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“NÃO MEXE COM O QUE TÁ QUIETO”: O ser que voltou à vida após 24 mil anos congelado

Foto: PA Media

Um organismo multicelular microscópico voltou à vida depois de ter ficado congelado por 24 mil anos na Sibéria. É o que aponta uma pesquisa em que cientistas desenterraram o animal conhecido como rotífero bdeloide no rio Alayeza, no Ártico russo.

Depois de descongelado, ele foi capaz de se reproduzir assexuadamente, mesmo após passar milênios em um estado de latência conhecido como criptobiose.

Pesquisas anteriores já tinham apontado que eles poderiam sobreviver congelados por até dez anos. O novo estudo, publicado nesta semana na revista Current Biology, sugere que eles podem sobreviver milhares de anos ou até indefinidamente.

“A conclusão é que um organismo multicelular pode ser congelado e armazenado como tal por milhares de anos e depois voltar à vida — um sonho de muitos escritores de ficção”, disse Stas Malavin, do Instituto de Problemas Físico-Químicos e Biológicos em Ciências do Solo, na Rússia, à agência de notícias Press Association.

Ele disse que mais estudos são necessários para identificar como isso aconteceu.

Para examinar o processo, os cientistas que participaram do estudo congelaram e descongelaram dezenas de animais em um laboratório. A datação por radiocarbono do rotífero bdeloide determinou que a idade do espécime estava entre 23.960 e 24.485 anos.

Rotífero tem origem no latim, com referência a “roda”, com referência ao círculo de cílios que rodeiam a boca destes animais, que se movem para captar as partículas de alimento.

Rotíferos bdeloide são uma classe de rotíferos encontrados em ambientes de água doce em todo o mundo. Eles são conhecidos por sua capacidade de resistir a situações extremas.

São um dos animais mais resistentes à radiação, de acordo com o New York Times, que relata que eles também podem suportar baixo oxigênio, fome, alta acidez e anos de desidratação.

Também há relatos de outros organismos multicelulares voltando à vida após milhares de anos, incluindo um verme nematoide, bem como algumas plantas e musgos.

BBC

 

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Geral

“Faremos contato com uma civilização alienígena ainda neste século”, acredita físico americano

Foto: Discovery Communications/.

O físico americano Michio Kaku, autor de best-sellers e um dos principais divulgadores científicos da atualidade, com passagens pelas universidades Harvard e Princeton, diz que a humanidade tem um encontro marcado com alienígenas.

O senhor faz muitas previsões sobre vida extraterrestre. Estamos perto de encontrá-­la? Faremos contato com uma civilização alienígena ainda neste século. Digo isso porque já descobrimos muitos planetas e estamos avançando cada vez mais na astronomia. Em média, cada estrela que vemos no céu noturno tem dois planetas em volta de si. Entre eles (que, só na Via Láctea, são mais de 100 bilhões), talvez 20% sejam parecidos com a Terra. Fazendo as contas, são bilhões de planetas parecidos com o nosso por aí. Não faz sentido alguém pressupor que somos o único planeta a abrigar vida.

No futuro, a humanidade será amiga de outras civilizações planetárias? O contato com ETs não quer dizer que nos aproximaremos dos alienígenas. É como quando você encontra um esquilo em uma floresta: você se interessa a princípio, mas logo deixa de prestar atenção. Afinal, ele não tem nada a dizer. Acredito que o mesmo vá acontecer conosco: as civilizações extraterrestres verão que não temos muito a oferecer a eles e nos deixarão em paz. Somos mais entediantes do que gostaríamos de pensar.

O futuro da humanidade é na Terra? Os dinossauros não existem mais apenas por um motivo: eles não tinham um programa espacial. Não tinham ciência, não detinham tecnologia. Então, quando o asteroide veio de encontro à Terra, eles eram impotentes, não conseguiram prevenir a própria extinção. Dinossauros habitaram a Terra por 200 milhões de anos. Nós, por 200 000.

E nós desenvolvemos rapidamente diversas tecnologias. Sim. Criamos, por exemplo, um programa espacial que serve como uma espécie de seguro para nós. Não precisamos conquistar outros planetas com milhões de pessoas, mas de assentamentos em outros lugares. Assim, se algo ocorrer aqui, como uma pandemia mais perigosa do que a atual, teremos para onde ir.

O seu novo livro se chama A Equação de Deus. O senhor acredita na existência de um ser superior? Acredito no Deus de Einstein, um Deus de ordem, harmonia, beleza e elegância. O universo não é bagunçado nem feio. Ele é lindo. É incrível que as coisas sejam como são. Nesse Deus, eu acredito. Galileu dizia que o propósito da ciência é determinar como os céus funcionam, e que o propósito da religião é descobrir como ir para os céus. Em outras palavras, a ciência lida com leis naturais, enquanto a religião lida com a ética, com a moral. São coisas separadas. O problema surge quando tentam misturar os dois campos.

Veja

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  1. Vem no Brasil, aqui idiotas adoram ladrões de dinheiro público, agora tem que roubar muito, coisa de trilhão de reais pra lá, com isso, falte dinheiro pra deixar a saúde em caos, educação e violência exploda, não esquecendo de acabar com a economia e destroçar a infraestrutura estrutura do país, sem esquecer de emprestar dinheiro sem lastro, pra melhorar as infraestrutura de ditaduras africanas, cuba, Venezuela, nicarágua e tudo que for ditaduras do mundo afora, se isso não for alienígena, adore um presidente abobalhado, que fale merda todos os dias, destrua com aposentadoria de trabalhadores já com direito violados, deixe a economia estagnada, numa pandemia, ele evite comprar vacina e recomende se infectar e tomar medicação sem comprovação científica, aumentando o número de óbitos o máximo que ele puder; e que tenha destruído todos os mecanismos possíveis pra combater a corrupção, não esquecendo de arranjar um lugar no governo pra o centrão roubar, e por último, auto conceda um aumento de salário pra ficar em 70 mil reais, superando o teto salarial. Se um povo com opções dessas não for de outro mundo, pelo menos são uns tolos imbecís, com certeza.

    1. Excelente COMENTÁRIO , só faltou o VAGABUNDO LULA , aquele VERME quê preferiu construir estádios ao contrário de hospitais

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Diversos

Brasileira relata vida na Nova Zelândia: “Sem distanciamento, sem máscara. Vida normal”

Marina Petrolli (Foto 1: Arquivo Pessoal); Marina Petrolli e a amiga no show da banda australiana Six60 (Foto 2: Arquivo pessoal)

Marina Petrolli é natural de São Caetano do Sul, em São Paulo, mas há 4 anos vive em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia. A coordenadora de marketing de 32 anos conversou com Marie Claire e relatou como tem sido a vida no país desde o início da pandemia da covid-19. Ela contou que até sente dificuldade em descrever a sensação de ter a “vida normal” de volta, uma vez que o país ficou apenas um mês e meio em isolamento. “Estou pensando aqui. É meio difícil falar porque a gente teve 6 semanas de lockdown, nos meses de março e abril do ano passado. Ficou tudo fechado. Todo mundo em casa, só saía pra dar uma volta na rua mesmo, e a recomendação era estar sempre a um metro e meio das pessoas que não moram comigo”, disse.

A brasileira contou que as medidas de segurança para conter o vírus eram colocadas em prática quando um caso era detectado na cidade. “Desde então, a vida está normal. Teve um ou outro caso na comunidade, colocando a gente no nível 3 de isolamento (somente serviços essenciais podiam permanecer abertos). Eu continuei trabalhando normalmente. Os eventos só poderiam ter até 50 pessoas para evitar que o vírus se espalhasse”, disse.

Marina conta que a vida dos moradores de Auckland está normal e que nada a tem impedido de frequentar os locais onde gosta de se divertir. “Eu tenho ido a bares, restaurantes e eventos… Tudo normal, sem usar máscara ou nada. A única recomendação é usar o Tracer App, um aplicativo criado pelo governo que gera um QR code para cada estabelecimento. Então, toda vez que saio, preciso escanear esse QR code e fica registrado que eu estive lá. Se alguém contaminado estiver no mesmo lugar, eles entram em contato comigo e eu preciso ficar duas semanas em quarentena”.

