Economia

Plano de privatizações do novo governo não deve sair em 2019

A Anbima (associação das empresas do mercado de capitais) considera que não haverá tempo de o novo governo iniciar em 2019 o programa de privatizações proposto pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Talvez não dê tempo de implementar em 2019 o plano de privatizações”, afirmou José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima.

Isso deve limitar o potencial de novas emissões de ações na Bolsa brasileira, diz. Um dos caminhos para o programa de vendas de estatais é pela emissão de ações de divisões dessas empresas no mercado. Um exemplo já feito foi a venda da BR Distribuidora, realizada em dezembro de 2017.

Laloni se diz otimista com o mercado mesmo assim, dado que a incerteza política já passou. Ele afirma que há movimentação grande dos agentes para acessar o mercado.

O executivo não fez projeções para o ano, mas a fila de empresas interessadas em IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) está perto de 30, dizem analistas do mercado.

Em 2018 foram apenas três IPOs de empresas brasileiras. Em 2017, foram oito companhias novas listadas.

“Se comparar [2019] com 2018 está fácil, porque foi um ano muito ruim”, afirma Laloni.

A Anbima também falou sobre propostas que devem ser encaminhadas pelo ministério da Fazenda ao novo governo. O documento deve ser escrito em reunião realizada nesta tarde.

Para a Anbima, o principal ponto do documento será uma proposta de mudança nas regras das debêntures incentivadas para ampliar a isenção de imposto de renda, atualmente restrita ao investidor pessoa física, também aos outros agentes do mercado.

Segundo Laloni, o objetivo é que a isenção alcance também os emissores dos papéis.

As debêntures incentivadas são títulos de dívidas de empresas que desejam captar recursos para investir em projetos de infraestrutura. Com a isenção do imposto de renda, o governo tenta fomentar os investimentos no país.

Em 2018 até novembro, foram feitas 263 emissões de debêntures, sendo 57 delas incentivadas. O volume captado para infraestrutura foi de R$ 22 bilhões.

No mesmo período de 2017, foram feitas 221 emissões, sendo 40 delas sob a legislação de incentivadas.

Sugestões de mudanças nas regras das debêntures incentivadas já apareceram em outros documentos elaborados pela Fazenda neste final de ano.

Laloni diz, porém, que não está na pauta da entidade as discussões sobre mudanças em tributação de outros produtos. Em um dos documentos da Fazenda destaca o fim da isenção do imposto de renda sobre investimentos em LCA e LCI (letras de crédito). A medida, além de aumentar arrecadação, colocaria investimentos de renda fixa sob as mesmas regras.

Folhapress

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Economia

Superávit da balança comercial em 2019 deve ser 38% maior que em 2018

As exportações brasileiras deverão atingir US$ 220,117 bilhões em 2019, que representa recuo de 7,7% em comparação aos US$ 237,485 bilhões estimados para 2018. O dado consta da previsão da balança comercial para 2019, divulgada hoje (13), no Rio de Janeiro, pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Para as importações, a entidade prevê aumento de 2,1% para o próximo ano, totalizando US$ 186,360 bilhões, contra US$ 182,534 bilhões programados para o ano em curso. Segundo os dados, superávit da balança comercial será de U$ 33,757 bilhões no próximo ano, mostrando retração de 38,6% em relação aos US$ 54,951 bilhões esperados para 2018.

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, o principal motivo para a queda das exportações será causado pelas commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado exterior), que já sinalizam que as cotações serão menores do que foram neste ano. Outro fator de destaque para o resultado das exportações em 2019 será a soja. Em 2018, o Brasil teve um volume de exportação desse grão de 82 milhões de toneladas. “É recorde absoluto porque, no ano anterior, nós exportamos 68 milhões de toneladas”, disse Castro.

Commodities

Castro lembrou que a Argentina teve, em 2018, uma queda na safra de soja de 17 milhões de toneladas e o Brasil teve que suprir a carência argentina. Deverá afetar também as exportações brasileiras a guerra comercial no mercado mundial. Isto porque a China deixou de comprar soja dos Estados Unidos e passou a comprar do Brasil, adquirindo inclusive o que havia em estoque. “Raspou o tacho”, disse o presidente da AEB.

Segundo José Augusto de Castro, mesmo que o Brasil tenha, em 2019, uma superprodução de soja, a Argentina voltará a produzir, bem como os Estados Unidos, e a tendência é de o preço cair no mercado internacional. Analisou que a crise na Argentina vai fazer com que o Brasil tenha uma forte redução das exportações para aquele mercado, o que ajuda a diminuir ainda mais o ‘superávit’ brasileiro.

“O superávit é consequência. Há uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto [PIB – soma de todos os produtos e serviços produzidos no país] no Brasil em torno de 2,5%, o que vai demandar importações. Então, nós vamos ter queda nas exportações por causa das commodities e aumento das importações, por conta do crescimento do PIB interno. Isso provoca redução no superávit comercial”, apontou.

O Brasil continuará um forte exportador de commodities, deixando a desejar ainda como exportador de produtos manufaturados, de maior valor agregado. Em torno de 43% dos manufaturados brasileiros são exportados para a América do Sul. Mas a maioria dos países sul-americanos é exportador também de commodities. “Com a queda das commodities, eles vão reduzir as importações do Brasil”.

Câmbio

Outro aspecto que pode contribuir para a redução das exportações brasileiras no ano que vem é a possibilidade de haver uma redução unilateral das tarifas de importação pelo atual governo. “Isso na prática significa que o Brasil está saindo do Mercosul, e abre espaço para a China e outros países ocuparem esse nicho”.

Castro informou que não houve ainda decisão final da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre o tema, mas existe uma tendência de aprovação. A AEB é contrária à adoção de uma tarifa específica pelo Brasil, porque considera que o país estaria indo contra os princípios do Mercosul. “É como se ele estivesse saindo [do bloco]”. Oficialmente, porém, não há ainda nada decidido sobre essa questão, destacou.

