, pode permanecer preso. Ele já foi condenado em primeira instância pelo sítio em Atibaia, sentença proferida pela juíza Gabriela Hardt, e o caso aguarda apenas a decisão do TRF4 (provavelmente favorável à sua condenação). Portanto, não se trata aqui de uma defesa do Lula Livre nem de estar contra a Lava-Jato. Mas, sim, do direito inexorável que todos os cidadãos têm de um julgamento justo.
Na terça 2, Moro (que, por sinal, não faz mais parte da Lava-Jato) ficou sete horas no Congresso respondendo a parlamentares sobre o caso. Repetiu o que tem dito nas últimas semanas: os diálogos divulgados foram fruto de um roubo, podem ter sido editados e, mesmo verdadeiros, não apontam nenhum tipo de desvio. A cada nova revelação, fica mais difícil sustentar esse discurso. Na sentença em que condenou Lula, o ex-juiz anotou que “não importa quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”. A frase cabe agora perfeitamente em sua situação atual. Levado ao Ministério da Justiça para funcionar como uma espécie de esteio moral da gestão Bolsonaro, ele ainda goza de grande popularidade, mas hoje depende do apoio do presidente para se manter no cargo. Independentemente do seu destino, o caso dos diálogos vazados representa uma oportunidade para que o país discuta os excessos da Justiça e o fortalecimento dos direitos do cidadão. Um país onde as instituições funcionam não precisa de nenhum Super-Homem.
VEJA
O interessante é que se vc está dialogando com alguém, geralmente as conversas são praticamente no mesmo tempo , observe que tem diferenças de respostas com mais de 4 hrs de intervalo , aí da para desconfiar que realmente são montagens , é muito fácil deduzir que são frases adaptadas nem precisa ser perito para ver á mutreta
Moro não é e nunca foi herói! Heróis só existem nas estórias em quadrinhos e nos filmes. O povo é que não tem o que fazer e ficam sendo bestas nas ruas, fazendo manifestações sem sentido, que não servem para nada!
A conduta de Moro é reprovável sim, agiu de maneira desvirtuada, cometeu vários equívocos e usou isso em nome da justiça ou foi em seu benefício? Demonstrou ser um juíz que não acretiva na justiça e no devido processo legal, não respeitou a lei, a moral e a ética. E se fosse vc o réu? Gostaria de ser julgado por um juíz desses? Deus me livre! Ainda bem que esse já era.
Vou ter o prazer de assistir ao desMOROnamento comendo pipoca Bokus!
#SomosTodosMoroNaCadeia
Moro tem o meu voto e o da minha família para a presidência !!!
Eu quero saber se ele roubou ? Se não roubou e prendeu ladrão, ele tá mais de que certo, se roubou tem que pagar pelo erro. É minha opinião.
Não se trata de roubo, "roubar" não é bem a palavra. Acontece que ele como homem representante da lei e da justiça não foi nem um pouco justo, não agiu com a descência de um magistrado. Poderia ter feito tudo que fez de uma forma honesta e correta, não precisava jogar seu nome na lama, mas a sua vaidade falou mais alto, foi ganancioso e inescrupoloso, ou seja, ficou no mesmo patamar das pessoas que condenou, pois seus atos também são dignos de reprovação. Sabe aquele ditado que diz "roubou mais fez", é a mesma coisa de dizer "errou mais fez". Felizmente a justiça de Deus chegou para ele!
Não se trata de soltar todo mundo. cada caso é um caso.
Mas a verdade foi que o Juiz Moro conduziu a trama macabra para completar etapa do Golpe da derrubada da Ex-Presidenta Dilma Roussef.
O Juiz Moro atuou no processo da Lava Jato que envolveu o Ex-Presidente Lula pra interferir, viciar, fraudar, inviabilizar, raptar, roubar a democracia, onde o poder emana do povo.
Peia nesses safados todos. Começando por luladrao, o resto vem no bolo. Kkkkkk
Pra que tanta histeria???? Tenham calma BolsoGADOminions, ainda não foi divulgado nenhum aúdio e vcs já estão todos ouriçados, vem muito mais bombas por aí, "RELAXEM E GOZEM" … KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Dois amigos de trabalho combinando a melhor maneira de pegar os corruptos! simples assim!
