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QUALIDADE DE VIDA – Menos trânsito, poluição e violência: bons serviços e economia em alta estimulam migração dos brasileiros para o interior

Foto: Jefferson Coppola/Veja

Fernanda Vasconcelos, 44 anos, terapeuta

“Eu e Danilo aproveitamos o isolamento para dar a nossos filhos mais contato com a natureza no sítio da família. Cultivar uma horta e andar pela mata nos ajudou a atravessar a crise. Percebemos que precisamos de pouco para viver bem e nos mudamos para Bragança Paulista, no interior de São Paulo.”

Migrar é uma atividade tão antiga quanto a própria humanidade, consequência da busca de melhores condições de vida — mais caça e fontes de água na pré-história, mais espaço para fixar comunidades na Antiguidade, mais terra para cultivar e pastorear na Idade Média, mais territórios para ocupar no Novo Mundo, mais segurança e liberdade desde sempre. Ao longo do século XX, os deslocamentos seguiram a trilha aberta na Revolução Industrial: esvaziamento do campo e inchaço das cidades, culminando no aparecimento das megalópoles, capazes de aglomerar milhões de pessoas em uma área relativamente pequena. Como o ser humano é bicho que não se acomoda, nas últimas duas décadas o fluxo começou a se inverter, com as cidades médias atraindo um contingente de moradores urbanos cansados da vida corrida e atentos a economias que emergiam. Agora, veio a pandemia e, também no movimento migratório, seu onipresente efeito se fez sentir. Trabalhando a distância, livres da necessidade de bater o ponto no escritório, milhares de famílias estão pondo o pé na estrada, de mudança para recantos onde mais importante do que ganhar muito dinheiro e ter acesso ao que há de melhor em convívio social e cultura é poder desfrutar uma existência da mais alta qualidade.

O migrante de hoje difere do que já estava indo para o interior no sentido de tratar sua opção não como um sonho, mas como uma realidade que enxerga de olhos bem abertos, firmada na comparação concreta entre o que tinha na metrópole — emprego, restaurantes, escolas de primeira — e o verde e a tranquilidade usufruídos em uma mudança que era para ser temporária e virou definitiva. Seu novo chão se localiza, principalmente, nos municípios situados em um raio de 100 quilômetros ao redor das capitais — cidades com boa oferta de serviços de saúde e educação, razoáveis opções de lazer e um conceito retirado da obsolescência e catapultado à condição de ambição: o ritmo de vida típico do interior. Segundo a mais recente estimativa de população realizada pelo IBGE, a das cidades entre 100 000 e 1 milhão de habitantes vem crescendo na última década a um ritmo até 50% mais rápido do que nas capitais — estas, por outro lado, detentoras de expansão minguada, ou mesmo zero. Atualmente, dois de cada três brasileiros residem em municípios com não mais do que meio milhão de habitantes. “Até 2014, as grandes cidades atraíam muitos trabalhadores por causa da ampla oferta de emprego, mas a crise econômica mudou essa tendência”, explica José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo do IBGE.

Outra manifestação do atrativo pela almejada casa no campo — para morar mesmo, não para passar o fim de semana — está em uma pesquisa realizada pelo Zap+, que congrega os dois maiores portais de imóveis do Brasil, obtida com exclusividade por VEJA. Ela mostra que mais da metade — exatamente 59% — dos moradores de São Paulo e de Belo Horizonte, se tivesse de decidir neste momento sobre ir morar em um lugar menor, diria sim à mudança. No Rio de Janeiro, a disposição é ainda maior: 67%. O casal Fernanda, 44 anos, e Danilo Vasconcelos, 48, integra a turma dos novos migrantes. Por causa da pandemia, saiu de São Paulo e instalou-se com os filhos na casa de campo em Bragança Paulista, a 94 quilômetros de distância. Agora, resolveu que lá é o seu lugar: alugou uma casa ampla em condomínio fechado, matriculou as crianças em uma escola com 30 000 metros quadrados de área verde e planeja se mudar de vez. “Percebi que precisava de pouco para viver bem e que o contato com a natureza era fundamental. Não me vejo mais voltando a morar em São Paulo”, reconhece Fernanda.

