Judiciário

Deltan Dallagnol interferiu para colocar juiz aliado no lugar de Sergio Moro na Lava Jato, diz The Intercept Brasil

Foto: Reprodução/The Intercept Brasil

Os procuradores da Lava Jato no Paraná atuaram nos bastidores para interferir na sucessão do ex-juiz Sergio Moro nos processos da operação em primeira instância. A força-tarefa do Ministério Público Federal fez lobby num outro poder, o Judiciário, para garantir que o novo escolhido para a cadeira do então recém-nomeado ministro do governo de Jair Bolsonaro fosse alguém que agradasse aos investigadores.

As articulações estão explícitas em duas mensagens de áudio do então coordenador da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol. Nelas e em várias mensagens de texto trocadas pelo Telegram em janeiro de 2019, ele elenca os principais candidatos à vaga de Moro, elege os preferidos da força-tarefa e esboça o plano em andamento para afastar quem poderia “destruir a Lava Jato”, na opinião dele.

Quando Moro abandonou a carreira de juiz, em novembro de 2018, logo após a eleição de Bolsonaro, deixou vaga a cadeira de responsável por julgar os processos da Lava Jato na primeira instância. A sucessão ou substituição de um magistrado é um processo comum no poder Judiciário, que tem autonomia para decidir – obedecendo a um regimento interno.

O que é no mínimo incomum, nesse caso, é a pressão e a interferência de um órgão externo, o Ministério Público Federal. Em mensagens de texto e áudio, Dallagnol também pede a colegas familiarizados com o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o TRF4, responsável pela Justiça Federal do Paraná, que tentassem “advogar” junto a ele por uma solução que agradava à força-tarefa.

A ideia compartilhada por Dallagnol e por juízes federais do Paraná era colocar três magistrados na posição de assessores de um quarto, o veterano Luiz Antônio Bonat, num esforço para convencê-lo a disputar a vaga de Moro. “Ele colocou ali o nome dele por amor à camisa”, narrou Dallagnol. “Então a gente tem que conseguir um apoio. A ideia talvez seria de ter juízes assessores ali designados junto a ele”.

A Lava Jato considerava que Bonat, um juiz com 64 anos e de perfil extremamente discreto (jamais deu palestras ou entrevistas desde que assumiu o comando da operação, há quase dois anos), precisaria de ajuda para dar conta das dezenas de processos que corriam no Paraná. Assim, Dallagnol e equipe buscaram uma forma de garantir que nem todo o trabalho da operação cairia sobre ele.

O plano articulado para montar o time de juizes acabou por não sair do papel, mas o principal foi feito: Bonat foi convencido a disputar a vaga. “Aí ontem os juízes estavam preocupados e conseguiram fazer, conseguiram convencer o número 1 da lista, o que é ótimo para nós, assim, simbolicamente, a aceitar o desafio de ir para a 13ª”, celebrou Dallagnol, em áudio.

E, como era previsto pelos procuradores, Bonat herdou a cadeira de Moro por ser o mais antigo juiz federal em atividade na jurisdição do TRF4.

Nas conversas, fica claro que o juiz resistiu a entrar na disputa e que ele foi convencido a concorrer por colegas e procuradores que “estavam preocupados” com a vitória iminente de alguém visto com desconfiança pela Lava Jato: Julio Berezoski Schattschneider, um juiz que atuava em Santa Catarina. Procurados, nenhum deles quis dar entrevista.

A candidatura de Bonat surpreendeu a comunidade jurídica. Magistrado com 25 anos de carreira, à época, ele estava afastado da área criminal havia 15 anos. Até um juiz federal que atua na região do TRF4, e que falou ao Intercept sob a condição de anonimato, diz ter estranhado: “Era uma vara difícil, cheia de trabalho, daquelas que habitualmente ninguém quer pegar e acaba sobrando nas mãos de um juiz mais novo. E aí aparece um monte de gente mais antiga [na disputa]”, ele observou.

