Polêmica

Impunidade assusta e revolta sociedade potiguar

O triste registro de famílias que esperam o mover do braço da Justiça após a morte violenta de pessoas próximas é mostrado na edição deste domingo de O Poti, em matéria de Moisés de Lima. A demora nos julgamentos leva famílias inteiras a conviverem com o sentimento de revolta ante uma impunidade iminente.

Diversos representantes da sociedade foram ouvidos para se tentar compreender as causas e reflexos de tais fatos, tanto para os que são vítimas diretas, quantos aqueles que observam a sucessão de tais acontecimentos.

Na esfera da polícia Judiciária, o titular da 9ª DP, da zona Norte, Fernando Alves, afirma que a falta de políticas de segurança pública acabam agravando a situação no RN. Segundo o delegado, a falta de comunicação entre os agentes de segurança acaba desembocando em um colapso, que pode ser ilustrado pela situação do sistema prisional.

Acerca da modalidade de crime homicídio, o policial dispara uma crítica quando lembra que existe um contraste entre o crescimento do Estado e das políticas públicas adotas aqui: “Só que o poder público não acompanhou este crescimento, e o Executivo não oferece condições prisionais. Não consegue sequer manter as prisões preventivas, quanto mais resolver o problema dos condenados. Aqui não existe sequer uma delegacia especializada em homicídios”, concluiu.

Na seara dos Direitos Humanos, Marcos Dionísio, ratifica que o grande problema encontrado pelas famílias vítimas de violência é justamente a impunidade. Um ciclo vicioso alimentado pela morosidade da Justiça, crise do sistema prisional e ineficácia da segurança pública acaba por fortalecer o fenômeno, explica ele.

O promotor Wendell Beetoven aponta que a polícia não cumpre os mandados de prisão por não terem para onde mandar os presos. Segundo ele, a impunidade está intimamente ligada a deficiência do Estado em investigar os casos de homicídio.

Segue a matéria na íntegra:

A copeira Maria de Fátima Barbosa da Silva respira fundo, acaricia uma fotografia e não contém as lágrimas. O semblante é de quem ainda tem forças para lutar pela condenação daquele que tirou a vida de sua filha. A cada julgamento do garçom Ernest Renan de Faria Souza, sempre remarcado na comarca de Extremoz, Maria e família levam faixas, cartazes, lotam as dependências do fórum e mobilizam a imprensa na esperança de que o réu seja finalmente condenado. Além deles, outras famílias de potiguares são obrigadas a conviver com a impunidade que causa indignação, desde o momento em que perdem entes queridos, vítimas de homicídios, cujos acusados estão em liberdade.

Maria de Fátima luta pela condenação de Renan, acusado de assassinar a jovem Fernanda Lidiana Barbosa na casa em que moravam juntos na Praia de Santa Rita, em 21 de dezembro de 2003. Uma tarde difícil de esquecer para ela e os filhos Flávio Joeldes e Fabíola. “Nossa família só ficará em paz quando a justiçafor feita”. A autoria do crime é negada até hoje por Ernest que, na época, afirmou à polícia que Fernanda havia ingerido raticida. “Nós encontramos poças de sangue por toda a casa com evidentes sinais de violência. E sabemos que ele sequer tentou pedir socorro. Além disso, ele fazia constantes ameaças contra ela e os filhos. Querem evidências maiores do que essas para condená-lo?”, pergunta Flávio Joeldes, irmão da vítima.

Ernest foi preso em flagrante e permaneceu detido durante um ano e oito meses até que fosse marcado o primeiro julgamento, cujas causas para a suspensão soam no mínimo estranhas a ouvidos leigos: “O julgamento foi paralisado por falta de alimentação dos jurados. Parece que o estado não tinha pago à empresa que fornecia as quentinhas”, relembra Maria de Fátima. O segundo júri deveria ter ocorrido em 2010, porém a defesa do acusado alegou problemas de saúde. Há um novo julgamento marcado para o dia 31 de agosto.

“Esperamos que tudo possa correr normalmente sem nenhuma dessas surpresas”, disse Flávio. A família de Fernanda aguarda que o julgamento determine a condenação de Ernest também por razões de segurança. “Nós não sabemos por onde ele anda e não temos ideia do que ele é capaz de fazer. Tememos pela nossa segurança”, avisa Maria Aparecida.

