O Globo
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), preso na segunda-feira, em Salvador, foi transferido na tarde desta terça-feira da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde chegara na madrugada, para o Complexo Penitenciário da Papuda, localizado a 17 quilômetros do Palácio do Planalto, onde ele despachou até novembro do ano passado. O peemedebista vai ficar na ala para presidiários que têm curso superior, a mesma em que o ex-deputado e ex-assessor especial do Planalto Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) esteve preso.
Geddel desembarcou em Brasília, em um avião da PF, no início da madrugada de ontem. Imediatamente, ele foi conduzido para a Superintendência da PF, e passou a noite na carceragem.
Um dos mais próximos aliados do presidente Michel Temer, Geddel é acusado de tentar impedir eventual acordo de delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro financeiro Lúcio Bolonha Funaro, ambos presos.
Investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela PF apontam que no período em que esteve na vice-presidência da Caixa, Geddel associou-se a Funaro, Cunha e outros para facilitar a concessão de financiamentos a determinadas empresas em troca de propina. Só da JBS, do empresário Joesley Batista, o ex-ministro teria recebido R$ 20 milhões. Funaro seria um dos intermediários do pagamento.
INFLUÊNCIA POLÍTICA PARA OBTER BENEFÍCIOS
No pedido de prisão de Geddel, o MPF afirma que o peemedebista é um “criminoso em série”, que faz dos crimes financeiros e contra a administração pública “sua própria carreira profissional”. Já o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, lembrou que o ex-ministro demonstrou ser capaz de usar a influência política em busca de favorecimento pessoal. O juiz citou como exemplo o episódio que causou a demissão do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. Na ocasião, Calero acusou Geddel de pressioná-lo para liberar o licenciamento de um prédio em Salvador, que tinha as obras embargadas pelo Iphan. O ex-ministro tinha um apartamento no imóvel.
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