Diversos

Em entrevista à Veja, viúva de Pablo Escobar diz que foi estuprada e fala da psicopatia do traficante

A última vez que Victoria Eugenia Henao esteve com o marido foi em agosto de 1993. Chegou vendada ao local conhecido como Casa Azul e passou algumas semanas, com o casal de filhos, no que viria a ser o esconderijo final de Pablo Escobar, o megatraficante colombiano. Escobar morreu em um tiroteio menos de quatro meses depois. Viúva, Victoria, chamada pelo marido de Tata (ela o chamava de Mister), precisou negociar a sobrevivência com o rival cartel de Cáli, mudar-se para Moçambique e de lá para a Argentina, onde trocou seu nome para Maria Isabel Santos Caballero e começou a trabalhar como corretora de imóveis para sustentar a casa. Essas e outras histórias são contadas na autobiografia Sra. Escobar: Minha Vida com Pablo (Editora Planeta), que chega às livrarias brasileiras em 6 de maio. Aos 58 anos, vivendo em Buenos Aires e fazendo palestras como coach, Maria Isabel considera que só agora pode dar por encerrado o longo processo de pesquisar e entender o psicopata por trás do companheiro metido a romântico. A seguir, sua primeira entrevista a um veículo da imprensa brasileira.

A senhora passou quase duas décadas ao lado de Pablo Escobar. Quanto tempo levou para entender que ele era um megatraficante e assassino? 

Sabia que Pablo mexia com drogas. Perguntava, perguntava, e ele dizia: “Não se preocupe, amor. Estou cuidando da família”. Nos primeiros anos, nunca imaginei que Pablo tivesse essa dimensão toda, muito menos que fosse um homem perigoso, um assassino. Quando a guerra entre os cartéis e o governo recrudesceu na Colômbia, a coisa foi ficando mais feia. Pablo acabou sendo preso muitas vezes, eu questionava por que e ouvia: “Tudo o que acontece de ruim neste país falam que é culpa minha. Não é”.

Mesmo diante de tantas evidências, como o assassinato do ministro Rodrigo Bonilla, inimigo de seu marido, a senhora continuava acreditando nele? 

Minha reação foi ficar paralisada, em silêncio, muda. Era movida por uma mistura de amor, um forte senso de permanência da família e medo. Sabia que havia algo de muito errado ali, claro, porque ele vivia fugindo e nos mandava toda hora para uma casa diferente, alegando proteção. Ficamos muito tempo longe um do outro. Nos últimos dez anos de uma união de dezessete, quase não dividimos o mesmo teto. Era sofrido, mas me mantinha em uma bolha de conforto e segurança.

A senhora chegou a encontrar o filho do ministro Bonilla depois do assassinato de seu pai por Escobar. O que disse a ele?

Abracei o rapaz e pedi perdão pela dor causada por Pablo.

Saber que seu marido era ao menos suspeito de tantas atrocidades não criou nenhuma fissura no casamento nem abalou sua vontade de ficar com ele?

Sinceramente, nunca parei de amar Pablo, mas, sim, pensei em deixá-lo várias vezes. Até tentei. Um dia, cheguei para ele e disse: “Não dá mais”. E ele reagiu: “Está maluca? Família é família. Vocês são a razão de tudo”. Um advogado que consultei resumiu: “Separar é impossível”. Não havia saída para mim nessa história. Já pensou? Deixar Pablo e ir morar com a minha mãe? No dia seguinte, dez capangas estariam na porta da casa atrás de mim, para me buscar.

Não a incomodava viver uma vida de luxos sabendo de onde vinha o dinheiro? 

Esse era um setor em que eu não entrava. Ele me dava as coisas, vivíamos muito bem, mas eu atribuía tudo aquilo aos negócios de Pablo, sem ficar cutucando os detalhes. Não era meu papel fazer perguntas. Nesse sistema machista que vigorava em nossa casa — eu, uma mulher muito jovem, onze anos mais nova que ele —, o esperado era que cuidasse dos filhos e mantivesse o lar. E cumpri minha parte direitinho, como havia prometido ao padre.

Chegou a deslumbrar-se com a riqueza?

Era muito bom poder ir à Europa e aproveitar o que havia de melhor. Quando Pablo e eu discutíamos, ele selava a paz com flores e presentes. Certa vez veio com um BMW. Comecei a gostar do mundo da arte. Comprava quadros para decorar nossas propriedades, envolvi-me no universo das galerias e tive até um Salvador Dalí. Mal sabia que esse quadro viria a salvar a mim e meus filhos depois da morte de Pablo.

Como isso aconteceu? 

Ele havia morrido fazia um ano, e o pessoal do cartel de Cáli me chamou para uma conversa. Fui com meu irmão, achando que encontraria por lá umas cinco pessoas, no máximo. Quando cheguei ao local da reunião, eram cinquenta e queriam cobrar pela vida da minha família. “Quanto vocês querem?”, perguntei. Tive de dar a eles propriedades e o meu Dalí. O curioso é que esse quadro tinha sobrevivido a um ataque a uma de minhas casas: lançaram gasolina na estrutura, e boa parte do que estava dentro se perdeu. Mas não o Dalí.

Quanto sobrou da fortuna de Pablo Escobar? 

Ninguém acredita, mas não sobrou nada. Tivemos de dar uma parte aos bandidos do lado inimigo, a outra foi confiscada pelo governo colombiano. Hoje moro de aluguel em Buenos Aires, vivendo de palestras e serviços de coaching, área em que me especializei. Meus filhos têm carreira própria. Seguiram em frente, distantes do crime.

A senhora afirma que não teve participação nos crimes cometidos por seu marido, mas foi alvo de dois processos por lavagem de dinheiro, um ainda em andamento. É culpada? 

De jeito nenhum. No primeiro processo, já arquivado, fui vítima de uma extorsão. Um contador se aproximou de minha família, ficou amigo e descobriu que eu era ex-mulher do Pablo. Aí começou a pedir dinheiro para não revelar minha identidade. Eu pagava, pagava, até que um dia não paguei e o processei pelo achaque. E ele me processou de volta, criando um enredo em que me acusava de lavagem de dinheiro. Esse processo, de 1999, foi arquivado por completa falta de provas. Mas fiquei três meses presa. Agora enfrento outro processo.

A senhora é acusada de intermediar o contato entre dois empresários que viriam a se envolver com o narcotráfico, certo? 

Isso. Apresentei um ao outro num período em que atuava no ramo imobiliário, depois da morte de Pablo. Eles fizeram negócio e eu ganhei uma comissão. O dinheiro, porém, é lícito — nem sabia que os dois tinham envolvimento com atividades criminosas. Mudamos de país, de nome, tentamos não viver no passado, mas nunca deixaremos de ser a família Escobar, e isso tem um grande peso.

Seu marido morreu há 25 anos. Nunca quis reconstruir sua vida afetiva? 

Fiquei tão voltada para a sobrevivência que não sobrou espaço para mais nada. E há outro problema: quando os homens descobrem que sou a viúva de Pablo, eles se afastam. Ninguém quer se misturar com essa história.

Pablo Escobar foi um notório colecionador de amantes. Isso a feria?

Muito. Era uma dor constante. Mas ele sempre dizia que não tinha importância, que nenhuma delas chegava aos meus pés. Se eu ficava enfurecida, ele comprava flores e escrevia cartas românticas. Escrevia bem, aliás. Quando tinha dúvida sobre a ortografia de uma palavra, ia consultar o dicionário.

A jornalista Virginia Vallejo chegou a escrever um livro sobre seus anos como amante de Escobar. A história que ela conta faz sentido? 

Virginia já disse que eu sou uma sem-vergonha, que evito o sobrenome Escobar mas não tenho pudor de usar seu dinheiro. Ela poderia me dizer que dinheiro é esse? Virginia está claramente alheia à realidade. Acha que foi tudo fácil para mim. Pablo e Virginia se encontraram quando ele buscava poder na política e ela estava atrás de poder econômico. A vida deles se cruzou nesse ponto, só que ela não passou de uma de suas inúmeras amantes. Eu era a esposa.

A versão sobre a morte de seu marido defendida por Virginia no livro que inspirou o filme Escobar — A Traição, protagonizado por Penélope Cruz, coloca a amante no centro dos acontecimentos. Ela teria sugerido aos investigadores colombianos que procuravam Escobar que buscassem a senhora e seus filhos na Alemanha, onde estavam escondidos. Escobar entraria em contato e eles rastreariam o sinal do telefone. Aconteceu assim mesmo? 

Não sei de nada disso. O que sei é que ele me ligou e, sim, acabou sendo rastreado.

Não parece uma armadilha muito básica para alguém tão esperto como Escobar? 

Acredito que, perseguido de todos os lados, Pablo tenha se suicidado. A polícia o queria vivo, sem dúvida. Por isso acertaram no joelho. E ele se deu um tiro atrás da orelha. Foi um médico que o acompanhou a vida inteira que o ensinou a achar o ponto certo para um tiro fatal. Vejo nessa decisão final uma tentativa de proteger a família. Nunca teríamos chance de uma vida normal daquele jeito.

A senhora se sente bem retratada nas séries e filmes sobre Escobar? 

Meu filho detectou mais de quarenta imprecisões na série Narcos. É muita ficção. Prefiro não ver. Acabam trazendo à tona a violência e o medo que moram dentro de mim.

A senhora conta no seu livro ter sido violentada por Escobar aos 13 anos. Como foi?

Eu era uma menina e me encantei pelo homem mais velho que andava para cima e para baixo na motocicleta. Um dia ele me abraçou, me beijou e, sem que eu entendesse o que estava acontecendo, tirou minha virgindade. Não tinha maturidade para compreender aquilo. Fiquei paralisada, senti dor. Depois veio a notícia: eu estava grávida. Pablo não me perguntou nada. Só passou para me buscar e me levou para uma casa onde, viria a saber, me submeteriam a um aborto. Não fui consultada, não tive escolha.

