Política

‘Bolsonaro está mudando o país. É natural a indignação da esquerda’, diz empresário sucesso com vídeos no YouTube em entrevista

Leandro Ruschel faz sucesso com vídeos no YouTube. Frame/YouTube

Leandro Ruschel é um gaúcho com 39 anos que alterna sua vida entre Brasil e Estados Unidos e é sócio-fundador de duas empresas: a Liberta Global, que ensina brasileiros a operar no mercado de ações americano, e o Grupo L&S, que já treinou mais de 40.000 investidores. Mas ele atingiu mais de 300 mil seguidores no Twitter e vídeos no YouTube com mais de um milhão de visualizações por outros motivos.

Ruschel tornou-se conhecido nas redes sociais por abominar o PT e os petistas, por citar o pensador Olavo de Carvalho e por críticas ásperas à imprensa. Para ele, jornalistas atacam tudo o que está relacionado ao governo federal e ao presidente Jair Bolsonaro, e fazem isso porque são de esquerda. Assim como os professores, principalmente os de universidades públicas.

Também defende a proposta de escolas sem partido.

É a favor das pautas liberais e de muitos pontos da chamada agenda de costumes do governo.

Mais importante do que os tropeços é o caminho, acredita. “Bolsonaro mudou todos os paradigmas, está mudando o país. É natural a indignação e frustração da esquerda.”

Acha que o Brasil segue o rumo certo nas mãos de Bolsonaro e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes. “Mas podia estar num ritmo mais acelerado. Talvez por tantas dificuldades criadas pelo Congresso, as coisas demorem a acontecer. De qualquer forma, estou otimista.”

O empresário se mostrou favorável à investigação do senador Flávio Bolsonaro, mas defendeu o vereador Carlos, o outro filho do presidente, pela postagem recente que foi considerada um risco à democracia. “Ele só foi mal interpretado.”

Veja mais trechos da entrevista:

R7 – As mudanças prometidas pelo governo na área econômica estão acontecendo, e no ritmo que você esperava?

Ruschel – Eu esperava um ritmo bem mais acelerado, mas se perde muito tempo na tramitação das reformas na Câmara, com a tentativa de passar emendas o tempo todo que só servem para adiar a aprovação. Assim que se aprovar definitivamente a Previdência no Senado, mesmo com a redução do impacto nas contas menor do que o proposto pelo governo, vão entrar outras mudanças bem positivas. A MP da Liberdade Econômica, por exemplo, é uma reforma de base importante essencial para as empresas privadas. Assim como a reforma tributária.

R7 – Não lhe parece haver uma constante indecisão do governo sobre o que pretende fazer na economia? O caso da nova CPMF não é um exemplo disso? Uma hora o governo não a aceita, logo em seguida a anuncia.

Ruschel – Há duas coisas a levar em conta no caso da CPMF. É, sim, uma intenção do ministro Paulo Guedes, que considero equivocada por não combinar com uma economia liberal, mas também é uma medida com enorme carga impopular, o que explica o presidente não admiti-la. De um lado você tem uma busca de receita de um ministro e de outro o Bolsonaro pensando no quanto isso pode afetar sua imagem com a população. São duas forças. E o saldo, seja qual for a decisão, nunca vai ser positivo.

R7 – Você sugere que tipo de mudança tributária no país?

Ruschel – Para mim, a solução é a simplificação do regime tributário, pegando os impostos que já existem, cortando alguns e simplificando outros. Mas não acho saudável a criação de novos tributos.

R7 – Além dos impostos altos, qual seria outra frente que o governo deveria atacar para mudar a economia do país?

Ruschel – O dinheiro público é mal administrado e gasta-se muito com funcionalismo. A gente tem que lembrar que a Constituição de 1988 criou uma série de questões obrigatórias ao Estado, com percentuais para a saúde, educação, mas não deu flexibilidade para esses gastos. Então o orçamento ficou todo amarrado. O Estado é obeso, não entrega o que deveria, os servidores não são premiados por qualidade e não há qualquer incentivo para que busquem resultados. Por isso o Estado nunca foi o propulsor do desenvolvimento nacional. Cabe à iniciativa privada buscar o crescimento.

R7 – O ministro Paulo Guedes também é contra o que chama de “dinheiro carimbado” e diz que os prefeitos sabem melhor do que o governo federal onde gastar. Essa concepção não eleva o risco de darmos força e dinheiro a políticos corruptos regionais?

Ruschel – Eu, como administrador, defendo sempre as unidades locais. Eu sei que no Brasil, principalmente em regiões mais pobres, há coronéis que detêm o poder e só fazem o que querem, para beneficiar seu grupo, mas contra isso deve haver fiscalização e cobrança. Descentralizar aumenta a importância regional nas decisões. Nos Estados Unidos, por exemplo, a segurança é feita por delegados e até juízes eleitos pela comunidade, a proximidade com o poder é real e não definida pelo governo central.

R7 – Como você avalia as constantes polêmicas criadas nesse governo. Discussões como a relacionada à beleza de Brigitte Macron, esposa do presidente da França, não atrapalham o andamento das mudanças prometidas pelo governo?

