Diversos

Convivência com esposa impede reconhecimento de união estável com outra mulher

A 4ª turma do STJ não reconheceu união estável entre uma mulher e um homem que mantiveram relacionamento por 17 anos, período no qual ele, hoje falecido, permaneceu casado, mantendo convívio com sua esposa, da qual não se separou de fato. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira, 13.

O colegiado, por unanimidade, acompanhou voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, para quem também não ficou caracterizado no caso o chamado “concubinato de boa-fé”, que poderia ensejar a aplicação analógica da norma do casamento putativo.

Segundo ele, a falta de ciência da autora da ação sobre a preexistência do casamento (e a manutenção da convivência conjugal) não foi devidamente demonstrada, existindo indícios robustos em sentido contrário.

No caso, o TJ/RS manteve sentença que julgou procedente a pretensão da mulher, considerando demonstrada a união estável putativa e determinando a partilha de 50% dos bens adquiridos durante a convivência, ressalvada a meação da viúva.

No STJ, o espólio do réu sustentou ser inviável conferir status de entidade familiar a uma relação meramente concubinária, concomitante ao casamento, quando inexistente separação de fato. Pugnou pela impossibilidade de ser reconhecida união estável putativa à luz do ordenamento jurídico brasileiro.

O ministro Luis Felipe Salomão destacou em seu voto que o quadro fático foi perfeitamente delineado pelo Tribunal de origem, do qual não se pode extrair a premissa de que a autora mantinha relação amorosa contínua e duradoura com o de cujus sem ter ciência de que ele era casado e não se achava separado de fato da esposa.

De acordo com os autos, durante o relacionamento, os dois trabalharam na mesma repartição pública no RJ, tendo chegado aos ouvidos da mulher comentários sobre o estado civil do recorrente. Em seu próprio depoimento ela disse que ouvia das pessoas com que trabalhava que ele era casado, mas que ele afirmava que o pessoal estava inventando coisas.

Dentre as alegações, a mulher afirmou que o réu assinou documentos em que se autodeclarava solteiro. Contudo, para o ministro Salomão, este fato, por si só, não pode servir de base à afirmação de que a autora não desconfiava da manutenção da sociedade conjugal prévia. Isso porque, segundo ele, tal expediente pode ter sido utilizado pelos dois a fim de evitar constrangimento no ambiente social em que conviviam de forma mais ostensiva, criando-se, assim, realidade paralela conveniente a ambos.

Em seu voto, o ministro destacou também que o fato de o réu dormir apenas eventualmente na casa da autora, somado ao burburinho existente no local de trabalho sobre o estado civil dele, refuta de forma incisiva a alegação da autora de que não tinha conhecimento da concomitância entre as relações afetivas. “Ademais, como de sabença, o casamento constitui ato formal, solene, público.”

“Assim, não se revela crível, a meu ver, que, após mais de 17 anos de relacionamento amoroso, a autora não soubesse que o réu, além de casado, mantinha o convívio com sua esposa, de quem não se achava separado de fato.”

Concubinato ou união estável

O ministro Salomão frisou que o deslinde da controvérsia posta nos autos era saber a correta qualificação jurídica da convivência afetiva ostensiva, contínua e duradoura estabelecida com pessoa casada que não se encontrava separada de fato: concubinato ou união estável.

Segundo ele, o maior óbice ao reconhecimento de uma união estável entre pessoas sem qualquer parentesco seria a existência de casamento. No entanto, a ausência de convivência duradoura (separação de fato) é motivo suficiente para afastar tal óbice, razão pela qual é a convivência de fato o maior impedimento ao reconhecimento da união estável, abstraindo-se, por óbvio, os impedimentos decorrentes de parentesco.

“Com efeito, nem mesmo a existência de casamento válido se apresenta como impedimento suficiente ao reconhecimento da união estável, desde que haja separação de fato, circunstância que erige a existência de outra relação afetiva factual ao degrau de óbice proeminente à união estável, mais relevante que a própria existência do casamento.”

Desse modo, afirmou o ministro, “a pedra de toque para o aperfeiçoamento da união estável não está na inexistência de vínculo matrimonial, mas, a toda evidência, na inexistência de relacionamento de fato duradouro concomitante àquele que se pretende proteção”.

De acordo com ele, apesar da dicção do § 1º do artigo 1.723 do CC também fazer referência à separação judicial, é a separação de fato que viabiliza a caracterização da união estável de pessoa casada. “Consequentemente, mantida a vida em comum entre os cônjuges (ou seja, inexistindo separação de fato), não se poderá reconhecer a união estável de pessoa casada.”

O ministro destacou que a jurisprudência do STJ não admite o reconhecimento de uniões estáveis paralelas ou de união estável concomitante a casamento em que não configurada separação de fato.

Desse modo, votou no sentido de reformar o acórdão estadual, que manteve a sentença de procedência da pretensão da autora, uma vez não atendido o requisito objetivo para configuração da união estável, consistente na inexistência de relacionamento de fato duradouro concomitante àquele que se pretende proteção jurídica.

“Importante assinalar que, uma vez não constatado o chamado “concubinato de boa-fé”, não se revela cabida (nem oportuna) a discussão sobre a aplicação analógica da norma do casamento putativo à espécie.”

O número do processo não é informado em razão de segredo de justiça.

Migalhas

 

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Judiciário

O Congresso tem medo de Moro

O Congresso temia o juiz Sergio Moro e agora teme o ministro Sergio Moro.

Diz o Estadão:

“Depois de o Coaf identificar movimentação atípica de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, um grupo de deputados iniciou estudos para barrar a vinculação do órgão ao Ministério da Justiça. Acham que, se o Coaf ficar nas mãos de Sérgio Moro, a fila de enrolados será grande.”

A boa notícia é que “a Constituição garante ao presidente da República a mudança de órgão dentro da administração pública por meio de decreto. Ou seja, pode ser feita sem a necessidade de autorização do Congresso Nacional”.

Com informações de O Antagonista e Estadão

 

Opinião dos leitores

  1. Moro agora é político. Faz parte da turma. Viram agora no caso da família Bolsonaro no Coaf. Tá caladinho!

  2. BG
    Se estão com medo é porque são ladrões do dinheiro público. Tem que investigar sim esses corruptos CÍNICOS e safados e coloca-los onde devem ficar, atrás das grades.

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Televisão

Renato Aragão aceita convite de Carlos Alberto e vai fazer A Praça É Nossa

Renato Aragão e Carlos Alberto de Nóbrega são dois grandes ícones do humor brasileiro e eles estarão juntos em 2019, em um encontro inédito na televisão. Em novembro deste ano, o apresentador do programa ‘A Praça é Nossa’ afirmou no talk show ‘Lady Night’ que gostaria de ter Renato Aragão como convidado ilustre da atração.

Logo na sequência, Aragão ligou para o amigo e aceitou o convite, com direito até a prováveis datas para receber Didi Mocó no banco da Praça. As informações são do site Notícias da TV.

“Já falei com ele, ele ligou pra mim no dia seguinte. Renato falou: ‘Carlinhos, a hora que você quiser eu vou’. Mas só falta um programa pra gravar neste ano. Então na volta das férias, provavelmente no meu aniversário (12 de março) ou quando eu completar 65 anos de carreira, certamente o Renato estará presente”, afirmou Carlos Alberto de Nóbrega.

No entanto, para o encontro acontecer ainda resta a liberação da TV Globo. Nóbrega, porém, demonstra tranquilidade sobre o assunto, já que tem ótima relação com os diretores da emissora.

