Saúde

Vacina contra a Covid-19 aquece o mercado de clínicas particulares no Brasil

Foto: Amit Dave/Reuters/Arquivo

A possível chegada de vacinas contra a Covid-19 à rede particular aqueceu o mercado de clínicas privadas no Brasil. É que o dizem especialistas e consultores da área ouvidos pelo G1.

Ainda que a campanha de vacinação esteja restrita à rede pública, eles relatam que:

a rede privada passou a negociar a compra de vacinas;

clínicas já estabelecidas buscam agregar serviço de imunização, e há quem esteja começando o negócio do zero;

para os novatos, compra de vacinas é um desafio (quase 100% dos imunizantes disponíveis na rede privada são importados);

e a venda de refrigeradores subiu (com registro de até 30% entre 2019 e 2020).

Trata-se de um mercado que demanda alto investimento inicial, importação de vacinas e conhecimento de normas e regulamentações. Por exemplo: toda dose de vacina aplicada na rede particular deve ser reportada ao Ministério da Saúde, assim como eventuais efeitos adversos.

O presidente da Associação Brasileira de Clínica de Vacinas (ABCVac), Geraldo Barbosa, disse que a possibilidade real da chegada da vacina contra a Covid- 19 desencadeou nos últimos meses um aumento “significativo e expressivo” da procura de profissionais de saúde por informações sobre como abrir a própria clínica.

Fenômeno semelhante ocorreu em 2016, depois de um surto da gripe H1N1, quando filas enormes se formaram em clínicas particulares de vacinação.

Segundo Barbosa, de 2016 para 2017, o número de clínicas cresceu 60% no país. Mas, entre os estabelecimentos que abriram no período, apenas metade conseguiu manter as operações. “Houve uma expectativa de que era um serviço fácil de executar – e não é”, afirma ele.

No início de janeiro de 2021, a ABCVac informou que estava negociando a compra de 5 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. A iniciativa despertou o interesse de clínicas particulares brasileiras.

No dia 12 de janeiro, a Bharat disse que assinou um acordo de fornecimento para a companhia brasileira Precisa Medicamentos. Nesta segunda-feira (1º), a Precisa anunciou que vai pedir autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar os testes clínicos da fase 3 da Covaxin no Brasil. Caberá a um hospital coordenar os estudos com os voluntários.

A possibilidade da chegada da vacina na rede privada – enquanto a vacinação na rede pública ainda é incipiente – gerou críticas de especialistas.

“As vacinas são bens públicos nesse momento”, disse no início de janeiro à GloboNews Mariângela Simão, diretora-adjunta para acesso a medicamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não deveria ter discriminação no acesso à vacina para quem paga e não paga.”

Toda a produção do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é destinada à rede pública.

Há duas iniciativas da rede privada para a tentativa de compras de vacina:

a da ABCVac com a indiana Bharat Biotech;

e outra frente formada por empresas brasileiras que buscam doses do imunizante de Oxford/AstraZeneca.

Novo negócio

Dono de uma empresa de tricô em Imbituva, no interior do Paraná, Leandro de Andrade, de 42 anos, viu a renda minguar em 2020. Com a chegada da Covid-19, ele e a esposa, que é dentista, resolveram abrir uma clínica particular de vacinação.

“É duro a gente falar isso, mas infelizmente foi por causa da pandemia”, disse Leandro.

Os dois começaram a concretizar o plano em setembro de 2020, e a previsão é inaugurar em março de 2021. Eles buscam ocupar um espaço ainda pouco explorado no pequeno município em que moram. “Será a primeira clínica na cidade. É nisso que a gente está apostando também”, afirma ele.

Hoje, no Brasil, em teoria, qualquer pessoa pode abrir uma clínica de vacinação, desde que o espaço tenha um responsável técnico (médico, enfermeiro, farmacêutico ou biomédico, filiado ao conselho da sua categoria).

No caso do estabelecimento de Leandro, uma enfermeira foi contratada para desempenhar a função.

