Saúde

Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

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Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo — cada vez mais temeroso com a capacidade que micro-organismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos.

A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang.

Eles encontraram uma “alta prevalência” do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias uma alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua.

Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.

“Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos”, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de “transmissão” de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo.

Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo).

“As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas”, explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar). “Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de ‘One Health’ (‘Saúde única’ em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados).”

Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

Sul brasileiro: foco de resistência microbiana

China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, “claramente” os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados.

Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos).

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

A situação da América do Sul é particularmente preocupante por causa da carência de dados, diz o estudo: “Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil são exportadores de carne, é preocupante que haja pouca vigilância epidemiológica da resistência microbiana disponível publicamente para esses países. Muitos países africanos de baixa renda têm mais pesquisas desse tipo do que os países de renda média na América do Sul. Globalmente, o número de pesquisas per capita não se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigilância não é impulsionada apenas por recursos financeiros.”

Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informação, os autores do estudo lançaram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o “Resistance Bank”.

“O Brasil precisa urgentemente de dados de vigilância disponíveis publicamente sobre a resistência microbiana. É um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que há nele”, escreveu por e-mail à BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça.

Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que, “em relação ao estudo da revista Science”, está “ciente sobre a importância da resistência aos antimicrobianos”. “Trata-se de um dos maiores desafios globais de saúde pública e que deve ser abordado pelos países atendendo ao conceito de Saúde Única, exigindo ações imediatas de todos os envolvidos”.

A pasta garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022.

Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido.

Um de seus pontos-chave, e já o colocado em prática, é a realização de testes oficiais de rotina para detecção de micróbios resistentes em animais e alimentos com essa origem.

São amostragens aleatórias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspeção federal, mas o que se busca são resquícios de antibióticos, e não microrganismos resistentes.

Em 2018, o relatório apresentado pelo ministério mostra que o percentual de amostras com resquícios de antibióticos em conformidade ficou na casa dos 99%.

“Para ser seguro para consumo alimentar, a presença de determinadas bactérias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas agências de saúde de cada país, o que já é feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presença de Salmonella (gênero de bactérias) em galinhas ou porcos, é possível testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibióticos — que é realmente o que nos permite saber se as bactérias são ou não resistentes”, aponta João Pedro do Couto Pires, também coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich.

Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros

Ainda que não tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil já teve experiências pontuais na medição da resistência microbiana em alimentos de origem animal.

Uma análise feita entre 2004 e 2006 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em amostras de frangos congelados vendidos em 14 Estados brasileiros, detectou bactérias Salmonella e Enterococcus resistentes a vários antimicrobianos. Das 250 cepas de Salmonella analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes (resistentes a duas ou mais classes de antibióticos).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterinários usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. Já foram proibidas substâncias do tipo como os anfenicóis, as tetraciclinas e as quinolonas.

“Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento”, explica Silvana Lima Gorniak, da USP.

“A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce.”

A colistina, aquela a que bactérias em porcos na China mostraram resistência no estudo publicado no The Lancet Infectious Diseases em 2015, foi uma das substâncias proibidas para uso como melhorador de desempenho em rações no Brasil, em 2016. Seu uso para o tratamento de doenças, como diarreias, continua, no entanto, permitido por aqui. Proibições foram impostas também em outros países, como a própria China, Índia e Argentina.

Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana.

Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na criação de animais para consumo nos anos 1950 em países de alta renda, algo que foi se estendendo para países de baixa e média renda — onde hoje, inclusive, projeções mostram que o uso desses medicamentos aumentará, já que a produção e consumo de carne nesses países tem crescido.

O elo entre precariedade e uso de antibióticos

Thomas Van Boeckel destaca que, no mundo, o uso excessivo de antibióticos está associado à criação intensiva de animais, a produção industrial, “mas não em todos os países, algumas exceções existem, como a Holanda e a Dinamarca”, aponta.

Sandra Lopes, diretora da organização Mercy for Animals no Brasil, vê o uso de antibióticos como uma das práticas degradantes impostas aos animais.

“O uso de antibióticos força esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais não podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais”, aponta a representante da ONG, dedicada ao bem estar de animais ditos de produção, aqueles destinados ao consumo alimentício.

Como exemplos, ela menciona criações com confinamento intensivo em gaiolas.

As galinhas poedeiras, confinadas em uma área análoga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, não têm espaço para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem forças nas pernas por não movimentá-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do próprio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibióticos se faz necessário.