“Tenho um relacionamento maravilhoso com o pessoal da Globo. Há dois anos fui gravar o Tá no Ar, na época em que a Globo não liberava ninguém. Fui uma exceção e fui muitíssimo bem tratado, alguns diretores foram até o estúdio para me cumprimentar, uma coisa muito bonita. Eu tenho certeza de que eles não negariam”, disse.

Isto É

Opinião dos leitores

  1. Dois exímios, digamos, canastrões da televisão brasileira. E que pelo visto vão continuar fazendo escola por muito tempo ainda.

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Trânsito

Detran-RN implanta sistema de placas automotivas no padrão Mercosul

O Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) inicia nesta sexta-feira (14) a implantação do sistema que vai possibilitar que os veículos cadastrados no Estado sejam emplacados com placas no padrão Mercosul. Os veículos zero quilômetro que forem emplacados a partir desta data já receberão as placas padronizadas utilizadas nos países do Mercosul. A medida efetivada pelo Detran está prevista na resolução 729/2018 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Nesse primeiro momento, a iniciativa será dirigida ao emplacamento dos automóveis zero quilometro e para os que precisarem realizar serviços que alterem o registro de veículo, a exemplo de mudança de município ou de proprietário. Nos demais casos, os donos de automóveis têm até cinco anos para efetivar a mudança da placa antiga para o modelo Mercosul, porém aquele que desejar realizar a mudança de imediato basta buscar uma unidade do Detran.

O diretor-geral do Detran, Eduardo Machado, explicou que o novo modelo traz maior segurança contra a clonagem e adulteração, já que dispõe de itens mais fáceis de identificação e mais complexo para possíveis falsificações, como também possibilita uma quantidade maior de combinações originando novas identificações para os veículos. “O novo modelo vem com QR Code único e conterá todos os dados de confecção da placa, desde a identificação do fornecedor até o número, data, ano e modelo de fabricação do carro, além de permitir a rastreabilidade dela. Dessa forma, a fiscalização identifica rapidamente onde a placa foi confeccionada e a qual veículo pertence”, informou.

A nova placa tem quatro letras e três números. Hoje, o modelo adotado no Brasil é o de três letras e quatro números. No visual, a nova placa vem com fundo branco e uma faixa azul na parte superior com o nome Brasil ao centro e a bandeira do país à direita. A identificação do Mercosul aparece na ponta esquerda da mesma faixa.

Para veículos particulares, a moldura e os caracteres serão pretos. Mas a cor muda conforme o tipo de veículo. Aqueles destinados a fins comerciais, como táxis e ônibus, terão moldura e caracteres em vermelho, veículos diplomáticos seguirão a cor laranja, carros oficiais receberão cor azul.

Entre os itens de segurança estão a pintura difrativa dos caracteres principais, marcas d’água e um QR Code no lado esquerdo, acima dos dizeres ‘BR’. O QR Code contém um número de série que ajudará em ações de fiscalização e no combate à clonagem ou adulteração de placas.

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Diversos

TRE-RN anuncia data das eleições suplementares em Santa Cruz e Passa e Fica

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte definiu a data das eleições suplementares nos municípios de Santa Cruz e Passa e Fica. Será no dia 03 de fevereiro de 2019, das 8h às 17h.

A data foi disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral e acatada hoje por todos os membros da Corte no RN.

O TRE-RN cassou os mandatos da prefeita e vice-prefeito do município de Santa Cruz/RN (16a zona eleitoral), Fernanda da Costa Bezerra e Ivanildo Ferreira Lima Filho, em virtude da prática de abuso de poder político com repercussão econômica nas eleições de 2016.

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte também afastou o prefeito e ao vice-prefeito do município de Passa e Fica, na região Agreste potiguar. Leonardo Lisboa (PSD) e o seu vice, Aluízio Almeida de Araújo foram afastados dos cargos por terem cometido os ilícitos de abuso de poder econômico e político durante o pleito eleitoral de 2016. A resolução que trata das eleições suplementares está no  PJe -0601622-74.2018.6.20.0000.

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Polícia

VÍDEOS: Guerra de facções criminosas domina favela do Japão em Natal-RN, impressiona, assusta e intimida moradores

Conhecida favela do Japão, a comunidade Novo Horizonte, localizada no bairro das Quintas, zona Oeste de Natal, infelizmente, cada vez mais vive sob domínio de facções criminosas. Há meses, por exemplo, os moradores vivem dias de terror e medo por causa do conflito entre duas facções rivais: o Sindicato do RN, que assumiu o controle do crime no local, e o PCC, que segue em diversas tentativas de retomar o poder.

O resultado dessa onda de criminalidade pode ser conferida na quantidade de pessoas assassinadas na comunidade. São dezenas nos últimos três anos, e com características de execução que podem chegar ao grau mais absoluto de violência: algumas das vítimas, decapitadas. Na maioria dos casos, as pessoas mortas são do sexo masculino.

Mesmo com as rotineiras ações policiais na comunidade,  os bandidos promovem a desordem “ilhando” centenas de famílias em suas casas e sob o risco de serem atingidas por tiros. Um exemplo pode ser visto abaixo, em registro recente nesta semana que apresenta cerca de 15 homens armados invadindo algumas das ruas estreitas dos dois lados do rio das Quintas. Disparos, medo e cenário de guerra.

Veja abaixo vídeos com imagens impressionantes:

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Esporte

Confira os adversários de ABC, América e Santa Cruz na 1ª fase da Copa do Brasil 2019

Foto: Felippe Costa / GloboEsporte.com

A CBF sorteou, na noite desta quinta-feira, em sua sede, no Rio de Janeiro, os duelos da primeira fase da Copa do Brasil 2019. A competição terá início no dia 6 de fevereiro, com as finais sendo disputadas nos dias 4 e 11 de setembro.

Confira os confrontos da primeira fase:

Altos-PI x Santos
São José-RS x Chapecoense
River-PI x Fluminense
Ferroviário-CE x Corinthians
Juazeirense-BA x Vasco
Aparecidense-GO x Ponte Preta
URT-MG x Coritiba
Rio Branco-AC x Bahia
Campinense-PB x Botafogo
Moto Clube-MA x Vitória
Tombense-MG x Sport
Brusque x Atlético-GO
Itabaiana-SE x Paraná
Central-PE x Ceará
Sinop x Santa Cruz-PE
Boavista-RJ x Figueirense
São Raimundo-PA x Criciúma
Sergipe x Goiás
São Raimundo-RR x América-MG
Real Desportivo-RO x Avaí
Galvez-AC x ABC-RN
Mixto-MT x CSA-AL
Votoporanguense-SP x Ypiranga-RS
Avenida-RS x Guarani-SP
Bragantino-PA x Asa-AL
Santa Cruz-RN x Tupi-MG
Operário-MS x Botafogo-PB
Sobradinho-DF x América-RN
Serra-ES x Remo
Operário-MS x Botafogo-PB
Imperatriz-MA x Náutico
Brasiliense-DF x CRB-AL
Tubarão-SC x Brasil-RS
Manaus – Vila Nova-GO
Foz do Iguaçu x Boa Esporte
Palmas-TO x Juventude-RS
Corumbaense-MS x Luverdense-MT
Fast-AM x Oeste-SP
Americano-RJ x Londrina
Atlético-CE x Joinville

A edição será disputada nos moldes da de 2018: primeira fase com jogo único e mando de campo do clube pior ranqueado, com o visitante jogando pelo empate.

A segunda fase contiua também sendo em jogo único, com os mandos definidos no sorteio desta noite. Nessa etapa, empate leva a decisão para os pênaltis.

A terceira fase já será no esquema de mata-mata (ida e volta). Quando ela terminar, haverá um novo sorteio entre os 10 clubes que sobraram. Eles disputam a quarta fase, também em mata-mata.

