Saúde

Imunidade coletiva, bolhas de proteção ou distanciamento? O que explica queda da pandemia de Manaus a Estocolmo

Foto: BBC

Após a chegada do coronavírus, Manaus registrava 15 mortes diárias no início de abril, 78 um mês depois e atualmente essa cifra não passa de 10. Na Suécia, a média diária de mortes era 20 no início de abril, passou a 80 um mês depois e atualmente está em torno de 14.

Nenhuma das duas localidades adotou um bloqueio total à circulação de pessoas, como ocorreu em partes da China, Itália e Espanha. Então, como o número de mortes e internações está caindo ou não está subindo com a economia aberta?

Há três hipóteses em voga: distanciamento social, imunidade coletiva e bolhas de proteção.

A primeira e principal explicação, baseada em dezenas de estudos e análises de dados municipais, é que o distanciamento social praticado por parte da população surtiu efeito. Mesmo adotado de forma parcial e não obrigatória. O mesmo vale para o uso de máscaras. Não está no patamar ideal, mas tem colaborado para salvar vidas e evitar hospitais lotados. Só que alguns pesquisadores dizem que o distanciamento não explica sozinho porque o número de internações não voltou a crescer na capital amazonense, por exemplo.

A segunda hipótese tem gerado debate entre pesquisadores no Brasil: imunidade coletiva (ou “de rebanho”). Segundo essa visão, algumas cidades brasileiras atingiram um patamar de pessoas infectadas alto o suficiente (e bem menor do que se estimava) para que o vírus tivesse dificuldade para encontrar a quem infectar. A partir daí, a epidemia teria perdido força em Manaus ou São Paulo, por exemplo.

Esse conceito de imunidade coletiva, associado à estratégia de vacinação, explicaria porque não é necessário imunizar 100% da população para conter o espalhamento de uma doença. Em alguns casos, vacinar 80% já surtiria o efeito esperado porque derruba a probabilidade de uma pessoa infectada contaminar alguém suscetível. No caso da covid-19, há quem fale que isso acontece quando um terço da população foi infectada, metade do patamar estimado pela maioria dos pesquisadores, em mais de 60% (leia mais abaixo).

Mas se a parcela da população com anticorpos contra o coronavírus não passa de 8% em Manaus e de 12% em São Paulo, segundo estudos de âmbito nacional e municipal, como essas e outras cidades teriam atingido uma imunidade coletiva na pandemia atual?

Para o físico Domingos Alves, do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, aventar essa hipótese de imunidade de rebanho é perigoso e antiético por diversos motivos, principalmente por falta de evidências científicas e pelo risco de fundamentar medidas de governantes contra o distanciamento social, como se o pior da pandemia já tivesse quase passado, o que poderia estimular a circulação do vírus e aumentar o número de mortes.

Segundo projeções, mais de 1 milhão de brasileiros morreriam até o país atingir a imunidade de rebanho, e mesmo assim o vírus ainda circularia e não se sabe por quanto tempo as pessoas ficam imunes a ele.

“É igual à defesa da cloroquina. Se constrói argumentos de veracidade sem evidência. E em um país onde existe um negacionismo violento, isso é até perigoso. O Brasil não achatou a curva e governantes estão tentando falsificar a ideia de controle da epidemia. Somos um dos únicos países do mundo que adotaram medidas de reabertura com o número de casos e óbitos crescendo.”

Segundo ele, é questão de tempo até novas ondas de infecções e mortes em cidades que atualmente registram quedas nesses índices.

Por fim, a terceira possível explicação para o recuo da pandemia em algumas cidades brasileiras passa por bolhas de proteção, que, a grosso modo, incorpora as hipóteses de distanciamento social e imunidade coletiva.

Nesta visão, a doença tem dificuldade de circular porque parcelas da população são expostas inicialmente ao vírus, mas em geral não convivem tanto com outros grupos sociais que não foram expostos. Assim, surgem “bolhas” em que distanciamento e imunidade coletiva surtem efeito a ponto de “confinar” o espalhamento do coronavírus.

Mas isso varia muito de uma região para outra das cidades. Quanto mais adensadas e precárias as condições de vida de um bairro, mais vulneráveis serão os moradores dele. Segundo estudos do grupo de pesquisadores Ação Covid-19, esse equilíbrio é tão instável que o contato com pessoas doentes de outros bairros ou cidades pode, por exemplo, estourar essas bolhas de proteção e resultar em novas ondas de infecção.