Castro indicou que a taxa de câmbio, com o dólar oscilando entre R$ 3,50 e R$ 3,90 ajuda a exportação, mas não há garantia de que a taxa vai permanecer nesse patamar, advertiu. A tendência é de que o novo governo adote medidas de interesse da economia para o câmbio ficar menos flutuante, com tendência à estabilização em um patamar baixo. “O câmbio, por si só, não gera competitividade. O que nós temos [de entrave] é o chamado custo Brasil, que representa 30% das exportações”.

Petróleo

Para o petróleo, a previsão da AEB é de que haverá aumento das exportações em termos de quantidade, mas o preço vai cair. “Porque este ano havia um pensamento quase unânime de que o preço do petróleo não passaria de US$ 55 o barril e ele alcançou US$ 82”.

Para 2019, a previsão da AEB é de que o preço do barril fique em torno de US$ 62, como está agora, porque os Estados Unidos assumiram o posto de maior produtor de petróleo e ele não tem interesse de que o preço suba e deva forçar a cotação para baixo. Por isso, a projeção é de que os preços caiam em relação a 2018.

Agência Brasil

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Economia

Ex-ministro de Dilma será assessor especial de Paulo Guedes

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, aceitou o convite do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e será assessor especial da pasta.

Afif será responsável pelas áreas de empreendedorismo e de desburocratização, simplificação e facilitação de processos para empresas e pessoas.

Essas são pautas defendidas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que tem repetido que é difícil ser patrão no Brasil.

“Depois de 30 anos, finalmente a gente vai poder ajudar a construir um projeto liberal”, disse Afif à Folha.

Em 1989, quando ele foi candidato à Presidência, Guedes foi um dos responsáveis por seu plano de governo.

Afif foi ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Ele já circulava pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde funciona o gabinete do governo de transição, mas só aceitou o convite em jantar com Guedes na noite de quarta-feira (12), em Brasília.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Ótima aquisição do Governo Bolsonaro. É um eficiente administrador muito ligado aos problemas dos micro e pequenos empresários. Vai fazer um excelente trabalho, sem duvida.

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Política

“A acusação que me fazem não é verdadeira”, diz Agripino sobre denúncia de funcionário fantasma

O senador José Agripino se manifestou acerca da denúncia ofedecerida pela Procuradoria-geral da República (PGR) acusando-o de manter um funcionário fantasma no gabinete durante sete anos. Ele nega qualquer acusação e acredota que o caso será exclarecido com a defesa apresentada.

“A acusação que me fazem não é verdadeira. Nunca tive nos quatro mandatos de Senador que exerci nenhum funcionário fantasma no meu gabinete. Asseguro que isso ficará demonstrado na resposta que oferecerei à denuncia”, disse.

De acordo com a PGR Raquel Dodge, as investigações revelaram que um homem identificado como Victor Neves Wanderley repassava o salário recebido no Senado a Raimundo Alves Maia Júnior, que era a pessoa que efetivamente prestava serviços ao parlamentar. Isso ocorria, de acordo com o Ministério Público, por conta de Raimundo ser servidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e estar impedido de assumir o cargo no Senado.

Raimundo recebeu a remuneração ao longo de 84 meses, o que resultou em um prejuízo de R$ 600 mil aos cofres públicos. Raquel Dodge pede o ressarcimento dos valores, indenização de R$ 1,2 milhão a título de danos morais coletivos e perda da função pública.

Opinião dos leitores

  1. Esse merecia ter o nome colocado em algum presidio do RN, pelos bons servicos prestados ao estado, durante anos que exerceu o cargo de senador.

  2. Homem bom, nele dá pra confiar. Cabra que só quer o bem do seu povo e já fez muito pelo RN merecia seu nome em ruas e avenidas e um busto em cada esquina.

    1. Poderia colocar o nome dele na via lateral da BR 101: ¨Marginal José Agripino Maia"

    2. Pense num cara de pau é esse Agripino haja óleo de peroba, torsso pra ver esses corruptos todos sem mandatos e presos.

    3. FASTA AE QUE O SACO DO SENADOR JA TA BABADO DE TANTA LAMBIDA TUA

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Política

Sem patrimônio, ex-motorista de Flávio Bolsonaro financiou 80% de imóvel

O ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, que movimentou 1,2 milhão de reais entre 2016 e 2017, recorreu a um financiamento da Caixa Econômica Federal para acertar a compra do único imóvel que tem em seu nome no Rio de Janeiro. Fabrício José Carlos de Queiroz adquiriu da construtora Nova Engenho um apartamento de 60 metros quadrados no bairro de Taquara, em Jacarepaguá, por 356.000 reais, dos quais 80% foram financiados.

Queiroz teve movimentações financeiras atípicas apontadas em relatório que o Coaf produziu sobre todos os servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Apesar das quantias vultosas que entraram em sua conta, e da renda mensal de 23.000 reais, o ex-assessor dispunha de só 71.000 reais para dar como entrada no imóvel.

A transação era negociada, pelo menos, desde julho deste ano, quando a guia do imposto sobre transmissão de bens foi paga por Queiroz. Ele concluiu a compra no dia 6 de novembro, dois dias antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados estaduais acusados de receber um “mensalinho” do Executivo do Rio de Janeiro.

O prédio, que tem apartamentos de dois quartos, piscina, playground e quadra esportiva, ainda não foi entregue aos moradores e em muito difere do casebre onde Queiroz vive até o momento, em uma área menos nobre na mesma vizinhança.

Veja

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Polícia

Polícia descobre plano de milicianos para executar Marcelo Freixo; PSOL irá procurar Moro para pedir segurança

Um policial militar e dois comerciantes foram citados num relatório confidencial da Polícia Civil como suspeitos de envolvimento num novo plano para executar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Os três homens são ligados a um grupo de milicianos da Zona Oeste, investigado pela Divisão de Homicídios (DH) pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes.