Como a senhora definiria hoje Pablo Escobar?

Ele era um sedutor, capaz de encantar as pessoas dando-lhes presentes, construindo campo de futebol, sendo boa-praça, e também um psicopata, pronto para tirar a vida dos outros em nome de poder, vingança, caprichos. O mais estranho é que só tive a real dimensão do personagem agora, à custa de muita análise e com a ajuda do tempo. Estou me divorciando de Pablo Escobar 25 anos depois de sua morte.

Veja

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Educação

Na contramão do discurso oficial, MEC congela R$ 2,4 bilhões da educação básica

Apesar do discurso do governo federal de dar prioridade à educação básica pública, ao menos R$ 2,4 bilhões para investimentos em programas do ensino infantil ao médio foram bloqueados pelo Ministério da Educação (MEC). É o que mostra levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), feito a pedido do Estado, com dados públicos.

O contingenciamento vai na contramão do que defende o presidente Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha eleitoral: o aumento de investimento para a educação básica em detrimento do ensino superior.

Questionado sobre a contenção agora notada na educação básica – que já chegaria a R$ 7,98 bilhões (veja abaixo) conforme o estudo da Andifes, o MEC disse que está cumprindo com o contingenciamento estabelecido pelo governo federal.

Para garantir que cumprirá a meta fiscal, a equipe econômica estabeleceu que cerca de R$ 30 bilhões dos gastos previstos ficarão congelados. Desse total, determinou até agora que R$ 7,4 bilhões viriam do MEC. Questionado o motivo dos cortes na educação básica, o ministério afirmou que “ainda não é possível informar quais áreas serão afetadas e nem em quanto” e que “estuda a melhor forma de cumprir a determinação do governo”. O ministério não respondeu sobre a diferença de R$ 500 milhões encontrada na comparação com os números da Andifes.

O levantamento da associação, com dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Ministério da Economia, aponta que os bloqueios na pasta não pouparam nenhuma etapa da educação. O MEC bloqueou, por exemplo, R$ 146 milhões dos R$ 265 milhões previstos para construção ou obra em unidades do ensino básico. O valor poderia ser destinado a prefeituras para creches.

Foram retidos recursos até mesmo para modalidades defendidas pelo presidente e pela equipe que comanda o ministério, como o ensino técnico e a educação a distância. Todo o recurso previsto para o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), R$ 100,45 milhões, está bloqueado. O Mediotec, ação para que alunos façam ao mesmo tempo o ensino médio e técnico, tem retidos R$ 144 milhões de R$ 148 milhões.

Foram bloqueados recursos para a compra de mobiliário e equipamentos para as escolas, para capacitação de servidores, educação de jovens e adultos e ensino em período integral. Também houve pequena contenção em programas importantes de permanência das crianças mais pobres na escola, como merenda (R$ 150,7 mil) e transporte escolar (R$ 19,7 milhões).

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Temos um país comandado por um incompetente destrambehado que pensa que a maioria é igual a ele. A idiotização, embora em massa, não atingiu todo mundo. O Brasil resistirá a escalada fascista, embora tenha que pagar um preço alto. A volta da pobreza é um deles.

    1. O sujeito pretende reduzir o tamanho do Estado na vida das pessoas e é chamado de fascista.
      Vá estudar.

  2. Educação comparada a de Serra Leoa…….cada dia piora mais, o problema nao é investimento,formando analfabetos funcionais !!!!!

  3. DEVER DE CASA:
    1- Entre no onisciente Google;
    2- Digite no campo de buscas 'DILMA CORTA' ou 'LULA CORTA' (de preferência,. entre aspas mesmo);
    3- Dê o enter;
    4- Fique à vontade para relativizar os resultados ou para afirmar que as fontes mentem (discorra em até vinte linhas para cada notícia, padrão ABNT e com lacração livre).

  4. Vcs tem uma fixação doentia em Lula e no PT que vai além do retardamento mental que elegeu um cretino, não se permitem admitir que seu ódio ,burrice, egoísmo e mal caratismo jogaram este país em um buraco.
    Vcs são estúpidos, perversos e mal intencionados.
    Vcs merecem todo o mal que semearam.
    Povinho burro da porra!

    1. Que jogou o Brasil no buraco foi o PT. Lide com isso e deixe esse maniqueísmo para débeis mentais da canhota.

  5. Um governo sério investiria pesado em educação para mostrar sua boa vontade com o povo e sua capacidade de mudar o país para melhor. Esse fica procurando desculpas em tudo para não fazer nada e os que votaram nele, cegos, veem os erros, mas não dão o braço a torcer. "Pelo menos…" , grande desculpa! Querer o bem estar de todos está longe disso! Vamos assumir nossos erros! Vamos varrer os maus políticos, sejam de qualquer partido. Vamos às ruas protestar sem bandeira de partidos ou sindicatos! Vamos às redes sociais declarar nossa indignação com esse marasmo político. Deixemos de paixões exacerbadas feitos burros de viseiras. O negócio não está bom pra ninguém e vai piorar, porque políticos raramente se importam com o povo.

    1. Diga de onde tirar. 1- as despesas vinculadas estão comendo todo o orçamento; 2- Aumentar impostos é jogar a conta, no final das contas, no bolso do contribuinte. E enxugando gelo, dada a voracidade do estado; 3- dar calote nas dívidas seria um desastre. Não rolaríamos mais dívidas. E faz uns aninhos que grana de impostos não está sendo usada para pagar dívida.

    2. Não sei se vcs sabem mas o orçamento desse ano foi preparado ano passado por Temer, aquele que os petistas votaram junto com Dilma.

    1. …e isso ótimo. Roubou demais e fez por merecer a jaula. Só não pode é parar nele, quem for corrupto que se lasque, seja lá quem for !!

    1. Jaja vem um imbecil que apoia milicianos e laranjas perguntar pelo Lula….E dizer que isso ia virar a Venezuela….tapados não sabem que o capital SEMPRE ditou as regras aqui e lá fora….isso é o que dar fugir das aulas de história na escola…

    2. Pelo menos, não tomou o rumo de Luladrão, enganador de muitos e encantador de asnos.

    3. Sempre aparece um imbecil defensor de condenado para acusar alguém que nem denúncia tem. O capital sempre manda, né? Que digam as empreiteiras, bancos, montadoras e ETC na era Lula.

    4. O grande capital sempre ditou as regras por aqui. Vide o RN, cheio de parques fabris nacionais e estrangeiros. Ops…. mas eles não estão no estados mais ricos?… [ERROR: TELA AZUL DO WINDOWS]….. REINICIANDO…..e o interesse da alta burocracia, não aponta nada? [ERROR: TELA AZUL DO WINDOWS]. Falar que só o grande capital manda neste País é de um reducionismo infantil.

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Polícia

No RN, 58% dos PMs em exercício devem ir para a reserva nos próximos 12 anos

O Rio Grande do Norte, até 2031, deverá ter 5.014 policiais militares, incluindo bombeiros, transferidos para a reserva remunerada, mantendo-se as atuais regras previdenciárias. Esse número representa 58% do efetivo ativo atual do RN, segundo o estudo Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), publicado na segunda-feira (29), sobre a entrada em inatividade dos militares em todos os estados do Brasil.

Nas simulações feitas pelo Instituto para o País o número de inativos deve dobrar em 25 anos chegando à marca de 500 mil indivíduos. Nessa projeção as contas excluem o Distrito Federal cuja folha de pagamento é de responsabilidade constitucional da União. O Brasil tem 250 mil militares inativos e cerca de 135 mil pensionistas. No Rio Grande do Norte, em 2016, havia 8.677 militares na ativa e 3.566 inativos e 3.524 pensões.

A situação faz parte das projeções da quantidade acumulada de saídas do serviço militar de todos os estados brasileiros e inclui as transferências para a reserva remunerada a pedido e por determinação. De acordo com o estudo do Ipea também estão incluídos neste quadro as reformas por invalidez e morte esperadas.

Pelas estimativas do estudo do Ipea, entre 15% e 20% dos militares totais devem sair de atividade a cada cinco anos. Os admitidos a partir de 2017 começam a se aposentar na década de 2040. Estados do Nordeste e do Norte projetam saídas acima da média nacional.

Entre 2006 e 2017, os gastos do RN com pessoal militar ativo cresceram em termos percentuais de 3,76% a 5,35% da Receita Corrente Líquida. E com militares inativos e pensões militares, no mesmo período, 2,44% a 4,93%.

O Rio Grande do Norte tinha em 2017, um total de 8.223 militares, sendo que 7.754 eram praças (soldado, cabo, sargente e subtenente), que representavam 94,2% do efetivo enquanto os oficiais (aspirante ou tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel) que eram 469 do total do efetivo.

Na carreira militar, existem duas categorias, os praças e os oficiais. Um praça inicia a carreira como soldado após um curso de formação, geralmente, podendo ser promovido a cabo e sargente (que tem vários níveis) e a subtenente. No caso dos oficiais, eles começam como aluno do curso de formação de oficiais. Depois de formados passam a tenente com possibilidade de promoção a capitão, major, tenente-coronel e coronel.

O número percentual de praças e oficiais do RN está na média nacional. De acordo com os dados de 2017, o País tinha naquele ano, 480 mil militares estaduais e, desses, 90% eram praças em obediência ao modo piramidal das duas carreiras onde a maioria do pessoal está nos níveis hierárquicos mais baixos.

No RN, a remuneração dos militares da ativa é composta por soldos e gratificações. O soldo, aponta o Ipea, é a parte básica do salário e as gratificações são pagamentos extras como forma de incentivo aos militares continuarem no exercício ativo de acordo com o tempo de serviço, aumentar as qualificações profissionais através dos cursos de formação, ou em casos mais extremos, na participação de policiamento ostensivo e exercício em regiões inóspitas.