Por que imunidade coletiva desperta tanto debate?

Esse conceito de imunidade de grupo gera controvérsia desde o início da pandemia. Inicialmente, o debate girava em torno da possibilidade de orientar estratégias dos países contra a doença.

Seria possível um país deixar de adotar quarentenas até que a população atingisse o patamar de imunidade coletiva necessário para conter o vírus? O Reino Unido cogitou seguir essa linha, mas as projeções de que isso levaria a milhares de mortes fizeram o governo recuar. A Suécia segue mais ou menos nessa vertente.

Um ponto central no debate atual sobre imunidade coletiva envolve lugares onde os casos caíram sem quarentenas e poderiam estar mais “protegidos” contra novas ondas de doenças, como a Suécia.

Qual foi o resultado da estratégia sueca? Até agora, em comparação aos vizinhos nórdicos, a Suécia teve até sete vezes mais mortes e o declínio econômico foi equivalente ao de quem fechou comércios e escolas (já que habitantes evitaram circular nas ruas).

Mas o número de mortes tem caído no país, algo que reacende o debate sobre imunidade coletiva. O país nórdico teria atingido o patamar, que seria muito menor do que se estima? Há menos pessoas suscetíveis do que se imagina, já que há outras defesas do corpo que podem combater o coronavírus além dos anticorpos, como as células T (leia mais abaixo)?

Em geral, calcula-se o patamar hipotético para conter a circulação do vírus a partir do número de pessoas que podem ser contaminadas por alguém com a doença. No caso da covid-19, estima-se que 10 infectados têm o potencial de transmitir o vírus para cerca de 25 pessoas.

Pesquisadores consideram que, no caso da covid-19, o patamar é de pelo menos 60% da população. Em linhas gerais, sem ponderar a vulnerabilidade de cada faixa etária, isso representaria pelo menos 127 milhões de brasileiros infectados e 1,3 milhão de mortos, sem contar o impacto da falta de leitos hospitalares e as sequelas em pacientes recuperados, que relatam fadiga e falta de ar meses depois da infecção.

Esse patamar de pelo menos 60% não é igual para todos os habitantes. Varia conforme o país, a faixa etária, a adesão ao distanciamento e a condição socioeconômica, por exemplo.

O debate ganhou força com números de um estudo publicado na revista Science sobre o tema, considerando essa heterogeneidade de suscetibilidade em uma população.

Segundo pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, esse patamar pode ser de 43% ou até mesmo 34%, se a taxa de contágio da covid-19 for menor do que se imagina (em média, 10 infectados contaminariam 20 pessoas em vez de 25).

Mas os editores da própria Science publicaram uma carta em que afirmam que mesmo que a previsão mais otimista de 43% esteja correta, não há nenhum estudo que aponte que qualquer país esteja próximo da imunidade coletiva. “A continuidade de intervenções não farmacêuticas (como distanciamento social) ao redor do mundo ainda é de grande importância.” Enfim, novas ondas de infecção não estão descartadas.

Bolhas de proteção podem explicar a queda em Manaus e São Paulo?

O debate sobre imunidade coletiva no Brasil se concentra principalmente sobre o que está acontecendo em Manaus e São Paulo. Como a pandemia pode recuar se não há gente suficiente com anticorpos e se muitos não aderem ao distanciamento social?

Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha com uma taxa de prevalência de anticorpos em cerca de 14% da população da capital do Amazonas e pouco mais de 3% em São Paulo. Segundo o biológo Fernando Reinach, um estudo na cidade de São Paulo apontou que regiões mais pobres da capital paulista registravam 16% de infectados em junho.

“Em Manaus, o número de casos subiu rapidamente, não foram adotadas medidas drásticas de isolamento social, os mortos foram enterrados em valas comuns no pico, e logo em seguida o número de casos diminuiu. Qual a causa dessa rápida queda do número de infectados em Manaus? Teria a cidade atingido a imunidade de rebanho? Um modelo matemático demonstra que isso pode ter ocorrido, e talvez esteja ocorrendo em cidades como São Paulo”, escreveu Reinach em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo no sábado.

(Estudos do projeto Monitoramento Covid-19, do qual Reinach é membro, apontaram que no fim de junho 11% da população da cidade de São Paulo tinha anticorpos contra covid-19. A taxa entre pessoas que não concluíram o ensino fundamental era 23%, ante os 5% entre aqueles com diploma universitário.)