O assassinato de Freixo, segundo o documento, aconteceria durante uma agenda programada pelo parlamentar para o próximo sábado em Campo Grande. Freixo encontraria com militantes e professores da rede particular de ensino, no sindicato da categoria. Os detalhes da atividade do parlamentar foram divulgados nas redes sociais e eram públicos.

Segundo o documento da Inteligência da polícia do Rio, ao qual O GLOBO teve acesso, os três nomes citados já eram investigados por um suposto vínculo em grupos paramilitares da Zona Oeste há pelo menos cinco anos. Também aparecem no controle de operações ilegais da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho.

Um dos citados chegou a trabalhar como assessor e cabo eleitoral de um político investigado sob a suspeita de chefiar uma milícia naquela região. Uma das linhas investigadas pela DH para chegar aos responsáveis pela morte de Marielle e Anderson, aponta o envolvimento de políticos e grupos paramilitares da região nos crimes.

O relatório foi elaborado nesta quarta-feira e difundido para vários outros setores de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio. Receberam cópias policiais civis, militares e agentes da contrainteligência da Subsecretaria de Inteligência da pasta. O documento identificou os envolvidos e anexou fotografias de todos eles.

Promotores do Ministério Público estadual, que acompanham as investigações do caso Marielle, também tiveram acesso ao relatório.

Marcelo Freixo revelou que cancelou sua agenda marcada para sábado assim que tomou conhecimento do relatório e das ameaças. A bancada nacional do Psol disse que irá procurar Rodrigo Maia e Sérgio Moro para garantir segurança de Freixo em Brasília .

— Há um grau de veracidade na ameaça. Eu tinha realmente um compromisso público no próximo sábado em Campo Grande, que obviamente vou cancelar. Mas o que chama a atenção, é que os milicianos continuam soltos, ameaçando e matando — ressalta Freixo.

O deputado também foi cauteloso, preferindo não relacionar o caso às investigações do assassinato de Marielle.

— Se há uma conexão desses nomes com o caso Marielle eu não posso dizer porque a investigação está sob sigilo — afirmou Freixo.

O parlamentar do PSOL lembrou que tem guardado centenas de ameaças e planos para assassiná-lo.

— Isso é que surpreende. Eu sou um deputado estadual eleito e estou sendo ameaçado mais uma vez. Não é uma ameaça ao Freixo, mas à democracia. Ao estado democrático. Não é uma questão pessoal, é muito mais que isso. A Zona Oeste está hoje sendo governada pelo crime — disse o parlamentar.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. O Psol irá procurar Rodrigo Maia e Sérgio Moro para garantir segurança de Freixo em Brasília?
    O que têm a ver diretamente a Câmara dos Deputados e o Ministério da Justiça com a segurança pessoal de um deputado estadual?
    Ora, se o próprio Psol é visceralmente contra a intervenção federal na Segurança pública do Rio… Agora vá entender.

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Polícia

MPF oferece 27 denúncias por fraudes no uso da Lei Rouanet

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo 27 denúncias resultantes da segunda fase da Operação Boca Livre, realizada em conjunto com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), por fraudes contra a Lei Rouanet.

Segundo a investigação, recursos deduzidos dos impostos de empresas patrocinadoras foram aplicados, sem finalidade cultural, pelo grupo Bellini Cultural.

A força-tarefa do MPF foi iniciada em 2011, quando o órgão recebeu uma denúncia anônima que apontava fraudes cometidas pelo grupo, dirigido por Antonio Carlos Bellini Amorim, que figura como acusado em todas as 27 denúncias. Além de Bellini – que foi preso na primeira fase da operação, mas conseguiu a liberdade -, foram denunciados seus filhos, funcionários da empresa, parentes do produtor cultural que eram sócios de outras empresas do grupo e os responsáveis pelos projetos de cada uma das empresas patrocinadoras envolvidas.

Na primeira fase da Boca Livre, o MPF detectou que parte do dinheiro de projetos chegou a ser usada para o casamento de um dos filhos de Bellini, Felipe, na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis.

Bellini era responsável pela assinatura dos projetos culturais das empresas a serem financiadas pela Lei Rouanet — o empresário costumava divulgar ao mercado que o grupo era o quinto maior arrecadador de recursos para projetos fiscalizados pelo Ministério da Cultura. As irregularidades eram praticadas com o conhecimento das companhias envolvidas.

Veja

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Meio Ambiente

Discurso contra fiscalização do Ibama é apologia ao crime, diz presidente do órgão

A presidente do Ibama, Suely Araújo, disse que o discurso público contra a fiscalização do órgão é uma “apologia ao crime e às irregularidades” ambientais.

Em entrevista à Folha, Suely não citou diretamente o presidente eleito Jair Bolsonaro, que repetidas vezes têm atacado o trabalho de fiscalização do órgão ambiental, mas afirmou que a tensão para fiscais do Ibama está crescendo dia a dia, com moradores interditando estradas e ameaçando abertamente os funcionários que coíbem crimes ambientais.

Nesta quinta-feira (12), em vídeo divulgado em redes sociais, Bolsonaro acusou suposta “indústria de multas abusivas e extorsivas” do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

No último dia 1º, ele havia dito que vai acabar com a “festa de multas” do Ibama. No dia 9 de novembro, Bolsonaro ameaçou extinguir um recém-implantado programa de conversão de multas pelo qual o órgão espera injetar R$ 1 bilhão em projetos de recuperação ambiental.

Segundo a presidente do Ibama, o resultado de um afrouxamento dos métodos e rigores atuais da fiscalização do órgão seria “muita degradação ambiental”.

Existe uma festa de multas no Brasil?

De forma alguma. As multas aplicadas pelo Ibama são em decorrência do grande número de infrações ambientais que ocorrem no país. O Ibama é um órgão fiscalizador, que exerce o poder de polícia ambiental em diferentes facetas, seja na fiscalização estrito senso seja no recenseamento ambiental.