O salário aumenta de acordo com o crescimento na hierarquia militar. No Rio Grande do Norte, como a grande maioria dos estados, os praças levam muito mais tempo para chegar ao topo da carreira que os oficiais. Geralmente, eles passam para a inatividade por meio da reserva remunerada, que é uma situação transitória que pode levá-lo a ser convocado para retornar à atividade, período em que é possível ser convocado para assumir um cargo comissionado ou por meio de gruçamentos de voluntários, remunerados por uma gratificação específica, a pedido do Governo do Estado.

O militar passa para a reforma a partir de determinada idade-limite. Nesse caso, não pode ser mais convocado mesmo em caso de guerra. No caso de invalidez, ele passa é reformado imediatamente sem precisar passar pela reserva, que pode ser feita a pedido e por determinação.

Os limites de idade existem em todos as unidades da federação, e no caso do RN, as faixas etárias se dão de forma diferenciada: 51 anos de idade no mínimo e 62 no máximo.

A transferência compulsória para a reserva remunerada, em uma situação primária, diz respeito aos limites máximos de idade ou tempo de serviço previsto no estatuto da categoria.
Cenário – Rio Grande do Norte

Projeção acumulada de saída do serviço militar

2021 – 1.252

2016 – 2.595

2031 – 5.014

Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

  1. E muitos desses, boa parte desse tempo computado como pleno exercício, estão longe das ruas, e sim em gabinetes ou protegendo os figurões em instituições que não seja a polícia. Isso é uma enorme injusta com quem realmente defende o cidadão nas ruas. O verdadeiro policial!

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Política

‘Bispo da jararaca’ diz que igreja não é de esquerda nem de direita e volta a atacar PT

Nome em ascensão na estrutura de poder da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o bispo Darci Nicioli, 60, saltou no noticiário político três anos atrás, com um sermão em que falava sobre “pisar na cabeça” da serpente.

Era uma referência ao discurso feito dois dias antes, em março de 2016, pelo ex-presidente Lula (PT), já acuado pela Lava Jato. “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, e a jararaca está viva como sempre esteve”, bradou o petista à época.

O ex-bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida (transferido pelo Vaticano após a barulhenta fala) volta agora aos holofotes como um dos cotados para a cúpula da CNBB, entidade que elegerá nos próximos dias seus novos presidente, vice e secretário-geral. A posse será na sexta-feira (10).

Hoje arcebispo de Diamantina (MG), ele falou com a Folha na quarta-feira (1º), em Aparecida (SP), após a abertura da assembleia anual da conferência, marcada em 2019 pelo clima de cisão política na sociedade e no clero. O discurso oficial é o de que os membros estão em comunhão.

Nicioli é apontado por observadores do pleito como um líder em projeção, que pode assumir posição de destaque na conferência nos próximos anos. O bispo conquistou espaço na atual diretoria ao exercer o cargo de presidente da comissão de comunicação.

Considerado mais próximo à ala conservadora, que estaria buscando neutralizar a corrente progressista e assumir a direção da CNBB, Nicioli afirma que a Igreja Católica tem que evitar cair na polarização, deve politizar a população e não pode ser “nem de esquerda nem de direita”.

Diz ainda que projetos religiosos assumem em muitos casos o papel que seria do Estado e, em tom de autocrítica, fala que o marketing sobre as obras sociais católicas é falho. Também faz reparos ao tratamento que o governo Jair Bolsonaro (PSL) dá à área da educação.

O próprio Nicioli mencionou na entrevista ser conhecido como “o bispo da jararaca” e confirmou que a crítica era direcionada a Lula —na época da polêmica, ele chegou a negar que sua fala fosse uma alusão ao petista e disse que “poderia ter sido uma jiboia, uma jararacuçu, por acaso saiu jararaca”.

O sr. é considerado por pessoas que acompanham as movimentações na CNBB como integrante do grupo conservador. É verdade? Depende muito do mês. Eu sou o bispo tido como ‘o bispo da jararaca’, por causa daquele episódio em que eu fui crítico ao PT e ao Lula. E agora me colocam, não sei de onde tiraram isso, como uma linha mais conservadora. Mas eu sou da direção atual da CNBB [considerada progressista]!

Seria coerente o sr. ser chamado de conservador depois da fala contrária ao ex-presidente Lula, não? Acho que naquela época era o contrário, né? Disseram que era um bispo muito avançado, para arvorar-se a fazer um discurso como aquele.

Quem disse que PT é modernidade e é progressismo? Quer coisa mais antiga do que um passado político não ser capaz de fazer o mea culpa dos seus erros? Isso é tão antigo quanto o homem que não reconhece seu pecado. Isso fez com que o PT perdesse as suas bases. Isso é progressismo? Isso é antiquado. Quer coisa mais antiga do que a corrupção?

Olha as posturas de um socialismo na América Latina, do qual o PT faz parte. Olha a Venezuela, o que há de progressismo naquilo? Eu vejo que há muito de retrógrado, de ultrapassado. Temos que criticar justamente para fazer dar passos novos.

Todas as agremiações partidárias precisam se renovar constantemente, e o PT também. Eu tenho sido um crítico mordaz nesse sentido porque não coaduna com o Evangelho. Como é que o sujeito pode pensar em si mesmo diante de uma realidade como essa?

O sr. pode explicar sua transferência para Diamantina após a polêmica? Foi uma punição ou uma promoção? [Sorrindo] É muito interessante. Nós tivemos três interpretações disso. A primeira foi: ‘Ele foi corajoso, o papa o promoveu, foi de bispo auxiliar para arcebispo’; a outra: ‘Ele falou o que não devia, então o papa o puniu, o mandou para o interior’; ou então: ‘Ele já sabia, portanto chutou o pau da barraca’.

São interpretações que não procedem. A escolha de um bispo acontece num processo longo, de quase um ano. Eu fiquei sabendo de Diamantina quase um mês e meio antes [do sermão].

Há alas conservadora e progressista na CNBB? É normal isso numa agremiação. É normal que haja pessoas que tenham um determinado alinhamento. Cada bispo responde dentro da sua realidade. Vai ser bispo na Amazônia, para ver como é preciso ser mais aguerrido. Vai ser bispo no Nordeste.

Eu estou no portal do Vale do Jequitinhonha, naquelas cidadezinhas que não têm esperança alguma, não têm meio de transporte, não têm como produzir, não têm emprego. Eu não posso me permitir nem ser progressista nem tradicional, eu preciso ser gente.

O sr. tem intenção de colocar seu nome como candidato na eleição da nova diretoria? Não existe disputa de cargos entre nós. Mesmo porque, para nós, cargo é serviço. Você não ganha jetons, só trabalho. Não devemos procurar, mas também nunca negar. Se a CNBB me chamar, estarei disponível.

Qual é a igreja que se reúne neste momento para a assembleia? Uma igreja que tem consciência da sua missionariedade, que vive o seu tempo, assume os desafios do seu tempo e cumpre com a sua missão, que é anunciar a boa-nova do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quais são os desafios hoje? Nós temos no Brasil uma dificuldade, muito grande e já histórica, que é a desigualdade de renda. É um descalabro. Temos que enfrentar. Outra questão, ligada a essa, é a dos 13 milhões de desempregados. É preciso que, num Brasil onde há grande desilusão com o Estado, a igreja faça o seu papel de não deixar que o povo se desespere.

O que a igreja pode fazer concretamente? Como CNBB, nós vemos a realidade, estudamos sobre ela e propomos estratégias. Isso inclui organizar a sociedade, formar lideranças, ajudar os jovens a viverem a sua força própria da juventude.

E é muito importante para nós não deixar que, num Brasil desorganizado assim, o povo perca a esperança. Nós entendemos esperança como resgate da dignidade, para que ninguém fique à margem nessa sociedade.

Não é uma utopia? É uma utopia, mas digna, uma bandeira digna de ser levantada. Como é que pode, num país que é o celeiro do mundo, nós ainda convivermos com a fome? Aí entra o trabalho social da igreja nos hospitais, nas casas de recuperação, o trabalho da Caritas, da Pastoral da Criança.

E nós estamos falhos no sentido de marketing da igreja. Se nós resgatarmos a verdade da grandeza da obra social da igreja no Brasil, estaremos mostrando uma coisa desconhecida de todo o povo.

O sr. considera desconhecida? Sim. Tanto é que não há setores do governo que questionam sobre a isenção de impostos que a igreja tem? [Na semana passada, em entrevista à Folha, o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, falou em criar um novo tributo que atingiria igrejas; Bolsonaro o desautorizou.]

Há um desconhecimento, inclusive do próprio governo, que é incapaz de nos substituir no trabalho imenso que é feito porque desconhece as atividades que a igreja faz.

O sr. quer dizer que há trabalhos que o Estado deveria executar e a igreja os assume? Mas não há nem dúvida. Nós substituímos o Estado no serviço social. E não é só no serviço de caridade imediata, que também é importante, mas também de organização da sociedade para que enfrente as dificuldades.

Enquanto nós não politizarmos mais a base, não sairemos disso. E falo de política com P maiúsculo, não somente política partidária, mas política enquanto exercício de construção da casa comum.

Esse é o serviço que a igreja tem feito historicamente no Brasil, e continua fazendo apesar dos pesares, daquilo que se acusa sobre a CNBB, que é partidária, que toma uma bandeira ou outra. Isso não corresponde à verdade.

Como o ambiente político conturbado e a polarização afetam a CNBB e a eleição da nova diretoria?
Isso nos chama mais à responsabilidade, como pastores do povo. É preciso que nós não caiamos na polarização que se tornou lugar-comum na comunidade brasileira. Nem esquerda nem direita; nossa proposta é o humanismo que brota do Evangelho, em que a pessoa seja respeitada na dignidade como Deus a concebeu.