“Nunca houve políticas públicas”, diz delegado

Quando ocorre um homicídio o primeiro operador de segurança a ser acionado é a polícia. Na ponta desse processo há dois anos como titular da 9ª Delegacia de Polícia, localizada na Zona Norte, Fernando Alves é um severo crítico da ação do estado. “A verdade é que nunca houve uma política de segurança pública no estado. Não há comunicação alguma entre os operadores de segurança, daí vivermos este total colapso dentro do sistema prisional”.

O delegado o ressalta que é necessário o entendimento de que o Rio Grande do Norte cresceu. “Só que o poder público não acompanhou este crescimento, e o Executivo não oferece condições prisionais. Não consegue sequer manter as prisões preventivas, quanto mais resolver o problema dos condenados. Aqui não existe sequer uma delegacia especializada em homicídios”, finaliza.

Apoio às famílias

Estudioso dos casos de violência no RN, o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humano, o advogado Marcos Dionísio afirma que a tragédia das famílias que buscam justiça é o emblema daimpunidade. “Há a morosidade do Tribunal de Justiça, a crise do sistema prisional e a ineficácia da nossa segurança que retroalimenta a violência”.

Dionísio está finalizando um relatório que mapeia todos os números de homicídio por bairros da Grande Natal que deverá servir como referência para que se entenda melhor os rumos que o crime vem tomando na cidade nos últimos meses. “Estamos em fase de finalização deste documento e deveremos divulgá-lo na próxima semana”, informa.

O advogado revela que há na cidade uma entidade especializada em prestar apoio e solidariedade às pessoas que tiveram parentes assassinados. “Trata-se do Centro de Referência em Direitos Humanos que presta apoio às famílias que lutam contra a impunidade”. O centro funciona na rua Gustavo Guedes, 1886, Cidade Jardim. Telefone para informações: 3215 1655.

Promotor aponta colapso no sistema prisional

“A polícia não cumpre os mandados, pois não tem para onde levar os presos”, aponta o promotor criminal Wendell Beetoven ressaltando que existe uma notória deficiência do estado para investigar os homicídios, o que justifica os casos de impunidades. “Além disso, as investigações dependem das provas periciais recolhidas nas primeiras 48 horas após um assassinato. Depois disso toda a cena do crime pode ser modificada”. O delito deveria ser investigado pela delegacia do bairro onde ocorre o crime. Mas as DPs não funcionam à noite nem em finais de semana. “As duas delegacias de plantão, com equipes limitadas, é que informam as delegacias dos bairros na segunda-feira, muito tempo depois do ocorrido, o que dificulta a identificação da prova material e a autoria do homicídio”. O promotor acrescenta que quando o crime é esclarecido há uma tramitação demorada, com direito a apelações e recursos. “Tudo culpa de uma legislação antiquada de 1941”. No Brasil, segundo ele, os advogados têm o direito de apelar ao Supremo Tribunal Federal, até mesmo quando o réu é confesso. Wendell Beetoven concorda com a tese de que a impunidade decorre também da falência do sistema prisional do Estado. “O regime aberto deveria ter colônias agrícolas, com um sistema rígido, com atividades direcionadas dentro dos próprios presídios”.

O juiz Henrique Baltazar estima que 15% dos presos que cumprem regime semiaberto no Presídio João Chaves não comparecem regularmente. “Lá temos 270 presos na ala masculina. Tenho certeza que boa parte deles não se apresenta no horário noturno como determina a lei”. Wendell estima que há cinco mil mandados para a prisão de criminosos expedidos pela justiça, “mas não há execução da maioria das penas”.

O promotor cita os dados estarrecedores divulgados pelo Mapa da Violência, produzido pelo Instituto Sangali. “No último levantamento nacional realizado pelo instituto em 2011, a Grande Natal apresenta uma taxa de 40 homicídios para cada cem mil habitantes. Já São Paulo, uma capital muito maior, tem hoje uma taxa de 10 para cada cem mil”.