Ruschel – Sinceramente, acho que não. Muitas dessas polêmicas são na verdade cortina de fumaça de pessoas que querem tirar o foco do que realmente importa para elas, como é o caso da aprovação da Lei de Abuso de Autoridade, acertada nos bastidores do Congresso enquanto o país discutia outras bobagens. Mas, claro, sou contra comentário pejorativo contra esposa de presidente, esse tipo de coisa não leva a nada. Mas muita polêmica é exagerada também, a imprensa pinça uma única declaração do presidente e deixa de lado tudo o que o governo vem fazendo.

R7 – Você acha que a imprensa erra ao cobrar o governo?

Ruschel – Não, a imprensa está no papel dela de cobrar e exigir, mas destaca coisas dispensáveis e dá pouco espaço para temas importantes como a MP da Liberdade Econômica, extremamente importante, mas muito mal divulgada. Também é inegável que há dois pesos e duas medidas. Eu escrevi inclusive que achava engraçado o peso que estavam dando às movimentações suspeitas do Flávio Bolsonaro [o ex-assessor do filho do presidente, Fabrício Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão] e do David Miranda [deputado federal do PSOL, casado com Glenn Greenwald, editor do Intercept, que teria movimentado R$ 2,5 milhões]. O Flávio, por ser filho do presidente, não sai do noticiário, e o David Miranda, mesmo movimentando o dobro, mal aparece.

R7 – Não é natural que se cobre mais de um governo que afirmou que não aceitaria nenhum tipo de corrupto? Não aconteceu o mesmo com o PT quando chegou ao governo?

Ruschel – Em parte, eu concordo, também sou favorável a toda investigação. Se o Flávio é culpado, tem que ser condenado, mas é fato que a mídia é mais de esquerda. Passou anos aceitando tudo o que o PT fazia sem questionamentos e agora se sente frustrada.

R7 – Essa reação da imprensa contra o governo não é intensificada pela postura de Bolsonaro contra alguns meios de comunicação?

Ruschel – Sem dúvida isso acontece. Ele se defende atacando. Por estar ressentido pela forma como é tratado, ataca e a imprensa também responde, e isso vira um círculo vicioso sem fim.

R7 – Muita gente vê em declarações do presidente Bolsonaro, entre as quais a defesa do regime militar, uma ameaça à democracia. Você vê algum risco?

Ruschel – Não vejo, e digo mais. Acho que o termo democracia costuma ser utilizado por muita gente que quer fazer coisas erradas e se apoia nessa palavra e na defesa das instituições para justificar sua atitude. Quando o Supremo determinou a censura a uma publicação, por exemplo, alegou risco à democracia e às instituições. O Rodrigo Maia, acusado de falsidade ideológica na Lava Jato, fala em ataque ao Congresso quando é questionado por seus crimes. E sobre esse governo, não vi uma única atitude ou medida que tenha colocado a democracia em risco.

Talvez ele [Bolsonaro] passe a ter uma postura mais questionadora com os outros poderes agora que a Previdência vai ser aprovada e, assim, as coisas comecem a melhorar”. (Leandro Ruschel)

R7 – Você concorda que o Brasil está dividido: quem é contra é totalmente contra o governo, quem é a favor é totalmente a favor? Esse Fla-Flu prejudica o governo?

Ruschel – Não acho ruim o Fla-Flu. Acho que no passado o que faltou foi esse Fla-Flu, mas não havia uma segunda opinião, todos aceitaram cegamente o que a esquerda fazia no poder. O Lula era o pai dos pobres, a esquerda dominou os debates e não admitia outra opinião para rever suas posições. Essa divisão do Brasil é importante e natural, afinal estamos acordando agora. Hoje todo mundo sabe, por exemplo, todos os nomes de ministros do Supremo, as pessoas têm opinião sobre vários assuntos, e antes não tinham.

R7 – Ao vetar, por exemplo, livros didáticos que citam identidade de gênero, a direita não está também admitindo uma única visão de mundo e encerrando o debate?

Ruschel – Mas não se coloca para debater esses assuntos crianças de quatro a cinco anos…

R7 – Um caso recente de veto a livros com essa abordagem ocorreu em São Paulo, quando apostilas do oitavo ano da rede estadual foram proibidas. Eram alunos de 13 a 14 anos, não tão jovens.

Ruschel – Eu não sei detalhes desse caso, mas, de qualquer forma, eram menores de idade, não acho correto discutir sexualidade com menores.

R7 – E contra a escola sem partido? Defender que alunos denunciem professores que ensinam conteúdos de esquerda também não é um contrassenso para quem defende visões múltiplas?

Ruschel – Há uma viés de esquerda inegável nas universidades, principalmente nas públicas. Acho salutar a discussão, mas não só com um viés ideológico. Eu recebo denúncias a todo momento de perseguições a pessoas que pensam diferente. Quem questiona sofre represálias. Sou a favor do máximo de discussão, o máximo de abertura, mas para todos os temas.

R7 – Tudo o que vem da esquerda é ruim?

Ruschel – Eu sinto falta de uma esquerda moderna, que sabe dialogar com moderação e pense em desenvolvimento do país. Há uma ala no Partido Democrata dos Estados Unidos que é considerada mais moderada, que vê e combate a ineficiência do Estado e que propõe melhorias para a economia.

