Delações da ‘Cidade Luz’ iluminam segredos da Semsur e escurecem futuro de Carlos Eduardo

Ex-prefeito enfrenta procedimento de investigação que ainda está no Tribunal de Justiça e não desceu à primeira instância

 

Nove dias após ter sido reeleito prefeito de Natal no primeiro turno, em 11 de outubro de 2016, o então prefeito Carlos Eduardo Alves caiu em grampo da Operação Cidade Luz. À época, ele não era investigado, mas falou do telefone do então secretário de Serviços Urbanos, Antônio Fernandes, com o presidente da comissão de licitação da secretaria de Obras, Raul Araújo.

Na conversa, o prefeito afirmava que chegara a uma ‘solução salomônica’ para a decoração natalina daquele ano. Por muito tempo, questionou-se o que o prefeito quis dizer com tal solução. Delações premiadas celebradas com o Ministério Público por investigados da ‘Cidade Luz’ explicam essa solução.

Em 19 de fevereiro deste ano, o delator Felipe Gonçalves de Castro explicou aos promotores Giovanni Rosado e Marcelo de Oliveira Santos que a solução era um acordo simples: as empresas Enertec e Real Energy desviaram da Semsur R$ 280 mil para a campanha de Carlos Eduardo com o intermédio do secretário Jonny Costa. Em contrapartida, este se comprometeu a lhes dar mais contratos. A decoração natalina de 2016 teria sagrado esse pacto.

Carlos Eduardo Alves foi procurado para comentar a matéria e preferiu não se manifestar. Jonny Costa concedeu entrevista ao blog em que refutou as acusações com veemência. Ele afirma que qualquer um tem direito de declarar o que quiser, mas isso exige a responsabilidade de provar. Ele se disse tranquilo sobre o assunto.

Solução

Dois dias após a ligação indicando a solução salomônica, o Diário Oficial do Município falou. Em 13 de outubro de 2016, Real Energy, Lançar e BKL Construções arremataram a concorrência pública de cerca de R$ 3 milhões para decorar Natal para celebrar o nascimento do menino Jesus. Todas as empresas integram o que a promotoria considera um grupo criminoso articulado para desviar recursos da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).

Para a acusação, apesar de formalmente três delas terem vencido o certame, os acordo de fraudes tinham responsabilidades rateadas entre as demais envolvidas, incluindo a Enertec, que não aparece como vencedora da licitação.

Mas, para chegar aos acordos, houve divergências. Em depoimento à Promotoria Pública, Alan Emmanuel, outro delator, relatou que o então secretário da Semsur Antônio Fernandes apresentou a solução de que as vencedoras seriam as que tiveram seus nomes publicados no Diário Oficial, com o compromisso das demais serem contratadas por fora. Tudo, disse o delator, com o conhecimento e autorização do então prefeito de Natal.

Em um dos depoimentos, Allan Emanuel revelou que discutiu com outro investigado a preocupação sobre o contrato de eficientização do parque de iluminação pública. A conversa foi com Maurício da Guerra, da Enertec, que teria lhe dito que o contrato que estava por vir iria dar certo porque ele havia cumprido sua parte com Carlos Eduardo, ou seja, com os repasses. A Enertec levou o contrato.

Os depoimentos apontam que uma das reuniões que ocorreram para tratar dos desvios se deu dentro da Prefeitura do Natal entre Alan Emanuel, Jonny Costa e Carlos Eduardo. Os demais encontros teriam ocorrido no escritório da prefeitura em Candelária, tendo Carlos Eduardo escalado Jonny para administrar o assunto. As reuniões foram no começo de 2016.

Ainda segundo os delatores, todos os valores envolvido seriam destinados apenas à campanha.

As revelações levaram a Procuradoria Geral de Justiça a abrir procedimento criminal contra Carlos Eduardo Alves no Tribunal de Justiça por conta de seu foro privilegiado. Apesar de ter renunciado ao posto de chefe do Executivo da capital, todavia, os procedimentos seguem no TJ e não desceram para a primeira instância do Judiciário.

Outro lado

O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, foi procurado pela reportagem para comentar a matéria. Ele preferiu não se manifestar.

Jonny Costa afirmou que as declarações dos delatores não são verdadeiras.

“Desconheço as informações porque as reuniões a que ele se referiu nunca aconteceram”, afirmou o atual secretário da Semsur. “Não conheço e nunca vi o Felipe Gonçalves e o Allan Emannuel eu conheci quando ele me procurou para eu tratar do assunto do irmão dele, que era da juventude do PDT e buscava um reposicionamento da administração”, explicou Jonny, que frisou ainda: “Meu contato com Allan se limitou a esse episódio do irmão dele”.

