A QUÍMICA DA TEIMOSIA: Estudo inédito explica por que o cabeça-dura não muda de opinião

Steve Jobs (à esq.) e Bill Gates: a rivalidade entre eles foi transferida para os fãs e impediu que cada um dos lados enxergasse as qualidades do outro John G. Mabanglo/EFEAnadolu Agency/Getty Images

Poucas rivalidades na história do capitalismo — e certamente nenhuma na indústria da tecnologia — foram tão intensas, divertidas e fecundas quanto a que marcou a trajetória de Bill Gates, fundador da Microsoft, e Steve Jobs (1955-2011), criador da Apple. Durante pelo menos três décadas, os dois gênios transitaram entre os campos do antagonismo profissional e da inveja pessoal pura e simples, disputando o domínio do mercado e a reverência da sociedade, enquanto a corrida tecnológica fervilhava. Eles não poderiam ser mais diferentes. Gates era um nerd tímido. Jobs, um hippie contestador. Cada um ao seu modo, influenciaram milhões de pessoas e acabaram, mesmo que sem a intenção, transferindo a oposição entre eles para os fãs. No decorrer dos anos 1990 e 2000, no auge da rivalidade, os applemaníacos torciam o nariz para qualquer lançamento da Microsoft. No outro lado do ringue, os admiradores de Gates desprezavam os produtos da empresa da maçã. Os dois grupos jamais mudariam de opinião, mesmo se estivessem diante de uma grande obra: na cabeça deles, estava nitidamente cristalizada a ideia de que, se a Apple era boa, a Microsoft deveria necessariamente ser ruim — e vice-versa. De maneira simplificada, essa visão de mundo poderia ser traduzida como uma típica teimosia.

Um estudo publicado pela revista científica britânica Nature e conduzido por pesquisadores da University College London apontou, pela primeira vez, os processos neurais que levam à dificuldade de mudança de opinião depois que um conceito se solidifica no cérebro. Não seria exagero afirmar, portanto, que os cientistas descobriam o que está por trás do cabeça-dura, aquele sujeito que jamais altera seu ponto de vista, mesmo se todas as evidências mostrarem o contrário do que ele pensa. No estudo, 75 voluntários precisavam decidir se uma nuvem de pontos pretos estava se movendo para a esquerda ou para a direita. Depois, eles indicaram até que ponto estavam seguros sobre aquela escolha. Na sequência, os participantes receberam mais informações sobre os pontos pretos, que deixaram mais claro qual era a direção correta. Contudo, aqueles que indicaram níveis mais altos de confiança sobre a primeira decisão não absorveram os dados adicionais que poderiam corrigir um erro de avaliação — reação conhecida como “viés de confirmação”. Com um scanner de magnetoencefalografia, os pesquisadores acompanharam a atividade cerebral durante o processo de tomada de decisões. A explicação para o comportamento se tornou química: o cérebro apresentou “pontos cegos” quando recebeu informações contraditórias, mas continuou sensível àquelas que confirmavam a escolha inicial.

A pesquisa se diferencia por demonstrar que o viés de confirmação existe até mesmo no caso de uma atividade extremamente simples, como acompanhar pontos pretos na tela de um computador, de acordo com o psicólogo e neurocientista Max Rollwage, o principal autor do estudo. “A falta de elementos complexos, como ideologias e relações afetivas, mostra que o processo é central dentro de um mecanismo muito básico”, disse ele a VEJA. Em situações mais abrangentes, como a maneira de as pessoas interpretarem informações sobre a pandemia da Covid-19, por exemplo, pode ser ainda mais difícil mudar de opinião. “Evidências científicas sobre o coronavírus evoluem rapidamente e é preciso absorver as atualizações e mudar comportamentos e crenças de acordo com as novas constatações”, afirma o especialista. Nesse caso, portanto, os conceitos preestabelecidos estão tão arraigados no cérebro que o indivíduo resiste a absorver percepções diferentes.