R7 – Você se considera um seguidor do escritor Olavo de Carvalho, conselheiro do presidente Bolsonaro?

Ruschel – Sim, eu o considero muito. Ele tem trabalhos profundos, mas muita gente se concentra nas partes polêmicas, nas declarações do dia a dia. Tem estudos sobre Aristóteles, por exemplo, cursos sobre filosofia política que as pessoas preferem ignorar. Eu fiz uma entrevista com o professor Olavo para o meu canal do YouTube em 2014 que fez muito sucesso. Nela, que já tem mais de uma milhão de views, ele antecipa tudo o que acabou acontecendo no país.

R7 – Você defende um segundo mandato para o presidente Bolsonaro?

Ruschel – Para mim as mudanças teriam de ser mais rápidas e mais profundas. Os corruptos tinham que ser presos. Temos um sistema viciado e fico preocupado com a sinalização de que a Operação Lava Jato está perdendo força . Ainda há muito a ser feito, mas hoje eu votaria, sim, num segundo mandato. Só quero mais tempo para analisar. Eu olho para o olho do Bolsonaro e sinto verdade, sinto que ele quer realmente mudar o país, mas é fato que o ritmo não é o que eu gostaria. Talvez ele passe a ter uma postura mais questionadora com os outros poderes agora que a Previdência vai ser aprovada e, assim, as coisas comecem a melhorar.

R7 – O filho do presidente, Carlos Bolsonaro, fez um post que causou polêmica no Twitter ao dizer que “pelas vias democráticas, as mudanças demoram mais”. Você concorda com ele?

Ruschel – Ele não quis dizer que defende a ditadura, ele afirmou que o ritmo vai ser lento. E demora porque o país precisa se reorganizar, é preciso afastar o totalitarismo de todas as instituições, é preciso cobrar mais de todos os poderes. Enquanto o Sergio Moro condenou 130 com a Lava Jato, o STF condenou um e cancelou a pena de duas pessoas. O Supremo não funciona e isso passa um sinal muito negativo para todos: ‘Se a Justiça não funciona, porque vou obedecer a lei?’

R7 – Você muitas vezes cita a classe política como atrasada e defensora do que há de pior no país, mas Bolsonaro ficou 27 anos no Congresso Nacional e é um representante dessa mesma classe. Você acha que ele tem o perfil para fazer as mudanças que você espera?

Ruschel – Sim, faz sentido essa análise e costumam utilizá-la para dizer que ele ficou 27 anos como deputado e não mudou nada, mas isso pode significar também que ele nunca fez parte desse jogo de fato. Quando ele se candidatou a presidente da Câmara ganhou cinco votos. O que mostra que ele nunca foi desse grupo.

R7 – Você perdeu amigos por causa de suas opiniões?

Ruschel – Como eu tenho esse perfil contestador, de defender certos pontos de vista mais conservadores, então já sofro isso há tempos. Eu criticava o Lula e era até xingado quando ele estava no auge da popularidade. Sobre as discussões, amigos se separando de amigos e familiares colocados à parte, acho inevitável que isso aconteça. A gente vem de governos que destruíram o país. O que aconteceu no governo da Dilma Rousseff foi um atentado econômico que causou muito sofrimento a todos. Então, eu entendo a indignação.

R7 – Um de seus ex-amigos era o jornalista Rodrigo Constantino?

Ruschel – Nós começamos nos distanciando em relação às propostas do Bolsonaro, mas aí veio uma matéria dizendo que militantes pró-Bolsonaro, entre os quais eu, estariam perseguindo adversários do governo e seriam liderados pelo próprio presidente. E o Constantino era fonte nessa reportagem. Um absurdo, nunca houve esse trabalho. Eu decidi acionar judicialmente o jornal que publicou o texto e fui cobrar o Constantino. Ele não gostou e passou a me criticar depois disso. Eu estou sofrendo perseguição de seguidores dele por causa dessa briga porque recentemente ele fez um post dizendo que tenho motivações pessoais para defender o Bolsonaro, coisas assim.

R7 – Você, então, é vítima de perseguições. Mas essa não é uma tática desse Fla-Flu atual, que você diz não ser tão ruim?

Ruschel – Se eu achar que alguém falou ou fez uma coisa errada, sou obrigado a dizer algo. Nunca vou estimular violência ou incitar alguém a atacar outra pessoa. Mas sempre vou dar minha opinião, de forma dura, da maneira que eu achar necessário fazer.

R7

Opinião dos leitores

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Saúde

Governo Federal passa marca de 50 milhões de vacinas anticovid distribuídas aos Estados

Foto: Força Aérea Brasileira

O governo federal passou a marca de 50 milhões de vacinas distribuídas aos Estados e ao Distrito Federal, de acordo com os dados do LocalizaSUS deste sábado (17.abr.2021). Até o fechamento da reportagem, o registro mostrava 53.493.436 de doses enviadas.

Dessa quantidade, 40,7 milhões são doses da CoronaVac, produzida pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac; 11,6 milhões do imunizante da AstraZeneca, produzido no Brasil pela Fiocruz; e outro 1 milhão também da AstraZeneca, enviadas pela aliança global Covax Facility em março. A campanha de imunização nacional começou em 18 de janeiro.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou a marca em suas redes sociais, afirmando que 28,4 milhões de doses foram aplicadas.