Ela comemorou experiência de ir ao primeiro show realizado desde o início da pandemia. A banda neozelandesa Six60 realizou uma apresentação no estádio Eden Park. Na ocasião, cinquenta mil pessoas estiveram no local. “Semana passada eu fui em um show sem distanciamento, sem máscara. Vida normal. Mas é difícil falar, porque aqui a gente não sofreu muito com o vírus, sempre tivemos vida normal comparado com o Brasil ou outros países”, frisou. “Eu brigo muito com a minha família que está no Brasil. Peço para ficarem em casa, e eles respondem que é fácil falar, porque só fiquei por seis semanas e foi isso. Mas é um sentimento estranho, até de culpa. Quando eu posto algo no Facebook ou no Instagram, sei que meus amigos e minha família não estão tendo acesso ainda”, lamentou.

Apesar disso, ela tem esperança de ver o Brasil na mesma situação que a Nova Zelândia em breve. “Torço muito para que as coisas melhorem o mais rápido possível, porque não posso ir para o Brasil, e quero muito ver meus pais, abraçá-los novamente.”

Marie Claire

Opinião dos leitores

  1. Nesses países,os respiradores eram comprados e recebidos,e aqui????? Só comprados e pagos adiantados,o Povão que se exploda !!!!!!

  2. Há exemplos assim em vários locais do mundo. Não existe comprovação científica da eficácia desse “lockdown” absurdo no combate à pandemia. NENHUM ESTUDO sobre isso. E há a certeza do enorme prejuízo que esse “tranca tudo” traz às pessoas. Quanto à alegada falta de leitos hospitalares, bastaria que os governadores tivessem usada na saude os bilhões que receberam do governo Bolsonaro. Fátima fez o que no combate à COVID? Cite qualquer coisa.

    1. Né isso! Os países que fizeram lockdown como Alemanha, Itália, Portugal, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Israel: todos tem cientistas fracos e burros e governantes petistas, lulistas ou esquerdopatas ! (Texto com Ironias)

  3. Olhe o tamanho da Nova Zelândia……….. gente!!! Brasil, India, EUA, países populosos, recebem todo tipo de gente, do mundo inteiro, é diferente de países pequenos que se pode controlar fronteiras, aqui….. quando a pandemia chegou os brasileiros correram para permanecer no Brasil, só já estavam carregando o virus…e ai se espalhou rapidamente. Não compare paises que já foi imunizados e com pouca e um sistema de saúde atento, com o Brasil, pais saqueado por longas datas com politicos safados, com pessoas corruptas, povo sem educação, vivendo de bolsas, isso e aquilo. Agora a culpa é do próprio povo… e dos saqueadores que roubaram tanto…. e ainda tem para se roubar mais, foram construir estádios de futebol e não construiram hospitais, não investiram em profissionais da saúde. pq maquina e equipamento e gestor sozinho não resolvem nada .

  4. 2 coisinhas: CULTURA E RESPEITO às LEIS, por isso esses países saem na frente…não tem como comparar né? !

    1. Acrescente-se nessa lista o fato de na Nova Zelândia, assim como na Austrália que também vivem como se não houvesse mais pandemia , terem verdadeiros PRESIDENTES, não um INEPTO negacionista que só fez e faz sabotar a mitigação no combate à pandemia: negou uso de máscara e vacinas, prescrevendo placebos, promovendo aglomerações!

    2. Soltaram esse Mané Fandango a dizer asneiras, insuportável ter de aguentar esse sabido.

    3. Alberto rebata as verdade que eu disse… Sua opinião sobre minha pessoa não mudam a realidade, nem o comportamento do MINTO, muito menos traz de volta a vida os quase meio milhão de mortos que o presidente INEPTO e negacionista não fez NADA para evitar!

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Diversos

Covid-19 reduz em quase dois anos expectativa de vida do potiguar em 2020, revela análise de pesquisadores da UFRN

Ganho na expectativa de vida ao nascer (em anos) se excluídos os óbitos por SRAG, 2020. Fonte dos dados básicos: Painel Covid Registral

Uma análise apresentada por pesquisadores da UFRN estima que a pandemia da covid-19 reduziu em 1,86 anos a expectativa de vida do norte-rio-grandense em 2020. Os dados apontam as diferenças na expectativa de vida da população considerando duas situações: a expectativa de vida baseada no total de óbitos registrados e a segunda levando em conta a exclusão das mortes por covid-19. Assim, foi possível quantificar os anos de vida que teriam sido ganhos caso essas mortes tivessem sido evitadas. A análise completa pode ser lida aqui.

Os professores Ricardo Ojima e José Vilton Costa, do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da UFRN e Victor Hugo Dias Diógenes, do Departamento de Finanças e Contabilidade da UFPB, explicam que a expectativa de vida ao nascer de uma população é um indicador demográfico que, a grosso modo, avalia o nível da mortalidade de uma determinada região. “De modo simplificado, trata-se de uma média de anos esperados de vida que uma criança nascida em determinada localidade teria caso as taxas de mortalidade presentes se mantivessem no futuro”, apontam.

Como pode ser conferido no gráfico a seguir, os estados nordestinos que apresentaram os maiores ganhos na expectativa de vida ao nascer com a teórica exclusão da covid-19 foram Ceará, Pernambuco e Maranhão, com ganhos de 2,65, 2,33 e 2,28 anos, respectivamente. “Isso quer dizer que se fossem retirados os óbitos por coronavírus de 2020 no Ceará, por exemplo, a expectativa de vida poderia ser 2,65 anos maior. O Rio Grande do Norte, com 1,86 anos, se encontra em posição intermediária e apresenta uma diferença de anos que está abaixo da média do Brasil e, no Nordeste, perde apenas para Paraíba, Bahia e Piauí”, comparam os pesquisadores.

No caso do RN, as pessoas com 60 anos de idade teriam adicionado 6,3% ao seu tempo de vida com a extinção da covid-19. Ou seja, para uma pessoa que tivesse chegado aos 60 anos de idade em 2020 no Rio Grande do Norte era esperado que ela vivesse até os 86 anos, porém essa expectativa de vida caiu para 84,5 anos. Portanto, o coronavírus contribuiu com uma perda de um ano e meio na vida do potiguar desta faixa etária.

O estudo aponta que, em termos proporcionais, os maiores ganhos com a exclusão da covid-19 em termos de anos da expectativa de vida seriam nas idades mais avançadas. Isso se deve ao fato de que os grupos de maior risco para o desenvolvimento de quadros graves da doença serem os mais idosos, como pode ser conferido no gráfico abaixo:

Ganho na expectativa de vida (em %) por idade se excluídos os óbitos por SRAG, 2020. Fonte dos dados básicos: Painel Covid Registral

No quadro geral, a análise aponta que o Brasil apresentaria um ganho com a exclusão da covid-19 de 2,6% no valor da expectativa de vida ao nascer, enquanto o Nordeste, 2,53%. “Mas ao verificarmos esse ganho na expectativa de vida em cada idade, nota-se que esse ganho é decrescente, o que já é esperado. No entanto, se consideramos o ganho proporcional na expectativa de vida em cada idade, verifica-se que os maiores ganhos percentuais ocorrem nas idades mais avançadas”, reitera o estudo.

SRAG

O estudo utiliza a sigla SRAG na análise, que significa Síndrome Respiratória Aguda Grave, por agrupar as doenças respiratórias causada por vírus gripais, como a covid-19. Como principal virose registrada entre as internações e os óbitos no ano passado, segundo os dados do Infogripe/Fiocruz, a covid-19 foi responsável por 99,3% das mortes com resultado laboratorial positivo para vírus respiratório no ano de 2020.

Os dados básicos para a análise apresentada nesta pesquisa foram obtidos na Central de Informações do Registro Civil (CRC) que são atualizados diariamente no Portal da Transparência (Painel Covid Registral) e mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

Com UFRN

Opinião dos leitores

  1. Isso se chama ociosidade, ou melhor não ter o que fazer, vão procurar uma lavagem de roupa, gastando o dinheiro dos nossos tributos pra fazer pesquisa do óbvio, resumindo bando de desocupados.

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Diversos

LONGEVIDADE: Estudo alemão descobre proteína associada ao tempo de vida

ASSISTA VÍDEO AQUI em matéria na íntegra

Cientistas da Alemanha descobriram que uma proteína, conhecida como NFL, está relacionada com a longevidade. Ela é encontrada nas células nervosas do sangue. Os pesquisadores estudaram os níveis dessa proteína em idosos com cerca de 90 anos e também em um grupo centenário. De acordo com os resultados, ter níveis baixos dessa proteína pode aumentar o tempo de vida.

Na edição desta quinta-feira (4) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou por que níveis elevados dessa proteína podem ser prejudiciais para o organismo.