Ainda segundo o secretário, ele suspeita que o delator lhe atribuiu informações inverídicas porque o irmão pediu para sair da gestão depois que Jonny vetou um pedido para que ele fosse dispensado dois dias de seu expediente. “Não faço isso por ele nem por qualquer outro. É como eu trabalho. A partir desse episódio, eles passaram a me difamar na administração”, explicou o secretário.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. silva disse:

    Finalmente esta chegando a hora em que o povo poderá , caso seja esperto), mudar a roupagem da política nacional, acabar com a hegemonia de alguns políticos!!!!

    A hora é esta!!!!

    Acorda Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. gilvanir disse:

    Tá no DNA, altamente dominante!!! Cadeia neles. Na prefeitura foi assim, imagina no comando do Estado, não vai sobrar absolutamente nada!!!

  3. Roberto Araújo. disse:

    Não devemos ter bandidos de estimação, não é mesmo?????

  4. Ricardo disse:

    Se forem corruptos, que sejam condenados e se prostrem envergonhados, perante si e a família.

  5. José disse:

    Agora chegou…

  6. joao gomes disse:

    todo ano é essa putaria. Todo mundo sabe que esses led são bem baratos e que são 2 caminhões da URBANA que colocam esses enfeites na cidade, são reciclados e se cobra milhões em contrato com essa porcaria todo ano. MP não faz nada pq deve receber algo em troca também pra ficar calado pq esse é o país dos ladrões!

Carlos Eduardo revela acesso ao MP e esvazia denúncia de delatores

O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves afirmou nesta sexta-feira, ao renunciar, que se sente tranquilo sobre as denúncias publicadas na imprensa, segundo as quais delatores afirmaram ter lhe repassado R$ 280 mil em propinas em 2016.

“Entre o que foi publicado e o promotor, eu acredito no promotor”, disse o prefeito.

Segundo explicou, ele procurou um membro do Ministério Público que teria lhe garantido que não existe nada contra ele.

Na sequência, o prefeito disse que as reportagens se enquadram em um movimento midiático.

Ponto comum de delatores, Raniere Barbosa enfrenta situação complicada de acusações formais na ‘Cidade Luz’

A despeito de ter retornado à presidência da Câmara de Vereadores de Natal, a situação do vereador Raniere Barbosa, nas investigações da Operação Cidade Luz não é confortável.

Toda a apuração sobre o parlamentar está sob segredo de justiça. No entanto, operadores do direito que têm acesso ao caso relatam que a situação de Raniere é delicada na medida em que as provas o aproximam do escândalo.

Além disso, ele é ponto comum dos colaboradores que celebraram delação premiada, ou seja, todos citaram o envolvimento de Raniere Barbosa no caso.

Raniere, que foi secretário da Semsur, chegou a ser afastado da presidência da Câmara em razão da materialidade das provas coletadas, mas o Superior Tribunal de Justiça entendeu que seu afastamento era desproporcional.

Ele enfrenta as acusações formais de falsidade ideológica, 36 tipificações de peculato e mais 36 tipificações de corrupção passiva.

No texto da denúncia, que é sigilosa, Raniere e mais oito são acusados de desviar de R$ R$ 2.179.327,66.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Niclas disse:

    Acho que tudo é mentira, Ranieri é um cabá bom

  2. Tomaz disse:

    Não esqueçamos dos vereadores que o reconduzirām ao cargo

Veja íntegra da denúncia contra Raniere e mais oito na Operação Cidade Luz

A íntegra da denúncia contra o vereador afastado Raniere Barbosa e mais oito pessoas, obtida pelo portanoar.com, é, pelo menos, a segunda dentro da Operação Cidade Luz. Ambas estão segredo de Justiça. As condenações pedidas nesta denúncia são pelos crimes de falsidade ideológica; peculato; corrupção passiva e corrupção ativa. VEJA AQUI 

Além de Raniere, foram denunciados Alberto Cardoso Correia, Antônio Fernandes de Carvalho, Humberto Pinto Silva, Jerônimo da Câmara Ferreira de Carvalho Júnior, Kelse Brena Fernandes da Silva, Maurício Ricardo de Moraes Guerra, Sérgio Pignataro Emerenciano e Walney Mendes Accioly.

 

‘Cidade Luz’: Raniere e mais oito são denunciados

É destaque no portal No Ar nesta terça-feira(10). Duas semanas antes de expirar o prazo fixado pela Justiça para a apresentação de denúncia contra o vereador Raniere Barbosa pelo Ministério Público, sob pena de caducarem os efeitos de seu afastamento, o órgão de acusação apresentou a peça à 7ª Vara Criminal.

Na denúncia distribuída em 5 de outubro constam ainda como acusados, além de Raniere, mais oito pessoas. O processo não consta em segredo de Justiça, mas a íntegra da acusação não está disponível em formato digital. A denúncia foi registrada como ação penal que trata de peculato.

Confira matéria completa aqui