A psicologia do comportamento humano é descrita há muito tempo na literatura universal e desde os anos 1960 existem relevantes estudos científicos sobre o assunto. A novidade agora é que os pesquisadores conseguiram esclarecer de que forma a química da teimosia se manifesta na mente. “Até o nosso estudo, uma das hipóteses era que as pessoas recebiam informações conflitantes, mas poderiam escolher desprezá-las”, diz Rollwage. “Com a avaliação dos mecanismos neurais, mostramos que, em determinado ponto de confiança sobre uma crença, o cérebro simplesmente não processa as novas informações.” Isso pode explicar por que os negacionistas do aquecimento global mantêm suas convicções apesar dos cada vez mais irrefutáveis argumentos científicos, ou por que os terraplanistas sustentam que a Terra não é redonda apesar das estonteantes imagens de satélites que confirmam, evidentemente, que o planeta é uma imensa bola azul (leia o quadro na pág. 66). Lógica idêntica ajuda a entender, na política, os motivos para a polarização radical, que não cede espaço a visões mais moderadas. Mesmo se houver provas em contrário — denúncias de corrupção, flertes com o autoritarismo — os cabeças-duras não abandonam seus políticos de estimação, sejam eles de direita ou de esquerda.

Os conceitos estabelecidos por grupos sociais são ainda mais difíceis de mudar. “A característica fundamental do ser humano é formar coletivos”, diz Paulo Boggio, psicólogo e coordenador do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Dentro dos grupos, diz Boggio, a ideia de sobrevivência e a aproximação com aqueles similares a nós levam as pessoas a pensar de maneira parecida. Com o passar do tempo, as convicções semelhantes são reforçadas em conjunto e acabam se tornando pilares complicados de derrubar. É exatamente esse mecanismo que alimenta as torcidas de futebol, com o seu fanatismo que muitas vezes resulta no ódio ao rival (e, infelizmente, em cenas de violência). O mesmo conceito está por trás de grupos extremistas, radicais religiosos e facções de todos os tipos, incapazes de compreender ou ao menos escutar o outro. Com o cérebro programado por ideias preconcebidas, os integrantes dessas comunidades são impermeáveis a mudanças de comportamento.

Nem sempre, porém, é possível estabelecer uma resposta certa ou errada para muitas questões. Nas sociedades livres, a diversidade de opiniões e o debate entre pessoas que pensam de forma diferente são a maneira de chegar a um consenso e evoluir em pontos divergentes. Também é preciso dizer que, desde que uma ideia não provoque danos a princípios civilizatórios, ela pode ser defendida até o fim. Não são raras as ocasiões em que a teimosia demonstra seu valor. A inglesa J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter, teve seus originais rejeitados por doze editoras antes de se tornar uma recordista em vendas de livros. Grandes gênios da inovação igualmente sofreram com o desdém de outros e, não fosse a irredutível obstinação, produtos como o iPhone, de Steve Jobs, ou o Windows, da Microsoft, talvez ficassem pelo caminho. Sem a insistência típica dos vencedores e a sequência de erros e acertos que constitui a construção do pensamento científico, o mundo certamente seria um lugar pior. A teimosia, porém, não faz sentido quando sustenta convicções comprovadamente equivocadas. Por mais que o cabeça-dura não acredite, a Terra é redonda, o planeta está aquecendo e Jobs e Gates produziram obras extraordinárias.

Veja

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. RICARDO LÚCIDO disse:

    Esse estudo me interessa . Eu era um cabeça dura . Deixei de usar vermelho até na cueca , só anca de verde amarelo . De vermelho do respeitava sinal . Minha querida sogra era PETÊ doente . Tinha uma foto de Lula na carteira , chamei ela de sabugo vermelho e de véia mocoronga , Co meu cunhado da Petrobrás quase Íamos as vias de fato . Eu era BOZO , o sangue que corria na minhas veias era verde e amarelo , pintei minha cadelinha de verde amarelo. Briguei com o dono da mercearia que até cortou crediário . Era cabeça dura , não tinha acordo . Hoje sou um homem alforriado . Rompi as amarras da BOZOLÂNDIA . Hoje todo serelepe ( kkkkk) grito aos quatro cantos : VOTEI NELE E ME ARREPENDO . .