Família luta por condenação há quase dez anos

O caminhoneiro Jonas Carvalho Lira também reclama justiça há quase dez anos. Ele acusa o fazendeiro José Joaquim dos Santos, conhecido como “Bimba”, de ter assassinado o irmão Vicente de Paula Lira, em Lagoa de Velhos. O roubo de um touro, de propriedade da vítima, teria sido o motivo do homicídio cometido na noite de 23 de junho de 2003 quando Vicente retornou a casa. “Ele era um idoso que foi morto barbaramente dentro de casa pelas costas, com um golpe de uma barra de ferro. Queremos que se faça justiça, que prendam este homem que vive fazendo até festas em frente a nossa casa atualmente”, pede Jonas, que percorreu várias instâncias com objetivo de exigir o cumprimento da pena pelo assassino. Segundo relatos da família Lira, José Joaquim ameaçou Vicente quando soube que foi acusado do roubo. “Quando foi roubado, meu irmão foi imediatamente atrás de saber quem teria pego o animal. Descobriu que o touro tinha sido vendido por “Bimba” e o denunciou à polícia. Antes de ser preso e julgado pelo roubo, jurou matar Vicente e assim o fez”. José Joaquim foi preso por homicídio em 2007 e condenado a uma pena de14 anos pelo assassinato, mas logo conseguiu sair para o regime semiaberto. “Ele nunca passou um dia sequer dentro da cadeia”, diz Jonas.

Ordem de Prisão

A família da vítima soube que foi expedida em junho deste ano uma ordem de prisão para José Joaquim pelo juiz de São Paulo do Potengi. “Estranhamos o fato da ordem vir dessa comarca”. O certo, segundo ele, seria a justiça de São Tomé, comarca responsável pelo processo, expedir a ordem para a Delegacia de Capturas (Decap). Desde que foi expedido o novo mandato de prisão, Jonas Lira tem feito tem feito uma via crucis semanal para saber quais as providências da polícia para o caso. “Toda semana eu ligo para a delegacia para saber quando irá prender aquele assassino e ladrão”. A resposta que recebe dos agentes é de que a delegacia ainda não recebeu a notificação e que nada podem fazer. “Cheguei a ouvir deles de que se eu soubesse onde “Bimba” estava eu deveria avisar para que eles fossem prendê-lo. Tudo que eu sei é que ele está em Lagoa de Velhos, fazendo festas, bebendo com os amigos em frente a nossa casa e ameaçando muita gente, dizendo até que já matou um. Toda a nossa família está indignada e repugnada com a atitude da polícia e da lei que nada fazem para levar este criminoso de volta para grades. Tudo que pedimos a eles Justiça em nome de Vicente contra este crime hediondo”.

Sistema ajuda a falta de punições

Boletins de ocorrência que nunca se transformam em inquéritos, denúncias arquivadas, sobrecarga do Judiciário e colapso no sistema prisional são apontados como algumas justificativas para a ausência do castigo a assassinatos cometidos na Grande Natal.A polêmica lei de progressão de pena, em vigor desde 2007, para muitos, grande vilã do sistema penal brasileiro, determina que os condenados podem progredir para o regime semiaberto de 2/5 da pena quando cometem crimes hediondos e para 1/6  nos demais delitos, desde que tenham bom comportamento e não respondam a outros processos. Números da Justiça do Rio Grande do norte indicam que há atualmente 789 processos por homicídios em andamento nas varas criminais da Região Metropolitana de Natal. “Não estão computados os milhares de Boletins de ocorrências em que não se transformam em inquéritos”, informa o juiz da 12ª Vara de Execuções Penais, Henrique Baltazar.

Diante de uma mesa entulhada por processos, o juiz compreende a indignação dos familiares das vítimas. “Entendo o sentimento daqueles que perdem um parente vítima de um assassinato, mas a lei deve ser obedecida pelos juízes. Na realidade, as famílias, mais do que justiça, desejam que os culpados apodreçam na cadeia”. Henrique Baltazar explica que o Judiciário trabalha atualmente com um número muito menor de magistrados do que deveria. “Muitos juizes estão trabalhando em duas varas com cerca de seis mil processos em cada. Há muita morosidade e além da falta de juizes, há também um déficit de funcionários. É urgente a realização de concurso público pelo Tribunal de Justiça, mas não há orçamento para isso. Esse argumento não justifica, mas explica a lentidão nos julgamentos dos processos criminais”, assinala.

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Câmara instala comissão da PEC do fim da escala 6×1 com previsão de transição e dúvidas sobre compensação a empresas

Foto: Letícia Pille

A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira a comissão especial que vai analisar a PEC que propõe o fim da escala 6×1. A etapa marca o início da discussão do mérito da proposta.