A pessoa [deve estar] em primeiro lugar. Portanto nunca a propriedade em cima do sujeito, nunca a economia em cima da pessoa.

Quando a CNBB emite críticas ao governo Bolsonaro, como fez ao atacar a reforma da Previdência nesta quarta-feira (1º), ela é chamada de esquerdista, comunista. É o preço da missão. É o preço da profecia e do profetismo. Você já encontrou alguma vez algum profeta que já foi aplaudido?
Essa oposição nos fortalece muito mais na missão. Significa que nós estamos do lado do povo, e não dos grandes que detêm o poder.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. A igreja…
    Ah, a indelével igreja!
    Perdidona como sempre esteve ao longo de toda a sua inútil existência.
    Sempre puxando pro lado de quem tivesse mais cacife numa postura subserviente e bajuladora, levou tantos ás fogueiras e outros tantos ao desengano prometendo salvação e vendendo ilusões.
    Manipulando a fé dos incautos, desesperados sem porvir e menos favorecidos de intelecto, segue sua trajetória ao longo da história representada na atualidade por monte de imbecis, bajuladores, que se vendem por migalhas e depois ainda se acham na condição de ter voz e vez!
    Mais óia!!!!
    È mole???
    Ah, essa igreja…tremenda piada de mal gosto.
    O que seria dos pseudo inteligentes de não existissem os idiotas!

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Diversos

Acumulada há 13 rodadas, Mega-Sena tem prêmio que chega a R$ 170 milhões

Mais uma semana se passa sem ganhadores da Mega-Sena. Nesta noite de sábado (4), o prêmio relativo ao concurso 2.148, sorteado em São Paulo, acumulou. Os números sorteados foram: 08 – 15 – 32 -33 – 58 – 59.

Acumulada agora há 13 rodadas, a loteria pagará R$ 170 milhões no próximo sorteio, que será extraído na quarta-feira (8).

A última vez que alguém cravou as seis dezenas foi no concurso 2.135, em 20 de março, quando uma aposta única de Salvador (BA) levou R$ 32,7 milhões.

Os R$ 170 milhões em jogo na próxima semana representam o maior prêmio deste ano e o terceiro maior da história da Mega-Sena no Brasil, levando-se em conta os sorteios regulares – ou seja, excluindo-se a Mega da Virada.

UOL

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Política

Aécio chama governo Bolsonaro de principiante

Longe dos holofotes desde que tomou posse como deputado federal na Câmara, Aécio Neves assumiu posição de destaque neste sábado (4) na convenção estadual do PSDB em Minas Gerais e definiu as gestões de Jair Bolsonaro (PSL) e de Romeu Zema (Novo) como “governos de principiantes”.

“São governos que estão aprendendo com a roda girando. Isso não é demérito para ninguém”, afirmou Aécio, que criticou principalmente a política externa do presidente da República e foi incisivo na defesa de independência do PSDB em Minas em relação ao governador Zema.

O tucano passou a ser alvo de críticas de caciques do partido pelo país especialmente após ser gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, em maio de 2017, pedindo R$ 2 milhões. Investigado na Lava Jato, perdeu protagonismo e teve sua expulsão da sigla cogitada por correligionários.

Neste sábado, no evento do PSDB mineiro, saiu do papel de vidraça —e ensaiou críticas mais incisivas ao governo federal.

O ex-senador e atual deputado disse estar travando “um embate forte contra uma politica externa equivocada” de Bolsonaro. O tucano vai assumir a presidência de uma subcomissão na Câmara dos Deputados para discutir a participação do Brasil em organismos internacionais.

Entre os temas estão o acordo da base de Alcântara com os Estados Unidos e a troca de um lugar na OMC (Organização Mundial do Comércio) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Sobre esse último, Aécio afirmou foi “uma surpresa”, depois da viagem do presidente aos EUA, já que o assunto nunca foi debatido internamente.

Na avaliação dele, o país saiu de uma política externa com viés ideológico de esquerda, que seria a responsável pelo fortalecimento do governo de Nicolás Maduro na Venezuela, mas agora vê “outra face da mesma moeda” com o atual Itamaraty.

“Ao negar e questionar esse alinhamento, na verdade, o governo Bolsonaro busca um alinhamento à direita que também não corresponde à tradição da política externa brasileira. A nossa tradição é de pragmatismo, de equilíbrio em favor dos interesses do país”, afirmou.

Aécio não fez críticas pontuais a ações de Zema, mas foi incisivo na defesa de que o PSDB marque independência. Desde o início do governo, a liderança na Assembleia Legislativa e a secretaria de governo de Zema estão nas mãos de tucanos: o deputado Luiz Humberto Carneiro, que foi líder no governo de Antonio Anastasia, e Custódio de Mattos. Nenhum dos dois apareceu na convenção estadual.

“[Zema] buscou esses quadros, ele não pediu autorização do partido, ele não submeteu essas escolhas ao partido. É natural que ele vá percebendo com o tempo a qualidade dos quadros do PSDB. O PSDB não se negou a ceder seus quadros ao governo, mas é muito diferente de sermos porta-vozes políticos de uma agenda que não conhecemos, não discutimos”, declarou Aécio a jornalistas.

Segundo ele, o partido não sabe o que Zema pretende fazer para a reforma do estado ou na questão das privatizações. No discurso para correligionários, Aécio defendeu de forma apaixonada a posição ideológica de social-democrata.

“Somos social-democratas, sim. Porque acreditamos no mercado, acreditamos que é importante dar condições para que as pessoas invistam e gerem empregos, mas o nosso programa não é do ultraliberalismo. Achamos que o Estado tem papel importante nas políticas sociais e na diminuição das desigualdades”, disse, aplaudido pelo público.

Nas últimas semanas, lideranças tucanas começaram a conversar internamente com as bancadas federal e estadual sobre a mudança de posição diante do governo do estado. “Independência” virou a palavra de ordem adotada.

O novo presidente estadual da legenda, deputado federal Paulo Abi-Ackel, do grupo de Aécio, afirmou que, a partir de agora, deputados que quiserem participar do governo o farão “de forma pessoal e individual”. O partido Novo, diz ele, não é um projeto do PSDB e os tucanos não estão “inteiramente alinhados” ao projeto de Zema.

“Os deputados estaduais do PSDB estão fazendo um papel histórico, no sentido de ajudar Minas e o governo. Nunca vocês nos encontrarão numa posição irracional. Sempre votaremos com os assuntos que sejam do interesse do estado. O que acontece é que devemos, daqui para frente, avaliar melhor nossa posição em relação ao apoio ao governo do estado”, explicou Abi-Ackel.

Candidato derrotado por Zema no segundo turno, o senador Antonio Anastasia evitou esse discurso. O atual governo tem entre seus quadros vários nomes que fizeram parte da gestão dele quando governador e o tucano têm mantido um relacionamento próximo a Zema desde o início do governo. Anastasia diz que isso se deve a sua posição de senador e que tem apenas “respeito e cordialidade no trato”.

“Eu fui o candidato derrotado das eleições, vocês conhecem meu estilo. É indelicado, é incorreto fazer avaliação. A avaliação sempre é feita no momento oportuno, pela população”, respondeu sobre os primeiros quatro meses de governo.

“Eu não quero fazer avaliação porque, primeiro, sou professor universitário, mas estou afastado da universidade. Não vou dar nota a ninguém, nem a mim, nem aos outros. Tem que respeitar isso.”

Aécio foi aplaudido e ovacionado nas duas salas da convenção, posou para fotos com quem o parava nos corredores e na mesa principal, e esperou para falar com a imprensa. Estava à vontade e sorridente.

No discurso de cerca de 10 minutos, disse que “para quem vive as intempéries da política” não há nada mais valioso do que sentir “o abraço, o carinho, o olhar afetuoso” de quem conhece sua história.

Na fala, afirmou que “ninguém em Minas e talvez no Brasil foi vítima de ataques, ofensas e acusações tão torpes” como aquelas direcionadas a ele.

Para jornalistas e para o público, repetiu a frase estampada em uma camiseta que Fernando Collor de Mello usou na época de seu impeachment: o tempo é o senhor da razão.

“Conheço meu passado, sei o que fiz e o que posso ainda fazer. O tempo, o tempo é o senhor da razão. É o tempo que vai demonstrar, de forma muito clara que os ataques dos quais hoje somos vítimas tem muito a ver com a importância que adquirimos. Nós tucanos não temos razão para nos envergonhar de absolutamente nada”, disse.

Ex-ministro do governo Michel Temer (MDB), Antonio Imbassahy (PSDB-BA) participou do evento, segundo ele, a pedido do governador de São Paulo, João Doria . Atualmente, ele é chefe do escritório de governo de Doria em Brasília.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. A diferença fundamental entre PSDB e PT: enquanto Aécio é um corrupto sem plateia, que fala sozinho, Lula é "seu igual, seu irmão, seu par", com a diferença de arrastar uma multidão jumentos ideológicos.

  2. Toda merda agora crítica o capitão. Perfeição era a quadrilha do PT saqueando o país e qual a moral que an tem e qual a credibilidade que oferece para poder criticar. Ohm ohm como diz Mução, se enxergue ohm.

  3. Puxa que decepção eu acreditei tanto em tu e me decepcionaste. Tu não tens condições de avaliar ninguém, te arrependas dos teus pecados, assume teus erros e inicie vida nova, sabendo que levará um bom tempo até que voltem a confiar em te novamente. Mas, por enquanto guarda a viola enfia no saco.

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Política

Olavo de Carvalho: “Santos Cruz é apenas uma bosta engomada”

No Twitter, Olavo de Carvalho não para de atacar o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo:

“Santos Cruz é apenas uma bosta engomada”, afirmou Olavo. “Santos Cruz e Ciro Gomes são aqueles tipos de bandidinhos que não podem receber um elogio sem respondê-lo com insultos, para mostrar que são gostosões. Gente sem caráter nem valor. Bostas em toda a extensão do termo.”