    • paulo disse:

      Ihhhhhhhh o papagaio louro José de novo, repetindo tudo outra vez. Tem que ser muito In-lucido mesmo.

Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

Getty Images

Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo — cada vez mais temeroso com a capacidade que micro-organismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos.

A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang.

Eles encontraram uma “alta prevalência” do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias uma alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua.

Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.

“Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos”, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de “transmissão” de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo.

Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo).

“As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas”, explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar). “Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de ‘One Health’ (‘Saúde única’ em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados).”

Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

Sul brasileiro: foco de resistência microbiana

China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, “claramente” os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados.

Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos).

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

(mais…)

Por que você não deve tomar decisões de barriga vazia, segundo este estudo

(leremy / getty images/Montagem sobre reprodução)

Uma das regras de ouro para que uma visitinha regular ao mercado não acabe saindo mais caro que a encomenda é controlar impulsos. E, para isso, não estar com a barriga vazia pode ser um divisor de águas. O fator fome faz você ser mais mão aberta – e nem só por causa do olho gordo. Compradores famintos gastam até 60% mais grana e também adquirem mais itens não comestíveis, segundo um experimento de 2015.

O que uma nova pesquisa demonstrou é que a tomada de decisão de alguém com fome não fica comprometida apenas nas gôndolas do mercado. Reprimir a vontade de fazer uma boquinha, segundo descobriram pesquisadores da Universidade de Dundee, na Escócia, pode atrapalhar também em outros tipos de escolha.

O experimento considerou um total de 50 pessoas, analisadas em dois momentos distintos: no primeiro, tinham se alimentado normalmente e, no outro, não tinham nada na barriga o dia inteiro.

Os cientistas perceberam que, quando ofereciam uma opção aos voluntários para receber uma recompensa no ato ou esperar um certo tempo para ter o valor dobrado, o tempo suportado pelos dois grupos era distinto. Enquanto pessoas alimentadas esperavam até 35 dias para colocar a mão na grana, esfomeados só diziam suportar 3.

A explicação desse efeito, segundo os pesquisadores, é que a urgência por forrar o estômago alterou o sistema de recompensa dos cérebros dos participantes. Afinal, se você está faminto, poderia topar receber menos comida para resolver a emergência na hora.

Como havia uma exigência fisiológica gritando, pensar a longo prazo se tornava mais difícil – da exata maneira que acontece com pessoas que têm trabalhos mais estressantes e, para descontar, comem mais junk food. Isso as torna mais propensa a ceder a vontades menos recompensadoras.

O estudo foi publicado na revista científica Psychonomic Bulletin and Review.

Super Interessante

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Luluc disse:

    Adoro esses estudos de observação científica que tratam seres humanos tal qual ratos de laboratório… Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além, tenho dito.

VIROU DEBATE NAS REDES SOCIAIS: Por que homem não geme no sexo? Tabu da masculinidade compromete a transa

Imagem: AleksandarNakic/iStock

“Mano, por que homem não geme? A gente ta lá no maior esforço, sabe, rebolando pra c* e o cara não faz um ‘hã’.” A reclamação viralizou no Twitter nas últimas semanas, e diz muito sobre o comportamento sexual dos homens cisgêneros heterossexuais — aqueles que foram identificados como homens ao nascer — e que transam com pessoas que se identificam como mulheres.

Para quem estuda a sexualidade humana, a questão toca em pontos sensíveis: entre mostrar vulnerabilidade e a exigência de fazer sexo performático, os homens se calam. A influência da pornografia, que reforça papéis de gênero pré-estabelecidos, lega às mulheres a tarefa de expressar o prazer com caras, bocas e voz. Aquela “carinha de quem tá gostando demais” (como diz a letra de um pagode do grupo Molejo da década de 1990) ainda é coisa de mulher. De onde vem essa cultura?

Twitter concentra questões

No Twitter, muitas usuárias passaram a escrever sobre o fato de homens não gemerem no sexo, mesmo quando as mulheres estão “no maior esforço” durante a prática sexual.