“Essa proteína é um neurofilamento que existe nos neurônios que estão dentro do nosso sistema nervoso central. Se o indivíduo tiver alguma doença neurodegenerativa, os neurofilamentos vão para a corrente sanguínea — conseguimos detectar por meio de um exame de sangue”, disse Gomes.

“Portanto, a correlação é que se for detectado níveis altos significa que eu estou tendo perda ou lesão neuronal, e isso se associa a um tempo de vida mais curto ou a presença de alguma doença neurodegenerativa. [A proteína] funciona como um biomarcador que nos mostra que o bom mesmo é ter os neurofilamentos onde precisam estar: dentro dos neurônios.”

CNN Brasil

 

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Acidente

VÍDEO: Entregador é demitido em SP após se atrasar enquanto ajudava a salvar vida de motorista em acidente

O entregador Robsom dos Santos foi demitido de seu serviço por ter chegado atrasado. Segundo ele, o patrão não aceitou que ele tenha parado para ajudar motorista que sofreu um acidente de trânsito na rodovia Rio-Santos, na região de Bertioga, litoral norte de São Paulo.

Robsom conta que estava indo para o trabalho quando viu um carro que vinha logo atrás dele tentar uma ultrapassagem. O motorista do veículo perdeu o controle da direção, capotou várias vezes, cruzou duas pistas e caiu em um matagal.

O entregador não pensou duas vezes, e parou para prestar socorro. “O motorista corria risco de morrer afogado, então puxamos pelo braço”, conta. Durante o resgate, Robsom deixou o celular cair e acabou danificando. Mesmo assim, foi possível tirar fotos do local do acidente para mostrar ao patrão.

Robsom prestou apoio à vítima, e ficou no local por volta de meia-hora ajudando no socorro. Em seguida, foi ao trabalho. Quando chegou, o patrão não aceitou o atraso e o demitiu no mesmo dia. “Ele falou que o cliente sempre tem razão, e os clientes estavam reclamando”.

O entregador é pai de dois filhos, e dependia desse emprego para sustentá-lo, mas afirma que não se arrepende de ter parado para ajudar a vítima do acidente.

R7

Opinião dos leitores

  1. Foi o que o golpe trouxe para o trabalhador, capitalistas só olham para o seu umbigo, é isso que a raça desse Bozo despreparado tem para a nação, aí os otários levam fumo e gritam "mito, mito" …

  2. É bom verificar a outra versão. Tem muitos empregados que não valem nada, sempre se passam por vítimas.

    1. Perdeu uma oportunidade ficar quieto. Minion sendo Minion.

  3. Patrão sendo patrão.
    Com a terceirização e sem direitos trabalhistas, vai ser assim, de agora em diante…

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Diversos

QUALIDADE DE VIDA – Menos trânsito, poluição e violência: bons serviços e economia em alta estimulam migração dos brasileiros para o interior

Foto: Jefferson Coppola/Veja

Fernanda Vasconcelos, 44 anos, terapeuta

“Eu e Danilo aproveitamos o isolamento para dar a nossos filhos mais contato com a natureza no sítio da família. Cultivar uma horta e andar pela mata nos ajudou a atravessar a crise. Percebemos que precisamos de pouco para viver bem e nos mudamos para Bragança Paulista, no interior de São Paulo.”

Migrar é uma atividade tão antiga quanto a própria humanidade, consequência da busca de melhores condições de vida — mais caça e fontes de água na pré-história, mais espaço para fixar comunidades na Antiguidade, mais terra para cultivar e pastorear na Idade Média, mais territórios para ocupar no Novo Mundo, mais segurança e liberdade desde sempre. Ao longo do século XX, os deslocamentos seguiram a trilha aberta na Revolução Industrial: esvaziamento do campo e inchaço das cidades, culminando no aparecimento das megalópoles, capazes de aglomerar milhões de pessoas em uma área relativamente pequena. Como o ser humano é bicho que não se acomoda, nas últimas duas décadas o fluxo começou a se inverter, com as cidades médias atraindo um contingente de moradores urbanos cansados da vida corrida e atentos a economias que emergiam. Agora, veio a pandemia e, também no movimento migratório, seu onipresente efeito se fez sentir. Trabalhando a distância, livres da necessidade de bater o ponto no escritório, milhares de famílias estão pondo o pé na estrada, de mudança para recantos onde mais importante do que ganhar muito dinheiro e ter acesso ao que há de melhor em convívio social e cultura é poder desfrutar uma existência da mais alta qualidade.

O migrante de hoje difere do que já estava indo para o interior no sentido de tratar sua opção não como um sonho, mas como uma realidade que enxerga de olhos bem abertos, firmada na comparação concreta entre o que tinha na metrópole — emprego, restaurantes, escolas de primeira — e o verde e a tranquilidade usufruídos em uma mudança que era para ser temporária e virou definitiva. Seu novo chão se localiza, principalmente, nos municípios situados em um raio de 100 quilômetros ao redor das capitais — cidades com boa oferta de serviços de saúde e educação, razoáveis opções de lazer e um conceito retirado da obsolescência e catapultado à condição de ambição: o ritmo de vida típico do interior. Segundo a mais recente estimativa de população realizada pelo IBGE, a das cidades entre 100 000 e 1 milhão de habitantes vem crescendo na última década a um ritmo até 50% mais rápido do que nas capitais — estas, por outro lado, detentoras de expansão minguada, ou mesmo zero. Atualmente, dois de cada três brasileiros residem em municípios com não mais do que meio milhão de habitantes. “Até 2014, as grandes cidades atraíam muitos trabalhadores por causa da ampla oferta de emprego, mas a crise econômica mudou essa tendência”, explica José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo do IBGE.

Outra manifestação do atrativo pela almejada casa no campo — para morar mesmo, não para passar o fim de semana — está em uma pesquisa realizada pelo Zap+, que congrega os dois maiores portais de imóveis do Brasil, obtida com exclusividade por VEJA. Ela mostra que mais da metade — exatamente 59% — dos moradores de São Paulo e de Belo Horizonte, se tivesse de decidir neste momento sobre ir morar em um lugar menor, diria sim à mudança. No Rio de Janeiro, a disposição é ainda maior: 67%. O casal Fernanda, 44 anos, e Danilo Vasconcelos, 48, integra a turma dos novos migrantes. Por causa da pandemia, saiu de São Paulo e instalou-se com os filhos na casa de campo em Bragança Paulista, a 94 quilômetros de distância. Agora, resolveu que lá é o seu lugar: alugou uma casa ampla em condomínio fechado, matriculou as crianças em uma escola com 30 000 metros quadrados de área verde e planeja se mudar de vez. “Percebi que precisava de pouco para viver bem e que o contato com a natureza era fundamental. Não me vejo mais voltando a morar em São Paulo”, reconhece Fernanda.

João Tucci. Foto: Cristiano Mariz/VEJA

Sai avião, entra arara

João Tucci, 45 anos, analista financeiro

“Há dois anos comecei a questionar a vida em São Paulo, trabalhando doze horas por dia. Conheci a Chapada dos Veadeiros, me encantei, virei gerente de uma pousada e entrei para a ponte aérea. Na pandemia, mudei de vez. Agora, tomo banho de cachoeira, medito e, em vez de aviões, ouço o canto das araras.”

Os motivos citados para a virada de rumo são conhecidos: violência, poluição, trânsito e a brutal desigualdade social exposta nas metrópoles. O arquiteto carioca Hélio Pellegrino, 68 anos, desistiu do Rio de Janeiro e foi buscar a tal felicidade em Búzios, balneário a quase 200 quilômetros de distância. “No Rio, andar pela rua à noite, um dos grandes prazeres do carioca, passou a ser uma roleta-russa. Nunca se sabe quem será a próxima vítima”, critica Pellegrino, que tem assumido menos projetos e aproveita o tempo livre para pintar, tocar piano e violão e fazer caminhadas pela exuberante Praia da Ferradura. O fluxo para cidades menores tem, é claro, reflexo no mercado imobiliário. Na Baixada Santista, a compra e venda de imóveis subiu 31% no terceiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior, contra meros 5% na região metropolitana de São Paulo. Nas cidades no cobiçado raio de 100 quilômetros, área que engloba Sorocaba, Itu, Jundiaí, Bragança Paulista e Atibaia, os negócios cresceram embalados por uma taxa de 25%.

As casas que os migrantes urbanos estão comprando e alugando oferecem duas características imprescindíveis: área verde e cômodos que possam ser adaptados para home office. “Muitas famílias não têm renda para adquirir um imóvel com esse perfil em São Paulo e se mudam para o interior, onde o metro quadrado é bem mais barato”, explica Patricia Ferraz, diretora de relações institucionais do Registro de Imóveis do Brasil, que congrega cartórios de vários estados. “A pandemia escancarou nossa necessidade por espaço, tanto interno quanto externo”, diz Ju Collen, funcionária pública de 46 anos que está prestes a trocar Porto Alegre por Gramado, a 150 quilômetros de distância.