Opinião dos leitores

  1. Ser influenciado por essa coisa só serve para mostrar o nível de governo q temos. Inacreditável!

  2. Hoje em dia um membro do governo ser xingado por OdC é quase um selo de qualidade para o mesmo. O astrólogo/filósofo/picareta fica pistola quando é ignorado.
    Aliás o filósofo deve ter ficado puto com o ministro da educação (ironicamente colocado por ele no ministério) que disse que filosofia é coisa de esquerdistas e vagabundos. ?

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Política

Bolsonaro é um ‘valentão’ que não aguenta uma briga e foge, diz prefeito de Nova York

O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, chamou neste sábado (4) o presidente Jair Bolsonaro de “valentão” que não aguenta uma briga e disse que o brasileiro fugiu ao cancelar sua viagem para a cidade americana.

Bolsonaro iria para Nova York para ser homenageado no dia 14 de maio com o prêmio de “Pessoa do Ano” em jantar de gala promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Na sexta (3), porém, o governo brasileiro anunciou o cancelamento da viagem e culpou De Blasio por isso.

O americano, que já tinha criticado a ida do presidente brasileiro à cidade, comentou o assunto neste sábado.

“Jair Bolsonaro aprendeu da maneira mais difícil que os nova-iorquinos não fecham os olhos para a opressão. Nós chamamos atenção para sua intolerância. Ele fugiu. Nenhuma surpresa —valentões não aguentam um soco. Já vai tarde, Jair Bolsonaro. Seu ódio não é bem-vindo aqui”, escreveu o democrata em uma rede social.

“Os ataques de Jair Bolsonaro contra dos direitos LGBTQ e seus planos destrutivos para nosso planeta se refletem em muitos líderes —incluindo diversos em nosso país. TODOS devem se levantar para denunciar e lutar contra esse ódio desmedido”, completou De Blasio, um conhecido crítico do presidente americano Donald Trump.

O ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado do PT à Presidência, Fernando Haddad, comentou também nas redes sociais a declaração do americano e elogiou De Blasio.

“Querido Bill, orgulhoso de Nova York. Vamos nos livrar da intolerância cuidando das pessoas e do planeta”, afirmou o petista, que também é colunista da Folha.

Em entrevista a uma rádio, em abril, De Blasio já tinha afirmado que Bolsonaro não era bem-vindo à cidade e o chamou de racista, homofóbico e destrutivo.

Por isso, ao anunciar na sexta o cancelamento da viagem, o gabinete do porta-voz da Presidência brasileira culpou o democrata pela medida.

“Em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade” disse a assessoria de Bolsonaro.

Desde que, no mês passado, o Museu de História Natural de Nova York se recusou a receber o evento, uma série de manifestações pressionavam os patrocinadores a não vincular seu dinheiro —nem suas marcas— ao evento que, além do presidente, homenagearia o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

O objetivo dos protestos era que o jantar fosse cancelado.

Em nota, a câmara afirmou que foi informada pela Presidência da República que Bolsonaro não participará do jantar do dia 14 de maio, mas que o evento está confirmado com os demais homenageados. “Outros eventos paralelos agendados para acontecer durante a semana serão realizados como planejado.”

O jantar se tornou objeto de controvérsia e criou embaraços com empresas e a elite nova-iorquina.

Após o Museu Americano de História Natural se recusar a sediar o evento, o hotel New York Marriott Maquis aceitou receber o jantar e passou a ser alvo de manifestações.

O senador estadual democrata Brad Hoylman, representante da comunidade gay, enviou carta ao hotel para pedir que o local também não recebesse o presidente brasileiro.

Segundo ele, Bolsonaro é “homofóbico perigoso e violento, que não merece uma plataforma pública de reconhecimento em nossa cidade”. O Marriott tem histórico de apoio à causa LGBT.

Em publicação no Twitter, o senador afirmou que não é possível a empresas ter dois lados: “Apoio aos LGBT ou a um notório homofóbico”.

A companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times, que patrocinavam a festa, retiraram o apoio no início desta semana. Ao explicar a decisão, a Bain disse à CNN que “celebrar a diversidade é um princípio essencial” da empresa.

Nesta sexta, a Folha revelou que o Banco do Brasil e o consulado-geral do país em Nova York ajudaram a financiar a festa. O banco concordou em pagar US$ 12 mil (R$ 47,5 mil) para ter uma mesa com dez lugares no jantar de gala anual da entidade, cujo objetivo é arrecadar fundos para patrocinar interesses de empresas brasileiras e americanas nos Estados Unidos.

Organizadores dos eventos de que Bolsonaro participaria em Nova York ficaram surpresos e chocados com o cancelamento da viagem. Entre os eventos previstos estavam um encontro com o CEO do Bank of America; um almoço para 115 pessoas; um jantar no Metropolitan Club para 250 pessoas, com presença do presidente do Banco Safra; um café da manhã no Harvard Club; uma entrevista para o jornal The Wall Street Journal e outros.

Entre os que permaneciam no hall de patrocinadores do evento estavam instituições financeiras como Merrill Lynch, Credit Suisse, Morgan Stanley, Citigroup, Itaú, Bradesco e HSBC.

A premiação é concedida há 49 anos e busca homenagear dois líderes, um brasileiro e um americano, reconhecidos pela atuação em aproximar e melhorar as relações entre os dois países no ano anterior.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. bolsonaro nao é menino a inteligencia do exercito ja analisou que não é viavel ir ….seria uma armadilha

  2. Estranha a atitude do Jair…
    Para quem á pouco tempo estava lambendo as botas do pato "Donald" Trump, essa evasiva a condecoração pode não soar muito bem…vem cascudo por aí!!!
    Tá perdidão, hein capita???
    Mais perdido ainda, está quem o elegeu…

  3. Aguardando os comentários dos Minions na defesa atacante em 1, 2, 3…

    I wanna to wake up, in a city that doesn't sleep
    And find I'm king of the hill
    Top of the heap

    O recado foi dado, o malvado favorito não é bem vindo.

  4. O dinheiro da PTrobrás serviu para eleger e comprar um prefeito em NY. Vejam só a amplidão desta Organização Criminosa.

  5. Quando o Brasil vai estar livre do PT, PDT, PSOL e os demais do mesmo genêro? Quando teremos uma esquerda, de fato, voltada para o povo?

  6. Nova York, apenas acolhendo causas que dignificam o ser humano com toda sua essência e diversidade. Respeito, que muitos poderiam seguir.

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Economia

Indústria do cigarro ganha R$ 7,5 bilhões com projeto anticontrabando de Moro

Foto: Banco Mundial/ONU

Controversa, a criação pelo Ministério da Justiça de um grupo de trabalho para avaliar uma redução de impostos sobre cigarros teve como referência estudo que projeta aumento de R$ 7,5 bilhões no faturamento da indústria com a eliminação do preço mínimo definido para esses produtos.

O trabalho prevê ainda aumento de R$ 2,5 bilhões na arrecadação do governo, valor que viria de uma possível migração do consumo do cigarro ilegal para o legal.

A proposta, que busca apontar medidas para combater o contrabando, é vista com ressalvas por especialistas ouvidos pela Folha.

Chamado de “Uma alternativa de combate ao contrabando a partir da estimativa da curva de Laffer e da discussão sobre a política de preço mínimo”, o texto, feito em 2017, tem como autores Pery Shikida, pesquisador da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), Mario Margarido, assessor da Secretaria de Fazenda de São Paulo, e Matheus Nicola, mestrando em economia na Unioeste.

​Shikida assumiu cargo no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do ministério neste ano.

O documento, encaminhado pela pasta à reportagem, foi elaborado a pedido do Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), que atua na área de fronteiras e tem parceria com empresas como a Souza Cruz.

O presidente do instituto, Luciano Barros, no entanto, afirma que o estudo partiu de demanda espontânea, sem financiamento da indústria. Os autores também negam relação com o setor.

Ainda assim, o texto traz vários dos argumentos usados pelas empresas para questionar o aumento na tributação. O principal deles é que a elevação de impostos, realizada entre 2011 e 2016, levou a uma migração do consumo do cigarro legal para o contrabandeado.

Outro fator que colaborou para essa transferência, dizem, foi a política de preços mínimos implementada a partir de 2012 para esses produtos. Hoje, cada maço parte de R$ 5.

Com base em simulações, o estudo sugere manter a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), mas eliminar a regra de preços mínimos, o que levaria a um barateamento do produto. O objetivo seria aumentar o poder da indústria de concorrer com o mercado ilegal.

“É mais fácil deixar a indústria resolver esse problema do que o Estado ter de aumentar ações contra o contrabando e tirar dinheiro de outros setores”, afirma Nicola.

Em abril, o estudo foi apresentado pelos autores no Conselho Nacional de Combate à Pirataria, grupo sediado no Ministério da Justiça com membros da indústria e governo.

Pela reação no conselho, a ideia agrada aos dois lados.

“Paulo Guedes [ministro da Economia] que vai gostar: deixa o mercado competir”, brincou Shikida ao fim de sua apresentação.

Especialistas citados como referência no estudo, no entanto, apontam falhas na proposta. “É uma discussão incorreta”, afirma o economista Roberto Iglesias, especialista em tributação de tabaco.
“O problema é eliminar o comércio ilícito. E, para isso, a melhor maneira é uma negociação com o Paraguai.”

O país vizinho tem uma tributação bem mais baixa que a do Brasil —18%, ante 71%, em média, no caso brasileiro.

Segundo Iglesias, mesmo que a redução de impostos barateasse o cigarro brasileiro, o valor seria insuficiente para competir com o paraguaio.

“A única maneira é conseguir que os paraguaios paguem impostos”, afirma.