Apesar de o ato de “abafar os gemidos” ser a deixa para quando o casal quer uma rapidinha, mulheres descreveram que, mesmo com tesão, seus parceiros mantêm os olhos fechados, como se estivessem dormindo, ou não emitem nenhum som, ainda que atinjam o orgasmo.

Usuários que se identificaram como homens heterossexuais disseram que “nem todo homem” faz silêncio no sexo. Gays relataram que tiveram experiências em que gemer era mais comum.

Afinal, gemer é um tabu?

A postura durante o sexo depende do “estilo” de cada um na cama. Mas, para a terapeuta sexual Thais Plaza, a questão de o homem não gemer tem a ver, entre outros fatores, com uma “grande pressão da sociedade com relação à demonstração de sentimentos”.

“Do mesmo modo que a mulher na infância é ensinada a ‘tirar a mão dali’, que a vulva é ‘feia e suja’, o homem aprende que ele não chora e que, se começa a mostrar muito sentimento, é ‘mulherzinha’. Assim, ele cria um bloqueio de acesso ao sentimento, seja ele qual for”, afirma Thais.

O psiquiatra Saulo Ciasca, psicoterapeuta especialista em sexualidade humana, identidade de gênero e orientação sexual, explica que segurar o gemido também é uma questão cultural masculina, que tem a ver com poder e com a dificuldade de mostrar vulnerabilidade.

“Gemer é uma forma de mostrar prazer e, em uma relação sexual destinada ao prazer do homem, o fato de ele mostrar que está gostando do que ela está fazendo pode ter a ver com [a perda de] poder”, avalia ele, em entrevista a Universa, “Passa pela vulnerabilidade, de não querer se mostrar fraco. Além disso, gemer pode ser visto como ‘algo feminino’ e, nesse sentido, o homem entende que vai perder potência, perder masculinidade.” A mesma lógica se aplica ao mito de que ‘homem não nega fogo’, por exemplo.

Thais avalia que a pressão por exercer a masculinidade na hora do sexo pode ainda refletir em ansiedade de desempenho e na vontade de proporcionar uma experiência performática demais para a parceira, que fica “distante do sentir”. “Ele se esquece de verbalizar o que está sentindo, porque está mais preocupado em fazer a parceira obrigatoriamente gozar, o que constitui uma ditadura do orgasmo.”

Gays e a cultura do machismo

Saulo Ciasca afirma que a mesma lógica do “homem mudo” pode ser reproduzida em relações homossexuais, dependendo do grau com que a cultura do machismo está impregnada em cada indivíduo.

“Ao se determinar quem é ativo ou passivo, por exemplo, pode-se reproduzir a ideia de que alguém ali vai ser ‘uma mulher’, estabelecendo-se uma lógica heteronormativa”, analisa. “Com isso, o passivo poderia gemer, e o ativo, não.”

Pornografia x espontaneidade

A pornografia, além de estimular comportamentos sexistas nos homens, também entra nessa conta. “O pornô dá ao homem a falsa ideia de potência, de intensidade, mas ninguém lembra que aquilo é editado. Além disso, o que aparece lá é que o papel dele não é gemer, é fazer a mulher gemer”, pontua Ciasca.

Só que sexo, na vida real, tem a ver com espontaneidade. “Fazer barulho, contrair o corpo, mostrar que está gostando é sempre mais interessante, porque a espontaneidade caminha ao lado da criatividade, e ambas são fatores estimulantes no sexo. O homem ainda deve estar atento às possibilidades do prazer do corpo, com regiões de prazer não habituais”, explica o psiquiatra.

Gemer pega bem

A terapeuta sexual Thais Plaza avalia ainda que, se para as mulheres que levaram o tema ao Twitter, “pega bem gemer”, essa é uma postura que ainda precisa ser negociada entre os casais, como muita coisa no sexo.

“É preciso conversar sobre sexualidade fora da cama, do mesmo jeito que se faz com amigos em uma mesa de bar. Há homens e também mulheres cis que têm dificuldade de falar até ‘ai, que gostoso’, ou ‘faz mais assim’. O que sabemos é que verbalizar pega super bem.”