A física Patricia Magalhães, pesquisadora da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e seus colegas do grupo de cientistas Ação Covid-19 apontam outra hipótese para a queda do contágio em São Paulo: um fenômeno conhecido como bolha de proteção.

Essa hipótese é calculada por meio de um modelo matemático multiagente, que simula a interação das pessoas na pandemia da vida real. Nele, o espalhamento da doença em uma localidade é estimado a partir dos contatos pessoais dentro de um espaço delimitado (como um bairro, por exemplo).

As “pessoas” são colocadas dentro desta grade e se movem independente e aleatoriamente ao longo do tempo. Quando elas se encontram nesse cenário hipotético, mas não estão infectadas, seguem o rumo. Quando uma delas está infectada, pode passar a doença para a outra.

Com o tempo, o distanciamento (pessoas paradas ou transitando menos) e a imunização crescente reduzem as possibilidades de transmissão do vírus de uma pessoa para outra dentro de uma bolha.

Mas a transmissão não é igual em todos os bairros de uma cidade, e depende da vulnerabilidade dessas pessoas à contaminação onde elas vivem.

Para traduzir isso em números, Magalhães e outros pesquisadores inserem nos cálculos o IDH (índice de desenvolvimento humano) ou o Índice de Proteção Covid-19 (IPC19), criado pelo grupo Ação Covid-19. Este indicador leva em conta fatores socioeconômicos para definir quão protegidas ou desprotegidas estão as pessoas de diferentes classes. Número de moradores na mesma casa, saneamento básico, densidade demográfica, renda familiar, raça ou cor de pele.

Além das condições sociais, há outros três grandes parâmetros usados nesses cálculos: 1. a quantidade de pessoas que adere ao distanciamento social; 2. a densidade demográfica de cada região; 3. o número de pessoas que desenvolveram anticorpos. Quem quiser pode fazer as simulações neste link aqui.

“O nosso modelo mostrou que a taxa de contaminação na cidade de São Paulo está caindo. E fomos surpreendidos por esse resultado. Ao tentar entendê-lo a fundo, observamos que as pessoas tendem a contaminar mais seu entorno, onde as pessoas ao seu redor não são mais suscetíveis, ou porque estão isoladas ou porque já tiveram a doença. Isso leva a uma redução da propagação da doença”, afirmou Magalhães à BBC News Brasil. O mesmo pode estar acontecendo em Manaus.

A cientista ressalta, no entanto, que esse equilíbrio é frágil porque o vírus não deixa de circular e não se sabe exatamente onde regiões das cidades vivem essa situação porque há poucos testes de covid-19 para identificar quem está infectado e quem já produziu anticorpos.

Como essas bolhas não são isoladas, no momento em que o distanciamento social cai ou uma pessoa infectada de outro bairro ou município adentra uma área em “equilíbrio instável”, a doença pode voltar a se espalhar com força novamente.

Vale lembrar que o número de infecções tem caído nas capitais de São Paulo e do Amazonas, mas crescido nas cidade do interior desses Estados.

O que são as células T e por que são associadas à queda de mortes na Suécia?

Imunidade é o conjunto de mecanismos do corpo que nos protegem de infecções. É uma complexa rede de células, órgãos e tecidos que trabalham juntos para se defender contra microrganismos e substâncias tóxicas que podem nos deixar doentes.

Existem dois tipos de imunidade: a inata (ou natural) e a adaptativa.

A primeira está sempre pronta para agir quando qualquer invasor é detectado no corpo. Ela inclui a liberação de substâncias químicas que causam inflamação e células brancas capazes de destruir células infectadas. Mas esse sistema não é específico para o coronavírus. Ele não irá aprender e tampouco lhe dará imunidade contra a covid-19.

A segunda, a resposta adaptativa, é dividida em dois ramos: imunidade derivada de anticorpos, também denominada imunidade humoral, e imunidade celular exercida por células chamadas linfócitos T (ou células T), conhecida como resposta celular. Esta pode atacar apenas as células infectadas com o vírus, por exemplo.

E o que isso tem a ver com o debate sobre imunidade coletiva, bolhas de proteção e distanciamento social?

O caso da Suécia pode ser ilustrativo para explicar essa relação. O país nórdico, como dito anteriormente, decidiu não adotar medidas duras de restrição à circulação de pessoas como forma de combater a covid-19.

