Brasil na briga pelo 3º lugar no mercado mundial de carros

Cleide Silva – O Estado de S.Paulo

Enquanto a China lidera com folga a lista das nações que mais vendem automóveis no mundo, e os Estados Unidos se consolidam na segunda posição, quatro países, entre os quais o Brasil, disputam o terceiro posto. No primeiro quadrimestre, a diferença em vendas entre o terceiro colocado (Japão) e o sexto (Brasil) é de apenas 216 mil carros. No meio dos dois estão Índia e Alemanha.

Depois de encerrar 2010 como quarto maior mercado mundial, com vendas de 3,5 milhões de veículos, o Brasil caiu para a sexta posição no resultado acumulado de janeiro a abril deste ano, com 1,114 milhão de veículos. O Japão, que ainda enfrenta as dificuldades do terremoto de março, está em terceiro lugar, com 1,33 milhão de unidades. A Índia aparece em quarto, com 1,179 milhão de unidades.

Na quinta posição está a Alemanha, com 1,133 milhão, apenas 19 mil carros à frente do Brasil. O país europeu, que em 2010 ficou na quinta colocação geral, cresce a um ritmo de quase 12% em relação aos primeiros quatro meses de 2010, enquanto o Brasil cresce 4,6%. A Índia está crescendo quase 19% e os EUA, 19,4%. A China, que conquistou o topo do ranking em 2009, tem resultados 6% superiores aos do ano passado.

O Japão é o único entre os seis maiores mercados a registrar queda de 28,2% neste ano. As principais montadoras do país asiático ainda enfrentam escassez de componentes para a produção depois que o terremoto e o tsunami destruíram várias fábricas de fornecedores.

Japão. Na opinião de Michael Hanley, líder global da área automotiva da Ernest & Young, o Japão sofrerá as consequências da tragédia natural ocorrida no início do ano, mas a partir de 2012 deve se recuperar. “Já a América do Norte e alguns países da Europa estão em recuperação, mas ainda não devem chegar aos níveis de antes da crise de 2008 e 2009”, diz o especialista.

A França, na sexta posição, registrou o mesmo aumento do Brasil, de 4,6%, para 979 mil unidades vendidas neste ano, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e de entidades do setor.

Hanley assina a tese de que os países emergentes, principalmente China, Índia e Brasil, serão os motores da indústria automobilística nos próximos anos. Ele defende, porém, um crescimento sustentável. “É melhor crescer 2%, 3% ou 4% ao ano do que ter um boom de vendas e depois enfrentar uma queda drástica”, afirma.

O executivo da Ernest & Young cita o Brasil, que cresceu quase 12% em 2010 e que este ano segue em ritmo menos acelerado. A Anfavea projeta para 2011 aumento de 5% nos negócios, para quase 3,7 milhões de veículos. Hanley acredita que o crescimento será menor, entre 1% e 2%.

Recorde. O ritmo atual está mais próximo das previsões da Anfavea. Faltando dois dias para terminar, este já é o melhor maio da história em vendas no mercado brasileiro. Até quinta-feira (último dado disponível), foram licenciados 265,4 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus, segundo dados preliminares com base no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavan).

A expectativa das montadoras é de encerrar o mês com aproximadamente 310 mil unidades. O recorde para meses de maio até agora havia sido o de 2010, com 251 mil veículos. No acumulado do ano, os resultados somam 1,38 milhão de unidades, cerca de 8% maior que no mesmo período de 2010.

O resultado total deste mês deverá também superar o de abril, que somou 289,2 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em vendas diárias, porém, haverá queda. O mês passado teve 19 dias úteis, com média de 15,2 mil carros vendidos ao dia. Este mês terá 22 dias úteis e a média diária, até quinta-feira, estava em 13,9 mil unidades.

Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos, até quinta-feira, 249,9 mil unidades, 23% a mais do que em igual período do ano passado. No acumulado, esse segmento soma vendas de 1,3 milhão de unidades, e é liderado pela Fiat, com 22,1% de participação. A Volkswagen está em segundo lugar, com 20,9%, e a General Motors em terceiro, com 18,5%.

A greve na fábrica da Volkswagen no Paraná, que já dura 25 dias corridos, não teve impacto na posição da montadora, ao menos até agora. Em maio, foram vendidos 52,3 mil veículos da marca, o equivalente a 20,9% do total comercializado até quinta-feira. A Fiat tem 21,8% de participação, a GM tem 18,7% e a Ford, 9,1%, contabilizando-se apenas as quatro maiores companhias.