Mesmo no sexo casual, é fundamental estabelecer a “liberdade de se expressar”. “E, se passar do casual, você já ‘construiu’ uma relação com liberdade, que pode render outros encontros mais gostosos ou um relacionamento, sem fingir que gostou de algo. Se o homem é um robô na cama, é importante dizer: ‘olha, eu gosto mais de homens que estejam aqui comigo’. Os dois estão vulneráveis, os dois querem surpreender, mas é sempre melhor falar a verdade do que passar uma ideia errada”, afirma Thais.

Universa – UOL

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. PP alves disse:

    Aqui no Nordeste, nós geme sim

  2. Véio de Rui disse:

    Quem disse isso? Quando tô fazendo amor chega dou urros.Kkkk

PAPELÃO: Entenda por que o futebol do Brasil está fora dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru

Foto: CLAUDIO REYES / AFP

Quem procurar uma partida das seleções brasileiras masculina e feminina de futebol nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, não vai encontrar. E os motivos por trás das ausências de ambas as equipes, um cenário que se via desde os Jogos de Winnipeg, em 1999, ano que marca a estreia do torneio feminino no evento, são completamente distintos.

O caso mais alarmante é o da seleção masculina, que não está no Peru devido a uma péssima campanha no Campeonato Sul-Americano sub-20. Na primeira fase do torneio, o Brasil avançou com o segundo lugar no grupo A, atrás da Venezuela.

Na fase final, porém, a equipe brasileira terminou apenas na quiinta posição entre as seis equipes que disputaram a fase final, atrás de Equador, Argentina, Uruguai e Colômbia. Em cinco jogos, o Brasil venceu apenas um jogo contra a Argentina na últoima rodada, empatou com Colômbia e Equador e perdeu para Uruguai e Venezuela.

A má campanha na reta decisiva também ficou marcada pelo mau desempenho do ataque: foram apenas 3 gols marcados em 5 jogos. Além de não conquistar uma das três vagas para o Pan (a quarta foi preenchida pelo Peru, país-sede do evento). O quinto lugar também tirou o Brasil da Copa do Mundol sub-20, uma vez que apenas os quatro primeiros colocados se classificavam para o torneio.

No caso da seleção feminina do Brasil, a ausência é motivo de comemoração. A equipe venceu a Copa América 2018 e, com o título, garantiu vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, assim como a seleção chilena, vice-campeã.

No caso do torneio feminino, a participação no Pan foi uma espécie de prêmio de consolo para equipes que terminaram entre as 3ª e 5ª posições (Argentina, Colômbia e Paraguai), com o Peru preenchendo a quarta vaga por ser o país-sede do evento.

Durante a Copa América, a seleção brasileira não tomou conhecimento das adversárias e terminou o torneio com uma campanha de 7 vitórias em 7 jogos, quatro na primeira fase e outras três na fase final, com 31 gols marcados e apenas 2 sofridos.

O Globo

Por motivo exclusivamente comercial, Dia dos Namorados é em junho no Brasil, enquanto no resto do mundo é em fevereiro; entenda como ideia surgiu

Getty Images/ BBC BRASIL

Qual é a origem do Dia dos Namorados no Brasil? Enquanto os Estados Unidos e a Europa comemoram o chamado “Valentine’s Day” (ou Dia de São Valentim), em 14 de fevereiro, por aqui, o feriado do romance é celebrado em 12 de junho desde 1948.

E o motivo é exclusivamente comercial.

A ideia de estabelecer a comemoração veio do publicitário João Doria, pai do ex-prefeito de São Paulo João Doria Jr. Dono da agência Standart Propaganda, ele foi contratado pela loja Exposição Clipper com o objetivo de melhorar o resultado das vendas em junho, que sempre eram muito fracas.

Inspirado pelo sucesso do Dia das Mães, Doria instituiu outra data para trocar presentes no ano: o Dia dos Namorados.