Realiza em média 1,4 mil operações de fiscalização por ano, é bastante coisa, talvez perto da metade na Amazônia Legal. E muito do que o Ibama faz nesse campo é em caráter supletivo ao que os estados deveriam estar fazendo e não fazem. Os estados têm dificuldade de fazer a fiscalização.

Qual o resultado em multas?

A média nos últimos dez anos tem sido de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões por ano. Essas multas na sua maior parte não são pagas. O pagamento histórico é só de cerca de 5%.

Quando você autua, é a primeira fase de um processo sancionador ambiental. Há todo um processo administrativo que pode ser bastante demorado, principalmente se o infrator usar todos os recursos administrativos possíveis. E várias vezes, no final do processo, o autuado vai para a Justiça.

Qual o destino dos valores das multas?

O valor não vem para o Ibama, isso é muito importante destacar. Não vem e o Ibama não tem a mínima intenção de que isso entre no caixa da autarquia. Dos valores das multas ambientais, 20% daquilo que é pago vai para o Fundo Nacional do Meio Ambiente, que é gerenciado pelo Ministério do Meio Ambiente para financiamento de projetos ambientais, e os outros 80% vão para o Tesouro.

O presidente eleito teria dito isso porque está mal informado?

Existe muita reclamação em geral de diferentes setores. O pessoal, por exemplo, da cadeia da madeira, o da mineração, o da agropecuária. Também existe muita reclamação em relação a suposto excesso de multas e ao valor das multas.

A resposta do Ibama é que o que tem excesso na verdade são as infrações à legislação ambiental. É uma pena que o Ibama ainda tenha que aplicar tantas multas em razão de infrações ambientais e muitas vezes em razão de crimes ambientais. Enquanto ocorrerem esses ilícitos, seja o Ibama, sejam os outros órgãos que têm o poder de polícia ambiental, eles têm que atuar.

Se está ocorrendo aquela infração, eles têm o dever legal. Você é obrigado a agir, não é uma opção. Então nós estamos fazendo o nosso papel. Muitas vezes o pessoal reclama e eu acredito que essa reclamação chega aos ouvidos do presidente eleito e de vários outros atores políticos.

Na sua opinião, qual seria o impacto para o ambiente do país de um afrouxamento dos métodos atuais da fiscalização?

Muita degradação ambiental. Nós já temos uma tendência de crescimento das taxas de desmatamento da Amazônia. O Ibama tem uma pegada forte em relação ao controle de desmatamento na Amazônia porque os órgãos estaduais da região têm uma estrutura muito pequena de fiscalização, muito pequena. Quem atua na prática na Amazônia é o Ibama. Temos atuado muito em garimpos que se situam em terras indígenas, em unidades de conservação. A mineração sem os cuidados necessários causa danos irreversíveis.

Uma coisa importante de falar da fiscalização é que ela é cada vez mais baseada em alta tecnologia. […] Mas o comando e controle nunca vão ser suficientes para resolver os ilícitos ambientais. Em qualquer região do país eles têm que entrar juntos com medidas de apoio à socioeconomia dessa região e ações de regularização fundiária. Só que essas áreas não estão no campo de atuação do Ibama. O Ibama é a polícia, essas outras ações têm que vir de outros ministérios.

E não estão vindo?

Muito menos do que deveria. Na verdade o Ibama não acha que as ações de fiscalização sejam suficientes. Eu pessoalmente defendi a vida inteira instrumentos econômicos da política ambiental, inclusive pagamento por serviços ambientais.

Só que não é o Ibama que responde por tudo isso. A parte de regularização fundiária da Amazônia é crucial, só que o Ibama não faz regularização fundiária. Então nós estamos fazendo aquilo que é a nossa parte, e chamando muita atenção, porque é uma atuação mais rigorosa, mais forte, mais polícia e que gera reação da população, gera reação dos representantes políticos dessa população.

Mas é a nossa missão e nós temos que fazer. Qualquer um que venha a ser presidente do Ibama não vai ter outra postura.

Qual seria o número mínimo necessário de fiscais?

O Ibama tem 5.000 vagas em aberto. Nós tínhamos 1.600 fiscais há dez anos, hoje são 850 e precisaríamos com urgência de no mínimo 500 novos fiscais. Há um pedido de 1.800 vagas para o Ibama como um todo que está no [Ministério do] Planejamento.

Em relação ao licenciamento, há uma crítica frequente de que o Ibama estaria retardando ou demorando na concessão da licença para os empreendimentos.

Crítica de quem não conhece a realidade dos órgãos públicos. Muitas vezes se dão solução para problemas que você não sabe se eles existem.

O Ibama responde por uma pequena parte dos licenciamentos do país. As secretarias estaduais de Meio Ambiente e seus órgãos vinculados fazem provavelmente 90% das licenças do país. As licenças do Ibama chamam tanta atenção porque têm muitos empreendimentos gigantes aqui, as grandes hidrelétricas, as linhas de transmissão que vão lá do Pará até o Rio de Janeiro aquele mega empreendimento em geral vai ser do Ibama.

Em geral são empreendimentos complexos, com a participação de vários atores. É comum ter participação da Funai, do Iphan, do ICMBio. O Ibama funciona como se fosse um balcão único. Até teve alguém da equipe de transição, não lembro quem, do governo do presidente eleito que falou assim: ‘nós precisamos criar um balcão único para licença’.

Na verdade esse balcão já existe, é o Ibama. Aquilo que compete ao Ibama, não somos nós que estamos atrasados. Na área de petróleo, para se ter uma ideia, só em 2018 nós liberamos 24 licenças sísmicas, que é a fase inicial, 20 licenças da fase de perfuração e 46 licenças da fase de operação.

Em 2015, nós demos 689 licenças. Em 2018, vamos chegar perto de 600 licenças com 238 servidores na equipe, contra 453 em 2015. Aí que eu digo o esforço da equipe que eu considero muito admirável.