O colegiado terá 38 membros e será presidido pelo deputado Alencar Santana (PT-SP). A relatoria ficará com Léo Prates (Republicanos-BA), indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

PT e PL terão as maiores bancadas na comissão, com seis titulares cada. Entre os membros estão Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), autores de propostas incorporadas ao texto.

O relator afirmou que pretende buscar um “texto de equilíbrio”, com regras de transição para reduzir impactos econômicos. A ideia é estabelecer uma regra geral, com possibilidade de ajustes por negociação entre empresas e trabalhadores.

Entre os principais pontos em debate estão:

  • Redução da carga semanal (como 40 horas)
  • Mudança da escala 6×1 para modelos como 5×2
  • Possibilidade de jornadas maiores em menos dias
  • Eventuais medidas para reduzir impactos no setor produtivo

A compensação para empresas, como desoneração tributária, é defendida por parte da oposição, mas não tem definição e depende do governo federal.

O relator também indicou que uma transição gradual será necessária e que modelos como o 4×3 ainda não devem ser adotados de imediato.

A expectativa é que o relatório seja apresentado e votado até o fim de maio. Depois, a proposta segue para o plenário da Câmara e, se aprovada, ainda precisará passar pelo Senado Federal, presidido por Davi Alcolumbre.

A comissão foi instalada após a PEC ter sua admissibilidade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. Agora, os deputados discutem o conteúdo antes da votação final.

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ROMBO: Governo registra déficit primário de R$ 73,8 bilhões, pior resultado das contas públicas para um mês de março, desde 1997

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As contas públicas do governo central registraram um déficit de R$ 73,8 bilhões no mês de março, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi observado um superávit de R$ 1,5 bilhão.

Esse é o pior resultado para um mês de março desde o inicio da série história, inciada em 1997, segundo os dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).

De acordo com o Tesouro, o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi deficitário em R$ 24,6 bilhões, enquanto a Previdência Social (RGPS) apresentou um déficit de R$ 49,2 bilhões.

Comparado a março de 2025, o resultado primário observado decorreu da combinação de um acréscimo real de 7,5% (R$ 13,7 bilhões) da receita líquida e de um aumento de 49,2% (R$ 89,1 bilhões) das despesas totais.

O Tesouro explica que o crescimento real das despesas em março foi impulsionado, principalmente, pelo cronograma de pagamentos de precatórios.

Em 2026, esses pagamentos concentraram-se em março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente em julho.

Esse fator do calendário impactou fortemente as rubricas de sentenças judiciais e precatórios, que somaram R$ 34,9 bilhões, de benefícios pevidenciários, somando R$ 28,6 bilhões, e de pessoal e encargos sociais, que totalizaram R$ 11,3 bilhões.

No acumulado de janeiro a março de 2026, o resultado do Governo Central atingiu um déficit primário de R$ 17,1 bilhões, frente a um superávit de R$ 55,0 bilhões no mesmo período de 2025, em termos nominais.

CNN Brasil

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O Legado de Seu Banga: 40 Anos de Tradição, Família e Sabor à Beira-Mar

​Existem histórias que se confundem com a própria identidade de um lugar, e a trajetória da Barraca do Banga é, sem dúvida, uma delas. O que hoje é um ponto de referência para turistas e moradores, começou há mais de quatro décadas com a força e a simplicidade de um pescador nativo: o Seu Banga.

Uma História Escrita com União e Fé

​Tudo começou de forma humilde, com Seu Banga e sua esposa dando os primeiros passos ao lado dos três primeiros filhos. Com o passar dos anos, a família cresceu, somando hoje nove filhos e com eles, cresceu também o compromisso de construir um legado baseado no trabalho duro e na hospitalidade.

​A Barraca do Banga não é apenas um comércio; é a extensão de uma casa. É o resultado de uma vida dedicada ao mar e ao atendimento de quem busca um refúgio de paz. Hoje, a rotina é marcada pela constância e pelo desejo de que tudo saia exatamente conforme o planejado, mantendo o ambiente familiar e tranquilo que se tornou na marca registrada.

Excelência Reconhecida : O Hexacampeonato na Veja

​A dedicação da família Banga não passou despercebida. Com muito orgulho, a barraca ostenta seis premiações em primeiro lugar pela Revista Veja, sendo eleita consecutivamente como a Melhor Barraca de Praia. Esse reconhecimento é o reflexo de décadas de cuidado com o tempero e principalmente, com o respeito ao cliente.