FOTO: AFP / BBC BRASIL

Junho foi escolhido porque era justamente o mês de desaquecimento das vendas. O dia 12 foi escolhido por ser véspera da celebração de Santo Antônio, que já era famoso no Brasil por ser o santo casamenteiro.

Unindo, então, o útil ao agradável, Doria criou a primeira propaganda que instituiria a data no país.

“Não é só com beijos que se prova o amor!”, dizia um slogan do primeiro Dia dos Namorados brasileiro. “Não se esqueçam: amor com amor se paga”, afirmava outro. A propaganda foi julgada a melhor do ano pela Associação Paulista de Propaganda à época.

Slogan de propaganda do Dia dos Namorados criada por João Doria. Texto de João Doria, arte de Fritz Lessin/ BBC BRASIL

A data começou a “pegar” no Brasil no ano seguinte, quando mais regiões começaram a aderir — posteriormente, a comemoração se tornou nacional.

Consumidor cauteloso

Atualmente, o Dia dos Namorados já é a terceira melhor data para o comércio no país — atrás apenas do Natal e do Dia das Mães. A média do faturamento do dia romântico já chega perto de R$ 1,5 bilhão.

Mas, segundo previsão da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o consumidor paulistano pretende gastar menos com presente do Dia dos Namorados em 2018 do que no ano passado.

O valor médio do presente deve ser de R$ 197, recuo de 4,4% em relação a 2017, que foi de R$ 206. A sondagem ouviu 1.118 consumidores na capital nos dia 1º, 4 e 5 do mês.

O número de pessoas que pretendem trocar presente na data também caiu em relação ao ano passado. Entre os 63% dos consumidores que disseram namorar ou serem casados, 59% pretendem presentear — uma redução de 7 pontos porcentuais em relação a 2017.

Dia de São Valentim

A origem do Valentine’s Day (Dia de São Valentim), celebrado nos Estados Unidos e na Europa, é muito anterior ao Dia dos Namorados no Brasil. A data começou a ser celebrada no século 5.

Há algumas explicações para a história, mas a mais famosa é a de que São Valentim era um padre de Roma que foi condenado à pena de morte no século 3.

Segundo esse relato, o imperador Claudio 2 baniu os casamentos naquele século por acreditar que homens casados se tornavam soldados piores — a ideia dele era de que solteiros, sem qualquer responsabilidade familiar, poderiam render melhor no exército.

Valetim, porém, defendeu que o casamento era parte do plano de Deus e dava sentido ao mundo. Por isso, ele passou a quebrar a lei e organizar cerimônias em segredo.

Quando o imperador descobriu, o padre foi preso e sentenciado à morte no ano 270 d.C.

Mas, durante o período em que ficou preso, Valentim se apaixonou pela filha de um carcereiro. No dia do cumprimento da sentença, ele enviou uma carta de amor à moça assinando “do seu Valentim” — o que originou a prática moderna de enviar cartões para a pessoa amada no dia 14 de fevereiro.

Foi apenas dois séculos depois que a data passou a ser efetivamente comemorada, quando o papa Gelásio instituiu o Dia de São Valentim, classificando-o como símbolo dos namorados.

A comemoração foi criada quando a Igreja transformou em festa cristã uma antiga tradição pagã – um festival romano de três dias chamado Lupercalia. O evento, ocorrido no meio de fevereiro, celebrava a fertilidade. Seu objetivo era marcar o início oficial da primavera.

Mas há ao menos outras duas figuras históricas que disputaram o título de São Valentim associado a essa data. Uma delas é um bispo de uma cidade próxima a Roma — na região da atual Terni — e a outra, um mártir do norte da África. Como não se sabe muito sobre essas duas outras figuras, o padre de Roma acabou se tornando o mais conhecido dos padroeiros dos namorados.

BBC Brasil

 

Presidente da Fifa questiona clubes brasileiros: se faturam tanto, por que os jovens vão embora tão cedo?