Há ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves são retirados para evitar, entre outros, o canibalismo — intensificado pelo estresse vivido pelos animais. É algo que leva também ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem também o emprego de antibióticos.

Lopes menciona ainda a falta de ventilação, a lotação de animais ou ainda o contato com excrementos como características da realidade da produção em escala que podem debilitar a saúde dos animais. Por isso, a ONG defende, entre outras medidas, a melhor regulamentação de várias etapas da criação de animais, a certificação de produtos gerados em práticas consideradas satisfatórias (como existe no caso das galinhas poedeiras criadas fora de gaiolas) e, como recomendação aos clientes, a redução do consumo de produtos de origem animal.

Silvana Lima Gorniak destaca que a ligação entre precariedade na produção e uso excessivo de antibióticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho.

“As condições sanitárias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho têm um efeito muito benéfico naqueles lugares onde as condições sanitárias não são tão adequadas. Em locais com higiene adequada, é claro que há benefícios, mas ele é diluído”, explica a pesquisadora.

Já os autores do artigo publicado na Science destacam que o cenário de precariedade e consequente uso de antibióticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: “Uma consequência fundamental desta tendência é um esgotamento do portfólio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequências econômicas para os agricultores, porque os antimicrobianos acessíveis são usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com preços mais altos.”

Entidade veterinária pede maior controle de vendas de medicamentos no setor

“É como para a gente, humanos: os antibióticos resolveram muitas questões, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles não serão mais eficazes”, resume Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Zacchi diz que a entidade está empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibióticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterinários — hoje, ele explica ser necessária a apresentação, mas não retenção, da receita.

“Aí está uma fragilidade: estamos trabalhando com outros órgãos para a obrigatoriedade da retenção e escrituração”, aponta, lembrando que entra na questão ainda o uso de antimicrobianos em animais domésticos.

Outro ponto é o cumprimento da exigência de um responsável técnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que é fiscalizado pelo próprio CFMV — a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autuações relacionadas a essas regras, mas não teve a solicitação atendida.

“Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um responsável técnico nesses estabelecimentos, o Judiciário está eventualmente dispensando este profissional, cuja presença garante mais controle e rastreabilidade.”

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), nos últimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterinários (que incluem ainda as categorias antiparasitários; biológicos; suplementos e aditivos; terapêuticos). A reportagem pediu valores — e não apenas percentuais — por categoria, mas não teve a demanda atendida.

Em nota enviada à BBC News Brasil, a Aliança para Uso Responsável de Antimicrobianos, que representa várias entidades do setor produtivo, afirmou também que no ramo a questão “é tratada com responsabilidade por todos os elos da cadeia produtiva”. “Contra achismos, a Aliança busca construir um debate pautado pelo pensamento científico e pela transparência. É formada por organizações nacionais da bovinocultura de corte e leite, avicultura, suinocultura, aquicultura e pescado.”

A Aliança defende que há controle interno, com análises diárias feitas pelas próprias empresas sobre a questão e que o “Brasil cumpre rigorosamente as determinações técnicas de todas as nações importadoras”.

Em relação à produção em escala, a entidade aponta que o país “segue as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o alojamento dos animais”.

“Na produção industrial, o sistema produtivo é isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circulação de doenças. Em situações de produção precária, sem as devidas salvaguardas técnico-veterinárias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibióticos são maiores”, acrescentou.

E agora, o que fazemos em casa?

“Sou um cavaleiro do apocalipse”, brinca Victor Augustus Marin, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

À frente do Laboratório de Controle Microbiológico de Alimentos da Escola de Nutrição (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos têm desenvolvido uma metodologia própria para encontrar bactérias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles têm encontrado até aqui: muitas bactérias resistentes.

Em sua dissertação de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13%, a resistência foi constatada para todos os antibióticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes.

Agora, Silva, Marin e o resto da equipe estão estudando outros tipos de queijo, como minas padrão, parmesão, ricota e cottage; além de frutas compradas no comércio comum, como manga, laranja e caju. Eles também querem verificar se outras formas de produção, como a orgânica, podem alterar a presença de microrganismos resistentes.

“Comprovamos não só que as bactérias nos alimentos estudados até agora têm alguma resistência, como genes de resistência”, aponta Marin, acrescentando que, embora em escala muito menor do que na pecuária ou entre humanos, antibióticos são usados também na agricultura.

“Como essa bactéria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bactérias endofíticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas é difícil falar quem originou a bactéria primeiro — elas evoluem junto com os humanos e animais. Também são promíscuas: trocam material genético.”

