Serguei, um dos maiores símbolos do rock no Brasil, morre aos 85 anos no RJ

Serguei durante apresentação no Centro Cultural São Paulo, em novembro de 2017 — Foto: Van Campos/FotoArena/Estadão Conteúdo/Arquivo

O cantor Serguei morreu na manhã desta sexta-feira (7), no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda (RJ), onde estava internado desde o fim de maio. Ele tinha 85 anos. De acordo com a direção do hospital, Serguei ficou 11 dias na UTI e morreu por problemas cardíacos, ocasionados por pneumonia, desnutrição e complicações senis.

Serguei havia sido internado no início de maio em um hospital em Saquarema (RJ), cidade onde morava, com um quadro de desidratação, desnutrição e infecção urinária. Segundo os médicos, ele sofria de Alzheimer. No final do mês, apresentou arritmia severa e insuficiência respiratória aguda. Com o agravamento de seu estado de saúde, foi transferido para Volta Redonda.

O cantor nasceu em 8 de novembro de 1933, filho único do executivo Domingos Bustamante e da dona de casa Heloísa Bustamante. Aos 12 anos, foi morar com a avó materna, Lia Anderson, em Long Island, Nova York, onde participou de festivais estudantis.

Voltou ao Brasil em 1955, aos 22 anos, mas depois retornou aos Estados Unidos, onde começou sua carreira musical, em 1966. Voltou ao Brasil novamente em 1972 e foi morar na cidade de Saquarema, no Rio de Janeiro. Foi quando começou a ficar famosa a história de que ele havia tido um affair com a cantora Janis Joplin.

O músico era conhecido por fazer versões de clássicos do rock, sempre com uma performance, um visual e um discurso exagerados. Seu visual era marcado por roupas rasgadas, maquiagem, vários acessórios, camisas pretas e cabelos longos.

Serguei se apresentou em quatro edições do Rock in Rio (1991, 2001, 2011 e 2013) e teve a casa em Saquarema transformada em um museu do rock.

Entre seus feitos no palco, abriu a segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã. Em 2001, voltou ao festival e cantou “Satisfaction”, dos Rolling Stones.

“O primeiro Rock in Rio que eu fiz foi uma maravilha pra mim. Eu pedi para as pessoas sentarem no gramado do Maracanã e me despenquei lá de cima”, relembrou ao G1, em 2015.

“Eu estava com uma calça de helanca [espécie de lycra], levaram duas dúzias de rosas vermelhas, eu tirei os espinhos e enfiei dentro da cueca. Depois eu dei uma jogada de corpo, enfiei a mão, tirei a rosa, dei uma lambida e joguei no público. Em 2001 eu cantei a música dos Stones, depois arranquei as calças e joguei pra multidão.”

O cantor também foi destaque do carnaval do Rio pela Mocidade Independente, em 2013, quando a escola desfilou na Marquês de Sapucaí um enredo dedicado ao Rock in Rio. Ele saiu na comissão de frente com uma inusitada fantasia com a frase “Eu comi a Janis Joplin”.

G1

Morre, aos 85 anos, criador do jingle “Silvio Santos vem aí”

O compositor Archimedes Messina, que ficou famoso como criador de jingles publicitários e pela música que consagrou Silvio Santos em seu programa, morreu nessa segunda-feira (31 de julho) aos 85 anos em São Paulo.

O compositor passou mal no domingo, chegou a ir ao hospital, mas acabou não resistindo a uma ruptura de um vaso do fígado. O amigo Alexande Guerra, cujo pai trabalhou com Messina na década de 60, confirmou a morte de Messina ao UOL.

“Foi totalmente inesperado. Ele tinha uma boa saúde”, disse Guerra.

Messina deixa mulher e dois filhos. O velório acontece nesta terça e o enterro está marcado para quarta-feira, na Vila Mariana, São Paulo.

Briga com Silvio na Justiça

Archimedes Messina se tornou conhecido como criador de mais de 400 comerciais para rádio e televisão. São de sua autoria, por exemplo, jingles famosos da Varig e da marca Café Seleto. Mas foi com Silvio Santos que ele alcançou tamanha projeção que chegou a parar na Justiça.

O compositor travou uma briga pelos direitos da música que consagrou o animador de auditório e dono do SBT. Em 2001, Messina venceu o processo por danos morais e a Justiça determinou que ele recebesse uma indenização milionária. Após um acordo, feito em 2012, Silvio voltou a usar a canção dos versos “Do mundo não se leva nada / Vamos sorrir e cantar/ Lá, lá, lá, lá… Silvio Santos vem aí…” em seu programa.

“Foi uma briga longa, que ele [Messina] chegou a me contar. Era um cara muito gentil, delicado, que brigou pelos direitos dele. Ele tentou conversar com o Silvio, mas o Silvio achava que não devia nada. Depois, eles fizeram um acordo. É uma música emblemática”, diz Alexandre.

“Não imaginava virar publicitário”

Archimedes Messina começou a trabalhar com novelas para rádio, na década de 60, na Rádio São Paulo. Ele também escreveu marchinhas de carnaval, como “A Marcha do Pam Pam” e “Faz um 4 Aí Que Eu Quero Ver”, além de mais de 400 comerciais de rádio e televisão.

Em entrevista para a Jovem Pan Online, em agosto de 2009, ele disse a publicidade aconteceu por acaso em sua vida.

“Nunca imaginei que fosse, de repente, virar publicitário. A verdade é que sempre fui apaixonado por rádio. E deu sorte”, falou Messina. Foi com o jingle “Seu Cabral”, da campanha da Varig para rádio e televisão, que ele dizia ter “entrado com o pé direito” na publicidade.

“No meu caso, eu não tive oportunidade de fazer uma faculdade de publicidade, mas tive a chance de ler muito, ouvir muito e estar em contato com grandes publicitários. Agradeço também por ter um dom musical, embora eu não seja músico, que me ajudou muito”, falou o publicitário na entrevista para a Jovem Pan.

UOL