Diversos

Brasileiros escutam ‘good morning, coronavírus’ em atos xenófobos no exterior

Foto: Mario De Fina

“Corona, corona! Volte para o seu país.” Em meio à pandemia de coronavírus, brasileiros contam que vêm sendo vítimas de hostilidades no exterior. Segundo relatos de viajantes na Índia e em alguns países da África, eles e outros estrangeiros têm sido expulsos de hotéis, sofrido constrangimento por parte de autoridades locais e ouvido frases como a da abertura deste texto na rua.

Até na China, origem da pandemia, há casos de preconceito contra estrangeiros, desde que o país conseguiu reduzir a transmissão local e começou um esforço para evitar uma segunda onda de contaminação, desta vez vinda de fora. Uma reportagem do jornal inglês The Guardian traz casos de pessoas expulsas de restaurantes, lojas e hotéis, e um vídeo que circula na internet mostra três russos impedidos de entrar em uma loja para comprar máscaras.

Na Índia, onde um grupo de quase 180 brasileiros tenta ser repatriado após o fechamento das fronteiras, parte deles também conta ter vivido momentos tensos, especialmente em cidades menores.

A servidora pública Claudia Segobia, 50, foi pressionada para sair do hotel onde estava havia mais de um mês em Vrindavana, no norte do país. “Começaram a me perseguir lá dentro. Fui chamada por três homens da administração, pediram meu passaporte, eu ingenuamente dei na mão deles. Disseram que teriam que entregar o documento à polícia e que viriam me buscar para fazer exame e me colocar em quarentena.”

Hoje, ela está na casa de uma amiga. “No caminho para lá, começaram a apontar para mim na rua e a gritar: ‘Corona, vá para casa!’”, lembra. “Descobriram meu telefone, não sei como, e me ligaram dizendo que sabem onde estou e que vão chamar a polícia.”

Em vídeo enviado à Folha, ela mostra um tecido que colocou como proteção na janela do quarto onde está, para não ser vista do lado de fora. “Estou com muito medo, não saio daqui para nada. E a situação tende a piorar. Nenhum relato que eu faça consegue expressar o que estou sentindo. Foi muita humilhação.”

Cláudia diz que informou a embaixada brasileira e que tem recebido suporte do corpo diplomático. “Mas precisamos sair daqui. Espero que algo possa ser feito por nós.”

Em outra pequena localidade no leste da Índia, o fotógrafo Tiago Mendonça, 38, foi expulso com um amigo mexicano que o acompanha em uma viagem. “A dona do hostel começou a nos pressionar para sairmos de lá. Ela estava muito ansiosa, acho que estava sendo pressionada também. Um dia, saímos para comer, e três adolescentes pegaram uma pedra no chão e nos olharam, dizendo: ‘Você não é bem-vindo aqui’”, conta.

Na noite seguinte, alguém jogou uma pedra no telhado do hostel. “Era um paralelepípedo enorme, fez um barulho muito alto.” A dupla saiu da cidade e agora está em um lugar seguro.

“A paranoia está criando um sentimento de repúdio aos estrangeiros. Não os culpo, eles estão com medo. É um problema que está acontecendo no mundo todo, mas as pessoas não deveriam procurar um culpado”, afirma.

Em uma enquete feita por um dos brasileiros que aguardam repatriação na Índia, respondida por 140 pessoas na mesma situação, 23 delas relataram ter sofrido hostilidades por parte da população e 13, por parte da polícia. Ao menos 30% temem que as hostilidades aumentem à medida que forem surgindo mais casos de Covid-19 no país.

Um dos depoimentos reunidos pelo grupo é de uma brasileira que se hospedou na casa de um guru de ioga após seu curso ter sido suspenso. Um grupo de 20 policiais foi até a residência, obrigando todo mundo a ficar de quarentena, e divulgou para a população local que a casa estava infectada por tê-la recebido. “Estamos vendo muitos atos xenofóbicos por autoridades na Índia. Para os mesmos, se você for estrangeiro, é um coronavírus ambulante”, diz o relato.

