Economia

SUV vira tendência no país e abocanha 20,8% das vendas

Fábrica da Ford nos EUA (Foto: Bill Pugliano/Getty Images)

Quem apostou que seria uma ‘moda passageira’ perdeu. Os utilitários-esportivos já representam 20,8% das vendas de automóveis e comerciais leves no país e ultrapassaram, pela primeira vez, ainda que discretamente, o mercado de sedãs no primeiro trimestre.

A previsão dos fabricantes é de que os SUVs, como são chamados, fiquem com 30% da fatia das vendas em até três anos, alçando o segmento à liderança do mercado e deixando para trás os automóveis hatch, hoje os preferidos do brasileiro.

Seguindo a tendência mundial, o mercado de SUVs é o que mais cresce no Brasil. De 2010 até o ano passado, quase dobrou de tamanho, saindo de 215,7 mil unidades para 414,5 mil. Só no primeiro trimestre deste ano, os negócios aumentaram 34,4%, para 109,8 mil unidades, enquanto o mercado total cresceu 14,7%. As vendas de sedãs somaram 109,3 mil unidades.

Antes quase restritos a importados, a alta constante das vendas tem levado às montadoras a nacionalizarem a produção, casos, por exemplo, do Jeep Renegade e do Compass, fabricados em Goiana (PE).

Não é à toa que há 22 lançamentos de utilitários-esportivos previstos para este ano, entre modelos nacionais e importados. “O Brasil está indo em direção à tendência global (de vendas de SUVs), especialmente em relação a EUA e China“, diz Rodrigo Custódio, diretor da consultoria Roland Berger.

Nos dois países e no Canadá, o segmento responde por 40% do mercado de automóveis e comerciais leves. Segundo levantamento da consultoria Jato, o Brasil, com 20% das vendas voltadas a esses veículos, se equipara às fatias registradas por AlemanhaFrança e Índia.

A menor participação verificada entre 17 países pesquisados foi a do Japão, com 8% das vendas. “O mercado de SUVs é um dos que concentram mais novidades e lançamentos nos últimos anos”, afirma Rafael Abe, diretor da Jato.

No mundo todo, foram vendidos, no ano passado, 29,5 milhões desses veículos, o equivalente a 31,2% do mercado de automóveis e comerciais leves. Em 2010, essa participação era de 14%.

O que atrai os consumidores para esse tipo de veículo é a sensação de conforto e segurança ao dirigir – por serem mais altos em relação aos demais e permitirem melhor visão do exterior -, o espaço amplo para os ocupantes e o porta-malas com boa capacidade de carga. Nas versões com tração nas quatro rodas, a vantagem é poder rodar em qualquer tipo de terreno.

Há modelos à venda para várias faixas de consumo, de R$ 60 mil (JAC T-40 e Chery Tiggo) a R$ 1 milhão (Range Rover SV Autobiography), por isso os utilitários estão “roubando” vendas de vários segmentos.

Como cerca de 70% das vendas do segmento estão concentradas nos SUVs compactos, os modelos mais afetados são os hatch de médio porte – onde estão classificados, por exemplo, o Volkswagen Golf (R$ 70 mil) e o Chevrolet Cruze (R$ 93 mil) – e os sedãs médios – como Toyota Corolla (R$ 90 mil) e Honda Civic (R$ 89,4 mil).

Em baixa
Há quatro anos, os sedãs médios abocanhavam 7,5% das vendas, fatia que hoje está em 6,4%. A participação dos hatch médios caiu de 2,2%, em 2015, para menos de 1% nos três primeiros meses deste ano. As peruas estão quase em extinção. “Em mercados como o americano, algumas fabricantes já começam a retirar hatches e sedãs de produção em benefício dos SUVs”, diz Custódio, da Roland Berger. Recentemente, por exemplo, a imprensa americana disse que a General Motors deve tirar o Sonic e o Impala de linha nos EUA, e a Ford, o Fiesta e o Taurus.

Desenvolvidos inicialmente como carros mais rústicos, para uso fora de estrada, os SUVs conquistaram consumidores que só rodam em cidades. Por isso, a gama de produtos vem se ampliando com versões para todo tipo de gosto, do pequenino Renault Kwid (R$ 31 mil) – chamado pela marca de SUV dos compactos, embora o mercado não o classifique como utilitário – até os luxuosos Porsche Macan (R$ 321 mil) e Jaguar F-Pace (R$ 322,5 mil).

 

 

ÉPOCA

 

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Polícia

Dois homens são assasinados por casal em restaurante na Praia do Meio

Um homem, ainda sem identificação, foi assassinado a tiros por um casal no restaurante Farol Bar, na Praia do Meio, Natal, no final da manhã deste domingo, 15.

Os criminosos já foram presos pela polícia. Uma arma de 9mm foi apreendida. O cozinheiro de um outro restaurante próximo foi atingido foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

 

Opinião dos leitores

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Cidades

Prefeitura de Santa Cruz faz obra emergencial em RN destruída pela chuva

Atendendo solicitação do deputado estadual Tomba Farias (PSDB), o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) deverá iniciar nesta segunda-feira, 16, a recuperação do trecho da RN que liga os municípios de Santa Cruz e São Bento do Trairi, estrada que ficou parcialmente destruída devido a uma cratera decorrente das chuvas registradas dos últimos dias. Neste Sábado, o parlamentar e a prefeita de Santa Cruz, Fernanda Costa, disponibilizaram homens e máquinas para a execução de obra emergencial que está garantindo o tráfego de veículos, enquanto a obra na estrada não fica pronta.

