Empurrado para fora do tabuleiro de 2012 por Lula e pelo PT federal, o prefeito petista de Recife João da Costa teve recepção de astro ao retornar do cadafalso montado contra ele em São Paulo. Aguardavam-no no aeroporto cerca de 300 militantes.
Estrondosa, a manifestação deu uma ideia do tamanho do desafio que assedia o senador Humberto Costa, o candidato ungido pela cúpula para representar o PT na disputa pela prefeitura da capital pernambucana.
A claque do prefeito rejeitado gritava coisas assim: “Ô, Lula, decepção! Em Recife você não manda não.” Ou assim: “O povo quer, o povo gosta, nosso prefeito é João da Costa.”
Nesta sexta (8), o prefeito rejeitado reúne sua tropa para decidir como proceder. Tomado pelo timbre belicoso do desembarque, João da costa não parece propenso a depor as armas:
“Não vou submeter meu apoio a um ato de força. Nestes trinta anos no PT, fui acostumado a ser convencido na hora de dar um apoio político. E não fui [convencido] até agora.” Conforme já comentado aqui, o maior rival do PT em Recife passou a ser o PT.
Cadu de Lula (PT) terminou o primeiro turno com 15.509 votos a menos que Allyson Bezerra (União Brasil), mas encerrou o segundo turno com 32.625 votos de vantagem. A diferença entre os candidatos mudou 48.134 votos entre as duas etapas da eleição, segundo levantamento do Blog do Dina com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O principal movimento ocorreu na região de Mossoró, reduto político de Allyson. O saldo entre os dois passou de 18.378 votos a favor de Allyson para 40.198 a favor de Cadu, uma virada de 58.576 votos, maior do que a vantagem final do petista no estado inteiro.
Virada em 31 municípios
Dos 167 municípios potiguares, 73 deram maioria a Cadu nos dois turnos e 34 mantiveram Allyson na liderança. Em outras 31 cidades, Allyson foi o mais votado no primeiro turno, mas Cadu venceu no segundo. Não houve município em que Cadu liderou no primeiro turno e perdeu a dianteira para Allyson no segundo.
Entre as cidades que mais alteraram a diferença entre os candidatos estão Macaíba, com ganho líquido de 7.129 votos para Cadu; Touros, com 5.170; Nova Cruz, com 4.794; Assú, com 4.782; e Areia Branca, com 3.942.
Mossoró, reduto político de Allyson, também registrou crescimento de Cadu. O prefeito venceu na cidade nos dois turnos, mas sua vantagem caiu de 38.084 para 35.033 votos.
Allyson venceu em Natal
Na capital, Allyson reverteu o resultado do primeiro turno e venceu com 236.592 votos, contra 210.971 de Cadu. O candidato do União Brasil ampliou sua votação em Natal em 134.651 votos entre os turnos, com apoio do prefeito Paulinho Freire, enquanto Cadu cresceu 63.462.
Em Parnamirim, Allyson também aumentou a vantagem, de 6.287 para 27.178 votos. Somados, os resultados das duas cidades melhoraram o saldo do candidato em 92.080 votos.
O desempenho na região de Natal, porém, não foi suficiente para compensar a mudança favorável a Cadu no Oeste e em outras áreas do interior.
Divisão dos votos de Álvaro
O levantamento também mostra que os 29 municípios em que Álvaro Dias (PL) liderou no primeiro turno se dividiram no segundo: 14 passaram a dar maioria a Cadu e 15 a Allyson. Entre os municípios que permaneceram com Allyson estão Natal, Parnamirim e Extremoz. Caicó foi o principal município entre aqueles em que Cadu venceu.
totalização mostra
Os dados municipais permitem comparar o resultado dos dois turnos, agregados por município, não o caminho de cada voto. Dizer que os eleitores de Álvaro foram para Allyson na capital e para Cadu no interior é a leitura que os saldos sugerem, não uma medição. A mudança nas votações também foi influenciada pelo comparecimento, que aumentou em 61.796 eleitores no segundo turno.
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial abre espaço para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) ampliarem sua influência na direita e se posicionarem como possíveis nomes para a eleição presidencial de 2030. A avaliação é do colunista Artur Rodrigues, do UOL.
Tarcísio conta com a estrutura política do governo paulista e o apoio de partidos de centro-direita. Reeleito governador, ele terá quatro anos para articular alianças e buscar espaço como alternativa para liderar o campo conservador.
Michelle, por sua vez, chega ao Senado com apoio de setores evangélicos e uma trajetória de atuação política à frente do PL Mulher. A eleição amplia sua estrutura partidária e pode fortalecer seu nome em futuras disputas nacionais.
A derrota de Flávio também expõe desafios para a família Bolsonaro na definição de sua liderança política. O senador perde a disputa pelo Planalto, enquanto Jair Bolsonaro havia apoiado sua candidatura. A disputa por espaço na direita pode envolver ainda o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que ampliou sua projeção nacional.
