Bolsonaro confirma que pretende classificar Hezbollah como organização terrorista

Foto: Jorge William / Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta terça-feira que pretende declarar o movimento xiita libanês Hezbollah como uma organização terrorista . A ideia, contudo, não é unanimidade dentro do governo. A declaração ocorreu após o Paraguai classificar dessa forma o grupo na segunda-feira, depois de a Argentina o fazer em julho.

— Pretendo fazer isso daí. São terroristas — afirmou Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre a possibilidade.

Bolsonaro disse que não vê risco de a decisão tornar o Brasil alvo de ataques, já que, de acordo com ele, existem integrantes de grupos terroristas no país:

— Existe informação de que têm pessoas deles por aqui também. Tríplice Fronteira, nos grupos de crime organizado. Eles são unidos. Podem não ser muito organizados, mas são unidos.

O Hezbollah é um misto de milícia, organização social e partido político, com assentos no Parlamento do Líbano e participação no governo do país árabe. Por sua atuação na defesa do Sul do Líbano de ataques de Israel, o grupo também é considerado terroristas pelo Estado judeu. Alguns países europeus classificam como terrorista apenas sua ala militar, e China e Rússia não aderiram à classificação, que nunca foi endossada pelas Nações Unidas.

De acordo com fontes ouvidas pela agência Bloomberg, a medida não seria facilmente implementável devido às particularidades da lei brasileira. A ideia, entretanto, faz parte dos esforços de Bolsonaro para criar vínculos mais fortes com o presidente do Estados Unidos, Donald Trump, com quem também busca fechar um acordo comercial, além de se encaixar nas visões de mundo do presidente brasileiro e de seu círculo mais próximo.

Durante a campanha presidencial do ano passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), cotado para se tornar embaixador brasileiro em Washington, já havia defendido uma posição mais dura contra o Hezbollah e o palestino Hamas. Na segunda-feira, no Twitter, o deputado disse que “essa questão do Hezbollah envergonha o Brasil no exterior. Temos que mudar essa realidade o quanto antes. Desconheço argumentos plausíveis que justifiquem considerar o grupo terrorista Hezbollah como partido político”.

Ainda assim, classificar o Hezbollah como uma organização terrorista poderá dificultar as relações de Brasília com o Irã, aliado do movimento xiita que importa cerca de US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 10 bilhões) por ano em produtos brasileiros, e com a influente comunidade libanesa do Brasil. Membros do governo temem que a medida transforme o país em alvo de terroristas.

Uma decisão poderá ser anunciada antes de outubro, quando Bolsonaro visitará os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, rivais do Irã e do Hezbollah.

Na segunda-feira, o Itamaraty disse que não considera o Hezbollah uma organização terrorista e que não tem planos de rever esse status. O Gabinete presidencial, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, responsável pelo cumprimento das leis antiterror, se recusaram a comentar.

Atualmente, o Brasil só considera como terroristas grupos que receberam tal designação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como a al-Qaeda e o Estado Islâmico. Pela lei do país, o governo pode barrar a entrada, prender e congelar os bens de suspeitos de fazerem parte desses movimentos.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Allan Polishom disse:

    Oi? Hahahaha pense q isso vai mudar as nossas vidas para melhor, só aí criaremos mas de 13 milhões de empregos, né ? Pelo amor de Deus, o país sofrendo de uma doença enorme como o desemprego, e o presidente ocupado com assuntos dessa qualidade, que triste fim para nós.

Empresas de brasileiro preso estariam ligadas ao Hezbollah, aponta PF

Elton Rumich, o Galant,preso na última terça, é acusado de envolvimento com o grupo libanês e tinha arsenal em casa. (Reprodução)

A Polícia Federal apura se Elton Rumich, o Galant , usava empresas que mantinha com nomes falsos para lavar dinheiro de terroristas do Hezbollah que atuam na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Investigação do Ministério Público do Paraguai, de 2016, já comprovou que o brasileiro utilizava duas sociedades para tornar lícito o dinheiro da venda de drogas do PCC e do CV, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.