“A obra emergencial executada pela Prefeitura de Santa Cruz consiste na construção de um desvio ao lado da RN, o que está permitindo que o trânsito entre Santa Cruz e São Bento do Trairi seja feito da melhor forma possível”, disse o deputado, que visitou a área atingida pelas chuvas e verificou in loco os estragos na estrada, em companhia do ex-prefeito Wilton Xavier (Tula).

O Chefe da Divisão de Conservação e Melhoramentos do DER, Wellington Sena Lobato, também acompanhou Tomba Farias na inspeção da RN danificada e confirmou que a obra de recuperação da RN será realizada de forma urgente. A recuperação da via deverá se estender por uma semana.

As fortes chuvas que ocorreram na região na última sexta-feira fizeram com que a barragem da comunidade rural de Ramada, localizada entre Santa Cruz e São Bento do Trairi, fosse parcialmente rompida, causando danos à estrada. A mesma barragem rompeu em 2009, gerando grande transtorno à população e deixando a estrada ficou totalmente sem fluxo.

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Acidente

Família de Motorista envolvido em acidente na Av. Hermes da Fonseca neste sábado emite Nota de Esclarecimento; veja

A família de um dos motoristas envolvidos em um acidente grave na noite deste sábado, 4, na Av. Hermes da Fonseca emitiu uma nota de esclarecimento. Veja abaixo:

A família Cordeiro de Medeiros esclarece que o acidente ocorrido na Avenida Hermes da Fonseca, na noite de ontem, com um dos seus membros, não foi motivado por qualquer tipo de racha ou infração de trânsito.
Nosso familiar, na hora do acidente, fazia o trajeto de casa para o cinema, no shopping Midway Mall.
Neste momento, ele se encontra internado em uma Unidade de Terapia Intensiva, onde se recupera do acidente. Já a outra pessoa envolvida no caso, não sofreu ferimentos.
Agradecemos as orações e estamos confiantes na pronta recuperação.

Natal, 15 de abril de 2018 às 10h26

Família Cordeiro de Medeiros

Opinião dos leitores

  1. Acho que ele tava atrasado para o cinema, pois estava pegando racha, e colocando em risco pessoas que não tinha nada haver, com ctz é um cidadão rico, não vai dar em nada.

  2. Deus me livre pegar carona com este motorista daqui para esquina com este motorista, se pra ir ao cinema coloca em risco todos que estão na proximidade , imagine eu, no simples carrinho de cachorro quente que fica bem próximo de onde ele, lentamente de raspão bateu de leve , se eu estivesse lá hoje seria mais um na conta dos irresponsável que pegam os automóveis para destruir a vida dos outros e ainda saem contando estória dizendo que foi acidente e o judiciário soltando com tal de homicídio culposo. E o pobre que morreu foi quem perdeu a vida enquanto o homicida fica livre e solto para seguir sua vida como se nada tivesse acontecido. Mas a vida continua e que Deus lhe dê saúde e juízo para não colocar em risco a vida de nenhuma pessoa com seu batmóvel.

  3. Aí quer dizer que a justificativa é que o cara tava indo ao cinema, o que impede que ele realize racha. Claro, evidente. Como ngm percebeu isso? Bando de difamadores.
    E o cara do Focus, levou benga ou não do 1.4T?

  4. Não tava participando de racha não.. e nem tinha infração de trânsito.. é que o carro é um protótipo de um lego e se despedaçou.

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Esporte

Ricciardo dá show e vence na China. Vettel é atingido por Verstappen e chega em 8º

Uma entrada do safety car e uma reação rápida da RBR. O choque entre Pierre Gasly e Brendon Hartley, a dupla da STR, causou o acionamento do carro de segurança. Com isso, a equipe austríaca aproveitou a chance para trocar os pneus de seus dois pilotos. Foi a deixa para Daniel Ricciardo brilhar e vencer neste domingo a terceira etapa da temporada 2018 da Fórmula 1, na China.

Primeiro, aproveitou o erro do companheiro Max Verstappen para ganhar a quinta posição. Em seguida, fez belas ultrapassagens sobre Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Valtteri Bottas para assumir a liderança. O australiano, então, rumou tranquilo para a primeira vitória no ano, encerrando um jejum de 15 provas sem subir ao degrau mais alto do pódio – desde o GP do Azerbaijão em 2017. Bottas foi o segundo e Raikkonen, o terceiro.

Lewis Hamilton sofreu com problemas de desempenho durante toda a corrida. Acabou saindo no lucro com a quarta posição, beneficiado pela punição a Max Verstappen, que teve dez segundos acrescidos a seu tempo por uma tentativa desastrada de ultrapassagem sobre Sebastian Vettel, quando o alemão da Ferrari era o terceiro.