João Tucci. Foto: Cristiano Mariz/VEJA

Sai avião, entra arara

João Tucci, 45 anos, analista financeiro

“Há dois anos comecei a questionar a vida em São Paulo, trabalhando doze horas por dia. Conheci a Chapada dos Veadeiros, me encantei, virei gerente de uma pousada e entrei para a ponte aérea. Na pandemia, mudei de vez. Agora, tomo banho de cachoeira, medito e, em vez de aviões, ouço o canto das araras.”

Os motivos citados para a virada de rumo são conhecidos: violência, poluição, trânsito e a brutal desigualdade social exposta nas metrópoles. O arquiteto carioca Hélio Pellegrino, 68 anos, desistiu do Rio de Janeiro e foi buscar a tal felicidade em Búzios, balneário a quase 200 quilômetros de distância. “No Rio, andar pela rua à noite, um dos grandes prazeres do carioca, passou a ser uma roleta-russa. Nunca se sabe quem será a próxima vítima”, critica Pellegrino, que tem assumido menos projetos e aproveita o tempo livre para pintar, tocar piano e violão e fazer caminhadas pela exuberante Praia da Ferradura. O fluxo para cidades menores tem, é claro, reflexo no mercado imobiliário. Na Baixada Santista, a compra e venda de imóveis subiu 31% no terceiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior, contra meros 5% na região metropolitana de São Paulo. Nas cidades no cobiçado raio de 100 quilômetros, área que engloba Sorocaba, Itu, Jundiaí, Bragança Paulista e Atibaia, os negócios cresceram embalados por uma taxa de 25%.

As casas que os migrantes urbanos estão comprando e alugando oferecem duas características imprescindíveis: área verde e cômodos que possam ser adaptados para home office. “Muitas famílias não têm renda para adquirir um imóvel com esse perfil em São Paulo e se mudam para o interior, onde o metro quadrado é bem mais barato”, explica Patricia Ferraz, diretora de relações institucionais do Registro de Imóveis do Brasil, que congrega cartórios de vários estados. “A pandemia escancarou nossa necessidade por espaço, tanto interno quanto externo”, diz Ju Collen, funcionária pública de 46 anos que está prestes a trocar Porto Alegre por Gramado, a 150 quilômetros de distância.

Luiz Soares. Foto: Pedro Silveira/VEJA

Troca de endereço

Luiz Soares, 48 anos, dono de confecção

“Vim para minha casa de veraneio na Praia do Forte para fugir da pandemia, mas me acostumei à rotina de esportes, banhos de mar e acesso aos bons restaurantes locais. Mudei de endereço: moro aqui e só apareço de vez em quando na casa de Salvador. Tenho qualidade de vida e segurança, sem perder o agito.”

Um dos motores econômicos que impulsionam a migração atual é a mudança profunda nas relações de trabalho trazida pela pandemia. A jornada de quem manteve o emprego durante o período de isolamento social caiu 14% e a renda média, em efeito dominó, diminuiu 20%, segundo uma pesquisa da FGV-RJ. Enquanto apertava o cinto, uma leva de brasileiros fez as malas em busca de vida mais simples e ao mesmo tempo de maior qualidade. O que se observa neste movimento é uma inesperada inversão das prioridades das famílias. “Nas classes mais abastadas, com recurso para mudanças radicais, ganhar dinheiro passou a ser menos importante do que aproveitar a vida”, ressalta Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

Helio Pellegrino. Foto: Alex Ferro/VEJA

Adeus, depressão

Hélio Pellegrino, 68 anos, arquiteto

“Morava em uma casa espaçosa no Rio de Janeiro e tinha um escritório de arquitetura bem-sucedido. Mas a violência e a desigualdade social me deixavam cada vez mais deprimido. Quando me instalei na casa de Búzios, vi que era para sempre. Aqui faço o que realmente gosto: pinto, toco violão, namoro e vou à praia.”