Foto: Getty Images

Em sua primeira entrevista coletiva depois de ter sido reeleito presidente da Fifa, Gianni Infantino lançou um questionamento aos clubes sul-americanos, em especial aos brasileiros:

– As receitas dos grandes clubes brasileiros não estão longe dos europeus. Ainda quero saber por que os bons jogadores deixam o Brasil – disse, ao responder a uma pergunta sobre a desigualdade entre os clubes europeus e seus pares da América do Sul.

Minutos mais tarde, o dirigente detalhou seu raciocínio. Para ele, é natural que os melhores jogadores de países como o Brasil atraiam o interesse dos grandes europeus. O problema, disse, é que os países exportadores perdem jogadores para “o segundo, o terceiro e o quarto nível” de clubes para a Europa.

– Se os jogadores vão embora para o Real Madrid, então ok. Mas nem todos vão para o Real Madrid. Então por que não ficam no Flamengo? No Fluminense? No Santos? O garoto que surge num clube brasileiro ou português, se ele fica um pouco mais, se ele tem a chance de jogar um Mundial de Clubes e aí sim ir direto para o Real Madrid.

Embora a arrecadação de clubes brasileiros venha crescendo ininterruptamente nos últimos anos, os times que mais faturam, como Flamengo e Palmeiras, não estariam nem entre os 20 primeiros de um hipotético “ranking mundial de faturamento”. Os demais estariam distantes do top 30.

O discurso de Infantino serve para defender o novo Mundial de Clubes, que será disputado a cada quatro anos por 24 participantes – oito da Europa, seis da América do Sul e fez outros times dos demais continentes. O torneio enfrenta oposição da ECA, a Associação que representa os clubes ricos da Europa.

– O futebol hoje é global, mas todas as receitas vão para o mesmo lugar. O grupo muito pequeno de clubes, eu diria 10, ou nem 10, concentram todas as chances de serem campeões do mundo. Eu quero que 50 clubes possam ter essa chance, e pode ser 25 da Europa, mas os demais do México, do Brasil, dos EUA, da China e de outros lugares – disse Infantino.

Mudanças no calendário

O presidente da Fifa também deu a entender que pode promover mudanças no calendário do futebol mundial nos próximos anos.

– Eu trabalhei 16 anos na Uefa, então passei muito tempo defendendo uma parte do mundo, contra as outras cinco. Aqui na Fifa não temos que reduzir o poder da Europa, mas sim aumentar o poder dos demais continentes. O calendário hoje é muito eurocêntrico.

Globo Esporte

 

Por que se sentir insatisfeito com o trabalho pode ser algo bom

MARCELO CARDOSO, EX-VP DE RH DA NATURA E FUNDADOR DA CONSULTORIA CHIE (FOTO: DIVUGAÇÃO/MARCOS MESQUITA)

você está infeliz com seu trabalho? Não vê propósito no que faz? Sente que está desperdiçando seu talento? Você não está sozinho – e isso não precisa ser algo necessariamente ruim. Ao menos, essa é a visão de Marcelo Cardoso, ex-executivo de recursos humanos da Natura e fundador da consultoria Chie Integrates. Para o especialista, é na insatisfação que vive a energia para mudanças.

No seu negócio, Cardoso conduz treinamentos de recursos humanos para startups e grandes empresas. Ele não quantifica, mas diz que, nos quatro anos de Chie, já treinou milhares de pessoas em startups no Brasil e nos Estados Unidos, ou em empresas como Vox Capital, IBM, além da própria Natura.

Durante esse período, percebeu que o mundo corporativo passa por uma transição. As empresas têm dificuldades para compreender os desafios do novo momento da sociedade, que enxerga o trabalho de maneira diferente. “O que significa engajamento em um mundo no qual emprego não é mais o eixo central da vida?”

Muito por conta desse viés, está cada vez mais comum ouvir relatos de insatisfação no almoço com colegas de trabalho. Dependendo do caso, esse tipo de comportamento pode representar inquietação. “Se a pessoa se sente insatisfeita, ela está preocupada em mudar e tem energia para isso. Nesse contexto, a insatisfação é saudável.”