 

GE

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Jornalismo

Restrição de foro privilegiado em pauta no STF atinge apenas 1% dos 54.990 beneficiados

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma no início de maio a discussão sobre mudança no modo como deputados federais e senadores são investigados, processados e julgados. Pelas regras atuais, eles estão submetidos apenas aos tribunais de instâncias superiores – o chamado foro privilegiado.

A discussão estava parada desde novembro do ano passado, quando o ministro Dias Toffoli pediu vista (maior tempo para análise) do processo. A maioria dos magistrados, no entanto, já se posicionou a favor da restrição dos privilégios para políticos, que passariam a ser exclusivos aos casos ocorridos durante o mandato e em decorrência dele.

A mudança atingiria 594 parlamentares, cerca de 1% do total de beneficiados pelo foro, 54.990, de acordo com um estudo divulgado pela Consultoria Legislativa do Senado no ano passado.

No dia 27 de março, Toffoli liberou o processo, conforme a assessoria de imprensa da corte. Nesta sexta-feira, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, o incluiu na pauta do dia 2 de maio.
O resultado parcial é de 8 a 0, com a ressalva de que Alexandre de Moraes apresentou divergências no voto em que concordou com o relator, Luís Roberto Barroso. Ele propõe restrição menor para o foro, que valeria também para crimes comuns, e não apenas aos relacionados à função.

Também em novembro do ano passado o assunto chegou a avançar na Câmara, quando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 333/2017 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta teria impacto muito maior do uma eventual decisão do STF, já que prevê a extinção do foro especial para praticamente todas as funções que hoje gozam do benefício.

A PEC aguardava, sem previsão, votação em comissão especial e no plenário da Casa. A intervenção militar no Rio de Janeiro, contudo, colocou a medida na geladeira, já que, enquanto estiver em vigor, ela paralisa a discussão e votação de projetos que alterem a Constituição.

 

G1

Opinião dos leitores

  1. Sim, mas quais são os outros 99% dos cargos com foro privilegiado? Esse povo faz umas reportagens, mas não dão as informações completas.

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Jornalismo

Exército sírio anuncia reconquista total de Guta Oriental, último redulto rebelde

O exército sírio anunciou neste sábado (14) que reconquistou integralmente o reduto rebelde em Guta Oriental, perto de Damasco, após a evacuação dos últimos rebeldes da cidade de Duma. A ofensiva do regime sírio contra a região levou quase dois meses.

“Todos os terroristas abandonaram (a cidade de) Duma, o último de seus bastiõesem Guta Oriental”, anunciou a agência de notícias oficial da síria Sana, citando um porta-voz do exército. O regime de Bashar al-Assad classifica os rebeldes como “terroristas”.

“Ao mesmo tempo em que estamos resistindo com nossas capacidades de Defesa contra a agressão tripartite pelos EUA, França e Reino Unido contra diversos alvos na Síria, e depois de numerosas operações militares na semana passada, unidades de nossas forças armadas e seus aliados conseguiram limpar Guta Oriental em todos os seus bairros e vilarejos vizinhas, das organizações terroristas armadas, depois de expulsar todos os terroristas de Duma”, diz o comunicado do Exército.

 

 

G1

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Judiciário

MP quer anular júri que condenou Elize Matsunaga; defesa pede redução da pena

O Ministério Público (MP) quer anular o júri de 2016 que condenou Elize Matsunaga a 19 anos de prisão pelo assassinato do marido em São Paulo. O empresário Marcos Kitano Matsunaga foi baleado e esquartejado em 2012. A bacharel em direito confessou o crime em seu julgamento, alegando que matou o herdeiro da empresa de alimentos Yoki para se defender.

Do lado oposto, os advogados de Elize pedem a redução dessa pena. Caberá ao Tribunal de Justiça (TJ) julgar neste ano os pedidos feitos pela acusação e defesa. A previsão é que isso ocorra ainda neste mês.

Essas solicitações, chamadas de apelações, serão analisadas pela 7ª Câmara de Direito Criminal do TJ. No início de abril elas foram incluídas na pauta de julgamento do próximo dia 18. Isso, no entanto, é apenas uma previsão, já que não há garantia de que serão mesmo apreciadas nessa data.

Desembargadores do Tribunal de Justiça deverão analisar as apelações em conjunto e decidir, por votação, se atendem o pedido do MP ou dos advogados. Os dois pedidos, que são completamente diferentes, foram feitos logo após o julgamento de Elize, em dezembro de 2016, mas só entraram na pauta do TJ recentemente porque antes o tribunal estava analisando outros pedidos das partes.

 

G1

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Clima

Itans em Caicó sobe mais de um metro e meio nos últimos dias

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Por Gláucia Lima / Foto: Joaquim Nóbrega

A melhor notícia do domingo. As fortes chuvas caídas nas últimas horas, em Caicó e região, mudaram ainda mais paisagem e o volume do açude Itans.  Segundo Cícero Romão, que faz a medição do reservatório, ele tomou 63 centímetros.

A precipitação em Caicó foi de 130 milímetros.

DO BLOG: Com as chuvas dos últimos 10 dias, o ITANS em Caicó que se encontrava seco subiu mais de um metro e meio.