Até agora, a embaixada na Índia conseguiu negociar cerca de 15 lugares para os brasileiros em um voo da Air France. O valor da passagem, porém, é impeditivo para alguns turistas: entre US$ 1.500 (R$ 7.800) e US$ 2.000 (R$ 10.500). “Normalmente a passagem de ida e volta custa uns R$ 4.000. A maioria de nós não tem condições de arcar com esse valor extra”, afirma Cláudia.

Em nota, o Itamaraty afirmou que a embaixada em Nova Déli e o consulado em Mumbai estão buscando meios de superar as restrições do governo indiano para possibilitar o retorno dos brasileiros.

O órgão diz que tem negociações em curso com companhias aéreas para buscar soluções de repatriamento e que está apoiando os brasileiros com medidas como compra de medicamentos e alimentos para quem precisa, “resgate de brasileiras expulsas de seus hotéis e em situação de vulnerabilidade em cidades próximas a Nova Déli e obtenção de alojamento em local seguro na capital” e “atendimento de brasileiros detidos pela polícia”.

‘DOENÇA DE BRANCO’

Em alguns países africanos, viajantes que se sentiam bem recebidos até recentemente relataram uma mudança de atitude da população após a chegada da pandemia ao continente.

A jornalista Marina Pedroso, 27, que faz uma viagem de volta ao mundo e parou no Quênia durante o isolamento, conta que o primeiro caso que ouviu de constrangimento a estrangeiros foi na Tanzânia.

“Aconteceu com três asiáticas que conheci. Disseram para elas: ‘Corona, volte para seu país’. Aqui no Quênia, depois que descobriram o primeiro caso, comecei a sentir eu mesma essa hostilidade”, conta. “Eles falam ‘hello’; se não dou bola, soltam logo um ‘corona!’. Tenho medo de sair, compro comida no máximo uma vez por semana.”

Marina conta um episódio que aconteceu quando ela estava com uma colega viajante de Hong Kong em um ônibus. “Um homem sentou do lado dela, cobriu a boca e o nariz com a camiseta e começou a falar ‘corona’. Depois o pessoal do ônibus pediu desculpas pelo comportamento dele.”

Em Botsuana para fazer trabalho voluntário, Lucy Mazera, 49, doutora em serviço social, foi outra que notou a mudança de tratamento da população. “Quando vou ao mercado, ficam me olhando como se fosse um vírus. Não chega a ser agressivo, mas percebo que eles têm medo. Já me disseram: ‘good morning, coronavírus’ [bom dia, coronavírus]. Sou loira de olhos claros, acho que eles pensam que sou europeia.”

Lucy afirma, porém, que entende o lado da população. “Não é proposital, é questão de sobrevivência. Os brancos sempre trouxeram doenças para a África.”

Acostumada a ser bem tratada em Gana, onde vive temporariamente, a professora de dança Ana Carolina Ussier, 30, diz que a mudança foi “da noite para o dia”. “A hospitalidade dos ganeses é famosa. Normalmente existe aqui até uma espécie de reverência às pessoas brancas. Com a confirmação dos primeiros casos no país, isso mudou.”

Há cerca de um mês, ela estava passeando com um grupo de brasileiras em um mercado de rua e uma mulher saiu correndo ao vê-las. “Uma vendedora perguntou: ‘Você entendeu o que aconteceu? Ela ficou com medo de vocês, porque coronavírus é doença de branco’.”

A brasileira também ajudou um chinês que está viajando o mundo de bicicleta e não conseguiu nenhum lugar que o hospedasse na cidade.

Em três semanas de isolamento, Ana Carolina só saiu de casa duas vezes. “Peguei transporte público e todas as fileiras lotaram, menos a minha. Eu estava com vontade de tossir, fiquei morrendo de medo.”

Folha de São Paulo

 

Opinião dos leitores

  1. Calma pessoal, não quer dizer que todos são assim. Estou na Índia e não passei por nenhum problema como esse….. Sendo que nem pedi para repatriar ainda…. Pois trabalho num hotel . E claro temos que levar em conta que isso pode acontecer…por causa do medo. Mas o tratamento do indiano ao estrangeiro nos hotéis , ou no hotel que eu trabalho eu nunca vi em nenhum lugar do mundo nem mesmo no Brasil. Outro nível. E olha que eu trabalhei em muitas redes famosas.