Aumento de demanda

O consultor Marcos Tendler, que atua há 20 anos na área de abertura de clínicas de vacinação, viu aumentar a demanda por seus serviços nos últimos meses, principalmente na virada do ano.

Ao longo de dezembro de 2020, 28 pessoas solicitaram à empresa dele informações sobre o tema. Considerados só os primeiros 15 dias de janeiro, foram 74 interessados.

O consultor disse que uma clínica padrão, de 30 m², é um “pequeno bom negócio” para um profissional de saúde: “Em vez de fazer dois ou três plantões para complementar a renda, ele tem uma clínica”.

Segundo os especialistas, a maioria das pessoas que abrem uma clínica de vacinação é formada por profissionais de saúde que já têm alguma estrutura – um consultório, por exemplo – e querem passar a prestar o serviço de imunização.

É o caso da imunologista Nathalia Simis, de 36 anos, que pretende abrir uma clínica de vacinação em Sorocaba, no interior de São Paulo, em fevereiro. O sogro dela tem laboratórios e consultórios, e a família irá aproveitar a infraestrutura, já pronta, para também aplicar vacinas. Simis e o marido, também médico, irão continuar atendendo seus pacientes, e o empreendimento trará uma renda complementar.

Para quem quiser sair do zero, o investimento é alto. “Vai precisar de uns R$ 200 mil para começar, até ter um faturamento positivo, o que deve acontecer na virada do primeiro para o segundo ano [após a abertura do negócio]”, disse Tendler.

A enfermeira e consultora Meire Branco, do Mato Grosso, também recebe ligações de todo o país em busca de orientações para a abertura de clínicas particulares. Ela diz já ter rejeitado clientes ao perceber eles tinham uma visão oportunista.

“Eu já dispensei muitos treinamentos, muitas aberturas de clínica, porque a pessoa liga para mim e fala: ‘Ai, eu quero um treinamento, porque quero abrir uma clínica e bombar com essa vacina da Covid’.”

Para a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), é importante ressaltar que “vacinar não é aplicar uma injeção”.

O profissional de saúde que irá trabalhar com imunização tem de atender a uma série de exigências e padrões técnicos da Anvisa, além de reportar cada dose aplicada e possíveis eventos adversos ao Ministério da Saúde.

Aumento de venda de refrigeradores

As empresas que vendem refrigeradores específicos para o armazenamento de vacinas já sentem o aquecimento do mercado. A Indrel Scientific, uma das líderes do segmento, informou que em 2020 as vendas foram 30% maiores que em 2019.

“Sentimos um aumento grande na procura do meio de 2020 até o momento. As clínicas estão se preparando para uma possível abertura da vacina do Covid na rede particular”, disse ao G1 o CEO da empresa, João Rapcham.

Ele afirma que também já recebeu demanda de países da América Latina, como Paraguai, Bolívia, Peru e República Dominicana.

A Biotecno, também líder de mercado, disse que em 2020 o aumento de faturamento foi de 35%.

Comparando a primeira quinzena de janeiro de 2020 ao mesmo período neste ano, o aumento chega a 800%. “Isso é algo nunca experimentado antes por nós, algo novo, e [é] uma demanda que estamos preocupados em atender”, disse Lídia Linck Lagemann, sócia-diretora da Biotecno.

As duas empresas vendem tanto para a rede privada como para governos e não revelam os números absolutos das vendas.

Vacinas da rede particular são importadas

Para além das normas obrigatórias do setor, o profissional que abrir uma clínica terá de entrar na disputa pela compra de vacinas.

Hoje, na rede particular do Brasil, quase todas as vacinas são importadas, a maior parte vinda dos Estados Unidos e da Europa, segundo a ABCVac. A única produzida no Brasil que vai para a rede privada é a BCG, fabricada na Fundação Ataulpho de Paiva.

Ou seja: o país disputa a compra de vacinas com outros mercados do mundo. “Quem tem vacina é quem tem contrato de longo prazo com o fornecedor, os novos estão sofrendo muito”, disse Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínica de Vacinas (ABCVAC).

Segundo Barbosa, hoje várias vacinas estão em falta na rede particular, como febre amarela, BCG e algumas de meningite.