Se for mantida a expectativa de redução do número de funcionários de servidores no setor de licenciamento, qual a perspectiva para o novo governo?

Atraso nos projetos prioritários, o que temos conseguido a duras penas manter em dia. No mínimo [é necessário] acho que uns 30% de aumento no número de analistas ambientais, até mais do que isso, para se chegar a perto do que nós tínhamos dois, três anos atrás. Isso implica concurso público.

O presidente eleito fala em “ativismo ambiental xiita”. Isso existe? Se existir, atrapalha na análise dos pedidos de licenciamento?

Não. Nós procuramos seguir o prazo legal. Não tratamos de forma diferente tipologias de empreendimentos. Eu posso não ser favorável a termoelétricas, mas não vou deixar de licenciar termoelétrica porque prefiro eólica ou solar. Isso não existe.

A maior prova disso é a quantidade de licenças de petróleo que saíram neste ano. A equipe não faz isso. É cobrada a obedecer os prazos o tempo todo, trabalha sob extrema pressão. Não importa se ela é favorável ou não. Quem tem que estabelecer as regras, se o país tem que ter mais eólicas e solares, é toda a equipe de governo. Mas o Ibama é operacional, não é órgão de planejamento da política ambiental.

O desmatamento aumentou de um ano para cá. Havendo continuidade dessa tendência e, ao mesmo tempo, redução da fiscalização, qual seria o impacto econômico para o Brasil?

Acho fundamental para os produtores brasileiros do agronegócio que eles venham com uma espécie de chancela de que nós cumprimos a legislação ambiental. Acredito que o aumento do desmatamento vai prejudicar fortemente nossas exportações derivadas das agropecuária, além de madeira e minérios.

Toda a comunidade internacional sabe que é um país megadiverso, isso vai ser cobrado de quem está adquirindo esses produtos. Eu realmente temo de que um relaxamento do controle ambiental signifique efeitos muito negativos em termos do valor dos nossos produtos.

Qual o impacto da desistência do Brasil de sediar a COP-25?

Não é nem a COP aqui. É não sair do Acordo [de Paris], não sair da sistemática dos acordos do clima.

O presidente eleito já deu sinais de que pretende sair do Acordo.

O país sempre foi uma liderança nesse campo e sempre lutou até para reconhecimento de todo o valor que o país tem ao manter as florestas íntegras, ao controlar tudo isso em benefício do mundo. Tem tido já benefícios derivados disso, como os recursos do Fundo Amazônia, por exemplo.

Os noruegueses acabaram de anunciar que vão aportar mais recursos no ano que vem. Isso tem ajudado bastante. No caso do Ibama, os helicópteros da fiscalização e caminhonetes na Amazônia vêm sendo pagos com os recursos a fundo perdido do Fundo Amazônia. Não é só o Ibama que é beneficiado. No último dos contratos, foram R$ 150 milhões por ano.

O presidente eleito atacou também a conversão de multas por crimes ambientais para projetos tocados por ONGs. Qual o mecanismo dessa conversão?

A conversão de multas é prevista há 20 anos na lei de crimes ambientais como uma das possibilidades de tratamento administrativo da multa aplicada. A ferramenta chegou a ser aplicada pelo Ibama mas teve muitos problemas porque não havia um normativo consistente regulamentando e foi suspensa em 2012.

Quando entrei, o ministro Sarney Filho solicitou que eu retomasse uma discussão de um novo decreto que garantisse o destino para projetos mais estruturantes, que não fossem projetos pulverizados pelo país.

Foi feita uma equipe de trabalho que resultou em um decreto de outubro de 2017 que prevê duas possibilidades de conversão de multa. Na conversão você troca a multa que você iria pagar por serviços. Na verdade você paga, mas paga em serviços. Criou-se uma modalidade indireta para se garantir projetos mais estruturantes. Nela, o autuado passa a optar por apoiar financeiramente projetos aprovados pelo Ibama e pelo ICMBio.

A ideia é pegar áreas grandes do país que estejam com problemas ambientais e tentar uma locação de recursos mais significativa. O autuado fica corresponsável pelo acompanhamento dos projetos.

O primeiro chamamento público está em fase de julgamento em duas áreas do país: uma é na caixa d’água do São Francisco, dez bacias que juntas respondem por 70,6% da vazão do São Francisco na sua calha principal. Eu tenho dito que nós estamos plantando árvores para colher água.

Aplicado o desconto de 60% nas multas, temos hoje R$ 1 bilhão para aplicar no curtíssimo prazo. Para se ter ideia do que isso significa, o governo nos últimos 20 anos não gastou R$ 200 milhões em recuperação ambiental. Isso nós conseguimos sem televisão, no boca a boca, explicando o que era conversão.

Acredito que o sistema de conversão de multas é o único caminho que o país tem para cumprir suas metas do Acordo de Paris sobre restauração florestal. É uma ferramenta realmente viável porque o dinheiro vem.

Qual o reflexo do discurso antiambientalista e anti-Ibama na aplicação das multas?

O discurso antiambientalista, anti-Ibama, de uma [suposta] indústria de multas tem levado a dificuldades cada vez maiores na fiscalização de campo. Elas não são novidade, o Ibama não é exatamente querido pelo pessoal —acho que até é bastante querido por quem segue a legislação—, sempre existiram registros de conflitos no campo, mas o nível de periculosidade em campo no último ano cresceu muito.

Tem áreas no país em que nossos fiscais estão sendo recebidos a bala. No sul do Amazonas, acho que é o melhor exemplo. Você planejar operações no sul do Amazonas hoje significa quase se planejar para ir para a guerra.

Hoje o que está ocorrendo é que fiscalização da esfera do dia a dia está se tornando também perigosa. A gente sente uma reação muito grande no local. Você vai embargar uma sessaria, por exemplo, assim bem no meio de terra indígena ou do lado de terra indígena e sem qualquer documentação. A população vai ao local, faz manifestação no mesmo dia contra o Ibama, barra estrada, não quer deixar o Ibama sair.