Além disso, lembra, não seria a primeira vez que o governo tenta combater o contrabando via redução tributária. Entre 1999 e 2007, a alíquota de IPI sobre o cigarro caiu de 42,5% do maço para uma faixa entre 20% e 25% desse valor.

“Há várias maneiras de combater o comércio ilícito, mas escolhem a menos prática, ruim para a saúde brasileira e que já foi feita e não funcionou.” A medida, diz, diminuiu a arrecadação e foi incapaz de conter o contrabando.

O estudo dá pouca ênfase a medidas, como reforço do policiamento das fronteiras. Também desconsidera evidências em saúde, como os custos do tabagismo, cujo prejuízo é estimado em R$ 56,9 bilhões ao ano, e o recente aumento no consumo entre os mais jovens.

“O prejuízo se torna maior se contabilizado o que o governo tem de investir para prevenir o primeiro contato com o cigarro”, afirma Tânia Cavalcante, à frente da comissão brasileira da Convenção-Quadro do Controle do Tabaco, tratado da OMS (Organização Mundial da Saúde) do qual o Brasil é signatário.

O único aceno à questão de saúde feito pelos autores são dados sobre a redução tributária no Canadá, realizada em 1994, o que levou a um aumento no consumo de cigarro no país. A política foi revertida e, hoje, o imposto cobrado é de 68% do preço de varejo.

Em março, o ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou no Congresso que, se o alívio tributário levasse a um aumento do consumo de cigarro, a medida seria descartada.

Nicola admite o risco. “Se não for feita ação forte de prevenção, o aumento no consumo realmente pode ocorrer”, afirma ele.

Já Shikida diz que um aumento seria residual e que uma substituição do cigarro ilegal para o legal reduziria problemas em saúde. “Há dezenas de estudos que mostram a qualidade inferior do cigarro contrabandeado”, diz.

Para André Szklo, pesquisador do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a redução de preços não é a melhor medida para combater o contrabando. “Estudam reduzir o preço, quando deveriam aumentar. Quando há aumento de preço, há redução no consumo.”

Entre 2011 e 2017, após o aumento da tributação, o índice de fumantes no país passou de 14,8% para 10%.

Em nota, o ministério disse que a criação do grupo de trabalho seguiu sugestão do conselho de combate à pirataria, com base em “estudos que sugerem exaustão no modelo brasileiro de combate à pirataria e mesmo de saúde pública”. A pasta repassou o artigo dos autores em seguida.

Para Iglesias, não há que falar em exaustão. “Uma política é efetiva se reduzir o consumo, e isso ocorreu mesmo com o crescimento do comércio ilícito. É isso que importa.”

POLÊMICA, REDUÇÃO DE TRIBUTOS OPÕE GIGANTES DO TABAGISMO NO BRASIL
Não é apenas entre especialistas que falta consenso sobre a eficácia da redução de impostos no combate ao contrabando. As próprias gigantes tabagistas divergem sobre o tema.

“É preciso sim ter uma revisão do sistema tributário. Se isso vai resultar em redução, o grupo de estudos que tem de olhar”, diz Rinaldo Zangirolami, diretor da Souza Cruz.

Segundo ele, por causa do imposto mais barato em vigor no Paraguai, a faixa de preço do cigarro contrabandeado vai de R$ 2,50 a R$ 3,50 –ante o mínimo de R$ 5 no Brasil.

“O cerne da questão é existir um produto vendido a R$ 2,50, sem pagar imposto e sem vigilância sanitária. É uma indústria informal que tem o crime organizado por trás.”

Embora o discurso esteja alinhado com a proposta do Ministério da Justiça de discutir o tema, o diretor afirma que a empresa não foi consultada pelo governo.

Agenda oficial do secretário nacional do Consumidor, Luciano Timm, que preside o conselho contra pirataria, no entanto, aponta reunião com a Souza Cruz e Japan Tobacco em 25 de fevereiro, um mês antes da criação do grupo para discutir a redução de impostos.

A pauta era uma “visão propositiva a fim de reduzir o contrabando de cigarros no país”.

Questionado, Zangirolami disse não saber do encontro, mas que reuniões são rotineiras.

A Folha procurou Timm para saber se a questão do imposto foi comentada, mas não obteve retorno.
Para a Philip Morris, a proposta de reduzir preços do produto brasileiro para fazer com que o cigarro legal concorra com o ilegal é simplista.

“Se o mercado formal baixar os preços à custa de uma redução de impostos, facilmente o mercado informal tem condições de baixar mais”, diz o diretor de Assuntos Corporativos da Philip Morris, Fernando Vieira.

Para ele, a solução é aumentar o controle das fronteiras.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Baixar o preço – aumentar o consumo – aumentar as mortes
    Gênio!!!
    Mais fácil que combater o contrabando

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Judiciário

Toffoli cria grupo para avaliar uso de redes sociais por juízes

POR FREDERICO VASCONCELOS

O presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Dias Toffoli, instituiu grupo de trabalho para “avaliar os parâmetros para o uso adequado das redes sociais pelos magistrados”.

Portaria assinada na última quinta-feira (2) considera “a necessidade de conciliar a liberdade de expressão e a presença dos magistrados nas redes sociais com a preservação da imagem institucional do Poder Judiciário”.

Toffoli entende que “o mau uso das redes sociais pode impactar a percepção da sociedade em relação à integridade do Poder Judiciário, causando máculas à prestação jurisdicional”.

A julgar pela primeiras reações de magistrados nas listas de discussão na internet, os comentários dividem-se em duas críticas:

1) Os ministros de tribunais superiores não dão exemplos para preservar a imagem do Judiciário (criticam decisões de outros juízes fora dos autos, demonstram extrema proximidade com partes etc);

2) Temem que o CNJ tente legislar além da Loman e da Constituição Federal, impondo mordaça.

Para Toffoli, é missão do CNJ “contribuir para que a prestação jurisdicional seja prestada com fundamento nos princípios da moralidade, da eficiência, da efetividade, da transparência e com responsabilidade”.

A decisão foi tomada em meio a fortes críticas que o presidente do STF e CNJ tem recebido pela abertura de inquérito no Supremo para apurar fake news, admitindo o uso de censura prévia.

O grupo é formado depois da frustrada tentativa do CNJ de julgar manifestações de magistrados, no ano passado, durante a campanha que elegeu o presidente Jair Bolsonaro.

O CNJ arquivou procedimentos administrativos instaurados contra onze magistrados. Na ocasião, o corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, entendeu que o provimento que motivara os processos era “muito recente”, e recomendou sua observância, para evitar futuras “medidas mais enérgicas”.

Toffoli deixou claro na ocasião que haveria desdobramentos. “Como é algo novo, nós estamos arquivando esses procedimentos, estamos arquivando até porque não houve reiteração, mas isso não significa que houve qualquer tipo de conivência”, disse.

O conselheiro Luciano Frota, juiz do Trabalho, foi voz solitária contra a medida: “A edição de ato normativo que limita a livre manifestação do pensamento, definindo, a priori, as condutas que representam a suposta extrapolação desse direito, configura censura prévia, que não tem, a meu juízo, guarida constitucional”.

Os que defendem limites para manifestações públicas de magistrados lembram os comentários da então presidente do CNJ ministra Cármen Lúcia –conhecida por sua defesa da liberdade de expressão–, quando o órgão decidiu, por unanimidade, abrir reclamação disciplinar para investigar a conduta de quatro juízes que participaram de ato público, no Rio de Janeiro, contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Já é passada da hora de discutirmos no Poder Judiciário como um todo — tanto para o STF quanto para a juíza de Espinosa (MG)”, afirmou. “Não é possível que continuem havendo manifestações muito além dos autos, e dos altos e baixos das contingências políticas da sociedade”, disse Cármen Lúcia.

Ela entende, contudo, que “a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) são suficientemente claras ao delimitar o direito à liberdade de expressão dos 18 mil magistrados brasileiros”. “Não é a quantidade de leis, portanto, que produz a obediência à legislação”, afirmou.

Naquela sessão, o conselheiro Arnaldo Hossepian, procurador de Justiça indicado para o CNJ pela Procuradoria-Geral da Republica, lembrou que a corregedoria do Ministério Público de São Paulo tem tido trabalho por causa das manifestações políticas de promotores, especialmente após o surgimento das redes sociais.

A conselheira Maria Teresa Uille, indicada pela Câmara dos Deputados, sugeriu a possibilidade de o CNJ regular os limites da manifestação política dos magistrados. O conselheiro Henrique Ávila, indicado pelo Senado, propôs uma resolução do CNJ sobre a questão.

Integram o Grupo de Trabalho criado por Toffoli

Aloysio Corrêa da Veiga, ministro do Tribunal Superior do Trabalho e membro do CNJ (coordenador);

Eduardo Carlos Bianca Bittar, Professor Associado do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP;

Carl Olav Smith, Juiz auxiliar da presidência do CNJ. Juiz de Direito do TJ-RS. Execeru a mesma função na gestão do ministro Francisco Falcão. Foi juiz auxiliar da ministra Laurita Vaz, na presidência do STJ, e secretário-geral da Escola de Nacional de Formadores e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam);

Giovanni Olsson, Juiz do Trabalho, atuou como Juiz Auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça e conselheiro da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (ENAMAT);

Marcia Maria Nunes de Barros, Juíza Federal do Rio de Janeiro, especializada em matéria previdenciária e propriedade intelectual;

Morgana de Almeida Richa, Juíza do Trabalho de Curitiba, foi conselheira do CNJ na gestão do ministro Gilmar Mendes;

Inês da Fonseca Porto, mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), servidora da Defensoria Pública do DF, cedida para o CNJ.

O grupo encerrará suas atividades com a apresentação de relatório e propostas no prazo de 30 dias.

Blog do Fred/Folha de S.Paulo

Opinião dos leitores

  1. A censura da jumentância petralha não desiste não nunca, ela agora quer porque quer se instalar no Judiciário, pelas mãos do advogado da orcrim.