Estados e Municípios

Do total de doses recebidas, os Estados repassaram 93,7% aos municípios (50 milhões). São Paulo é a cidade que mais recebeu: 3,3 milhões. Em 2º lugar está o Rio de Janeiro, com 2,3 milhões. As outras localidades registram menos de 1 milhão.

O Poder360 mostrou em 16 de abril que os municípios brasileiros levam, em média, 17,8 dias para aplicar vacinas contra a covid-19 já entregues aos Estados pelo governo federal. O levantamento considerou o tempo que passa do momento que as doses são entregues à capital do Estado até a aplicação.

Poder 360

 

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Saúde

Jovem dá à luz gêmeas, contrai covid-19 e morre sem conhecer as filhas

Foto: G1 Santos

Após dar à luz prematuramente duas meninas gêmeas, uma jovem de 27 anos morreu nesta sexta-feira (16), no HGA (Hospital Guilherme Álvaro), em Santos. Ela passou um mês internada por conta da gravidez, de alto risco. Nathanny Ribeiro da Silva era hipertensa, tinha problemas sérios no coração e na tireoide e, pouco antes da cesariana de emergência, contraiu covid-19.

A enfermeira Ana Paula Maria Ramos é gerente da Usafa (Unidade de Saúde da Família) do bairro Sítio Conceiçãozinha, no Guarujá, onde a mãe morava.

A profissional de saúde acompanhou de perto a evolução da gravidez de Nathanny Ribeiro da Silva desde as primeiras semanas. Ela declarou a jovem, que deixou outros dois filhos pequenos, já havia sido aconselhada pelos profissionais da unidade a não engravidar novamente.

“A primeira gestação dela já foi muito difícil. Ela foi orientada a utilizar métodos contraceptivos, mas ela era muito teimosa”, conta, lembrando que no bairro, uma pequena comunidade carente na cidade do Guarujá, todos se conhecem. “Ela vinha muito à unidade. Mas não seguiu as recomendações e acabou engravidando do segundo filho”.

Quando Nathanny ficou grávida das gêmeas, Ana Paula sabia que o risco seria dobrado. E garante que, tanto ela quanto a equipe da unidade de saúde, fizeram de tudo para garantir que a jovem fosse assistida de perto.

“Ela parecia não entender a gravidade da situação, estava sempre muito alegre e sorridente. E às vezes não aparecia nas consultas do pré-natal. Eu ou alguém da equipe íamos até a casa dela para saber se estava tudo bem”.

O último atendimento que a enfermeira prestou a Nathanny foi no dia 05 de março. A pressão estava normal e a saúde da jovem parecia estável. “Depois desse dia, ela sumiu. Soube que havia procurado o HGA, que é especializado em gravidez de risco. Ela queria muito ter as bebês”.

Fuga do hospital

A Secretaria de Saúde do Estado informou que Nathanny deu entrada no dia 15 de março no Hospital Guilherme Álvaro já com quadro grave, com gestação de risco e histórico de comorbidades. Devido à gravidade clínica, foi internada na UTI e estava assistida por equipe multidisciplinar, retornando à enfermaria no dia 19.

No dia 21 de março, a jovem fugiu do hospital, onde estava internada antes mesmo antes mesmo da conclusão dos cuidados necessários e da alta médica. Um boletim de ocorrência (513981/2021) ao qual o UOL teve acesso foi registrado pela Polícia Civil no dia 22 de março, às 11h17.

Na madrugada do dia 23, a jovem começou a passar mal em casa. Com falta de ar, foi levada de volta ao HGA que, segundo a Secretaria de Saúde do Estado, já havia contatado a família, solicitando o seu retorno.

Ao realizarem uma tomografia, os médicos descobriram uma mancha nos pulmões e ela foi mantida no isolamento da maternidade, com suspeita de covid-19. Os exames deram positivo. No dia 25, a equipe realizou uma cesária de emergência e ela deu à luz as gêmeas, que nasceram prematuras, com sete meses.

Nathanny sequer pôde segurar as crianças. Logo após o parto teve que ser sedada, intubada e assim permaneceu, numa UTI específica para casos da doença, até a última quinta-feira (15), quando – já não respondendo mais aos tratamentos – acabou falecendo, às 12h46.

O corpo da jovem foi sepultado nesta sexta-feira (16), no Cemitério Jardim da Paz, em Guarujá.

Thaís Ribeiro, 21 é irmã de Nathanny. Ela informou ao UOL que, quando ela procurou o HGA, já não se sentia bem. Ela sentia uma pressão no peito e na barriga e já não conseguia respirar normalmente. “Quando minha mãe foi ao HGA receber a notícia do falecimento dela, disseram que a causa da morte tinha sido um problema no coração, não a covid-19. Mas quando ela voltou, após ter fugido, colocaram ela numa sala com um paciente que já estava intubado por conta da doença. E ela começou a ficar com muito medo de ter a covid. Acreditamos que ela acabou pegando lá”.

“Foram seguidos todos os protocolos, tanto para a gestação de alto risco quanto para casos de coronavírus, sendo incorreto afirmar que ela teria se infectado na unidade, uma vez que deixou o serviço contra indicação médica. Durante a internação, o hospital prestou atendimento dentro dos protocolos, forneceu informações aos familiares e segue à disposição dos mesmos”, afirmou a Secretaria de Saúde, na nota.