‘Vou convidar quem puder pra irmos estimular rs’

Sergio Moro foi o primeiro grande nome confirmado por Bolsonaro para seu governo após a vitória nas urnas. A adesão do então juiz ao político de extrema direita se deu meros três dias após o segundo turno: ele viajou ao Rio, visitou Bolsonaro em sua casa na Barra da Tijuca, ouviu o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública e disse sim poucas horas depois.

Com a entrada formal na política, Moro foi obrigado a passar o bastão dos processos da Lava Jato. Temporariamente, a operação passou a ser conduzida pela juíza substituta Gabriela Hardt até que um novo magistrado assumisse a vaga de titular.

Pelas regras de funcionamento da justiça no Brasil, os processos seguiriam com a 13ª Vara Federal de Curitiba. Com a saída de Moro, a vaga de titular dessa vara entrou em disputa. Qualquer juiz da 4ª região da Justiça Federal – que abrange Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – poderia disputar o posto. O escolhido seria quem tivesse mais tempo de carreira entre os inscritos, seguindo o regimento do TRF4.

No dia do anúncio de Moro, procuradores da Lava Jato já especulavam no Telegram quem sucederia o magistrado. Mas a interferência da força-tarefa no Judiciário só ganhou forma em janeiro de 2019, quando Dallagnol fez um comunicado aos colegas:

Dallagnol parecia obcecado. No dia seguinte, o então coordenador da força-tarefa apresentou aos colegas um prognóstico sobre os potenciais postulantes, endereçado especificamente a Januário Paludo, um dos veteranos da força-tarefa e com quem Dallagnol contava para ajudá-lo no lobby:

Ali Dallagnol expôs o primeiro alvo da força-tarefa e uma estratégia para tirá-lo da disputa. Tratava-se do juiz Eduardo Vandré, que trabalhava numa vara federal de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Ele ocupava o sexto lugar na lista de antiguidade, mas “seria péssimo” para a Lava Jato, segundo o coordenador.

Os motivos para a desconfiança foram descritos por Paludo, que afirmou na mesma conversa, mais tarde, que Vandré era “pt e não gosta muito do batente”.

Com isso em mente, Dallagnol buscava fazer uma espécie de seguro: garantir a candidatura de um dos cinco juízes mais antigos, de forma que Vandré ficasse sem chances na disputa. Paludo detalhou o plano pouco depois:

Os comentários mostram que Paludo e Dallagnol viam Bonat (o juiz federal com mais tempo de serviço em toda a região Sul) como um instrumento para impedir que um nome indesejável ficasse com a vaga de Moro. Mas havia um problema: justamente pela idade, achavam que ele não teria “pique” para assumir os processos da Lava Jato. Por isso, Dallagnol aventou a possibilidade de que Bonat fosse escolhido, mas deixasse outros “trabalharem por trás” dele, como juízes assessores.

O assunto voltou ao Telegram quase uma semana depois, em 16 de janeiro. Dallagnol encaminhou aos colegas a mensagem de um juiz que chamou de “nosso preferido” para ocupar a cadeira de Moro: “estou avaliando, sim….temos até segunda…. Conversei com o Malucelli ontem e ele me disse que conversou com Bonat, e ele disse que não vai pedir e que nem cogita”, escreveu o magistrado, segundo o relato de Dallagnol.

A mensagem não deixa claro quem era o “preferido”, mas as tratativas nos dias seguintes indicam tratar-se do juiz Danilo Pereira Júnior, que já atuava noutra vara federal de Curitiba. Malucelli é o juiz Marcelo Malucelli, então diretor do foro da Seção Judiciária do Paraná – na prática, o administrador da unidade.

Àquela altura, Eduardo Vandré já desistira de concorrer, mas a Lava Jato tinha outra preocupação. O nome dela era Julio Berezoski Schattschneider, que trabalhava em Santa Catarina, outro a receber a alcunha de “péssimo” na lista de Dallagnol.