Então tanto Ibama quanto o ICMBio têm sentido um nível de conflito maior. Nós acreditamos que o discurso antiambientalista contribui bastante para isso. Implica também em mais dificuldade de eu conseguir convencer os fiscais a saírem a campo. Eles não ganham nada a mais para ser fiscais, não ganham adicional de periculosidade. São analistas ambientais como quaisquer outros. Ele pode estar aqui no escritório fazendo uma questão técnica, por que ele iria a campo arriscado a tomar um tiro?

O discurso contra o Ibama, que está lá para cumprir a lei, está lá para fazer sua tarefa, atrapalha muito nesse nesse sentido

Ele é confundido com apologia ao crime e à irregularidade?

Sim, sim. À irregularidade, você achar que você seguir as normas ambientais “é desnecessário, é frescura, é coisa de quem quer atrapalhar o desenvolvimento do país”. E nós estamos lá tentando fazer a lei ser cumprida. É a nossa missão.

É uma pena que esse discurso esteja tão forte. Esse sentimento de preocupação está presente não só em mim, como presidente, mas nos diretores todos e em toda a equipe do Ibama. Nós vemos com muito pesar o fato de nossa tarefa, que é fazer a lei ambiental ser cumprida, ser confundida com um obstáculo ao desenvolvimento do país. O país não precisa de desenvolvimento que envolva a degradação ambiental. Isso não é desenvolvimento da forma que deveria ocorrer.

Para manter o estoque dos recursos ambientais, eu necessariamente tenho que seguir a lei ambiental, ela é feita para isso. A nossa legislação nem é extremamente protetiva, ela sempre previu a lógica da sustentabilidade, a compatibilização do desenvolvimento rural com a proteção ambiental.

Esse discurso anti-fiscalização de certa forma não contradiz o discurso da campanha vencedora de que deve preservar “a lei e a ordem”?

Luta contra a corrupção. Com certeza é absolutamente contraditório porque você cumprir a lei, você lutar contra o crime e a corrupção significa também aplicar a lei de crimes ambientais, aplicar o decreto 6514, respeitar os fiscais ambientais em campo e entender que eles têm uma missão de Estado que independe do governo que está de plantão.

Não importa quem é o presidente, a atividade de fiscalização ambiental tem que ser executada. Não é uma questão de opção política, é um dever, e é inaceitável que se pense em revogação da legislação que baliza esse tipo de dever, principalmente em termos de coerência com o discurso maior de fazer as leis serem cumpridas e de combater o crime no país.

Como a sra. recebeu a escolha de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente?

Entre os nomes que foram veiculados, parece ser uma escolha coerente com as posições defendidas durante a campanha pelo presidente eleito. As primeiras manifestações do indicado causam preocupação no que se refere principalmente às mudanças climáticas e ao trabalho do Ibama. É importante que o futuro ministro compreenda as atribuições institucionais do MMA e entidades vinculadas em todo o seu alcance e complexidade. Há bastante documentação nesse sentido entregue à equipe de transição.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. O comentário de Bolsonaro contra as ações do Ibama conotam uma espécie de lesa-pátria! Caso ele proteja ações contra o nosso meio ambiente, deveria ser cassado ou ter seus projetos barrados até que mude essa sua política anti-ambiental.

    1. As licenças ambientais são totalmente incompreensíveis, pra alguns são permitido tudo, pra outros, os rigores da lei.

  2. Empoderar infratores ambientais só gera incerteza na atuação da fiscalização ambiental do Ibama. Que eu saiba o Ibama e seus servidores somente cumprem o que manda a lei. Aqui no Brasil quando algum órgão executa a lei ele é taxado de radical!! Hipocrisia pouca é bobagem.

  3. A q pontos chegamos. Temos um louco na presidência q vive denegrindo a imagem dos órgãos fiscalizadores do país e seus funcionários.

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Judiciário

Ministro do STF determina a prisão de Cesare Battisti

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira a prisão do ex-ativista italiano Cesare Battisti para fins de extradição, informou o “Jornal Nacional”. O italiano vive em liberdade no Brasil desde 2010, quando obteve do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorização para ficar no país. Na decisão, Fux disse que o atual presidente da República tem poderes para revisar o ato de Lula e decidir se Battisti fica no Brasil ou será mandado de volta para a Itália, onde tem pena de prisão a ser cumprida. Até essa decisão ser tomada, o italiano ficará preso.

A defesa do italiano pode recorrer da decisão de Fux e pedir para o caso ser remetido ao plenário. No entanto, é pouco provável que o julgamento ocorra ainda neste ano. O STF entra em recesso na próxima quinta-feira. Não haveria tempo hábil para convocar o julgamento. O tribunal só retoma suas atividades em fevereiro de 2019. Até lá, o mais provável é que Battisti já esteja longe do Brasil.

A decisão sobre o destino de Battisti pode ser tomada por Michel Temer em dezembro, ou por Jair Bolsonaro a partir de janeiro, a depender do trâmite político da questão. Ambos já manifestaram o desejo de mandar o ex-ativista de volta para a Itália. Battisti tem atualmente uma vida pacata em Cananéia, no litoral sul do estado de São Paulo.

O mais provável é que fique com Bolsonaro a tarefa de mandar Battisti de volta para a Itália – o que pode significar uma aproximação do tribunal com o novo presidente. O STF foi criticado por aliados de Bolsonaro recentemente, quando foi aprovado o reajuste de 16,38% nos salários dos ministros. O aumento terá impacto em toda a magistratura. A conta será paga pelo novo governo.

O caso Battisti não é novidade para o STF. Em 2009, a Corte autorizou a extradição do ex-ativista, como havia pedido o governo da Itália. No entanto, declarou que a última palavra caberia ao presidente da República. Lula decidiu autorizar a permanência do italiano no Brasil. Na época, o tribunal não decidiu se a decisão poderia ser revisada por outro presidente da República.