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SABATINA: ‘Ninguém pode ser investigado a vida toda’, diz Messias sobre inquérito das fake news

Messias é sabatinado na CCJ do Senado para vaga no STF — Foto: REUTERS/Jorge Silva

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta quarta-feira (29) que “ninguém pode ser investigado a vida toda”. Ele deu a declaração após ser questionado, durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sobre o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), aberto em 2019, que trata das fake news.

Jorge Messias foi indicado por Lula para assumir a vaga de ministro STF após Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria da Corte. Após a análise na CCJ, a indicação de Messias vai ao plenário do Senado, onde precisará do apoio mínimo de 41 senadores para ser aprovada.

O Inquérito 4.781 comentado por Messias na sabatina é uma investigação conduzida pelo STF focada na disseminação de notícias falsas, ameaças e ofensas contra os ministros da Corte e seus familiares. O relator é o ministro Alexandre de Moraes.

“Eu não posso desconhecer o princípio da duração razoável do processo. Ninguém pode ser investigado a vida toda. Não é só no inquérito da fake news, é em qualquer inquérito. Um inquérito penal tem que ter começo, meio e fim e prazo razoável. Ninguém pode ser investigado a vida inteira. O processo penal não é ato de vingança. O processo penal é ato de justiça”, afirmou Messias.

Se aprovado pelo Senado, Jorge Messias vai fazer parte, no Supremo, da Primeira Turma, colegiado que também é integrado por Alexandre de Moraes.

No STF, a Primeira e a Segunda Turma são responsáveis pela análise da maioria dos casos criminais. Processos relacionados ao inquérito das fake news podem ser analisados pela Turma ou pelo plenário da Corte, a depender da indicação do relator.

g1

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Obra da Rua José Luís da Silva avança para fase final na Zona Norte de Natal

Foto: Demis Roussos/Seinfra

A obra de drenagem da Rua José Luís da Silva, localizada no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal, entrou em fase final de execução. Atualmente, os serviços concentram-se na concretagem da laje de sustentação do sistema de drenagem, etapa que antecede o início do aterro da área escavada.

A intervenção foi iniciada em janeiro deste ano, após a identificação de danos em uma tubulação situada a aproximadamente nove metros de profundidade. Devido à complexidade do serviço e às dificuldades de acesso ao ponto afetado, foi necessária a execução de uma obra específica para garantir a solução definitiva do problema.

Com o avanço dos trabalhos, a área já não apresenta riscos de alagamento. A nova tubulação encontra-se devidamente instalada, assegurando o escoamento contínuo da água. Mesmo com as chuvas acima da média registradas no último fim de semana (24), não houve qualquer comprometimento da estrutura de drenagem.

Após a conclusão da concretagem da laje de sustentação, serão realizados os serviços de aterro e pavimentação da via, finalizando a recuperação do sistema de drenagem.

“A obra da Rua José Luís da Silva é uma intervenção importante para garantir mais segurança e qualidade de vida para a população da Zona Norte. Estamos atuando em um ponto crítico, com uma solução definitiva para um problema que, mesmo diante da complexidade do serviço, seguimos avançando com responsabilidade e planejamento. Em breve, vamos entregar a via totalmente recuperada para os moradores, com o sistema de drenagem funcionando de forma eficiente”, destacou Shirley Cavalcanti, secretária municipal de Infraestrutura.

A previsão é de que a obra seja concluída e entregue à população nos próximos dias, permitindo a normalização do tráfego de veículos e pedestres no local.

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[VÍDEO] Prefeita de Campo Grande-MS proíbe mulheres trans de usar banheiros femininos: “tive que fazer o óbvio”

A prefeita de Campo Grande-MS, Adriane Lopes (PP), sancionou a lei que proíbe mulheres trans de usarem banheiros femininos em espaços públicos e privados de uso coletivo da capital sul-mato-grossense.

O texto integra a chamada Política Municipal de Proteção da Mulher e prevê que banheiros, vestiários e espaços semelhantes sejam utilizados conforme o sexo biológico. A norma foi aprovada pela Câmara Municipal e publicada no Diário Oficial de Campo Grande na quarta-feira (22/4).