Avó precisa de ajuda

Nathanny morava com o namorado e não trabalhava. Agora os quatro filhos da jovem estão sob os cuidados da avó materna, que não quis dar entrevistas por conta do luto. A família, de origem muito humilde, precisa de doações para as gêmeas, Lívia e Lavínia, que nasceram saudáveis, livres da covid-19 e já estão sob o atendimento direto da enfermeira Ana Paula.

Fraldas, produtos de higiene, leite em pó podem ser encaminhados à Usafa do Sítio Conceiçãozinha, que fica na R. Nova Esperança, 11, em Vicente de Carvalho.

“Queremos ajudar, conhecemos a família e tínhamos um carinho grande pela Nathanny. Além de ser gerente da Usafa, estou sempre tentando fazer mais, por ser uma comunidade muito carente. Quem puder ajudar, é só me procurar lá na Usafa”, concluiu Ana Paula.

UOL

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Acidente

Morrem pai e filho atingidos por explosão no bairro das Rocas; Eles estavam internados desde a semana passada

Foto: Kleber Teixeira/Inter TV Cabugi

Um homem de 53 anos morreu poucas horas após o filho e se tornou a segunda vítima fatal da explosão que deixou seis pessoas feridas e destruiu quatro imóveis no dia 9 de abril no bairro das Rocas, na Zona Leste de Natal. Dos seis feridos, cinco são da mesma família.

O óbito aconteceu nesta sexta-feira (16), porém, só foi confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde a pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), que recolheu o corpo neste sábado (17).

VEJA MAIS: Explosão atinge imóveis e deixa pessoas feridas no bairro das Rocas, em Natal

Antônio José da Silva, de 53 anos, estava internado no Hospital Walfredo Gurgel em estado grave havia uma semana, desde que aconteceu o acidente. Poucas horas antes da sua morte, Adriano Souza da Silva, o filho dele, de 28 anos, também havia falecido. Veja a matéria completa no G1-RN.

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Saúde

Genes humanos que lutam contra o Sars-CoV-2 são identificados em estudo

Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases, NIH

Um grupo de genes humanos que combatem a infecção por Sars-CoV-2, o vírus causador da Covid-19, foi identificado em um novo estudo do Instituto Sanford Burnham Prebys, dos Estados Unidos. A descoberta foi publicada na revista científica Molecular Cell.

De acordo com Sumit K. Chanda, diretor e professor do Programa de Imunidade e Patogênese do Sanford Burnham Prebys, o objetivo da pesquisa era compreender como as células humanas reagem ao novo coronavírus e quais fatores determinam a força de uma resposta à infecção. “Tivemos novos insights sobre como o vírus explora as células humanas que invade, mas ainda estamos procurando seu ‘calcanhar de Aquiles’ para que possamos desenvolver antivirais adequados”, ele explicou em um comunicado.

Chanda e sua equipe iniciaram sua pesquisa após perceberem que alguns dos casos mais graves da Covid-19 estavam relacionados a uma atuação fraca dos interferons, glicoproteínas que agem na defesa do nosso organismo. Assim, com base no que a ciência já havia descoberto sobre o Sars-CoV-1, que teve um surto entre 2002 e 2004 e é semelhante ao Sars-CoV-2, os pesquisadores conduziram experimentos para identificar genes ativados por esses proteínas (ISGs, na sigla em inglês), que combatem a infecção do coronavírus controlando a replicação dele.

Os cientistas acabaram encontrando 65 ISGs que controlaram a infecção por Sars-CoV-2 – alguns desses genes, inclusive, impediram o vírus de entrar nas células e evitaram a fabricação de RNA, que seria essencial para o patógeno. “O que também foi muito interessante foi o fato de que alguns dos ISGs exibiram controle sobre vírus sem relação [com a Covid-19], como o da gripe sazonal, o da febre do Nilo Ocidental e o HIV, que leva à Aids”, adicionou Chanda.

Laura Martin-Sancho, pesquisadora associada no laboratório de Chanda e autora principal da pesquisa, tambem explicou que foram identificados oito ISGs que inibem a replicação do Sars-CoV-1 e do Sars-CoV-2 no compartimento subcelular que é responsável pelo empacotamento de proteínas. Isso indica que essa área pode ser explorada para limpar a infecção viral. “Essa é uma informação importante, mas ainda precisamos aprender mais sobre a biologia do vírus e investigar se a variabilidade genética dentro desses ISGs se relaciona com a gravidade da Covid-19”, apontou a cientista.

Com isso, os pesquisadores já começaram a coletar variantes do Sars-CoV-2 para levarem sua pesquisa adiante. “É de vital importância não interromper os esforços de estudo agora que as vacinas estão ajudando a controlar a pandemia”, observou Chanda. “Chegamos muito longe rapidamente por causa do investimento em pesquisa fundamental que foi feito no Sanford Burnham Prebys e em outros lugares, e nossos esforços contínuos serão especialmente importantes quando – e não se – outro surto viral ocorrer.”