O chefe da força-tarefa afirmou ter conversado sobre o assunto com a juíza Gisele Lemke, de uma vara federal de Curitiba, e narrou aos colegas o que foi discutido:

Segundo o áudio, Schattschneider havia informado o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, instância máxima da Justiça Federal no Sul do país, que desejava ser transferido para Curitiba, mas não fazia questão de ficar com o lugar de Moro. Assim, a Lava Jato planejava convencê-lo a aceitar outra posição que não fosse a de Moro. Se ele não topasse, haveria um problema: por ser mais antigo, Schattschneider teria preferência sobre Danilo Pereira Júnior, o favorito da Lava Jato. O juiz Bonat continuava decidido a não concorrer.

Esse quadro permaneceu até 21 de janeiro de 2019, último dia para inscrição dos interessados. A força-tarefa estava tensa porque o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, então presidente do TRF4 (que ironicamente foi cotado para suceder Moro no ministério de Bolsonaro por ser próximo aos militares), havia anunciado que os dois nomes preferidos da Lava Jato estavam impedidos de entrar no páreo.

A razão era um item do regimento do tribunal que vedava a transferência de juízes para uma vara com a mesma especialidade daquela em que já atuam.

Dallagnol se afligiu e pediu lobby sobre Thompson Flores:

O clima só desanuviou quase dez horas da noite. Januário Paludo avisou ao grupo que Luiz Antônio Bonat havia mudado de ideia e decidido se inscrever. No dia seguinte, o TRF4 divulgou a lista dos inscritos com ele na cabeça. Se Bonat não mudasse de ideia até a meia-noite do dia 24, dali a três dias, a vaga seria dele. Mas Schattschneider vinha na segunda posição. Por isso, a articulação continuou para que Bonat não desistisse.

As mensagens indicam que procuradores da Lava Jato trataram pessoalmente desse assunto com a cúpula da Justiça Federal do Paraná. Eles mencionam um encontro em 22 de janeiro, um dia após o encerramento das inscrições. Ao final da reunião, Dallagnol fez um resumo aos colegas:

Em viva voz, o procurador faz duas grandes confissões. Juízes federais alinhados à Lava Jato “estavam preocupados” com a possibilidade de que Schattschneider ficasse com a vaga de Moro, segundo Dallagnol, e, por isso, conseguiram convencer Bonat a se inscrever de última hora, “por amor à camisa”.

Esses magistrados, que não são identificados por Dallagnol no áudio, lançam uma suspeita sobre Schattschneider: a de que ele havia tentado iludir a corregedoria da Justiça Federal sobre sua intenção de suceder Moro. Procuramos Schattschneider em seu gabinete para que comentasse a suspeita levantada pela corregedoria, mas ele não respondeu às tentativas de contato.

Para manter o interesse de Bonat no cargo, os juízes e o MPF decidiram tentar algo que Dallagnol havia sugerido em 10 de janeiro: transformar o magistrado numa espécie de líder de um grupo de três outros juízes que ajudariam a dar agilidade aos processos. Segundo o áudio de Dallagnol, quem estava à frente desse plano era o juiz Marcelo Malucelli, mas a cúpula do TRF-4 já tinha se manifestado contra a ideia.

Procuramos Malucelli para que comentasse a declaração de Dallagnol, mas o juiz disse não saber que Bonat foi convencido de última hora e não esclareceu se articulou ou não o plano de designar juízes assessores para ele. “Várias medidas de auxílio foram tomadas pela corregedoria do TRF4 para a 13ª Vara de Curitiba, antes e depois da saída do juiz Moro. À direção do foro incumbe apenas cumpri-las”, respondeu.

A preocupação dos procuradores se dissipou no dia seguinte, 23 de janeiro, quando eles ficaram sabendo que Schattschneider havia desistido da vaga. No fim das contas, Bonat assumiu a 13ª Vara no dia 6 de março.