Um estudo do Ipea revelou que quase um quarto das ocupações brasileiras está apto a fazer a transição para o home office e são justamente os ocupantes dessas posições, em boa parte situadas no setor financeiro e de tecnologia, que mais se veem à vontade nestes tempos para mudar de vida. Durante quase duas décadas João Tucci, 45 anos, analista financeiro de uma grande empresa de consultoria, experimentou a rotina extenuante de até doze horas de trabalho por dia. Há cinco anos, em plena crise de identidade, conheceu a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e se apaixonou pelo local. Como em um namoro, ele passou a se revezar entre Alto Paraíso e São Paulo — até a chegada da pandemia desembocar em união estável. Tucci se mudou de vez para a Chapada e de lá presta sua consultoria aos clientes, além de ser gerente de uma pousada. “Continuo a fazer o que gosto, mas agora, em vez de barulho de avião na janela, tenho o canto das araras”, comemora, feliz da vida. Embora ainda esteja em fase de consolidação, o fenômeno já é encarado como uma nova etapa dos deslocamentos internos que a população empreende em épocas distintas.

A engrenagem que movimenta as migrações brasileiras tem uma relação histórica com os efeitos da desigualdade social. Mal as primeiras fábricas começaram a se instalar no país, há quase 100 anos, e milhões de pessoas das regiões mais pobres, principalmente do Norte e Nordeste, pegaram seus poucos pertences, deram adeus à zona rural e foram tentar a vida no Sul maravilha. Assim caminharam os brasileiros até o fim do século XX, quando a meia volta começou. A descentralização da indústria e a expansão das fronteiras agrícolas fizeram o interior ser atraente de novo e suas cidades entraram para o rol das localidades recebedoras de mão de obra, em uma dinâmica classificada de “rotatividade migratória”. No arranjo que se desenvolveu durante a pandemia, uma parcela dos migrantes combina o melhor dos dois mundos: muita gente, em vez de ir embora de vez, optou pela dupla residência. Dono de uma confecção de moda praia, Luiz Soares, 48 anos, morava em Salvador e costumava ir para a casa de veraneio na Praia do Forte, a 85 quilômetros, nos fins de semana e feriados. Para cumprir o isolamento social, acabou se instalando na segunda casa e inverteu a ordem dos endereços. Mantém um pé na capital, para compromissos de trabalho, mas mora mesmo na praia. “Aqui tenho qualidade de vida, conforto e segurança sem perder o agito”, alegra-se.

Ju Collen. Foto: Daniel Marenco/VEJA

Vida espaçosa

Ju Collen, 46 anos, funcionária pública

“Sempre quisemos ter um sítio para relaxar nas horas de folga. O isolamento no apartamento em Porto Alegre mudou nossos planos. Compramos um terreno em Gramado e nossa casa, com uma bela vista da Serra Gaúcha, acaba de ficar pronta, satisfazendo a necessidade de espaço interno e externo.”

Os especialistas antecipam que a migração de pessoas com recursos suficientes para sustentar duas casas deve levar riqueza e alterar de forma relevante o perfil de consumo dos municípios médios e pequenos. Atualmente, as cidades com até 500 000 habitantes concentram 68% da população, 58% do PIB e 237 dos 577 shopping centers em atividade no Brasil. A expectativa é que a proporção seja cada vez maior, à medida que o agronegócio se expanda e a busca de qualidade de vida se amplie — uma aliança que tem tudo para mudar para melhor a cara do interior. “O deslocamento das classes mais abastadas traz novos contornos aos processos migratórios e reflete a inserção do Brasil em um contexto global. O território perde importância, já que o mundo está conectado em rede e as relações ocorrem por meio da tecnologia”, explica Rosana Baeninger, demógrafa e professora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp. Nos Estados Unidos, onde as migrações rotativas são vistas há mais tempo, os municípios do entorno dos grandes centros urbanos já apresentam um perfil menos provinciano. “Muitos subúrbios estão se reformando e ganhando contornos mais urbanos, com centros comerciais, restaurantes e boas escolas”, lembra James Hughes, professor de planejamento urbano da Universidade Rutgers, em Nova Jersey.