Galileu

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Economia

Depois de 14 anos, Brasil deve ter contas externas no azul com boom de commodities

Foto: Ivan Bueno/APPA

Com um novo boom das commodities (produtos básicos, como petróleo, grãos e minério) no mercado internacional, o Brasil deve voltar a fechar em 2021 as contas externas no azul após 14 anos. De acordo com o Banco Central, depois de um rombo de US$ 12,5 bilhões no ano passado – já considerado baixo para os padrões brasileiros – a estimativa é de saldo positivo de US$ 2 bilhões em 2021, o primeiro superávit desde 2007.

A conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior, incluindo o saldo comercial de mercadorias e serviços, as remessas de lucros e dividendos e os juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais.

A última vez em que o resultado ficou no azul ocorreu no boom global das commodities do começo deste século, quando o Brasil registrou superávits por cinco anos consecutivos a partir de 2003. Até o fim do ano passado, o BC previa um novo déficit de US$ 19 bilhões nas contas externas para 2021. Mas, com o aumento nos preços das commodities que o Brasil produz, o BC elevou a projeção de resultado em US$ 21 bilhões, para saldo positivo de US$ 2 bilhões.

Com as estimativas para as contas de serviços e de renda primária praticamente estáveis, a grande diferença veio na projeção para a balança comercial em 2021, que passou de superávit de US$ 53 bilhões para US$ 70 bilhões. Se o valor se confirmar, será o maior da história para o saldo comercial medido pelo BC. Pelas contas da instituição, somente as exportações devem alcançar US$ 256 bilhões este ano, superando o recorde de US$ 253,185 bilhões de 2011.

“Apesar de terem começado o ano em nível deprimido, espera-se que as exportações aumentem a partir de março, impulsionadas pelo escoamento da boa safra de soja, pelo patamar elevado para preços de commodities e pela recuperação da demanda internacional”, destacou o BC no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

O Ministério da Economia também espera um superávit comercial recorde em 2021, de US$ 89,4 bilhões, crescimento de 75% ante o saldo de US$ 50,9 bilhões no ano passado. Enquanto a pasta considera os valores de todos os contratos de exportações e importações, a métrica do BC inclui apenas os recursos que efetivamente saíram e entraram no País.

No mercado internacional, os preços das commodities subiram 50% no último ano, conforme o BC. No mercado brasileiro, em reais, os preços das commodities tiveram alta de 66% no mesmo período. O impacto das commodities nas contas externas é cada vez maior porque o peso dos produtos básicos nas exportações brasileiras é crescente, passando de 53% do total embarcado em 2019 para 57% no ano passado.

O presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destaca que o crescimento nas vendas desses produtos ocorre muito mais pelo preço do que pela quantidade produzida. “Há um aumento generalizado nos preços de todos esses produtos que o Brasil já produz em grande volume, como soja, milho, minério e petróleo. Além do aumento na demanda por países que já começaram a sair da crise, há um gargalo de falta de navios e contêineres que ajuda a pressionar os custos”, diz.

Para Castro, diferentemente do que ocorreu na primeira década deste século, a alta nos preços das commodities não deve continuar por muitos anos: “Ainda estamos no meio da pandemia, e não consigo imaginar esse movimento como uma coisa duradoura. Pode até haver alguma expansão na produção de alimentos para atender a uma demanda conjuntural decorrente de auxílios de renda, mas na metalurgia não vejo investimentos para a ampliação da capacidade que não terá demanda no futuro. ”

Já o economista chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, projeta um ciclo mais extenso de valorização das commodities, pelo menos enquanto durarem os grandes pacotes fiscais lançados pelas principais economias avançadas. “No meu cenário, o boom das commodities é algo que veio de maneira mais duradoura, porque o ambiente é de liquidez (quantidade grande de recursos) e com uma perspectiva longa no tempo. A União Europeia, por exemplo, já anunciou que vai manter seu pacote até 2026”, conclui o economista.

O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, possui uma visão mais crítica sobre o superávit em conta corrente projetado para 2021. Segundo ele, apesar do desempenho das commodities, o resultado esperado faz parte de um diagnóstico ruim da economia brasileira. “É sinal de um quadro doméstico deteriorado, com câmbio fora do lugar e dificuldades para a população, o que reduz as importações”, afirma.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Que ótima notícias em meio a uma situação difícil que passamos com essa doença. Se fosse ao contrário tinha vários aqui ofendendo o governo federal, mas sou brasileiro e torço por um país melhor.

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Saúde

COVID: Brasil registra 2.929 óbitos e 67 mil novos casos nas últimas 24h

O Ministério da Saúde divulgou os dados mais recentes sobre o coronavírus no Brasil neste sábado (17):

– O país registrou 2.929 óbitos nas últimas 24h, totalizando 371.678 mortes;

– Foram 67.636 novos casos de coronavírus registrados, no total 13.900.091 pessoas já foram infectadas.

Opinião dos leitores

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Saúde

‘Parede falsa’ escondia 19 respiradores novos em hospital do Pará, diz funcionária

Foto: reprodução/Agência Pará

Uma vistoria feita no Hospital Regional Abelardo Santos, a 20 quilômetros de Belém (PA), descobriu 19 respiradores novos em uma “parede falsa” de uma sala da unidade hospitalar. A descoberta aconteceu durante o processo de troca de gestão da Organização Social de Saúde (OSS) Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, que administrava o hospital, no dia 22 de março.