Depois, os cinco que sobrarem vão se juntar aos 11 times que entram diretamente nas oitavas de final. São eles Palmeiras, Flamengo, Internacional, Grêmio, São Paulo, Atlético-MG, Cruzeiro e Atlético-PR (todos na Libertadores), Sampaio Corrêa (campeão da Copa do Nordeste), Paysandu (campeão da Copa Verde) e Fortaleza (campeão da Série B). Há um novo sorteio nessa fase.

Globo Esporte

 

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Finanças

Bolsonaro quer doar mais de R$ 1 milhão de sobras de campanha

Foto: Tânia Regô / Agência Brasil

Antes das 8h desta sexta-feira (14), o presidente eleito, Jair Bolsonaro, usou sua conta no Twitter para informar que pretende doar as sobras de campanha para instituições de caridade. Segundo ele, restou mais de R$ 1 milhão.

“Continuamos fazendo gestões para viabilizar a doação do restante dos recursos arrecadados em campanha não utilizados [+ de R$ 1.000.000] às instituições beneficentes ao invés deste valor ficar preso ao partido.”

O relatório final do PSL apresentado ao TSE diz que a campanha do presidente eleito teve R$ 4,377 milhões em receitas, sendo R$ 3,728 milhões recebidos na modalidade “financiamento coletivo”.

Advogados de Bolsonaro consultaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de doações para entidades beneficentes.

A Resolução 23.553/2017 do TSE define que os partidos políticos são responsáveis pela transferência de eventuais sobras de campanha. O capítulo 2 da resolução trata exclusivamente sobre “sobras de campanha”.

Agência Brasil

 

Opinião dos leitores

  1. Se fosse para realizar uma micareta, ou qualquer coisa do tipo, o TSE já teria aprovado a doação há muito tempo.

  2. Amigo Breno foi sem dinheiro mesmo a prova está ae o dinheiro arrecadado q se achava que ia gastar foi poupado e agora está doando, simples né

    1. A campanha vitoriosa do PSL custou 10% do que a quadrilha do PT gastou, levaram uma surra nas urnas, e ainda ficaram devendo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Judiciário

Ex-prefeito no RN é condenado por não prestar contas de verba federal

A juíza Vanessa Lysandra Fernandes Nogueira de Souza, da Comarca de São Paulo do Potengi, condenou o ex-prefeito do Município de Santa Maria, Nilson Urbano, pela prática de Improbidade Administrativa, relativas a ausência de prestação de contas de verbas federais oriundas do Ministério do Turismo do ano de 2010.

Ele foi condenado à penalidade de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos, bem como à suspensão dos direitos políticos por três anos.

O ex-prefeito do Município de Santa Maria também foi condenado ao pagamento da multa civil equivalente a três vezes o valor da remuneração mensal recebida à época pelo acusado como prefeito municipal, a qual deverá ser revertida em favor dos cofres do Município de Santa Maria, nos termos do que preceitua o art. 18 da Lei n° 8.429/926.

A condenação atende à Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa proposta pelo Município de Santa Maria contra Nilson Urbano sob a alegação de que ele praticou ato de improbidade administrativa diante da ausência de prestação de contas em relação ao convênio de repasse financeiro de número 738450/2010, do Ministério do Turismo.

Em razão disso, o ente municipal sustentou que o ex-prefeito, Nilson Urbano, cometeu ato de improbidade administrativa, insculpido no art. 11, inciso VI, da Lei n° 8429/92.

Ao analisar as provas constantes nos autos, a magistrada percebeu que ficou comprovada a prática do ato de improbidade administrativa violador dos princípios da publicidade e da moralidade da Administração Pública.

Ela levou em consideração decisão do Tribunal de Contas da União, que, ao julgar as contas do poder executivo do Município de Santa Maria (Acórdão n° 7843/2016), constatou que o acusado não prestou contas em relação aos recursos repassados ao Município por força do Convênio nº 738450/2010, no valor de R$ 100 mil.

Prestação de contas

O Convênio tinha por objeto o incentivo ao Turismo, por meio do apoio à realização do Projeto intitulado “Festividades Juninas do município de Santa Maria/RN”, conforme Plano de Trabalho aprovado. Explicou que, apesar da decisão tomada pela Corte de Contas não vincular o magistrado, e de que o acusado tenha sustentado que a prestação das contas apenas foi tida como irregular diante a impossibilidade de apresentar os documentos comprobatórios necessários, tal argumento não merece respaldo.

Isto porque, segundo explicou, é evidente que ao final do ano financeiro, é dever de cada gestor apresentar os documentos referentes à prestação de contas, de modo que é de sua responsabilidade guardar e conservar toda a documentação necessária para viabilizar a análise das contas.

“Assim, inexistente qualquer justificativa para a não prestação de contas no prazo previsto, o Sr. Nilson Urbano, através de sua conduta, findou transgredindo o princípio da publicidade, uma vez que a norma violada não representa mera irregularidade formal, senão encerra em si um valioso instrumento de controle dos órgãos competentes e da sociedade, os quais devem acompanhar e fiscalizar a aplicação do dinheiro público”, comentou.

A juíza viu claramente que houve o dolo do ex-gestor em descumprir a norma legal contida no art. 11, inciso VI, da LIA. “Desta maneira, ao comprovadamente proceder da forma narrada na exordial, o réu sonega à sociedade as informações necessárias ao acompanhamento das despesas públicas, e assim tolhe a oportunidade de fiscalização da gestão dos recursos públicos, negando o próprio fundamento do princípio da publicidade – controle a ser exercido pelo povo”, finalizou.

Processo nº 0100739-19.2015.8.20.0132
TJRN

 

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Educação

Universidade Paulista expulsa 27 estudantes por fraude no sistema de cotas raciais

A Unesp (Universidade Estadual Paulista) anunciou nesta quinta (13) o desligamento de 27 alunos que faziam uso de cotas raciaispor se autodeclararem pretos e pardos, mas que não atendiam os requisitos previstos em lei.

A relação dos alunos foi publicada no Diário Oficial desta sexta (14), data quando o grupo será notificado e deixará oficialmente o quadro discente da instituição. Eles estarão proibidos de participar dos vestibulares para ingresso na Unesp pelos próximos cinco anos e poderão ter dificuldades para aproveitar o que já cursaram em outra instituição.

Esta foi a primeira vez que alunos são expulsos da Unesp por fraude no sistema de cotas, mas novos desligamentos estão previstos para os próximos meses. A instituição implementou uma comissão permanente para analisar denúncias e apurar suspeitas de irregularidades no processo de ingresso por cotas.

A instituição aceita alunos cotistas desde 2014, quando passou a reservar 50% das matrículas anuais para alunos oriundos da escola pública. Desse total, 35% destinam-se a pretos, pardos e indígenas.

De acordo com o professor de jornalismo e presidente da comissão da central de verificação das autodeclarações da Unesp, Juarez Xavier, a instituição precisou de tempo para se organizar e agir contra esse tipo de irregularidade.

Ele diz que várias etapas foram estabelecidas para que os casos tenham uma resolução eficiente. A ideia, segundo ele, é que em pouco tempo se tenha a garantia de que apenas os alunos com o devido direitoingressem na universidade por meio das cotas raciais.

Ele conta que, após uma série de denúncias e questionamentos, uma comissão provisória foi montada no final de 2016 para apurar o caso. Apesar de mudanças administrativas que ocorreram ao longo desse período, o trabalho da comissão foi mantido e avançou.