Empurradas para as moradias mais amplas do entorno, em vez de se isolarem em minúsculos apartamentos, cerca de 100 000 pessoas acabaram optando de vez por sair de Man­hattan, o bairro mais habitado de Nova York, a meca cosmopolita do planeta, e pelo menos 30 000 foram embora de São Francisco ao longo da pandemia. Em compensação, Santa Maria e Santa Bárbara, nas imediações de Los Angeles, receberam 124% mais moradores neste ano, em comparação com o ano passado. Louisville, na encruzilhada entre Nova York e Chicago, ganhou 113% mais moradores e Buffalo, no estado de Nova York, aumentou sua população em 80%. A fuga da megalópole se repete em países como Japão — Tóquio subtraiu 30 000 habitantes — e Austrália, onde, desde março, 14 000 pessoas deixaram Sidney e 25 000 deram adeus a Melbourne. “Hoje, há uma competição por gente talentosa, criativa e inovadora. As cidades médias têm tudo para se beneficiar com a absorção dessa mão de obra qualificada”, diz Robert Muggah, fundador do Instituto Igarapé e uma das maiores autoridades sobre o tema. Enquanto a humanidade se desloca, o mundo se transforma.

Veja

Opinião dos leitores

  1. Eu vou morar no Congo, lá é menos perigoso que o Brasil. Tem um ditador lá, mas nada que dê pra notar, aqui nem o presidente manda, tem 11 que determina.

  2. Vou comprar uma bucólica casa em São Gonçalo, Macaíba ou Extremoz. Lá vou viver feliz da vida e dormir com as portas abertas kkkkk

  3. Aqui para onde formos corremos perigo. Praias assaltos, arrastões, tiros, agressões , etc: Nos sítios e fazendas a mesma coisa. Todos trancados , medo, insegurança. E não temos perspectiva de melhoras. Se correr o bicho pega, se parar o bicho come. Lastimável mas é a VERDADE.

  4. Quero ver irem pra Tangará, Acari, Japi, Campo Redondo, Campo Grande, São Rafael, Coronel João Pessoa, Equador e enfrentar uma seca danada kkkkk

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Geral

Ex-nora de Lula e amigo da família levaram ao Planalto empresário alvo da PF

Foto: EBC

Dois lobistas ligados à família do presidente Lula (PT) estiveram no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025 enquanto recebiam pagamentos de um empresário interessado em influência no governo federal,  segundo reportagem do UOL.

Kalil Bittar, amigo da família, e Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, fizeram ao menos dez visitas ao Planalto no período, sem registro de compromissos nas agendas oficiais.

Três dessas visitas envolveram diretamente o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, empresa investigada por superfaturamento em contratos com prefeituras paulistas. Em dezembro de 2023, Kalil acompanhou Mariano e o então secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Gomes de Moraes, em reunião com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola).

Segundo a Polícia Federal, Mariano repassou R$ 210 mil aos lobistas entre 2022 e 2024. Dois dias após uma visita ao Planalto, ele transferiu R$ 30 mil a Kalil Bittar. O inquérito aponta ainda que o empresário bancou viagens, passagens e hospedagens em Brasília para facilitar o acesso a autoridades.

A investigação indica que a atuação do grupo esteve ligada à liberação de verbas, contratos e decisões administrativas. Entre 2022 e 2025, a prefeitura de Hortolândia pagou R$ 33 milhões à Life Educacional por livros e kits educacionais, segundo o TCE-SP. A PF sustenta que a empresa pagava agentes públicos e lobistas para garantir contratos.

Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, dono do sítio de Atibaia, e filho de Jacó Bittar, fundador do PT e aliado histórico de Lula. Carla Trindade, que atuava na prefeitura de Hortolândia, teria viajado várias vezes a Brasília com despesas pagas por Mariano. Ela foi casada por 20 anos com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho adotivo de Lula.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Planalto afirmou que servidores federais devem receber representantes de entes públicos, do setor produtivo e da sociedade civil, dentro da lei e do código de ética. As defesas de Kalil e Carla negaram atuação como lobistas e disseram que as visitas foram de cortesia ou sem pauta comercial. O advogado de Mariano informou que se manifestará no processo.

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VÍDEO: Caminhada de Nikolas chega ao DF; deputado usa colete à prova de balas após ameaças feitas contra ele

A caminhada do deputado Nikolas Ferreira (Republicanos-MG), que começou na segunda-feira (19), chegou na tarde deste sábado (24) ao Distrito Federal. Um vídeo, publicado por Nikolas nas redes sociais, mostra a chegada do movimento ao estado central do país.

Segundo apurado pela rádio Itatiaia, Nikolas começou a usar um colete à prova de balas nos últimos dias do movimento promovido por ele em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra as ações do Supremo Tribunal Federal (STF).