 

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Tecnologia

Cuidado: versão ‘Plus’ do WhatsApp está caçando seus dados pessoais

Os especialistas em informática descobriram o alastramento de um “sósia” do aplicativo WhatsApp sob o nome de WhatsApp Plus. A versão “alargada” do mensageiro não tem nada a ver com o original, sendo de fato um aplicativo nocivo que rouba os dados pessoais dos usuários e os entrega a terceiros.

O WhatsApp Plus é divulgado por meio das redes sociais e recursos online comprometidos para os smartphones do tipo Android. Normalmente o programa é baixado após abrir um link especial. O aplicativo promete que o usuário poderá trabalhar com 4 contas separadas ao mesmo tempo e usar um regime avançado de “incógnito”.

Ao se instalar, o programa saúda o usuário com as palavras douradas WhatsApp+ e solicita o acesso aos dados pessoais. Após isso, a vítima é convidada a clicar em um link em árabe para atualização, o que na verdade é mais um programa nocivo.

Para evitar encontrar vírus deste tipo na Internet, os especialistas do laboratório Malwarebytes Labs aconselha a estarem muito atentos ao baixarem aplicativos fora da loja Google Play. Com informações do Sputnik Brasil.

NOTÍCIAS AO MINUTO

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Economia

Com problemas de caixa e muitas dívidas, empreiteiras envolvidas na Lava-Jato perdem espaço

Multas bilionárias impostas pelos acordos de leniência, dívidas extremamente elevadas e o brusco encolhimento das carteiras de projetos colocaram as grandes construtoras do país, todas envolvidas na Operação Lava-Jato, em uma situação delicada, que não deve mudar tão cedo. Os problemas são muitos. Odebrecht e Andrade Gutierrez, por exemplo, negociam com bancos a contratação de novos créditos para arcar com compromissos milionários que vencem este mês. A UTC está em atraso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em um dos acordos fechados no âmbito das investigações de corrupção, e a OAS está com os salários de parte de seus funcionários atrasados.

Para analistas, no entanto, a economia vai superar os efeitos da crise das grandes empreiteiras. O economista Claudio Frishtack, presidente da Inter.B Consultoria, vê o espaço dessas construtoras em crise sendo ocupado por outras de médio porte, que se associam a outras. Ele vê, em um segundo momento, frutos positivos para a economia:

– Algum efeito na economia teve, mas, ao mesmo tempo, vai se criar um ambiente mais competitivo, mais aberto. Isso vai ter impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto), com ganho de produtividade, o que compensará eventuais perdas. Teremos um ambiente em que todos efetivamente competem de igual para igual, sem cartelização.

Frishtack diz que essas construtoras tiveram papel de enorme relevância, “até excessiva”, mas não são insubstituíveis:

— Meu pai dizia que o cemitério está cheio de pessoas insubstituíveis. Elas vão voltar para o mercado público, do privado elas nunca saíram, mas em condições bastante diferentes. O mercado público reduziu-se muito.

Para ele, a única expertise das empreiteiras que será difícil de substituir é na construção de barragens para hidrelétricas, o que não está no horizonte no momento, ressalta.

MÉDIAS CONSTRUTORAS OCUPAM MERCADO

As empresas, hoje, se veem entre a dificuldade de obter recursos para atender a compromissos financeiros assumidos na época de bonança e a necessidade de pagar as multas dos acordos de leniência e outras decorrentes dos processos de investigação dos esquemas de corrupção.

— Devagar, essas empresas estão se recuperando. Aparece um projeto ou outro, mas isso vai ocorrer de forma lenta. Elas mudaram (estão com menos projetos e receitas menores), mas a estrutura de capital continuou a mesma (dívidas elevadas) e ainda há as multas dos acordos — diz Marcos Schmidt, analista sênior da agência de classificação de risco Moody’s.

Eduardo Padilha, professor de infraestrutura do Insper, avalia que, quando as grandes obras forem retomadas, as médias construtoras nacionais e as estrangeiras vão entrar na concorrência. O maior entrave para que esse tipo de projeto saia do papel, diz, é macroeconômico:

— O governo encontra dificuldade de estruturação dos projetos e também não tem dinheiro para obras grandes. Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) tem sido mais rigoroso na análise, o que tem tornado mais difícil a aprovação dessas obras.

Alessandra Ribeiro, sócia e responsável pela área de macroeconomia e política da Tendências Consultoria, afirma que, depois de quatro anos de Lava-Jato, o impacto na economia da crise das empreiteiras vai sendo diluído:

— Já vemos algumas empresas médias se associando a outras de fora. O mercado vem sendo ocupado. O efeito ruim para o investimento tem sido atenuado por esse movimento.

Segundo Alessandra, a construção civil residencial já está começa a esboçar reação, mas o mesmo não aconteceu com as obras de infraestrutura. Em grande parte, diz, porque o programa de concessões não deslanchou no governo Michel Temer.

A Odebrecht, maior construtora do país, viu sua carteira de projetos cair de US$ 34 bilhões, em 2014, início da Lava-Jato, para cerca de US$ 16 bilhões. Ou seja, menos recursos entrando no caixa. O contrato mais recente, fechado com Furnas para expansão da termelétrica de Santa Cruz, no Rio, foi de R$ 578 milhões. Em setembro, segundo a Moody’s, a Odebrecht Engenharia e Construção tinha US$ 700 milhões em caixa.

