Vítima de vingança pornô diz que Marco Civil pode ajudar a reduzir danos

rose-leonel-criadora-da-marias-da-internet-organizacao-nao-governamental-que-auxilia-vitimas-de-vinganca-porno-acredita-que-a-inclusao-do-artigo-22-no-marco-civil-podera-diminuir-os-danos-causados-1393016085339_300x420A jornalista Rose Leonel, criadora da Marias da Internet, organização não governamental que auxilia vítimas de “vingança pornô”, acredita que a inclusão do artigo 22 no Marco Civil poderá diminuir os danos causados pelo vazamento de conteúdo íntimo na rede. Em 2006, Rose foi vítima do crime, ao ter fotos e vídeos divulgados na internet por um ex-namorado.

“Sem dúvida evitar a proliferação da imagem diminuirá as consequências e possíveis sequelas do crime digital. Porém, outra questão de extrema relevância deve ser a criação de leis que coíbam a execução desses crimes”, destaca Rose.

Ela elogiou, por exemplo, a iniciativa de inclusão da “vingança pornô digital” na Lei Maria da Penha, conforme proposta do deputado João Arruda. “Precisamos pôr um basta nesses crimes digitais. Até quando vamos conviver com a violação e estupro de nossas mulheres no âmbito virtual e relevar a situação, cruzando os braços e continuando no silêncio omisso e cúmplice dessas barbáries?”, questiona.

Cristina Sleiman, especialista em direito digital, também avalia como positivos tanto o artigo 22 do Marco Civil como a proposta de Arruda. “Sou a favor das duas ações, pois a responsabilidade civil independe da responsabilidade penal e, neste cenário, é preciso prevenção em todos os lados.”

Condenação social

Rose lembra que um dos piores danos da “vingança pornô” é o julgamento da sociedade, carregado de preconceito contra a vítima do vazamento das cenas íntimas.

“As vítimas desse crime não sofrem apenas com a dor da traição do parceiro, da traição afetiva e humana, mas também com o julgamento implacável e a punição desumana da sociedade. Tenho certeza que muitas vítimas deixam de viver por preferirem à morte a receberem os olhares implacavelmente maliciosos e punitivos da sociedade”, diz.

Sobre o ex-parceiro, Rose afirma que ele foi condenado pela Justiça ao pagamento de R$ 30 mil de indenização pelo crime de calúnia. Por considerar a pena muito branda pelos danos que sofreu, ela tenta aumentar a punição por meio de recurso já em instância federal.

Enquanto isso, a jornalista tenta ajudar outras vítimas com sua ONG, que atua em Maringá (PR).

“A ONG, por meio de profissionais capacitados e de extrema lisura, visa dar apoio psicológico, jurídico, digital e até espiritual a essas mulheres”, explica Rose. “Podemos superar. Não é fácil, mas é possível.”

UOL