A assessoria do parlamentar alega que o uso do colete, preventivamente, se deve a ameaças recentes feitas contra ele. A origem e a autoria das supostas ameaças não foram divulgadas.

Nikolas Ferreira saiu na segunda-feira (19) do município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, na capital federal. O gesto simbólico do parlamentar, após ser amplamente divulgado nas redes sociais, ganhou a adesão de outros membros do Congresso, apoiadores de Bolsonaro e também de eleitores do deputado federal.

A expectativa é que a manifestação, que seguiu pela BR-040, seja encerrada no domingo (25), na Praça do Cruzeiro, em Brasília.

Segundo o deputado, o objetivo do ato simbólico é protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e preso no Complexo da Papuda, em Brasília.

CNN Brasil

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CPMI do INSS recebe em massa da Receita dados fiscais sigilosos

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A CPMI do INSS recebeu este mês da Receita Federal uma série de informações fiscais protegidas por sigilo: só nos últimos 10 dias, foram encaminhados dados de mais de 60 pessoas físicas e jurídicas que interessam à investigação do colegiado. A informação é da coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo.

Na lista, está André Luiz Martins Dias, ex-secretário parlamentar do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e apontado como intermediário direto em transações financeiras.

Também aparecem familiares de Thaisa Hoffmann Jonasson, mulher do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antonio Filho e apontada por parlamentares como laranja em um esquema de desvio de recursos.

Outra que teve seus dados fiscais enviados é Ana Aguilera Gomes, mulher de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil, associação acusada pela Polícia Federal de realizar descontos indevidos em aposentadorias.

Lauro Jardim, O Globo

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ABC e América empatam sem gols no primeiro Clássico Rei do ano

Foto: Gabriel Leite/América FC

O primeiro clássico entre ABC e América em 2026 terminou sem gols. O 0 a 0, na Arena das Dunas, pelo Campeonato Estadual, refletiu um jogo equilibrado. O ABC acertou três bolas na trave americana.

Com o resultado os rivais seguem na ponta da tabela com 10 pontos, cada, com o América levando vantagem no número de gols marcados como critério de desempate.

O empate também manteve uma invencibilidade do América na Arena das Dunas, onde não perde pelo Estadual desde 2023.

Na próxima rodada, o América encara o QFC. O local da partida ainda será definido. À princípio, a partida está marcada para sábado (31), às 16h.

O ABC viaja até Currais Novos para enfrentar o Potyguar Seridoense, no estádio Bezerrão, no sábado, dia 31, às 19h.

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VÍDEO: Câmeras de segurança flagram ‘resgate’ de fugitivo da polícia em Extremoz

Imagens obtidas com exclusividade pelo Via Certa Natal mostram o momento em que o homem que era procurado pela política em área de mata às margens da BR-101 Norte, na região de Extremoz, foi ‘resgatado’ em um Ford Ka de cor prata, no residencial Moinho dos Ventos.

Ele é um dos envolvidos no roubo de um veículo na noite de sexta-feira (23), em Nova Parnamirim, em uma ação criminosa na qual a vítima também foi agredida. O criminoso havia sido identificado pela polícia quando seguia no veículo roubado em direção ao litoral norte do RN. O veículo abandonado e recuperado pela polícia. Mas o homem fugiu pela mata até ser resgatado por comparsas.

Opinião dos leitores

  1. Temos bons políciais. O problema tá na cúpula da segurança pública, Fátima Coveira, Araújo e Alarico.

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Geral

Com US$ 91 milhões em vendas, ouro se torna o 4º principal produto de exportação do RN em 2025

Foto: AURA MINERALS/DIVULGAÇÃO

A extração de ouro colocou o mineral entre os principais produtos da pauta de exportações do Rio Grande do Norte em 2025, com o início da exploração do mineral. Com vendas externas de US$ 91,2 milhões, o ouro passou a ocupar o 4º lugar no ranking estadual, respondendo por 8,4% de tudo o que o RN exportou no ano.

Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Observatório Mais RN (Fiern), o mineral representou 94% de todo o volume exportado pelo grupo de pedras e metais preciosos e semipreciosos, que registrou crescimento de 1.688% em relação a 2024.