Entregamos a transcrição integral dos áudios e um resumo cronológico detalhado das mensagens de texto ao TRF4, à Justiça Federal do Paraná e ao MPF. Aos órgãos do Judiciário, perguntamos se eram verdadeiras as afirmações de Dallagnol de que os juízes só convenceram Bonat a concorrer à vaga de Moro de última hora porque “estavam preocupados” com a chance de vitória de Schattschneider e de que a direção do tribunal discutiu nomear três juízes assessores para “dar um apoio” ao magistrado veterano à frente da Lava Jato.

Também perguntamos se o tribunal não considera que as conversas narradas por Dallagnol são uma interferência indevida no Judiciário e fizemos o mesmo questionamento à força-tarefa da Lava Jato. Ao MPF, perguntamos se os procuradores chegaram a visitar candidatos para a vaga de Moro, como disse Dallagnol, e se o órgão não considerava inadequado o lobby sobre os juízes para viabilizar os nomes de sua preferência e, depois que esse plano falhou, para garantir que Bonat não desistisse da vaga.

Todas as questões ficaram sem resposta. Além de não se manifestar institucionalmente, o TRF4 não emitiu posicionamento de nenhum dos juízes citados nas conversas, aos quais direcionamos perguntas específicas. O MPF também preferiu não se manifestar.

The Intercept Brasil

 

Opinião dos leitores

  1. Concordo com o seu comentário, cara Renata Bastos. Os corruptos podem conversar, pessoas do bem, não podem! João Macena.

  2. Intercept já publicou algum vazamento do PT? E de Bolsonaro? E da AGU ou STF? Porque só dos integrantes da lava jato. Esse blog não deveria nem existir mais, e Greenvalda deveria estar presa ou expulsa do país.

  3. O ódio ideológico realmente é uma mer$@!
    O presidente desses que detonam o intercep falou com todas as letras: ACABEI O LAVA JATO, e nao causou tamanha indignação.
    Agora o intecept Brasil divulga áudios, conversar autênticas sobre os desmandos do lava jato e a mesma turma se volta contra o intercept.
    Realmente ser gado é nao ter caráter.

    1. Parece que é você que tem ódio ideológico… isso é "ILÓGICO"…

  4. Quadrilha. Se fizessem isso com a milícia do planalto, os ruminantes estariam espumando pela boca que nem cachorros.
    Raça desprezível.

  5. Nada demais!!
    Só preocupação para que a lava jato não sofresse descontinuidade…
    Corretíssimo!!
    Só aplausos para esse funcionário publico pelo empenho e comprometimento com a instituição.

    Estranho é se ele estivesse combinando alguma coisa com Lula, Zé Dirceu , Marcelo Odebrech e outras figurinhas que estavam chafurdando na lama da corrupção.

  6. E daí??!
    Chega de hipocrisia! Os bandidos se unem, mesmo de ideologias diferentes e o cidadão de bem, não pode fazer nada em prol do bemmm!

  7. Esse é só um jornalzinho dos vermelhinhos, só eles ligam pra choradeira do jornal……tudinho revoltadinho pq Moro colocou o Pinguço Trambiqueiro na cadeia.

  8. Qual o problema de ter um aliado que defendam causas nobres e do coletivo? Se grampeassem todos dos poderes nas nomeações de cargos comissionados e de confiança sairiam coisas bem piores, interesses econômicos e manutenções de esquemas escusos é a toada. E na hora de inserir essa emenda que soltou o cabeça do PCC?

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Geral

80% das vagas de emprego no Brasil em 2025 foram criadas por micro e pequenas empresas

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

As micro e pequenas empresas foram responsáveis por 80,5% das vagas de emprego criadas no Brasil em 2025, segundo levantamento do Sebrae. O setor gerou 1.030.434 empregos formais, de um saldo total de 1.279.498 postos no ano.

De acordo com o presidente do Sebrae, Décio Lima, os pequenos negócios lideram as contratações com carteira assinada, sobretudo nos setores de serviços e comércio.