Agindo fora da lei, que fique registrado!
Código de Processo Penal
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;
III – se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;
IV – SE TIVER ACONSELHADO QUALQUER DAS PARTES;
V – se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;
Vl – se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.
O resto é mimimi!
Lula LIVRE, cadeia para esses dois BANDIDOS, inclusive BOLSONARO QUE FOI FAVORECIDO. O BRASIL ESTA DESCENDO A LADEIRA
Lembro aos defensores de todos os lados que está em jogo o estado democrático de direto, ou seja, submissão a lei e não a vontade dos agentes. Amanhã a vítima pode ser você! Não há justificativa se um criminoso pratica um crime, quem vai investigar e julgar tambem assim proceda, violando a lei e praticando crimes! Igualmente criminosos. No Rn se tem notícia desses conluios!
IntercPT e Telegram são duas ferramentas a serviço da desconstrução legal com CREDIBILIDADE ZERO!
É o grito dos desesperados querendo que a ilegalidade seja maior que a verdade.
Eles manipulam, distorcem e publicam um contexto longe da realidade, tudo devidamente fraudado!
Como esse produtores de terrorismo ainda estão soltos? Só no Brasil essa situação acontece, uma vergonha!
Juntar toda essa manipulação com apoio das mídias que trabalham pelo pior no Brasil é um dos mais deprimentes serviços desnecessários prestados a um país de cabeça para baixo, um país que elege corrupto e faz o impossível para manter a impunidade parlamentar através do foro privilegiado.
O Brasil precisa de muita mudança positiva para ter o mínimo de ordem e voltar ao progresso depois de passar quase 20 anos em desconstrução legal, moral, ética e social
Moro presidente!!
As pessoas que ainda não acreditam que Moro é bandido são as mesmas que acreditam que Ustra é herói, por isso certa dificuldade para alguns em aceitar a verdade. Mas qdo a poeira baixa a história não esquece: Moro bandido…e digo isso de certa forma decepcionado…pois no início tratava ele como jurista diferenciado…mas hoje tá difícil engolir essa….lamentável Moro por tudo isso.
Os esquerdistas gozam com esse tipo de matéria fake…. trabalho que é bom tá em falta….
Tudo editado e montado Alguém ainda perde tempo lendo isso rsrssrsrsrsrsrsrrsrssrs
Vc nem leu. A casa caiu. Moro Sérgio é o maior corrupto que esse país já viu.
Faustão (que também foi flagrado nas interceptações) confirmou a autenticidade das mensagens.
Ilegal é roubar o dinheiro que ia pra saúde, educação, segurança e depois dizer que é inocente….. Quantas pessoas morreram por conta dessa corrupção???
Moro juiz ladrão!
Será que alguém ainda lê essas baboseiras de um estelionatário?
Os corruptos faram de tudo pra derrubar a lava jato, querem a liberdade a qualquer custo, Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Henrique, e cia
Depois que ele confirmou que algumas conversas foram alteradas, saber o que foi e o que não foi manipulado, agora fica um pouco mais difícil acreditar em um criminoso. Kkkkkk
ESSAS MENSAGENS PERDERAM A CREDIBILIDADE ,POIS SÃO EDITAS, NAÕ SÃO DIVULGADAS DE ACORDO COM AS ORIGINAIS , POIS O PROPIO SUPOSTO JORNALISTA , FALOU QUE SO SÃO DIVULGADAS QUANDO TIVEREM JORNALISTICAMENTE PRONTAS, ELE PROPIO DISSE QUE AS CONTRADIÇÕES DAS MENSAGENS ANTERIORES FORAM UM ERRO DE EDIÇÃO , E AGORA APRESENTAM UM TÃO DE RUSSO , QUE CONCLUIRAM SER O SERGIO MORO, E PERSONAGENS NÃO IDENDIFICADOS,E ATE DEDUZIU QUE UM DESSES PERSONAGEM SERIA UM DOS PROCURADORES, MUDARAM ATE O JEITO DE DIVULGAR AS SUPOSTAS MENSAGENS.