O vencimento das dívidas, porém, prossegue. Uma parcela de R$ 500 milhões, referente à emissão de títulos no exterior tem de ser paga até o dia 30, e outros R$ 400 milhões vencem ao longo do ano. Paralelamente, a empresa tem de começar a honrar o acordo de leniência, cuja multa, de R$ 8,5 bilhões, será paga no prazo de 22 anos.

Quando fechou o acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), a Odebrecht adotou um plano de venda de ativos, para levantar R$ 12 bilhões. Conseguiu R$ 7 bilhões. Mas a expansão da Lava-Jato, com denúncia de pagamento de propina a autoridades no Peru, levou ao congelamento dos seus bens naquele país. Com isso, a empresa não conseguiu receber US$ 1,4 bilhão (R$ 4,4 bilhões) referente à venda da hidrelétrica Chaglla para a State Grid, e hoje negocia com grandes bancos créditos de R$ 3 bilhões.

O Grupo UTC, por sua vez, deixou de arcar com uma das parcelas do termo de compromisso de cessação (TCC) fechado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no valor de R$ 139 milhões. E ainda há uma multa de R$ 574 milhões do acordo de leniência. Segundo a empresa, o atraso decorre da dificuldade em ter acesso a alguns créditos a receber.

Mais delicada é a situação da Mendes Júnior. Quase dois anos após pedir recuperação judicial, a empresa não chegou a um acordo com seus 3.371 credores sobre como a dívida de R$ 360 milhões será paga. Se não for encontrada uma solução na assembleia marcada para a próxima segunda-feira, dia 16, pode ser decretada a falência da companhia, segundo a administradora judicial, a advogada Maria Celeste Morais Guimarães.

A proposta feita pela construtora de converter parte das dívidas em debêntures (títulos de dívida), com prazo para iniciar o pagamento em 15 anos, não foi aceita pelos credores. A Mendes Júnior então propôs pagar em dinheiro, em 60 dias, a quem tinha saldo a receber de até R$ 15 mil. Acima desse limite, foi oferecido um deságio de 30% e início de pagamento em 15 anos, o que os credores rejeitaram. Outra oferta foi deságio de 50% de valores acima de R$ 15 mil e início de pagamento em 7 anos.

— Os credores acharam o deságio muito alto. Além disso, boa parte deles é de empresas de transporte, de aluguel de máquinas e equipamentos. Não estão acostumadas com o mercado financeiro e nem sabem o que fazer com debêntures — diz uma pessoa que acompanha as conversas.

Os credores propõem deságio de 25% da dívida e 36 meses para início do pagamento.

 

A situação de caixa da Mendes Júnior é tão ruim que a construtora não fechou acordo de leniência porque não há recursos suficientes para pagar as multas. Declarada inidônea, a construtora não pode tocar obras públicas.

A Andrade Gutierrez, que tem R$ 1 bilhão para pagar em seu acordo de leniência, precisa antes se livrar de dívidas anteriores à Lava-Jato. A empresa tinha em setembro R$ 700 milhões em caixa, mas precisa pagar R$ 1,1 bilhão referente a títulos de dívida que vencem neste mês. O caixa frágil decorre da queda do volume de projetos, que passou de R$ 34 bilhões antes da Lava-Jato para R$ 18,3 bilhões.

A OAS também entrou em recuperação judicial. Com dívidas de mais de R$ 9 bilhões e uma carteira de projetos reduzida à metade, para R$ 5 bilhões, a empresa chegou a atrasar salários em março. Um alívio pode vir na transferência de sua participação na Invepar para um grupo de credores. Mas, por se tratar de uma concessionária de serviço público, a aprovação da alienação das ações demorou a sair. O tema será levado à assembleia de credores do dia 26, que deverá estabelecer um novo cronograma para pagar as dívidas.

O GLOBO

Opinião dos leitores

  1. Essa é a grande herança da "lava jato": a destruição da indústria nacional. Punir sim, as pessoas, não os empregos!!!

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Política

VÍDEO: ‘Bando de rato de vagabundo’, diz homem em Dubai a senadores do PMDB e do PT

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Antônio Anastasia (PSDB-MG) foram hostilizados nesta sexta-feira, 13, no Aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Um vídeo postado nas redes sociais mostra dois brasileiros criticando os parlamentares em uma sala VIP no terminal, onde eles faziam conexão rumo ao Japão.

Segundo o vídeo, um homem identificado como João chama os senadores de “bando de rato de vagabundo”, “ladrão” e “nojentos”. “Fico triste. O povo acha que vocês estão lutando pelos direitos do povo. É que nem eu disse antes: são um bando de ratos de vagabundos. E esse aqui (apontando para Eunício) ainda tem cara de pau de me dizer que 90% da política do Congresso está certa”, afirmou o homem.