Luiz Soares. Foto: Pedro Silveira/VEJA

Troca de endereço

Luiz Soares, 48 anos, dono de confecção

“Vim para minha casa de veraneio na Praia do Forte para fugir da pandemia, mas me acostumei à rotina de esportes, banhos de mar e acesso aos bons restaurantes locais. Mudei de endereço: moro aqui e só apareço de vez em quando na casa de Salvador. Tenho qualidade de vida e segurança, sem perder o agito.”

Um dos motores econômicos que impulsionam a migração atual é a mudança profunda nas relações de trabalho trazida pela pandemia. A jornada de quem manteve o emprego durante o período de isolamento social caiu 14% e a renda média, em efeito dominó, diminuiu 20%, segundo uma pesquisa da FGV-RJ. Enquanto apertava o cinto, uma leva de brasileiros fez as malas em busca de vida mais simples e ao mesmo tempo de maior qualidade. O que se observa neste movimento é uma inesperada inversão das prioridades das famílias. “Nas classes mais abastadas, com recurso para mudanças radicais, ganhar dinheiro passou a ser menos importante do que aproveitar a vida”, ressalta Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

Helio Pellegrino. Foto: Alex Ferro/VEJA

Adeus, depressão

Hélio Pellegrino, 68 anos, arquiteto

“Morava em uma casa espaçosa no Rio de Janeiro e tinha um escritório de arquitetura bem-sucedido. Mas a violência e a desigualdade social me deixavam cada vez mais deprimido. Quando me instalei na casa de Búzios, vi que era para sempre. Aqui faço o que realmente gosto: pinto, toco violão, namoro e vou à praia.”

Um estudo do Ipea revelou que quase um quarto das ocupações brasileiras está apto a fazer a transição para o home office e são justamente os ocupantes dessas posições, em boa parte situadas no setor financeiro e de tecnologia, que mais se veem à vontade nestes tempos para mudar de vida. Durante quase duas décadas João Tucci, 45 anos, analista financeiro de uma grande empresa de consultoria, experimentou a rotina extenuante de até doze horas de trabalho por dia. Há cinco anos, em plena crise de identidade, conheceu a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e se apaixonou pelo local. Como em um namoro, ele passou a se revezar entre Alto Paraíso e São Paulo — até a chegada da pandemia desembocar em união estável. Tucci se mudou de vez para a Chapada e de lá presta sua consultoria aos clientes, além de ser gerente de uma pousada. “Continuo a fazer o que gosto, mas agora, em vez de barulho de avião na janela, tenho o canto das araras”, comemora, feliz da vida. Embora ainda esteja em fase de consolidação, o fenômeno já é encarado como uma nova etapa dos deslocamentos internos que a população empreende em épocas distintas.

A engrenagem que movimenta as migrações brasileiras tem uma relação histórica com os efeitos da desigualdade social. Mal as primeiras fábricas começaram a se instalar no país, há quase 100 anos, e milhões de pessoas das regiões mais pobres, principalmente do Norte e Nordeste, pegaram seus poucos pertences, deram adeus à zona rural e foram tentar a vida no Sul maravilha. Assim caminharam os brasileiros até o fim do século XX, quando a meia volta começou. A descentralização da indústria e a expansão das fronteiras agrícolas fizeram o interior ser atraente de novo e suas cidades entraram para o rol das localidades recebedoras de mão de obra, em uma dinâmica classificada de “rotatividade migratória”. No arranjo que se desenvolveu durante a pandemia, uma parcela dos migrantes combina o melhor dos dois mundos: muita gente, em vez de ir embora de vez, optou pela dupla residência. Dono de uma confecção de moda praia, Luiz Soares, 48 anos, morava em Salvador e costumava ir para a casa de veraneio na Praia do Forte, a 85 quilômetros, nos fins de semana e feriados. Para cumprir o isolamento social, acabou se instalando na segunda casa e inverteu a ordem dos endereços. Mantém um pé na capital, para compromissos de trabalho, mas mora mesmo na praia. “Aqui tenho qualidade de vida, conforto e segurança sem perder o agito”, alegra-se.

Ju Collen. Foto: Daniel Marenco/VEJA

Vida espaçosa

Ju Collen, 46 anos, funcionária pública

“Sempre quisemos ter um sítio para relaxar nas horas de folga. O isolamento no apartamento em Porto Alegre mudou nossos planos. Compramos um terreno em Gramado e nossa casa, com uma bela vista da Serra Gaúcha, acaba de ficar pronta, satisfazendo a necessidade de espaço interno e externo.”

Os especialistas antecipam que a migração de pessoas com recursos suficientes para sustentar duas casas deve levar riqueza e alterar de forma relevante o perfil de consumo dos municípios médios e pequenos. Atualmente, as cidades com até 500 000 habitantes concentram 68% da população, 58% do PIB e 237 dos 577 shopping centers em atividade no Brasil. A expectativa é que a proporção seja cada vez maior, à medida que o agronegócio se expanda e a busca de qualidade de vida se amplie — uma aliança que tem tudo para mudar para melhor a cara do interior. “O deslocamento das classes mais abastadas traz novos contornos aos processos migratórios e reflete a inserção do Brasil em um contexto global. O território perde importância, já que o mundo está conectado em rede e as relações ocorrem por meio da tecnologia”, explica Rosana Baeninger, demógrafa e professora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp. Nos Estados Unidos, onde as migrações rotativas são vistas há mais tempo, os municípios do entorno dos grandes centros urbanos já apresentam um perfil menos provinciano. “Muitos subúrbios estão se reformando e ganhando contornos mais urbanos, com centros comerciais, restaurantes e boas escolas”, lembra James Hughes, professor de planejamento urbano da Universidade Rutgers, em Nova Jersey.

Empurradas para as moradias mais amplas do entorno, em vez de se isolarem em minúsculos apartamentos, cerca de 100 000 pessoas acabaram optando de vez por sair de Man­hattan, o bairro mais habitado de Nova York, a meca cosmopolita do planeta, e pelo menos 30 000 foram embora de São Francisco ao longo da pandemia. Em compensação, Santa Maria e Santa Bárbara, nas imediações de Los Angeles, receberam 124% mais moradores neste ano, em comparação com o ano passado. Louisville, na encruzilhada entre Nova York e Chicago, ganhou 113% mais moradores e Buffalo, no estado de Nova York, aumentou sua população em 80%. A fuga da megalópole se repete em países como Japão — Tóquio subtraiu 30 000 habitantes — e Austrália, onde, desde março, 14 000 pessoas deixaram Sidney e 25 000 deram adeus a Melbourne. “Hoje, há uma competição por gente talentosa, criativa e inovadora. As cidades médias têm tudo para se beneficiar com a absorção dessa mão de obra qualificada”, diz Robert Muggah, fundador do Instituto Igarapé e uma das maiores autoridades sobre o tema. Enquanto a humanidade se desloca, o mundo se transforma.

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Opinião dos leitores

  1. Eu vou morar no Congo, lá é menos perigoso que o Brasil. Tem um ditador lá, mas nada que dê pra notar, aqui nem o presidente manda, tem 11 que determina.

  2. Vou comprar uma bucólica casa em São Gonçalo, Macaíba ou Extremoz. Lá vou viver feliz da vida e dormir com as portas abertas kkkkk

  3. Aqui para onde formos corremos perigo. Praias assaltos, arrastões, tiros, agressões , etc: Nos sítios e fazendas a mesma coisa. Todos trancados , medo, insegurança. E não temos perspectiva de melhoras. Se correr o bicho pega, se parar o bicho come. Lastimável mas é a VERDADE.

  4. Quero ver irem pra Tangará, Acari, Japi, Campo Redondo, Campo Grande, São Rafael, Coronel João Pessoa, Equador e enfrentar uma seca danada kkkkk

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Comportamento

Aumenta o número de jovens que excluem perfis em redes sociais para aproveitar a vida real

LONGE DO CELULAR - O escritor Enrique Coimbra abandonou até seu canal no YouTube: sem distrações – Brenno Prado/VEJA

“Meu conselho é: se puder sair das redes sociais, saia”, cravou Tristan Harris, ex-funcionário do Google, em entrevista a VEJA em setembro. Ele está no documentário da Netflix O Dilema das Redes, que detalha os riscos à privacidade das pessoas, que, em sua visão, acabam virando produtos do Facebook, Instagram, Twitter e outros. Se for tomado por base o estudo realizado pela agência de pesquisa Dentsu Aegis Network, muita gente já estava dando ouvidos ao conselho de Harris antes mesmo de ver o documentário. Foram entrevistadas 32 000 pessoas em 22 países, em março e abril, e o resultado foi surpreendente: entre os jovens de 18 a 24 anos, a Geração Z, um em cada cinco afirmou ter desativado suas contas nas redes sociais.