Em relação aos países vizinhos, a média de mortes por 1 milhão de habitantes na Súecia por covid-19 chegou a ser quatro vezes a da Finlândia e sete vezes a da Noruega. Desde meados de maio, nenhum país da região passa de 15 novos casos diários por 1 milhão de habitantes, exceto a Suécia, atualmente com 40.

Mas a doença não se espalhou de forma descontrolada em território sueco, com hospitais lotados e milhares de mortos. O número de infecções e mortes em território sueco tem caído.

A principal explicação é que, mesmo sem quarentenas ou lojas fechadas, a maioria da população circulou menos na rua. Dados de celulares coletados pela Apple e pelo Google apontam isso, por exemplo.

Mas o debate sobre o recuo da pandemia na Suécia passa também pelo impacto da quantidade de pessoas imunes. No fim de abril, pico da doença na Suécia, estudos oficiais apontavam que apenas 7,3% da população na região de Estocolmo haviam produzido anticorpos contra a doença.

Por outro lado, um estudo liderado pelo instituto sueco Karolinksa apontou que pessoas que testaram negativo para anticorpos contra o coronavírus ainda podem ter alguma imunidade.

Para cada pessoa que testou positivo para anticorpos, o estudo encontrou duas que tinham células T específicas que identificam e atacam células infectadas pelo Sars-CoV-2. Ou seja, a quantidade de pessoas imunes ao novo coronavírus pode ser muito maior do que apontam os estudos que quantificam pessoas com anticorpos.

Essa presença das células T foi observada também em pessoas que tiveram casos leves ou sem sintomas de covid-19. Mas ainda não está claro se isso apenas protege esse indivíduo ou se também pode impedi-lo de transmitir a infecção a outras pessoas.

Uma característica particular do segundo tipo de imunidade do corpo humano, o adaptativo, é que ele deixa memória. Mas o novo coronavírus, Sars-CoV-2, não é conhecido há tempo suficiente para se saber o quanto dura essa memória de imunidade contra ele.

Há relatos preliminares de pessoas que parecem ter sido infectadas mais de uma vez pelo novo coronavírus em um período curto de tempo. Mas o consenso científico é de que a questão eram os testes, com os pacientes sendo incorretamente informados de que estavam livres do vírus.

BBC

Opinião dos leitores

  1. Está dita segunda onda para mim nada mais é do que o efeito colateral do falacioso "fica em casa".

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Política

“Divergências políticas devem ser resolvidas pelo voto”, diz Cabo Deyvison após sobreviver a atentado que matou assessor em Mossoró

Foto: Reprodução/Instagram

O vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL) afirmou que não pretende abandonar a vida pública após ser alvo de um atentado que matou uma pessoa e quase tirou sua vida. Em entrevista à Tribuna do Norte, o parlamentar disse que o episódio reforçou sua disposição de continuar atuando na política e defendendo suas bandeiras.

Ao comentar as possíveis motivações do crime, Deyvison afirmou que todas as hipóteses devem ser investigadas. Segundo ele, sua atuação no combate ao crime organizado é uma das linhas que precisam ser analisadas pelas autoridades.

“Fui atacado em razão da minha atuação pública, e todas as linhas de investigação devem ser aprofundadas até que a verdade seja completamente esclarecida”, declarou.

O vereador também disse concordar com a avaliação de que não podem ser descartadas motivações políticas ou empresariais para o atentado. Para ele, a apuração deve ocorrer sem direcionamentos prévios e sem conclusões antecipadas.

Questionado sobre a possibilidade de os investigadores chegarem aos mandantes do crime, Deyvison afirmou confiar no trabalho das forças de segurança e disse acreditar que todos os envolvidos serão identificados.

Mesmo após o atentado, o parlamentar descartou qualquer mudança nos planos de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. “Não vou permitir que a violência determine os rumos da minha vida ou da minha atuação política”, afirmou.

Durante a entrevista, ele também avaliou que o caso evidencia o desafio representado pelo crime organizado no Rio Grande do Norte e defendeu o fortalecimento das instituições e da inteligência policial.

Ao falar sobre o ambiente político, Deyvison fez um apelo contra a violência. “Divergências políticas devem ser resolvidas pelo debate, pelo voto e pelas instituições. Quando a violência passa a fazer parte desse ambiente, toda a sociedade perde”, declarou.