Apesar da derrota presidencial, o PL mantém força no Congresso Nacional, com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, o que garante à legenda influência nas articulações políticas dos próximos anos.
O Orçamento da União para 2027 precisará passar por ajustes para acomodar despesas e medidas anunciadas pelo governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral. Segundo a CNN Brasil, o Ministério do Planejamento e Orçamento estima a necessidade de remanejar cerca de R$ 20 bilhões.
Entre as medidas que pressionam as contas públicas estão o reajuste do Bolsa Família e a terceira edição do programa Desenrola, com impactos estimados em R$ 22,7 bilhões e R$ 5 bilhões, respectivamente.
Lula também prometeu ampliar o Pé-de-Meia para estudantes universitários e criar o chamado Pix MEI, com transferências de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais.
Outra proposta enviada pelo presidente antes do segundo turno prevê transporte público gratuito aos fins de semana. Para financiar a medida, a proposta de emenda à Constituição prevê destinar 26,8% dos recursos reservados às emendas parlamentares, o equivalente a R$ 12 bilhões em 2027.
Meta fiscal
A proposta orçamentária para 2027 prevê superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 73,2 bilhões. A equipe econômica afirma que a meta fiscal está mantida, apesar das despesas previstas.
Além dos gastos, o governo deverá considerar uma perda estimada de R$ 5,3 bilhões em arrecadação em 2027 com o fim das bets.
Especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que o desafio será conciliar as medidas anunciadas com o equilíbrio das contas públicas. O economista Gabriel Leal de Barros avalia que novas despesas ou reduções de receitas dificultam o ajuste fiscal. Já o especialista em contas públicas Murilo Viana defende mudanças graduais para evitar impactos negativos sobre a atividade econômica.
A composição do Congresso também é apontada como um fator de dificuldade para a aprovação de mudanças fiscais, diante da presença do PL como maior bancada na Câmara e no Senado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou que seguirá a decisão do candidato de questionar o resultado das eleições. A declaração foi dada a jornalistas neste domingo (25), em Brasília.
“A decisão do líder é a nossa decisão”, disse Marinho, ao comentar o anúncio de Flávio de que pretende pedir a anulação do pleito.
A campanha alega que a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro do STF, Cristiano Zanin, teria prejudicado o resultado eleitoral e favorecido o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Marinho afirmou que o grupo pretende recorrer à Justiça e citou a possibilidade de contestação prevista na legislação. Até o momento, as alegações apresentadas pela campanha não comprovam irregularidades capazes de alterar o resultado da eleição.
A extensão do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais atingiu 7.352 urnas em todo o país, o equivalente a 1,48% do total de equipamentos utilizados. Nessas urnas, foram registrados 5.052 votos após as 17h, segundo levantamento do programador Apolinário Passos com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado pelo Metrópoles.
O número representa uma parcela reduzida do total de votos válidos da eleição. Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O levantamento utilizou dados do TSE e teve o código disponibilizado pelo programador na plataforma GitHub.
A prorrogação do horário de votação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a derrota, Flávio Bolsonaro questionou a medida e afirmou que pretende contestar o resultado na Justiça.
O candidato alegou que a decisão alterou as regras durante o processo eleitoral. Os números apresentados no levantamento dimensionam a quantidade de votos registrados após as 17h nas urnas afetadas, mas, isoladamente, não demonstram eventual impacto sobre o resultado final.
Cury, Renan Santos, Caiado, Zema – Foto: Érico Andrade/g1, Carlos Henrique Dias/g1, Divulgação e Caio Ranieri/TV Integração
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais repercutiu entre os candidatos que disputaram o primeiro turno. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se manifestaram sobre o resultado. Augusto Cury, que havia demonstrado apoio a Flávio, não se pronunciou até a publicação da reportagem do g1.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema questionou a disputa e afirmou, sem apresentar provas, que Lula aplicou um “golpe à la Venezuela”. Ele também criticou a campanha eleitoral e acusou adversários de disseminarem informações falsas.
Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, reconheceu o resultado das urnas, apesar de defender uma renovação política no país. Caiado havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
“Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.
Renan Santos, por sua vez, descartou a hipótese de fraude eleitoral e atribuiu a derrota de Flávio à rejeição ao bolsonarismo. O ex-candidato também criticou apoiadores que questionaram a votação e pediu que não participassem de manifestações contra o resultado.
Augusto Cury, que havia manifestado apoio a Flávio Bolsonaro durante o segundo turno, não publicou comentários sobre a vitória de Lula até a divulgação da reportagem.
A Polícia Federal instaurou seis inquéritos policiais e lavrou 57 termos circunstanciados de ocorrência para apurar crimes eleitorais durante o segundo turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (25).