Em outubro do ano passado, Battisti foi preso em Corumbá tentando viajar para a Bolívia, supostamente para evitar eventual extradição. Segundo a Justiça Federal, havia indícios “robustos” da prática dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Dois dias depois, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região determinou a libertação de Battisti. Mas impôs a ele a obrigação de comparecer mensalmente à Justiça para comprovar residência e justificar atividades. Ele também ficou impedido de deixar a cidade onde mora.

No mesmo mês, Fux concedeu liminar para garantir que o italiano não fosse expulso, extraditado ou deportado do Brasil. Agora, Battisti aguardará preso a provável extradição.

No mês passado, o julgamento de um processo semelhante trouxe as discussões sobre Battisti de volta ao STF. Sete dos onze ministros declararam que um estrangeiro não pode ser expulso do país se tiver um filho brasileiro, seja ele concebido antes ou depois do crime que ensejou o processo de expulsão. Mesmo com a maioria formada, um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes interrompeu o julgamento.

Há no STF ministros que consideram que o entendimento pode ser aplicado a Battisti, que teve um filho no Brasil com uma brasileira. Esse fato foi inclusive alegado pela defesa no processo que o tribunal deve julgar neste ano.

O Globo

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Economia

OMC condena cinco programas de incentivo fiscal do Brasil

A Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou cinco dos sete programas adotados pelo Brasil em sua política industrial. Com isso, o governo de Jair Bolsonaro terá de reformar ou encerrar programas considerados pilares da indústria do país.

Apesar da derrota, a decisão da OMC é comemorada pelo governo e setores industriais. Isso porque o país havia sido condenado anteriormente em sete programas. O PEC (Programa destinado a empresas predominantemente e exportadoras) e o RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadora), voltados para a indústria exportadora, tiveram a condenação revertida.

A decisão é resultado de uma apelação do Brasil contra uma ação movida em 2017 pela União Europeia e Japão. As reclamações eram de que os programas violam acordos internacionais de comércio prejudicando a competitividade de outros países no mercado.

As medidas atingem principalmente os setores automobilístico e de informática.

Veja

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Educação

País terá que discutir valorização do professor, diz secretária do MEC

O Brasil terá que discutir valorização da carreira dos professores, segundo a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Kátia Smole. “Precisa ser bom ser professor em todos os sentidos”, afirmou a secretária a jornalistas após a apresentação da Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica.

A Base Nacional Comum será entregue amanhã (14) ao Conselho Nacional de Educação (CNE), onde será analisada. Ela vai orientar a formação de professores em licenciaturas e cursos de pedagogia em todas as faculdades, universidades e instituições públicas e particulares de ensino do país.

A proposta define ainda dez competências gerais que serão trabalhadas nos cursos de pedagogia e em licenciaturas. Elas são semelhantes às competências previstas nas bases nacionais comuns curriculares (BNCC), já aprovadas, que preveem o que deve ser ensinado nas escolas.

O documento traz também uma sugestão de progressão de carreira. “Essa [a valorização docente] é uma discussão que o Brasil vai ter que fazer. A gente está começando a trazer isso pelo viés da formação e nós esperamos que seja uma valorização, inclusive social, que seja discutida ao longo dos próximos anos”, diz Kátia.

De acordo com o texto, os professores irão progredir de acordo com o desenvolvimento de determinadas competências e habilidades. Haverá quatro níveis de proficiência: inicial, para o formado na graduação; probatório, para os novatos; altamente eficiente, para quem está em nível avançado na carreira e deverá demonstrar habilidades complexas; e o líder, que estará no nível mais alto e terá responsabilidades e compromissos mais amplos.

Indução de políticas

A proposta para plano de carreira deverá, segundo o MEC, ser discutida ainda com as entidades representativas dos estados e municípios. Apesar de a maior parte dos professores da educação básica estar vinculado a estados e municípios, Kátia diz que o MEC pode “induzir políticas” para a valorização dos professores.

Perguntada sobre a continuidade dessa discussão no governo de Jair Bolsonaro, Kátia diz que não pode responder pela próxima gestão do MEC. “A equipe de transição está no MEC e estamos compartilhando com eles todas as políticas que estão em desenvolvimento e as que estamos deixando para discussão. Indicamos que entregamos a Base para a formação de professores ao CNE. A responsabilidade passa a ser do CNE”, diz.

A Base Nacional Comum também define as competências que devem ser aprendidas por todos os professores do Brasil. Além das dez competências gerais, o documento aponta quatro competências específicas que deverão ser desenvolvidas em cada uma das seguintes três dimensões: conhecimento profissional, prática profissional e engajamento profissional.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

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Polícia

Ameaçado de prisão, João de Deus propõe trabalhar sob supervisão policial

Mesmo com o pedido de prisão preventiva, o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, quer continuar seus trabalhos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás. O advogado Alberto Toron, que defende o médium, apresentou petição nesse sentido nesta tarde, não em Abadiânia, mas em uma cidadezinha vizinha, chamada Alexânia.

O juiz titular de Alexânia, Fernando Augusto Chacha de Resende, é também, segundo o site oficial do Tribunal de Justiça de Goiás, juiz substituto em Abadiânia. De acordo com o mesmo documento, a titular em Abadiânia é uma juíza.

O advogado defende que o médium mantenha sua rotina de atividades sob supervisão policial e de câmeras. Toron afirmou que, assim, João de Deus, que se diz inocente, continuará fazendo o bem às pessoas e à cidade, cuja atividade econômica é garantida pela movimentação de milhares de visitantes, do Brasil e do exterior, à Casa Dom Inácio de Loyola.

Ele não obteve, porém, resposta imediata sobre a petição. Toron disse que aproveitou a ida ao fórum para se apresentar ao magistrado. Ele acrescentou que ainda não teve tido acesso ao pedido de prisão preventiva.