O professor explica que ocorreram ações coordenadas para a verificação de inconsistências nas autodeclarações. Os alunos sob suspeita de fraude foram chamados para entrevistas tanto no próprio campus onde estudavam quanto na comissão geral da universidade. Eles puderam justificar-se verbalmente na entrevista e também apresentar um recurso para defesa sobre o que os motivaram a fazer uso da cota no vestibular.

“A comissão convida o aluno para entrevista e o informa que a universidade tem dúvida quanto sua autodeclaração. Se ele tem a pele escura, não tem do que duvidar, mas ao contrário pode considerar válida ou inválida“, disse.

Segundo Xavier, o que pode ter gerado confusão na interpretação é que a cota para pretos e pardos leva em consideração o fenótipo da pessoa, que representa as características da raça que incluem cor da pele, traços do rosto, textura do cabelo. No entanto, muitas pessoas que se autodeclararam como preto e pardo alegaram que o fizeram devido a miscigenação da população brasileira ou por terem ascendentes com tais características.

“Nós recebemos o apoio de consultores jurídicos e levamos dois anos para chegar na fase que estamos agora. Utilizamos como referência a legislação das universidades federais, normas de concursos públicos, a votação do Supremo sobre a legalidade das cotas e até um documento do conselho federal do Ministério Público. A partir disso fizemos as instruções normativas e avaliamos caso a caso”, explicou.

Além dos 27 alunos desligados nesta decisão, outros 20 casos também já estão em andamento com características semelhantes e que devem ter o mesmo fim, a expulsão. Os nomes dos envolvidos e o que eles estavam cursando ainda não foram divulgados.

Sobre a ação dos alunos que serão expulsos, Juarez Xavier diz que prefere não tratar como fraude. “Houve uma interpretação equivocada sobre o critério de pardo. Apesar disso, essa ação causou um problema irreparável para aqueles candidatos que teriam o direito de fato às vagas.”

A Unesp tem 34 unidades em 24 cidades. As análises dos cotistas ocorrem em toda a instituição e cursos. Também não faz diferença se o aluno que descumpriu os critérios da autodeclaração esteja no primeiro ou no último semestre do curso de graduação. As penalidades serão as mesmas, incluindo o desligamento.

“Quando eles optaram pela cota causaram prejuízos concretos que não temos como remediar. Os alunos que perderam esse processo em anos anteriores não temos mais como chamá-los”, disse o professor.

Frei David Santos, diretor executivo da ONG Educafro, considerou um avanço a ação da Unesp em relação aos alunos que usaram indevidamente as cotas raciais. “As cotas foram criadas para as pessoas fenotipicamente negra, que são as que sofrem com o preconceito. Quem é genotipicamente negro não tem direito a esse benefício”, explicou.

Segundo Frei Santos, há cerca de dois anos a Educafro remeteu à Unesp um ofício com informações sobre fraudes entre os cotistas e pediu providências. A organização chegou a iniciar um pedido de providências ao Ministério Público, mas não deu prosseguimento quando obtiveram o compromisso da reitoria de que providências seriam tomadas.

“Nos reunimos com o reitor para mostrar provas contundentes de que haviam alunos usando as cotas de forma irregular. Ele mostrou disposição em agir, por isso confiamos que as medidas seriam adotadas”, afirmou.

Para o frade franciscano, o desligamento dos 27 alunos é o início de uma ação bem maior que pode corrigir injustiças que ocorreram.

“Fomos atendidos nessa primeira ação, mas vamos lutar por outras duas causas. As pessoas que fraudaram as cotas precisam ser presas e processadas, e a Unesp precisa lançar um novo edital para oferecer de imediato as vagas que estavam ocupadas com uso de fraudes. É responsabilidade deles fazer com que as pessoas verdadeiras ocupem seus lugares agora”, disse.

Frei David diz que a expectativa sobre o tema é positiva. Ele afirma que há muita burocracia e, assim como na Unesp, o grupo entrou com pedidos similares em outras universidades públicas, que ainda não se posicionaram.

Segundo explicou, a maior parte das irregularidades costuma ser apontada pelos próprios estudantes das instituições. “Quem nos ajuda a identificar as fraudes são estudantes, tantos os alunos brancos honestos, quanto os negros que se sentem lesados por essas irregularidades.

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Interessante. Para resolver isso vão criar tribunais racias? É isso? Mas no Brasil não é autodeclaração?

    Admitir que criaram algo que não funciona bem, nem reflete a justiça devida eles não fazem. Se um casal de pais de peles diferentes tem filhos também de peles diferentes, por que um filho tem direito e outro não teria?

    Tribunal Racial é que não dá.

  2. Quero vê ter coragem de fazer isso na UFRN, e assim realmente entrar negros e pardos de vdd, e que têm direito a essas vagas.

    1. Concordo Fausto. Aliás, não só aqui, em todo Brasil. O Ministério Público Federal tem que solicitar um recadastramento de comparecimento pessoal de todos que passaram nas “cotas”

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Economia

Maior participação de estrangeiros na aviação Brasileira que pode chegar até 100% pode beneficiar passageiros

A permissão para que estrangeiros invistam até 100% no capital de empresas aéreas brasileiras pode aumentar a concorrência do setor, atraindo novas companhias para operar no Brasil, além de derrubar o preço das passagens beneficiando os passageiros, especialistas em aviação consultados pelo GLOBO. Segundo esses especialistas, o tamanho do mercado brasileiro é um dos principais atrativos para o interesse dos estrangeiros: o Brasil é o sexto maior mercado de aviação do mundo e este ano devem ser transportados 100 milhões de passageiros.

— O mercado brasileiro tem potencial de crescimento de duas, três vezes em pouco tempo. Em mercados como Canadá ou Austrália, por exemplo, vende-se de 3,5 até 4 passagens por ano por habitante. No Brasil, a relação é de 0,5 passagem por habitante. Portanto, podemos crescer 100% rapidamente com a entrada do capital estrangeiro e maior concorrência – avalia Adalberto Febeliano, especialista em economia e planejamento do transporte aéreo.

Ele observa que o investidor que procura oportunidades no setor aéreo sempre tem o Brasil no radar, mas esbarrava na limitação de até 20% do capital votante. Febeliano observa que as companhias brasileiras já possuem investimento estrangeiro, que poderá ser ampliado. Na Gol, a americana Delta Air Lines é dona de 9,5% das ações e o grupo Air France-KLM tem 1,5%. Na Azul, a americana United Airlines tem 8% de participação.

— A Latam também seria beneficiada já que poderia reorganizar sua estrutura de capital. Quando foi criada, com a fusão entre a TAM e a LAN, já havia a previsão de que os chilenos poderiam aumentar sua participação no capital da empresa quando o limite de 20% fosse ampliado – lembra o advogado Felipe Bonsenso, especializado em Direito Aeronáutico.

A família brasileira Amaro e a chilena Cueto são as controladoras da Latam Airlines, com cerca de 28% das ações somadas. E a companhia árabe Qatar Airlines tem 10%.

A Avianca Brasil, que teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça com dívidas que chegam a R$ 494 milhões, poderia juntar formalmente a operação com a Avianca Holdings, baseada na Colômbia, que tem como sócios controladores os irmãos Efromovich. German é dono da empresa colombiana, enquanto o irmão José controla a companhia no Brasil.

Novas tecnologias e modelos de gestão

Além de maior injeção de capital nas companhias brasileiras, as estrangeiras poderiam trazer novas tecnologias e novos modelos de gestão, melhorando a qualidade da administração, observa o advogado Felipe Bonsenso. Para ele, o que chamou a atenção na MP foi o aumento do limite de 20% para 100% da participação do capital estrangeiro.