O vídeo mostra apenas Eunício e Viana. Anastasia, que também estava no local, não aparece. Ao ouvir as ofensas, o senador petista se levanta da poltrona e argumenta que está indo pegar um refrigerante. Já Eunício continua sentado e não rebate. “Se vocês não roubassem como roubam, o Brasil estaria melhor. Bando de ratos nojentos, seus vagabundos, ladrão, nojento”, disse o mesmo homem. “Quantos estão morrendo nos hospitais por vocês roubarem? E tu não tem vergonha na cara de dizer que eu não tenho o direito de agredir? Como não?”, emenda o brasileiro.

“Temos pena daquele Brasil lá”, diz o outro homem aos senadores, que também foram questionados sobre a reforma da Previdência e sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A assessoria de Eunício informou que ele não se pronunciará. Os outros dois senadores ainda não responderam.

Eunício viajou ao Japão a convite do governo local. Ele e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tiveram de se ausentar do País nos últimos dias em razão da viagem do presidente Michel Temer (MDB) ao Peru para participar da Cúpula das Américas. Primeiros na linha sucessória, eles não poderiam assumir a Presidência da República, pois se tornariam inelegíveis no pleito deste ano, como estabelece a legislação eleitoral.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Jornalismo

Pessimista com Judiciário, Lula planejou todos os passos de sua prisão

POR FOLHAPRESS

Reportagem conta os bastidores dos últimos dias de Lula em liberdade, do julgamento no STF que autorizou sua prisão até os primeiros momentos em Curitiba. Pessimista quanto a suas chances nos tribunais, o ex-presidente pôs em marcha o plano que havia elaborado para fazer de sua detenção uma despedida histórica.

Quando sua prisão foi decretada, Luiz Inácio Lula da Silva estava fechado em uma sala do instituto que leva seu nome, em São Paulo. Conversava com um deputado do PT e com a mulher dele, que queria dar um abraço no ex-presidente. Por um momento desconectados do noticiário, mantinham-se alheios à informação que se espalhava pelo país.

Àquela altura, ainda estavam no local alguns assessores de Lula e três aliados: a ex-presidente Dilma Rousseff, a senadora e presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o ex-governador Cid Gomes (PDT-CE). Concordaram que seria melhor esperar o retorno dos advogados para falar com o petista.

Dentro do imóvel em que comandou as principais articulações políticas da esquerda desde sua saída do governo, em 2010, Lula foi o último a saber que seu destino estava selado.

Coube a Dilma interromper a conversa amena do petista com o deputado. Ela entrou na sala sem bater e parou em pé ao lado do sofá escuro no qual seu padrinho político se acomodara. Em seguida chegou Gleisi. Não precisaram falar nada. O ex-presidente se levantou e as acompanhou até outro recinto, onde recebeu a notícia da boca de seus defensores.

Embora a prisão do petista fosse um fato anunciado, a maioria supunha que se tornaria realidade apenas uma semana depois. Às pressas, parlamentares e dirigentes do partido foram ao encontro do ex-presidente para pôr em marcha ao menos parte do plano que Lula já havia elaborado para fazer de sua detenção uma despedida histórica.

O roteiro estava pronto, mas ninguém imaginava que precisaria começar a ser executado naquela noite de 5 de abril de 2018, um dia que havia começado com gosto de derrota. O maior revés da história do PT se consolidara pouco menos de 24 horas antes, quando a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), proferiu o voto que abriu caminho para a prisão de Lula.

O ex-presidente não externou surpresa com o resultado. Tratando os aliados como ingênuos, disse que só eles tinham esperança de um desfecho diferente. “Eu vou ser preso. E não vão me prender para me soltar em três dias.”

Lula assistiu a pedaços do julgamento no Supremo. Entrava e saía da sala em que seus aliados estavam reunidos no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). Deteve-se por algum tempo somente durante o voto de Luís Roberto Barroso.

Não viu quando Rosa Weber, única incógnita naquela sessão, enfatizou que iria privilegiar a colegialidade. Rui Falcão, ex-presidente do PT, concluiu: “Já era”.

A magistrada decidiu seguir a orientação firmada pela maioria de seus pares em 2016, e não a convicção pessoal que expressara na ocasião, quando foi contrária ao cumprimento da pena a partir de condenação em segunda instância. Com a escolha, fez da prisão de Lula uma questão de tempo.

O PT calculava que o ex-presidente seria encarcerado somente após a rejeição do último recurso a que ele tinha direito contra a decisão tomada em janeiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

O veredito, de 12 anos e um mês em regime fechado, diz respeito a apenas um dos seis processos dos quais o petista é alvo. Neste caso, foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro —os juízes entenderam que Lula recebeu um tríplex no Guarujá (SP) da construtora OAS como forma de retribuição a vantagens obtidas pela empresa em contratos com a Petrobras.

IMAGEM

O dia seguinte ao do julgamento foi tomado por reuniões no Instituto Lula. A maior parte dos aliados do petista saiu de lá por volta de 17h a fim de iniciar os preparativos para os atos que marcariam seus últimos momentos de liberdade.

Não deu tempo. Às 17h50, num lance inesperado, o juiz federal Sergio Moro decretou a prisão; Lula seria o primeiro ex-presidente detido por crime comum.

Todos que haviam deixado o instituto voltaram correndo para executar um plano que mirava sobretudo a história.