O número também impressiona por outro motivo: a debandada é duas vezes maior nessa faixa etária do que entre usuários acima de 45, mostrando que os mais velhos parecem se sentir menos afetados pelo admirável mundo novo. Entretanto, a maior preocupação apontada pelos que pularam fora das redes, em qualquer idade, é o dano que elas estariam causando à saúde mental. Mas qual seria, na prática, esse prejuízo psicológico? Harris diz que o ambiente virtual vicia. Trata-se de um processo químico no cérebro. Sempre que vivenciamos algo prazeroso, o neurotransmissor chamado dopamina é ativado, fazendo com que procuremos mais do mesmo, e receber curtidas no Facebook e Instagram dispara o processo. Na mesma medida, a sensação contrária é frustrante.

Foto: Reprodução/Veja

O escritor carioca Enrique Coimbra, de 28 anos, faz parte do grupo de desertores das redes sociais. Ele largou todas elas, até mesmo seu canal no YouTube, no qual dava dicas de controle emocional e tratamentos para ansiedade e depressão a mais de 200 000 inscritos. “Minha vida sem rede social melhorou 2000%. As pessoas não fazem ideia da manipulação emocional que elas nos impõem”, conta o escritor. Antes leitor assíduo de livros pelo celular, mudou para o leitor de e-book a fim de evitar distrações.

A Dentsu detalha a posição dos entrevistados brasileiros em sua pesquisa: 39% afirmaram que pretendem se distanciar do mundo virtual. A empresa ressaltou, porém, que resultados mais concretos devem ser observados quando a pandemia acabar. Com a Covid-19, as pessoas usaram mais o computador para trabalhar e se divertir, possivelmente ficando sobrecarregadas de tanto contato com as redes. Uma vez que as restrições forem sendo afrouxadas, elas talvez passem a se preocupar menos com a exposição a elas.

O cenário de polarização política e propagação de notícias falsas também tem tratado de afastar usuários. Muitos ficam desiludidos quando ofendidos e acabam se dando conta de que estão em um ambiente hostil. Há queixas dirigidas também a um dos maiores sucessos dos últimos anos, o TikTok, aplicativo que tomou o mundo. A psicóloga Marina Haddad Martins ressalta que as redes dão uma ilusão de falso preenchimento. “A Geração Z, que já nasceu na era da internet, talvez dê menos importância às redes do que os mais velhos, que pegaram a virada da tecnologia”, diz ela. Isso explicaria a disposição em largá-las. Eles estariam valorizando o palpável, a segurança emocional e as relações pessoais. Quem diria, o mundo real, este no qual sempre vivemos, parece estar na moda outra vez. Que bom.

Veja

Opinião dos leitores

  1. Ótimo que a maturidade da geração Z tá chegando, que o povo que são presos, a procurar do saber sobre vida dos outros estão perdendo , tempo que na juventudi vale ouro.. E que não se recupera na mesma qualidade, por que tudo tem o seu tempo de depreciação. Desde a paixão ate União, Tudo é real, menos a ilusão que são os fotógrafos da vida a leia. Nem tudo é real na vida digital. A única coisa real na vida digital é a velocidade do tempo perdido. Nas redes, você não só encontra conhecimento e comunicação, mas a futilidade e o vazio de pessoa querendo mostrar o que realmente não são. Pois são escravos do vício em querer viver dando satisfação na rede para pessoas que nem querem ver o mundo real, mas só o colorido digital que vai da anatomia e passa pela estética efêmera do ser vivo que não consegue viver fora da rede. É UM VAZIO IMENSO DE UM SER, QUE PREENCHE OLHANDO O PASSANDO E O PRESENTE EM FOTOS SEM PERCEBER QUE NÃO ENXERGA O FUTURO A QUATRO PALMO DOS OLHOS.

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Diversos

IBGE: Expectativa de vida no RN é a maior do Norte e Nordeste

Foto: Reprodução

 

A a Tábua Completa de Mortalidade de 2019, que foi divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destaca que a expectativa de vida no Rio Grande do Norte é a maior entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste.  De acordo com o órgão, a expectativa de vida do potiguar ao nascer aumentou de 76,2 anos em 2018 para 76,4 anos em 2019. No ano anterior, o estado já possuía a maior média das regiões. O número, no entanto, ainda fica abaixo da média nacional, que é de 76,6 anos.

A pesquisa indica ainda que a diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres no estado é a sexta maior entre as 27 unidades da federação. Essa diferença é de 8 anos. No Rio Grande do Norte, a expectativa de vida da mulher ao nascer é de 80,4 anos, enquanto a dos homens é 72,4 anos.

Essa disparidade é menos apenas do que no Pará (8,1 anos), Sergipe (8,5 anos), Piauí (8,6 anos), Bahia (9,2 anos) e Alagoas (9,5 anos).

Ainda de acordo com a Tábua de Mortalidade, aos 60 anos de idade, a expectativa de vida da mulher potiguar atingiu 24,5 anos adicionais. Já a do homem, 20,4 anos.

Um outro ponto também chama a atenção no levantamento, ao destacar que o Rio Grande do Norte também tem a maior probabilidade de uma pessoa de 60 anos de idade completar 80 anos entre os estados do Norte e Nordeste. Segundo a perspectiva da pesquisa, de cada 1 mil pessoas que chegavam aos 60 anos de idade em 2019, 619 atingiriam os 80 anos.

No registro por gênero, 691 a cada 1 mil mulheres de 60 anos atingiriam os 80 anos de idade. Entre os homens, são 535 – o que dá 156 óbitos a mais que na população feminina.

Com acréscimo de informações do G1

Opinião dos leitores

  1. Me engana que eu gosto,com tanta gente no Nordeste passando fome,como vai viver tudo isso,o ibge é manipulado co.o tudo no governo.

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Diversos

IBGE: esperança de vida do brasileiro aumentou 31,1 anos desde 1940

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A expectativa de vida dos homens passou de 72,8 anos em 2018 para 73,1 anos em 2019 e a das mulheres foi de 79,9 anos para 80,1 anos. Desde 1940, a esperança de vida do brasileiro aumentou em 31,1 anos. Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos.

Essas são algumas informações das Tábuas Completas de Mortalidade para o Brasil, referentes a 2019, divulgadas hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa de vida fornecida pelo estudo é um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social.

Segundo o IBGE, em 1940, uma pessoa ao completar 50 anos, por exemplo, tinha uma expectativa de viver mais 19,1 anos. Já em 2019, a esperança de vida para uma pessoa nessa faixa etária seria de 30,8 anos. Atualmente vive-se, em média, quase 12 anos mais.

No entanto, a expectativa de vida muda conforme a idade da pessoa e o sexo, sendo que a taxa de mortalidade dos homens é sempre superior à das mulheres. Aos 20 anos, a chamada sobremortalidade masculina atinge seu pico. Em 2019, um homem de 20 anos tinha 4,6 vezes mais chance de não completar os 25 anos do que uma mulher do mesmo grupo de idade.

De acordo com o demógrafo do IBGE, Fernando Albuquerque, na faixa entre 15 e 34 anos, existe maior disparidade entre a taxa de mortalidade da população masculina em relação à feminina. “Isso ocorre devido à maior incidência de óbitos por causas externas ou não naturais, como homicídios e acidentes, que atingem com maior intensidade a população masculina jovem. A expectativa de vida masculina no país poderia ser superior à que se estima atualmente, se não fosse o efeito das mortes prematuras de jovens por causas não naturais”.

Entretanto, de forma geral, em todas as faixas houve declínio da mortalidade ao longo do tempo. Para o IBGE, o fato de que, em 1940, a população de 65 anos ou mais representava 2,4% do total e, em 2019, o percentual passou para 9,5% é um indicativo de que os brasileiros estão vivendo por mais tempo.

