Decisão do Banco Central injetará R$ 49 bilhões na economia a partir de março

Foto: © Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central reduziu a alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo de 31% para 25%, informou a autoridade monetária nesta quinta-feira. A redução da alíquota representa uma liberação de R$ 49 bilhões, com efeito a partir de 16 de março.

Os compulsórios são a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC. Na prática, a redução da alíquota significa que as instituições financeiras terão mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.

Após o anúncio, o dólar abriu em alta e bateu recorde das cotações máximas em pregão, a R$ 4,3871. Investidores também estão de olho no exterior e nos efeitos do coronavírus.

A medida anunciada pelo BC faz parte da Agenda BC#, no pilar competitividade, no âmbito da ação “redução estrutural dos recolhimentos compulsórios”, diz a nota.

O diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, dará entrevista coletiva nesta quinta-feira, às 10h30, para detalhar a medida.

Segundo a nota, além de reduzir a alíquota de compulsório, o BC aumentou a parcela dos recolhimentos compulsórios considerados no LCR (Indicador de Liquidez de Curto Prazo).

Isso significa uma redução estimada em mais R$ 86 bilhões na necessidade de as instituições carregarem outros ativos líquidos de alta qualidade necessários para o cumprimento do LCR.

Reserva mínima

A crise financeira internacional de 2008 evidenciou que o risco de liquidez, notadamente nos sistemas financeiros das economias avançadas, não estava devidamente mitigado, segundo o BC.

Como aperfeiçoamento das regras prudenciais, foi introduzido o indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR), que passou a ser adotado no Brasil em outubro de 2015.

O LCR determina que as instituições devem manter uma reserva mínima de ativos líquidos para absorverem choques em cenários de estresse de liquidez.

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“Os recolhimentos compulsórios podem, por sua vez, servir como mecanismo de incentivo à redistribuição de liquidez no sistema e de suporte à estabilidade financeira, como ocorreu ao longo da última década”, diz a nota.

O BC ressalta que as medidas “são consistentes com as regras prudenciais internacionalmente recomendadas e a manutenção da estabilidade financeira do Sistema Financeiro Nacional, apenas mitigando sobreposições entre os instrumentos”. conteudo_bc

O Globo