Os números são confirmados por dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados no fim de janeiro. Apesar do resultado positivo, o saldo de 2025 foi o menor desde 2020.

Segundo a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, as regiões que mais criaram empregos em micro e pequenas empresas foram:

  • Sudeste: 414 mil vagas

  • Nordeste: 287 mil vagas

A CACB defende a atualização da tabela do Simples Nacional. Para o presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto, a medida ajudaria a formalizar empresas, estimular investimentos e ampliar a geração de empregos.

Queda em dezembro

Apesar do saldo positivo no ano, dezembro de 2025 registrou fechamento de 618 mil postos de trabalho. Os setores mais afetados foram:

  • Indústria: -135.087 vagas

  • Construção civil: -104.077

  • Comércio: -54.355

  • Agropecuária: -43.836

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Geral

CUIDADO: Conselhos de saúde de chatbots de Inteligência Artificial frequentemente estão errados, revela novo estudo

Foto: Freepik

Um estudo publicado na Nature Medicine indica que chatbots com inteligência artificial não são confiáveis para orientar decisões médicas do público em geral. Segundo os pesquisadores, os modelos testados não superaram sequer o Google — já conhecido por falhas em informações de saúde — e, em alguns casos, forneceram dados incorretos ou inconsistentes.

O experimento, o primeiro randomizado do tipo, concluiu que nenhum dos sistemas avaliados está pronto para uso direto no atendimento a pacientes. Participaram mais de 1.200 voluntários no Reino Unido, que receberam cenários médicos detalhados e usaram chatbots comerciais, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Llama, da Meta.

Os participantes acertaram a conduta correta em menos da metade das vezes e identificaram corretamente as doenças em apenas 34% dos casos — desempenho semelhante ao grupo que usou métodos tradicionais de busca.

Segundo Adam Mahdi, do Instituto de Internet de Oxford, a medicina real é complexa e incompleta, diferente das questões objetivas em que a IA costuma se sair bem. O estudo também apontou que respostas variavam drasticamente conforme pequenas mudanças na forma de perguntar.

Em cerca de metade dos erros, os próprios usuários deixaram de informar sintomas relevantes. Quando os pesquisadores inseriram o quadro clínico completo diretamente nos sistemas, a taxa de acerto subiu para 94%.

Especialistas destacam que médicos aprendem a identificar quais informações são essenciais — algo que ainda falta aos chatbots. Para Andrew Bean, principal autor do estudo, os modelos deveriam fazer mais perguntas complementares, como ocorre em consultas médicas.

Mesmo assim, os pesquisadores observaram dificuldades dos sistemas em diferenciar casos urgentes de não urgentes e episódios de informações inventadas, incluindo recomendações de números de emergência inexistentes.

A OpenAI afirmou que os modelos atuais do ChatGPT são mais seguros e fazem mais perguntas de acompanhamento do que os avaliados no estudo. A Meta não comentou.

O estudo reforça que, apesar do avanço rápido, chatbots de IA ainda não substituem a avaliação médica profissional — e seu uso exige cautela.

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Geral

Comércio, construção e agro seriam setores mais prejudicados por fim da escala 6×1

Foto: Mariangela

O fim da escala 6×1, se aprovada pelo Congresso Nacional, poderia acabar com 600 mil empregos no Brasil, segundo nota técnica do CLP (Centro de Liderança Pública). Os setores mais impactados, de acordo com o documento, seriam o agro, o comércio e o segmento de construção.

Nos três setores, a perda de produtividade seria de 1,3%, o que acarretaria no fechamento de 1,6% dos postos de trabalho. Em números absolutos, a agropecuária fecharia 28 mil vagas; o comércio, 164 mil; e a construção, 45 mil.

Veja impacto nos setores:

Impacto do fim da escala 6×1 (principais setores)

Sobre estes prejuízos, especialistas explicam que o fim da jornada 6×1, sem redução salarial proporcional, aumenta o custo do trabalho no Brasil. E os empregadores tendem a cortar empregos de maneira a manter o equilíbrio dos negócios.