Por fim, o vereador disse que o atentado não abalou sua disposição de continuar na vida pública. Segundo ele, o episódio reforçou a responsabilidade de seguir trabalhando e honrando a confiança dos eleitores.

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Economia

RN tem mais de R$ 770 milhões a receber do INSS, mas grande parte do dinheiro pode ser perdida

Foto: Reprodução

O Rio Grande do Norte tem R$ 771,8 milhões em créditos previdenciários que poderiam reforçar os cofres estaduais, mas os recursos seguem travados entre análises do INSS, da Dataprev e pendências documentais acumuladas há décadas.

Segundo o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPERN), cerca de R$ 400 milhões podem ser liberados ainda em 2026, caso os processos avancem e as exigências sejam atendidas.

Do total, R$ 413,2 milhões aguardam análise do INSS e da Dataprev. Outros R$ 358,6 milhões dependem da apresentação e regularização de documentos para que possam seguir para pagamento.

O presidente do IPERN, Nereu Linhares, afirma que uma das principais dificuldades é localizar documentos antigos que comprovem contribuições previdenciárias realizadas por servidores ao longo das décadas.

Parte dessas pendências envolve registros dos anos 1980 e 1990. Segundo o gestor, muitos arquivos foram perdidos ou descartados ao longo do tempo, dificultando a comprovação exigida atualmente pelas regras federais.

“Aqueles casos específicos em que não foi encontrada a documentação, em arquivo, por exemplo, óbvio que vai prescrever”, afirmou Nereu Linhares.

O IPERN alerta que parte dos créditos pode ser perdida por prescrição. Pela legislação, os valores devem ser reclamados dentro de um prazo de cinco anos após o registro da aposentadoria.

A compensação previdenciária funciona como um acerto de contas entre os regimes de previdência. Quando um servidor contribuiu para o INSS e se aposenta pelo Estado, a União repassa recursos para ajudar a custear o benefício pago pelo governo estadual.

Mesmo com as dificuldades, o Rio Grande do Norte registrou em 2025 o maior volume de compensações já recebido. Segundo o IPERN, foram R$ 115 milhões repassados pelo INSS neste ano.

Apesar do recorde, o valor não foi suficiente para cobrir sequer um mês do déficit previdenciário estadual. De acordo com Nereu Linhares, o déficit mensal chegou a R$ 147 milhões.

Para especialistas, a demora na recuperação desses recursos evidencia as dificuldades fiscais enfrentadas pelo Estado e aumenta a pressão sobre as contas públicas, já que a perda dos créditos pode exigir novos aportes do Tesouro para cobrir o déficit da previdência estadual.

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Geral

PESQUISA DATAFOLHA: 49% desaprovam e 48% aprovam trabalho de Lula

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 49% de desaprovação e 48% de aprovação entre os brasileiros.

Os números indicam estabilidade em relação ao levantamento anterior, realizado no fim de maio, quando tanto a aprovação quanto a desaprovação estavam em 48%.

O levantamento foi realizado antes da divulgação completa dos desdobramentos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026 e ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre os dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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Geral

PESQUISA DATAFOLHA: 38% avaliam governo Lula como ruim ou péssimo; para 32%, é ótimo ou bom

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) pelo site do jornal Folha de S.Paulo mostra que 38% dos entrevistados têm uma avaliação negativa sobre o governo do presidente Lula (PT).

Outros 32% avaliam o governo positivamente e, para 29%, o desempenho é regular. O quadro é de estabilidade em relação à pesquisa anterior, de maio.

Veja os números:

  • Ruim/péssimo: 38% (eram 38% em maio e 40% em abril);
  • Ótimo/bom: 32% (eram 32% em maio e 29% em abril);
  • Regular: 29% (eram 28% em maio e 29% em abril);
  • Não sabem: 1% (eram 1% nas pesquisas anteriores).

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 17 e 19 de junho, segundo dados informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número BR-09956/2026 no TSE.

g1

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Geral

Sócio já negociava com Jaques Wagner quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda

Da esquerda para a direita, o banqueiro Augusto Lima, Jaques Wagner (PT-BA), Daniel Vorcaro e Lula (PT) | Foto: reprodução/Diário do Poder

A linha do tempo traçada pela Polícia Federal que resultou na batida policial nos endereços do líder de Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mostra que quando o presidente petista recebeu o Daniel Vorcaro em segredo, fora da agenda, o senador da Bahia e Augusto Lima, sócio de Vorcaro, também alvo dos federais na operação de quinta-feira (18), já mantinham frenética troca de mensagens com negociações milionárias, como a “compra” do apartamento de R$2,45 milhões em Salvador (BA).