  2. Incompetente, despreparado, imbecil, almofadinha, extrato de homem. Difícil acreditar em um STF plural, independente e forte, com membros escolhidos por pessoas como Lula.

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Polícia

Gráficas não comprovam serviços para laranjas do PSL ligadas a ministro

Nas buscas realizadas na última segunda-feira (29), a Polícia Federal não encontrou em gráficas de Minas Gerais nenhum vestígio de que tenham de fato trabalhado para candidatas laranjas do PSL ligadas ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Quatro mulheres investigadas sob a suspeita de terem simulado concorrer a cargos de deputada estadual e federal declararam ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter produzido material e outros serviços de campanha nas empresas, que emitiram notas fiscais.

A operação da PF, no entanto, não encontrou registros físicos que indicassem que os serviços tenham efetivamente sido prestados —recibos e ordens de serviços de outras candidaturas, por exemplo, foram encontrados.

O resultado reforça a suspeita da polícia de que ou as gráficas não produziram nada do que foi declarado pelas candidatas ou fizeram o material para outras pessoas.

Essas foram as primeiras buscas feitas pelos policiais na atual investigação.

A apuração da PF começou após a Folha revelar em fevereiro o esquema de candidaturas de laranjas relacionado ao ministro de Jair Bolsonaro, que também é do PSL. Álvaro Antônio, que dirigia o partido em Minas nas eleições, nega irregularidades. Ele foi o deputado federal mais votado do estado. Bolsonaro declarou que aguarda a conclusão das investigações para decidir o futuro de seu ministro.

Agora, a PF realiza a perícia em computadores, mas quase todas as empresas já sinalizaram que não haveria nada guardado. Após a operação, ao menos dois representantes das firmas foram ouvidos.

A polícia considera que as quatro candidatas mentiram em suas prestações de conta.

No dia da busca, uma das gráficas disse que tem como praxe guardar registros físicos por seis meses –e que eles já foram eliminados. Em outro caso, a que emitiu nota fiscal para duas das suspeitas afirmou ter o hábito de anotar as ordens de serviço em um bloquinho –que, no entanto, já deveria ter ido para o lixo.

Uma outra empresa, que declarou ao TSE ter prestado serviço a algumas dessas integrantes do PSL, também disse que os pedidos nem sempre eram armazenados e que devem ter sido apagados.

Uma quarta gráfica disse que não possui registro e que as solicitações eram feitas, na maioria das vezes, por telefone ou pessoalmente.

Um quinto alvo também não tinha nenhum documento físico para comprovar o trabalho, mas foi o único a informar que teria registro em seu sistema.

Além das gráficas, a PF fez busca na casa de um irmão do coordenador da campanha do ministro no Vale do Aço, Robertinho Soares, que também integra o comando estadual do PSL. Reginaldo Donizete Soares, irmão de Robertinho, é sócio de duas empresas (a I9 Minas e a Imagem Comunicação) que figuram como prestadoras de serviços eleitorais (pesquisas, publicidade) às candidatas suspeitas.

A I9 não funciona há pelo menos dois anos. As duas empresas, segundo informado ao TSE, teriam recebido R$ 44,9 mil de duas dessas mulheres.

Além das candidaturas mineiras, o jornal revelou esquema semelhante em Pernambuco, onde o partido é politicamente comandado por Luciano Bivar, hoje presidente nacional do PSL —há também investigação no estado.

O caso levou à queda do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou o partido nacionalmente em 2018.

Outro lado

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, minimizou a falta de indícios de atuação das gráficas detectada durante as buscas realizadas pela Polícia Federal.

“Sobre os materiais produzidos para a campanha, é natural que eles não estejam nas gráficas uma vez que eles foram utilizados na campanha”, afirmou o ministro, por meio de sua assessoria.

“A Folha de S.Paulo mais uma vez, numa atitude totalmente irresponsável sem qualquer compromisso com o leitor ou a sociedade, tenta distorcer os fatos para atender a interesses políticos”, disse.

O PSL de Minas, ainda controlado politicamente por Álvaro Antônio, encaminhou resposta similar: “Na visão do partido, estranho seria se materiais que deveriam ter sido distribuídos na eleição estivessem nas gráficas até hoje”.

Robertinho Soares nega que tenha participado de esquema. Seu irmão Reginaldo afirmou que está colaborando e que as apurações correm em segredo de Justiça.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Nada melhor para driblar os órgãos de controle do que gráficas, agências de publicidade, institutos de pesquisas e "consultorias especializadas". Estou por ver.

  2. Tudo armado pelos petralhas, sob o comando de Luladrão. Tenho plena convicção que os donos das gráficas foram comprados pelo PT para denegrir a imagem do Nosso Capitão.

    1. Quero vê até quando esses incautos vão colocar a culpa no PT.
      Essa grande família de Melecianos sempre fizeram corrupção apenas num grau menor. Pq não tinham acesso aos bilhões

    2. Elogie o presidente do Brasil. Use os melhores adjetivos: perfeito, iluminado, altamente educado, competente, insubstituivel, realizador, estadista, estrategista,. Todos os brasileiros irão concordat. Melhor dizendo o mindo todo reconhecerá. Esqueça Lula.

  3. "seu odio não é bem vindo aqui". Prefeito de NY falando do bozo hoje. A pf vai chegar no "minto".

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Política

TV decide não exibir entrevista gravada com o ex-presidente Lula na prisão

A RedeTV! decidiu não exibir uma entrevista feita pelo jornalista Kennedy Alencar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi alvo de críticas de aliados do petista.

Foi a segunda vez que o petista falou com veículos de imprensa depois de ter sido preso em Curitiba, em abril de 2018. A primeira foi no último dia 26, quando recebeu a Folha e o jornal El País, após a queda da proibição imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

A entrevista de Kennedy Alencar com Lula foi feita na sexta (3) e, segundo divulgado pelo jornalista, iria ao ar na noite deste sábado (4) na RedeTV!.

Agora, o material deve ser exibido, em data indefinida, pela BBC World News, segundo a RedeTV! e o jornalista. Em seu blog, Kennedy afirma, em seguida, “publicará as íntegras em texto e vídeo da conversa com o petista”.

Na entrevista, o ex-presidente admite pedir progressão de regime para sair da prisão devido à condenação no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Em nota, o site oficial de Lula afirmou que a própria RedeTV! havia acionado a Justiça para entrevistar o petista.

“Registre-se que emissora não só entrou com uma reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal para garantir o direito de entrevistar o ex-presidente como gravou a entrevista”, diz o comunicado.

Procurada, a emissora afirma em nota que “foi contratada no ano passado pela BBC World News e pela K.doc para gravar entrevistas para a série-documentário de três capítulos. Realizou 12 entrevistas, 3 das quais com ex-presidentes da República. A série, chamada ‘What Happened to Brazil’, foi transmitida internacionalmente em janeiro pela BBC”.

Segundo a RedeTV!, “a entrevista com Lula foi solicitada à época como parte desse projeto”. “Liberada agora pela Justiça, foi gravada na última sexta-feira. A entrevista será usada pela BBC World News com exclusividade, numa sequência da produção desenvolvida no ano passado. Todos os direitos sobre imagens e direção editorial são da BBC”, afirmou.

As entrevistas que foram gravadas anteriormente para a série também não foram exibidas pela emissora.
Nas redes sociais, aliados de Lula criticaram a decisão da RedeTV!.

Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad publicou no Twitter a nota da emissora e questionou: “Você tem medo de quê?”.

Já a deputada Maria do Rosário (PT-RS) manifestou apoio a Kennedy e Lula e disse que é “um desrespeito com ambos e com o Brasil”.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. BG.
    Esse Kenedy é um ptRALHA não merece o mínimo de credibilidade. É um zero a esquerda. Fora pt.

    1. Já teve a do beira mar mais de uma vez, ow MONGOLÁO inclusive inúmeros bandidos pés de chinelo são entrevistados diariamente em programas policiais

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Saúde

Dia da D de vacinação está dentro da expectativa, diz ministro

Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse hoje (4), durante visita a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na zona sul da capital paulista, que participa do Dia D da campanha de vacinação contra a gripe, que as ações estão indo bem, dentro das expectativas do ministério, com 100% das unidades de saúde abastecidas e 100% da força de trabalho atuando.

“É uma oportunidade que teremos até o fim de maio para as pessoas se vacinarem. Hoje fica um dia no qual chamamos bastante a atenção. O Dia D não é dia para esgotar os índices, mas é um dia que queremos que todos saibam que estamos em plena campanha e que além de vacinar contra a gripe, há a oportunidade para as demais vacinas”, afirmou.

O objetivo da ação é alertar a população sobre a importância de manter a carteira de vacinação em dia e chamar o grupo prioritário para se vacinar. A vacina está disponível em todos os postos de vacinação do país, durante este sábado.

Mandetta lembrou que há um fenômeno global no qual as pessoas estão deixando de vacinar os filhos, resultando em epidemias de doenças que já estavam erradicadas, como o sarampo. “São Paulo teve um caso de sarampo esta semana. Ela tem um bom índice de cobertura vacinal, mas não se pode criar nichos sem vacinação, senão coloca-se em risco a comunidade como um todo, disse.

Segundo o ministro, as pessoas acreditam que a gripe é uma doença comum, mas esquecem que ela mata, leva milhares de pessoas aos postos de saúde e hospitais, com internações prolongadas, podendo evoluir para uma pneumonia.

“A vacina não dá reação nenhuma. O que existe são pessoas que estão no período de incubação da gripe. Vacinam-se, e dois dias depois têm gripe porque já estavam contaminadas. O balanço da vacina é dez a zero, em qualquer relação de risco, versus benefício”, explicou.

