Ministro fica triste com a prisão de José Rainha. "A PF tumultua a reforma agraria"

Quando pensamos que já vimos tudo, vem um ministro de estado supor que a Prisão de José Rainha pode ter sido um excesso, segue post do Blogueiro Josias de Souza:

Operação batizada pela Polícia Federal de “Desfalque” levou ao xilindró, no interior de São Paulo, oito pessoas.

Entre os presos está José Rainha, autodenominado líder de trabalhadores rurais sem terra.

A PF descobriu que, em conluio que envolveu servidores do Incra, Rainha apropriou-se de verbas públicas e extorquiu assentados.

A repórter Tânia Monteiro foi ouvir o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e responsável por manter diálogo com os “movimentos sociais”.

Eis o que disse Carvalho: “Ficamos muito tristes com isso, muito preocupados, mas com prudência para sabermos, de fato, todo o processo que aconteceu.”

Para o ministro, a ação da PF “tumultua a reforma agraria” e “a relação com os movimentos”.

Gilbertinho, como é chamado por Dilma e Lula, não parece, por ora, convencido da gravidade das acusações da PF contra Rainha.

“Ele está sendo acusado de um crime, mas nós preferimos tentar entender o que está acontecendo de fato”.

O ministro disse ter requisitado informações ao Ministério da Justiça, de cujo organograma pende a PF.

Voltou a levar o pé atrás: “Ainda é cedo pra qualquer palavra que incrime ou não ele. Vamos aguardar”.

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Rainha é figurinha carimbada. Não dispõe propriamente de uma biografia.

Quatro passagens pela cadeia enfeitam sua ficha corrida. O rol de crimes já imputados ao personagem é vasto.

Furto, formação de quadrilha, coautoria num par de homicídios, porte ilegal de arma…

Até o MST, que não é santo, nega a Rainha o benefício da dúvida. Expulsou-o há anos.

Por que o dono de tal prontuário continua apalpando verbas públicas supostamente destinadas à reforma agrária?, eis a pergunta que inquieta a platéia.

Em vez de prover a resposta, Gilbertinho ficou triste. Pôs em dúvida o trabalho da PF. Lamentou o envenenamento de seu diálogo com “os movimentos”.

Para entender o inexplicável, é preciso recuar até 2005. Presidente, Lula rendeu homenagens a Rainha, presente numa solenidade oficial.

“E quero dizer para o Zé Rainha que, muitas vezes, Zé, as pessoas têm… Eu já vi gente com medo de ficar perto do Zé Rainha…”

“…Porque o Zé Rainha é perseguido, de vez em quando é preso. E eu quero dizer aqui, como presidente da República, Zé, o seguinte…:”

“…Você não é um companheiro de primeira hora, você é um companheiro que eu conheço há muitos anos, há muitos e muitos anos…”

“…E eu sei que quando eu deixar de ser presidente, muitos que hoje são meus companheiros, não serão mais. Mas você continuará sendo meu companheiro.”

Se Lula e Gilbertinho enxergam em Rainha um “companheiro”, que o levem pra casa. Mas que cuidem de afastá-lo da Viúva. O dinheiro é público, mas não é grátis.