“Estamos questionando os novos códigos e paradigmas de relação das pessoas com trabalho.” Há, nesse novo momento, a exigência de um modelo capaz de atender a mudanças técnicas, como a chegada da inteligência artificial, além da forma como millenials encaram o emprego. “O modelo meritocrático está se esgotando e deixando pessoas doentes”, afirma.

Propósito

Agora, a palavra de ordem muda de produtividade para propósito. Ou seja, a sociedade começa a se interessar pela sensação de autonomia, aprendizagem e significado no trabalho. “As empresas estão com dificuldade para criar esse contexto. A ansiedade é inevitável para quem vive no meio dessa confusão. Daí que surge a insatisfação.”

Nas startups, falta maturidade para lidar com essas mudanças. Marcelo chama atenção para casos de empresas que crescem rapidamente demais, descuidando de alguns aspectos relacionados a recursos humanos. Mas há o outro lado da moeda: é um modelo mais aberto a tentativas e erros.

Há saída?

Não há resposta fácil para quem procura alternativas para dar fim à insatisfação. Nessa transição, há caminhos a se seguir. “Acho que é uma dança de adaptação entre as pessoas e as empresas”, diz. Do ponto de vista de RH, olhar para desafios como engajamento de pessoas, cultura organizacional e diversidade são um bom jeito de começar.

“A cultura deve abraçar a diversidade. É preciso um olhar mais antropológico.” Do lado organizacional, Cardoso vê com certo receio o que chama de “febre do ágil”. “Esse é sinal do desespero por modelos que vão além da ideia tradicional de hierarquia. É uma possibilidade, não a única.”

Época Negócios

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. de saco cheio com o Brasil disse:

    Se sentir insatisfeito no trabalho é algo bom!? É incrível como ultimamente vejo "profissionais" que levaram o pé na bunda, muitas vezes por incompetência, por tentar colocar na prática as besteiras que só funcionam na teoria, começando a fazer palestras para sobreviver, por ser bom de "papo furado", se rotulam de "especialistas", e ainda consegue uma legião de cabeças de vento para segui-lo……Se sentir insatisfeito no trabalho é muito prejudicial, tanto para o funcionário quanto para os colegas que compartilham o mesmo ambiente que ele, perde todos, inclusive a empresa que não consegue obter um bom rendimentos dos funcionários. O correto é treinar os gestores para identificar os motivos que estão fazendo os funcionários ficarem insatisfeitos, a tratarem seus subordinados com respeito, pois os casos de assedio no ambiente de trabalho estão crescendo de forma assustadora, e por fim incentivar alongamentos em horários estratégicos, treinamentos dos profissionais, etc…….Isso sim é algo bom.

Por que os médicos chamam tudo de virose? Entenda

Para o professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, Vicente Amato Neto, a palavra está desmoralizada. “Abusa-se do termo ‘virose’. Existem muitos recursos que permitem a médicos e paramédicos fazerem diagnósticos melhores”, diz. “Virose” realmente não é muito preciso: identifica todas as doenças infecciosas causadas por vírus, uma carapuça que serve a problemas tão diversos quanto diarréia, febre, dores musculares, coriza, otite, amidalite e, ao pé da letra, até aids.

Em defesa dos médicos, muitas vezes os vírus só podem ser identificados após uma investigação profunda e desnecessária. “Na maioria dos casos de virose, não vale a pena pedir uma bateria de exames. O resultado vai sair quando o paciente já estiver curado”, afirma a médica-assistente da Divisão de Moléstias Infecciosas do Hospital das Clínicas de São Paulo, Maria Claudia Stockler. Assim, quando um paciente chega ao consultório com sintomas leves e não há ameaça de epidemia, costuma-se recorrer ao veredicto superficial, mas eficiente.

Para complicar mais o diagnóstico, o mesmo vírus pode provocar sintomas diferentes. Ou seja, a sua conjuntivite pode provocar o resfriado alheio porque são causados pelo mesmo sujeito, o adenovírus.

Outro motivo que contribui para a onipresença da virose é que não faltam oportunidades para pegar uma. Ambientes fechados favorecem o contágio, assim como copos, teclados e alimentos podem passar adiante aquela gripe esperta.

Super Interessante

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