O avanço está diretamente ligado ao início das operações do Projeto Aura Borborema, em Currais Novos, que começou a produzir em junho e entrou em fase comercial apenas em outubro. Mesmo com poucos meses de atividade plena, os números já foram considerados expressivos pelo governo estadual.

A expectativa é de que, em 2026, a mina opere em capacidade total, com produção estimada em 83 mil onças de ouro por ano, o que pode aproximar o mineral do principal item de exportação do estado, atualmente o petróleo.

Além do impacto nas exportações, o ouro também liderou a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2025. Dos R$ 12,64 milhões arrecadados com mineração no RN, R$ 6,96 milhões (52,9%) vieram da extração de ouro em Currais Novos.

O projeto gera cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos e pode ter sua vida útil ampliada de 11 para até 30 anos, caso avancem as negociações para a exploração de um novo depósito próximo à BR-226.

Com a valorização do ouro no mercado internacional e o aumento da produção local, a expectativa do setor é de crescimento ainda mais forte nos próximos anos.

Com informações de Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

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Geral

VÍDEO: Multidão se junta a Nikolas Ferreira em caminhada até Brasília

Milhares de pessoas têm se somado, ao longo dos últimos dias, à caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que segue para uma manifestação final na Praça do Cruzeiro, localizada no Eixo Monumental de Brasília, mas distante 6 quilômetros da Praça dos Três Poderes.

O movimento, que chega ao penúltimo dia neste sábado, 24, ganhou força nas redes sociais e passou a atrair apoiadores de diferentes regiões do país. A caminhada convocada por Nikolas tem sido tratada por aliados como um ato simbólico de mobilização da direita, com discursos em defesa de “liberdade”, “justiça”, liberação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão e críticas ao governo Lula.

Mais cedo, Nikolas afirmou que foram identificadas tentativas de infiltração durante o trajeto. Segundo o deputado, pessoas ligadas ao PT teriam tentado se misturar ao grupo com itens como bandeiras e equipamentos, o que levou a orientações para que os manifestantes mantivessem organização e seguissem as recomendações das forças de segurança.

Segundo o deputado, haveria registros dessas pessoas comprando itens que, na avaliação dele, seriam usados para simular participação no ato: “Tem vídeo deles comprando coisas, comprando pilha para o megafone, uma bandeirinha do Brasil, para poder fingir que era um dos nossos”.

Revista Oeste

Opinião dos leitores

    1. Petista é bicho atrevido e cara de pau.
      A esquerda defende a criminalidade.
      Fato público e notório.
      Em quem votam maconheiros e traficantes de drogas?

  1. Joga uma carteira de trabalho aí que corre tudinho. Bocado de desocupados, deviam estar trabalhando nos empreendimentos dos direitistas bolsonaristas e não caminhando ao longo da semana. Direitista é tudo igual, faz de tudo pra não trabalhar.

  2. Se a esquerda fizer uma caminhada igual a do Nikolas, a polícia recupera 70% dos foragidos dos presídios kkkk

    1. E os outros 30% continuam na papudinha ( Bolsonaro e demais)….. Graças a Deus na fazemos parte nem dia 70 nem dos 30 por cento, somos mais inteligentes…… E só assistimos a derrocada de ambas as partes …. Fica a dica

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Geral

VÍDEO: Polícia faz buscas por criminosos que roubaram carro e agrediram proprietária do veículo

 

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por ZN NEWS (@znnewss)

Dois criminosos estão sendo caçados pelas forças de segurança do Rio Grande do Norte neste sábado (24), na região de Extremoz, na BR-101 Norte. Os bandidos tomaram um carro de assalto em um posto de combustíveis na Av. Maria Lacerda, Nova Parnamirim, na noite dessa sexta-feira (23), e agrediram a proprietária do veículo.

O grupo de criminosos era formado por dois homens e uma mulher, essa a mais agressiva com a vítima.
Na manhã deste sábado (24), os três seguiam no carro roubado para uma praia no litoral norte. Como a polícia estava em diligência com os dados do automóvel, identificou e entrou em ação para a prisão e recuperação do carro.

Na fuga, eles entraram em confronto com os policiais, a mulher foi atingida, socorrida, mas não resistiu. A operação conta com o apoio do helicóptero do Ciopaer e da PRF, na rodovia federal de acesso ao litoral norte.