— É um limite muito maior do que o que se discutiu no governo Dilma Rousseff, quando se pretendia elevar a participação dos estrangeiros para até 49%. A situação da Avianca certamente foi decisiva para aumentar esse limite até 100% – disse Bonsenso.

Para Thiago Nykiel, diretor executivo da consultoria Infraway, especializada no setor aeronáutico, a MP é muito positiva e quem deve ganhar é o consumidor. Para ele, ela abre perspectivas para que empresas estrangeiras se instalem no Brasil – com CNPJ brasileiro – e aumentem ainda mais a concorrência. Com isso, a tendência é que diminua a concentração no segmento, atualmente dominado por quatro empresas.

— A MP abre o leque para que empresas low cost venham ao Brasil e aumentem a oferta de voos, reduzindo o custo por assento – diz Nykiel.

Procurada para comentar a MP, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que não comentaria a decisão do governo. Entre as empresas aéreas, não houve consenso na avaliação da medida. Em nota, a Latam informou que é favorável ao capital estrangeiro nas companhias aéreas, “pois esse é um setor que exige capital intensivo, e a medida estimula o crescimento, gerando riqueza para o Brasil”.

A Azul informou, em nota, que vê com preocupação a assinatura da medida provisória que abre o setor aéreo ao capital estrangeiro.

“Por não haver equilíbrio de concorrência e reciprocidade entre as companhias aéreas brasileiras e estrangeiras, a Azul se posiciona contrária à proposta e sustenta que a ausência de contrapartidas não trará benefícios para as empresas aéreas do Brasil”, escreveu a companhia.

A Gol e a Avianca não se posicionaram sobre a MP.

O GLOBO

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Jornalismo

João de Deus: milionário após garimpo, aficionado por ‘carrões’ e curandeiro desde os 16 anos

João de Deus faz atendimentos na casa de Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em 1976, no interior de Goiás. Ele recebe por dia entre 2 mil e 3 mil pessoas Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
João de Deus faz atendimentos na casa de Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em 1976, no interior de Goiás. Ele recebe por dia entre 2 mil e 3 mil pessoas Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

O GLOBO

Ele serviu como alfaiate no Exército durante a juventude e fez fortuna garimpando ouro em Serra Pelada, o “eldorado” do Pará, no início da década de 80. Mas foi com a mediunidade que João Teixeira de Faria ganhou fama, atraiu a atenção de multidões — incluindo celebridades e políticos — e se tornou o João de Deus. Ou “John of God”, como também é frequentemente chamado, já que, hoje, cerca de 40% dos que o procuram são estrangeiros, segundo contas do prefeito José Aparecido Diniz, de Abadiânia, cidade onde o líder religioso atende.

Homem de 1,80 metro e dentes de porcelana, o médium mais famoso do Brasil é analfabeto funcional, devido à pouquíssima escolaridade que recebeu em Cachoeira da Fumaça, vilarejo goiano onde nasceu, em 1942. É o mais novo de seis filhos de um casal pobre — pai alfaiate e mãe dona de casa. Frequentou a escola apenas até o equivalente ao segundo ano do ensino fundamental.

“Passei fome e trabalhei muito para ter o que tenho”, relata ele na biografia “João de Deus: Um médium no coração do Brasil”, lançada em 2016 pela historiadora Maria Helena Machado — e com venda suspensa pela editora, a Companhia das Letras, após a onda de denúncias.

Embora tenha exercido diversos trabalhos quando jovem, João de Deus, hoje com 76 anos, enriqueceu como garimpeiro. Ele repetiu em várias entrevistas ao longo dos anos que foi “um dos primeiros a chegar” a Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo. O lugar, no interior do Pará, chegou a reunir mais de 100 mil pessoas atrás de ouro. Na época, João já fazia trabalhos de cura, e muitos acreditam que a paranormalidade também o ajudou a encontrar pepitas gigantes — uma delas pesava mais de 250 kg. Rezava a lenda que ele, com poderes paranormais, ele descobria veios de minério no subsolo.

Dono de garimpo e de fazenda de R$ 2 milhões

Sua fortuna atual ninguém sabe ao certo, mas inclui um garimpo de ouro em Nova Era, Minas Gerais, do qual ele é sócio, e pelo menos uma fazenda no valor estimado de R$ 2 milhões. Não está claro em qual estado fica essa fazenda.

A assessoria de imprensa do médium já disse em algumas entrevistas nos últimos anos que ele tem outras propriedades rurais, mas não informa onde ficam, nem qual é o valor delas. Em 2008, a revista “Galileu” publicou que o médium tinha quatro fazendas. Em algumas, criava gado, e em outras cultivava soja.

Não à toa, ele é sempre visto durante seus atendimentos no centro espiritual que mantém, localizado na pequena cidade de Abadiânia, interior de Goiás, com um grosso cordão de ouro em volta do pescoço e um chamativo anel de esmeralda.

A “Veja” publicou em junho de 2017 que ele tinha em seu nome 28 casas em Abadiânia. Segundo a publicação, ele também teria adquirido, desde 2008, nove propriedades em Anápolis, a 40 quilômetros de distância do centro espiritual. Suas vaidades, segundo o próprio João, são os “carrões”. Ele contou à revista ser também dono, ao menos na época, de um avião Seneca II de seis lugares.

Casado por dez vezes, e com 11 filhos

O médium é casado com a décima mulher, a advogada Ana Keyla Teixeira Lourenço, 40 anos mais nova do que ele. E tem 11 filhos, dos quais somente a caçula é filha de Ana Keyla.

De formação católica, ele afirma que teve sua primeira experiência mediúnica aos 9 anos de idade. Diz que, aos 16, serviu de médium pela primeira vez na “cura” de uma pessoa. Logo em seguida, atravessou vários estados do país realizando seus trabalhos.

Em uma de suas andanças, João decidiu montar um centro em Abadiânia. Foi então que, em 1976, fundou a Casa de Dom Inácio de Loyola — santo do qual é devoto e cujo espírito diz incorporar. É lá onde ele realiza dois tipos de “cirurgias espirituais”: as invisíveis, feitas apenas com o poder da mente, e as que incluem cortes com utensílios domésticos, como facas e tesouras. Ele realiza cortes e incisões sem sequer o uso de anestesia.

Denúncias de charlatanismo

Quando começou a fazer tais “cirurgias”, logo depois de fundar a Casa, ele foi alvo de uma avalanche de críticas de instituições espíritas e de denúncias de exercício ilegal da medicina junto ao Conselho Regional de Medicina de Goiás. No final da década de 70, antes da fama, ele chegou a ser preso por charlatanismo.

Passou, então, a andar com uma pastinha debaixo do braço, repleta de cartas de delegados e deputados. Todas atestando a idoneidade, a eficácia, a compaixão e a generosidade de suas cirurgias espirituais. É que, depois das primeiras acusações de exercer a medicina ilegalmente, ele descobriu que recomendações de autoridades eram a melhor salvaguarda para conseguir fazer os atendimentos sem risco de prisão.

“Se eu chegasse em um lugar e fosse atender o povo, primeiro tinha de visitar as autoridades”, contou ele ao “Correio Braziliense”, em abril de 2017.

A polêmica é mesmo um marco em sua biografia. João de Deus já foi acusado de sedução de menor, atentado ao pudor, contrabando de minério e até assassinato. Em nenhum dos casos o médium foi julgado culpado.

Devido a pressões de padres da Igreja Católica, João de Deus cogitou, em 1983, mudar a sede de seu centro para outra cidade. No entanto, ele foi convencido a permanecer graças a um bilhete do médium ícone do espiritismo brasileiro, Chico Xavier, que disse ser Abadiânia o lugar ideal para o centro: “Prezado João, caro amigo, Abadiânia é o abençoado recinto de sua iluminada missão e de sua paz”, dizia a cartinha.