  2. Ser tratado como lixo nos países desenvolvidos é ruim agora ser lixo no 3º mundo e demais.
    Seria bom o brasileiro ter lembrança disso quando passar esta pandemia e nunca mais pisar messes países.

    1. BG
      E o Brasil "contaminados" de Chineses, Venezuelanos,etc em todas as cidade, tá bom de expulsa-los também

  3. Só fazem isso pq a mídia vende a imagem de que o Brasil foi exterminado pelo corona e os poucos que ainda estão vivo estão visitando outros países.

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Política

PESQUISA ATLASINTEL: 53,8% desaprovam o governo Lula, enquanto 43,7% aprovam

Foto: Valter Campanato

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (10/9) mostra que a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de 53,8%, enquanto a aprovação ficou em 43,7%.

Os entrevistados responderam à pergunta: “Você aprova ou desaprova o desempenho do presidente Lula?”.

Veja os resultados:

▪️ Desaprovo: 53,8%
▪️ Aprovo: 43,7%
▪️ Não sei: 2,5%

No mais recente levantamento, feito em agosto, o índice de desaprovação era de 53%. A aprovação era de 45% — portanto, uma queda de 1,3 ponto percentual. Há um mês, o total dos indecisos era de 2%.

Ainda de acordo com a pesquisa, 50,8% dos entrevistados avaliam o governo como ruim ou péssimo. Outros 38,3% consideram bom ou ótimo, e 10,8% dizem ser regular.

O levantamento ouviu 5 mil eleitores entre 4 e 9 de setembro. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob código BR-01452/2026.

Com informações de Metrópoles

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Eleições 2026

Hélio de Mundinho mostra força política e leva grupo de Guamaré para apoiar Zenaide Maia

Foto: Divulgação

O prefeito de Guamaré, Hélio Willamy (PSDB) o Hélio de Mundinho, mostrou nesta quarta-feira (10) que chega forte ao jogo político de 2026. Ao declarar apoio à reeleição da senadora Zenaide Maia, Hélio não veio sozinho: levou consigo a vice-prefeita Marciclecia Santiago, o presidente da Câmara, Eudes Miranda, e mais seis vereadores, ex-prefeitos, suplentes de vereador e lideranças comunitárias que integram o seu grupo político no município.

A declaração de apoio reforça o peso de Hélio de Mundinho no cenário político da Costa Branca potiguar. “Admiro muito o trabalho de Dra. Zenaide no Senado. É uma mulher honesta e que tem importantes entregas no nosso Estado, principalmente na área da saúde. Terá meu voto e o apoio do nosso grupo político para renovar o seu mandato”, declarou o prefeito. Também participou do encontro, a ex-vereadora de Macau, Odete Lopes, segunda suplente da senadora.

Mais do que um gesto político de Hélio, o encontro deixou clara a unidade do grupo liderado pelo prefeito em torno do projeto de reeleição de Zenaide. “Zenaide tem compromisso com o futuro do Rio Grande do Norte e Guamaré entra nessa pauta. Vamos seguir juntos rumo à vitória”, concluiu o prefeito.

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Eleições 2026

Walter Alves percorre mais de 10 municípios e amplia apoios à candidatura a deputado estadual

Foto: Divulgação

O candidato a deputado estadual Walter Alves teve uma agenda intensa neste fim de semana. De sexta-feira (4) a domingo (6), ele percorreu três regiões e visitou 11 municípios do Rio Grande do Norte, onde se reuniu com eleitores, participou de movimentações políticas e recebeu a adesão de novas lideranças à sua candidatura.

A maratona começou na sexta-feira, em Angicos, onde Walter participou de uma carreata ao lado do prefeito Pinheiro Neto, do vereador Tiago Braga e de outros apoiadores. Em seguida, esteve em Patu, sendo recepcionado pelo ex-prefeito Rivelino Câmara durante o Encontro Bacurau. No município, Walter também conta com o apoio da vice-prefeita Lucélia Ribeiro e das vereadoras Roberta Nunes e Priscila Dantas.