As diversas variáveis que influenciam a resistência dos micróbios são justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para traçar o caminho dos microrganismos através dos animais, humanos e do ambiente, seriam necessários grandes volumes de amostras desses elementos.

E em tempo real, lembra João Pedro do Couto Pires, já que muitas vezes é diagnosticada alguma infecção em uma ponta, mas sua origem muitas vezes já se perdeu no tempo.

Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um porém: “Está além do escopo deste estudo tirar conclusões sobre a intensidade e a direcionalidade da transferência de resistência microbiana entre animais e humanos — aspectos que devem ser investigados com métodos genômicos robustos”.

Enquanto a ciência busca decifrar o caminho percorrido pelas bactérias, o que nós, humanos e consumidores de alimentos podemos fazer?

Flávia Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos básicos de saneamento e higiene que cortam a circulação de microrganismos, como lavar as mãos; o uso de água potável na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos.

O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulneráveis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. “As bactérias também nos protegem, estão no nosso intestino, na nossa pele… Mas elas nos atacam quando há um desequilíbrio”, diz.

João Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas são mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com questões sanitárias. Ele destaca ações a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou tábua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que está comendo.

Marin garante que não se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investigações sobre como a resistência microbiana se expressa neles — para, aí sim, fazer-se uma escolha entre custos e benefícios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, é que queijos mais úmidos exigem maior cuidado no assunto.

“O queijo, além de ter bactérias com resistência, também tem outra microbiota — outras bactérias — que combatem as que têm resistência. Ninguém é demônio e ninguém é anjo, inclusive entre as bactérias. Por isso a visão holística (multifatorial) é tão importante”, diz.

BBC Brasil

 

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Política

LOUCURA: Vantagem de Allyson cai 14 pontos em 7 dias e eleição fica completamente aberta, segundo pesquisa Quaest

Fotos: Divulgação

A nova pesquisa Quaest, divulgada neste sábado (3), mostra uma forte virada de cenário na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em pouco mais de uma semana, a vantagem de Allyson Bezerra (União Brasil) sobre Cadu de Lula (PT) caiu de 18 para apenas 4 pontos. Já contra Álvaro Dias (PL), a distância recuou de 21 para 7 pontos. Nos dois casos, a vantagem encolheu 14 pontos percentuais.

O movimento aconteceu dos dois lados: Allyson perdeu oito pontos, caindo de 39% para 31%, enquanto Cadu e Álvaro cresceram 6 pontos cada. O petista avançou de 21% para 27% e o candidato do PL passou de 18% para 24%.

A disputa pela segunda vaga no eventual segundo turno também pegou fogo. Cadu aparece com 27% e Álvaro tem 24%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

Na rodada de 25 de setembro, Allyson marcava 39%, Cadu tinha 21% e Álvaro aparecia com 18%. Agora, na pesquisa divulgada neste sábado (3), os números são 31%, 27% e 24%, respectivamente.

A Quaest ouviu 1.800 eleitores do RN entre os dias 2 e 3 de outubro. A pesquisa, encomendada pela Inter TV, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro RN-09644/2026 na Justiça Eleitoral.

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Geral

PESQUISA QUAEST: Allyson despenca oito pontos percentuais em uma semana, Cadu e Álvaro crescem e empatam na 2ª colocação

Fotos: Reprodução

Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3), véspera do 1º turno, mostra como está a disputa pelo governo do RN. O resultado mostra uma queda significativa das intenções de voto em Allyson Bezerra, que tinha 39% no levantamento divulgado no dia 25 de setembro, mas agora despencou para 31%.

Cadu de Lula e Álvaro Dias cresceram seis pontos percentuais no mesmo período e agora somam 27% e 24%, respectivamente, ficando tecnicamente empatados.

Veja o resultado com os votos totais, incluindo votos em branco, nulos e eleitores indecisos:

Allyson (UNIÃO): 31% (eram 39% em 25 de setembro)
Cadu de Lula (PT): 27% (eram 21%)
Álvaro Dias (PL): 24% (eram 18%)
Rodrigo Bolsonaro (AGIR): 1% (era 1%)
Professor Roberio Paulino (PSOL): 1% (era 0)
Arinalda do MLB (UP): 0 (era 0 )
Godeiro Linhares (DC): 0 (era 0)
Henrique Lyra (PCO): 0 (era 0 )
Dário Barbosa (PSTU): 0 (era 0)
Indecisos/não sabe/não respondeu: 2% (eram 10%)
Branco/nulo: 14% (eram 11%)

O levantamento foi encomendado pela Inter TV e ouviu 1.800 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o TSE: RN-09644/2026.