Nos dias que antecederam a decretação da prisão, Lula ouviu uma série de sugestões. Houve desde apelos para se asilar em embaixadas de países simpáticos a sua causa até a proposta de sair de cena após um grande ato em Garanhuns (PE), sua cidade natal, rodeado por nordestinos.

O ex-presidente ignorou os mais radicais, como fez ao longo de toda sua vida. Decidiu que, após a ordem de prisão, se acantonaria no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que comandou nos anos 1970 e que o projetou como personagem da política nacional. Transformaria o local num bunker cercado por militantes de diversos partidos, bem como de movimentos sociais e sindicais.

Sua principal preocupação era com a imagem daquele momento. Queria deixar para a posteridade a sensação de que estavam levando para a cadeia o maior líder popular da história recente do país.

O PT, entretanto, não conseguiu dar a Lula o cenário que ele desejava. Surpreendido pela rapidez de Moro —o juiz expediu a ordem de prisão menos de 18 horas após o julgamento do Supremo—, o partido não pôde arregimentar militantes de outros estados.

Ainda assim, o petista saiu do instituto e partiu para São Bernardo do Campo. Todos os homens do ex-presidente pareciam atordoados. Sem saber o que fazer diante do inevitável, concordavam em um único ponto: era preciso levar Lula para o Sindicato dos Metalúrgicos.

Aliados seguiram em comitiva, disparando convocações pelo telefone e pelas redes sociais. Não havia tempo a perder.

A chegada de Lula ao prédio no ABC paulista foi televisionada. Um helicóptero da TV Globo seguiu o comboio do ex-presidente por todo o trajeto. A cobertura exaustiva da imprensa fez redobrar a disposição do PT de não ceder à Lava Jato a imagem de um Lula cercado por policiais, cabisbaixo e isolado de seus apoiadores.

PARA CONTINUAR LENDO CLICK AQUI: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/04/pessimista-com-judiciario-lula-planejou-todos-os-passos-de-sua-prisao.shtml

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Política

Chave da eleição de 2018 está na cadeia e passa por LULA, indica Datafolha

A nova pesquisa do Datafolha sinaliza que a definição do primeiro turno da sucessão de 2018 passará pela cadeia. Os dados indicam que, se abandonar suas crendices e começar a falar sério, o PT ainda pode influir no jogo. Quase metade do eleitorado (46%) revela alguma propensão para votar num nome indicado por Lula —30% afirmam que farão isso com certeza. Outros 16% declaram que talvez sigam o caminho apontado pelo pajé petista.

Para ter o que comemorar em meio à desgraça, o PT precisaria virar o seu discurso do avesso. De saída, teria de aposentar a mistificação segundo a qual a Justiça brasileira é feita de tribunais de exceção, pois a maioria dos eleitores (54%) acha que o encarceramento de Lula foi justo. De resto, o petismo teria de desembarcar o quanto antes do trem-fantasma em que se converteu a candidatura Lula, pois 62% do eleitorado já se deu conta de que a fantasia descarrilou.

Enquanto o petismo nega a realidade, o eleitorado de Lula começa a migrar por conta própria. Num cenário em que aparece como Plano B do PT, Fernando Haddad herda apenas 3% das intenções de voto atribuídas a Lula. É coisa mixuruca se comparada com as fatias herdadas por Marina Silva (20%) e Ciro Gomes (15%). Até Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Joaquim Barbosa beliscam mais votos do legado de Lula (5% cada um) do que o petista Haddad.

Outro dado notável é que um pedaço expressivo do eleitorado do preso mais ilustre da Lava Jato (32%) decidiu fazer um pit-stop. Sem rumo, esse um terço informa que, se tivesse de comparecer às urnas hoje, anularia o voto ou votaria em branco. É gente que parece aguardar por uma sinalização qualquer de Lula.

O Datafolha apresenta o universo total do eleitorado como um bololô dividido em três grandes fatias. A fatia anti-Lula (31% dos brasileiros com direito a voto) continua detestando o PT e ruminando sua aversão a Lula. Nesse nicho, 32% votam na direita paleolítica representada por Jair Bolsonaro.

O pedaço do eleitorado pró-Lula, 100% feito de devotos, não se aborreceria se a divindidade presa em Curitiba pedisse votos para um poste. Como Lula ainda não pediu, pedaços da procissão começam a seguir outros andores, especialmente os de Marina e Ciro. Mas a maioria continua fazendo suas preces diante de um altar vazio.

De resto, existe a fatia da geleia geral (37% do eleitorado), que balança na direção de várias candidaturas. Destacam-se nesse grupo, por ora, os partidários de Bolsonaro e Marina. Mas ambos têm menos votos do que o bloco dos brancos e nulos. Ninguém se anima a votar numa hipotética candidatura de Lula no primeiro turno. Mas muitos não descartariam a hipótese de votar nele num eventual segundo round.

Para efeito de sondagem, o Datafolha incluiu o ficha-suja Lula em alguns cenários pesquisados. No principal, o candidato inelegível do PT amealhou 31% dos votos, seis pontos percentuais a menos do ele colecionava em janeiro. Sem Lula, Marina (entre 15% e 16%) encostou em Bolsonaro (17%). A dupla está tecnicamente empatada. Segue-se um amontado de concorrentes.