Uma funcionária do hospital afirmou à CNN que os respiradores estavam atrás de uma ‘parede falsa’ no auditório do prédio e que foi preciso quebrar a parede para terem acesso aos equipamentos. Ela preferiu manter a sua identidade preservada.

“Todo o patrimônio do hospital é contabilizado e esses 19 aparelhos eram registrados, mas estavam desaparecidos. E o setor financeiro da Secretaria Estadual de Saúde estava à procura deles. Porque foi uma compra e eles sabiam. Algumas pessoas muito restritas ficaram sabendo, mas a história foi abafada”, disse.

A instituição, que fica no distrito de Icoaraci, é referência no combate à Covid-19 e atendia exclusivamente pacientes com a doença até o dia 15. O governo do Pará confirmou à CNN a informação sobre os ventiladores e afirmou que uma comissão interna está apurando as razões dos aparelhos não terem sido utilizados até aquele momento.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará nega a informação de uma possível “parede falsa”. Segundo a secretaria, os respiradores foram imediatamente colocados em uso após a realização de uma análise técnica. De acordo com a pasta, o atendimento de pacientes não foi prejudicado. O estado do Pará registra ocupação de 81,3% de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 60,1% de ocupação de leitos de enfermaria no sistema público.

O governo do Pará não informou o valor pago por equipamento e nem a data de aquisição. Procurada, a Santa Casa de Pacaembu ainda não se pronunciou.

Suspeita de desvio

A juíza Marisa Belini de Oliviera, da 3ª Vara da Fazenda de Belém, determinou que R$ 2,18 milhões em dinheiro e imóveis de 11 réus fiquem indisponíveis.

A decisão, proferida no último dia 12, foi tomada após denúncia do Ministério Público do Pará. O governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), integrantes da Casa Civil e da secretaria da Saúde são alvos da decisão.

A ação civil pública investiga suspeita de desvios de dinheiro público no enfrentamento à pandemia no estado. A magistrada, no entanto, indeferiu pedido de afastamento do governador do cargo.

Sobre a decisão, o governo do Pará disse que “a empresa devolveu todo o recurso aos cofres do Estado – e ainda é processada por danos morais coletivos”. A defesa do governador informou que recorreu ao Tribunal de Justiça.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Era pra PRENDER de imediato um FILHO DE UMA PUTA desses e torná-lo INELEGÍVEL…é um absurdo o que estamos v8vendo nesse país!…nojo desse povo corrupto!

  2. Esses assassinos deveriam ir todos para o paredão, semelhante na china que eles tanto veneram. Depois que fizesse umas duas limpas , rapidinho esses bandidos iam dar um freio. Prender não resolve , porque o STF é formado só por bandidos, melhor solução, paredão neles.

  3. Aí a culpa também será do genocida???????
    Governadores muitíssimos preucupaldos com a população…..

    1. O Senador Pai deste Governador é membro ds CPI. Brincadeira!

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Política

Governo federal abre caminho para reajuste salarial de servidores em 2022

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2022, enviado pelo Ministério da Economia ao Congresso nesta semana, autoriza o governo a conceder reajuste para servidores públicos federais no próximo ano. A proposta ainda precisa ser aprovada pelos parlamentares.

Desde o início do mandato de Bolsonaro, sob orientação do ministro Paulo Guedes (Economia), os aumentos para servidores foram travados. A única exceção aberta pelo governo foi o aumento concedido a militares, que seguiram com o direito ao benefício.

No entanto, ao formular o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2022, enviado ao Congresso nesta quinta-feira (15), o governo mudou a direção e incluiu um dispositivo que autoriza a revisão geral das remunerações dos servidores.

Na prática, a medida abre caminho para a gestão Bolsonaro negociar e propor um aumento amplo para o funcionalismo.

O mecanismo está previsto na Constituição, que afirma que a remuneração dos servidores públicos somente poderá ser fixada ou alterada por lei específica, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.

No entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu que essa medida não é obrigatória, sob o argumento de que é necessário compatibilizar a revisão das remunerações com as restrições orçamentárias do governo.

A decisão da Corte ainda concluiu que o termo “revisão” não tem significado claro e, portanto, não pode impor ao governante que os reajustes sejam concedidos.

Na justificativa da proposta orçamentária de 2022, o Ministério da Economia afirma que a previsão incluída na lei, por si só, não garante que aumentos serão concedidos. Ressalta ainda que a decisão dependerá de previsão orçamentária e respeito ao teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação.

“Em que pese o citado dispositivo autorizativo no PLDO, apenas quando da elaboração do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2022 ter-se-á a avaliação adequada do cenário fiscal para a definição quanto à concessão ou não da revisão geral anual naquele exercício financeiro”, disse a pasta no documento.

O projeto, embora assinado por Guedes, contraria o discurso do ministro da Economia. Para ele, depois de cortar gastos com Previdência e juros da dívida pública, o principal alvo do governo deveria ser uma redução das despesas com a folha salarial.

Desde 2019, o governo vinha fazendo, sob comando de Guedes, uma espécie de reforma administrativa silenciosa, enxugando a estrutura do funcionalismo.