No sábado pela manhã, Walter esteve em Jardim do Seridó, onde concedeu entrevista na Rádio Cabugi do Seridó. Na sequência, foi a Carnaúba dos Dantas, para um encontro com o prefeito Kleyton Dantas, a vereadora Bárbara Dantas e apoiadores da campanha. O candidato também tem o apoio do ex-prefeito Gilson Dantas.

A agenda seguiu por Acari, onde Walter visitou o vereador Girlene Edson, e Florânia, onde se reuniu com o vereador Jonacir Cosme. Em São Vicente, participou de um adesivaço na zona rural e foi recepcionado pelos suplentes de vereador Siderleia e Betinho, e pela liderança Nathan Lúcio. O sábado foi encerrado em São José do Seridó, com uma visita ao ex-vice-prefeito Borrego.

No domingo, a agenda começou em São João do Sabugi, onde Walter tem o apoio do vice-prefeito Gugu Cipriano e dos suplentes de vereador Sargento Edmilson e Kênia. Depois, seguiu para Equador, onde participou de um encontro com eleitores e apoiadores, e recebeu o apoio dos vereadores Mariano Noberto e Mil de Gino, ex-vereador José Dirceu, além da suplente de vereador Edvânia Lima.

A agenda foi encerrada em Cruzeta, com uma carreata pelas ruas da cidade. Walter foi recepcionado pela vice-prefeita Elismária Catarina, pela vereadora Kátia do Sindicato e pelo empresário Edson Dantas.

Para Walter Alves, a presença das lideranças e o contato direto com a população fortalecem a caminhada rumo à Assembleia Legislativa. “Quero agradecer a recepção que tivemos em cada município e, principalmente, a confiança e a adesão de tantas lideranças que estão chegando para somar à nossa caminhada. É muito bom poder percorrer o nosso Estado, conversar com as pessoas e sentir de perto esse apoio”, disse.

 

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Geral

Boteco do Samba reúne atrações locais e nacionais em edição beneficente na Rampa

No próximo dia 19 de setembro, a partir das 16h, a Rampa recebe mais uma edição do Boteco do Samba. A festa reúne atrações locais e nacionais em uma tarde de música às margens do Rio Potengi e terá toda a renda destinada à Caravana Natal Feliz, que completa 29 anos de atuação em 2026.

Criada para atender famílias em situação de vulnerabilidade no interior do Rio Grande do Norte, a Caravana realiza todos os anos uma grande mobilização para reunir e distribuir alimentos, itens de higiene pessoal, brinquedos e material escolar. Ao longo de quase três décadas, o projeto cresceu com a participação de voluntários, parceiros e pessoas que contribuem para manter esse trabalho.

É nesse esforço coletivo que o Boteco do Samba se insere. A festa tornou-se uma das principais formas de levantar recursos para a mobilização realizada no fim do ano e, ao mesmo tempo, aproximar mais pessoas da iniciativa. Desta vez, o palco reúne diferentes nomes do samba em uma sequência de apresentações que começa ainda durante a tarde e segue pela noite.

O Batukedô abre os trabalhos com um cortejo de tambores na chegada do público. Em seguida, sobem ao palco Samba do Zé entre Elas e Quarteto Linha. Délcio Luiz e Arlindinho chegam do Rio de Janeiro para integrar o encontro, que terá a Mesa Doze no encerramento.

Os ingressos estão à venda pela Outgo e também podem ser adquiridos diretamente com os caravaneiros. O Boteco do Samba conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte, por meio da Lei Câmara Cascudo.