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Geral

PESQUISA QUAEST/2º TURNO: Flávio vira e aparece com 44%, contra 42% de Lula

Fotos: Reprodução

A última pesquisa Qauest antes do primeiro turno mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 44% das intenções de voto na segunda etapa do pleito, contra 42% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

No levantamento anterior, divulgado na segunda-feira (28/2), ambos tinham 42% e agora Flávio aparece numericamente à frente de Lula, no segundo turno, de acordo com a Quaest.

O instituto entrevistou 3.702 eleitores entre os dias 2 e 3 de outubro. O levantamento, contratado pelo jornal O GLOBO e a TV Globo, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob o código BR-02197/2026.

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Geral

PESQUISA QUAEST/VOTOS VÁLIDOS: Flávio e Lula empatam tecnicamente no 1º turno

Foto: Ricardo Stuckert/PR – Charles Vieira/Flickr

Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) mostra como está a disputa pela Presidência da República na véspera do 1º turno. O levantamento aponta empate técnico e provável segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Votos Válidos

  • Lula (PT): 46%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 45%
  • Escritor Augusto Cury (Avante): 3%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 3%
  • Clariana Barão (DC): 0
  • Edmilson Costa (PCB): 0
  • Hertz Dias (PSTU): 0
  • Leonardo Avalanche (PRTB): 0
  • Romeu Zema (Novo): 0
  • Samara Martins (UP): 0
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0
  • Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0

Votos válidos: É a forma como o TSE divulga o resultado oficial das eleições. São os votos dados nos candidatos. Esse cálculo deixa de fora os votos em branco e nulos e abstenções. Para vencer no 1º turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto

O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo e ouviu 3.702 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026.

g1

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PESQUISA PALVER: Flávio têm 47% e Lula, 43% em 1º turno

Fotos: Roque de Sá/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa da Palver divulgada hoje (3) mostra Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) empatados tecnicamente no primeiro turno, com o senador numericamente à frente. O filho ex-presidente Jair Bolsonaro tem 47% dos votos contra 43% do petista. No segundo turno, Flávio lidera.

Primeiro turno – estimulada

Flávio Bolsonaro (PL): 47% (eram 44% em 29 de setembro)
Lula (PT): 43% (eram 44%)
Renan Santos (Missão): 7% (eram 8%)
Augusto Cury (Avante): 1% (manteve)
Ronaldo Caiado (PSD): 1% (manteve)
Romeu Zema (Novo): 0% (era 1%)
Outros: 0%
Branco/nulo/não votaria: 0%
Indecisos: 0%

Segundo turno – Lula x Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL): 49% (eram 47% em 29 de setembro)
Lula (PT): 44% (eram 45%)
Branco/nulo/não votaria: 6% (eram 7%)
Indecisos: 1% (manteve)

O levantamento entrevistou 5.000 eleitores por questionário online entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-00198/2026.

UOL

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Geral

PESQUISA VERITÁ: Álvaro cresce, ultrapassa Allyson e aparece no segundo turno com Cadu Xavier

Pesquisa do Instituto Veritá divulgada neste sábado (3) mostra Álvaro Dias (PL) à frente de Allyson Bezerra (União) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte e aponta, no cenário pesquisado, Álvaro no segundo turno com Cadu Xavier (PT).

Considerando os votos válidos, Cadu aparece com 44,6%, seguido por Álvaro Dias, com 28,3%, e Allyson, com 25,1%. No cenário com todos os votos, os percentuais são de 43,7% para Cadu, 27,7% para Álvaro e 24,6% para Allyson.

O resultado coloca Álvaro na segunda posição no levantamento, 3,2 pontos percentuais à frente de Allyson nos votos válidos, indicando um cenário de segundo turno entre Álvaro e Cadu caso esses percentuais se confirmem nas urnas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, com 1.220 eleitores. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-06513/2026.

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Geral

PESQUISA DATAFOLHA: Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro, 42% em votos válidos, com empate técnico na véspera do 1º turno

Fotos: Anderson Coelho e Tita Barros/Reuters

Em pesquisa divulgada pelo Datafolha na véspera do primeiro turno da eleição deste ano, Lula (PT) registra 45% das intenções de votos válidos, ante 42% de Flávio Bolsonaro (PL), uma situação de empate técnico. Na pesquisa anterior, divulgada na quinta-feira (1), o presidente marcava 45% e o senador, 40%.