“Como a PEC 6×1 propõe a manutenção do salário com redução abrupta da carga de trabalho, o custo do trabalho vai aumentar muito. Com a produtividade estruturalmente baixa, isso gera um choque negativo na produtividade do trabalho, com efeito colateral no crescimento do PIB”, afirma o economista-chefe da ARX, Gabriel Barros.

A nota técnica mostra que a redução da jornada, considerando o PIB (Produto Interno Bruto) registrada em 2025, resultaria na perda de cerca de R$ 88 bilhões em atividade econômica.

“A possibilidade de mudar a escala de trabalho existe, mas exigiria um esforço muito maior de compreensão dos impactos gerais na economia. Os estudos macro foram que há perda de PIB potencial associada a esse tipo de mudança”, afirma o economista Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Este tipo de medida seria prejudicial ao Brasil devido a sua baixa produtividade — palavra-chave no que diz respeito a essa discussão. Segundo o CLP, entre 2016 e 2025, o crescimento médio da produtividade do trabalhador ao redor do mundo ficou em torno de 1,5% ao ano, enquanto no Brasil ficou em 0,5%.

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Saúde

Saúde descarta R$ 108 milhões em vacinas e medicamentos; parte ainda estava dentro da validade

Foto: Aline Massuca/Metrópoles

O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. Desse total, 17,1% — cerca de R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade no momento do descarte, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.

As informações são da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. Entre os itens inutilizados estão medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer, além de vacinas contra a dengue e insumos adquiridos por decisão judicial. Há casos de produtos com validade até 2050 que também acabaram incinerados. Apesar da redução em relação aos anos anteriores, o volume segue acima do período pré-pandemia.

Nos três primeiros anos do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o montante descartado já chega a R$ 2 bilhões — valor mais de três vezes superior ao registrado em todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando foram incinerados R$ 601,5 milhões. O pico ocorreu em 2023, com R$ 1,3 bilhão em perdas.

Após auditoria, a Controladoria-Geral da União apontou falhas na gestão de estoques e recomendou medidas para melhorar controle, logística e monitoramento. O ministério afirma que as recomendações já foram cumpridas ou estão em fase final de execução e nega desperdício, alegando ressarcimento em casos de não conformidade técnica.

Segundo a pasta, a taxa de incineração em 2025 correspondeu a 1,48% do estoque total, com meta de redução para 1% em 2026. O governo atribui os descartes a fatores como judicialização, mudanças em protocolos médicos, variações epidemiológicas e exigências sanitárias que impedem o reaproveitamento de medicamentos devolvidos.

Opinião dos leitores

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Geral

VÍDEO: Padre critica homenagem a Lula no Carnaval e compara desfile a “miniatura da Coreia do Norte”

Vídeo: Reprodução/X

Uma homilia celebrada na Quarta-feira de Cinzas ganhou repercussão nas redes sociais após o padre Francisco de Assis, da Paróquia São Paulo, em Frei Paulo (SE), criticar o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval de 2026.

Durante a missa, realizada no dia 18 de fevereiro, o sacerdote afirmou ter se incomodado com trechos da apresentação e disse que, na sua avaliação, o enredo teria ironizado valores considerados centrais pela Igreja, como a família. Ele também comparou a exaltação ao presidente a uma “miniatura da ditadura da Coreia do Norte”.

Na fala, o padre fez críticas diretas ao chefe do Executivo e questionou eleitores do presidente, posicionamento que rapidamente passou a circular em vídeos nas redes sociais, dividindo opiniões entre fiéis e internautas.

O desfile da escola de Niterói já vinha sendo alvo de debates políticos e religiosos desde a apresentação na Marquês de Sapucaí. A agremiação levou à avenida um enredo que retratou a trajetória de Lula, da infância no Nordeste à Presidência da República, o que gerou reações tanto de apoio quanto de contestação.