João não cobra nada pelas consultas e operações espirituais, mas vende os remédios prescritos por ele mesmo e fabricados por uma farmácia de manipulação própria, a JTF (iniciais do seu nome).

Alcance mundial

A popularidade de João de Deus foi alavancada em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine se tratou com ele de um câncer na região abdominal. A partir daí, ele não só se tornou muito mais conhecido no Brasil, como também ganhou fama mundial. Passou a atrair turistas vindos de países como Índia, Austrália, Alemanha e Estados Unidos.

Um novo marco na trajetória do médium foi quando a apresentadora Oprah Winfrey visitou o centro de Abadiânia em 2012 e exibiu na televisão uma entrevista com ele. Segundo relatos de funcionários, Oprah chorou feito criança durante o encontro. Na exibição, a americana acompanha uma das cirurgias feitas pelo médium, mas se sente mal e é obrigada a parar a gravação. Depois, Oprah disse ter tido uma revelação.

“Surgiram lágrimas de gratidão. Gratidão pela jornada de toda minha vida e não apenas pelo que havia dado certo, mas também pelo que não tinha”, afirmou ela, em seu programa.

A lista de pacientes de João de Deus é gigante. Já recebeu vários ex-presidentes da República brasileiros e estrangeiros, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer, Hugo Chávez, Alberto Fujimori e Bill Clinton. Também já recebeu as apresentadoras Xuxa e Luciana Gimenez, as atrizes Dira Paes e Giovanna Antonelli e a modelo internacional Naomi Campbell — apenas para citar alguns.

Incorporação de 33 entidades

Ele conta que incorpora 33 entidades. A mais influente seria Dom Inácio de Loyola — que dá nome ao centro espiritual de Abadiânia —, padre espanhol que fundou a Companhia de Jesus, no século XVI.

Em entrevista à “Época”, durante visita da reportagem ao centro em julho deste ano, ele disse não se recordar de nada do que se passa durante as sessões. Afirmou que “quem cura é Deus”. Frase muito repetida por ele ao longo dos anos.

“Nunca atendi ninguém. Quem atende é Deus. Nunca curei ninguém. Quem cura é Deus. Eu sou só o mensageiro”, disse ele ao “Correio Braziliense”, em abril de 2017.

Todos esses espíritos teriam uma única missão: a de tratar doenças que vão de depressão e esclerose até câncer — enfermidade das que mais leva fiéis a Abadiânia.

Atualmente, nenhum serviço comercial abre na via principal da cidadezinha sem receber “aval” de alguma entidade recebida pelo médium.

Em setembro de 2015, apesar de defender a veracidade de suas curas, João de Deus não quis passar por uma “cirurgia espiritual” para tratar um câncer agressivo no aparelho digestivo. Ele se submeteu a uma longa e delicada cirurgia convencional no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, um dos mais renomados do Brasil, onde ficou internado por mais de três semanas.

Como é a rotina do centro espiritual

João de Deus atende entre 2 mil e 3 mil pessoas por dia, todas as quartas, quintas e sextas-feiras. Isso representa cerca de 20 mil fiéis por semana. O centro, chamado de Casa de Dom Inácio de Loyola, tem 40 funcionários e 20 voluntários — os chamados “filhos da Casa”.

Dentro do centro, há uma televisão que repete à exaustão as “cirurgias visíveis”, com cortes. Na primeira filmagem, João passa uma faca de cozinha no globo ocular de uma mulher; na segunda enfia uma tesoura com algodão no nariz de um senhor e gira; na terceira faz um corte na barriga de uma jovem e aperta. Esse tipo de procedimento só é feito a pedido do fiel. Após uma intervenção, visível ou não, é necessário repouso absoluto por 24 horas. Em torno da área de espera, encontra-se também a livraria, que vende lembranças variadas, pedras semipreciosas e os curiosos terços que apresentam um triângulo no lugar do crucifixo.

O triângulo é um símbolo da Casa. As três arestas simbolizam os três pilares que a Casa diz seguir: fé, amor e caridade. Na varanda em frente ao cômodo onde são feitos os atendimentos, há um altar com um triângulo de madeira na parede, com aproximadamente 1 metro de altura, no qual fiéis encostam a testa ou colocam fotos, exames médicos e cartas.

Passando por uma pequena porta azul que leva à sala em formato de U onde são feitos os trabalhos, outro triângulo — este translúcido — está pregado na parede acima da cadeira em que João de Deus se encontra.

Dentro do grande salão onde ele faz os atendimentos públicos, um rádio alterna hinos católicos com canções sobre a Casa tocadas em moda de viola e, não raro, algumas músicas de Roberto Carlos.

Uma parte importante do tratamento oferecido na Casa de Dom Inácio são as pílulas de passiflora. Vendidas em frascos de 50 unidades, devem ser tomadas todos os dias pela manhã e pela tarde, de forma que cobram-se R$ 100 pelos dois frascos necessários para os 50 dias de tratamento. Na farmácia da Casa também são vendidos remédios que seriam indicados para emagrecimento, xarope e uma pomada para cicatrização.

Opinião dos leitores

  1. Uma pena que João das Deusas tenha incorporado o velho tarado por mulheres vulneráveis. Espiritualmente ele suplantou a tão decantada eficácia do Viagra.

  2. HÁ MUITOS DOENTES AQUI VIU…..! O QUE DIABOS TEM A VER LULA COM ESSA REPORTAGEM???? E É PORQUE O CARA TÁ PRESO….!!!!KKKKKKKKKKKKK

  3. CHARLATÃO E PICARETA COMO MUITOS NESTE PAÍS DE ANALFABETOS , VIDE O MOLUSCO E A SIGLA QUE ELE REPRESENTA !!!

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Saúde

Cerca de 3 mil brasileiros inscritos no Mais Médicos ainda não se apresentaram e prazo vence hoje

Cerca de 3.000 candidatos que se inscreveram no programa Mais Médicos ainda não se apresentaram nos municípios para os quais foram alocados. O prazo para que comecem a trabalhar termina nesta sexta (14). Foram abertas no total 8.517 vagas.

CADEIRA 2 

Os dados foram apresentados nesta quinta (13) para a comissão tripartite que acompanha o programa. Ela é composta por representantes dos municípios, dos estados e da União.

SUSPENSE 

Uma segunda questão aflige os gestores: boa parte dos mais de 4.000 médicos brasileiros que já se apresentaram no trabalho pode deixar os cargos a partir de março, quando começam as residências médicas do país.

OBA! 

O alto número de inscritos na primeira etapa do edital aberto para substituir os médicos cubanos chegou a entusiasmar Jair Bolsonaro. Ele chegou a dizer, no Twitter, que “quase 100% das vagas [dos cubanos] já foram preenchidas por brasileiros”.

OPS! 

Até agora, 60% delas foram de fato preenchidas.

MÔNICA BERGAMO

Opinião dos leitores

  1. Onde estão os Medicos Patriotas que tiveram seus cursos adiantados, suas formaturas apressadas, colacões de graus aceleradas, exames de revalida dispensados, residência e experiência não exigidas, e com tudo isso, depois de toda essa "forcinha amiga", ainda não se apresentaram?
    kkkkkkkkkkkkk
    Esperem pelo número de desistências dos que não aguentaram seis meses.

  2. Palhaços, até nisso, pra que se inscreve se não quer assumir? deveriam ser multado pela palhaçada.

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Judiciário

Moro diz que Lula ‘fez coisas boas’ e lamenta ter condenado o ex-presidente

O ex-juiz e futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, disse lamentar o fato de ter sido o autor da sentença que condenou o ex-presidente Lula.