Em votos válidos, longe dos líderes da corrida vêm Ronaldo Caiado (PSD, 4%), Renan Santos (Missão, 3%), Augusto Cury (Avante, 3%) e Romeu Zema (Novo, 1%). Os demais não pontuaram.

Voto válido é como a Justiça Eleitoral realizará o escrutínio no pleito deste domingo (4): excluindo quem optou por branco ou pressionou número inexistente na urna, anulando o sufrágio. No caso das pesquisas, são retirados da conta também aqueles que se declaram indecisos.

Para um candidato vencer no primeiro turno, ele precisa ter 50% dos votos válidos mais um. Levantamentos são indicadores do momento do eleitorado, não projeções, e o resultado é multifatorial, dependendo de abstenção, movimentos de última hora e tendências não reveladas.

O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e ouviu 4.006 eleitores de 16 anos ou mais, neste sábado (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95 %. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01708-2026.

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Geral

PESQUISA QUAEST/MINAS GERAIS/1º TURNO: Cleitinho tem 54%, e Patrus, 23%, dos votos válidos

Fotos: Câmara dos Deputados e Senado

Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) pela Globo aponta Cleitinho Azevedo (Republicanos) com 54% das intenções de votos válidos para o governo de Minas Gerais. Em segundo aparece Patrus Ananias (PT), com 23%. Dessa forma, Cleitinho seria eleito no primeiro turno.

1º turno – votos válidos
Cleitinho Azevedo (Republicanos): 54%
Patrus Ananias (PT): 23%
Alexandre Kalil (PDT): 10%
Flávio Roscoe (PL): 6%
Mateus Simões (PSD): 4%
Gabriel (MDB): 2%
Ben Mendes (Missão): 1%
Henrique Áreas (PCO): 0%
Indira Xavier (UP): 0%
Professor Túlio Lopes (PCB): 0%
Rafael Duda (PSTU): 0%

Votos válidos são a métrica de contagem do resultado final do pleito pela Justiça Eleitoral. Eles excluem os brancos e nulos no dia do voto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento entrevistou, presencialmente, 3.204 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e registrada no TSE com o número MG-06889/2026.

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PESQUISA QUAEST/SÃO PAULO/1º TURNO: Tarcísio tem 60% dos votos válidos, contra 36% de Haddad

Fotos: Douglas Gomes/Lid Republicanos e Diogo Zacarias/Divulgação

Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) mostra que Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve se reeleger para o governo de São Paulo, em primeiro turno, neste domingo.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição tem 60% dos votos válidos, contra 36% do petista.

1º turno – votos válidos

Tarcísio de Freitas (Republicanos): 60%
Fernando Haddad (PT): 36%
Vera Lúcia (PSTU): 2%
Vivian Mendes (UP): 2%
Carlos Machado (PCB): 0%

Para calcular votos válidos, a Quaest leva em consideração as intenções de voto da pesquisa e o perfil de comparecimento. É o modelo likely voter, que considera eleitores com maior propensão a votar.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento entrevistou, presencialmente, 3.702 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro, e foi encomendado pela TV Globo. O nível de confiança é de 95%. O número de identificação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é SP-04726/2026.

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PESQUISA QUAEST/RIO DE JANEIRO/1º TURNO: Eduardo Paes tem 49% dos votos válidos, contra 40% de Douglas Ruas

Foto: Eduardo Anizelli e Gabriela Biló/Folhapress

Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) pela Globo mostra Eduardo Paes (PSD) à frente de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro.

No cenário de 1ºturno, Paes tem 49% dos votos válidos e Ruas tem 40%.

1º turno – Votos válidos

Eduardo Paes (PSD): 49%
Douglas Ruas (PL): 40%
Garotinho* (Republicanos): 6%
William Siri (PSOL): 3%
André Marinho (Novo): 1%
Coronel Busnello (Missão): 1%
Cyro Garcia (PSTU): 0%
Juliete (UP): 0%
Luan Monteiro (PCO): 9%

*O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou que os votos recebidos por Anthony Garotinho sejam considerados nulos. O julgamento definitivo do registro de candidatura ainda irá ao plenário do TSE.

Votos válidos são a métrica de contagem do resultado final do pleito pela Justiça Eleitoral. Eles excluem os brancos e nulos no dia do voto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento entrevistou, presencialmente, 3.204 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro e foi encomendado pela TV Globo. O nível de confiança é de 95%. O número de identificação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é RJ-03032/2026.

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