Segundo o instituto, um modo de se perceber esse movimento de maior longevidade é observar a probabilidade de uma pessoa que atingiu os 60 anos chegar aos 80 no país. “A diminuição da mortalidade nas idades mais avançadas fez com que as probabilidades de sobrevivência entre 60 e os 80 anos de idade tivessem aumentos consideráveis entre 1980 e 2019 em todas as unidades da federação, chegando a alguns casos a mais que dobrarem as chances de sobrevivência entre estas duas idades”, disse Albuquerque.

Em 1980, de cada mil pessoas que chegavam aos 60 anos, 344 atingiam os 80 anos de idade. Em 2019, esse número passou para 604 indivíduos na média do Brasil.

Mortalidade infantil

A mortalidade infantil caiu de 12,4 por mil em 2018 para 11,9 por mil em 2019. De 1940 a 2019, a mortalidade infantil caiu 91,9%, sendo que a taxa de mortalidade entre 1 a 4 anos de idade diminuiu 97,3%.

Em 1940, a taxa de mortalidade infantil era de cerca de 146,6 óbitos para cada mil nascidos vivos; já em 2019, a taxa foi de 11,9 por mil. A taxa de mortalidade para crianças de até 5 anos caiu de 212,1 por mil para 14 por mil nesse mesmo período, sendo que cerca de 85,6% das crianças que não chegam aos 5 anos morreram no primeiro ano de vida e 14,4% entre 1 e 4 anos de idade.

A meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para o Brasil é de, até 2030, reduzir a mortalidade neonatal para, no máximo, cinco por mil e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para, no máximo, oito por mil.

Agência Brasil

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Diversos

Expectativa de vida no Brasil sobe para 76,6 anos em 2019

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2019 era de 76,6 anos, segundo dados da Tábua da Mortalidade, divulgados hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa é 0,3 ano superior à de 2018, divulgada na pesquisa do ano passado (76,3 anos).

A Tábua da Mortalidade é divulgada anualmente pelo IBGE e usa como referência dados de 1º de julho do ano anterior.

O dado, que é uma média da expectativa de vida dos dois sexos, foi publicado na edição de hoje (26) do Diário Oficial da União. A divisão do dado, por sexo, será feita às 10h pelo IBGE.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

  1. Com o Véio Bolsonaro, até a expectativa de vida do cidadão Brasileiro aumenta. Eita Véio Bom, Eita Véio chibateiro.
    É Mito, o Mito disparou, disparou.

  2. ixi, agora o Bozo e sua trupe que se baseia na bíblia, ele quer ser o faraó que escravisa o povo, vai fazer outra reforma e o povo vai ter que trabalhar até 70. Os mínions vão achar ótimo e aplaudir enquanto morrem antes de aposentarem.m

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Diversos

Missões espaciais apostam na descoberta de vida fora da Terra

Foto: © NASA/JPL-Caltech/Handout via REUTERS /Direitos Reservados

A busca por água fora da Terra – em outros planetas e luas – tem aquecido os estudos e achados astronômicos.

O recente anúncio da detecção de moléculas de água em parte da Lua que é iluminada pelo Sol fez crescer a expectativa pela construção de uma base lunar. Isso ocorre às vésperas da missão Artemis, da Nasa, a agência espacial norte-americana, que levará a primeira mulher ao nosso satélite e que está prevista para 2024.

Mas, por que encontrar água fora da Terra é tão importante?

”Pelo que a gente conhece da vida aqui na Terra, um componente básico que todos os seres precisam é a água. Por isso, que essas missões procuram primeiro um lugar que tenha água líquida, para então procurar por indícios mais sofisticados de vida, como por exemplo as moléculas orgânicas, DNA, RNA, lipídios ou outras moléculas das quais as células são feitas”, responde o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Douglas Galante.

Para ele, a água é um ”fator fundamental da vida como a gente conhece aqui, e muito provavelmente da vida em outros lugares no universo. Por isso, as missões de procura por vida, primeiro procuram por água”, diz.

Além da Lua, aqui no nosso sistema solar, o recurso natural foi confirmado em estado líquido no polo sul de Marte.

Segundo estudos de um grupo de italianos publicados na revista Science, existem bolsões de água no Planeta Vermelho de forma intermitente. Antes, as pesquisas mostravam a água na forma de gelo, que derretia na superfície apenas durante o verão.

O planeta, que já teve características parecidas com as da Terra há bilhões de anos, agora é o caminho de pelo menos três missões – dos Estados Unidos, da China e dos Emirados Árabes.

Diante dos achados, a pergunta que pode ser respondida na próxima década: Marte já teve ou ainda abriga alguma forma de vida?

”Existem várias missões que estão sendo enviadas para Marte neste momento e todas elas têm forte componente da astrobiologia. Ou de procurar indícios de vida – vida passada, que está fóssil, morta ou vida presente, possivelmente em alguns locais habitáveis em Marte.”, diz o pesquisador.

Douglas Galante explica que as missões em curso estão focadas em investigar locais onde tenha existido água.

“A gente sabe que Marte teve água abundante no passado e ainda tem água hoje em dia em locais específicos, em algumas colinas, na subsuperfície e mesmo água salobra. Nessas regiões existe grande chance de ter vida presente”, acrescenta.

Ainda no nosso sistema solar, os achados de sondas espaciais mostram vapor de água sendo expelido em luas, como Europa – de Júpiter – e Encélado – de Saturno. E isso pode indicar que existem oceanos embaixo de uma crosta de gelo, assim como já foi identificado em Titã, outra lua de Saturno.

Nos últimos anos também vimos o aumento de descobertas de exoplanetas – aqueles que ficam fora do nosso sistema solar.

Alguns são chamados de ”superterras”, por apresentarem características em comum com o nosso planeta. Eles ficam em zonas potencialmente habitáveis, ou seja, têm temperatura e radiação ideais, além de estar na distância ideal das estrelas que orbitam.

Um exoplaneta, em especial, chamou a atenção: o k2 18b, que foi descoberto por cientistas do Reino Unido. Ele tem oito vezes a massa da Terra, está a mais de 100 anos-luz daqui e há indícios de oceanos e água em estado líquido por lá.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

  1. Por isso que não estão nem aí com aa emissões de carbono, pq quem vai ganhhar dinheiro com a degradação do meio ambiente, pode até ir morar em outro planete, e que ficar que se foda.
    Num foi assim com os condomínios.
    O próximo que se exploda!

  2. Gastam milhões em busca de água em outros planetas. E não gastam quase nada pra preservar a água que temos aqui.

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Diversos

“Há sinais de vida fora de terra”, diz astrofísica portuguesa que descobriu indicativo de seres em Vênus

Foto: Arquivo pessoal

Nós, humanos, estamos sozinhos no universo? Esse questionamento de cunho científico e filosófico sempre me fascinou. A curiosidade me fez seguir a carreira de astrofísica e me tornei uma caçadora de moléculas que indiquem a presença de vida em outros planetas. Há uma década, decidi derramar atenção sobre um composto específico, a fosfina. Aqui na Terra, trata-se de um gás incolor, malcheiroso e extremamente tóxico, que resulta da decomposição de matéria orgânica. É, portanto, um marcador importante de vida, que se manifestaria na forma de bactérias. Descobrir que a substância estava lá, na atmosfera de Vênus, um planeta vizinho, me deixou em estado de choque. A ciência é assim: você pode passar uma existência cavucando um ponto e de lá não sair nada. Neste tempo em que me dediquei à hipótese de vida em Vênus, o assunto era visto com desdém pela comunidade acadêmica. Dei palestras e escrevi artigos sobre o tema, mas não despertavam interesse. Ganhei até um apelido: Doutora Fosfina. Era um trabalho árduo e solitário cujo sucesso, para ser sincera, achava improvável.

Tudo mudou há um ano, quando fui procurada pela astrônoma Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Recebi um e-mail em que ela dizia: “Clara, você é expert em fosfina e acabei de achar essa molécula em Vênus. Isso é estranho, certo?”. Respondi imediatamente: “Você tem certeza? É uma loucura. Se estiver certa, será fantástico, mas deve haver algum erro”. Esse foi o início de uma força-tarefa que envolveu cientistas dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Japão. Convivemos meses com a angústia de uma dúvida crucial: se há de fato fosfina em Vênus, seria este um sinal inequívoco de vida? Tratamos a hipótese com ceticismo e colocamos novas hipóteses à mesa. Será que fora um raio cósmico que interagiu com a atmos­fera de Vênus? Ou algum evento desencadeado pelo Sol? Avançamos e comprovamos que era mesmo fosfina. E assim o estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Humanos são excessivamente antropocêntricos. Entendemos a vida como algo que tenha de ter relação conosco. Mas não há razão para o universo somente criar existências que nos pareçam agradáveis. Em nosso próprio planeta, há seres que produzem gases tóxicos, como os que habitam as profundezas abissais dos oceanos. Quero que a comunidade científica pense além das formas de vida que enxergamos como ideais. Afinal, a possibilidade de esbarrarmos com alienígenas que cheirem bem é quase zero. Terra e Vênus têm características em comum — em certos pontos, a temperatura lá é de 30 graus, muito semelhante ao verão no Brasil (embora na maior parte do planeta atinja os 400 graus). As atmos­feras, porém, são completamente distintas. Se confirmarmos a existência de vida nesses dois astros tão diversos, a hipótese de ela ser plausível em outros cantos da galáxia, onde orbitam bilhões de planetas, não é pequena. Ao contrário, parece inevitável.