Pede para eles entregarem os celulares que vc tira a dúvida.
Não vejo aqui ninguém falar de corrupção! Tem gente graúda pagando estes hackers para fuçar o celular do moro pq estão morrendo de medo de ir para detrás das grades. Essa é a verdadeira versão.
Quando virar filme eu assisto. A cobra vai fumar!!!! Já dizia seu Gerônimo.
Tragam outro Pulitzer pra esse corajoso jornalista!!!
Aos bolsominions de mimimi, quando estiverem com problemas na justiça desejo um juiz como o Moro, que trabalhe com a outra parte pra ferrar sua vida
Ótima reportagem.
Parabéns ao Glenn, já merece outro Pulitzer!!!
Aos que estão com mimimi desejo que quando estiverem com problemas na justiça, o juiz seja tão parcial quanto Moro e trabalhe junto com a outra parte pra ferrar sua vida
Bem, quem ferrou com a minha, a sua e a fo Brasil foi o lulinha, aquele que de 9 dedos, vc precisa de ajuda para entender as coisas, quer que desenhe?
Reproduzir matérias da Veja e Folha de São Paulo é loucura, uma vez que essas empresas não tem a menor credibilidade. Continuarão por quanto tempo soltando esses traques? Aliás, ainda estão analisando o conteúdo manipulado do “jornalista” americano? É aquele que editou o nome nos diálogos? Kkkkkkkkkkkkk.
“O Lulalau ta preso babacas”! Vai continuar lá por muito tempo! Engulam o choro e aceitem que dói menos!
Veja e IntercePT? Ah… Agora sim.. kkkkkkkk
Veja? Ah, tá!
Onde está a interceptação em que lula é inocente?
Raimundo, se Lula não é inocente temos dois bandidos ao invés de só um. Entendeu? Põe os dois na mesma cela.
As interceptações não atestam a incocência de Lula, mas sim que seu julgamento foi viciado. Que se anule tudo, coloquem o paciente em liberdade e se comece do zero um novo julgamento justo e imparcial. Assim é o Estado Democrático de Direito.
No caso, não há dois bandidos, apenas um, o barbudo. E outra, mesmo que fossem dois, o que não é o caso, o Moro tem direito a cela especial, já o nove dedos, não, então, nada de ficarem na mesma cela, ok? KKKKKKKKKKKKKKKKK
Aonde estamos né Vitor? o juiz em nenhum momento deixa de defender o país da ação maléfica dos ladrões, em nenhum momento ele fala em plantar falsas prova, somente trata como defensor da sociedade e do dinheiro público, e hoje tentam recriminar isso. Talvez fosse melhor não ter defendido a sociedade, e sim, ajudar a camuflar provas, escamotear a verdade, deixasse os bandidos saquearem o país. Só assim, era como a justiça funcionava e não existia essa orquestração para destruir heróis, era uma legalização do ilegal, e todos eram felizes.
Depois de ver todas essas conversas "editadas" vazadas por uma operação de interceptação ilegal paga com dinheiro de corrupção, eu acho que tem mesmo é que soltar TODO mundo que foi condenado ou responde o processo do maior esquema de corrupção do mundo, acabar com o processo dos 155 condenados, mais de 12 bilhões que foram recuperados pela operação e, por fim, sair indenizando com nosso dinheirinho as dezenas de "inocentes" acusados por Moro: Lula, Dilma, Temer, Cunha, Aécio, Henrique Alves e todas as demais "almas mais honestas" deste nosso mundo". Quem topa fazer uma manifestação pra soltar e inocentar todo mundo? Mas tem que ser todo mundo, não vale pedir pra soltar só o líder da quadrilha que só tem 9 dedos não tá!
Rêgo, papel de juiz não é ser defensor da sociedade não. Esse papel cabe ao MP, o fiscal da lei e do interesse público, você tá confundido os papéis, talvez por falta de formação e educação jurídica. Diversos processos da Lava Jato serão anulados e reiniciados, o que abre brecha para a impunidade via prescrição dos processos. QUando os culpados ficarem livres, os culpados dessa lambanca serão os justiceiros Deltan e Moro.