Até as 19h, 71 pessoas haviam sido conduzidas, e 13 ocorrências de possíveis flagrantes de crimes eleitorais estavam em andamento, segundo balanço parcial divulgado pela instituição.
As ocorrências foram registradas em 18 estados, incluindo o Rio Grande do Norte. Entre os principais crimes apurados estão propaganda eleitoral irregular e violação do sigilo do voto.
Balanço de 2026
Ao longo de 2026, a Polícia Federal instaurou 1.613 inquéritos relacionados a crimes eleitorais. No mesmo período, foram apreendidos R$ 51,9 milhões em bens e valores, dos quais R$ 31,7 milhões em dinheiro.
Segundo a PF, os números são parciais e podem sofrer alterações conforme o registro de novas ocorrências, o andamento das investigações e a atualização dos sistemas da instituição.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta segunda-feira (26) a operação Camarote SUS para investigar fraudes no sistema de regulação de consultas e exames da rede pública de saúde. A apuração aponta manipulação de agendamentos para beneficiar pessoas previamente selecionadas, em prejuízo da ordem oficial de espera.
Segundo o MPRN, o esquema envolveria três pessoas e uma empresa de assessoria em saúde, incluindo dois servidores públicos e um empresário. Os investigados são suspeitos de crimes como inserção de dados falsos em sistema, corrupção, desvio de cotas públicas e associação criminosa.
As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em Natal, Extremoz, Santana do Matos e Parnamirim. A operação contou com apoio da Polícia Militar e mobilizou quatro promotores de Justiça, dez servidores do Ministério Público e 16 policiais militares.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, a prática teria começado em agosto de 2022, com a criação de um usuário falso no sistema informatizado de saúde a partir dos dados de um paciente real. O perfil teria recebido autorizações para aprovar procedimentos, cancelar marcações e controlar vagas de atendimento.
Ainda segundo o MPRN, os investigados realizavam agendamentos simulados para bloquear vagas por até sete dias e, posteriormente, transferiam os atendimentos para pessoas selecionadas previamente, desrespeitando a ordem de espera.
A investigação identificou pelo menos 578 agendamentos e autorizações associados ao usuário clandestino. Relatórios de rastreamento digital apontaram acessos a partir de computadores de repartições públicas, residências e da sede da empresa investigada.
O Ministério Público também apura suspeitas de transferências bancárias entre os envolvidos, que poderiam estar relacionadas ao direcionamento irregular de consultas e exames.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos. O material será analisado pelos setores técnicos do MPRN para subsidiar a continuidade das investigações.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirma ter pelo menos 48 votos para garantir a reeleição ao comando da Casa em 2027. Segundo interlocutores, ele também não pretende pautar pedidos de impeachment de ministros do STF, especialmente de Alexandre de Moraes.
Alcolumbre considera possível enfrentar um candidato do PL na disputa, mesmo com a legenda prevista para ter a maior bancada do Senado a partir de fevereiro, com 29 parlamentares. O partido planeja lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro.
Um dos fatores que favorecem os planos de Alcolumbre é a articulação com partidos do Centrão, que buscam limitar o espaço do PL no comando do Congresso.
O presidente do Senado também pretende defender a nomeação de Rodrigo Pacheco para uma vaga no STF ainda neste ano, conforme a articulação política relatada pela CNN Brasil.
Na Câmara dos Deputados, partidos do Centrão já manifestaram apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). A articulação reúne União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSD e Solidariedade.
O retrato da intensa polarização que marcou o segundo turno das Eleições de 2026 ficou evidente nos dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em cinco municípios brasileiros — espalhados pelos estados do Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Goiás, a disputa presidencial entre o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi decidida pela margem mínima de apenas um voto de diferença. Além do equilíbrio extremo nestas localidades, a apuração das urnas registrou um empate absoluto em um município paranaense.
No balanço das cidades onde a vantagem foi de apenas um voto, o cenário mostrou divisão. Lula terminou à frente em três municípios: Apiacá, no Espírito Santo, com 2.366 votos contra 2.365 do rival; Altamira do Paraná, no Paraná, com 1.334 votos ante 1.333 de Flávio; e São João do Pau d’Alho, em São Paulo, onde o petista registrou 769 votos frente a 768 do opositor.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro garantiu a liderança pela mesma margem em Anhanguera, localizada no sul de Goiás, somando 523 votos contra 522 de Lula, além de Nova Luzitânia (SP), onde obteve 1.039 votos contra 1.038 do candidato petista.
O ápice do equilíbrio eleitoral ocorreu na cidade de Marquinho, no Paraná. No município, a apuração final do TSE apontou um empate exato entre os postulantes ao Planalto: tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro receberam exatamente 1.530 votos válidos cada, o que equivale a 50% da preferência do eleitorado local.
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