Foi em 4 de dezembro de 2024 a reunião de Vorcaro, Lula e Lima. Oito dias antes, Wagner e o banqueiro trocavam mensagens sobre o imóvel.

Rui Costa (ex-Casa Civil) também esteve na reunião. Wagner era seu secretário na Bahia quando o Credcesta entrou nos negócios do Master.

Em 13/08/24, Lima e Wagner fizeram chamada de 9min19s. Foi quando a “Emenda Master” foi apresentada. Lima mandou o link ao senador.

Enquanto a PF revirava a casa do senador atrás de provas de mutreta, Lula ligou para o baiano para, diz ele, manifestar “solidariedade”.

Coluna de Cláudio Humberto no Diário do Poder

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Geral

VÍDEO: Flávio Bolsonaro sai em defesa de Neymar após fala de Lula contra o jogador: ‘Neymar é craque e Lula é presidente turista’

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) saiu em defesa de Neymar após o atleta da Seleção Brasileira ser ironizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fala durante evento em Belo Horizonte (MG), nesta sexta-feira (19).

“Neymar é craque e Lula é presidente turista. Só um deles tem espaço no coração do brasileiro e pode ter certeza: o Brasil está do lado e torcendo pelo Neymar Jr.”, compartilhou Flávio em seu perfil no X.

Durante anúncio de investimentos em oncologia no SUS, na capital mineira, Lula disse que o jogador é o “primeiro convocado home office do mundo”.

O camisa dez da seleção se recupera há um mês de uma lesão na panturrilha e esteve fora das duas primeiras partidas da Copa do Mundo 2026, contra as seleções de Marrocos e Haiti. A expectativa é que ele tenha condições de jogo contra a Escócia, na última rodada da primeira fase da competição.

No vídeo compartilhado nas redes, Flávio classificou a fala de Lula como “mais um gol contra do presidente”. “Estamos falando de um brasileiro de origem humilde que venceu na vida e inspira milhões de jovens, e mantém um projeto social que ajuda milhares de crianças e famílias”, concluiu o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Globo

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Geral

CASO MASTER: PF diz que apartamento para Jaques Wagner seguiu mesmo modelo de propina para ex-presidente do BRB

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A investigação da Polícia Federal sobre supostas vantagens indevidas pagas pelo Banco Master ao senador Jaques Wagner (PT-BA) aponta que a aquisição de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões teria seguido o mesmo modelo identificado em um caso envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Segundo a PF, o esquema teria utilizado fundos de investimento e empresas interpostas para ocultar a origem dos recursos e o verdadeiro beneficiário do imóvel. O advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro nas duas situações, também é citado na apuração.

De acordo com os investigadores, o apartamento ligado a Jaques Wagner foi adquirido por meio de uma estrutura envolvendo um fundo administrado pela gestora Reag, alvo da Operação Compliance Zero por suspeitas de participação em operações financeiras relacionadas ao Banco Master.

A PF afirma que o modelo é semelhante ao identificado em fases anteriores da investigação, nas quais imóveis teriam sido utilizados como forma de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

O que diz a assessoria de Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas. Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.

O que diz a defesa de Augusto Lima

As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.

O que diz a defesa de Daniel Monteiro

A defesa de Daniel Monteiro informa que não teve acesso aos elementos da investigação mencionados na operação desta quinta-feira, limitação que tem sido recorrente ao longo da apuração. Daniel segue preso há mais de dois meses e suas advogadas ainda não tiveram acesso integral aos autos do inquérito policial. A defesa ressalta apenas a importância de cautela ao reproduzir qualificações atribuídas pela investigação, especialmente quando se referem à atuação de advogados.

Com informações de Estadão

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Geral

Governo Lula elevará teor de etanol na gasolina para 32% a partir da próxima quarta-feira (24), afirma Alckmin

Foto: REUTERS/Adriano Machado

A mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passará de 30% (E30) para 32% (E32) a partir da próxima quarta-feira (24), segundo afirmou neste sábado (20) o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

A declaração foi feita durante a entrega da primeira fase da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo e do Terminal da BR-070, em Primavera do Leste (MT).