Até o momento, não houve manifestação oficial da escola ou do Palácio do Planalto sobre as declarações feitas pelo religioso.

Opinião dos leitores

  1. Também comparável à Itália de 1930. Verba pública para culto à personalidade do líder. E esse povo ainda enche a boca pra chamar os outros de fascista.

  2. Só falou verdades, o problema é que falar a verdade num país que vive a democracia relativa, aí o bicho pega.

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Geral

VÍDEO: “É preciso dar um paradeiro”, diz Lula ao criticar ameaças de Trump a outros países

Vídeo: Reprodução/Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22), durante coletiva na Índia, que pretende discutir diretamente com Donald Trump o papel dos Estados Unidos na América do Sul e disse que é “preciso dar um paradeiro” nas ameaças feitas pelo norte-americano a outros países. A declaração ocorre após Trump indicar a possibilidade de ataque ao Irã nos próximos dias.

Lula afirmou que quer saber se os EUA pretendem atuar como parceiros ou como agentes de pressão internacional. Segundo ele, a conversa com Trump, prevista para a segunda quinzena de março em Washington, deve tratar de temas estratégicos e da relação bilateral. O encontro foi combinado por telefone, mas ainda não tem data oficial confirmada.

O presidente brasileiro disse acreditar na “química” pessoal como ferramenta de negociação e destacou que prefere o diálogo direto. “Não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação”, afirmou, ao citar temas como minerais críticos, cooperação econômica e combate ao crime organizado.

Na mesma coletiva, Lula voltou a comentar a homenagem recebida da Acadêmicos de Niterói no Carnaval. Classificou o desfile como “extraordinário”, agradeceu à escola e evitou entrar nas críticas feitas por setores evangélicos à ala intitulada “neoconservadores em conserva”.

A representação gerou reação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificaram a encenação como ofensiva. Lula, no entanto, afirmou que apenas aceitou a homenagem e que não interferiu no conteúdo do enredo.

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Economia

Fim da escala 6×1 pode gerar rombo bilionário e pressionar indústria, alerta entidade

Foto: Drazen Zigic/Freepik/Arquivo

A possível substituição da escala 6×1 por uma jornada semanal menor pode provocar um impacto de até R$ 178,8 bilhões por ano nos custos da indústria brasileira, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. De acordo com o levantamento, caso a carga horária seja reduzida para 36 horas semanais sem corte salarial, a folha de pagamento do setor pode subir 25,1%.

Em um cenário intermediário, com jornada de 40 horas, o impacto financeiro projetado varia entre R$ 58,3 bilhões e R$ 87,5 bilhões anuais, representando aumento de 7,4% a 11,2% nos custos com mão de obra. A entidade afirma que a mudança pode pressionar margens, encarecer produtos e reduzir a competitividade da indústria nacional.

Segundo a Abimaq, cerca de 80% das empresas do setor operam atualmente com jornada de 44 horas semanais no sistema 5×2. Para a associação, qualquer redução de carga horária sem ajuste proporcional de salários tende a gerar efeito cascata, com risco de demissões e até fechamento de empresas.

A discussão ocorre em meio a comparações internacionais, já que países da União Europeia adotam jornadas médias entre 36 e 40 horas semanais, geralmente com mecanismos de compensação negociados entre empresas e sindicatos. No Brasil, embora o limite legal seja de 44 horas, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a média efetiva trabalhada costuma ser inferior ao teto.

A entidade também chama atenção para a baixa evolução da produtividade no setor, que teria crescido, em média, 0,2% ao ano entre 1981 e 2024. O tema deve ganhar força nas negociações coletivas, que já registram milhares de acordos tratando de prorrogação ou redução de jornada.

Com informações do R7

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Política

CPI mira STF e quer ouvir Toffoli, Moraes e familiares sobre caso Banco Master

Foto: STF

A CPI do Crime Organizado no Senado deve analisar, na próxima quarta-feira (25), uma série de requerimentos que colocam ministros do Supremo Tribunal Federal no centro das investigações sobre o Banco Master. Entre os pedidos estão convites para que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes prestem esclarecimentos sobre possíveis ligações com o conglomerado financeiro.