Ao defender a medida, Adriane afirmou que “teve que fazer o óbvio”. “Eu respeito todas as opções sexuais, mas cheguei ao óbvio de ter que defender, não só os meus direitos, mas os das mulheres de Campo Grande”, declarou a prefeita. Ela também disse: “Ou nós resguardamos os nossos direitos, ou perdemos a identidade de mulher”.

O projeto foi defendido pelo vereador André Salineiro (PL), sob o argumento de que a regra busca “resguardar a intimidade” e evitar constrangimentos em espaços de uso coletivo.

Lei enfrenta reação

A lei, no entanto, já enfrenta reação. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul informou que recebeu uma representação contra a norma pela Ouvidoria. O caso será analisado pelo procurador-geral de Justiça, que avalia eventual cabimento de Ação Direta de Inconstitucionalidade.

Entidades de direitos humanos e movimentos LGBTQIA+ também criticaram a medida. O Instituto Jordão Santana classificou a lei como um “grave retrocesso social, jurídico e humano” e afirmou que a norma atinge a dignidade e os direitos fundamentais da população trans.

Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Esses que defendem essas práticas, coloquem, suas irmãs, mulher, sogra e toda a comunidade feminina deles parairem pros banheiros com os gays, cuidado pra não sair uma buchuda.

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Justiça condena homem solto por juiz que considerou 200 kg de cocaína pouca quantidade de droga

Foto: reprodução

Thiago Zumiotti Ferreira, preso com quase 250 quilos de cocaína em 2025, foi condenado a cinco anos de prisão por tráfico de drogas. A decisão é da juíza Andrea Ribeiro Borges.

Na sentença, a magistrada negou o pedido de “tráfico privilegiado”, argumento da defesa de que o réu atuava apenas como “mula”. Segundo os advogados, ele seria uma pessoa vulnerável usada por criminosos e não saberia a quantidade transportada.

A juíza, no entanto, destacou a “quantidade exorbitante” de droga e a “ousadia na fuga” como indícios de participação relevante no crime, afastando a tese de atuação ocasional.

A pena foi fixada em cinco anos de reclusão, em regime semiaberto, além de 15 dias de detenção por desobediência. O Ministério Público informou que vai recorrer, por considerar a punição branda.

Thiago havia sido solto anteriormente por decisão do juiz Marcelo Nalesso Salmaso, que concedeu liberdade provisória após a apreensão da droga em Itu. Na ocasião, ele afirmou que a quantidade não era “exacerbada” e que o suspeito não apresentava periculosidade.

A decisão foi criticada pelo então secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite. Posteriormente, o juiz corrigiu o texto, alegando uso de modelo padrão, mas manteve a liberdade provisória ao considerar que não havia provas de ligação com organização criminosa.

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Geral

“Sou contra aborto”; “Estado é laico”: as frases de Messias durante sabatina no Senado

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O advogado-geral da União, Jorge Messias, é sabatinado nesta quarta-feira (29) pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado Federal. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), Messias precisa passar pelo aval dos senadores para se tornar ministro.

A sabatina ocorre durante o ano eleitoral, em que há o interesse da oposição em barrar um indicado de Lula; e em meio à crise de credibilidade do Supremo, por conta do suposto envolvimento de magistrados com o Banco Master, investigado por um esquema de fraudes bilionário.

Somado a isso, Messias enfrenta a resistência dos senadores, já que não conta com o apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Seguindo o rito da sabatina realizada na CCJ, Messias se apresentou aos senadores. Cabe aos congressistas perguntarem ao indicado os temas de seus interesses para sua eventual aprovação ao Supremo. 

Leia abaixo os principais posicionamentos de Messias durante a sessão:

“Sou totalmente contra o aborto”

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou ser pessoalmente contra o aborto, mas destacou a necessidade de separar convicções individuais, atuação institucional e decisões judiciais. A declaração foi feita durante sabatina no Senado.

Questionado sobre parecer da Advocacia-Geral da União que considerou inconstitucional resolução do Conselho Federal de Medicina, Messias disse que o posicionamento seguiu critérios legais. Segundo ele, a norma poderia restringir políticas públicas já previstas na legislação, que permite o aborto em situações específicas, como em casos de estupro.

Ele afirmou ainda que o tema deve ser tratado com base na lei e com sensibilidade, ressaltando que se trata de uma questão complexa e com impacto social.