Até o momento, a expectativa do setor era de que o aumento da mistura fosse analisado pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) em reunião marcada para 24 de junho.

A possível elevação do etanol na mistura da gasolina é aguardada há meses pela indústria de biocombustíveis, que defende o avanço da mistura como forma de ampliar a demanda pelo combustível renovável.

Segundo Alckmin, a medida tem potencial para reduzir o preço da gasolina ao consumidor, além de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética.

“A gasolina que tinha 27,5% de etanol, o presidente Lula passou para 30%, e agora, na quarta-feira, passa para 32% de etanol. Com isso, ajuda a gasolina a ficar mais barata, emite menos, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria que vai fazer etanol combustível e vai fazer DDG para ração animal”, afirmou.

Com informações de CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Esse DESgoverno é o maior adulterador de combustível do país! Mas esperar o que de uma quadrilha?

  2. E sabem qual será o benefício para os consumidores… NENHUM… Iremos pagar por gasolina, mas na verdade, só iremos levar 68% de gasolina e estaremos pagando 32% de etanol como se fosse gasolina… É o famoso comprar “gato por lebre”… Além do que, com o maior percentual de etanol na gasolina, o consumo do veículo aumenta significamente… A propósito, o preço da gasolina fake hoje em Natal, em todos os postos que passei, está a R$ 6,99… O preço do barril de petróleo despencou, mas o efeito em nosso País foi inverso…
    Lamentável a condução atual da economia de nosso País… Mas podemos ainda, salvar o destino de nossa Nação, com as eleições que se aproximam…

  3. É gasolina com álcool é produto que era 1kg, agora vem com 700g, pra manter o preço. É esse o Brasil da mentira, da corrupção e do ladrão.

  4. Alô Ministerio Público Federal! 32% tecnicamente não é mais gasolina. Diversops carros movidos exclusivamente a gasolina estão tendo problemas (bomba de combustível de baixa, bomba de combustível de alta, sensores da linha de combustível, etc). Roçadeiras e outras máquinas importadas que usam motor a gasolina estão qubrando também. Tecnologia flex (se prestasse o resto do mundo teria adotado) não épadrão para todos os veículos e máquinas. ABSURDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Geral

Dra. Zenaide consolida reeleição ao Senado em três pesquisas diferentes divulgadas nos últimos 20 dias

A senadora Zenaide Maia aparece novamente como reeleita para o Senado em levantamento do Instituto Seta divulgado neste sábado. Esse é o terceiro instituto diferente a divulgar pesquisa neste mês de junho apontando a reeleição dela.

Na soma dos dois votos do cenário estimulado, Zenaide tem 40,3% e aparece entre os dois eleitos da disputa. Styvenson Valentim soma 47% e Samanda Alves, 12%.

Na pesquisa espontânea, Zenaide registra 9,3% das citações. Styvenson tem 16,3% e Samanda, 4,3%.

A pesquisa Seta ouviu 1.500 eleitores entre os dias 15 e 17 de julho. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado no TSE sob os números RN-01712/2026 e BR-00738/2026.

Opinião dos leitores

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Rogério Marinho é o único do RN entre os 100 mais influentes do Congresso Nacional

O senador Rogério Marinho (PL-RN) foi incluído na edição 2026 dos “Cabeças do Congresso Nacional”, levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) que identifica os parlamentares com maior capacidade de influência no processo decisório do Poder Legislativo federal.

O reconhecimento coloca Rogério Marinho como o único representante do Rio Grande do Norte entre os 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional. O estudo reúne 69 deputados federais e 31 senadores considerados protagonistas pela capacidade de conduzir debates, articulações, negociações, votações e formulação de propostas.

Também não há nenhum outro nome do RN nem mesmo entre os 50 parlamentares considerados em ascensão na edição deste ano. O levantamento foi divulgado esta semana.

Segundo o DIAP, os integrantes dos “Cabeças do Congresso” são aqueles que conseguem projetar ideias, construir posições, elaborar propostas e colocá-las no centro do debate político nacional, seja pela capacidade técnica, senso de oportunidade, articulação ou liderança no processo legislativo.

O DIAP considera como critérios para a escolha dos parlamentares a capacidade de liderança, formulação de propostas, articulação política, influência sobre decisões e habilidade de transformar ideias em ações dentro do Legislativo.

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