Agência Brasil

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Diversos

Brumadinho: 100 dias após rompimento, bombeiros continuam buscas por 35 vítimas

O Corpo de Bombeiros completa neste sábado, 4, 100 dias de buscas na região atingida com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Até o momento, 235 mortes foram confirmadas e 35 pessoas seguem desaparecidas. Um total de 70% da localização de vítimas foi feita com a ajuda de cães farejadores.

O porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, voltou a afirmar na sexta-feira, 3, que as operações de buscas prosseguem por tempo indeterminado. “O compromisso assumido desde o início é de que ficaríamos aqui pelo tempo necessário e que só terminaríamos as operações sob duas hipóteses: encontrarmos todos os desaparecidos ou não haver condições biológicas de avançarmos nas buscas devido ao avançado estágio de decomposição de alguns corpos”. A barragem rompeu em 25 de janeiro.

Até o momento foram feitas cerca de 600 localizações de corpos e segmentos. O total, porém, inclui restos de animais. Conforme o tenente Aihara, até o momento cerca de 40 cães farejadores já atuaram no resgate de corpos em Brumadinho. Há um rodízio para que as condições físicas desses animais sejam preservadas, feito em parceria com outros Estados. Também na sexta-feira, seis cães atuam em Brumadinho, parte do grupo foi enviado de Mato Grosso e Sergipe.

Em balanço dos 100 dias, o tenente, em entrevista a jornalistas na localidade de Córrego do Feijão, a mais afetada pela lama, afirmou não haver redução no ritmo da operação, mas que, hoje, há uma utilização maior de máquinas nas buscas.

“Ao contrário do que muitas pessoas pensam, de que teria havido redução de força de trabalho aqui, nesse momento estamos com situação de máximo emprego. A diferença é que, como essas máquinas pesadas substituem o trabalho de muitos homens, nós temos um efetivo humano um pouco menor, e o de máquinas, bem maior”.

São 17 frentes de buscas, segundo o tenente, com total entre 130 e 150 homens, além de 100 máquinas. A expectativa do Corpo de Bombeiros é de que, por ainda haver material para ser identificado por DNA, existe a possibilidade de redução no número de desaparecidos nos próximos dias.

Estadão Conteúdo

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Judiciário

Bolsonaro é orientado a escolher nome ‘sênior’ para a vaga de Dodge

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem sido orientado a indicar um subprocurador-geral da República, o último nível da carreira no MPF (Ministério Público Federal), para comandar a PGR (Procuradoria-Geral da República).

O mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, termina em setembro. Legalmente, ela pode ser reconduzida para um segundo mandato de dois anos, mas membros da carreira consideram esse cenário pouco provável.

Desde o mês passado, a equipe de consultores jurídicos do presidente tem discutido de maneira informal um perfil ideal para o cargo com ministros de tribunais superiores e com integrantes do Ministério Público.

O perfil que o grupo defende que seja escolhido busca resolver duas das três questões que têm gerado controvérsias na categoria às vésperas da sucessão do cargo.

A primeira é se o futuro procurador-geral precisa ser membro do MPF ou se poderia ser de qualquer um dos quatro ramos do Ministério Público da União, que engloba também os Ministérios Públicos Militar, do Trabalho e do Distrito Federal.

A segunda questão é se todos os cerca de mil procuradores da República poderiam chefiar a instituição ou se o cargo é exclusivo para os 74 subprocuradores-gerais, terceiro e último nível da carreira.

O terceiro ponto, para o qual ainda não há resposta dos consultores jurídicos, é se Bolsonaro vai escolher um dos nomes que constar da lista tríplice formada em eleição interna no MPF ou se vai ignorar as sugestões da carreira.

De acordo com relatos feitos à Folha, Bolsonaro ainda não tomou uma decisão sobre o perfil de procurador-geral que indicará, mas ele já deu mostras de que seguirá a orientação de seus auxiliares técnicos.

Em conversas reservadas, o presidente não se comprometeu a escolher um dos indicados na lista tríplice.

A eleição é organizada pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e desde 2003 vem sendo respeitada por todos os presidentes, apesar de não constar de lei.

Bolsonaro não descarta, porém, levar a lista em consideração caso ela inclua um nome que o agrade. Por isso, ele definiu que irá aguardá-la antes de fazer sua escolha. Qualquer que seja o nome indicado, ele precisa passar por sabatina do Senado.

A eleição interna será no dia 18 de junho, quando a lista tríplice será conhecida. Nesta segunda-feira (6), começam as inscrições de candidaturas, que vão até o dia 15.

Nas sondagens feitas pelos consultores jurídicos do presidente, o recado transmitido a Bolsonaro é de que os procuradores não aceitarão um nome de fora do MPF e que não esteja no topo da carreira. Um procurador ou um procurador regional, níveis anteriores ao dos subprocuradores-gerais, não contará com apoio interno suficiente para liderar a categoria, dizem.

De acordo com auxiliares presidenciais, a defesa do nome de um subprocurador-geral é capitaneada por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), os quais argumentam que o assento ao lado do presidente de um tribunal superior só cabe aos que estão no topo da carreira.

Como as funções delegadas pelo procurador-geral —como as de vice-procurador-geral, vice-procurador-geral eleitoral e corregedor-geral— são exclusivas dos subprocuradores, para eles não faria sentido nomear alguém em posição anterior na carreira para ser o chefe da instituição.

Nas palavras de um assessor, diante da resistência tanto do STF como do MPF, “não há motivo para arrumar confusão de graça” e criar um mal-estar entre o Judiciário e o Executivo.

A possibilidade de indicar para a PGR um procurador do Trabalho ou Militar, que foi reconhecida publicamente pelo ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), André Mendonça, também foi criticada nas consultas informais feitas pela equipe do governo. O receio é que integrantes do MPF judicializem a questão.

Entre os subprocuradores-gerais, dois contam com simpatia no Palácio do Planalto: o paulista Mario Bonsaglia e o baiano Augusto Aras. O primeiro disputará a eleição interna, já figurou nas listas de 2015 e 2017 e é considerado um nome independente dos principais grupos que buscam espaço no MPF.

O segundo, que deve tentar uma indicação fora da lista tríplice, tem apoio no núcleo militar e tem falado com ministros como Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). Candidaturas por fora da lista tríplice são mal vistas por boa parte dos procuradores.

Uma exclusão de procuradores que atuam em primeira instância tira do páreo nomes como o de Deltan Dallagnol, que atua na equipe da Operação Lava Jato. A indicação dele enfrenta resistências no Senado, que precisa aprovar a indicação do presidente.

A equipe jurídica de Bolsonaro é formada, entre outros, pelos ministros André Mendonça e Wagner Rosário (CGU) e pelo subchefe de Assuntos Jurídicos, Jorge Oliveira, que já fora assessor de seu gabinete na Câmara.

Em 2017, o então presidente Michel Temer considerou indicar um procurador regional para a PGR, mas desistiu diante da resistência do STF e do Senado. Temer avaliava o nome de Blal Dalloul —que deve disputar a eleição interna neste ano.

Além dele, devem se candidatar Vladimir Aras e Lauro Cardoso —os três são procuradores regionais e ligados ao grupo do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

Outro nome do grupo janotista, Nicolao Dino estava disposto a concorrer, mas desistiu na semana passada. Em 2017, ele foi o primeiro na lista tríplice, mas Temer preferiu indicar a segunda colocada, Raquel Dodge.

Na quinta-feira (2), a subprocuradora-geral Luiza Cristina Frischeisen informou aos colegas que vai disputar a lista tríplice. Ela coordena a câmara criminal do MPF e atuou em operações como a Anaconda.

O presidente da associação da categoria, José Robalinho, é apontado como candidato por colegas, mas não confirma. Além dos que vão participar da eleição interna, há outros candidatos que, assim como Augusto Aras, tentam a indicação por fora da lista tríplice.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Que vergonha de manchete. O presidente disse q escolheria um peixe dele. Um absurdo. No governo do PT, q falavam q aparelhava as instituições, o escolhido era sempre o primeiro da lista tríplice escolhido pelos procuradorez nacionais.

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Polícia

Justiça nega liberdade para acusado de matar Marielle Franco

A Justiça do Rio negou pedido de liberdade feito pela defesa do ex-policial militar Élcio Queiroz, um dos acusados de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em março de 2018.

Queiroz e outro acusado, o policial reformado Ronnie Lessa, foram presos em março. Os dois estão em prisão preventiva. Em despacho publicado nesta sexta (3), a Justiça diz que os motivos que justificaram a medida permanecem válidos e Queiroz deve continuar preso. Ele é acusado pela polícia de dirigir o carro usado no crime. Lessa teria feito os disparos.

O crime foi cometido no dia 14 de março de 2018. Segundo a polícia, foram feitos 13 disparos contra o carro em que estava a vereadora, uma assessora e o motorista. Marielle foi atingida na cabeça por quatro tiros. Outros três atingiram Gomes.

A denúncia contra os dois foi aceita pela Justiça do Rio no dia 15 de maio. Eles respondem por duplo homicídio triplamente qualificado —por motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima— além de tentativa de homicídio da assessora de Marielle que estava o carro.

A Operação Lume, que prendeu os dois acusados, porém, não identificou motivos nem possíveis mandantes, trabalho que será feito em uma segunda fase das investigações. Com um amigo de Lessa, que também está preso, foram encontrados 117 fuzis incompletos, um arsenal avaliado em R$ 3,5 milhões.

Lessa e o amigo, Alexandre Motta, respondem pela posse das armas. Eles terão audiência de instrução no próximo dia 6. No processo sobre o homicídio, Lessa e Queiroz serão ouvidos no dia 7. A audiência será realizada por videoconferência, já que os réus estão em presídio de segurança máxima.

A Folha ainda não conseguiu contato com a defesa de Queiroz. Na época da prisão, os dois acusados negaram participação no crime.

Folhapress

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