SERVIÇO

Boteco do Samba
19 de setembro, a partir das 16h
Museu da Rampa
Atrações: Batukedô, Samba do Zé entre Elas, Quarteto Linha, Délcio Luiz, Arlindinho e Mesa Doze
Ingressos: Outgo, Apreciatte na Campos Sales, Grand Lider na Miguel Castro ou diretamente com os caravaneiros

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Geral

Produção industrial do RN cai 4,5% em julho e tem terceiro pior resultado do país; estado acumula retração de 12,4% no ano

Foto: Sedec

A indústria do Rio Grande do Norte acumulou queda de 12,4% entre janeiro e julho de 2026, o pior resultado entre os estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Somente em julho, a produção industrial potiguar recuou 4,5% em relação ao mesmo mês de 2025, ficando com o terceiro pior desempenho entre os 17 locais analisados. Apenas Pará (-8,9%) e Maranhão (-6,3%) tiveram resultados mais negativos.

No mês, apenas dois setores cresceram no RN: confecção de vestuário, com alta de 22,3%, e indústrias extrativas, com 1,4%. Já a fabricação de produtos alimentícios caiu 3,9%, enquanto a produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis recuou 11,7%.

No acumulado do ano, o principal impacto negativo veio justamente de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 23,8%. A fabricação de alimentos recuou 6,9%, e as indústrias extrativas, 2%.

A confecção de vestuário foi o único segmento com crescimento no período, avançando 43,1%. Considerando os últimos 12 meses, a indústria potiguar acumula retração de 8,1%, enquanto a produção de vestuário registra alta de 57,1%.

Com informações de Tribuna do Norte

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FOGOS DE ARTIFÍCIO: Policiais Penais comemoram saída de ex-secretário e ex-adjunta da SEAP

Fotos: José Aldernir

O Blog do BG recebeu um vídeo com servidores da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (Seap) soltando fogo para comemorar a saída do ex-secretário Helton Edi e da ex-secretária-adjunta Arméli Brennand. A exoneração dos dois foi anunciada ontem e publicada na educação desta quinta-feira (10) do Diário Oficial do Estado (DOE).

Helton e Arméli foram “desocupar as gavetas”. Quando eles foram embora, os servidores soltaram os fogos para comemorar. A dupla vinha sendo alvo de críticas e denúncias dos policiais penais há muito tempo na Seap.

A distinção ficou insustentável após as últimas fugas de detentos e depois da repercussão negativa de um vídeo da ex-secretária-adjunta negociando o retorno das visitas íntimas com líderes da facção criminosa Comando Vermelho no Presídio de Alcaçuz. O secretário de Segurança Pública, Coronel Araújo, vai responder interinamente pela Seap até nova decisão do Governo do Estado.

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PF encontra documento em que produtora de ‘Dark Horse’ relata pressões que recebeu para fazer delação envolvendo Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução/Redes sociais

Um documento de quatro páginas apreendido pela Polícia Federal durante a operação contra a produtora Karina Gama registra relatos de supostas pressões para que ela fizesse uma delação premiada e envolvesse o senador Flávio Bolsonaro nas investigações sobre o filme “Dark Horse”.

Nas páginas do documento,Karina afirma ter sido procurada pelo empresário Fernando Sarney, por um pastor evangélico e por um jornalista, que teriam sugerido que ela colaborasse com as autoridades para evitar possíveis consequências nas investigações.

Segundo a produtora, Fernando Sarney teria oferecido apoio jurídico e dito ter “grande proximidade com o Ministro Flávio Dino”. Karina, porém, ressalvou que não presenciou qualquer conversa entre os dois e não tem elementos para afirmar que Dino soubesse da abordagem.

“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida.”

Karina também relatou uma conversa com um pastor, que teria dito possuir contatos no governo federal e no Supremo Tribunal Federal. Segundo ela, o religioso afirmou que uma delação poderia evitar uma possível “complicação”.

Outro contato teria partido de um jornalista. Segundo a produtora afirmou, ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato” e sugeriu que poderia sofrer medidas judiciais caso não colaborasse.

No documento, Karina também diz que as abordagens provocaram preocupação e temor de interferência política. Ela também afirma que não cometeu irregularidades e que não pretende fazer uma delação baseada em informações que considera falsas.

“Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito.”