Em nome do rigor científico, faremos ainda uma vasta investigação até cravar que aquele sinal encontrado em Vênus é, concretamente, vida. Também temos de observar se existem outras moléculas por lá. As tais bactérias, se confirmadas, fazem parte de um ecossistema, que produz demais compostos químicos. Empreender essa busca a distância, com telescópios, é missão complicada. Nosso grupo elaborou uma lista com mais de 16 000 moléculas que podem indicar vida fora da Terra. Fiz um cálculo que dá a dimensão do desafio: se investir o mesmo tempo que empreguei no caso da fosfina para investigar todas elas, gastaria 62 000 anos apenas com Vênus. Mas não estou mais sozinha. Há um monte de gente por aí na mesma aventura. A jornada está no princípio, mas tenho certeza de que abrimos uma porta para a humanidade dar um salto no saber e se colocar em perspectiva na imensidão do universo.

Depoimento dado a Ernesto Neves

Veja

 

Opinião dos leitores

  1. Pega a boiada ?, uns 3 ou 4 caminhões ? de feno, uns caminhões pipa d’água e manda pra lá.
    Eles levam o miliciano, aí ficam elegendo ele de 30 em 30 dias

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Diversos

Anúncio de sinal de vida em Vênus é ‘imprudente’ e ‘precipitado’, diz astrofísica brasileira associada à Nasa

Astrofísica brasileira Duilia Fernandes de Mello pede cautela pede cautela na divulgação de gás que poderia indicar a presença de micróbios na atmosfera de Vênus — Foto: Duilia de Mello/ BBC

Março de 2014: cientistas chocam o planeta com o anúncio da detecção de ondas gravitacionais descritas como “ecos” do Big Bang, em uma descoberta retratada como das mais importantes da história sobre as origens do universo. O anúncio é destaque nas principais revistas científicas e especialistas dão o prêmio Nobel como certo para a equipe de astrônomos.

Janeiro de 2015: os mesmos cientistas voltam atrás, pedem desculpas à comunidade científica, e afirmam que o que haviam descrito como reflexo da megaexplosão que aconteceu há 14 bilhões de anos era na verdade uma interpretação equivocada. As ondas atribuídas ao Big Bang eram, na verdade, sinais emitidos pela poeira que se espalha pela Via Láctea. A descoberta virava pó.

Foto: NASA / JPL-Caltech

Cinco anos depois, na segunda-feira (14), veio o anúncio da descoberta de um gás que, apesar de várias ressalvas apontadas pelos próprios cientistas, pode indicar a presença de micróbios na atmosfera de Vênus. Divulgada pela revista “Nature Astronomy” e pela Sociedade Astronômica Real, de Londres, a descoberta causou euforia e foi vista, por muitos, como o indício mais forte de vida extraterrestre já anunciado pela ciência.

Explica-se: no planeta Terra, as mesmas moléculas de fosfina identificadas pelo estudo em Vênus só existem na natureza como fruto da ação de seres microscópicos que vivem nas entranhas dos animais e em ambientes pobres em oxigênio, como pântanos.

Como não há outra explicação para a presença natural de fosfina além da atuação destes micróbios, a descoberta poderia ser um sinal concreto de vida na atmosfera venusiana. Mas cientistas importantes como a astrofísica brasileira Duilia Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Católica de Washington e pesquisadora junto à Nasa há 18 anos, pedem cautela.

“As pessoas, às vezes, na ansiedade de mostrar resultados, acabam cometendo erros”, diz a professora em entrevista à BBC News Brasil.

Na avaliação da brasileira, responsável pela descoberta da supernova SN1997 (supernovas são as megaexplosões que ocorrem no fim do ciclo de uma estrela) e participante da equipe que identificou as chamadas “bolhas azuis” (aglomerados estrelares detectados pelo famoso telescópio Hubble), o anúncio sobre Vênus é “imprudente”, carece de “confirmação” e pode ser fruto de uma “coincidência”.

“Estamos em uma fase muito complicada da ciência, com as pessoas negando a ciência. Então é preciso ser muito cuidadoso.”

Coincidência?

Liderada por astrônomos da Universidade de Cardiff, no País de Gales, em parceria com outros cientistas no Reino Unido, nos EUA e no Japão, a pesquisa identificou a presença de moléculas de fosfina em Vênus por meio de ondas de rádio pelo telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí.

Elas foram confirmadas por um conjunto de 45 das 66 antenas que formam uma espécie de telescópio gigante no importante observatório Alma, que fica no deserto do Atacama, no Chile.

(mais…)

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Diversos

O que a ciência já achou e onde faz buscas por vida fora da Terra

Em 2016, o telescópio Hubble registrou água jorrando na superfície de Encélado, a lua de Saturno. — Foto: Nasa

Um grupo internacional de cientistas informou nesta segunda-feira (14) ter encontrado moléculas de fosfina na superfície de Vênus, um gás que não é produzido naturalmente na Terra, indicando, assim, que pode existir vida microbiana no planeta vizinho.

A notícia animou a comunidade científica que busca indícios de vida extraterrestre, mas os pesquisadores afirmaram que novos estudos precisam ser realizados na superfície de Vênus para que se comprove que a fosfina encontrada no planeta é produzida pela ação de micróbios. (Veja mais abaixo)

O astrobiólogo e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Douglas Galante, explica que a descoberta é importante, mas lembra que esta não é primeira vez que se descobre fosfina na superfície de um planeta.

“A fosfina já foi encontrada na superfície de Saturno. Depois, os cientistas descobriram que ela é produzida naturalmente lá, e não pela ação de um ser vivo, como acontece na Terra. Agora os cientistas precisam descobrir qual é a fonte da fosfina em Vênus”, explica o astrobiólogo.

“Até hoje, não encontramos nenhuma evidência incontestável de vida extraterrestre. A ciência ainda não comprovou a existência de vida em outros planetas”, diz Galante. “Mas onde tem água e onde tem fonte de energia, a ciência está lá procurando por vida.”

Além da fosfina em Vênus, a ciência fez outras descobertas importantes recentemente, como a descoberta de água em Marte e de condições promissoras em uma lua de Saturno coberta de gelo, a Europa. (veja mais abaixo)

“Quando falamos nas apostas de vida fora da Terra, existem pesquisadores que apostam em Marte, assim como existem os que apostam muito mais nas luas geladas de Júpiter e Saturno”, conta Galante, que tem se debruçado sobre as possibilidades do solo marciano.

E não param por aí as apostas. Segundo uma das autoras do estudo que descobriu a fosfina em Vênus, a busca por vida fora da Terra está a todo vapor – seja em Vênus ou em algum dos milhares de planetas que a ciência já descobriu no universo.

“Estamos procurando por sinais de vida em exoplanetas, procurando por gases que não esperamos que estejam lá e há muitas missões em busca de potenciais sinais de vida em nosso Sistema Solar”, informou Sara Seager, professora do MIT.

Água líquida em Europa

Em novembro de 2019, cientistas conseguiram identificar a presença de vapor d’água em Europa, uma das luas de Júpiter. Uma das observações mostrou que o volume de água expelida na forma de vapor seria suficiente para encher uma piscina olímpica em poucos minutos.

Jatos d´água semelhantes também foram detectados jorrando da superfície na lua Enceladus, de Saturno.

“Essas luas [Enceladus e Europa] têm enormes oceanos de água líquida debaixo de uma crosta de gelo, uma espécie de Antártica com um oceano embaixo do seu gelo”, explica Galante, que defende que ambas luas têm condição para a vida microbiana.

O astrônomo Cássio Barbosa explicou à época que a descoberta era animadora, principalmente porque a água encontrada em Europa estava na forma líquida.