“O cara vai cair de paraquedas no mercado, não vai conseguir comprar vacina de Covid e vai se frustrar”, alerta o consultor Marcos Tendler.

Pela dificuldade em se conseguir vacinas, o presidente da ABCVac afirma que há anos o mercado atua em 70% da sua capacidade de operação. A quantidade de imunizantes que chega ao Brasil já vem dentro do consumo médio estabelecido.

Por isso, quando há algum tipo de crise, muitas vezes não é possível atender a demanda e se formam as longas filas, como quando foi disseminada a informação de que o neto do ex-presidente Lula, de 7 anos, teria morrido de meningite.

“Você não tem noção do que viraram as clínicas de vacinação. Em um mês consumiram 90% do estoque das vacinas de meningite”, contou Marcos Tendler.

“Então, não basta você abrir uma clínica, você tem que ter certeza que terá acesso ao imunizante”, afirma Barbosa.

Compra de vacinas pelo setor privado

A vacina indiana Covaxin recebeu autorização emergencial da agência reguladora de medicamentos da Índia no início de janeiro. No entanto, ainda não foram divulgados os resultados da fase 3 de testes, o que deve ser feito até o final deste mês.

A expectativa é que a Bharat faça a solicitação de registro na Anvisa em fevereiro. “A gente não está com essa pressa de fazer com que a Anvisa corra. A gente quer que o processo seja feito dentro dos trâmites normais para garantir a vacina”, disse o presidente da ABCVac.

Já a iniciativa de grandes empresas brasileiras que tentam adquirir 33 milhões de doses da vacina de Oxford ainda não tem data prevista. O presidente Jair Bolsonaro falou que aprova a compra pela rede privada.

No entanto, em nota, a AstraZeneca informou que, por ora, não tem condições de vender doses para o setor privado.

“No momento, todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo o Covax Facility [consórcio coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)], não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado”, disse a farmacêutica.

G1

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Mundo

[VÍDEO] Multidão de imigrantes de Marrocos chega a cidade da Espanha a nado


Foto: Europa Press via Getty Images

A cidade de Ceuta, pertencente à Espanha e situada no norte da África, está passando uma crise migratória e sobrecarga de serviços após milhares de pessoas vindas de Marrocos e da Argélia chegarem ao município e forçarem a entrada.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma multidão de imigrantes chegando a Ceuta. Grande parte tenta alcançar o território espanhol a pé, a nado ou apoiados por boias.

Na quarta-feira (29/7), o presidente de Ceuta, Juan Vivas, afirmou que cerca de 1.500 pessoas chegaram ao local nas últimas duas semanas, por volta de 200 por dia. Segundo Vivas, os centros de acolhimento “não têm espaço para mais ninguém”.

O político ainda enfatizou que o número de mortos no mar superou 60 pessoas nos últimos 12 meses.

Metrópoles

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Eleições 2026

Senadora Tereza Cristina avisa aliados que aceitou ser vice de Flávio Bolsonaro

Foto: Arte/Metrópoles

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) indicou a aliados, nesta quinta-feira (30/7), que aceitou o convite para ser candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

A composição, no entanto, ainda depende da aprovação da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, além do aval formal do PP em convenção partidária. Após o sinal verde da senadora, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, iniciou consultas aos diretórios estaduais para medir o apoio à aliança.

Até o momento, a orientação predominante na federação era manter neutralidade na disputa presidencial para preservar acordos regionais e fortalecer candidaturas aos governos estaduais e ao Congresso. Apesar da movimentação, integrantes da cúpula do PP ainda consideram difícil uma coligação com o PL.

Tereza Cristina é o nome preferido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que avalia que a presença dela na chapa fortaleceria a candidatura de Flávio, tanto pelo vínculo com o agronegócio quanto por ampliar as chances de atrair a Federação União Progressista para a aliança.