Com informações da coluna Radar – Veja

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Dino derruba sigilo de ação da PF no caso Dark Horse, filme sobre Bolsonaro

Foto: Rosinei Coutinho/STF

A investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ser pública nesta quinta-feira (10), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino retirar o sigilo da ação.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up para apurar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, dona da Go Up Entertainment.

Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não houve mandados de prisão.

Segundo a PF, uma organização formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da prestação dos serviços. As investigações apuram suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

O roteiro de “Dark Horse” é assinado por Mario Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas para uma entidade ligada à produtora. A PF investiga se parte desses recursos foi desviada para a produção do filme.

A investigação também apura o financiamento do longa pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mais de 90% do orçamento do filme teria sido bancado por recursos ligados ao banqueiro, enviados por meio de um fundo nos Estados Unidos.

Em agosto, Dino já havia autorizado o compartilhamento com a PF de dados apreendidos em uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra empresas ligadas a Karina Gama. O material passou a integrar as investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos.

A defesa de Mario Frias nega irregularidades e já afirmou que a hipótese de triangulação de emendas para financiar o filme é “puramente especulativa”.

Com informações de Estadão Conteúdo

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Dino proíbe Mario Frias de sair do Brasil e de se comunicar com investigados do caso Dark Horse

Foto: Breno Esaki/Metrópoles | Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi proibido de deixar o Brasil e de manter contato com outros investigados na Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

As medidas cautelares foram determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura suspeitas de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Ao todo, 29 pessoas são alvos das medidas de restrição. Entre os principais investigados está a produtora Karina Gama, além de duas entidades ligadas a ela.

Segundo a PF, uma organização criminosa teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da execução dos serviços. As investigações apuram suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Auditoria da CGU identificou indícios de irregularidades no direcionamento de R$ 2 milhões em emendas indicadas por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama.

Frias também é roteirista e produtor-executivo do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O longa teria recebido recursos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, por meio de transferências destinadas a um fundo nos Estados Unidos.

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Geral

Produtora de ‘Dark Horse’ diz que foi ameaçada, chantageada e que não tem nada para delatar caso seja presa

Foto: theconnectfaith no Instagram

Mônica Bergamo – Folha de S. Paulo

Um dos alvos, nesta quinta (10), da operação da PF (Polícia Federal) que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme ” Dark Horse”, a produtora Karina Gama afirmou à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, que se sente ameaçada e que, se for presa, não tem o que delatar.

Em telefonema para a coluna de Mônica Bergamo um dia antes de sofrer busca e apreensão, a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro afirmou que estava se sentindo ameaçada e chantageada. Disse que pessoas se passando por oficiais de Justiça, mas sem apresentar documentos, tocaram a campainha da casa dela às 21h fazendo perguntas.

Fornecedores de empresas dela e familiares também teriam sido abordados. “Estou apavorada”, disse.

Karina, que é dona da produtora Go Up, afirma que está colaborando com as investigações e que não entende a razão de ser pressionada. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, diz ela.

Karina afirma ainda que foi procurada por um pastor evangélico de Brasília, segundo ela ligado à esquerda, que ofereceu ajuda e sugeriu que firmasse um acordo de delação premiada para se livrar de penalidades mais duras.

“Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, afirma Karina.

Além do suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, a PF investiga, em outra ação, o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme. Os recursos a ele foram solicitados pelo pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, em novembro do ano passado.

Em mensagem enviada ao dono do Banco Master às vésperas da prisão do ex-banqueiro, o filho de Bolsonaro afirmou: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Dois meses antes, o senador escreveu ao dono do Banco Master para pedir dinheiro para “Dark Horse”, filme sobre seu pai.

Os recursos de Vorcaro foram enviados para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

“Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, afirma Karina.

Sobre a emenda de R$ 1 milhão que o deputado federal Mario Frias, também alvo da operação, destinou a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil, e que não teria sido realizado, Karina Gama afirma que todo o dinheiro ainda não usado está “em caixa”.

O projeto, de letramento financeiro para jovens empreendedores, recebeu os recursos no fim de 2025, diz ela. Era o fim do ano letivo, e por isso ele só avançou neste ano.

Mônica Bergamo – Folha de S. Paulo

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