“Da minha parte nada tenho contra o ex-presidente. Acho até lamentável que eu, infelizmente, tenha sido o autor da decisão que condenou uma figura pública que tem a sua popularidade e que fez até coisas boas durante sua gestão, mas também erradas”, afirmou durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena no programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

“Isso no fundo não é um bônus para mim, é um ônus. Mas o fiz cumprindo o meu dever.”, completou o ex-juiz.

Lula foi condenado por Moro, em julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Em janeiro deste ano, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a pena para 12 anos e um mês de detenção. Depois de negados os recursos da defesa, Moro determinou a prisão do petista. Lula se entregou à Polícia Federal em 7 de abril e continua preso na Superintendência da PF, em Curitiba.

A defesa de Lula já entrou com vários de liberdade junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ (Superior Tribunal de Justiça) alegando atuação política de Moro no julgamento do ex-presidente. Um dos recursos teve análise suspensa pela Segunda Turma do Supremo, no último dia 4, e não tem data para ser retomado

O ex-juiz negou perseguição a um determinado grupo político e afirmou que a Lava Jato atingiu representantes de diferentes partidos.

“Essa alegação de que a Justiça foi parcial nesses casos ignora que por desdobramento da Lava Jato vários outros personagens políticos da oposição também respondem a investigações e acusações sérias perante outros fóruns”.

Moro diz que aceitou o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para assumir a pasta da Justiça com o objetivo de realizar um bom trabalho no combate à corrupção e à violência. E que tal atividade, mesmo com elementos políticos, é diferente da política ligada aos partidos.

“Não me vejo ingressando na política partidária, sem nenhum demérito aos que ingressaram. Na minha visão ainda sou um técnico que está indo para uma posição que tem um encargo político, mas para fazer um trabalho específico”, afirmou Moro.

A entrevista teve tom de conversa entre amigos, com vários elogios de Datena ao futuro ministro. O apresentou se referiu a Moro como um homem “corajoso” e que “não vive um personagem”

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Fez como Itamar, Sarney, Collor, fhc e temer, no entanto, após o cômputo geral, apresenta um negativo maior que os outros, política de gastança qualquer um faz, quero ver na hora de pagar a conta.

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Segurança

Milicianos mataram Marielle Franco por causa de terras, diz general

Entrevista com secretário da segurança pública do Rio, Richard Nunes em seu gabinete no centro da cidade
Entrevista com secretário da segurança pública do Rio, Richard Nunes em seu gabinete no centro da cidade Foto: Fabio Motta

 

A vereadora Marielle Franco (PSOL) foi morta porque milicianos acreditaram que ela podia atrapalhar os negócios ligados à grilagem de terras na zona oeste do Rio. O crime estava sendo planejado desde 2017, muito antes de o governo federal decidir decretar a intervenção federal no Rio. As revelações foram feitas pelo general Richard Nunes, secretário da Segurança Pública do Rio. Nunes, que assumiu a pasta no dia 27 de fevereiro, relatou os casos que encontrou na secretaria e diz que vários generais que vão assumir cargos na área no próximo ano procuraram o comando da intervenção no Rio para levar o modelo de gestão para outros Estados. Leia, a seguir, sua entrevista:

O senhor imaginava o tamanho do problema que encontraria aqui?

Imaginava. Primeiro porque sou do Rio e acompanhei a evolução do quadro da Segurança no Estado. Segundo, porque comandei a força de pacificação na Maré (ocupação militar de complexo de favelas, zona norte do Rio, de abril 2014 a junho de 2015), vendo de perto no nível tático, na ponta da linha, o que estava acontecendo no Estado e, depois, como comandante da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) era um tema de estudo nosso. Não me surpreendeu, mas o fato de não me surpreender não significa que eu não tenha me deparado com ações que eu não imagina.

Dos R$ 1,2 bilhão enviados pelo governo federal, por enquanto o gabinete da intervenção conseguiu empenhar 39,06% do total ou R$ 468 milhões. Qual foi a dificuldade para se conseguir gastar esse dinheiro?

Esse é um aspecto fundamental do início da ação: compreender as restrições impostas pelo regime de recuperação fiscal; Isso não estava claro para ninguém. O regime de recuperação fiscal estabelecido em setembro de 2017 nos causou embaraço de todas ordem. Tanto que a verba federal alocada aqui teve de ser administrada por uma estrutura que não existia, que nós tivemos que criar. Ai foi uma luta contra o tempo. Em uma intervenção de curta duração, tivemos de montar esse processo ao mesmo tempo em que montávamos a estrutura para fazer as licitações. No âmbito da secretaria, colocamos em funcionamento o Fised, o Fundo Estadual de Segurança Pública e e Desenvolvimento Social. Ele é uma dádiva. São 5% dos royalties do petróleo. Neste ano, já superamos R$ 300 milhões e no próximo nossa expectativa é superar R$ 400 milhões.

Como estava frota da polícia quando o senhor chegou?

O índice de indisponibilidade era de 50%. Metade da frota sem condições de rodar e as últimas aquisições datando dos grandes eventos, coisa de cinco anos. A crise econômica que se abateu sobre o Rio provocou dois efeitos graves: o atraso de pagamento de salário e o Estado deixar de honrar contratos, como o de manutenção. Os carros iam enguiçado e sendo encostados. Tinha batalhão com menos de dez viaturas para rodar. O policiamento virou a pé com consequências gravíssimas para os indicadores de criminalidade. Não tínhamos ostensividade. Mesmo que tivesse policial não tinha viatura para transportá-lo.

O senhor tinha ideia disso quando assumiu?

Víamos a criminalidade se expandir e não víamos mais a polícia. A polícia desapareceu. A polícia estava a pé. E a desmotivação era completa. O quadro que encontramos em fevereiro era muito negativo. Com pagamentos atrasados – o 13.º só foi sair no final de abril –, sem equipamento, sem capacidade de mobilização, pois algumas verbas de premiação não eram pagas, como o regime adicional de serviço, no qual o policial trabalha na folga. Criou-se um descrédito, porque a crise econômica cria uma crise moral e as pessoas começam a deixar o interesse público em segundo plano. Era um salve-se quem puder. Tivemos de atacar fortemente isso aí, e foi na garganta, pois não tínhamos o que entregar. Era pegar o pessoal e dizer: acredite que vai melhorar. Nossa intervenção foi de gestão, de atrair os policiais com maior senso de liderança para os postos chaves. Hoje, a situação da frota não é a ideal, mas nós conseguimos fazer a entrega e comprar cerca de 2 mil viaturas. Isso com recursos do Estado. As com recursos federais tem mais 1,5 mil viaturas que devem chegar de um licitação de R$ 200 milhões (hoje a PM do Rio tem 3,5 mil viaturas e a Polícia Civil tem 1,3 mil viaturas). E também criamos uma estrutura logística para a manutenção.

O senhor considera que esse foi o principal efeito da intervenção?

Esse foi o grande diferencial dessa intervenção, o legado que acredito que vai ser apropriado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. O general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira virá aqui se reunir comigo e com o general Braga Netto; o (futuro) secretário de Segurança de São Paulo, o general João Camilo Pires de Campos, o futuro secretário do Paraná, general Luiz Carbonell, estiveram aqui conversando. Está havendo um interesse nas experiências da intervenção federal que possam ser úteis em outras partes do País. E o grande diferencial foi exatamente esse. Fizemos a intervenção com propósito muito mais de reestruturar os órgãos do que de tratarmos do dia a dia da criminalidade. Segurança Pública é muito absorvida pela temática da criminalidade, mas ela não é só isso. Nossa preocupação é que o legado da intervenção tenha prosseguimento. O maior risco que a gente corre aqui é a divisão da secretaria, como pretendido pelo novo governo. É como acabar com o Ministério da Defesa. Como acabar com essa estrutura e fazer a integração? Já deixei patente em várias reuniões. Eu e o general (interventor) Braga Netto, mas o tempo vai passando, e a gente vai ficando cada vez mais preocupado. Não adianta ficar pedindo GLO (operações de garantia da lei da ordem com emprego de tropa das Forças Armadas na segurança pública). Esse negócio de GLO virou uma panaceia.