Metrópoles

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Política

Cumprindo tradição de todos os anos, Zenaide prestigia Feirinha de Sant’Ana em Caicó

Foto: Divulgação

A senadora Zenaide Maia (PSD) participou, nesta quinta-feira (30), da tradicional Feirinha de Sant’Ana, realizada no Largo da Catedral, em Caicó. Seridoense, a parlamentar circulou pelo evento acompanhada do pré-candidato a governador Allyson Bezerra, lideranças políticas e amigos, conversou com a população e recebeu o carinho de conterrâneos durante um dos momentos mais aguardados da programação social da festa.

Realizada desde a década de 1960, a Feirinha de Sant’Ana é marcada pelo reencontro de famílias e amigos, além de reunir apresentações culturais, música, gastronomia regional, artesanato e manifestações da cultura seridoense.

“É sempre uma alegria voltar a Caicó e viver esse momento de fé, tradição e reencontros. A Festa de Sant’Ana faz parte da nossa história e da identidade do povo do Seridó”, destacou a senadora.

À noite, Zenaide participa da celebração da 7ª Novena da Festa de Sant’Ana, na Catedral de Sant’Ana, dando continuidade à agenda de participação nas festividades da padroeira de Caicó.

 

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Geral

Brasil teve 43 mil desaparecimentos no 1º semestre de 2026; média de 242 pessoas por dia

Foto: MJSP

O Brasil registrou 43.828 desaparecimentos de pessoas no primeiro semestre de 2026, uma média de 242 sumiços por dia e uma taxa de 40,92 a cada 100 mil habitantes. Os dados fazem parte do Painel Estatístico do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), do Ministério da Justiça, publicado nesta quarta-feira (29).

O número representa um aumento de 4,63% em comparação com o ano anterior. No mesmo período de 2025, foram registrados 41.888 desaparecimentos.

Ao analisar a série histórica dos primeiros semestres de cada ano, 2026 teve o período em que mais pessoas desapareceram no Brasil.

Perfil dos desaparecidos

Em relação ao perfil dos desaparecidos, a maioria é composta por homens, com 28.221 casos registrados. Em contrapartida, 15.271 são mulheres. No entanto, outras 336 vítimas não tiveram o sexo informado.

Quando olhado para a faixa etária, a maior está entre os mais velhos que contabilizam 29.462 casos. Por outro lado, menores de 17 anos representam uma faixa de 27% do perfil dos desaparecidos, contabilizando 15.271 casos. Outros 2.532 não tiveram a idade informada.

Desaparecimento por estado

De acordo com o painel, São Paulo lidera o ranking nacional, com 10.449 desaparecidos no primeiro semestre de 2026, o que representa mais de 23% do total registrado no país.

Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e Rio de Janeiro também aparecem entre os estados com maior número de pessoas desaparecidas, com 4.864, 3.933 e 3.364, respectivamente.

Localizados

Em relação a quantidade de pessoas localizadas, o número também representa uma progressão. Ao todo, foram 28.870 pessoas encontradas no primeiro semestre de 2026.

Segundo o Painel, foram 160 pessoas localizadas por dia.

Busca por pessoas desaparecidas

Em agosto de 2024, o Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD). A plataforma online unifica as informações sobre as buscas de desaparecidos com o cruzamento de dados de todo o brasil.

Ao acessar o sistema, um painel público apresenta imagens e informações relevantes sobre as pessoas desaparecidas — como idade, vestimentas e um breve resumo das circunstâncias.

Além disso, o usuário consegue compartilhar o banner do desaparecimento ou entrar em contato direto com a pessoa responsável por aquele desaparecido. A plataforma também sugere a ligação para o número 197 ou 181 para quem tiver informações sobre o sumiço de alguém.

Segundo o MJSP, a iniciativa é uma resposta à demanda da sociedade por soluções mais eficazes na condução de casos de desaparecimento.

CNN Brasil

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Geral

ROMBO: Mesmo com recorde de arrecadação, contas do governo central têm déficit de R$ 48,2 bilhões em junho

oto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Mesmo após registrar arrecadação recorde de impostos e contribuições no primeiro semestre, as contas do governo central fecharam junho com déficit de R$ 48,2 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30).