Com exceção dos militares, que tiveram aumento autorizado no primeiro ano do governo Bolsonaro, não houve nenhuma liberação de reajuste nos três anos. Primeiro, o congelamento foi informal, por decisão do governo.

Depois, em 2020, ao negociar um pacote de socorro a estados e municípios na pandemia, Guedes conseguiu incluir na lei um dispositivo que congelou oficialmente as remunerações de servidores até 31 de dezembro deste ano. Não há trava formal para 2022.

Além de segurar salários, o enxugamento da máquina pública foi impulsionado por meio da não reposição de vagas. O último dado disponibilizado pelo governo, do ano passado, mostra que para cada 100 servidores que se aposentam ou deixam o posto, o governo vinha recolocando apenas 26 vagas. Esse é o menor índice dos últimos anos.

Em 2020, o governo federal destinou R$ 321 bilhões para bancar a folha de pessoal e encargos sociais. O valor nominal ficou R$ 8 bilhões acima do ano anterior, mas, quando se observa a variação descontada a inflação, houve uma queda real de 0,6%.

No ano passado, Guedes ainda apresentou ao Congresso uma proposta de reforma administrativa, que é tratada como prioritária pelo governo. A medida tem o objetivo de reestruturar carreiras, limitar a estabilidade, aprimorar progressões e reduzir os salários de entrada dos servidores.

Para o ano de eleição, para a qual Bolsonaro pretende se candidatar à reeleição, a LDO de seu governo trouxe medidas que abrem margem para a execução de ações que geram apelo político.

Além da permissão de reajuste que poderá alcançar os quase 600 mil servidores federais, o governo incluiu na lei orçamentária uma autorização para que obras públicas sejam executadas no ano que vem mesmo em caso de atraso na aprovação do Orçamento.

O texto da LDO prevê novas autorizações de despesas durante esse período em que o Orçamento não estiver aprovado. Ficam liberados os gastos integrais de investimentos de estatais e de recuperação de rodovias. É autorizada ainda a execução de 1/24 do valor das despesas de capital, como compra de máquinas, realização de obras e aquisição de imóveis.

Os gastos com obras públicas são uma demanda de parlamentares e de membros da ala política do governo. Além da defesa de que a recuperação econômica após pandemia precisa ser impulsionada por esses investimentos, políticos também buscam recursos para projetos que serão usados como vitrine eleitoral no ano que vem.

​Além disso, por conta de um impulso na inflação deste ano, o governo ganhará R$ 106 bilhões de espaço no teto de gastos em 2022. Isso dará uma folga para que despesas públicas sejam ampliadas.

Com informações de O Globo e Folha de S. Paulo

Opinião dos leitores

  1. Travar salário por 3 anos e anunciar reajuste nas vésperas de eleições deixa o servidor com a pulga atrás das orelhas.

  2. Sou servidor público federal e não tive nenhum reajuste nos últimos seis anos… meu salário está congelado desde 2015, um absurdo!

  3. Só pra ganhar voto. Mas não vai ter o meu, não. Nem que o reajuste seja de 100%. Quer enganar a quem?

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Judiciário

Juíza determina penhora de direitos autorais de livro de Cunha para pagar honorários de advogados

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A juíza Virginia Lúcia Lima da Silva, da 30ª Vara Cível do Rio de Janeiro, determinou a penhora dos direitos autorais do livro ‘Tchau Querida, o diário do Impeachment’, escrito pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ). A obra foi lançada neste sábado, 17, e narra os detalhes sobre o processo que levou ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República, em 2016.

Os valores penhorados chegam a R$ 15 mil e deverão ser utilizados para quitar honorários advocatícios relativos a um processo que Cunha pedia indenização à Infoglobo por uma matéria jornalística que discutia o projeto de lei que visava instituir o ‘Dia do Orgulho Heterossexual’, proposta encabeçada pelo parlamentar.

“Como perdeu a ação e não foi encontrado dinheiro em sua conta bancária para ser penhorado, a juíza determinou a penhora dos direitos autorais sobre o livro”, registrou o Tribunal de Justiça do Rio.

Na decisão, a magistrada estabelece a penhora dos bens ‘até o valor atualizado de R$15.251,40 (quinze mil, duzentos e cinquenta e um reais e quarenta centavos’.

Fausto Macedo – Estadão Conteúdo

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Saúde

Mossoró mantém ritmo e vacina 60 anos durante todo o fim de semana

Foto: reprodução

A Prefeitura de Mossoró segue sendo a prefeitura mais adiantada entre as grandes do RN na vacinação COVID-19, vacinando durante todo o fim de semana pessoas com 60 anos ou mais, em dez unidades de saúde (UBS) espalhadas por todas as regiões da cidade.

Segundo o prefeito Allyson Bezerra, “o sucesso da vacinação em Mossoró se deve, entre outras coisas, ao fato de que nós tomamos uma medida, desde o início, de descentralizar a vacinação” e acrescenta que “enquanto nós percebemos que algumas cidades trabalharam de forma concentrada em alguns pontos, onde as pessoas precisavam ir aos locais de carro, nós buscamos um meio de facilitar esse acesso, por meio das nossas UBS” conclui.

Opinião dos leitores

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