“Se alguém quiser detectar vida fora da Terra, deve começar sua procura por locais que tenham água. Não gelo e nem vapor, água líquida mesmo. O motivo é muito simples, a vida como conhecemos se desenvolveu com a água como o meio líquido que, entre outras coisas, intermedeia as trocas de substâncias ao nível celular”, comentou Barbosa.

Vida em Marte?

O queridinho dos filmes e da literatura quando se fala em vida extraterrestre, contudo, ainda é Marte.

Galante lembra que a ciência ainda não comprovou a existência de vida em Marte, mas afirma que a sua fama se deve, principalmente, à sua semelhança com a Terra.

“Marte é o planeta mais próximo da Terra. Ele em uma atmosfera razoável para a vida, mesmo que mais rarefeita, e tem água. Aliás desde os primórdios da astronomia, já se observa na superfície de Marte marcas na forma de rios, de lagos e de oceanos. Ou seja, sabemos que Marte teve água líquida em abundância na superfície no passado”, afirma Galante.

Apesar de não ter sido mais encontrada água líquida na superfície do planeta marciano, ele ainda conserva a água.

“Estudos modernos mostram que existe água na forma de gelo e até água líquida, mas embaixo do solo”, explica o astrobiólogo.

A Agência Espacial Europeia (ESA) enviou neste ano o jipe Rosalind Franklin em uma missão para percorrer a superfície de Marte. Entre outras coisas, o jipe irá procurar por depósitos subterrâneos de gelo (com capacidade de perfuração e aquisição de amostras) e terá um laboratório para identificação de moléculas orgânicas, que podem denunciar a atividade de vida microbiana.

Vale destacar que tanto a missão Curiosity quanto a missão Mars 2020 também têm por objetivo explorar o solo marciano em busca de sinais que evidenciem vida.

Metano e etano em Titã

Titã, uma lua de Saturno, também se tornou de interesse na busca por vida após um estudo publicado no final do ano passado revelar que Titã tem um ciclo hidrológico igual ao da Terra, mas com a diferença que, no lugar da água, o elemento líquido na lua é o metano e o etano.

Segundo os cientistas, um dos pré-requisitos para que a vida surja e se desenvolva é haver um meio líquido. Apesar da vida terrestre ser baseada na água, metano e etano líquidos poderiam servir como meio aquoso para a condição da vida.

“É claro que a vida baseada em hidrocarbonetos líquidos seria muito diferente da vida baseada em água e provavelmente não haveria estruturas muito mais complexas do que seres unicelulares. Ainda assim, seria vida e motivo de todo o interesse da ciência”, explicou Cássio Barbosa em seu blog sobre o estudo de Titã.

Fosfina em Vênus

Vênus já foi considerado um planeta parecido com a Terra, mas a esperança de encontrar vida nele acabou quando se descobriu que sua superfície era a mais quente do Sistema Solar.

“No passado, há 4 bilhões de anos, Vênus teve muito provavelmente condições parecidas com a Terra, mas ele entrou num efeito estufa descontrolado, que aumentou a temperatura da sua superfície até alcançar o extremo. Atualmente, ele é um planeta extremamente quente, com cerca de 450ºC na sua superfície. Por isso, ele era tido como um ‘planeta morto'”, explica Galante.

Com a descoberta de fosfina em sua superfície nesta segunda, a fama de ‘planeta morto’ promete ficar no passado.

Em 2016, a Nasa já havia publicado um estudo levantando a hipótese de que Vênus pode ter tido um clima habitável e água líquida em sua superfície no início de sua existência. Foi neste mesmo ano, aliás, que o grupo de cientistas que descobriu a fosfina em Vênus nesta segunda-feira começou a observar o planeta venusiano em busca de sinais de vida.

G1

 

Opinião dos leitores

  1. Ainda tem gente que acredita, até mesmo nas baboseiras que falam que um planeta que está a um milhão de anos luz da Terra é igual ao nosso planeta.
    para manterem o emprego ficam inventando estas insanidades.

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Diversos

Entenda a descoberta que pode indicar sinal de vida em Vênus

Imagem: buradaki/Getty Images/iStockphoto

Os indícios de que possa haver algum tipo de vida em Vênus vieram de um composto químico bem específico: a fosfina. Composta de fósforo e três hidrogênios, a molécula foi encontrada cerca de 50 km acima do solo de Vênus, uma região bastante diferente do ambiente extremamente hostil do planeta.

Isso levou um time internacional de astrônomos a anunciar a detecção de evidências de que pode haver vida fora da Terra. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy e divulgado em uma transmissão da Royal Astronomical Society no YouTube, apontando para uma possível atividade microbiana na atmosfera de Vênus.

Mas calma, a impressionante descoberta não significa que vamos ter que aprender uma língua extraterrestre para nos comunicar. O local em que ela foi encontrada, contudo, pode abrigar algum tipo de vida.

“Essa zona onde a fosfina foi encontrada é uma de temperatura baixa, em torno de 50º C. É mais fácil pensar que um organismo vivo sobreviveria a essa condição. Até temos seres que vivem em altas temperatura e pressão (na Terra), mas tão alto (como em Vênus), é muito complicado. As condições na superfície são bastante extremas”, explica Diana Paula Andrade, astroquímica e professora do Observatório do Valongo.

Quais organismos produzem a fosfina?

A superfície de Vênus e bastante acidentada, com temperaturas beirando os 470º C, alta concentração de dióxido de carbono (97%), nuvens de ácido sulfúrico, chuva ácida e ventos de até 724 km/h. Quais seres vivos seriam capazes de sobreviver a tais condições?

“Os organismos que estariam lá (em Vênus) seriam os chamados organismos extremófilos, ou seja, capazes de lidar com ambientes extremos. São bactérias, fungos e arqueias, organismos que encontramos nos mais variados ambientes extremos na Terra”, sugere Douglas Galante, astrobiólogo e pesquisador do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais).

Na Terra, condições tão extremas como Vênus podem ser encontradas em ambientes como do fundo dos oceanos até o alto da estratosfera, como explica Galante. “Encontramos organismos extremófilos também no reator de Chernobyl ou ainda nos desertos”, lembra.

Contudo, Galante ressalta que não quer dizer que esse mesmo organismo que vive no deserto terrestre vai viver na superfície de Vênus, mas que “é possível que tenham uma estrutura muito parecida”.

Pão e vinho

A fosfina é um hidreto de fósforo, ou seja, uma molécula composta de três fósforos e hidrogênio. Sua formação se dá, segundo Andrade, a partir de seres bióticos, que não precisam do oxigênio para viver. Ela também pode ser formada a partir da natureza por seres abióticos – ou seja, pode ser uma versão que não precisa de vida para isso.

Cientistas apontam que na Terra a fosfina é produzida em regiões com ausência de oxigênio como pântanos, lama e matéria orgânica em degradação. “A formação da fosfina ainda está sendo estudada. Uma coisa que sabemos com certeza é que microorganismos anaeróbicos a metabolizam na ausência de oxigênio”, aponta Galante.

Encontrar organismos que produzem a fosfina não é tão complicado assim em nosso planeta. De acordo com Douglas Galante, podemos encontrá-los em um alimento que consumimos quase que diariamente: o pão.

“Existe uma levedura, a mesma que faz a fermentação do pão ou do açúcar para produzir álcool, que produz fosfina dentro do vinho, capaz de azedar e estragar a bebida. São microorganismos que metabolizam na ausência de oxigênio”, explica o astrobiólogo.

Importância para estudos

Sendo assim, mesmo que a Nasa (agência espacial norte-americana) decida enviar uma sonda para Vênus, provavelmente não vamos encontrar um alienígena como os dos filmes dando um tchau para a câmera. Contudo, a descoberta divulgada hoje não é em vão e deve desencadear uma série de estudos.

“Certamente não veremos um alienígena como no imaginário popular. Mas, mesmo que fossem apenas microorganismos, seria muito empolgante encontrar vida fora da Terra. Esse trabalho não mostra com certeza que existe vida, mas mostra que a fosfina está lá e que ainda não conhecemos nenhuma explicação para essa fosfina em Vênus que não seja pela vida”, ressalta Galante.

A professora do Observatório do Valongo é ainda mais cautelosa. Ela relembra outras descobertas parecidas e que causaram alvoroço na comunidade científica.

“Estou um pouco pessimista em relação a essa coisa, acho um pouco sensacionalista. Pode ser vida microbiótica, mas pode não ser. Pode existir uma outra explicação que os cientistas ainda não descobriram. Isso já aconteceu outras vezes, como no caso de Titã (satélite de Saturno). A presença de fosfina na atmosfera do planeta vizinho não é, necessariamente, sinal de vida”, encerra.

UOL

 

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