O resultado é pior que o de junho de 2025, quando o rombo foi de R$ 44,2 bilhões, e também superou a expectativa do mercado, que projetava déficit de R$ 45,3 bilhões.

LEIA TAMBÉM: Arrecadação com impostos e contribuições federais bate recorde e soma R$ 1,58 trilhões até junho, alta anual de 6,63%

No acumulado de janeiro a junho, o déficit chega a R$ 92,2 bilhões, bem acima dos R$ 11,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

De acordo com o Tesouro, as receitas cresceram 10,3% em termos reais, impulsionadas principalmente pela arrecadação federal e pelas receitas ligadas ao petróleo. As despesas, porém, também avançaram, com alta real de 9%, puxadas por gastos do Executivo, especialmente na área da Saúde, além de créditos extraordinários e do déficit da Previdência, que somou R$ 50,5 bilhões apenas em junho.

Apesar do resultado negativo, a meta fiscal de 2026 continua sendo um superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite encerrar o ano com resultado primário próximo de zero.

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Geral

Réu condenado pela Justiça do RN acumula quase 100 anos de pena por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro ligada ao PCC e outros crimes

Foto: iStock/ilustrativa

A Justiça do Rio Grande do Norte condenou seis réus no âmbito da Operação Plata, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O principal condenado é Geraldo dos Santos Filho, conhecido como Pastor Júnior, que passou a acumular 99 anos, 11 meses e 10 dias de prisão.

Nesta nova ação, Pastor Júnior foi condenado por nove crimes de lavagem de dinheiro, recebendo pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado. A condenação foi somada às penas já impostas em outros processos da Operação Plata, que incluem crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros delitos relacionados ao esquema criminoso, elevando o total para quase 100 anos de prisão.

De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Pastor Júnior e o irmão Valdeci Alves dos Santos coordenavam a ocultação de recursos obtidos com o tráfico por meio da compra e transferência de imóveis em nome de familiares e terceiros, com o objetivo de esconder a origem ilícita do patrimônio.

Além de Pastor Júnior, a Justiça também condenou:

Valdeci Alves dos Santos: 6 anos, 9 meses e 20 dias por sete crimes de lavagem de dinheiro. Com condenações anteriores, acumula 31 anos, 10 meses e 20 dias de prisão;

Jefferson Santos da Silva: 6 anos de prisão por sete crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa;

Francisca Neta dos Santos: 4 anos e 9 meses por quatro crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa;

Roberto dos Santos: 3 anos e 6 meses por dois crimes de lavagem de dinheiro, com pena substituída por restrição de direitos;

Érica Cristina da Silva: 3 anos e 6 meses por dois crimes de lavagem de dinheiro, também com substituição da pena.

Outros quatro denunciados foram absolvidos.

A sentença ainda determinou a perda dos bens, direitos e valores dos condenados em favor da União e autorizou a venda antecipada dos bens apreendidos para evitar a desvalorização do patrimônio. Todos os condenados poderão recorrer em liberdade.

Segundo o MPRN, a investigação revelou que o grupo utilizava uma rede de pessoas para movimentar dinheiro em espécie, fracionar depósitos e adquirir imóveis, dificultando o rastreamento dos recursos provenientes do tráfico de drogas e da atuação do PCC.

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CRÉDITO MAIS CARO: Juro médio cobrado das famílias sobe a 64% em junho, maior nível em quase 10 anos

oto: gerada por IA

A taxa média de juros cobrada das famílias no crédito livre subiu de 62,8% para 64% ao ano em junho, segundo o Banco Central. É o maior patamar desde 2017, refletindo o encarecimento do crédito para pessoas físicas.

O principal avanço ocorreu no crédito pessoal sem consignação, cuja taxa passou de 120,3% para 127,3% ao ano. Na modalidade sem garantias, os juros chegaram a 149,5% ao ano. Já o consignado para trabalhadores do setor privado permaneceu praticamente estável, em 54% ao ano.

ENDIVIDAMENTO

Os dados também mostram que o comprometimento da renda das famílias atingiu o recorde de 28,5%, enquanto o endividamento permaneceu em 49,8%, próximo da máxima histórica.

No crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, a inadimplência subiu de 7,9% para 8,6%, o maior nível da série histórica. Segundo o Banco Central, parte desse aumento está relacionada a falhas operacionais na transferência dos descontos em folha quando o trabalhador muda de emprego.

Apesar da alta dos juros, o crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada continua em expansão. No primeiro semestre, os novos empréstimos somaram R$ 52,6 bilhões, crescimento de 213,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Arrecadação com impostos e contribuições federais bate recorde e soma R$ 1,58 trilhões até junho, alta anual de 6,63%

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 1,587 trilhão no primeiro semestre de 2026, um crescimento real de 6,63% em relação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. Um novo recorde, segundo a Receita Federal, já que este é o maior valor para o período desde o início da série histórica, em 2000.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela receita previdenciária, que arrecadou R$ 381,1 bilhões, alta real de 5,08%, refletindo o crescimento da massa salarial, o aumento da arrecadação do Simples Nacional e a reoneração gradual da folha de pagamentos.

Outro destaque foi o IOF, cuja arrecadação alcançou R$ 50,3 bilhões, avanço real de 30,4%, impulsionado pelo aumento das alíquotas do imposto.

Também registraram crescimento o IRPJ e a CSLL, com arrecadação de R$ 313 bilhões (+5,73%), e o PIS/Cofins, que somaram R$ 309,6 bilhões (+4,45%), beneficiados pelo aumento da atividade econômica, do consumo e da prestação de serviços.

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São João de Natal 2026 impulsiona economia da capital potiguar com movimentação de R$ 210 milhões, aponta Fecomércio

Foto: Secom

O São João de Natal movimentou R$ 210,5 milhões na economia da capital e reuniu 945 mil pessoas durante a edição de 2026, segundo pesquisa divulgada pela Fecomércio RN nesta quinta-feira (30).

O gasto médio diário foi de R$ 222,70 por participante, sendo R$ 182,43 entre moradores de Natal e R$ 291,06 entre visitantes e turistas.

O levantamento também mostrou que 94,9% do público pretende voltar ao evento. O perfil do público foi de 95,6% de participantes do RN, sendo 62,9% de Natal.

Entre os empresários entrevistados, 76,8% relataram impacto positivo nos negócios, com faturamento médio de R$ 4.269,87, o maior dos últimos três anos.

Além disso, 34,4% dos empreendedores afirmaram ter contratado funcionários temporários para atender ao aumento da demanda durante a programação junina, realizada entre os dias 5 e 28 de junho.

“O São João já é o maior evento junino das capitais do País. A cada ano vemos crescer o número de participantes e de movimentação da economia e isso mostra a força dessa festa”, comentou o prefeito de Natal Paulinho Freire na ocasião da apresentação dos dados da pesquisa realizada pela Fecomércio.

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Geral

DIVERGÊNCIA: Ministros do TSE avaliam que cobrança de Moraes a Jair Bolsonaro em caso sobre vídeo de IA na convenção do PL representa interferência na Justiça Eleitoral


Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O uso de um vídeo de inteligência artificial com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência gerou divergências entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes do TSE avaliam que a cobrança feita por Moraes sobre o caso representa uma interferência em um tema que consideram de competência da Justiça Eleitoral.

Nos bastidores, ministros divergem sobre a punição ao PL. Parte defende apenas medidas como multa, retirada do vídeo das redes sociais e uma advertência contra o uso de inteligência artificial. Outros entendem que o episódio não justifica sanções mais severas, como inelegibilidade ou cassação da candidatura.

Na terça-feira (28), Moraes deu prazo de 48 horas para Jair Bolsonaro informar se autorizou a exibição do vídeo. A defesa do ex-presidente negou qualquer autorização, alegando que ele sequer teria meios de fazê-lo diante das restrições impostas pela prisão domiciliar.

O caso também é analisado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, relator da ação sobre o uso do vídeo de IA, que ainda não definiu quando tomará uma decisão.

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