A comissão também analisa quebras de sigilo e convocações de sócios e executivos da instituição, incluindo o proprietário Daniel Vorcaro. Parlamentares da oposição ainda apresentaram requerimentos envolvendo familiares dos ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, citada em pedidos relacionados a contrato firmado entre o banco e seu escritório.

Outro ponto sensível envolve o resort Tayayá, anteriormente ligado a familiares de Toffoli e posteriormente vendido a fundo associado a Vorcaro. As conexões comerciais motivaram questionamentos e contribuíram para a substituição de Toffoli na relatoria do caso no STF, que passou ao ministro André Mendonça.

A pauta inclui ainda convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para esclarecer a liquidação extrajudicial do banco e uma reunião fora da agenda entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria contado com a presença de Rui Costa e Guido Mantega.

Além dos requerimentos, a CPI deve ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho. A comissão promete avançar sobre contratos, relações empresariais e possíveis desdobramentos políticos do caso.

Com informações da CNN

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Geral

Adolescente de 16 anos é morto a tiros e criança de 5 anos fica ferida durante tiroteio no Bom Pastor

Foto: Via Certa Natal

Um adolescente de 16 anos morreu e uma criança de 5 anos foi baleada durante um tiroteio registrado neste sábado (21) no bairro Bom Pastor, na Zona Oeste de Natal, nas proximidades do quilômetro 6. A vítima fatal foi identificada como Jonathan. Segundo informações apuradas no local, ele estaria em uma motocicleta com outro homem quando houve troca de tiros.

De acordo com relatos iniciais, os dois teriam chegado armados e, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, um terceiro envolvido reagiu. Durante o confronto, Jonathan foi atingido por disparos e morreu no local. O outro homem que estava com ele conseguiu fugir.

No meio do tiroteio, uma criança de 5 anos acabou sendo baleada no braço. Ela foi socorrida inicialmente para a UPA da Esperança e, em seguida, transferida para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. A atualização médica aponta que a criança chegou consciente, falando e não corre risco de vida.

A Polícia Militar do Rio Grande do Norte isolou a área e apreendeu uma arma de fogo que estava com o adolescente. Cápsulas ficaram espalhadas pelo chão, evidenciando a intensidade do confronto. A ocorrência será investigada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, enquanto a Polícia Científica foi acionada para a perícia e remoção do corpo.

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Geral

Globo é alvo de críticas por não exibir Desfile das Campeãs na TV aberta

Foto: Marco Terranova | Riotur

A decisão da TV Globo de não transmitir o Desfile das Campeãs do Rio de Janeiro na íntegra pela TV aberta provocou forte reação nas redes sociais neste sábado (21). A emissora exibiu apenas o show de abertura após o Big Brother Brasil, deixando de fora as apresentações completas das escolas na avenida.

O evento movimenta a Marquês de Sapucaí e começou com a entrada da Estação Primeira de Mangueira às 22h. O show inicial contou com nomes como João Gomes, Michel Teló e Léo Santana, além de intérpretes das agremiações. No entanto, a transmissão ocorreu com atraso de quase uma hora em relação ao que acontecia ao vivo no sambódromo.

Enquanto isso, o Multishow exibiu todo o desfile ao vivo, mas apenas para assinantes de TV por assinatura ou do Globoplay. A limitação gerou críticas de telespectadores que cobraram maior valorização do Carnaval na programação aberta.

Voltaram à avenida a campeã Unidos do Viradouro, que conquistou o título com 270 pontos com o enredo “Pra Cima, Ciça!”, além de Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel, Beija-Flor de Nilópolis e Mangueira. A ausência da transmissão integral na Globo reacendeu o debate sobre espaço e prioridade dados ao maior espetáculo da cultura popular brasileira.

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