Com informações de BZ Notícias e imagens de Via Certa Natal

Opinião dos leitores

  1. Pronto, essa moça não será mais agressiva com ninguém. Garanto que o capeta vai da um jeito nela.

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Geral

Caso Master provocou abalo de confiança generalizado nas instituições do Brasil, diz The Economist

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O colapso do Banco Master expôs um escândalo que ultrapassa o setor financeiro e revelou ligações entre banqueiros, políticos e integrantes do Judiciário em Brasília, segundo análise da revista britânica The Economist. Para a publicação, o episódio abalou a confiança nas instituições brasileiras.

De acordo com a revista, Daniel Vorcaro, que assumiu o controle do banco em 2019, mantinha um padrão de vida luxuoso enquanto o Master crescia oferecendo CDs com juros muito acima do mercado. Depois, veio à tona que a instituição não tinha liquidez e havia vendido ativos sem valor por bilhões de dólares.

A fragilidade ficou clara quando o Master tentou ser vendido ao BRB (Banco Regional de Brasília). O maior impacto financeiro recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá pagar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões aos depositantes — a maior indenização da história do fundo no Brasil. A revista lembra ainda que Vorcaro chegou a ser preso ao tentar deixar o país.

O caso ganhou dimensão política quando parlamentares e o Tribunal de Contas passaram a questionar a decisão do Banco Central de liquidar a instituição, em uma interferência considerada incomum. Investigações apontaram relações próximas do banco com políticos do Centrão e ministros do STF, reforçando a percepção pública de falta de imparcialidade.

Apesar da crise, a The Economist destaca que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, saiu fortalecido, ao resistir às pressões políticas e defender maior autonomia da autoridade monetária.

Opinião dos leitores

  1. Abalo de confiança foi inventar um golpe fajuto para tirar Bolsonaro da política, sacrificando um monte de gente. As provas que não tem crédito algum estão aparecendo. Que credibilidade tem uma instituição onde o indivíduo é vítima, investigador e julgador? É o mesmo que ter envolvimento com o banco Master e estar conduzindo as investigações, simples assim.

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Geral

Medicamentos à base de cannabis batem recorde de autorização de importação em 2025

Óleo de canabidiol, usado no tratamento de doenças como epilepsia e esquizofrenia | Foto: Ekkapon/Adobe Stock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) bateu em 2025 o recorde de autorizações para importar medicamentos à base de cannabis. No ano passado, o órgão autorizou 194,7 mil importações, média de 533 por dia. Em 2015, quando a medida foi liberada, a média era de apenas duas aprovações diárias.

O crescimento foi de 16% em relação a 2024, quando a agência deu aval a 167,3 mil solicitações de pacientes para importar remédios à base de cannabis.

Neste ano, a Anvisa vai revisar a regulamentação de produtos à base de cannabis, publicada em 2019. Uma das propostas em discussão previa a manipulação desses medicamentos em farmácias, mas a Anvisa retirou esse trecho do texto submetido à diretoria.

Além da autorização à manipulação dos remédios à base de cannabis, o órgão regulador decidirá sobre o registro desses medicamentos dermatológicos e administrados por via bucal e sublingual. Até então, só são permitidos os usos oral e inalatório.

Governo federal tem até março para apresentar regras de cultivo de cannabis

Em outra frente, o governo Lula tem até março para apresentar ao Superior Tribunal de Justiça um regulamento para o cultivo de cannabis para fins medicinais. Em outubro, a meia hora do prazo final, a Advocacia-Geral da União pediu à Corte mais tempo para definir as regras, como mostrou a Coluna do Estadão

Uso medicinal da cannabis

Medicamentos derivados da cannabis são usados no tratamento de diversas doenças, a exemplo de esquizofrenia e epilepsia. Geralmente, a base da preparação é o canabidiol (CBD), que não tem efeito psicoativo. Essa ação neurológica da planta acontece por causa de outro composto da cannabis, o tetrahidrocanabinol (THC), que tem uso muito mais restrito em remédios.

A Anvisa passou a autorizar a venda no País de medicamentos à base da planta em 2019, mas os remédios são caros e produzidos por poucos laboratórios, o que faz com que a procura pela importação siga crescendo.

Estadão Conteúdo

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