Segundo o advogado, João de Deus, que não foi mais visto, está em Abadiânia, ou em sua casa em Anapólis, cidade localizada a 30 minutos. Toron confirmou que o médium o visitou em São Paulo na segunda-feira (10). O advogado deu essas informações em vídeo postado no youtube pelo jornal Metrópoles, do Distrito Federal.

O Ministério Público de Goiás apresentou ontem (12) o pedido de prisão preventiva, do médium acusado de abuso sexual contra adolescentes e mulheres adultas durante sessões de atendimento espiritual em Abadiânia. João de Deus nega as acusações.

Segundo a defesa, João de Deus está à disposição da Justiça para se apresentar e prestar esclarecimentos.

Manifestação

Simpatizantes do médium, vestidos de branco, fizeram hoje uma manifestação na rua da Casa Dom Inácio de Loyola. Com cartazes, nos quais se lia “Espalhe o amor” e “Unidos pela Casa”, os manifestantes rezaram e defenderam a inocência de João de Deus.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

  1. A regra é clara Arnaldo… quem tem dinheiro tem poder, masssssssssss a justiça de Deus não falha e todos que o rodeiam irá cair um dia.

  2. Bandido de mesmo nível de luladrão, destruidor de várias vidas humanas, sociopatas de graus avançados, aínda existem pessoas que os defendam, alguns são iguais a a eles, outros, só a ciência pra explicar.

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Judiciário

Processo em que Marco Feliciano era acusado de tentativa de estupro contra a jornalista Patrícia Lélis é arquivado

Foto: Agência Câmara

O processo que investigava o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PODE-SP) por tentativa de estupro e lesão corporal foi arquivado nesta quinta-feira. O juiz responsável pelo caso, em Brasília, determinou que não havia elementos convincentes de que Feliciano tenha agredido ou tentado violentar a jornalista Patrícia Lélis . Um laudo encomendado pela Justiça concluiu que a jovem sofria com “isolamento social”, cansaço e problemas de sono na época da denúncia.

Em junho de 2016, ela disse que o deputado a chamou para uma reunião com integrantes da juventude do PSC, seu partido na época, em seu apartamento funcional. Nessa ocasião, ela disse que o parlamentar teria tentado estuprá-la. Feliciano também teria dado um soco em sua boca e um chute em sua perna, segundo relatou a jovem à Polícia. Ela contou ainda que o chefe de gabinete do deputado, Talma Bauer, a tinha mantido em cárcere privado.

Após o episódio, Patrícia procurou a polícia de São Paulo acusando Bauer de procurá-la diversas vezes para que ela fizesse uma gravação que inocentasse o deputado. Ela contou que se sentiu coagida e ameaçada, e que ele a perseguiu.

Vídeos divulgados na internet, no entanto, mostraram uma conversa amistosa entre Bauer e Patrícia no hall de um hotel. Ali eles teriam acertado um pagamento no valor de R$ 50 mil. À polícia, Bauer confirmou ter dado dinheiro para Lélis, para que ela não levasse adiante a acusação contra Feliciano. O delegado do caso, Luís Roberto Hellmeister, concluiu que Patrícia não foi submetida à cárcere privado.

Em 2017, a Justiça de São Paulo aceitou uma denúncia feita pelo Ministério Público (MP) acusando a jornalista de mentir e extorquir dinheiro do chefe de gabinete do deputado federal. O processo, em que Lélis é acusada de falsa comunicação de crime e extorsão, ainda está em andamento.

O Globo

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Denúncia

PGR denuncia José Agripino por funcionário fantasma

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o senador Agripino (DEM-RN) pelos crimes de associação criminosa e peculato. Ele é acusado de manter por sete anos em seu gabinete um funcionário fantasma.

Investigações revelaram que Victor Neves Wanderley repassava a remuneração recebida do Senado a Raimundo Alves Maia Júnior, que era quem prestava serviços ao senador. Raimundo era servidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e por isso não poderia assumir função no Senado.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) estima que foram desviados da União quase R$ 600 mil. As investigações também revelaram que o funcionário fantasma era, na verdade, gerente de uma farmácia localizada em Natal e que ele nunca esteve em Brasília, onde fica o gabinete do senador.

MPF

Opinião dos leitores

  1. Sabe-se que não é correto generalizar, assim não o farei. É mais coerente uma pergunta: na política, tem um só, somente um, somente uma criatura…?? As reticências representam o que todos já sabem, não se faz necessário tomar o tempo dos leitores.

  2. É só ele usar as deisões do TJ daqui pra se defender. Alguém lembra que o TJRN disse que funcionário fantasma não é crime?

    1. Mas infelizmente a justiça do estado foi bem aparelhada pelos maias e alves

  3. Os gabinetes da que totalidade dos legisladores brasileiros têm servidores fantasmas, usados somente para alimentar o caixa desses políticos.
    Fora todos.

  4. Sério …..a PGR está descobrindo a RODA agora ?,pessoal sabiam que inventaram telefone sem fio ???

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Diversos

LARGADA NA FOLIA: Carnatal começa nesta quinta; confira programação

Quinta-feira – 13/12/2018

Abertura dos portões: 17h

18h PALCO UBER (na concentração)

18h30  SIIM O BLOCO DO GD – Gabriel Diniz

19h  BURRO ELÉTRICO – Bloco do Magão

19H30  VUMBORA – Bell Marques

VUMBORA 3ª VOLTA – Rafa e Pipo Marques

ESTAÇÃO SKOL – Pedro Lucas

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Meio Dia RN

ÁUDIO MEIO-DIA RN: programa desta quinta entrevistou Eduardo Machado, diretor do Detran-RN

Confira programa desta quinta-feira(13). O Meio-Dia RN, com este blogueiro, teve como entrevistado Eduardo Machado, diretor do Detran-RN. Clique abaixo e ouça.

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