Galant foi preso pela Polícia Civil, em fevereiro de 2018, no Rio. Na ocasião, foi apreendida com ele caderneta com anotações que investigadores suspeitam serem de valores de lavagem de dinheiro do tráfico .

Conforme o Dia revelou nesta terça-feira (23), com exclusividade, investigação da Polícia Civil aponta Galant como o elo entre o tráfico de drogas no Rio e o Hezbollah , grupo terrorista libanês. Procurada, a defesa de Galant, que está preso em Bangu 1, não foi localizada.

Informações de inteligência apontam que terroristas lucram com a venda de cigarros e cocaína na América do Sul e utilizam empresas de fachada para tornar o dinheiro legal. Em seguida, enviam as quantias à célula terrorista libanesa para financiar atentados. Em troca, facilitam a compra de armas a traficantes. O acordo também conta com proteção de membros do Hezbollah em cadeias brasileiras por integrantes dessas facções.

Um dos presos que teria recebido essa proteção é o comerciante Assad Ahmad Barakat, detido em Foz do Iguaçu, em setembro do ano passado, pela PF. Considerado pelos EUA um dos maiores nomes do terrorismo do Hezbollah, Barakat é suspeito de envolvimento em um atentado a uma associação judaica argentina em 1994, que deixou 85 mortos. Documentos do Tesouro Americano apontam que ele utilizaria o mesmo esquema pelo qual Galant é investigado: uso de empresas na América do Sul para financiar o Hezbollah.

Witzel vai acionar a ONU

Segundo o processo que tramita na 2ª Vara Federal de Ponta Porã, que cita a investigação do Paraguai, Galant usaria duas empresas para lavagem de dinheiro: a RSS Internacional S.A. e a Notles S.A. Em ambas ele utilizava nomes falsos e era sócio majoritário.

Essas empresas aparecem em lista do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ) relacionadas a nomes de suspeitos de terrorismo. Em março, a Polícia Federal estourou um bunker do PCC em Ponta Porã (MS), onde encontrou armas, drogas e uma Dodge Ram de propriedade da empresa RSS Internacional. A Justiça afirmou que a relação comprovou que “Elton Rumich seria o líder do PCC na fronteira, sendo o real proprietário do veículo blindado”.

O governador do Rio, Wilson Witzel comentou a conexão entre o terrorismo do Hezbollah. “Ainda quando eu era juiz federal, algumas investigações da Polícia Federal já mostravam algum tipo de relacionamento do crime organizado aqui do estado com o terrorismo. A Polícia Civil, através da prisão de um terrorista (Galant), conseguiu identificar esse elo. O comércio de drogas e de armas financia o terrorismo. Agora, nós vamos nos preparar para termos defesa suficiente contra o terrorismo, que está hoje nas comunidades. Vamos levar isso para a ONU, para os organismos internacionais”, disse.

Agenda possui rede criminosa

O Dia teve acesso à caderneta de anotações que Elton Rumich , o Galant, portava ao ser preso pela Polícia civil, em fevereiro do ano passado. Na ocasião, ele chegou a oferecer R$ 7 milhões a agentes para que não apreendessem a agenda e seus celulares.

Codificada com apelidos de criminosos, a agenda ajudou a montar um organograma que mostra a extensa rede do criminoso, com cerca de 30 mil contatos. Nela, é possível ver anotações de remessas de drogas e pagamentos, que variam de R$ 1.500 a R$ 3 milhões. O codinome Bob seria um outro apelido de Galant. Somente em uma página, os montantes relacionados a esse apelido somam R$ 758,5 mil e antecedem o dia da sua prisão.

A polícia analisa se esses seriam gastos do acusado que, ao ser preso, estava com uma BMW avaliada em R$ 300 mil e vários relógios da marca Rolex.

Último Segundo – IG

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Joaquim disse:

    Querem desviar do q importa, os diálogos imorais de juiz com acusação.

  2. Davi disse:

    Por isso que os petralhas querem intercâmbio com parlamentares do mundo árabe. Bom esclarecer que o apogeu das facções criminosas PCC e CV foi nos governos luladrão/Dilmanta, aí sim eles ficaram fortalecidos como nunca antes na história desse país.