“Recalibragens institucionais” no Supremo

Durante a apresentação, Messias afirmou que o Supremo Tribunal Federal pode passar por “aperfeiçoamentos”, destacando que transparência, prestação de contas e maior escrutínio público são demandas legítimas.

Ele classificou eventuais ajustes como naturais em uma democracia e disse que não devem ser interpretados como sinal de fraqueza institucional.

O debate ocorre em meio à discussão sobre a criação de um código de conduta para ministros e à repercussão de investigações envolvendo integrantes da Corte.

“Respeito absoluto” ao Estado laico

Messias também afirmou que, apesar de ser evangélico, tem “respeito absoluto” ao Estado laico. Segundo ele, decisões públicas não devem ser influenciadas por fundamentos religiosos.

Ele ressaltou que, embora valores pessoais façam parte de sua vida, o Estado deve atuar de forma neutra em questões religiosas, conforme previsto na Constituição.

Decisões de juízes

Durante as perguntas dos senadores, Jorge Messias respondeu sobre sua avaliação da imagem do STF diante da sociedade e das críticas que ministro da Corte vem recebendo.

O advogado-geral da União afirmou que o espaço de Poder jurisdicional não pode ser um “espaço de tirania”. Segundo ele, as decisões de um juiz devem ser tomadas com base em atos de sabedoria.

Anistia

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou o seu tempo de fala durante a sabatina de Jorge Messias para criticar o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que foi relator da trama golpista. A ação condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e três meses de prisão.

Messias considera o 8 de Janeiro como um dos “capítulos mais tristes da história desse país”, a discussão acerca da anistia “é própria do ambiente político institucional”. Mesmo assim, Messias afirmou que o debate sobre a anistia é político e cabe ao Poder Legislativo.

Com informações de CNN Brasil

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  1. Sei!!

    Mais um Lobo transvestido de Cordeiro.

    Acredita quem quer!!

    Só se engana com as falácias deste cidadão quem foi alienado.

    A sua indicação e aprovação como de outros para a mesma função recentemente tem um custo que vai muito além do monetário.

    Quando receber a toga oficial vai se transformar em mais um que vai trabalhar em prol de quem lhe indicou.

    Enquanto não mudar as regras de escolhas tudo é todos serão iguais.

    E, tenho dito.

  2. Mentiroso! Falso crente; deu parecer favorável ao aborto; além do mais, é petista raiz; olho nos Senadores que votarem nele.

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Geral

Questionado por Flávio Bolsonaro sobre anistia, Messias diz em sabatina que discussão é “política” e cabe ao Legislativo

Foto: Montagem O GLOBO

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado realiza nesta quarta-feira (29) a sessão voltada sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou o seu tempo de fala durante a sabatina de Jorge Messias para criticar o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que foi relator da trama golpista. A ação condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e três meses de prisão.

Flávio ainda defendeu a anistia e questionou Messias sobre o assunto.

Messias afirmou que considera o 8 de Janeiro como um dos “capítulos mais tristes da história desse país”, a discussão acerca da anistia “é própria do ambiente político institucional”.

Mesmo assim, Messias afirmou que o debate sobre a anistia é político e cabe ao Poder Legislativo. “A discussão acerca de anistia é própria do ambiente político institucional. A critica pública também. Agora, a definição acerca desse tema cabe aos senhores, e não a mim na condição de operador do direito”, disse.

Com informações de CNN Brasil

Opinião dos leitores

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Polícia

VÍDEO: Polícia Civil deflagra ação contra facções e bloqueia R$ 9 milhões no RN

Vídeo: Divulgação

Nas primeiras horas desta quarta-feira (29), a Polícia Civil do Rio Grande do Norte iniciou uma grande ofensiva contra o crime organizado com a deflagração da Operação Renorcrim. A ação tem como principal alvo organizações criminosas com atuação nas zonas Oeste e Sul de Natal.

Ao todo, estão sendo cumpridos 70 mandados judiciais, além do bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados. As diligências acontecem em diversos municípios potiguares e também tiveram desdobramentos fora do estado, com prisões registradas em São Paulo e Alagoas.

Segundo as autoridades, a operação busca desarticular grupos envolvidos em confrontos armados, disputas por território e outras atividades ilícitas. A estratégia inclui atingir diretamente lideranças, redes de apoio logístico e as fontes de financiamento das facções.

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