Desde 1994, quando Copa e eleições passaram a ocorrer no mesmo ano, os candidatos sabem que, enquanto não for decidido o torneio de futebol, a campanha política é um pesadelo que atrapalha o sonho de erguer a taça. Mas a prisão de Lula obriga o PT a adiantar o relógio.

Numa disputa com muitos candidatos, em que um cesto com menos de 20% dos votos pode levar para o segundo turno um pretendente ao trono, parece claro como água de bica que a herança eleitoral de Lula pode influir nos rumos da disputa. Resta saber se o petismo deseja jogar o jogo ou se vai continuar tentando cavar faltas.

JOSIAS DE SOUZA

Opinião dos leitores

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Jornalismo

Maioria vê como justa prisão de LULA

prisão do último dia 7 foi justa e o ex-presidente Lula não irá disputar a eleição ao Planalto este ano, avalia a maioria das pessoas ouvidas na última pesquisa Datafolha.

Os entrevistados, no entanto, se dividem quando questionados se Lula deveria concorrer à eleição ou ser impedido de fazer campanha à Presidência.

Esta é a primeira pesquisa feita após o petista ter iniciado o cumprimento de sua pena na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Segundo o levantamento, 54% das pessoas veem a prisão de Lula como justa, contra 40% que consideram o contrário. Seis por cento não opinaram.

Houve uma reversão, entre janeiro e abril, da quantidade de pessoas que acreditam que Lula poderá concorrer. Hoje, para 62% dos brasileiros, o ex-presidente não estará nas urnas na eleição de outubro.

Em menor quantidade, se dividem os que consideram que “com certeza” ele participará das eleições (18%) e os que pensam que “talvez” (16%).

Em janeiro, uma fatia de 53% achava que Lula iria à disputa —dessas, 32% apostavam que “com certeza” ele seria candidato.

A percepção de que o ex-presidente não concorrerá às eleições, no entanto, não significa que os entrevistados acreditem que ele não deveria concorrer.

O quesito ficou empatado tecnicamente: para 50%, o ex-presidente deveria ser vetado de participar da corrida presidencial. Outros 48% acham que não devia haver impedimento.

Antes, 51% achavam que Lula deveria ser barrado e 47% que ele deveria participar das eleições.

O Datafolha aponta que as pessoas que consideram a prisão de Lula justa são, em sua maioria, homens, com maior taxa de escolaridade, maior média de salário e morador das regiões Sudeste, Sul ou Centro-Oeste. Entre os mais escolarizados essa porcentagem chega aos 71%.

A opinião de que a prisão foi injusta prevalece entre menos escolarizados, com 51%. Chega a porcentagens próximas entre os mais pobres e regiões Norte e Nordeste.

FOLHAPRESS

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Política

Prisão enfraquece Lula e põe Marina perto de Bolsonaro, diz Datafolha

POR FOLHAPRESS

A prisão diminuiu o apoio do eleitorado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentou a desconfiança sobre a viabilidade de sua candidatura presidencial e manteve indefinida a disputa pelo seu espólio eleitoral, de acordo com o Datafolha.

Pesquisa nacional realizada pelo instituto na semana passada aponta o líder petista com 31% das intenções de voto no cenário mais favorável entre nove pesquisados. No fim de janeiro, quando o levantamento anterior do Datafolha foi concluído, Lula tinha até 37% das preferências.

A nova pesquisa foi feita entre quarta (11) e sexta-feira (13). Foram realizadas 4.194 entrevistas em 227 municípios. Como os cenários pesquisados são diferentes dos analisados em janeiro, a comparação direta entre os dois levantamentos não é possível.

O PT diz manter a intenção de registrar a candidatura de Lula, preso no sábado (7) para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro. Apesar do veto imposto pela Lei da Ficha Limpa à candidatura, a legislação permite que ele peça registro mesmo preso. Cabe à Justiça Eleitoral analisar o pedido.

Nos cenários com Lula fora do páreo, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparecem empatados na liderança. Ele tem 17% das intenções de voto, e ela oscila entre 15% e 16%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) alcança 9% em todos os cenários sem Lula, empatado com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que varia de 7% a 8%, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que entrou no PSB, mas ainda não se lançou candidato. Barbosa oscila entre 9 e 10%.

Marina, Ciro e Alckmin concorreram em eleições presidenciais anteriores e são bem conhecidos pelos eleitores. Barbosa nunca disputou uma eleição, mas ganhou notoriedade pela forma como conduziu o julgamento do mensalão no STF, em 2012.

Menos conhecidos do eleitorado, os dois nomes cotados no PT para substituir Lula se ele desistir da candidatura têm desempenho fraco. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad aparece com 2% e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner tem 1%.

Os dois candidatos de esquerda que ficaram ao lado de Lula nas horas que antecederam sua prisão têm resultados parecidos. Manuela D’Ávila (PC do B) atinge no máximo 2% e Guilherme Boulos (PSOL) chega a 1%.

O presidente Michel Temer (MDB), que acena com a possibilidade de concorrer à reeleição, alcança 2% das intenções de voto. O ex-ministro Henrique Meirelles, que entrou no MDB e também tem aspirações presidenciais, não passa de 1%. .

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