Aliás, continua GLO depois do fim da intervenção?

Não. GLO morre com a intervenção, no dia 31 de dezembro.

O senhor é crítico do modelo das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs). Ele deve ser abandonado?

A minha crítica não é ao modelo em si, mas à maneira indiscriminada como ele foi empregado. Imaginar que em uma área de atuação de um batalhão existe uma organização comandada por um oficial inferior com efetivo superior ao do batalhão que não presta contas ao batalhão. Isso é um contrassenso. Há locais em que você pode ter uma polícia de proximidade dentro do conceito de pacificação perfeitamente e fazendo isso integrado ao batalhão da área. Não extinguimos as UPPs. Fizemos uma rearticulação. Sete delas deixaram de ser UPPs e passaram a ser companhias de batalhão, que é o caso da Cidade de Deus (favela na zona oeste do Rio). Ali não tem sentido fazer uma UPP. Como faz polícia de proximidade em uma área enorme daquela? É colocar no ombro da polícia uma responsabilidade maior do que ela pode assumir. E começa a dar errado, pois o policial se torna refém de uma estrutura montada no terreno inadequada para o enfrentamento daquela realidade. Imobiliza a polícia. Ela precisa ter dinamismo, deslocar-se no terreno, ter liberdade de ação. Determinadas UPPs se tornaram uma prisão para os policiais. Eles tinham de permanecer em bases sem a menor condição de fazer o patrulhamento daquela área. Foi um desperdício de recursos e daí a perda de credibilidade. Seria melhor preservar as UPPs naquelas iniciais para que elas se consolidassem. Porém, o interesse político falou mais alto e houve expansão das UPPs para outras áreas onde não havia condições de dar certo porque naquela época era uma marca positiva e trazia dividendos político-eleitorais. Tivemos de romper com isso e só a intervenção podia fazer isso. Pela autonomia política que desfrutamos a gente pode fazer esse movimento sem causar maiores comoções. O modelo UPP não está proscrito. Está sendo revisto e poderá funcionar em outras regiões do País.

General, o caso Marielle foi uma afronta à intervenção?

Não foi. O que entendo hoje é que os criminosos superestimaram o papel que a vereadora poderia desempenhar. Era um crime que já estava sendo planejado desde o final de 2017, antes da intervenção. Isso aí nós temos já; está claro na investigação. O que aconteceu foi o contrário. Os criminosos se deram conta da dimensão que tomou o crime por ter sido cometido na intervenção. Não podemos entender como afronta porque eu assumi em 27 de fevereiro. E dei posse ao comandante da PM no dia 14 de março, que foi o dia do crime. Estávamos iniciando um trabalho. E hoje com os dados de que dispomos de 19 volumes de investigação fica claro que se superestimou o papel que ela desempenhava.

Que papel?

Ela estava lidando em determinada área do Rio controlada por milicianos, onde interesses econômicos de toda ordem são colocados em jogo. No momento em que determinada liderança política, membro do legislativo, começa a questionar as relações que se estabelecem naquela comunidade, afeta os interesses daqueles grupos criminosos. É nesse ponto que a gente precisa chegar, provar essa tese, que está muito sólida. O que leva ao assassinato da vereadora e do motorista é essa percepção de que ela colocaria em risco naquelas áreas os interesses desses grupos criminosos.

Como ela colocaria em risco?

A milícia atua muito em cima da posse de terra e assim faz a exploração de todos os recursos. E há no Rio, na área oeste, na baixada de Jacarepaguá problemas graves de loteamento, de ocupação de terras. Essas áreas são complicadas.

A atuação dela seria de fazer…

Uma conscientização daquelas pessoas sobre a posse da terra. Isso causou instabilidade e é por aí que nós estamos caminhando. Mais do que isso eu não posso dizer.

 

Para ler o complemento da entrevista só clicar aqui: https://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,milicianos-mataram-marielle-por-causa-de-terras-diz-general,70002645671

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Economia

Comissão do Congresso aprova Orçamento da União de R$ 3,3 trilhões para 2019

Foto: Agência Brasil
A Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (13) a proposta orçamentário para a União de 2019. Será o primeiro Orçamento da gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O texto do senador Waldemir Moka (MDB-MS), que detalha as receitas e despesas federais, precisa ser analisado no plenário do Congresso antes de seguir para a sanção presidencial. A tendência é que o projeto seja analisado pelo plenário na semana que vem, uma vez que o recesso parlamentar terá início no dia 23.

Na prática, como o prazo final para a sanção ou veto deverá ser no começo janeiro, a decisão poderá ficar nas mãos do presidente eleito.

A proposta prevê receitas e despesas totais para o ano que vem de R$ 3,381 trilhões. O projeto considera que o déficit nas contas públicas pode chegar a R$ 139 bilhões, o equivalente a 1,9% do PIB.

“Não estamos aqui fabricando receita. Estamos fazendo um Orçamento dentro do que o poder Executivo mandou”, declarou o relator.

Na área das despesas, os gastos com a Previdência lideram – R$ 637,9 bilhões. Gastos com pessoal somam R$ 351,4 bilhões.

A dotação prevista para o Bolsa-Família em 2019 é de R$ 29,5 bilhões – o texto reduziu o montante previsto para o programa que está condicionado a aprovação de créditos: esse valor passou para 5,7 bilhões.

O Mais Médicos terá R$ 3,7 bilhões no ano que vem. Já o programa Minha Casa, Minha Vida terá prevista dotação de R$ 4,6 bilhões.

Os investimentos vão alcançar R$ 38,9 bilhões. Os benefícios fiscais – renúncias de tributos e subsídios, por exemplo – devem somar R$ 376,2 bilhões no ano que vem, valor que corresponde a 5,1% do PIB.

“O governo de transição participou, conversou, esteve aqui conosco e deu a contribuição que poderia dar dentro do prazo que nós estabelecemos”, afirmou o presidente da CMO, Mário Negromonte Júnior (PP-BA).

Salário mínimo

O relator manteve a previsão do salário mínimo em R$ 1.006, valor proposto pelo Poder Executivo em agosto, quando o projeto foi enviado. O valor definitivo para 2019, no entanto, só será oficializado em decreto editado pelo governo em primeiro de janeiro.

O novo salário, por lei, é calculado a partir de uma fórmula que leva em conta o crescimento do PIB e a variação do INPC, índice que mede a inflação. Atualmente, o mínimo está em R$ 954.

G1

Opinião dos leitores

  1. 7% disso se perde pela corrupção, é 230 bilhões de reais perdidos, dinheiro suficiente pra atender as condições degradantes que vivem a população, e em poucos anos mudar o perfil do nosso país. por isso essa briga desmedida pelo poder desse crápulas.

    1. Excelente análise, parabéns. A corrupção continuará sendo por um bom tempo o câncer desse país… do pobre ao bilionário, a cultura de querer se dar bem em cima da desgraça dos outros tem que mudar.
      Que Deus abençoe essa nação!

    2. …. e cerca de 45% disso será pra encher a pança dos banqueiros/agiotas q inclusive elegeram o presidente capacho.

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